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Que horas são?

As ações humanas que dispensam teorias são mecânicas, repetitivas e desumanas – Gustavo Bernardo – da minha coleção.

Veja que situação maluca.

Estava indo para o fisioterapia.

E o horário de abertura da sala deles é 7:05.

Na hora de entrar, se estabelece a confusão.

No relógio de um, já é 7:06.

Do outro, 7:04.

E de outro 7:05.

Acreditem, as pessoas discutem para ver que horas a porta vai abrir!

(Paciência, mantra, hummmmmmmmmmmmmmmm).

Discutimos por minutos do relógio, que é uma representação de algo maior: o tempo.

E não pelo próprio tempo.

Confundimos a coisa representada com a coisa em si.

Vejamos…

Temos no mundo:

  • O tempo – coisas que acontecem, rolam, fatos da vida, que temos necessidade de dar algum sentido para podermos nos relacionar com eles. Seria o etéreo, o que não se pega, como a noite, a tarde, ou um por do sol;

(Se bem que tem gente que depois de uma balada – tenta.) 🙂

  • O registro do tempo – convenções, teorias, amadurecimentos que nos fazem criar um método para que possamos traduzir a noite em algo, tal como 9:00 PM. Assim, pode-se marcar encontros, sair para dançar, etc…
  • E a máquina do tempo – o relógio em si, que, a partir da teoria definida, passa a nos ajudar.

São, portanto, convenções para se delimitar algo intangível e nunca pegável, o mundo, a natureza, os fatos.

Criamos uma representação, registros, papéis, livros, teorias.

Para colocar cada coisa “impegável” em seu vidrinho.

E máquinas para que possamos nos aproximar deles, mas nunca conseguimos dominá-lo.

(Um livro que fala sobre isso (pode se ler a introdução da autora em pé em uma livraria) é o “Os Avanços Tecnológicos e o Futuro da Humanidade“, que estou adorando. Dica do meu co-orientador Marcos Cavalcanti.)

Temos, porém, a ilusão de que a máquina do tempo é o próprio tempo.

Miragem, oásis, ilusão.

Confundir as coisas que pensamos com as coisas do mundo…

Abre um espaço, separa, separa, separa…

E, como no caso, da clínica de fisioterapia, que alguém dizia que o seu relógio estava “mais certo”, “como a hora de Brasília”, que o do outro?

Ficamos discutindo nas migalhas, quando o universo nos olha enfastiado e com vontade de nos mandar pastar.

(O que não seria uma má ideia.)

Quanto mais conseguimos nos separar da máquina e do registro, mais podemos nos aproximar do Universo enquanto algo intocável, deixando o registro e as máquinas apenas para nos orientar na vida cotidiana, como mapas.

E não nublar nossas cabeças como se os mapas fossem o próprio caminho…

Que é o que quase sempre acontece.

Viajei?

6 Responses to “Que horas são?”

  1. Marcelo disse:

    Oi Carlos, td bom? Gosto muito dos seus posts, tuiters, bla bla bla.
    Veja, uma coisa que eu sempre discuto nas minha aulas inicias de História é sobre: o que é o tempo! Aí todo mundo opina, fala, comenta, discute, etc… daí malvado como sou, eu frusto todo mundo dizendo que o tempo não existe. Na verdade é uma convenção humana, né? Afinal desde quando se começou a contar o tempo? Qual seria o tempo 0? E antes dele, o que teríamos? Enfim… sei que dá um montão de pano pra abrir uma loja de tecidos, mas só gostaria de partilhar um pouco, ainda que possa estar completamente equivocado! Abs!

  2. O tempo não é uma criação humana, mas é uma forma de fazer referência, cronologias, relação passado, presente e futuro. Ess caso do passado, presente e futuro, por exemplo. Quanto tempo podemos considerar como presente? O passado é o que deixei de fazer, falar, etc… há um minuto, segundo atrás? isso nos dá uma clara visão sobre o que importa no tempo: a sua mera necessidade de fazer refer~encia. Isso por que? Por que achamos que tudo tem início, meio e fim. Algo que meio cartesiano, mas na verdade as coisas não passam ou vem ou são elas permanecem no espaço. O espaço sim é algo visível… viajei? Ah, antes de terminar, o espaço só é visível por que estamso fisicamente presentes, mas quando deixamos de habitar este corpo, nós fazemos parte do espaço, em extensão, mensuração, etc… decolei?

  3. Carlos Nepomuceno disse:

    Marcelo, há o ciclo da noite e do dia.
    E isso é, digamos algo que acontece, dentro da percepção que temos hoje. Historicamente, podemos dizer que hoje é bem provável que exista a noite e o dia, que varia conforme o local que estamos.

    O que chamamos de noite, um cara que mora no Alasca e tem 24 horas de dia, deve ficar imaginando, o que é uma noite, mesmo???? 😉

    No outro post, caminhei para a ideia que a realidade não só é inventada, histórica, negociada, partindo dos interesses de cada um, perfil, cultura, temperamento, etc..

    Ou seja, cada um tem a sua e acredito que precisamos, para poder sobreviver, criar umas “escolas de realidade”, em uma prateleira qualquer que possamos escolher.

    Tem essa, aquela, aquela outra, em cada um dos corredores do supermercado:

    Religião, política, relações, casamento, etc…

    E cada um vai enchendo o seu carrinho.;)

    A partir de critérios individuais/coletivos.

    Assim, se existe a realidade-mãe (que não conseguimos tocar) ou se não existe a realidade-mãe, pois sempre é algo mutante, pois para nós, limites humanos, nunca haverá é uma opção também de cada um.

    O que é preciso refletir é o que fazemos desse dilema.

    Nos dois casos, podemos nos paralisar e deixar que o mundo nos dirija, a la Pagodinho, “Deixa a vida me levar” , ou assumimos a parte de mudança que nos cabe nesse latifúndio.

    Independente, de tudo gosto de pensar que a realidade (mesmo inventada) pode ser melhor para mais gente…e é nisso que eu vou, com quem inventa do mesmo jeito que eu..;)

    Que dizes?

    abraços

    Nepô

    Valeu a visita.

  4. Carlos Nepomuceno disse:

    João,

    “O tempo não é uma criação humana, mas é uma forma de fazer referência, cronologias, relação passado, presente e futuro.”

    A vida não é uma criação humana…como a vemos, nos nosso limites, a teoria da vida, é criação humana, mas conseguimos ver as coisas em estarmos dentro de determinada teoria?

    Será que se meditarmos e conseguirmos aquietar a mente, conseguimos ver além….?? Nos aproximando mais desse Uno?

    Com menos teorias?

    Em aberto.

    “Por que achamos que tudo tem início, meio e fim. Algo que meio cartesiano, mas na verdade as coisas não passam ou vem ou são elas permanecem no espaço. O espaço sim é algo visível… viajei? ”

    Achamos ou precisamos achar? E quem precisa? Eu, você, todos nós? Ou cada um leva isso de um jeito?

    Em aberto.

    “Ah, antes de terminar, o espaço só é visível por que estamso fisicamente presentes, mas quando deixamos de habitar este corpo, nós fazemos parte do espaço, em extensão, mensuração, etc… decolei?”

    Há vida fora das nossas mentes?

    É algo que devemos pensar.

    Sim, há…eu consigo tocar.
    E se for Matrix?

    Um grande programa?

    Viajei?
    Decolei?

    rs,

    abraços,

    Nepô.

    Valeu a visita.

  5. Lucia disse:

    “O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel.” (Platão)

  6. Marcelo disse:

    Carlos, td bom?

    Então ainda que “exista” esse ciclo dia/noite (que ainda assim é uma questão de localização geográfica – tão em moda nesses dias pós-gps), concordo contigo sobre a questão da negociação que estamos fazendo o tempo todo para nos manter vivos. Historicamente também somos frutos de uma invenção (biológica ou não). E se a realidade se faz mais fácil quando a inventamos, então me convide para essa viagem… pq já estou arrumando as malas!

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