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 Quanto menos tiver influência e pressão social sobre dada organização, mais ela tenderá a se acomodar e passar a pensar mais em seus privilégios e menos nos princípios que a trouxeram ao mundo – Nepô;

Versão 1.2 – 28/10/2011 – ainda em revisão.

Há um certo ciclo que precisamos entender dos seres humanos, para pensar o futuro das organizações com a chegada da rede social digital.

Precisamos, antes, entender o papel das organizações na sociedade e a tensão em cumprir esse papel e, administrar a vida daqueles que dependem dela internamente.

E pensar um pouco como os seres humanos obedecem as regras sociais e tornam-se mais ou menos colaboradores com o coletivo.

  • Basicamente, podemos dizer que todos nós precisamos sobreviver no mundo.
  • Para sobreviver, precisamos de uma renda.
  • E essa renda é obtida, através de algumas horas dedicadas dentro de uma organização.

Temos exceções dos que não trabalham, mas todos dependemos de alguma forma de que uma dada organização sobreviva.

Ou seja, do faxineiro ao presidente todos dependem daquela organização para ter um final de mês menos tristes, o que faz com que todos procurem preservar e conservar aquele espaço.

Assim, por tendência e com o tempo passando, os membros da organização vão tendo atitude preservacionistas do local que lhe dá sustento.

Essa tendência é um fator que tem resultados, pois as pessoas acabam por se dedicar para manter, mas, dependendo da taxa de conservadorismo, isso pode começar a deixar de ser uma qualidade para ser um defeito.

 

Digamos, que há uma tensão constante no ar, entre o mundo lá fora que quer ser bem atendido, na melhor qualidade possível e o de dentro que pode, por comodismo, não ter o mesmo ímpeto.

Diria que isso não é algo resolvível, mas uma taxa de adaptação de uma dada organização ao meio e a sua capacidade de bem atender, superando seu conservadorismo e criando critérios de motivação, estímulo para não deixar que a tendência conservadora se sobreponha ao atendimento.

(Lembro-me do Bradesco, por exemplo, com seu sistema de ouvidoria, que é bem eficiente em cobrar de seus funcionários qualquer problema.)

Há, assim, uma tensão interessante.

Toda instituição, pública ou privada, por tendência luta para não mudar, pois o corpo que ali está quer continuar sobrevivendo com o menor esforço possível e o mundo do lado de fora exigindo que eles façam o que prometem.

É o setor produtivo, que acaba se apoderando do poder para continuar produzindo, tende a gerar uma sociedade mais conservadora que seja espelho de seu projeto político-produtivo, que podemos dizer que é o interesse daqueles que detém o poder.

Isso não é do agora, mas, a meu ver, o de sempre.

As organizações, portanto, são, antes de tudo, um espaço para o qual aqueles que dela vivem, passam a ser seus protetores e aqueles que precisam dela passam a ser seus cobradores.

  • Uns, de dentro, teoricamente, lutam para não mudar;
  • E os de fora querem que ela gere valor para resolver da melhor forma possível os problemas para os quais foram criadas.

Nota-se, por exemplo, que  isso ocorre tanto em instituições públicas como privadas.

E o que vai determinar a capacidade de continuar atendendo bem são fatores de gestão, que permitam que a cobrança de fora para dentro seja feita, de forma dinâmica e que esse fator conservador, não possa ser dominante.

Fatores que reduzem essa cobrança, por proteções de mercado (cartéis) ou por estabilidade (estatais) tendem a precisar de mais ação interna para que esse relaxamento não ocorra.

E cabe a sociedade como um todo, ao diagnosticar o problema, colocar estas organizações mais passíveis de fiscalização externa.

Esse seria um mal estar da civilização, com taxas variantes, conforme a conjuntura.

Ou seja:

Quanto menos tiver influência e pressão social sobre esse corpo, mais ele tenderá a se acomodar e passar a pensar mais em privilégios e menos em princípios.

Por tendência, cria-se um processo de decadência, com a valorização de questões menores, brigas internas vazias pelo poder, decisões tomadas sem nenhum critério, redução da meritocracia, criatividade, inovação. Tudo que conspirar para manter do jeito que está tende a ser hegemônico.

Tal situação é potencialmente geradora de crises, pois a organização tem um papel social, que cada vez passa a atender menos ao coletivo. Mudanças de conjuntura política (principalmente no caso da pública) e novos concorrentes (nas privadas) são fatores em que a decadência apresenta a conta, nem sempre barata.

Os exemplos são variados.

Veja que a Microsoft que se burocratizou, cresceu muito e perdeu o ritmo de inovação dos concorrentes.   Suas ações estão congelada há mais de uma década em 25 dólares. Ao passo que a Apple saltou de 17 dólares, a partir de setembro de 2004 para 320 dólares. E o Google de 105 dólares para 486 no mesmo período (Dados da Info – 305, nas bancas).

A defesa interna pela não mudança gera gradativa perda de musculatura para mudar, uma constante não adaptação às mudanças externas e, na continuidade, uma decadência, marcada, claramente, por uma perda contínua de valor social, pois cada vez menos, ao longo do tempo, menos atende aos interesses para os quais foi criada.

Lembro que:

Toda empresa é a solução criativa para uma angústia gerada por um problema – Duailibi & Simonsen;

Um político, por exemplo, que usa uma instituição pública para seu benefício é o exemplo típico das forças de dentro se afastando de seu objetivo principal, bem como governantes que sucateiam instituições públicas, retirando meritocracia e verbas, bem como, empregados que lutam por salário, mas não por melhor qualidade de atendimento na sua prática cotidiana.

As empresas privadas se caracterizam, na maior parte atualmente,  por uma procura do lucro a qualquer custo (que vou chamar de lucro tóxico), a despeito do respeito pelos clientes e colaboradores. Práticas não aceitas pela sociedade que vão criando uma desconfiança social ao longo do tempo e optando por concorrentes mais coerentes com seus desejos, possibilidades e necessidades.

Ou seja, a organização de solucionadora de  problema passa a ser criadora do  mesmo.

Tais situações são administradas, através de uma taxa de mutação para a qualidade de atendimento mais alta ou mais baixa dependendo da conjuntura e de quem a lidera.

Isso é algo, assim, a ser administrado e gerenciado para se chegar a um equilíbrio.

Não há jeito, saída, momento em que isso se resolve.

É uma taxa para cima e para baixo.

É, diria, o conflito entre gestão  saudável versus a gestão tóxica.

Da inovação pelo modismo vazio versus a inovação pela necessidade da sociedade.

Isso tudo sofre um impacto radical quando o consumidor/cidadão recebe de mão beijada uma revolução da informação no colo, pois a balança da não mudança, do não atendimento, que estava parado, em um patamar,  se desequilibra radicalmente.

E passamos todos a operar em outro tipo de tensão entre as partes, pois quem estava do lado de fora ganhou – e muito – em poder.

A regra do jogo dependia fortemente de quem estava apitando.

Se muda o regulador, que é a mídia, muda-se todo o cenário.

É mais do que um novo jogo, mas outro campeonato, em alguns casos, outro tipo de esporte!

As forças conservadoras das corporações  perdem força e passam a estar diante da necessidade imperiosa da mudança, já que o ambiente está mudando, os concorrentes, idem.

(Se isso não é totalmente visível em todos os setores, é por que tudo caminha como uma onda, começaram os setores de tecnologia, de mídia e se espalhando por todos os outros da sociedade é esperar para alguém bater na porta.)

Por quê?

Está caindo a ficha para cada vez mais gente que grande parte da manutenção tradicionalista das organizações se dava e ainda se dá (cada vez menos)  em torno do controle da comunicação, da informação e da relação entre os consumidores.

Que aceitam uma empresa com pouco valor por falta de opção dos concorrentes, por falta de informação, por falta de articulação entre os pares para reclamar e mudar o quadro e por falta de comunicação para poder dizer o que realmente pensa e sente.

O cliente sempre teve razão, desde que fosse a mesma do acionista, certo?

Tudo que mantinha a balança da não mudança para as forças tradicionalistas, começa a ter que mudar.

E é esse o dilema da atual sociedade.

As organizações atuais mais tradicionalistas (principalmente as decadentes),  perderam a sua arma principal: a fumaça ideológica de dominação sobre a sociedade.

É mais radical agora a necessidade de ter que romper com esse conservadorismo, via mídia vertical com o controle quase absoluto das fontes relevantes e do controle das ideias na sociedade.

Hoje, está mais fácil e barato ter e divulgar ideias distintas, se articular, denunciar e criar projetos inovadores indevidual e coletivamente.

E isso mexe com o equilíbrio conservador instalado.

E é nessa roda da mudança que as organizações precisam entrar, pois surgem concorrentes mais rápidos, mais ágeis, com um corpo menos tradicionalista e vão ampliando o fosso entre a inovação e a conservação.

São empresas que se aliam mais aos interesses dos clientes, conseguindo administrar a tensão de dentro e fora de forma mais interessante, via redes sociais produtivas.

 

O que impedia a mudança se rompeu, já que as possibilidades de informação, comunicação, relação e de geração de novos negócios mudou radicalmente de patamar, gerando um novo consumidor.

Faltava-nos clareza de perceber o quanto o nosso mundo era o nosso mundo por causa do controle que se tinha da circulação de ideias, da comunicação e relação entre as pessoas. E o espaço que faltava para novos projetos acontecerem, dentro desse novo ambiente.

É isso que se coloca como um grande cenário irreversível que empurrará as organizações para o futuro digital em rede, muito mais mutante dos que estamos acostumados.

(Por mais que todo o corpo interno das organizações  não queira e resista.)

É, sem dúvida, a maior mudança organizacional, desde que o capitalismo foi fundado há quase 500 anos.

É a chegada de um capitalismo digital, que combaterá, como princípio,  o lucro tóxico do capitalismo analógico, hoje completamente decadente, procurando criar outro forma de equilíbrio mais dinâmica entre a tensão do mal estar das organizações.

Que dizes?

 

8 Responses to “O mal estar das organizações”

  1. Mariza Neves Guimarães disse:

    Nossa! Eu sempre admiro os visionários. Quando eles trazem então notícias alvissareiras, então nem se fala! Mas tenho minhas dúvidas se esta revolução capitalista digital penderá para valores éticos e republicanos. Os danos estão tão profundos no caráter e nos valores que não sei se este retorno será possível. Torço pelo sim! De qualquer forma, mais uma vez um excelente post, com imagens maravilhosasa.
    Grande abraço

  2. Carlos Nepomuceno disse:

    Mariza,

    se considerarmos que a passagem do feudalismo/monarquia para o capitalismo/república foi algo que significou mais liberdade humana, com todas as injustiças inclusas, podemos imaginar que vamos sair do capitalismo/república para algo que trará + eficiência, o que seria isso? Há que se pensar, se isso é um avanço, não sei, mas precisamos de algo que consiga se ajustar melhor aos 7 bilhões de habitantes. Valeu visita.

  3. Mariza Neves Guimarães disse:

    Sou otimista, então, vou pensar que será melhor!

  4. Lilian Braga disse:

    Se a mudança é que é uma constante, estamos no meio do “redemoinho”. Os gestores terão que ser muito inteligentes e ágeis para sustentar uma organização de trabalho que de fato faça sua contribuição social> Concordo que não será mais possivel a mentalidade individualista mas…..ainda tem muita água a rolar…

  5. […] (Discuti esse impasse humano neste texto do mal estar das organizações.) […]

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