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A grande mudança do século XXI é o fim da relação patrão-empregado. A morte dos gerentes. Não estamos, portanto, assistindo a chegada de novos modelos com a cultura Uber, mas novos modelos de organização!

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Como isso é possível, perguntarão?

E isso só pode ser compreendido se olharmos a nossa espécie como uma tecno-espécie, que sofre uma doença crônica chamada: Complexidade Progressiva.

Nós somos a única espécie do planeta que não tem limites demográficos.

Isso não era evidente no passado, por que éramos uma espécie de nicho e não planetária. Os colapsos demográficos eram vividos de forma isolada e não percebíamos a nossa Complexidade Progressiva.

Os povos cresciam e desapareciam. Ou migravam e isso não era evidente.

Depois de 1500, passamos a uma espécie planetária, nos globalizamos, em função do aumento demográfico, presos na bola, sem chance de pular para outro lugar. E isso torna a nossa doença crônica evidente e, agora, passível de diagnóstico.

Navegacoes - EDUCADOR

A Complexidade Progressiva, portanto, nos faz ser uma espécie mutante. Ou seja:

  • Sapiens 1.0 – gestos;
  • Sapiens 2.0 – oralidade e escrita;
  • Sapiens 3.0 – rastros.

Quanto mais vamos aumentando a complexidade, mais vamos em direção ao modelo de governança de espécies mais numerosas, saímos das matilhas para as pequenas manadas e destas para as grandes e agora estamos dando um salto disruptivo para as grandes colônias dos insetos, em particular das formigas.

  • Inseto não se entende pelo som, mas pelos rastros químicos;
  • Inseto não tem líder-alfa e nem gerente, pois não tem condições de alguém ficar por ali gerenciando as trocas de tanta gente.

O modelo dos insetos modifica a base das organizações atuais, que estavam estruturadas pelo som (oral e escrito) e pela supervisão dos líderes-alfas, que vinham da cultura das alcateias e manadas.

Já fomos escravos, vassalos, empregados e agora seremos macro e micro curadores.

Qual é a grande mudança?

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Há na espécie uma relação permanente e necessária entre fornecimento e consumo de produtos e serviços. Isso é algo fundamental para a espécie e, por causa disso, criamos organizações para resolver estes problemas por nós, conforme fomos aumentando a demografia.

O modelo das atuais organizações criou, em função da Complexidade Progressiva graus de hierarquia entre a demanda do consumidor e a oferta, que se espelha da seguinte maneira.

O consumidor não está satisfeito, pede para falar com o gerente, ou o supervisor, que é o responsável pela gestão dos colaboradores.

Há, assim, nas organizações atuais uma intermediação entre o consumo e o fornecimento. O gerente toca o tambor para garantir prioridades, quem entra e quem sai, quem será promovido e quem não será.

Isso se mostrou viável até um determinado ponto e duas mudanças ocorreram para tornar esse modelo obsoleto nos últimos 200 anos:

  • – o aumento demográfico (de 1 para 7 bilhões em 200 anos), que gerou mais complexidade, mas nenhuma alternativa disruptiva de solução até a chegada da Internet;
  • – os novos modelos que aparecem já no final do século passado, em função da chegada de novos tecno-códigos que empoderam os novos empreendedores de novas alternativas.

Assim, inicia-se um novo ciclo humano e também organizacional, no qual o consumidor e o fornecedor começam a se relacionar diretamente, através dos rastros, da avaliação, da performance registrados em bancos de dados e mediadas por algoritmos.

File illustration picture showing the logo of car-sharing service app Uber on a smartphone next to the picture of an official German taxi sign

O modelo de gestão consumidor-gerente-fornecedor – fornecedor-gerente-consumidor dá lugar a uma curadoria macro-curador -micro-curador, sendo o algoritmo um fiscalizador das relações e não mais das pessoas.

A mudança, portanto, a nova forma de gerar valor, está na criação de organizações tradicionais, filhas do Sapiens 2.0:  que saem da gestão e passam à curadoria, matando o antigo modelo das gerências.

E isso não pode ser feito de dentro para dentro das organizações, pois são dois modelos de organizações incompatíveis entre si.

Vivemos uma quebra disruptiva no epicentro das organizações: as relações trabalhistas.

(Isso só pode ser compreendido e encarado como algo relevante para a gestão se houver a compreensão da ideia de Espécie Mutante, que sofre da Complexidade Progressiva –  uma estratégia de médio e longo prazo, que sai da micro e passa a agir na macro-história.)

Quem não acordar, não é que vai fechar semana que vem, mas verá que o modelo atual da organização perderá valor para um que é muito mais sofisticado, pois permite uma relação custo-benefício muito melhor para o consumidor.

O desafio é grande?

Bem vindo ao século XXI!

 

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