O problema não é o excesso de informações, mas a falta de filtros Tyler Cowen - da minha coleção;

Outro papo que rolou bacana no grupo de estudos II, que começou semana passada, foi sobre como podemos nos posicionar diante do caos informacional.

Temos tempo para tanta informação?

Como se informar e não se sentir vazio?

A sociedade aborda o problema de forma equivocada.

Da solução para o problema e não o contrário.

1) sempre vamos precisar de filtros;

2) quanto mais formos nos planeta, mais os filtros terão que ser flexíveis;

3) quando flexibilizamos os filtros, um novo mundo de liberdade se abre e queremos que não só a informação seja produzida dessa nova maneira, mas toda a sociedade espelhe esse ambiente.

É a passagem da civilização 1.0 para a 2.0.

Os filtros desabaram, o “Muro de Berlim” da Idade Mídia veio abaixo!

Viva a nova sociedade dos filtros novos!

Porém, há filtros, tais como o Google, os filtros dos nossos amigos, da própria mídia, etc…

Ou seja,  que se alterou com o mundo digital pós- Internet, mais do que tudo, foi a maneira que filtramos.

O que ocorre  é que, ao mesmo tempo que aumentou bastante o volume de informações, os filtros com os quais estávamos acostumados,  ”morreram”.

A mídia filtrava o mundo para nós e aceitávamos isso, com todos os problemas que isso acarretava.

Esse, a meu ver, era o gargalo da civilização.

A mídia de massa se mostrou incapaz – com seu filtros – de nos informar adequadamente, a partir do aumento vertiginoso da população.

Precisávamos de um novo ambiente informacional que nos permitisse:

- sermos globais;

- diversos, distintos, plurais;

- rápidos, globais e locais;

- livres para produzir, trocar, produzir, alterar, conversar e, como o tempo, como faremos mais adiante, conseguir mudar o planeta.

Hoje, a mídia deixou de ser o filtro-mor, tem o seu peso relativizado.

E nós estamos órfãos de filtros.

Vivemos um verdadeiro luto melancólico:

“ahhhh…nos bons tempos”.

Precisamos reconstruí-los, entretanto, com outro paradigma.

Avisa-se: excesso de informação, bem como a escassez pré-internet,  além de não nos deixar produzir bem, cria sérios distúrbios afetivos-cognitivos.

O primeiro passo que temos que encarar é duro, vou dizer com calma e quero que você se prepare.

(Vai pegar um café.) :)

Será como a morte da mãe do Bambi.

“A mamãe filtro mídia de massa morreu!”

Nunca mais o humano será filtrado como fomos na Idade Mídia.

Como precisamos de filtros, é hora de amadurecer e construir novos , que começam por cada um repensando seu papel no mundo, pois é essa mudança da maneira nova de filtrar – com mais liberdade – que construirá a nova civilização.

(Vou aprofundar esse assunto em outros posts.)

Resumo do Funk:

Filhinh@ tem que crescer!

Assim, na reconstrução, é preciso incorporar o papel da mãe-filtro dentro de nós e ir adiante.

É algo parecido com a chegada do livro impresso, que também marcou a morte da mãe-filtro-igreja e nos colocou diante de um novo mundo de liberdades, nova igreja, novo Deus, nova sociedade, novo sistema econômico.

Veja o que diz o diretor executivo do “El País” sobre isso, retirada daqui:

“O problema é entendermos que estamos diante de uma mudança de civilização. Assim como os monastérios perderam o poder intelectual que tinham após a aparição da prensa móvel, hoje o poder informativo não é mais apenas dos jornais e editoras. A estrutura informativa como a conhecíamos pertence agora ao Antigo Regime. Não digo que o novo seja absolutamente bom, e que a tradição seja totalmente rechaçável. Há valores que é preciso resguardar, como os direitos humanos, o direito à propriedade intelectual. Mas temos que reconhecer que mudou”.

Estamos entrando em outro, até nos acostumarmos a nova liberdade vai demorar, será ajustada, mas em outro patamar.

Quando os livros impressos chegaram ao mundo, não foram poucos os intelectuais que disseram que não estava tendo tempo de ler nem as lombadas.

Como proceder?

O que o ser humano faz diante de qualquer grande volume informacional é atuar em duas direções:

Do lado de dentro:

- aprofundar o auto-conhecimento, tudo ao mesmo tempo agora:

Quem sou?

O que quero?

O que posso?

Do que preciso para?

Isso é diário, ajustando a cada dia, pois vamos nos conhecendo mais e mais.

Do lado de fora:

-  aprofundar para saber quem vai nos ajudar no processo do nosso auto-conhecimento e na potencialização dele;

Quem é?

O que quer?

O que pode?

Do que preciso (dele/dela) para?

Isso vale para pessoas físicas e jurídicas.

Blogs;

Revistas;

Artigos científicos;

Quem sigo no Twitter, minhas comunidades, etc…

E aí vem a relação com o tempo para cada coisa:

- merece atenção especial?

- dar uma olhada geral?

- apenas ler o primeiro e último parágrafo?

- ver o título?

- jogar direto no lixo?

O problema principal é que o que deveria ter atenção especial, vemos o título e o que deveria ser descartado damos atenção especial.

E precisamos de lógica, da tampa da caixa, para saber como montar o quebra-cabeças.

(Ver mais sobre isso aqui.)

É preciso olhar para o processo como um exercício diário de auto-conhecimento, mas como estamos todos no piloto-automático….

O piloto-automático, aliás,  não só é péssimo para cada humano e para a sociedade, como, nessa altura do campeonato, quando precisamos viver a liberdade dos filtros, é algo acachapante.

Que dizes?

Diário do blog: esse post é a evolução deste aqui.