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A maioria dos erros consiste apenas em que não aplicamos corretamente o nome às coisas Espinosada minha coleção de frases.

http://wfmenezes.blog.uol.com.br/images/conhecimento.jpg
(Texto revisado no dia 05/10/09)

Tenho conversado bastante com o professor Marcos Cavalcanti sobre como deveria ser o nome mais adequado para um MBA de Gestão de Conhecimento.

(Ele é o coordenador do MBA de Gestão de Conhecimento da Coppe e eu sou professor lá).

Não resta dúvida e os livros e as pesquisas estão aí para comprovar o que também constatamos em qualquer palestra de grande empresa: “Quem trabalha com trabalho manual?” .

Ninguém vai levantar a mão.

A maioria de nós opera diante de um computador, trabalhando basicamente com a sua capacidade mental, ou como a literatura prefere “utilizando o seu capital intelectual”.

Dessa maneira, me parece que qualquer empresa que vá  pensar o futuro, não pode imaginar que vamos administrar o conhecimento das pessoas na visão da antiga corporação, mas, pelo contrário, que temos que pensar uma nova forma de gestão que possa gerenciar melhor o capital intelectual.

Aparentemente, pode parecer que a gestão do capital intelectual e do conhecimento seja a mesma coisa, apenas um diletantismo, mas não é.

O dia-a-dia de toda a empresa é hoje basicamente o uso intenso do trabalho mental.

Cada vez mais gerenciamos robôs que fazem nosso trabalho.  O que estamos discutindo não é a gestão do conhecimento, mas propriamente a gestão de uma empresa cada vez mais intelectual.

Dessa maneira, não teremos a gestão do conhecimento, mas uma nova gestão da empresa que passa pelo melhor uso do trabalho intelectual.

Além de saber quem faz o que, é fundamental:

  • que se diminua drasticamente as tarefas repetitivas e burras, pois está desperdiçando neurônios, horas de trabalho, e, portanto, recursos;
  • que NÃO executem atividades replicadas em vários departamentos, por falta de interação;
  • que a produção da informação de forma colaborativa passe a ser peça-chave na gestão, pois com ela agiliza-se o fluxo do conhecimento, gerando cada vez mais valor agregado e acelerando também a capacidade para a mudança e, portanto, da inovação. (Revisão deste parágrafo feita no dia 30/10, por sugestão de comentário postado pelo Formanski).
  • e, por fim, que a empresa se coloque com uma perspectiva de trabalho rede. Um ambiente que envolve tanto a parte de dentro, como a de fora, dos clientes aos fornecedores, formando uma grande cadeia produtiva agora do “nós” e não do “ele e nós”.

Assim, não me parece adequado o termo “Gestão do Conhecimento”, pois nos leva a impressão de mais um modismo, que vai passar.

Mas uma nova gestão que leve em conta o uso intenso do capital intelectual.

É nessa direção que o meu diálogo com Marcos aponta.

(Depois deste post, caminhei bastante para o conceito da Gestão Por Redes, que seria a adoção das redes como parte integrante da empresa.)

23 Responses to “Gestão de conhecimento ou gestão na sociedade do conhecimento?”

  1. Luiz Ramos disse:

    Gestão do Conhecimento e Gestão do Capital Intelectual.
    Muito interessante esse posicionamento.

    Gerir o Conhecimento pode passar uma idéia de controle da atividade de produção do Conhecimento, que deve ser, livre. Gerir o Capital Intelectual de cada grupo social ou empresa torna-se mais liberal e eticamente correto, pois dependerá da vontade de cada referido grupo.

    Assim, o Conhecimento Coletivo permanecerá livre e acessível a todos e o Capital Intelectual de cada grupo será subordinado à sua própria vontade.

    A triangulação fornecedor, produtor e consumidor caracterizará uma gestão de Capital Intelectual dos grupos envolvidos, visando à qualidade dos produtos e serviços.
    Estou chegando agora e gostando do assunto.
    Luiz Ramos

  2. Kaléu disse:

    Nepô, não sei se entendi perfeitamente sua idéia, mas não vejo que exista a necessidade de escolhermos um ou outro termo. Ambos são diferentes apear de interrelacionados.

    A Gestão do Conhecimento seria o processo pelo qual a orgnização permanecesse em ciclo de produção de conhecimento pelos 4 processos (internalização, socialização, explicitação e combinação). Ou seja, a Gestão do Conhecimento favorece que a empresa continue sempre produzindo algo novo a partir dos seus processos.

    A Gestão do Capital Intelectual podera estudar a aplicação desse conhecimento para atingir os objetivos colocados por você..fundamentais, concordo. Poderíamos ter aqui um novo ramo preocupado que esse conhecimento todo fosse levado para todas as atividades “rotineiras” da empresa, transformando-as em fonte de valor para a organização e seus clientes.

  3. cnepomuceno disse:

    Kaléu,

    na verdade….é preciso pensar em etapas:

    1) teremos um novo tipo de empresa no futuro?
    2) se sim, o que muda na gestão?

    O que defendo é que sim, teremos uma nova empresa, um novo ambiente de conhecimento, que precisa de uma nova gestão.

    O que observamos é que a empresa precisa mudar, mas a gestão continua a mesma, como é necessário alterar algo, muitas vezes se apela para pequenas mudanças, mas não se toca no problema de fato.

    Se temos um novo tipo de empresa, (e isso não está claro ainda para a maioria) precisamos de uma nova gestão de uma nova empresa na sociedade fortemente movida pelo capital intelectual e não apenas um departamento de “gestão de conhecimento” para colocar algumas coisas novas no velho modelo.

    Claro que é necessário uma passagem….e sobre isso discuti no artigo: http://cnepomuceno.wordpress.com/2008/10/21/empresa-do-futuro-parte-iii/

    Mas se não conseguimos ver o todo, fica difícil trabalhar com as partes.

    O que me diz agora? Ficou mais claro meu ponto de vista? Você concorda com ele ou sugere outro caminho?

  4. Kaléu disse:

    Dessa forma a Gestão do Conhecimento (ou dos processos de criação do conhecimento) estaria “dentro” da Gestão do Capital Intelectual (ou qualquer que seja o nome desse novo modelo)?

  5. cnepomuceno disse:

    Kaléu,

    acredito numa nova gestão, na qual o conhecimento é peça central. Todas as metodologias que ajudarem nessa direção serão bem aproveitadas.

    Veja ainda que as tecnologias da Web 2.0 caminham muito para ajudar nos conceitos básicos da Gestão de Conhecimento: quem sabe o que, faz o que, está aonde, o que quer saber, compartilhar, etc….

    Não me parece serem duas coisas separados mais uma só que tenderão a se apoiar mutuamente.

    O que achas?

  6. Formanski disse:

    Nepomuceno,

    Não entendi esta afirmação:

    “3) que a informação colaborativa não passe a ser peça-chave na gestão, pois agiliza-se o que se saber sempre num patamar de mais valor;”

  7. cnepomuceno disse:

    Formanski,

    agradeço a dúvida, pois o parágrafo estava confuso. Dei uma trabalhada nele, veja lá em cima, com a referência da correção. Me diga o que acha agora…abraços, Nepô.

  8. Formanski disse:

    Nepomuceno,

    Este parágrafo ficou interessante. Sendo a aprendizagem uma função da interação social, a produção da informação de forma colaborativa acelera o processo de aprendizagem. Concordo contigo que não se trata apenas de gestão do conhecimento mas de uma nova gestão na sociedade do conhecimento. Trabalho com portal colaborativo e as vezes me pedem funções da velha gestão para serem implementadas no portal que está sendo concebido para uma nova gestão, é como se tivéssemos um helicóptero e andássemos pela estrada usando as rodas e não a hélice, precisamos de um novo modelo mental ou novo modelo de gestão que utilize os recursos disponíveis de comunicação todos com todos. Agora percebi que ainda não entendi o parágrafo 2 também,

    “2) que se executem atividades replicadas em vários departamentos, por falta de interação;”

    Podes me explicar mais…

    Felicidades,

    Formanski

  9. cnepomuceno disse:

    Formanki,

    veja o meu post sobre blog é trabalho?

    A tendência do registro em rede, compartilhamento e agregamento de informações com as novas ferramentas vão permitir diminuir a redundância….

    Eu vou ver o que você faz.

    Vai ter o twitter corporativo..o que eu estou trabahando agora…

    O que está na rede agora será downloadado para as empresas. essa idéia do download da rede como uma nova etapa é do Andre Lemos. Ver palestra dele na ABCiber.

    abraços,

  10. Formanski disse:

    Nepomuceno,

    Li o post “blog é trabalho ?” e já comentei, entendi o que tu quis dizer e concordo plenamente, porém lendo assim diretamente o parágrafo 2 parece uma afirmativa´, penso que falta um “não” conforme abaixo:

    “2) que NÃO se executem atividades replicadas em vários departamentos, por falta de interação;”

    para ficar coerente com a idéia do post.

    Felicidades,
    Formanski

  11. cnepomuceno disse:

    Formanski,

    é isso mesmo, já revisei, grato pela dica,

    Nepô.

  12. sebastiao andrade disse:

    Nepomuceno,
    Compartilhando as abordagens, percebo:

    – Conhecimento, olhar objetivo, visão racional, masculina, padronizada do processo.
    – Sociedade do Conhecimento, olhar subjetivo, visão intuitiva, holística, feminina, do universo recriado de cada Ser ao nascer de cada dia, anarquização do processo.

    Prefiro Sociedade do Conhecimento, Peopleware, Humanware – alicerce do software e do hardware.

    Pela lei da precedência, o sujeito é o colo que acolhe, cria ou recria o objeto.

    Gestão das Pessoas de Conhecimento, consigo perceber. Até por entender a palavra Sociedade com significados sociológicos e psicológicos de grande complexidade. Embora seja um termo profundamente holístico.

    Pessoas são holísticas.

    Para gerí-las há que mudar a percepção do ano civil para o ano social (entendo o ano social como o período que decorre desde a fecundação saudável até a devolução da habilidade adquirida pelo Ser) – da ordem de 20 anos.

    Ou o ano social ou o imediatismo.

    Ou as organizações se integram à gestão das Pessoas, em Sociedade, ou não sobreviverão.

    Muito agradeço compartilhar as percepções e desejo muito progresso no seu exercício de abrir caminhos.

  13. cnepomuceno disse:

    Sebastião, essa visão holística se encaixa bem na idéia de ecologias que precisam ser preservadas, no caso a da informação, que no centro estão os humanos.

    Grato pela visita,
    forte abraço,
    Nepomuceno.

  14. MaFer disse:

    Olá Nepô!
    Tomei conhecimento desta sua página através de uma colega de trabalho. Estou com a árdua e desafiante tarefa de dar continuidade num trabalho iniciado na instituição onde trabalho, denominado “Gestão do Conhecimento”.
    Tenho lido bastante sobre a área e as várias abordagens… aqui no seu site encontrei muita coisa que “bate” com as conclusões a que tenho chegado. realmente, não existe Gestão do Conhecimento, mas sim um grande guarda-chuva que contempla vários conceitos para gerar o que eu creio ser melhor denominado “Gestão PELO Conhecimento”. Explico: esta nova empresa que está se consolidando, busca na verdade guiar-se PELO conhecimento gerado tanto interna quanto externamente e que pode ser captado e transformado em bens. Aí, sob este guarda-chuva creio que podemos encontrar outras famosas “gestões” em debate por aqui e em outros trabalhos : G. por competencias; G. da informação; G. de pessoas; Marketing interno et al.
    O que pensa… estou em devaneios? rsrsrs

  15. cnepomuceno disse:

    Mafer,

    Gestão PELO Conhecimento

    o termo é interessante.

    Eu adotaria: Gestão de empresas no ambiente de conhecimento da rede digital, no qual informação, conhecimento, pessoas, competências, marketing, etc, devem estar em harmonia para manter a empresa competitiva.

    Que dizes?

    abraços,

    Nepomuceno.

  16. Mafer disse:

    Termos, expressões e seus conceitos, definições… sempre nos esbarramos neles não é mesmo?! rsrs
    Concordo com sua descrição se a adotarmos como conceito ou definição, excluindo apenas a exclusividade REDE DIGITAL. No entanto, pensei em Gestão pelo conhecimento por que busco por um termo ou expressão que DIGA o que eu penso sobre GC… Então pensei que Gestão pelo conhecimento abarcaria um modelo de gestão que se embasasse em conhecimento ao mesmo tempo que visasse trabalhar para gerar conhecimento… tipo: minha base é o conhecimento e busco gerar o conhecimento… uma coisa cíclica com agregação de valores para inovar a organização em todos os seus patamares, passando, é claro e principalmente plas pessoas…

    Obrigada por ter respondido e fico ansiosa sobre suas idéias acerca desta minha colocação “elucidativa”.
    Abraço, Maria Fernanda.

  17. cnepomuceno disse:

    Fernanda,

    o importante é sempre procurar trabalhar o ambiente, tendo em vista a importância das pessoas, mas o caminha é esse.

    Grato pelo comentário,
    Nepomuceno.

  18. Fernanda Moreira disse:

    Alguém teria algum texto sobre Gestão na Sociedade do Conhecimento?

  19. Carlos Nepomuceno disse:

    Fernanda,

    Procure os livros de Peter Drucker.
    Em particular “Sociedade pós-capitalista”

    abraços,

    Nepô.

  20. Nepô
    Me deparei agora com este post e, mesmo com defasagem, gostaria de agregar um pouquinho a essa discussão.
    1) também não gosto do termo “Gestão do Conhecimento”.
    2) Gestão pelo Conhecimento me parece mesmo melhor. Mas ele deixa de incluir aspectos como, por exemplo, a Gestão para o Conhecimento.
    3) Aí eu vejo uma diferença epistemológica entre Gestão do Capital Intelectual (estoque) e Gestão do Conhecimento (se conhecimento for visto como processo, e é o que defendem diversos autores). Talvez o incômodo para as pessoas esteja na percepção do meme “conhecimento” como sendo um estoque.
    4) também não acho que a expressão Gestão na Sociedade do Conhecimento incorpore o significado que a GC veio a adquirir, pois ela é explicitamente a gestão de um macroprocesso organizacional, o processo de conhecimento (ou de aprendizagem organizacional, se quisermos, mas ela corre o risco de deixar de fora coisas como a gestão de competências essenciais da organização, que são ativos intangíveis a serem desenvolvidos e medidos.
    5) Enfim, é uma discussão de nomenclatura, na qual me envolvi muitas vezes, e que hoje considero um atoleiro. Gestão do Conhecimento pegou, e por que não deixar o nome em paz e partir para enriquecer o recheio?

    Minha visão do que faz falta neste momento: transversalizar a gestão do conhecimento, integrando-a nos processos de negócio, e criando o que chamo de “processos inteligentes”.

    O que você acha? Vamos construir esse conceito? Aplico isso ao âmbito organizacional e também ao societal. Veja, por exemplo, o processo eleitoral. É um processo burro, não é? Ele seria inteligente se cada eleitor pudesse conhecer o impacto de seu voto no conjunto dos poderes de Estado, e pudesse então ir lá corrigir o seu voto, em quantos turnos quisesse. Por exemplo, não votei no meu candidato predileto a deputado federal, por haver uma coligação de seu partido com um partido que eu abomino, e temer que meu voto fosse eleger um cara que não me interessa. Isso eu imagino que seria um processo compatível com a Sociedade do Conhecimento. Foi apenas uma ilustração.

    Um grande abraço
    Sérgio Storch

  21. Carlos Nepomuceno disse:

    Sérgio,

    este ponto é interessante:

    Vc diz:

    “Gestão do Conhecimento pegou, e por que não deixar o nome em paz e partir para enriquecer o recheio?”

    Vivo isso hoje com o termo “Web 2.0” e “Redes Sociais”, nomes que pegaram também. O primeiro consegui achar precedentes históricos, mas no segundo não.

    Defendo assim o primeiro e questiono o segundo, pois ele, em si, cria uma inviabilidade de compreensão.

    E acho que o parâmetro de aceitar, ou não, conceitos e termos é se aceitá-lo, mudá-lo, rejeitá-lo vai, ou não, na medida que isso vá ajudar a que determinado problema da sociedade seja resolvido de forma mais ou menos eficaz.

    Ou seja, não é uma regra, mas deve ser avaliado, conforme a utilidade do problema.

    E isso, enfim, resume, de certa forma, a meu ver, a Ciência.

    Criar um ponto de conflito pode ser útil para a mudança proposta. Vai depender de como vai se lidar com o senso comum para o incomum, tarefa básica de quem quer promover mudanças.

    Faz parte da estratégia de abordagem.

    Nesse ponto de vista, que temos como problema, de fato, quando se fala em “gestão de conhecimento”?

    As empresas precisam produzir e cada vez mais o diferencial tem sido o capital intelectual.

    Me parece que a questão central é:

    “Como produzir mais e melhor, através da potencialização do capital humano das empresas?”

    Acredito que melhorando a gestão, como sempre foi feito, criando formas inovadoras de organização para que a empresa esteja adequada ao seu tempo histórico.

    Não é uma parte, um departamento da empresa, que cuida disso, mas a empresa se atualiza para poder dar conta dos novos desafios, se há um indutor, este atua no topo para que esse passe a disseminar o novo conceito.

    O que se faz na implantação dos deparamento de “gestão de conhecimento” geralmente é fingir que se é moderno, mas sem mudar a base de tudo.

    Que é criar um novo ambiente mais inovador, no qual a capacidade cognitiva possa criar e inovar mais.

    E daí vem a minha opção por rejeitar esse termo, pois ele pressupõe algo que não ajuda a ter essa visão.

    Precisa-se refazer a gestão, entrando pelo mundo 2.0, através de redes informacionais colaborativas, que é a mudança de uma empresa pré para outra pós Internet.

    Um departamento de gestão de conhecimento sob esse ponto de vista, me parece completamente estranho, acaba se corporativando, criando cargos, normas condutas para algo que deveria ser transitório, um agente de mudança, que passa e renova o pessoal encarregado da gestão da empresa, esse sim permanente para que mantenha a empresa sempre atualizada com o cenário externo.

    Há gestão e quem é responsável por ela deve fazê-la levando em conta o momento histórico.

    Dividir isso, mais atrapalha do que ajuda.

    É um novo ambiente informacional, que nos leva a outro de produção.

    Qualquer tentativa de chamar isso de “Gestão de Conhecimento” me parece que precisa se explicar tanto o “recheio” que é melhor dizer que não se aceita para fazer o contra-ponto.

    Assim, trata-se de melhoria da gestão como um todo.

    O conhecimento sempre foi vital para que isso ocorresse, mesmo na era braçal, pois o Taylorismo foi uma teoria de gestão….e não de gestão de conhecimento sobre o trabalho braçal….

    Questionar o conceito “gestão de conhecimento” é, a meu ver, necessário, pois, pelo que tenho visto, tem atrapalhado e tornado inviável as mudanças necessárias nas organizações.

    Se não havia antes na história, não vai haver agora….

    Estou aberto a novos pontos de vista….porém quando se aceita conceitos, se aceita práticas, sensos comuns e quando vemos estamos no bolo geral, produzindo não-mudanças.

    Que dizes?

  22. Xi, Nepô.
    Sabe que estou 100% de acordo contigo na essência? Só não acho que o termo “gestão do conhecimento” atrapalhe tanto assim, e corremos o risco de “matar o mensageiro”.

    Penso o seguinte:
    1) Combater o termo me parece luta inglória, pois ele continuará brotando em todas as fontes onde se pensa esse assunto. Aí pode virar uma coisa maniqueísta, de quem é a favor e quem é contra, quando estamos apenas discutindo qual é o melhor nome.
    2) GESTÃO não significa que deva existir um departamento de GC. Não sou nem a favor nem contra o departamento, que pode até ser uma estratégia temporária adequada, até que a GC seja apropriada pela organização. A fase inicial talvez requeira uma intervenção tipo “goela abaixo”, sin perder la ternura jamás. Assim como ao votar num candidato a presidente estamos votando numa esperança, numa visão de mundo, mas a representação numa pessoa de carne e osso é imprescindível no nosso estágio civilizatório.
    3) GESTÃO pode ser uma gestão em rede distribuída, em que os papeis (que são imprescindíveis) sejam exercidos em alternância. Portanto, os significados atribuídos ao meme GESTÃO são resultado do viés individual de cada um. Há 25 anos me dediquei a estudar a autogestão, que é, também, GESTÃO.

    Por outro lado, gosto muito e concordo com sua frase “porém quando se aceita conceitos, se aceita práticas, sensos comuns e quando vemos estamos no bolo geral, produzindo não-mudanças”.

    Minha opção individual é deixar o nome em paz, e tocar em frente, construindo processos inteligentes. Quando o nome Gestão do Conhecimento ajudar, eu uso. Quando atrapalhar, uso outro:-), com alguma consternação, pois grande parte da melhor literatura ainda usa esse termo (vide Davenport do início da década, que ainda é dos livros que melhor fazem a ponte com o senso comum, embora o próprio Davenport quase não use mais o termo em seu blog). Outro papa, o prof Choo (o de Toronto) também usa. Já o Snowden não usa, e a Verna Allee se picou para outra vizinhança, as redes de valor.
    Enfim, quando aparecer nome melhor e mais consensual do que Gestão do Conhecimento, eu tô nessa. Sem nome eu não fico:-)

    Um abraço
    Sérgio

  23. Carlos Nepomuceno disse:

    Sérgio,

    Redes de valor, me parecem algo muito mais interessante, pois tem possibilidade de termos história….as redes de valor na história, a rede oral, do livro, digital…bom.

    Tudo que não tem história, se complica, gestão de conhecimento é algo desse tipo, bem americano a-histórico.

    Mas vamos em frente, se na essência há concordância,

    abraços,

    Nepô.

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