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 Quando as palavras perdem seu significado, as pessoas perdem sua liberdade – Confúncio – da coleção;

Versão 1.2 – 19/12/2011 – Ainda rascunho – colabore com a revisão!

(Texto faz parte do meu novo e-book – Gestão da Desintermediação – uma obra em progresso.) 

Procurei semana passada aperfeiçoar minha teoria sobre os efeitos da Revolução Cognitiva neste post, trabalhando relações entre diferentes fatores para criar uma lei que norteie eventos, a princípio, não relacionados entre si, tais como população, produção, inovação, informação/comunicação/conhecimento e representação democrática.

E vou procurar aqui neste novo apresentar uma possível sequência de fatores que ocorrem após uma  Revolução Cognitiva, evento raro e incomum, que marca a chegada massificada de uma tecnologia cognitiva disruptiva/desintermediadora, que tem como principal característica permitir de forma ampla uma oxigenação de novas  ideias na sociedade.

Vejam um macro-quadro abaixo das etapas que, até agora, pude constatar, que são: oxigenação, mudanças, consolidação e decadência. No nosso caso, estamos vivendo a última etapa: decadência.

Para explicar o quadro, podemos dizer que a primeira consequência de uma Revolução Cognitiva,  é a gradual perda de controle estabelecido dos canais tradicionais de informação e de comunicação.

Tal fato abre um largo processo de oxigenação de ideias, por novos atores, novas iniciativas, projetos, movimentos, que passam a ter um novo canal de expressão, que antes não havia.

Novos atores surgem neste novo cenário e começam a trazer novas maneiras de pensar para a sociedade. Abre-se um espaço mais meritocrático e demandas  sociais que estavam adormecidas – que não tinham espaço para se expressar nas mídias tradicionais –  começam a mostrar que algo precisa ser ajustado para minimizá-los.

Há um longo processo de re-conceituação social, revendo os princípios que foram perdidos com o controle tradicional, resultando em processo de mudanças profundas em todas as áreas, incluindo economia, política, social,  gestão das corporações.

O processo  culmina em um movimento de mudanças sistêmicas, através da criação de novas leis e forma de gestão da sociedade, que abre novas oportunidades de ajustes na política e economia, arrastando as outras áreas da sociedade.

O novo ambiente social gerado cria uma espécie de consolidação dos novos meios de controle social, através do domínio por um grupo da sociedade do controle da informação e da comunicação, criando um movimento inverso ao da oxigenação, que podemos chamar de “desoxigenação”  da sociedade e fechando a visão de mundo cada vez mais.

Tal “desoxigenação” nos leva a uma fase de decadência, pois inicia-se um processo que as estruturas sociais passam a ter mais força de expressar suas ideias do que a maioria,  sofrimentos passam a não ter mais expressão, a inovação é reduzida e entramos em uma fase de decadência.

Tal visão só é possível se pensarmos o mundo de forma global e macro, pois outros elementos atuam no decorrer de duas Revoluções Cognitivas.

A visão macro não explica determinados fatores micros, mas aponta tendências de mudanças que acontecerão influenciadas pela mudança da tecnologia cognitiva disruptiva/desintermediadora.

E isso era invisível antes dos estudos que estão sendo feitos na história da informação e da comunicação.

O principal fator latente para o surgimento de uma Revolução Cognitiva é o crescimento da população.

Se a população continua a crescer, aumenta-se a latência por uma tecnologia cognitiva desintermediadora.

O interessante é que ao final do processo de uma dada Revolução Cognitiva, quando se inicia outra,  há um cruzamento perverso entre a decadência (espaço de poucas ideias circulando)  que não permite a inovação mais radical e, em contra-posição,  o aumento da demanda social pela necessidade de mais qualidade e quantidade produtiva.

É o momento mais agudo de crise entre a latência de mudança e uma resistência do ambiente a ela.

Aumentam-se, assim, os sofrimentos endêmicos (podemos dizer assim)  e  a latência por macro-mudanças. Tudo isso gera uma macro-crise sistêmica em todos estes campos: produção, inovação, informação/conhecimento/comunicação e, por fim,  representação.

Essa latência reprimida quando pode adere (de forma inconsciente)  massivamente e rapidamente a uma nova Revolução Cognitiva, através de seus novos meios mais abertos,  pois é através delas que se retoma a oxigenação para lidar de uma nova maneira com os velhos problemas.

Como vemos abaixo:

Note que o desequilíbrio demográfico aumenta justamente com a fase mais baixa da decadência de ideias e do próprio ambiente, o que torna uma nova Revolução Cognitiva necessária para reequilibrar o sistema.

Ou seja, o desequilíbrio se dá com a contradição entre o pico de novas demandas com a incapacidade completa do ambiente em ter capacidade para atendê-las.

(Vou falar mais sobre o desequilíbrio demográfico em outro post, mas há uma relação entre aumento da população e democracia. Quando não andam juntas o ambiente se desequilibra, criando crises constantes de representação, que não conseguem resolver os problemas mais amplos e mais urgentes da população. Falei mais sobre esse desequilíbrio aqui).

O que podemos caracterizar como decadência sistêmica?

Que é justamente o momento atual em que estamos vivendo.

As organizações sociais se fecham nelas mesmas, pois passam a cada vez mais a ter o controle sobre os meios de comunicação/informação interagem menos com a sociedade e ficam refratárias aos seus desejos.

Conseguem manter o poder não pelo convencimento, mas pela propaganda, manipulação e ocultamente de fatos.

Ficam, assim, imunes ao olhar de fora, pois não são oxigenadas pela sociedade.

E como resultado sistêmico vão (como é característica humana)  se voltando para os desejos e necessidades dos membros internos, fazendo das organização um fim em si mesmo e não um meio para solucionar problemas sociais e, assim, gerar valor.

Isso significa, como estamos vendo, na atual crise da representação, que marca o fim da Revolução Cognitiva do papel impresso:

 1) perda dos princípios originais;

2) falta de transparência;

3) dificuldade de mudanças;

4) uso da força (em caso de ditaduras) ou da comunicação manipuladora e não conscientizadora e incentivadora de adesão.

Se fizermos um primeiro estudo de épocas, podemos dizer que nossa sociedade foi marcada assim pela Revolução Cognitiva que termina:

 

E se queremos tentar traçar um futuro, podemos supor – repetindo o quadro – que entraremos no seguinte circuito, no início do fim da curva, mas agora de forma ascendente, entrando no processo de oxigenação:

 

É bom que se diga, que, obviamente, que nessa macro-visão há movimentos localizados dos mais diferentes tipos e regiões que expressam esse movimento global, pois o que é macro atinge também o micro.

Por fim, vivemos o momento de final de uma revolução e o início de uma nova, em que as forças antigas ignoram e começam a combater as novas.

Podemos supor que estamos, seguindo essa linha, às vésperas ou já vivendo o  início de uma grande renascença de novas ideias, que visam questionar valores que são considerados perpétuos na sociedade atual para criar um mundo mais compatível com o n0vo tamanho da população.

As mudanças virão depois que estes novos valores comecem a virar propostas concretas.

Por enquanto é isso, que dizes?

 

 

One Response to “A crise da intermediação 1.0”

  1. Alexandre Gazé Filho disse:

    Digo que, tal qual a palestra em que tive o prazer de conhecer um pouco mais das ideias e propostas, consolida-se uma forma de pensar a rede, sendo ela colaborativa e o que penso ser uma ‘rede de segurança’. A cada linha me reforçam as hipóteses que tenho suscitado. Obrigado pela oportunidade de partilhar o espaço.

    Espero poder colaborar na discussão. O abraço!

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