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Gente, tá cansando. Antes era conhecimento, agora inovação. Hoje, começa-se um discurso e acaba-se com inovação. Inovação assim solta, sem adjetivos, não é nada, ao contrário, pode ser algo ruim, destrutivo, negativo. Mais fumaça para não se mudar nada e deixar o fogo da mudança bem baixo.

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Note que os nazistas quando resolveram matar mais judeus inovaram no modelo do campo de morte. Antes, eram fuzilados e enterrados.

Se pensar em termos de inovação pura, os nazistas com os campos de holocausto inovaram.

Ou seja, é preciso agregar a palavra ética quando falamos de inovação. Ou seja, nem tudo que melhora um processo é eticamente aceitável.

Além disso, temos uma questão de inovação eficaz e ineficaz.

Eu posso mudar um tipo de tratamento para o câncer e isso matar mais gente do que o anterior, apesar de ser uma inovação.

Portanto, temos que adjetivar a inovação, pelo menos, com duas palavras: inovação ética e eficaz.

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O que importa, portanto, é uma inovação ética e eficaz e aí temos que lidar com dois parâmetros diferentes, que muda muita coisa.

A inovação incremental e a radical.

A incremental é uma inovação de baixa abstração, de pouco tempo de reflexão, pois trabalha basicamente observando o que existe e vendo o que se pode melhorar

É um tipo de inovação que não exige trabalho teórico e nem filosófico, pois observa-se, experimenta-se, avalia-se, implanta-se e pronto.

É um tipo de inovação que está aí por todos os lados e que todo mundo, que sempre fez isso, pois nenhuma organização estava parada.

Ou seja, a inovação incremental tem uma taxa qualquer na organização e agora se quer que essa taxa aumente, pois o mundo lá fora está mudando mais rápido do que aqui dentro e não se pode aumentar mais e mais esse gap.

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Já a radical muda paradigmas, exige trabalho filosófico e teórico.

Inventa o que não existe.

Sim, é preciso, entretanto, já que estamos saindo de um mundo conservante para um mundo mutante, colocar a necessidade de mudança em pauta.

As organizações atuais foram feitas para repetir e as do século XXI para mudar, pois tem que ser compatíveis com o ambiente externo, turbinado pela macro-canalização do ser humano, via redes digitais.

Assim, fala-se em carteira de inovação, na qual a mudança precisa ser gerenciada.

Estamos muito mais para a gestão das mudanças constantes, ou seja, preparar as organizações para que se vejam como um verbo e não mais como um substantivo e isso implica em uma mudança radical de governança, pois hoje espera-se que os processo sejam consolidados e repetidos e não mudados constantemente. Isso implica em outro modelo de governança e no aparato afetivo/cognitivo de cada um, que nos leva a mentes e egos abertos e interativos.

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Tenho defendido que o novo ambiente cognitivo criado pela macro-canalização dos usuários, alterou a placa tectônica cognitiva e criou uma ruptura na governança da espécie que está em mutação.

Estamos tendo uma mudança radical na governança, que é o principal desafio de inovação que está colocado hoje e deve ser o centro das carteiras de inovação.

Deve-se, portanto,  procurar a força principal, ou o que está gerando as principais mudanças para se focar nela e depois ir atacando os outros pontos, a partir daí e não o contrário.

Ou seja, preparar a empresa para ser mutante e não conservante.

O resto vem gradualmente.

Não teremos empresas inovadoras com um modelo de governança conservadora!!!

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Assim, defendo a criação sim de uma carteira de inovação nas organizações, que passe por:

  • – diagnóstico adequado da necessidade de promover uma mudança radical de governança;
  • – ações, tais como, criação de laboratório da nova governança que tenha a missão de promover a migração gradual da atual para a nova;
  • – e ações de inovação radical e incremental para que essa passagem seja feita da forma mais ética e eficaz, já gerando novos produtos e serviços;
  • – isso pode ser feito, como temos experimentado no projeto da IplanRio, com uma dedicação parcial de colaboradores, que passarem por um curso preparatório.

Projetos de carteira de inovação que não levarem em conta a guinada da governança vão, a meu ver, gastar muito dinheiro e ter baixos resultados.

(Ver mais sobre o case da Iplan-rio aqui.)

Por aí, que dizes?

Versão 1.0 – 27/11/2013 – Colabore revisando, criticando e sugerindo novos caminhos para a minha pesquisa. Pode usar o texto à vontade, desde que aponte para a sua origem, pois é um texto líquido, sujeito às alterações, a partir da interação. 

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