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A revolução da informação veio sem manual de instrução – Pico Iyer – da coleção;

Texto conceitual
Livre para republicação (coloque apenas o nome do autor e o link para este texto, pois pode ter uma versão mais nova)
Versão 1.1 – 19/01/2012
Rascunho: colabore na revisão

A chegada da Internet está trazendo a relevância de um ainda obscuro fenômeno humano: a macro variação da taxa da circulação horizontal de ideias motivada por fatores tecnológicos, que podemos chamar de Revolução Cognitiva.

Cognitiva, pois expande a capacidade do nosso cérebro, o que significa novas possibilidades de se informar, aprender, conhecer, que tem como consequência natural, novas formas de produzir, se representar, inovar, etc…

A circulação de ideias (mais vertical ou mais horizontal) é a base reguladora de poder/controle de qualquer agrupamento humano: família, escola, organizações, países.

Podemos entender circulação de ideias horizontal ou vertical por uma medição possível.

  • Vertical – O número de mensagens em dado agrupamento humano é maior da estrutura de poder para os demais., com baixa taxa dos demais para uma dada estrutura de poder e também pequena dos demais para os demais.
  • Horizontal –   O número de mensagens em dado agrupamento humano é menor da estrutura de poder para os demais., com alta taxa dos demais para uma dada estrutura de poder e também alta dos demais para os demais.

Há uma relação, assim, entre o controle do poder e a taxa de circulação de ideias.

  • Quanto mais o poder precisa ou consegue controlar a circulação de ideias, mais alta será a taxa vertical.

E vice-versa.

  • Quanto mais o poder precisa ou é obrigado a descontrolar a circulação de ideias, mais alta será a taxa horizontal.

Altas taxas verticais de circulação de ideias têm consequências danosas, a longo prazo, para os grupamentos humanos:

  • Baixo amadurecimento;
  • Baixa motivação;
  • Baixa inovação;
  • Baixa meritocracia;
  • Baixa taxa de princípios coletivos e aumento gradual do exercício dos interesses individuais.

Podemos dizer que a sociedade que passa longos períodos com altas taxas verticais de circulação de ideias tende, assim, a viver crises sucessivas de:

  • Redução da qualidade democrática;
  • Perda da capacidade produtiva inovadora;
  • Aumento da corrupção;
  • Grupos sem princípios coletivos.

(Países que sobrevivem nessas condições centram seus setores produtivos internos em torno de uma ou algumas matérias-primas de baixo valor agregado.)

A defesa do aumento da taxa horizontal da circulação de ideias para o combate de crises humanas é a base estruturante do pensamento democrático grego revivido pelas Revoluções Francesa/Americana, que moldaram a sociedade atual.

Tal visão (em alguns casos intuição) se desdobra em propostas práticas alternativas variadas da escola participativa de Paulo Freire, à psicanálise de Freud ao modelo de gestão de Ricardo Semler.

Todos sugerem sair de crises de grupos humanos, através do aumento horizontal da circulação de ideias, via diálogo.

Podemos dizer que tais preceitos, bem ou mal, são uma síntese das pesquisas da sociedade, tanto nas Ciências Sociais, nos estudos da Comunicação ou na Ciência da Informação, já que o estudo das taxas de circulação de ideias é um conceito com diversos outros nomes, tal como fluxos de dados, informação, comunicação, abertura democrática, fim da censura, controle/descontrole da informação, etc.

A novidade teórico/prática que estamos vivendo atualmente com a chegada de uma Revolução Cognitiva  – e exige uma larga revisão de conceitos e suas relações  – é a variação dessa taxa horizontal de circulação de ideias em dois níveis novos:

  • De forma global e não de forma localizada;
  • E motivada por fatores puramente tecnológicos e não por movimentos econômicos ou políticos.

Esses dois fatores só aparecem juntos na história na Revolução Cognitiva do papel impresso, que se inicia em 1450 e vai até os dias de hoje, quando a prensa derruba o poder dos monarcas e papas. Desculpe, mas não podemos entender o atual momento histórico sem um estudo daquela época.

O estranhamento da Ciência  (principalmente as sociais) e da sociedade (principalmente das estruturas de poder vigente) diante desse fenômeno é justificado por vários motivos:

  • A variação da taxa de circulação de ideias não é / era visto como um fenômeno relevante de estudo ou variante estratética, pois seus efeitos não eram tão evidentes como agora;
  • Os estudos e incorporação estratégica, quando existem, são locais (micros) e nunca globais (macros), como é o caso agora;
  • Por fim, a variação da taxa horizontal de circulação de ideias motivada por fatores basicamente tecnológicos é para muitos quase uma ofensa ideológica, mas temos que ver os fato e não as nossas pré-concepções.

Diante disso, temos uma tarefa hercúlea pela frente.

  • Rever conceitos e suas relações das variações de circulação de ideias
    a nível macro e micro;
  • Analisar o papel da tecnologia nessa variação;
  • As causas do fenômeno e consequências para os grupamentos humanos;
  • E as revisões teóricas nas diferentes Ciências afetadas, a partir do novo fato.

Diria que é um esforço teórico/prático, que justifica a criação de um coletivo de pessoas no país e fora dele, que se identifiquem com essa abordagem e se sintam motivadas a ajudar a clarear os pontos obscuros, através da pesquisas práticas e teóricas em diferentes campos de estudo, tendo o mesmo ponto de partida: a Revolução Cognitiva e as consequências da macro variação horizontal da circulação de ideias.

Se você acha que pode ajudar, me diga, pois começo este ano – devagar – esse novo projeto. Vou promover cursos de formação para quem quer se dedicar a pesquisa teórica (conceitos e relações) e prática (apoio estratégico)  ao tema.

Quero formar um grupo de pesquisadores no tema, com desdobramento em mestrados e doutorados (práticos e teóricos) e quero institucionalizar esse grupo de pesquisa, através de apoio de instituições públicas e privadas com resultados tangíveis para apoio à decisão em todos os níveis.

Quero começar a conversar com quem possa ajudar de alguma maneira.

Você topa?

Me diga.

14 Responses to “Revolução Cognitiva e o macro aumento da taxa de circulação de ideias”

  1. Karol Felicio disse:

    Adorei, entendi, topo e recomendo! Penso que há um despertar para isso e quem já atentou ao fato deve/pode se unir e fortalecer esse movimento esclarecedor.

  2. Luciana disse:

    Interessam-de essas transformações especialmente em relação ao jornalismo. Estou preparando um projeto para o doutorado. Se der certo e for aprovado, tenho interesse em fazer parte do grupo.

  3. Dora lima disse:

    Nepô,muito bom. Este estudo é sobre o “futuro” já presente
    em nossas vidas. temos que escrever o “manual de instruções” desta revolução que estamos de presenciando. Gostaria de participar deste coletivo na pesquisa, mas principalmente na prática. no aguardo do próximos passos e sobre a dinâmica de trabalho.

  4. AlbertodeFco disse:

    Como texto independente precisa de uma definição de circulação vertical e horizontal.

    Discordo com que:
    “A novidade teórico/prática […] é a variação dessa taxa horizontal de circulação de ideias em dois níveis novos:
    -E motivada por fatores puramente tecnológicos e não por movimentos econômicos ou políticos.”

    Os fatores tecnológicos não são suficientes. Internet existe porque existe empresas a busca de possíveis lucros. E existe porque existem sociedades com a suficiente liberdade.
    Acho que os fatores tecnológicos são desencadeantes e necessários, ainda que não suficientes.

  5. aldo barreto disse:

    Não acho que a revolução seja cognitiva Nepô. Acho que está acontecendo um ajuste cognitivo. A relolução é na base digital da informação, na escrita digital que é vinculada a uma visualização com menor esforço cognitivo e na leitura que vem se adaptando a esta nova escrita. Veja o seu post e como você joga com a visualização da informação [texto e imagem] para uma percepção mais “agradável” da informação

  6. Carlos Nepomuceno disse:

    Francisco, sim há que aprofundar conceitos.

    Quanto à sua discordância, diria que a taxa do fator tecnologia como indutor de mudanças é maior agora.

    Bom lembrar que a condução da inovação da Internet (como foi no papel impresso) venho de forças não tradicionais do sistema para dentro e não o contrário.

    Obviamente que motivações tais como o lucro aceleram e potencializam a força condutora da nova tecnologia disruptiva.

    Esse ponto que vc tocou é realmente o mais heterodoxo (e mais complexo) nas novas teorias sobre a revolução em curso.

    Pierre Lévy encabeça essa linha de raciocínio. Eu sigo e trabalho dentro do possível.

    Há uma discussão sobre o fator condicionado/condicionante do ser humano e as tecnologias cognitivas.

    Isso dá um seminário.

    Grato pela visita e comentário,

  7. Mauro Leray disse:

    Conte comigo para tudo que meu humilde inteleccto possa contribuir. estarei compartilhando com outros professores, alunos e amigos.
    Abraço!

  8. Nilton Junior disse:

    Nepô, tenho interesse no tema… penso no desdobramento desta Revolução Cognitiva e as suas consequências/influências na área da educação corporativa. Fico no aguardo. Abraços, Nilton Junior. (MBKM/Furnas)

  9. […] (Ver mais sobre tempo de circulação de ideias aqui. —> E ainda aqui.) […]

  10. Miklos Hromada disse:

    Quero começar a conversar com quem possa ajudar de alguma maneira.

    Você topa? Me diga.

    Topo, Miklos

  11. Miklos Hromada disse:

    Esses dois fatores só aparecem juntos na história na Revolução Cognitiva do papel impresso, que se inicia em 1450 e vai até os dias de hoje, quando a prensa derruba o poder dos monarcas e papas. Desculpe, mas não podemos entender o atual momento histórico sem um estudo daquela época.

    Exemplo interessante, acredito que está pensando em M. Lutero que foi o 1º a fazer uso de planfetagem e lancou a Reforma Protestante com sucesso e mudou definitivamente a Europa da época, M

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