Deus é a nossa impotência em forma de crença - Nepôda safra de 2011;

Bom, vamos a um tema mais profundo e polêmico.

(Para informação, sou agnóstico, respeito quem acredita e faço, apenas, digressões filosóficas, históricas e pseudo-científicas sobre a relação de Deus com a Informação sem querer desrespeitar ninguém.)

Que bom que tenho um blog para essa prática compartilhada! :)

Diria que o fenômeno “Deus” para a civilização – do meu ponto de vista –  representa a necessidade humana de lidar com tudo aquilo que não conseguimos controlar ou explicar.

(Claro que cada um tem uma relação com isso, mas falo da humanidade.)

Lá dos tempos dos Deuses da chuva, do trovão, da água, da terra, etc…Deus vem sendo útil e necessário para a humanidade para lidar com as suas impotências.

Vide a adoração e largo uso de seu nome, principalmente em fenômenos que não conseguimos controlar ou explicar (enchentes, terremotos, Realengos).

Se sou impotente diante de um fato, “entrego a Deus”.

O avanço da civilização – aumento de população – vem nos obrigando a sofisticar nossa relação com nossas impotências e com as coisas que não podemos explicar.

Vem a Ciência tentar ajudar um pouco a “explicar” o que seria culpa de Deus.

  • Deus ficaria no espaço daquilo que não conseguimos explicar – nossa impotência;
  • A Ciência é a tentativa de exercer nossa potência, delimitada por descobertas possíveis que vem se colocar no lugar de Deus.
  • E a nossa onipotência é achar que tanto uma quanto a outra vão resolver todos os nossos problemas.

Quanto mais complexo é o ambiente menos podemos lidar com fatores imponderáveis, que a ciência, as técnicas tentam agir e tentar explicar.

(Recuso-me a aceitar quando se fala em fenômeno inexplicável. Diria: fenômeno ainda não estudado e aprofundado para chegarmos a verdades sempre provisórias sobre ele.)

A ciência – nos últimos séculos – cumpriu o papel de ir jogando luz nos “deuses do trovão e etc”.

Sofisticando a figura de Deus.

Há, assim, uma relação intrínseca entre nosso avanço enquanto humanos em direção a dominar a natureza para sobreviver, a necessidade de mais ciência e, podemos dizer, da sofisticação, inclusive, do conceito de Deus.

Por fim, tudo isso é influenciado pelos ambientes informacionais.

O conceito de Deus antes do surgimento da escrita impressa, que popularizou a mesma, era de um Deus mais gestor, que escolhia reis (que tinham sangue azul por causa disso) e papas.

Ambos exerciam uma forte influência na sociedade, que era muito mais regida por Deus do que é hoje, cada vez menos gestor.

Deus é a figura do pai e exerce simbolicamente um papel importante em como respeitamos as autoridades.

Vejo pessoas que atribuem a dada autoridade algo de Deus.

Quando Deus perdeu seu espaço e força na gestão das sociedades, por causa do avanço da ciência e do domínio informacional, criamos regimes democráticos que incorporavam o poder de Deus às pessoas, quando passamos a escolher quem nos representava na sociedade.

E não mais aceitávamos quem Deus havia escolhido um Rei de sangue azul.

“Deus Autoridades” passaram a ser eleita, digamos assim por um poder mais coletivo dos homens e menos divinos.

Não era mais compatível um estado no qual Deus podia escolher quem nos governava, apesar de isso existir fortemente e até com retornos do poder da religião nos Estados ainda hoje.

A chegada de um novo ambiente informacional tende a nos levar a um avanço na possibilidade de conhecer, de trocar, de quebrar determinados paradigmas, entre eles, a figura de quem nos representa (em nome de Deus (coletivo), mesmo escolhido por nós).

Há – como houve – no fim da Idade Média, marcada pela chegada do papel impresso, o surgimento de um Deus mais horizontal, pois as pessoas se “potencializam” com a nova mídia e descobriram que o “Deus” é mais a gente do que achávamos antes.

E temos mais poder do que imaginávamos.

Deus tende a ser incorporado nas pessoas.

Potencializando-as e reduzindo seu medo diante do desconhecido.

E isso é uma subjetividade importante na mudança em curso.

Tal imaginário, pode-se dizer, que começa a criar um novo Deus 2.0, muito mais horizontal do que o anterior, com mais potência do indivíduo em relação ao coletivo.

Somos e seremos mais Deuses do que no passado, reduzindo o espaço de Deus nas coisas cotidianas.

Ou seja, para criar a nova democracia nas pontas, precisamos rever, de novo, a figura de Deus, pois estamos nos potencializando ainda mais.

Ele tende a ficar ainda mais etérea, mais espiritual e menos interventor.

Quanto mais amadurecemos informacionalmente, mais caminharemos nessa direção, conforme analiso a história da relação entre informação, democracia e a nossa percepção de Deus.

Que, como se vê, é mutante na sociedade.

E essa nova visão do novo Deus mais científico, mais colaborativo, mais gente como a gente, que vai nos fazer questionar ainda mais as autoridades vigentes, que, no fundo, não estão falando em nome de nenhum poder superior, apesar de terem sido eleitas para isso.

O sistema é falho e vai precisar de uma revisão, que começa também pela maneira que organizamos a sociedade.

Note que ao percebermos o quanto tudo é produto de construção humana, mas podemos interferir nela e vice-versa.

E se procurará pessoas mais espiritualizadas, mais grupais, mais representantes de um poder superior (do coletivo) para se colocar no lugar.

É a procura de uma nova representação mais espiritualizada, de líderes mais coerentes e mais fiscalizados por uma nova mídia social que tudo vê e tudo sabe.

É o lado etéreo e espiritual da nova democracia que desponta, necessária para acelerar o processo de inovação social e, por sua vez, resolver graves problemas de produção para um mundo mais populoso.

Temos que incorporar mais um pedaço de Deus para sermos mais potentes.

A base de uma nova filosofia, com um Deus muito mais horizontal, que trafegará no meio de nós.

Que dizes?