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Dig 6 – aula 2


Apresentamos o filme Lutero, fizemos uma ótima discussão.

Que passa por  necessidade, diante da rede, de refazer teorias de comunicação e da história, que incorporem uma explicação plausível da Internet.

Vou postar mais sobre isso no blog no decorrer desta semana.

O filme ajuda a olhar para o passado e trazer o presente.

Leiam mais aqui.

E ainda aqui também.

No filme, saquei coisas novas (e olha que já vi 20 vezes):

Rola uma discussão interessante sobre reforma e reconstrução, a primeira permite uma mudança cognitiva e a outra apenas algo para fora, como construir uma Basílica, mas não rever os valores da Igreja.

Lutero propõem um novo olhar, o Papa não quer olhar, quer continuar e fazer fumaça com uma catedral.

Tem um personagem interessante que é um cardeal que acha que a Igreja precisa de um Lutero, mas tem, no seu lugar, um papa que quer fazer fumaça, se endivida e não leva ninguém a lugar nenhum.

Não tinha dimensão histórica.

Lutero, talvez não tivesse também, mas era honesto em ver as escrituras de uma nova maneira.

Uma mídia de oxigenação social, como é o caso da Internet, traz novas ideias à sociedade e, por causa disso, inicia um processo geral de reforma de valores antigos.

Ou seja, não é a tecnologia, mas o canal de novas ideias que se abre que possibilita a mudança.

Na parte da tarde, entramos na discussão o que é realidade?

Coloquei cada um, depois dupla, depois quadras, até chegarmos ao grupo de 8 para o debate coletivo.

Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3
Realidade é uma percepção de mundo. É tudo aquilo em que se acredita. Realidade é a percepção dinâmica e subjetiva de estímulos diversos, que, quando interpretados da mesma maneira por várias pessoas constrói o senso comum.


  • BLOG – Entenda a revolução que vai mudar seu mundo – Hugh Hewitt;

Análise história sobre os fenômenos do blog, comparando, inclusive, com Lutero.

20 Responses to “Dig 6 – aula 2”

  1. Dylan disse:

    Resolvi passar por aqui logo, para aproveitar a proximidade das reflexões e o problema da falta de tempo, durante a semana.

    Mais uma aula excelente, acho que sai dela um pouco mais lúcido e essa é uma mudança que expande a nossa “caixa”.

    Ao assistir “Lutero”, ficou perceptível de que maneira a estrutura de poder vigente se utiliza da mídia para registro e distribuição do conhecimento. No contexto da época, alguns poucos mediavam de maneira interessada o conhecimento que regia a sociedade.

    Acho que, o que Lutero provocou foi uma transformação muito além do que ele propunha. A grande mudança NÃO está no fato de trocar uma visão A por uma B, está no modo como a idéia B pôde se propagar, através da mídia, e causar uma ruptura na sociedade, modificando as relações de poder. Se entendermos que o acesso ao conhecimento foi fator decisivo para modificar a estrutura do poder, fica mais fácil fazer o link com a ruptura que vivemos hoje.

    Na sessão “esqueci de falar”:
    Acredito que seja pertinente levarmos em consideração o fato de que, na reforma luterana, houve adesão coletiva, apenas porque estava claro ou, no mínimo, perceptível o modo como a maioria ganharia com a mudança. Acho que isso gera reflexões sobre a ruptura atual.

    Na sessão “fiquei incomodado”:
    Num trecho em que o debate chegou na conduta ética, houve desfecho com uma fala do Nepo, parecida com “algumas pessoas matam pelo bem comum”. Pensei no assunto enquanto atravessa a ponte e confesso que não consegui criar nenhum contexto em que tirar a vida de alguém, pudesse favorecer o bem comum. Acho que em todas as situações, aparentemente complexas, há uma alternativa menos simplista que consiga contemplar o interesse coletivo. Os sábios que conhecemos, mesmo diante de uma armadilha perfeita, conseguiram surpreender a todos com reações não previstas. Foi assim que Lutero não respondeu objetivamente o “não” que o condenaria. Ponderou que não revogaria enquanto a sua razão não mostrasse seus equívocos. Em outro exemplo bíblico, quando questionado sobre a pertinência dos impostos pagos a Roma, Jesus respondeu “a Cesar o que é de Cesar”, assim, não se comprometeu com Roma, nem com os Judeus.

    A minha conclusão é que quando um crime é praticado pelo bem comum, houve deturpação do interesse, ou falta de sabedoria.

    Essa discussão está relacionada, mas se afasta um pouco das reflexões da aula. Mas se alguém quiser me ajudar, dando um exemplo de um contexto em que esse conflito seja irremediável, agradeço a colaboração. Quanto mais discordâncias mais oportunidades me dão de melhor entender as coisas! Sigo o exemplo do Nepo, esse senso não é meu, batam nele a vontade! rs

    Nepo, me avise, por favor, se interpretei mal. Você provoca as nossas inquietações, por isso devolvo as dúvidas! rs.

    Forte abraço a todos!

  2. Carlos Nepomuceno disse:

    Dylan, respondendo:

    Na sessão “fiquei incomodado”:
    Num trecho em que o debate chegou na conduta ética, houve desfecho com uma fala do Nepo, parecida com “algumas pessoas matam pelo bem comum”.

    Pensei no assunto enquanto atravessa a ponte e confesso que não consegui criar nenhum contexto em que tirar a vida de alguém, pudesse favorecer o bem comum. Acho que em todas as situações, aparentemente complexas, há uma alternativa menos simplista que consiga contemplar o interesse coletivo. Os sábios que conhecemos, mesmo diante de uma armadilha perfeita, conseguiram surpreender a todos com reações não previstas. Foi assim que Lutero não respondeu objetivamente o “não” que o condenaria. Ponderou que não revogaria enquanto a sua razão não mostrasse seus equívocos. Em outro exemplo bíblico, quando questionado sobre a pertinência dos impostos pagos a Roma, Jesus respondeu “a Cesar o que é de Cesar”, assim, não se comprometeu com Roma, nem com os Judeus.

    A minha conclusão é que quando um crime é praticado pelo bem comum, houve deturpação do interesse, ou falta de sabedoria.

    Dylan, o que eu quis dizer é:

    “Muitas vezes – em nome do bem comum – faz-se coisas horríveis, pois a dominação, a manipulação, é tentar esconder os interesses de determinado grupo, chamando-os de comum. Muitas vezes usado em nome do “país”, “do futuro”, “do povo”, quando, na verdade, existem por trás o interesse de determinado grupo.

    Desenvolvi uma discussão sobre colaboração altruísta x a interessada, aqui: http://nepo.com.br/2009/08/17/sera-o-google-a-proxima-microsoft/

    Concordo com vc com o lance da sabedoria, desenvolvi mais sobre isso aqui:

    http://nepo.com.br/2010/03/01/a-sabedoria-nao-cresce-em-arvore/

    Essa discussão está relacionada, mas se afasta um pouco das reflexões da aula. Mas se alguém quiser me ajudar, dando um exemplo de um contexto em que esse conflito seja irremediável, agradeço a colaboração. Quanto mais discordâncias mais oportunidades me dão de melhor entender as coisas! Sigo o exemplo do Nepo, esse senso não é meu, batam nele a vontade! rs

    Nepo, me avise, por favor, se interpretei mal. Você provoca as nossas inquietações, por isso devolvo as dúvidas! rs.

    Cara, seu comentário foi muito legal, a parte inicial é perfeita, você sacou tudo…foi bom, pois vc me deixou detalhar. A sabedoria,de fato, é trabalhar pelo todo e não pelo ego, mas saber quando começa um e vai o outro é algo muito interessante, geralmente, quem trabalha pelo todo, é silencioso e pensa sempre no longo prazo, independente do que será bom para si…

    Leia os posts e retorne,

    abraços,

    Nepô,

    Nos vemos no sábado.

  3. Julia disse:

    Acho que no caso de Lutero, mesmo lutando pelo bem comum, não podemos esquecer que suas palavras, sobretudo quando mal interpretadas, levaram a revoltas e a morte de 100mil pessoas, de acordo com o filme. Me incomodou um pouco essa passagem, pois, onde estava ele quando o povo estava lutando contra o poder vigente, mal guiados pelo professor que, de uma certa forma, tinha interesse diverso do de Lutero? Se ele era o agente de mudança, não deveria ele ter acompanhado as reações ao seu discurso? Ou será que para qualquer reforma ocorrer, há sempre essas baixas, inevitáveis?

    Pensando um pouco na atualidade, a aula me fez refletir sobre a questão da credibilidade e acesso. Por mais que a informação esteja hoje ao alcance de muito mais gente, e que os grandes veículos, antes detentores da “verdade absoluta”, estejam perdendo o poder, a maior parte da população ainda busca informação nesses, que, camuflados de mídia 2.0, continuam reproduzindo o modelo vigente.

    Apesar do google e outros buscadores, a grande maioria com acesso à Internet não usa a ferramenta para conhecer outras visões e questionar a informação que recebe daqueles veículos. Me pergunto com o Dylan sobre quem ganha e como ganha com essa ruptura que está por vir.

    Agora, fazendo um link com a segunda parte da aula, em que discutimos o conceito de realidade, a Internet participativa permite que outras pessoas conheçam uma realidade que não existia antes para elas, por não serem noticiadas na mídia. A partir daí, já são pelo menos dois conhecendo esta determinada realidade e, ao compartilhar o link, o post, o tweet, cada vez mais gente.

    Porém, para o choque ser grande e uma reforma, ao estilo Luterano, poder acontecer, o acesso e o aprendizado de como usar a web 2.0 deveria se expandir para as classes que mais sofrem com o abuso do poder vigente atual e que poderiam expor realidades que só podemos inferir que existem, sem ter ido, de fato, lá “ver pra crer”. Assim, como com a reforma, o movimento foi de baixo pra cima e com uma luta clara contra a venda de indulgências, acho que uma ruptura desse tipo, atualmente, deveria seguir parâmetros semelhantes, o que acham?

    Não sei se tem muito a ver com o contexto, apesar de ter a ver com mudar a realidade, mostrando o poder da integração pela internet. Queria compartilhar um caso que ocorreu pelo oglobo.com.br (apesar das críticas a quem lê/comenta no jornal, acho importante o exercício de ver como os grandes veículos tratam determinado assunto e como seus seguidores o comentam. Fora que às vezes chega a ser engraçado…).

    É um bom exemplo de uso da participação para uma boa causa. Uma menina de 13 anos ficou paraplégica por conta de um tiroteio numa agência do Banco Itaú. A reportagem falava da demora do banco em cumprir a promessa de entregar uma casa adaptada para a família. No mundo 1.0, a reportagem geraria revolta, mas, a visão de que as coisas são assim mesmo e que nada seria feito era senso comum. No 2.0, um participante sugeriu que os leitores mandassem emails para o banco cobrando uma resposta e a estratégia deu certo. (http://oglobo.globo.com/sp/mat/2007/11/29/327371924.asp)

    Espero que na próxima aula, de cidades 2.0, possamos pensar em como nossa atuação pode mudar as realidades, como no caso acima. Estou gostando muito das aulas. Abs a todos.

  4. Fernanda Bas disse:

    Achei interessante a questão levantada pelo Dylan, é um assunto pertinente à próxima aula.
    A questão do bem comum é a restrição que existe na palavra “comum”. O bem é comum a quem? A um estado? A um país? Mas e os outros?
    Não é raro que os interesses de um grupo, ou mesmo de uma nação inteira, sejam contrários aos interesses de outro grupo, vide o problema de emissão de gases nos EUA.
    Uma cidade 2.0 precisa ter delineado os bens comuns que irão ser atendidos, em nossa cidade existem centenas de microproblemas que dividem a opinião da população, a final o bem comum é flutuante.
    Um exemplo prático: vendedores ambulantes ilegais em uma determinada área da cidade. Para um grupo de moradores, para o bem comum prevalecer é necessária a remoção deles, para os que dependem do tal comercio para sua renda, o bem comum seria a legalização. De que lado o bem comum está de fato?
    Existiria mesmo o bem comum global? E se existir, as pessoas estariam prontas a abrir mão de seu “bem individual” pelo “bem global”?
    Entra o problema do Ego e do Lego, estamos acostumados a pensar individualmente queremos sempre a solução para os nossos problemas, o nosso modelo capitalista nos ensinou a pensar no privado e deixar o coletivo para as autoridades (cidade 1.0) e já está no piloto automático.
    O que vejo por aí é a idéia de que “O que é meu é MEU, e o que é de todos, não é de ninguém”. O desafio da cidade 2.0 é transformar esse pensamento.
    É um dos grandes problemas das empresas 1.0 e 1.5, pois por mais que essas últimas tenham a idéia de co-criação, sempre que as soluções para o bem da sociedade forem prejudiciais às metas pré-estabelecidas, o bem individual vai prevalecer.

  5. Fernanda Bas disse:

    Eu de novo.
    Esses comentários aqui no blog têm funcionado como uma extensão das aulas, e isso tem sido bem produtivo.
    Como a próxima aula do Nepo será a última (snif) proponho dar continuidade as discussões off aula de outra maneira. O que acham?
    Poderíamos usar o Groups (http://groups.google.com.br/) ou o Ning (http://www.ning.com/), ou ainda alguma outra rede.

    Passo a bola para vocês.

  6. Carlos Nepomuceno disse:

    Julia, Fernanda, sinto que as baterias estão esquentando para pensarmos o que seria uma Cidade 2.0.

    O que muda na forma do prefeito administrar?
    Como a população pode participar?
    Que ideias teríamos para isso?
    Como começar?

    Minha ideia é fazer algo, tipo um DNA, para lançar na rede e ir espalhando, vamos ver no que vai dar, animado.

    Dylan, Julia e Fernanda, valeu mesmo.

    Beijos e abraços,

    Nepô.

  7. Falando sobre a primeira parte da aula, fica claro que mesmo as mídias de oxigenação e ruptura só mostram seu valor quando são utilizadas para espalhar grandes idéias. Daí faço um paralelo com o momento de transição que passamos, em que empresas que se metem na “web 2.0” apenas para divulgar promoções e repetir o modelo de comunicação anterior, perdendo o poder da troca de idéias com seus clientes, que poderia trazer novos valores para seu modelo de negócio e reformar seus produtos e até o mercado em que atuam.

  8. Carlos Nepomuceno disse:

    Luiz,

    só faria uma ressalva…não seria apenas para as grandes ideias.

    Para todo tipo de ideias….das micros às macros…

    No mais, 100% de acordo!

    Valeu!

  9. Outra coisa que fiquei pensado, é que as mídias de oxigenação formam um ambiente para alimentar as mentes que terão as tais grandes idéias. Concordo, mas com certeza não há lugar para falta de idéias.

    Abs.

  10. Aproveitando a falta de sono para colocar aqui um trecho bacana do Cibercultura que fala sobre o que eu estava pensando no comentário anterior. “Nem a salvação nem a perdição residem na técnica. Sempre ambivalentes, as técnicas projetam no mundo material nossas emoções, intenções e projetos. Os instrumentos que construímos nos dão poderes, mas, coletivamente responsáveis, a escolha está em nossas mãos”.

    Em outro trecho vejo uma relação muito forte com a transfomação ilustrada pelo filme, a partir do momento que as idéias de Luteram passam a espalhar através do livro impresso…”De fato, as técnicas carregam consigo projetos, esquemas imaginários, implicações sociais e culturais bastante variados. Sua presença e uso em lugar e época determinados cristalizam relações de força diferentes entre seres humanos”.

    Sei que o livro não é novo, mas decidi revisitá-lo com a cabeça atual, pois quando li da primeira vez estava acabando de entrar na faculdade e não cheguei a comprar um exemplar. Sem falar na vontade de aprofundar as discussões desde o início das aulas.

    Abs.

  11. silvia disse:

    Na primeira parte da aula tive a clareza de algo muito importante, ruptura pela qual nós seres humanos temos como uma das maiores dificuldade em fazer como pessoa e profissional, sei que em muitos momentos e dificil a quebra de crenca e valores e tantos outros conceitos mas vejos que só assim quebramos paradigmas.
    Nepo, adorei esse tal de ego e lego! confesso que o meu sempre foi um pouco rebelde, rsrs devido a tal evolucão cognitiva pois sempre agir e pensei de forma cognitiva pois para mim muitas coisas impossiveis são apenas uma questão de opnião, rsrs , muitas vezes agir de forma semelhante ou até mesmo quebrei ou separei o ego do lego de algumas pessoas , apena não sabia dar nome bois,,,rsrs.
    Att,
    silvia pina

  12. Em relação as cidades 2.0, no que a Fernanda falou, não acho que exista um bem comum global. Algumas questões podem até ser globais, mas a maioria dos casos é regional, são os cidadãos daquele local que tem que resolver o que é melhor para a região.

    Algumas questões me vieram a mente agora:

    Quem define o “bem comum”?
    Conforme o exemplo da Fernanda, para uns o “bem comum” seria acabar com os ambulantes, já para outros o “bem comum” seria legalizá-los. Vence a maioria? Isso é o “bem comum”?

    Eu penso que em uma cidade 2.0 a transparência e a colaboração são as bases. As redes são uma boa ferramenta para isso. Mas, não sei se todos teriam tempo e mais ainda, interesse em resolver coletivamente os problemas. Acredito que a maioria da população deseje apenas ser mais fiscalizadora do “estado” do que resolver os problemas. Isso é uma questão cultural que só muda na base, com educação. Aí entra uma outra boa discussão: A educação 2.0.

    Abraços.

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