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Tem muita gente empolgada com o Podemos Espanhol, que aponta para uma “nova forma de fazer política”.

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Quero me posicionar de forma bem pessimista em relação a ele.

Cheguei a conclusão que teremos versões diferentes do que estamos chamando de Democracia Digital. Não quero dizer que depois das fortes crises que o Podemos irá passar, principalmente entre os indignados versus a cúpula,  não possa surgir algo interessante.

Ou o que o próprio Podemos, por baixo,  não possa, em função da descentralização, derrubar os atuais dirigentes, que se dizem representantes do novo.

A questão que se coloca como uma contradição evidente é.

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Como um líder de um movimento novo pode ter ajudado a países considerados pouco democráticos e centralizadores do tipo Bolívia e Venezuela? Equador e Nicarágua?

http://es.wikipedia.org/wiki/Juan_Carlos_Monedero

Há um forte viés marxista, totalitário nas bases do projeto que é completamente contraditório com os conceitos de redes abertas e participativas. Além disso, todo o movimento que se diz “Partido” deve defender claramente que é partido para criar algo novo.

Nada poderá vingar no médio prazo, sem que tenhamos a ideia de que o conceito de partido é fortemente analógico.

Monedero, um dos líderes, foi assessor de Chavez e de vários outros países:

El 27 de enero de 2015 la Hacienda española y la Universidad Complutense de Madrid iniciaron sendas investigaciones contra él por sus servicios de asesoría a los gobiernos de Venezuela, Bolivia, Ecuador y Nicaragua realizados en 2010 para la creación de una unidad monetaria en Latinoamérica, por los cuales habría percibido 425 000 euros.20 21 Posteriormente presentó una declaración complementaria de su renta como persona física, ya que en 2013 había creado la empresa Caja de Resistencia Motiva 2, sin empleados ni estructura organizativa, para facturar el dinero obtenido en estos trabajos, declarando su renta mediante el Impuesto sobre Sociedades.22

 

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Ou seja, a democracia digital não pode ser uma bandeira no abstrato, pois ela vai necessariamente herdar as contradições do século XX. E para elas tem que ter respostas filosóficas, teóricas, metodológicas e tecnológicas. Haverá no embate deste início deste século a mesma defesa dos valores republicanos e capitalistas versus e aqueles que NÃO são republicanos e capitalistas.

A ideia de um modelo marxista em rede me soa completamente contraditório. A base marxista não é o de empoderar o cidadão, mas o de criar um centro forte que, segundo eles, vá “proteger” o cidadão independente com vontade própria.

Existe um camarada que faz parte de algo maior do que ele.

No marxismo, se defende o coletivo por sobre o indivíduo e não o contrário. Redes abertas, ao contrário, precisam desesperadamente de autonomia das pontas, ou seja….

Assim, esse é o conflito principal do Podemos, que é tentar construir uma rede aberta em uma ideologia fechada/totalitária, que foi originada na monarquia e no clero da Idade Média, em que todos devem se fechar na dualidade ricos x pobres ou empresários x trabalhadores.

Os valores do liberalismo clássico, que foi justamente que operou a passagem, pós idade média, empoderados pela palavra manuscrita, da monarquia/clero-feudalismo (mais centralizado) para o da república-capitalismo (menos centralizado) me parecem mais consistentes, em termos filosóficos, teóricos e metodológicos, para iniciar (vejam bem começar) a passagem da república-capitalismo analógico para a república-capitalismo digital.

O problema é que os movimentos pseudo-liberais modernos do século XX se tornaram estatistas, (ou algo estranho como o termo neoliberais), e abandonaram os conceitos pré-republicanos, muitas vezes pelos próprios limites tecnológicos disponíveis. Viraram um tipo centralizador capitalista, no capitalismo mercantilista de estado.

Que são opositores, a princípio, às mudanças de descentralização que estão em curso. Contra eles os indignados do mundo levantaram a voz.

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E se tem a impressão que os neo-movimento anti-capitalista e anti-republicano (do qual o Podemos faz parte e o PT idem) seriam os progressistas, quando, na verdade, defendem do ponto de vista conceitual um modelo filosófico, teórico e metodológico mais próximo da monarquia que seria ainda mais atrasado e centralizador do que temos hoje.

É aí que o fundamentalismo do Podemos se cruza com o neopopulismo na AL e este com os movimentos fundamentalistas religiosos em outras partes do mundo. Todos têm a mesma base da cosmovisão analógica e centralizadora pré-republicana, que é fortemente totalitária (heréticos versus os não heréticos).

Vejo muito mais chance dos movimentos como os Ciudadanos, partido liberal espanhol ou os Libertários dos Estados Unidos abraçarem a democracia digital do que os de cultura marxistas entrarem no modelo de rede aberta.

(Aliás, o movimento dos indignados no mundo de 1% versus os 99% não eram anti-capitalista ou anti-republicano, no fundo, eram e são anti-concentração e é esta a bandeira, da descentralização de massa, que será promissora, a procura de um movimento progressista e realmente descentralizador que o abrigue. Seu maior aliado será os algoritmos que permitirão à colaboração de massa)

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No Brasil, temos um campo fértil futuro, que imagino que será composto por muitos jovens:

  • – parte da Rede Sustentabilidade;
  • – grande parte ou fortemente do Partido Novo, que surge, que precisa abraçar os conceitos tecno-democráticos;
  • – e outros movimentos liberais pingados que estão por aí;
  • – parte do PSDB, não estatista e não neoliberal (os não-mercantilistas);
  • – e ainda muito poucos, poucos mesmos, desgarrados e não marxistas do PT;
  • – independentes de maneira geral.

Muitos dirão que tudo será diferente e que haverá algo sem forma, muito diferente disso tudo.

Pode ser, porém por temperamento e talvez por estudar a história acredito que o ser humano trabalha com pontes de passagem. Precisamos criar estas pontes agora.

Porém, nunca fomos tão rápidos nas mudanças como agora. Deixo em aberto.

Tais movimentos tentarão rimar liberalismo clássico – com pós-capitalismo, pós-república e democracia digital.

Por aí.

Que dizes?

 

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