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Hoje, se fala por aí que estamos vivendo a desentermediação de várias atividades com a Internet.

Jornais para que te quero?

Jornais para que te quero?

Os jornalistas, professores, bibliotecários, corretores, vendedores não serão mais o mesmos.

É verdade.

Mas isso não é a primeira vez que ocorre na histórias humana.

É mais uma regra do que exceção.

Fiquei pensando sobre o assunto enquanto assistia a defese de tese do Moreno Barros sobre blogs semana passada lá na Escola.

(Ele prometeu em breve disponibilizar a tese e a apresentação, não li ainda mas gostei do que vi.)

E ele falava sobre o processo de liberdade e direito de publicar que veio com os blogs.

Que agora é possível e antes não era.

É fato.

Mas fiquei a pensar.

Seremos nós os primeiros blogueiros?

Se pensarmos que os blogs foram as primeiras ferramentas de expressão de liberdade massiva na rede, pode até ser, que vieram substituir as páginas pessoais mais duras de editar e sem comentários.

Mas se pensarmos na história humana como MAIS UMA ferramenta de expressão, entre tantas outras, não.

(Entenda-se o termo blogueiro aqui por alguém que expressa suas idéias utilizando recursos de publicação alternativos de uma determinada época.)

Note que podemos considerar que o ato de blogar trata de expressar idéias, fora dos canais oficiais, de mercado, de ambientes organizados, ou comerciais de determinada época ou lugar. 

Sob esse ponto de vista a história dos blogs começa nas cavernas…

Não seria o homem que pintou na caverna o primeiro blogueiro perdido?

O primeiro blogueiro postando...

O primeiro blogueiro postando nas "telas" da caverna...

Para ele, bastava, um espaço vazio, arranjar as tintas certas e meter o dedão na parede.

São eles os primeiros blogueiros desconhecidos, que nem tinham escrita, mas que deram início a isso tudo.

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta os olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida nem nunca terá
O que não tem remédio nem nunca terá
O que não tem receita…(Chico Buarque)

É uma vontade humana de circular ideias no mundo por mais loucas que sejam…A vontade de se expressar e deixar para os seus contemporâneos e para os que vieram depois, um recado.

Blogar, assim, a meu ver, é o sonho eterno e sempre reciclado do humano de se expressar livremente sem amarras, em canais alternativos,  limitado pelas condições dos meios de comunicação disponíveis em cada época.

A cada nova rede de conhecimento, o ser humano amplia a possibilidade para mais gente poder se expressar, criando um processo de cíclico de desentermediação”.

Ou seja, repito: o que achamos que é exceção (blogs) tem que ser visto como regra….sempre foi assim e sempre será…(que me dá..).

Assim, a desentermediação não é exceção na rede, os blogs não são a última novidade na face da terra, mas mais um veículo, entre tantos outros, na luta do humano pelo direito de colocar a boca na corneta.

Assoprando idéias...

Assoprando idéias...

(Coloca aí no bolo as rádios piratas, os jornais alternativos, os filmes em super 8, etc…)

Vamos à história.

Vejam que os padres, antes de Lutero, eram os representantes de Deus na terra no fim da Idade Média, por volta de 1450.

A bíblia estava em latim e eram eles que faziam a gestão de conteúdo (missa) da “home page” (Igreja)  de Deus.

Não se permitia comentários e nem blogs alternativos.

Para quem tentava, o caminho era ser taxado de herege e ir ser assado na fogueira.

Vejam no filme Lutero a cena da inquisição em que perguntam se ele mantém o que ele escreveu no “blog” dele.

 

DVD que tem em qualquer videoloucadora.;)

DVD que tem em qualquer videoloucadora.;)

E ele diz algo assim:

“Se alguém me convencer, a partir do que eu li nas escrituras (Ele leu os originais já que ele era estudante de doutorado em Teologia), eu renego. Mas se for apenas pelo direito de pensar do jeito que eu penso, eu encaro qualquer fogueira”.

É uma frase de arrepiar qualquer neo-blogueiro.

Asssim, o processo de desentermediação visto nas esquinas de hoje tem que ser encarado não como uma exceção dos tempos Internéticos, mas como um processo de desenvolvimento da capacidade humana de ir adiante.

Sempre tivemos blogueiros no mundo, postando nos blogs que eram possíveis…

Note que qualquer intermediário dificulta a circulação de idéias.

É bom durante um tempo e, no momento, seguinte começa a incomodar.

 

Quem é útil hoje, pode não ser amanhã...

Quem é útil hoje, pode não ser amanhã...

Um  bibliotecário foi bom para ajudar-nos a organizar e achar livros.

Sem eles, seria o caos.

Hoje, pegamos e fazemos os livros nós mesmos. 

Cabe a eles um novo papel.

Assim, a desentermediação é sempre um processo mais inteligente para lidar com uma grande massa de informações, que antes não era possível em função dos limites impostos pelas tecnologias passadas (de produção, armazenamento e recuperação da informação), que exerciam sobre a sociedade um tipo específico de cultura e, por sua, vez um ambiente de poder.

Com novas possibilidades, se refaz um ciclo e novos blogueiros surgem no pedaço, criando um novo ambiente de troca de ideias e a exigência de um novo ambiente de poder, vide um micro exemplo atual: Obama.

(Imagina o que foi para a Idade Média quando em 50 anos, de 1450 a 1500 a Europa assistiu a explosão de mais de 13 milhões de cópias de livros impressos. Centenas de novos blogueiros passaram a postar sem o crivo da Igreja e do Rei!)

Assim, acredito que o  primeiro blogueiro nasceu nas cavernas e foi se desenvolvendo.

 

Um processo eterno de evolução...

Um processo eterno de evolução...

Considero, assim, que a compreensão para o  fenômeno dos blogs passa pelo estudo da  linhagem antiga de blogueiros na história. Sem eles, este post, com certeza, não seria possível!

Ou seja, estudar os blogs e seu impacto na sociedade é entender que não é algo novo, mas tem, sem dúvida, na ferramenta blog eletrônico elementos diferentes e são estes detalhes, tais como permitir comentários, tê-los incorporado ao texto, sua facilidade, baixo custo, capacidade de recuperação, de links, etc… que nos farão entender com mais precisão o fenômeno.

Uma regra geral, com detalhes específicos.

Mas nunca o contrário!!!

Fecho com Chico:

O que será que me dá,
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem governo nem nunca terá,
O que não tem juízo…

O que será?

13 Responses to “Em busca do blogueiro perdido….”

  1. Sylvio disse:

    Se “blogueiro é alguém que expressa suas idéias utilizando recursos de publicação”, então o colunista de um jornal é um blogueiro?

  2. Sylvio disse:

    Se “blogueiro é alguém que expressa suas idéias utilizando recursos de publicação”, então o colunista de um jornal é um blogueiro?

  3. cnepomuceno disse:

    Sylvio, não é não….ele é um blogueiro oficial, veja no texto:

    “Note que podemos considerar que o ato de blogar trata de expressar idéias, fora dos canais oficiais, de mercado, de ambientes organizados, ou comerciais de determinada época ou lugar.”.

    Talvez esse trecho não tenha tido a ênfase que poderia dar ao longo do texto, mas a ideia é esta.

    O blogueiro, enquanto proposta, não está nos canais oficiais, é o menestrel de rua, o cantador de cordel na feira, etc….

    Valeu a visita e o comentário.

  4. cnepomuceno disse:

    Sylvio mudei o texto original incluindo meios alternativos…de fato, deixava duvida do que queira dizer.

    Valeu,
    abraços
    Nepô.

  5. Sylvio disse:

    Agora ficou claro pra mim.

    Obrigado pela resposta, Carlos.

    abraço.

  6. […] (Comentário posterior: aprofundo essa discussão sobre desentermediação no post sobre blogs: Em busca do blogueiro perdido….) […]

  7. cnepomuceno disse:

    Ainda sobre blogs e o desejo de se expressar, me lembrei da musica do Ultraje a Rigor –

    Inútil

    A gente faz música
    E não consegue gravar
    A gente escreve livro
    E não consegue publicar
    A gente escreve peça
    E não consegue encenar
    A gente joga bola
    E não consegue ganhar…

    http://letras.terra.com.br/ultraje-a-rigor/49189/

    A musica no Youtube – http://www.youtube.com/watch?v=G4avsk5DwQQ&NR=1

  8. […] meu karma melhorando no Mercado Livre, a partir de uma compra que fiz recentemente para passar o DVD do Lutero nas minhas aulas: Compradores e vendedores são avaliados e armazenam o seu […]

  9. […] Se existe uma filosofia que acompanha os blogueiros, desde a época das cavernas seria essa: existir por uma necessidade individual do autor, independente todo o resto. […]

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