Vou tentar apresentar, assim, a teoria demográfica cognitiva, que vai  procurar demonstrar que quanto mais gente tivermos no planeta mais precisaremos desintermediar a sociedade.

Versão 1.0 - 20 de agosto de 2012
Rascunho - colabore na revisão.
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(Sugeri no post passado a criação de um campo de estudo da macrocognição. Aqui,  neste post, vai o resultado preliminar dos meus estudos nessa nova área.)

Podemos dizer hoje, a partir do avanço dos estudos da macrocognição, que somos muito mais marcados pelas mudanças demográficas/cognitivas do que supõe nossa vã filosofia.

Quando aumentamos a população, criamos demandas produtivas, que nos levam a inovar, a precisar de uma comunicação mais aberta e rápida e, por sua vez, a desintermediar.

Vou tentar apresentar, assim, a teoria demográfica cognitiva, que vai  procurar demonstrar que quanto mais gente tivermos no planeta mais precisaremos desintermediar a sociedade.

Vamos a ela.

Ao estudar rupturas do ambiente cognitivo no passado, podemos apresentar um gráfico como esse aí embaixo, apenas, a partir do estudo dos últimos 500 anos, o que torna a hipótese completamente ainda alfa – precisando mais e mais pequisas.

(Aviso aos navegantes: fiz essas curvas baseados apenas nos últimos 500 anos e há muito que podemos aprender se colocarmos algo assim mais ainda para o passado.)

No início da curva, temos a chegada de novas tecnologias cognitivas desintermediadoras, que permitem um aumento radical da taxa de circulação das ideias em várias regiões, de forma simultânea.

Tais ambientes estavam antes fortemente controladas pelo ambiente cognitivo passado, que conseguia muito mais controle. Assim, se colocarmos essa mudança no tempo, teremos um quadro da seguinte maneira, coletando algumas mudanças radicais desintermediadoras:

 

Por que podemos apontar curvas que sobem e descem?

São marcadas pelo controle e descontrole das ideias no mundo.

  • Uma nova tecnologia cognitiva desintermediadora abre a possibilidade de novas ideias circularem, expandindo a consciência, abrindo novas frentes de pensamento, criando surtos de inovação, ampliando um lado mais intangível sobre o tangível, se quiser, mais espiritual (no sentido do fortalecimento do coletivo)  sobre o material (no sentido do pensamento do individual).
  • Na parte debaixo da curva, temos a chegada da nova tecnologia, a curva ascendente da troca de novas ideias, uma mudança na gestão da sociedade (via revolução radical) e um momento de consolidação, pois passa-se a aprender a usar as novas tecnologias e a controlar de novo a troca de ideias, criando o movimento de decadência, no qual o individual se sobrepõe com mais intensidade no coletivo.
 Podemos dizer que, a partir desse modelo, que teríamos dentro das ondas de desintermediação as seguintes fases:
Fase 1 –  difusão e a massificação da nova tecnologia desintermediadora;
Fase 2 – um forte movimento filosófico, oriundo da nova troca de ideias, dentro do novo ambiente cognitivo criado;
Fase 3 – mudanças sociais, que consolidam o conjunto de novas propostas formuladas pelo movimento filosófico.
Isso nos daria o modelo geral, que podemos aplicar assim com a chegada da prensa:

A curva descendente depois é o aprendizado do uso do papel impresso, o surgimento do rádio e da televisão, que aumentaram o poder de intermediação, nos levando à crise atual de comunicação e, por sua vez, de produção, inovação e de gestão das organizações e sociedade.
Que causas estariam por trás destas ondas?
O aumento da população, pois quanto mais gente no mundo, mais desintermediado ele tem que ser para ser gerenciado!
Vamos a alguns dados que aumentam nossa suposição. Os dados sobre aumento da população dos tempos modernos, pós-cristo, colhido no Wikipedia (apenas para ilustrar):
Com o seguinte gráfico:

Note que a população começa a ter um pico de crescimento no ano mil e vai subindo de tamanho até 1800 quando, por fim, ela dispara completamente.

Podemos supor que o crescimento populacional exige que um conjunto de parâmetros sociais mais desintermediados seja possível para que se possa suprir todas as demandas produtivas.

Quanto mais gente, mais demandas e isso obriga que a gestão da sociedade tenha que se modificar.

Note que em 1800 é justamente a marca do fim do processo de desintermediação cognitiva que teve replicação no modelo de gestão da sociedade, tanto na política (república “eu escolho o rei”), como na economia (capitalismo “eu monto o meu negócio”) e na sociedade como um todo (“eu escolho que livro vou ler, que religião vou escolher, onde quero morar”).

Na parte de cima da nossa curva dos ciclos de desintermediação, temos no seu início a  revolução francesa e americana, que modelou a república (desintermediação dos reis e papas) e econômico (desintermediação dos nobres, que detinham o poder de fazer negócios, com a chegada do capitalismo).

Podemos aferir, assim, pela lógica que se:

  • a) não tivéssemos a prensa em 1450;
  • b) não tivéssemos os surtos filosóficos que se seguiram;
  • c) e as revoluções desintermediadoras, por volta de 1800…

…que seria impossível ter o pico que tivemos e a possibilidade de um mundo mais compatível com o tamanho passado e a sustentação necessária para o crescimento futuro da população.

Agora, podemos aplicar a população ao quadro, tendo como estudo o Ciclo de Desintermediação do papel impresso até os dias de hoje:

O que podemos analisar desse quadro?

1- que antes do ciclo de desintermediação do papel impresso, tivemos um salto demográfico que quase dobrou a população mundial, talvez tenha chegado perto, pois os dados são imprecisos;

2 – que depois de iniciado o ciclo e, principalmente, com a desintermediação política e econômica, a população pode se expandir, aumentando em mais de 10 vezes o seu tamanho.

É bom notar que o ciclo de desintermediação que possibilitou esse salto ocorreu de 1450 até 1800, quando foram formuladas todas as novas propostas de mudanças da gestão social, que nos trouxe até aqui, iniciando um novo ciclo, a partir da chegada da Internet em 1990.

Assim, não é ilógico supor que antes dos ciclos de desintermediação temos um aumento da população, que nos cria a latência de um novo ambiente cognitivo, que nos leva a um fluxo de repensar o mundo, a revoluções que nos consolidam a desintermediação e um ciclo de ordenação, reiniciando tudo de novo.

O que é forte nessa hipótese:

a) poderia justificar de forma mais adequada causas e consequências, fazendo relação entre demografia, cognição e mudanças sociais em vários níveis, permitindo uma nova visão das mudanças históricas, com forte aplicação para a estratégia da civilização. Carece de muito mais pesquisa para se tornar algo mais consistente, mas é o primeiro passo;

O que é fraco nessa hipótese (ainda):

b) para que algo assim pudesse ser mais comprovado, precisaríamos rever os ciclos anteriores, analisar o aumento do população mais para trás.

Além disso, teríamos que procurar aplicar a fórmula macro no micro.

Ou seja, pesquisas específicas em micro-ambientes que sofreram forte aumento de pessoas, qual foi a sequência de mudanças, pela lógica acima apresentada deveria ser:

  • a) há crescimento de volume de pessoas;
  • b) que implica em mais administração de dados;
  • c) crises;
  • d) pressão para soluções;
  • e) abertura para novos canais de troca de ideias;
  • f) que levam a uma desintemediação na gestão;
  • g) para resolver as crises que o aumento do volume causou.

Em uma ordem mais ou menos por aí, seguindo essa lógica.

Vamos indo..

Que dizes?