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Versão 1.0 – 09/09/13

Colabore revisando, criticando e sugerindo novos caminhos para a minha pesquisa. Pode usar o texto à vontade, desde que aponte para a sua origem, pois é um texto líquido, sujeito às alterações, a partir da interação.

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Sugiro ver este post anterior aqui.

A ideia de uma ciência politeísta-ninja que vem renovar a atual ciência monoteísta-monja passa, como vimos, por uma nova forma de produção científica, revendo escolha de problemas, produção e distribuição das pesquisas.

Sim, de fato a base da produção científica passa pela confiança dentro e fora da academia de acreditar que aquilo que vem sendo produzido é o melhor possível e que tem critérios claros de aferição de uma dada verdade provisória.

Criamos uma academia hoje, que adotou o critério de validação, a partir de um “convento monástico”, que é característico da cultura escrita, que precisa organizar antes para distribuir depois, o que chamei de forma provocativa de Ciência Monja.

Os pareceristas realizam o filtro necessário para evitar que o que vá para a sociedade contenha pseudo-inverdades, não importando muito a relevância, meritocracia e abstração das verdades produzidas.

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A produção acadêmica e o aprendizado passaram naturalmente com o o tempo a ser feito baseado em problemas pré-escolhidos, divididos por assuntos, uma sequência lógica de passagem dos mesmos.

Criou-se um modelo de certificação de quem quer se credenciar dado pelas autoridades de plantão, que estabeleceram critérios para aprovação baseados nos padrões vigentes.

Nada mais natural, porém os padrões foram ficando, com o tempo, obsoletos diante do aumento da complexidade e das novas opções de produção.

 O sintoma mais grave é que, aos poucos, os problemas debatidos foram se distanciando do sofrimento da sociedade. A ciência passou a ser feito por critérios cada vez mais formais, porém com resultados cada vez menos significativos por quem deveria se aproveitar deles – a sociedade.

É uma ciência que formalmente chegou a sua maturidade dentro de uma tecno-ecologia-cognitiva, mas teve que abrir mão para isso de sua relação com a sociedade, pois perdeu conteúdo significante.

Podemos dizer que fazemos uma ciência “correta”, mas que serve muito pouco a quem sofre.

O tempo de uso do modelo fez com que o sistema fechado de produção do conhecimento fosse se auto-canibalizando, pois sem o olhar externo fiscalizador e cobrador levou a academia ao isolamento que tem hoje, assim, como as outras organizações sociais.

Aprendi com a história que vivemos ciclos tecno-cognitivos que entram em decadência com o aumento da complexidade x a obsolescência do uso de um dado ambiente.

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A ciência Ninja, com um novo modelo de produção, baseado fortemente em plataformas digitais, tem como missão,  basicamente resgatar o caráter ético da ciência, recolocando como prioridade os problemas mais significativos, aqueles que minimizam mais sofrimento como prioridade da pesquisa.

Vamos entrar em um novo ciclo, no qual vai se abrir mão de alguns formalismo, em nome da relevância!

E aí teríamos algo interessante, pois teríamos uma inversão dos papéis, pois o que é considerado ciência passa a ser problemas relevantes e tudo que possamos agregar para que eles possam ser trabalhados de forma a causar menos sofrimento.

O modelo de seleção/produção/distribuição de conhecimento deixaria o modelo vertical (de poucos que sabem muito) e passaria para um horizontal (da valorização daquele que sabe mais dos que os demais em uma determinada bolha).

Ou seja, o importante não é saber tudo, mas saber mais do que aqueles que estão dentro da bolha no qual atua, sendo uma ferramenta de conhecimento anti-sofrimento.

Não havendo, portanto, um critério vindo de cima de quem está apto a produzir/ensinar, mas um processo de que é importante aquele que pode agregar mais valor para uma dada bolha de conhecimento, desde que agregue conhecimento em prol da redução de sofrimento. 

A medida da sua eficácia é a capacidade de cada pesquisador/professor de reduzir sofrimento dentro daquele ambiente e não mais no modelo atual de que exige uma super-capacitação para problemas nem sempre relevantes.

É um regresso ao mundo oral/tribal/politeísta, só que agora digital, da produção do conhecimento descentralizada, com a aferição do valor de baixo para cima com critérios definidos por quem está sofrendo e a capacidade de cada um em cada ambiente reduzir a taxa de sofrimento.

Tais sinais farão com que aquela pessoa seja considerada relevante como produtor/repassador de conhecimento.

Visto assim, deixamos nessa fase inicial da crise de transição o formalismo para um informalismo, pois procuramos resgatar, mais do que tudo, o retorno a problemas relevantes e a eficácia na redução de sofrimento.

Ainda pode parecer abstrato, mas prometo aprofundar.

É isso, que dizes?

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