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 Quando a metodologia não se encaixa mais em uma teoria eficaz, coerente, o primeiro resultado é a perda de eficácia por quem a implanta!

Versão 1.1 – 08 de maio de 2012
Rascunho – colabore na revisão.
Replicar: pode distribuir, basta apenas citar o autor, colocar um link para o blog e avisar que novas versões podem ser vistas no atual link.

Temos aqui no Rio um debate sobre a criação de um novo curso para 2013.

Inicialmente, pensamos em pós-graduação ou MBA de Gestão por Redes, que tentaria apresentar uma metodologia mais eficaz para as organizações se alinharem com o atual mundo mais colaborativo.

Porém, depois de várias conversas com meus alunos durante os cursos recentes, tenho amadurecido algumas coisas.

Eles repetidamente me dizem que as organizações, do jeito que são hoje, dificilmente compreendem a dimensão da mudança ou farão alterações consistentes em projetos nesse campo.

Diante disso, temos que pensar em aprofundar teorias, amadurecer metodologias, reunir mais cases e experimentar coisas novas.

Primeiro, temos que compreender como funciona a relação Ciência x Sociedade, que tenho discutido aqui no blog e como isso pode ser representado em cursos de graduação, pós,  MBAs, mestrados e doutorados.

A Ciência, a meu ver, trabalha em três níveis:

  • Filosofia – que cuida dos limites humanos – quem somos? o que podemos fazer? o que não podemos? para onde vamos? quais são os limites da ciência? Do conhecimento? Da informação? Das sociedades? Da política?
  • Teorias – quais são as causas, consequências, fatores, forças de cada fenômeno/problema, como elas atuam, quais as principais e secundárias, e como se apresentam em cada contexto;
  • Metodologias – a partir das filosofias e teorias, procuramos a identificação das mudanças mais significativas e, a partir dela, procuramos desenvolver metodologias para atuar e fazer um alinhamento das organizações às mudanças que estão aí e que virão.
Para cada uma destas camadas, (que devem, ter coerência entre elas), temos ambientes de aprendizagem e capacitação.
  • Podemos dizer que filosofias, teorias e criação de metodologias, de maneira geral e de cada ciência, cabem bem em mestrados e doutorados acadêmicos ou profissionais.
  • E que a capacitação e a melhor forma de aplicar as metodologias ficam para os cursos de pós-graduação, MBAs e graduação, a partir de determinadas teorias dominantes mais eficazes.

O problema que tenho percebido é que os atuais cursos de graduação, pós-graduação e MBAs estão trabalhando com filosofias e teorias obsoletas, que acabaram por gerar metodologias, idem, pois ainda não incorporaram no seu todo a teoria da Revolução Cognitiva, que é uma ruptura com as ciências que estão aí.

Esse teoria da força das tecnologias cognitivas desintermediadoras na sociedade podemos  considerar que é algo paradigmático.

Ou seja, ou se incorpora a visão ou tende a criar problemas de cenário, pois é uma força muito intensa que causa diversas mudanças. Não considerá-la é se afastar do que ocorre hoje e cada vez mais amanhã.

Quando vamos conversar sobre a lógica da implantação das mesmas no mercado começamos a ver as inconsistências, principalmente pelos resultados práticos.

Quando a metodologia não se encaixa mais em uma teoria eficaz, coerente, o primeiro resultado é a perda de eficácia por quem a implanta!

Ou seja, um curso de pós e de MBA deve ser aquele que tenha uma metodologia adequada, que o mercado necessite para exercer uma dada profissão, a partir de uma teoria consistente.

O problema é quando temos uma crise teórica paradigmática e estamos formando os alunos para um mercado ineficaz, com uma visão ineficaz de como resolver.

Tem mercado, até emprego, mas não tem geração de valor para quem contrata a médio prazo.

É algo pouco usual, mas não vivemos em um tempo usual!

Todo aluno que procura uma pós quer sair dali dando um upgrade na sua carreira e a organização que vai contratar aquele profissional, ou está pagando para ele fazer o curso, espera que aquele conhecimento agregue valor no curto, médio e longo prazo.

Se isso não ocorrer, o curso tende a perder impacto ou começa a ter alunos cada vez mais inexperientes e longe de um mercado mais inovador de trabalho.

O problema mais interessante é:

Uma teoria e metodologia pouco eficaz, curso na sequência,  pode até ter mercado, mas uma discussão mais profunda sobre o problema leva o aluno a perceber que ele está aprendendo algo que não tem lógica na mudança filosófica e teórica que estamos passando.

E eis o impasse.

Estamos formando alunos para uma metodologia inconsistente, que tem se mostrado pouco eficaz para resolver os problemas que estão vindo. Ou seja, a médio prazo a empresa vai começar a procurar outros profissionais que estejam com outra visão do problema.

E aí?

Acredito que o caminho é meio longo, pois não adianta abrir um novo curso com uma nova metodologia que está ainda incipiente e sem mercado, o que pode frustrar os alunos, pois pela ordem, é preciso passar por questões filosóficas/teóricas e depois pensar nas metodologias.

Isso é típico de momentos de ruptura, pois costumeiramente isso tudo se resolve, através do dia-a-dia, agora, entretanto, não é o caso.

Assim, acho que o momento nos leva para questões mais teóricas e menos metodológicas.

O que nos mostraria a importância agora de um curso de mestrado profissional, que vá ajudar a pensar e construir essa metodologia. Ou um MBA teórico, meio mais teoria do que metodologia, no qual o aluno tenha claro que ele estará ajudando a começar algo do zero e não está pronto.

Tais alunos sairiam para dar aulas e multiplicar a visão e  começar projetos, para formar um mercado com forte perspectiva nos próximos 2/3/5 anos.

Tal mestrado deve tentar ter como meta construir coletivamente essa nova metodologia, começar a aplicá-la de forma experimental para, só então, começar a delinear um curso de pós que possa ter algo para explicar e formar os primeiros profissionais para uma demanda latente – que vai acontecer com o aumento do fracasso dos projetos atuais de redes sociais nas organizações.

Exemplos de insucesso estão brotando que nem capim!

Vejo, por exemplo, para começar o trabalho um mercado ainda incipiente das empresas nativas, que já nasceram dentro e para a rede, que mesmo assim têm cometido erros de concepção metodológicas nos seus projetos.

E o início da migração das grandes organizações para o mundo colaborativo.

Devemos começar a estudar dois níveis:

  • migração de dentro para fora das organizações – através de projetos pilotos;
  • ou de fora para dentro – com a criação de start-ups para competir consigo mesmo.

(Ver mais detalhe sobre isso no post de amanhã)

Ou seja, é preciso, antes de tudo, consolidar a teoria, iniciar a construção da metodologia e consolidá-la para depois começar a ensiná-la já dentro de um novo marco filosófico-teórico mais eficaz.

Por enquanto é isso.

Que dizes?

Você faria um curso desses?

 

13 Responses to “Mestrado profissional sobre redes cognitivas?”

  1. Bruno disse:

    Nepo, quem não fizer esse curso por rejeitar a idéia de “construir do zero” é pq não é adepto do “conhecimento 2.0” e se essa idéia não faz sentido para o aluno, o curso todo não fará.

    Na minha opnião, quem estiver disposto a fazer o curso é porquê está sintonizado no assunto. Eu achei a idéia muito bacana, eu gostaria de poder participar!

    Abraço.

  2. Carlos Nepomuceno disse:

    Bruno, amanhã, posto e respondo aquela questão nossa em aberto, valeu o comentário!

  3. Faria sim, queria que tivesse aqui em Porto Alegre.

  4. Fabian aGonçalves disse:

    Mestre, há duas posturas nesta proposta. O pragmatismo educacional e teórico que intoxica nossas salas de aula e uma mente fora da caixa, desvinculada de teorias obsoletas e com uma postura aberta. Nessa linha de raciocíno, concordo plenamento num curso em que todos comecem do zero: método, conteúdo, dicentes e docentes. Natural que seja teórico. E como propôs, essa seria uma turma com uma missão – trazer por meio da educação a liberdade de pensar diferente.

  5. Fernando Fukunaga disse:

    Bem Prof.

    A proposta me parece condizente com os caminhos de mudanças que o mundo corporativo esbarra em achar. Essa dificuldade parece ser um medo inexplicável do próximo estagio das relações humanas nas corporações.

    Ainda que existam algumas empresas propensas a esse tipo de caminho, elas são poucas, mais como já dizia Augusto de Franco a tendência esta nos grupos pequenos e a massa acolhe como um tsunami de uma hora para outra.

    Vejo que transparência (coisa que o Sr. tem de sobra) é um grande diferencial para que a “coisa ande”, visto que, a dificuldade da velha guarda em aceitar mudanças que promoverão a excelência nas relações humanas nas organizações e por consequencia a criação do conhecimento colaborativo e inteligente e a gestão do mesmo é uma questão de tempo, pois uma safra de novos executivos e gestores está chegando, porém entendo que se não tiverem esse apoio filosófico, teórico e de metodologia, ainda assim se intoxicarão (by @cnepomuceno) por uma cultura morta, mais que assombra nosso futuro.

    Contudo, transparência em contar essa história, conectar e aproximar essa nova safra, na minha opinião será essencial para que as corporações encontrem o caminho do conhecimento em gestão por redes, e tem que começar agora, pois a cada vejo que cada mês perdido representa 10 anos de atraso na evolução. Bem como pode perceber eu faria sim o mestrado.

  6. Carlos Nepomuceno disse:

    Fernando, vamos costurar isso, pois acho que o caminho é por aí, grato pela visita e comentário.

  7. Tô dentro! A (re)discussão acadêmica começa com um milk shake das teorias de informação, arquitetura da informação, arquitetura de interação, psicologia cognitiva, aprendizagem, comunicação, gestão, e por aí vai… Para depois colocarmos os novos ingredientes sugeridos por Barabasi, Levy, Segura, Cipriani…

  8. Carlos Nepomuceno disse:

    Antônio, por aí….se não trabalharmos a base, não adianta metodologia…

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