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Quando imaginamos a academia é preciso voltar no tempo.

Anciões do Ar

Lá atrás, em um tempo distante, surgiu um dado problema difícil, complexo, que causava sofrimento, que a tribo não conseguia resolver.

Naquele momento, se chamava um ancião e/ou um conselho de anciões para se debruçar sobre ele.

Este é o germe da academia: um espaço na sociedade que deveria se dedicar a resolver problemas complexos, que as pessoas no cotidiano têm dificuldade para resolver.

Assim, a gênese da academia parte de problemas complexos da sociedade, que ela pede ajuda a um “conselho de sábios” que ganham da sociedade um espaço para nos ajudar a pensar melhor sobre ele, retornando, assim se espera, com alguma luz.

Como toda organização tende ao comodismo e a auto-referência com o passar do tempo, a academia, como todas as outras, começou a ser separada em dois pólos em todas as suas áreas.

Este é o pêndulo.

  • os problema-centrados – que procuram estar mais voltados para os problemas da sociedade, dos mais simples aos mais complexos;
  • os verdades-centrados – e aqueles que defendem uma academia “que procura a verdade” pela verdade.

É preciso equilibrar isso.

Hoje, temos os dois pólos bem ativos, mas falta o centro equilibrador.

gritar

Obviamente, que há necessidade para os problemas-centrados procurar verdades e fugir da intoxicação, bem como aos que procuram a verdade ancorá-las em problemas, pois o risco se de perder é grande. Deve haver um equilíbrio entre estes dois pólos.

Quando temos concentração de ideias, o pêndulo tende a ir para os extremos dos dois lados.

  • Teremos gente defendendo com unhas e dentes a procura da verdade pela verdade e vai mais e mais se afastando do pólo dos problemas, sem compromisso com os “aldeões_sofredores”, que ficam esperando retorno.
  • E os que defendem os problemas pelos problemas, esquecendo o papel balizador das teorias.

Temos o pior dos dois mundos.

É o que vivemos agora, uma academia (ainda mais no Brasil e ainda mais na área de humanas) que é voltada para um conhecimento saco sem fundo de verdades pelas verdades, sem problemas agregados e o modelo americanizado dos problemas pelos problemas, sem o caráter da verdade que é exigido de um espaço mais sofisticado do pensamento.

Eu conheço por conhecer e conheço para ficar mais conhecido acaba sendo o lema dos dois pólos, que não se falam.

Sem título (2)

Teorias vêm ao mundo para estudar as possíveis forças que movem a sociedade e nos ajudar a lidar com elas e é necessário a procura da verdade, mas tendo o fio terra dos problemas.

Isso deve ser procurado em cada pessoa, em cada departamento em cada grupo de escolas, com os diferentes perfis em torno de uma sinergia de trabalho.

Uma boa teoria, em um ambiente mais equilibrado, deve ser capaz de:

  • – perceber as forças principais e seus contextos;
  • – e as forças derivadas e seus contextos.

O que é a força que tem mais potência das que seguem àquela e vice-versa.

A força com mais potência é a tendência.

E em cima dessa grande tendência a sociedade vai procurando entendê-la, através de sensações e soluções, que podemos chamar de modismos.

Pode haver em um dado modismo algo que faz parte da macro-tendência.

academia

Assim, o papel da academia sempre será a de revisora dos modismo.

Cumprirá melhor o seu papel se procurar criar “adaptadores”  entre o que a sociedade está disposta a ouvir (está se abrindo) para o que pode ser uma tendência.

São conceitos híbridos, que no ambiente mais teórico vão ter um nome mais científico, tal como Canais Horizontais de Circulação de Ideias e na sociedade algo como Redes Sociais. Um adaptador seria Redes Sociais mais Horizontais.

O problema é que a sociedade está completamente distante da academia e quando a academia quer se aproximar do mercado, entra no jogo do modismo ou das verdades que não apontam tendências, adotando os termos que o mercado o utiliza. A academia não vem como uma revisora dos modismo, mas como uma incentivadora dos mesmos, deixando de ter o seu papel de grupo separado que pode pensar com mais amplitude.

Passei a fase de questionar os termos da moda do mercado, uma fase teórica-adolescente, digamos, assim.

Porém, é preciso criar um novo modelo do fazer acadêmico, que crie pontes com o modismo do mercado, sem se deixar contaminar por ele.

Precisamos dar ao modismo do mercado o viés teórico para que ele ganhe na escala.

magritteqp5

Os exemplos, como já disse nestes post, é algo como Gestão de Conhecimento, Design Thinking e BigData, precedido de 3.0, onde entra a Antropologia Cognitiva.

Os adeptos destas metodologias terão mais ouvido para querer saber o que diferencia o termo puro do 3.0 e aí vem o papel do teórico para separar as tendências reais que existem ali do que será mais modismo.

Como temos uma academia fortemente intoxicada ou de verdades saco sem fundo (acho que o ambiente brasileiro é esse) ou de problemas sem reflexão (mais o modelo americano). É preciso um movimento intermediário, que consiga enxergar os problemas, criando “adaptadores” teóricos, na procura de sofisticá-los.

A meta: separar o joio (modismo) do trigo (tendência).

É isso, que dizes?

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