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 O espaço do pensamento independente em um ambiente de contração cognitiva é muito pequeno. A Revolução Cognitiva vai abrindo aos poucos brechas, mas quem quiser caminhar nessa corda bamba tem que ter fôlego (capital para se manter independente) e sangue frio.

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O problema principal para o pensamento humano é a sua necessidade de sobrevivência e a sua ligação necessária com organizações.

Podemos dizer que a taxa de independência da vida organizacional é bem pequena, pois quando ela se forma, se burocratiza e todos que vivem nela acabam por defender o seu salário e seu emprego, deixando a sociedade em segundo plano.

Não é algo do bem e do mal, mas, a meu ver, humano.

Já disse aqui que as organizações vêm ao mundo para resolver problemas da sociedade e, como o tempo, acabam por se voltar para elas mesmas, ainda mais em momentos de forte contração cognitiva, pois passam a resolver só os seus próprios.

Estamos, a meu ver, no ápice da contração cognitiva, com um macro-distúrbio que chamei de narcisismo organizacional, com uma taxa muito alta das organizações (todas elas) se servindo da sociedade e muito pouco a sociedade das organizações.

Note que as organizações de plantão têm seus interesses e estão dispostas a financiar, contratar, atrair quem as defenda. E quanto mais o ambiente é fechado e com organizações voltadas para si, há menos espaço para visões independentes, que vão na direção contrária das mesmas.

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Qualquer um que precise sobreviver acaba por ter que atender a estas demandas, criando uma relação de co-dependência com as organizações de plantão, o que acaba por condicionar o pensamento.

(Note que todo pensamento é condicionado, com taxas distintas, mas podemos dizer que quando temos que atender diretamente a interesses mais imediatos esta taxa sobre muito!)

E isso faz com que haja um condicionamento do pensamento que tem que, de alguma forma, atender aos interesses mais imediatos das organizações, mesmo que esta visão seja extremamente nociva para a sociedade e até para o futuro da própria organização.

Ou seja, narciso quer ver o que está no espelho.

Portanto, as discussões do mundo organizacional são geralmente muito focadas no presente e nas metodologias, que, queiram ou não, são condicionadas pelas teorias e filosofias.

As metodologias são o epicentro dos debates e há pouca margem para especulações. Isso é mortal em Revoluções Cognitivas!

Quando o mundo entra em uma guinada como a atual, vivemos um momento de profunda crise organizacional, pois há que se trabalhar com filosofia e teorias para construir um melhor cenário. Porém, as organizações não têm musculatura e nem o hábito de se virar nessa direção.

E isso gera um problema profundo, pois acaba-se por se viver um momento bumerangue canino: do cachorro que fica o tempo todo girando sobre o próprio rabo.

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As organizações atuam, assim,  na maior parte das vezes, na parte baixa do triângulo do conhecimento: nas metodologias, seguindo aqueles que falam o que elas querem ouvir.

Os espaços para reflexão filosófica e teóricas ficam, ilusoriamente, restritos à academia.

A academia, entretanto, é também uma organização com seus interesses próprios e sofre do mesmo mal de todas as outras que chamei de narcisismo organizacional. Ou seja, tende-se a repetição e reforço do que já existe.

Não é à toa que os estudiosos dos novos paradigmas sempre afirmam que eles vêm de fora das estruturas para dentro e quase nunca de dentro para fora.

O ambiente narcisista não permite!

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O espaço do pensamento independente em um ambiente de contração cognitiva é muito pequeno. A Revolução Cognitiva vai abrindo aos poucos brechas, mas quem quiser caminhar nessa corda bamba tem que ter fôlego (capital para se manter independente) e sangue frio.

É um caminho off-road que só vai dar frutos a médio e longo prazo, mas é uma estrada longa e esburacada daqueles que procuram dar significado à vida.

É aquele drama humano entre o que se pode fazer e o que não se pode.

Tá dentro?

É isso, que dizes?

 

 

 

One Response to “O dilema do pensamento independente”

  1. Rodrigo Garcia disse:

    É um problema crônico em todas as instituições. Aquelas mais burocráticas e a serviço da população (como as Acadêmicas, governos, etc) são as que mais sofrem com o narcisismo organizacional sem dúvida e em todas as instâncias e graus. Perfeita a explanação.

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