Podemos dizer, assim, que o salto de 1 para 7 bilhões de pessoas no planeta nos últimos 200 anos é a principal causa do surto inovador que temos hoje.

Versão 1.0 - 06 de julho de 2012
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Ninguém pode dizer que não tenho rodado por aí falando sobre o mundo 2.0.

Posso contabilizar mais de mil o número de pessoas que tive contato presencialmente em palestras, cursos, encontros, aulas nos últimos dois anos.

E, na verdade, estou deixando de ser um especialista em mudanças 2.0 para ser um conhecedor de mudanças de maneira geral e – para estar na moda – em inovação.

Não é à toa, que tenho me aproximado mais e mais dessa literatura para poder entender por que temos tanta dificuldade de mudar.

Na verdade, temos que ver o problema de dois ângulos diferentes: o estrutural e o conjuntural.

Estruturalmente, o ser humano é um economizador de cérebro.

Ou seja, criamos normas, padrões, hábitos (que podem virar vícios) para tornar uma série de ações automáticas na nossa vida.

Isso é assim e sempre será.

O problema, acredito, é a taxa de piloto automático que criamos.

Quando estamos em uma etapa do mundo mais estável e a taxa do piloto automático é baixa, a coisa é compatível e vice-versa.

Conjunturalmente, temos variações dessa taxa de piloto automático em relação à demografia.

Um mundo mais povoado, nos leva necessariamente a uma necessidade de maior produção, que nos leva a um ritmo maior de inovação.

Não tem jeito, segundo uma mistura de liquidificador de Malthus com Schumpeter: quanto mais formos no planeta, mas teremos que ser inovadores.

Ponto.

Podemos dizer, assim, que o salto de 1 para 7 bilhões de pessoas no planeta nos últimos 200 anos é a principal causa do surto inovador que temos hoje.

Essa taxa de mudança é turbinada fortemente com a chegada de uma Revolução Cognitiva que não só torna mais clara as crises do mundo passado, como cria um conjunto de novas ideias, pensadores, inovadores, projetos de inovação, capital de risco, crowdfunding, que cria uma aceleração geométrica num mundo que era aritmético.

Independente a discussão sobre a migração para o mundo 2.0, a maior parte das empresas já não considera inovação um palavrão e têm procurado fazer esforços para, pelo menos fingir, que está fazendo algo nessa direção.

Os acionistas gostam de saber que existe um setor responsável por isso. :)

Porém, a ideia de um comprometimento – à vera – com uma carteira de inovação bem planejada mexe justamente nesse lado estrutural humano – fingimos que queremos mudar, mas, no fundo, não queremos.

Uma carteira de inovação prevê que a mudança – apesar de não ser uma tendência humana – fará parte do dia-a-dia das organizações.

Ou seja, estamos “Ichinguiando” as organizações, tentando torná-las permanentemente mutantes. Quanto mais o setor é dinâmico, mas verás algo próximo dessa tentativa.

Ou seja, o que estamos falando, de forma objetiva é: precisamos criar um modelo permanente para que a empresa não se deixe levar pelo lado preguiçoso do cérebro – que é natural do humano, pois isso pode levar – num mundo mutante – ao fracasso.

A carteira de inovação serve para não só prever mudanças, mas não deixar que nossa ação conservadora tome conta.

Gosto da ideia da  administração da carteira de inovação de Geoff Tuff e Bansi Nagji, quando defendem:

  • 70% da carteira de inovação para mudar o tradicional, incrementalmente;
  • 20% para criar coisas novas, mas a partir do tradicional;
  • e 10% para transformar completamente o que se faz.

Ou seja, precisamos de 10% de algo novo e esse novo tem já que ser todo pensando em um modelo de empresas digital nativa, com todos os recursos de criação mais colaborativa que a Internet permite.

O que tenho defendido mais recentemente é que esses 10% não podem estar dentro da cultura atual. A tendência de algo novo em um ambiente velho é que o velho seja mais forte do que o novo.

Assim, isso precisa ser feito do lado de fora, previso na carteira de inovação, o que vai garantir que alguma parte da organização já está mais perto do futuro e caminhando mais rápido para ele do que os demais.

Seria, assim, uma mudança mais Piaget (planejada, organizada e barata) do que a Pinochet (na base da ameaça, da pressão, sem organização e muito mais cara).

Por aí, que dizes?