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A invenção da República foi seguida de  uma intensa alfabetização da população.

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Saímos, desde o século XV,  de um mundo oral centralizado na doutrina da Igreja para um mais sofisticado, no qual as pessoas passaram a ler mais para poder escolher melhor seus representantes.

A República é filha do papel  impresso.

Quem lê, tende a desenvolver áreas mais racionais do cérebro e trabalhar com menos emoção e vice-versa. Quem apenas escuta, ouve, recebe junto da mensagem uma carga emocional do emissor, o que não ocorre com o livro.

Uma missa, Jornal Nacional da Idade Média, era algo fortemente emocional.

McLuhan fazia essa distinção de meios frios e quentes.

O que nos leva a meios com mais emoção e menos emoção.

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Podemos dizer que a República Impressa foi bem até a chegada do século XX com o surgimento do rádio e da televisão, quando há, de novo, um retorno à oralidade, mas desta vez muito mais centralizada do que era antes.

Defendo a tese de que os movimentos totalitários do Século XX só são explicados por causa da centralização do rádio e da televisão. 

O emissor leva a sua mensagem com uma forte carga de emoção.

Assim, podemos dizer que um povo mais letrado, tende a ser um povo mais racional e menos emocional na tomada de decisões e vice-versa.

Cria-se o hábito de receber novas ideias com mais ou menos carga emocional.

Uma República como a brasileira vive essa contradição.

  • Há um segmento letrado, com maior poder aquisitivo.
  • E um segmento muito maior, que acaba por decidir a eleição, com menor poder aquisitivo.

O cidadão que não lê, apesar de quererem taxá-lo dessa maneira, não é mais ou menos inteligente do que o que lê. Apenas, é mais emocional na relação com as ideias que recebe e, por causa disso, sua capacidade crítica em relação à informação é menor. A taxa de manipulação é maior. Ficam mais na mão dos marqueteiros de plantão.

Isso se dá tanto no Brasil como na maioria dos países, mesmo nas democracias mais antigas, em função da intoxicação dos meios eletrônicos.

A nossa República teve um retorno para uma oralidade que havia sido perdida no Século XVIII e XIX, quando o papel impresso passou a ser o principal meio de circulação de ideias, racionalizando mais a população, com pontos positivos e negativos nesse processo.

(Vide as críticas de Nietzsche)

Essa oralidade centralizada é fortemente emocional e traz algo mais monárquico, de soluções mais mágicas e mais imediatas.

Oralidade

Não adianta, a meu ver, querer voltar para o século pré-XX, pois o problema principal hoje é o tempo que podemos nos dedica a ler em grandes megalópolis.

O grande salto que podemos dar hoje, entretanto, é a possibilidade que a Internet nos traz, na oralidade, pois a ideia de voltar ao mundo impresso se torna cada vez mais distante.

Hoje é possível uma Oralidade Descentralizada Racional a Distância, o que não era antes com o rádio e a televisão.

Não há problema, no fundo, com a oralidade que é o meio de comunicação mais rico que temos, mais complexo e de mais fácil entendimento. O problema da oralidade é  a sua antiga possibilidade de ser disseminada a distância, de forma descentralizada e desprovida de emoção.

Pela primeira vez, podemos praticar algo inusitado: uma Oralidade Descentralizada Racional a Distância o que não era possível nas aldeias e também não o foi no século passado.

A grande oportunidade educativa é justamente conseguir criar movimentos de repasse de ideias, através do áudio. As pessoas poderiam baixar o que gostariam e ouvir onde quiserem, palestras e aulas, como se estivessem lendo.

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Uma palestra por áudio tem quase o mesmo efeito de um livro, tirando as devidas proporções, mas tem a vantagem de ser mais dinâmica, pois permite um movimento paralelo: pode-se andar, correr, estar em pé no ônibus ouvindo um áudio, o que a leitura não permite.

Num mundo agitado e numa demanda radical de educação, é viável imaginar um retorno a uma oralidade descentralizada racional, o que seria uma saída a baixo custo para sair da crise educacional que nos metemos.

E que pode reduzir o gap para a passagem para a Democracia Digital que exige um cidadão mito mais crítico do que o atual, intoxicado pela televisão.

É isso, que dizes?

 

One Response to “A Oralidade Descentralizada Racional a Distância”

  1. […] Oralidade Descentralizada Racional a Distância – uma nova forma de disseminação da oralidade trazida pela Internet – (ver mais aqui) 20/05/14; […]

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