Não há nada mais prático do que uma boa teoria – Kant – da minha coleção de frases;

Nada melhor que em uma reunião, alguém muito sério, pedir a palavra e dizer:

“Vamos colocar o pé no chão?”

Sempre causa um impacto, eis um pragmático, um cara que sabe fazer.

É comum em sala de aula, alunos pedirem exercícios práticos.

“Vamos praticar, pois teorizar é papo furado”.

Claro, que pé no chão é fundamental.

Mas nem sempre o pé no chão de curto prazo é a melhor opção.

E nem podemos confundir pensar, analisar e refletir com pé na lua.

Pragmatismo é também pensar para não cometer besteira!

É por isso que os teóricos afirmam que existem dois tipos distinto de mudanças práticas possíveis na sociedade:

  • As mudanças nas ações, de continuidade;
  • E as mudanças nas percepções, de ruptura.

As primeiras são de curto prazo, quanto mais rápidas ocorrerem melhor, a partir de dada percepção de cenário.

As segundas são de longo, mais reflexivas, demoram mais tempo e são mais complexas, mas balizam um conjunto de ações, depois da revisão da percepção, geralmente aliadas ao planejamento estratégico.

Entretanto, há casos e casos.

E deve haver sabedoria do momento certo de se aplicar uma ou outra.

Pragmatismo, ou visão de curto prazo, não são antibióticos que servem para qualquer dor de cabeça!!!

Se estamos em um buraco, como disse Marcos Cavalcanti, semana passada, no encontro do BNDES,  quanto mais cavarmos, mais fundo estaremos dentro dele.

Ou seja, há momentos, de ruptura, crise, grandes saltos, que exigem mudanças de percepção, para sair do buraco e ver de fora.

Adequado o processo, redefinido o cenário, volta-se às ações e aos pragmáticos da ação, (pois existem também os pragmáticos da percepção).

O mundo 2.0 nos traz essa novidade.

Depois de 550 anos, note bem o tempo, estamos mudando o ambiente de conhecimento da sociedade.

Uma grande ruptura.

Não se trata de mudanças nos modelos dos negócios, mas do negócio em si, que precisam se ajustar ao novo ambiente de conhecimento, que levará toda a sociedade de roldão.

Qualquer pragmatismo sem reflexão nessa hora exige cautela.

Nada pior que um cara vendado, na frente de um precípicio, muito pragmático, dizer, chega de papo, vamos em freeeeeeeeeeeeeeente….

Sugere-se para as corporações:

  • 1- criar um comitê multi-disciplinar de mudança 2.0, com forte peso da diretoria e presidência e multiplicadores chaves;
  • 2- discussões teóricas, filosóficas bem amplas do mundo que estamos entrando;
  • 3- definir cenários possíveis para onde vão as demandas futuras dos consumidores da sua área de negócio;

(recomenda-se focar no problema e não na solução: rádio=necessidade de som a distância / jornal = receber notícias a distância / petróleo = suprir a energia necessária para o mundo funcionar, etc.)

  • 4- traçar uma estratégia para poder atender no tempo e lugar estas demandas, a partir do problema que pode mudar o jeito, mas não a necessidade;
  • 5- Redefinir o negócio a partir daí;
  • 6- Criar modelos de negócio adequadas à nova visão;
  • 7- Traçar uma estratégia de mudança externa e interna;
  • 8- Abrir esse processo para o conjunto da empresa para colher sugestões e começar o processo de mudança, seja com a mesma empresa ou criando até uma nova (como fez as Americanas.com);
  • 9- E, só então, partir para as ações práticas, em um processo de reavaliação constante entre o cenário definido e a realidade enfrentada, mantendo o comitê de mudanças ativos, com reuniões regulares.

Aos pragmáticos de plantão que estão cavando, cavando sem querer mudar de percepção, no buraco, apenas um pedido:

Quando o cava-cava chegar no Japão, manda um e-mail! :)

Por fim, deixo a frase do Yves Doz, da minha coleção:

Boa parte das empresas morre não por fazer coisas erradas, mas por fazer a coisa certa por um tempo longo demais;

Que dizes?