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Harari começa assim o capítulo 1:

“Os humanos pensam em forma de narrativas e não de fatos, números, ou equações e quanto mais simples a narrativa, melhor” (pg 21).

Mais adiante vai defender que o mundo teve três narrativas a fascista, a comunista e a liberal.

Mas há um erro aqui, que podemos chamar de “cegueira do existencialismo”, típico de pensadores influenciados por Platão, como é o caso.

Cegueira do existencialismo – a tentativa de impor à sociedade narrativas/metodologias não testadas, que partem de um “laboratório”, criadas por alguém e impostas de forma massificada, com resultados catastróficos.

Narrativas são projetos de metodologias para a sociedade, que podem ou não ter resultados. São chamadas também de ideologias.

O objetivo das narrativas é conseguirem serem transformadas em metodologias válidas para que a espécie possa sobreviver e viver.

São propostas para o ser humano lidar com as coisas concretas e abstratas do mundo.

Porém, há uma ordem que não se pode abrir mão: primeiro é preciso que estejamos vivos para depois irmos ao cinema ou ver um filme do Netflix.

Narrativas só viram cultura quando funcionam!

Narrativas/ideologias são adotadas por regiões e países, quando se mostram viáveis para manter a espécie viva e próspera.

Narrativas são sementes de metodologias sociais, políticas e econômicas.

Quando duram no tempo, viram muda, árvores, florestas.

As que não conseguem virar metodologias válidas, acabam dançando sendo descartadas.

Assim, as narrativas que sobrevivem são aquelas que são mais capazes de nos permitir a sobreviver e, depois existir.

Pode ser que a maior parte das pessoas no seu cotidiano se deixe levar, como ele sugere sem levar em conta “fatos, números, ou equações”.

Porém, como diz Ayn Rand, o ser humano toma decisões para sobreviver, que podem levá-lo à prosperidade ou à miséria.

Assim, apesar das pessoas não gostarem ou não ligarem para fatos, números e equações individualmente precisam disso para podere sobreviver.

Cada pessoa, precisa disso para saber como levar o leitinho das crianças para casa.

A espécie precisa, assim, antes de tudo sobreviver (comer, se vestir, se educar, etc.), através de metodologias individuais e coletivas.

Sobreviver exige matemática, exige lidar diretamente com a sobrevivência.

Narrativas que se afastam da matemática da sobrevivência tendem a ser descartadas no tempo.

Assim, a jornada humana é uma eterna tentativa e erro de narrativas, que começam como propostas e são testadas como metodologia, e descartadas se não ajudam a espécie a sobreviver.

Harari não faz essa relação de causa e efeito entre o vácuo da narrativa – metodologia – resultado – continuação ou descarte?

Não foi a segunda gerra que acabou com a narrativa fascista, mas a inviabilidade dela de nos permitir sobreviver. A narrativa comunista, idem.

A espécie experimentou, tentou e viu que não funcionou e descartou.

A narrativa que virou metodologia foi a liberal pela sua capacidade de matematicamente funcionar para a sobrevivência. Simples assim.

Note que foi a única que partiu da experiência humana, quando Adam Smith pesquisou o que gerava riqueza entre as nações.

Foi uma narrativa Aristotélica, que partiu da experiência, da prática, para a sobrevivência e não do laboratório.

Diferente da fascista e da comunista, que partiu da existência para sobrevivência, aquilo que nós achamos que é melhor para o mundo de dentro de um laboratório.

Assim, o que podemos dizer que o fascismo e comunismo foram narrativas que não conseguiram se transformar em metodologias válidas de sobrevivência para a espécie.

E o que o liberalismo não é uma narrativa, mas uma metodologia que funcionou.

Harari defende, dentro dessa lógica mal formulada de narrativas, a ideia da crise da narrativa liberal, note bem, que fala de narrativa e não da metodologia.

Neste contexto, esquece que:

  • a metodologia liberal permitiu o crescimento de um para sete bilhões de habitantes, o que gerou a crise que estamos passando, pelos mérito e não pelo demérito;
  • não percebe a crise da metodologia liberal, em função da concentração de mídia, mais aumento demográfico, que permitiu o surgimento de novas narrativas no século passado (tanto o fascismo como o comunismo);
  • bem como um liberalismo concentrado, com organizações verticalizadas para que pudesse atender a exponencial demanda da quantidade (sem falar em qualidade).

Harari analisa o novo século, característica típica de Platônicos, da existência para a sobrevivência, ignorando forças, tais como a demografia e a mídia.

E comparando tomate (narrativas) com kiwi (metodologias).

Há, sim, uma crise da metodologia liberal por questões matemáticas, em função do aumento demográfico, porém não de seus alicerces filosóficos/teóricos.

Uma coisa é uma narrativa que nunca virou metodologia, uma crise de premissas. A outra é uma metodologia que vive uma crise conjuntural em função de novos desafios matemáticos da sobrevivência.

Esse tipo de comparação é uma aberração, que pode ter consequências graves, se levada ao pé da letra.

Harari vê crises sem entender a sua causa e possível solução.

Narrativas não são uma obra de arte! Precisam ser testadas e virar metodologias.

São propostas que funcionam, ou não, em determinados contextos civilizacionais.

Sem dúvida, a narrativa liberal precisa de um upgrade, como foi feito tanto na Grécia (alfabeto grego), quanto no renascimento pós idade média (prensa), depois da chegada de novas mídias.

E em vários países, pelas questões conjunturais, deixou de ser praticado de forma plena.

Muito em função das narrativas que não deram certo, mas que insistem em retornar como se fossem válidas.

O upgrade da metodologia liberal precisa de um upgrade, de fato, mas não pelo fracasso, mas pelo completo sucesso.

É isso, que dizes?

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