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Versão 1.0 – 10/09/13

Colabore revisando, criticando e sugerindo novos caminhos para a minha pesquisa. Pode usar o texto à vontade, desde que aponte para a sua origem, pois é um texto líquido, sujeito às alterações, a partir da interação.

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Bom, vivemos o fenômeno da Revolução Cognitiva.

Há com a chegada de uma nova tecnologia cognitiva, uma abertura para trocas entre pessoas que antes não era tecnologicamente possível na intensidade que temos hoje.

Abaixo vemos a situação de como era estruturado o modelo de informação, com um centro (ou vários) muito potente, com baixa interação entre as diferentes tribos e baixo poder de promover a anti-narrativa hegemônica:

anti_narrativa

 

Quando começamos a massificar a Internet há algumas mudanças na forma como o fluxo das ideias passa a circular na sociedade, note que as setas aumentam na troca horizontal, se reduz a força do centro e aumenta-se a possibilidade da contra-narrativa.

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Obviamente que as setas apontam apenas uma tendência, pois vai variar de país para pais, do estágio de cada região no acesso à Internet, etc.

Porém, esta realidade do crescimento da anti-narrativa é um dos fenômenos principais nas mudanças que virão na sociedade.

Note que temos algumas premissas aqui:

  • – avalio que o ser humano é egoísta por natureza, na linha de Kant e menos da de Rousseau;
  • – quando as organizações, formadas por nós egoístas, conseguem criar um fluxo vertical (com setas grossas de cima para baixo), com baixa taxa de controle social, a tendência é se voltarem para elas mesmas;
  • – o objetivo hegemônico passa a ser preservar o status quo e não mais servir à sociedade, mas se servir dela;
  • – cria-se uma narrativa hegemônica cada vez menos baseada em argumentos e na força do diálogo, mas na repetição, na propaganda, o que podemos chamar de baixa qualidade de narrativa, ou falsa narrativa;
  • E coloca-se isso no tempo continuado, o que vai gerando cada vez mais um empoderamento das autoridades de baixa meritocracia.

Assim, se estabelece uma crise de representação social, pois as organizações não passam mais a estar voltadas para os indivíduos, mas para seus próprios interesses de permanência.

Porém, o controle que mantinha a situação estável não existe mais.

Ou seja, não se pode mais manter o controle com a falsa-narrativa, precisa-se estabelecer atos de mudança concretos, pois o ambiente estava equilibrado, em função dos limites da tecnologia cognitiva anterior. Existia um desequilíbrio que agora começa a se equilibrar pró-sociedade.

Cresce a taxa de sofrimento, pois as organizações passam a uma maior taxa de geração e não mais de minimização de sofrimento.

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Todo o modelo de produção de bens tangíveis e intangíveis que era modelado por este fluxo vertical de cima para baixo precisa ser remodelado em um ambientem, no qual a sociedade se empoderou e exige um diálogo/atendimento mais equilibrado.

Todas a representação, bem como a escolha, manutenção, criação e preservação social se molda a esse modelo, que passa a ser questionado, pois a troca horizontal entre tribos que não conversavam antes, vai gerando uma nova narrativa, que pede argumentos mais lógicos e menos falsos.

É dessa discussão entre tribos que nasce a demanda da filosofia, do questionamento das verdades hegemonicamente estabelecidas.

O rei passa a estar nu, pois a sua vestimenta era uma falsa vestimenta, que permaneceu “verdadeira” enquanto durou o modelo de controle que era subordinado as características físicas das tecnologias anteriores hegemônicas: papel impresso, ondas de rádio e televisão, comum fluxo vertical e fechado de cima para baixo.

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Todo o movimento pós-papel impresso, a partir de 1450, foi nessa direção, a partir da criação de novas narrativas, que vieram questionar a verdade absoluta da monarquia e do clero, através do contato entre tribos dispersas, via papel impresso, quebrando o fluxo oral e a escrita manuscrita, não massificada, através de pensadores e revolucionários que construíram a nova ordem depois de 350 anos, estabelecendo a democracia e o capitalismo.

É o que estamos vivendo agora.

Que dizes?

 

2 Responses to “O movimento anti-narrativo”

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