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Fracassos são bons para quem aprende com eles.

 

Versão 1.0 – 26 de julho de 2012
Rascunho – colabore na revisão.
Replicar: pode distribuir, basta apenas citar o autor, colocar um link para o blog e avisar que novas versões podem ser vistas no atual link.

 

 

Saiu no dia 20/07/12 no WSJ o seguinte artigo:

“A decisão errada da Nokia no mercado de smartphones”.

Destaco:

“A Nokia liderou a revolução dos celulares dos anos 90 e enxergou-se conduzindo o mundo à era dos smartphones. Agora que a era dos smartphones chegou, a empresa está correndo para criar produtos competitivos à medida que a cotação da sua ação despenca e milhares de funcionários são demitidos”. (…) Neste ano, a Nokia chegou ao fim do seu reinado de 14 anos como a maior fabricante de celulares de mundo. Sua concorrente Samsung Electronics Co. tomou o seu lugar, ao mesmo tempo que fabricantes de telefones mais baratos corroeram o volume das suas vendas. A fatia da Nokia nas vendas de celulares caiu para 21% no primeiro semestre, contra 27% um ano atrás, segundo os dados de mercado da firma de pesquisa IDC. Essa fatia atingiu um máximo de 40,4% no fim de 2007 (…) – Elop foi forçado em meados de junho a anunciar outra rodada de demissões, de 10.000 empregados, e cortes de custo de US$ 1,7 bilhão, grande parte em P&D.

No artigo, sublinho o seguinte:
  • a) a Nokia percebeu para onde o mundo dos smartphones estava indo, talvez antes ou no mesmo tempo que os concorrentes;
  • b) desenvolveu produtos para esse mercado, com o que o consumidor queria;
    “Oh, meu Deus”, diz Frank Nuovo (presidente atual). “Nós tínhamos tudo nas nossas mãos.” 
  • c) porém, não conseguiu se beneficiar nem da visão e nem das pesquisas.

 

A avaliação dos erros pela Nokia nos artigos foram:
  •  – “esbanjava fundos em pesquisa, mas desperdiçava oportunidades de levar as inovações que produzia para o mercado”;
  • –  “ficou dividida por rivalidades internas que impediram que sua visão se materializasse em produtos no mercado”;
  • – “Se pelo menos elas tivessem se transformado em produtos”;
  • –  “Num equívoco estratégico, e empresa mudou o seu foco dos smartphones de volta para os celulares básicos, bem na época em que o iPhone revolucionou o mercado”;
  • – “Os smartphones da Nokia chegaram ao mercado muito cedo, antes que os consumidores estivessem preparados para usá-los. E, quando o iPhone surgiu, a Nokia não reconheceu a ameaça”;
  • – “Seus engenheiros consideravam o iPhone caro de fazer e primitivo diante da tecnologia 3G da Nokia, de acordo com pessoas que viram os relatórios dos engenheiros”.

Notem que podemos resumir tudo no seguinte.

  • Havia gente na Nokia que via o futuro com mais clareza e gente que duvidava.
  • Internamente, os que duvidavam ganharam a guerra e se deram mal.
  • O que faltou à Nokia foi transformar um conceito de futuro em produtos.
Diagnótico: mal gerenciamento da carteira de inovações, certo?

A administração sugerida pela carteira de inovação saudável é dedicar 10% do tempo para projetos transformadores. Acrescentei a essa visão a proposta de criar zonas de inovação FORA do ambiente da empresa.

Assim, se tivesse pensando que precisava agilidade e – conforme sugerido na zona 2.0 de inovação –  aberto uma startups poderia ter se trocado a energia do enfrentamento para o do desenvolvimento:

Uma para ser tudo aquilo que os engenheiros mais visionários queriam, até com capital de risco de fora. E deixasse só aquela visão preponderasse. Ganhariam muita agilidade e perderiam séculos de reuniões de convencimentos dos demais. O tempo de convencimento ia se transformar em tempo de desenvolvimento!

Essa pequena firma hoje era bem capaz de estar comprando a nave-mãe. Ou pelo menos muito melhor posicionada no mercado, estamos certos?

Quando estamos falando de um bom gerenciamento estratégico na carteira de inovação não estamos falando de coisas pequenas, ou avaliação de melhorias pontuais: mas do próprio futuro da empresa.

Imagino que essa nova Nokia 2.0 deveria se utilizar de toda a gama de novos recursos da nova cultura de gestão, que aliás hoje são utilizados bem na Apple e Google.

(Não há carteira inovação eficaz que não preveja a incorporação da cultura 2.0, certo?)

O exemplo serve bem para demonstrar o que poderia ser feito e não foi.

O “case” vale para a área pública e privada, pois sempre existem propostas inovadoras, até bem ousadas, que devem ter chance de serem testadas fora do ambiente intoxicado da nave-mãe, em espaço separado.

Concordas?

One Response to “Onde a Nokia errou no mundo dos Smartphones e o que se pode aprender com isso?”

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