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Não há explicações finais apenas explicações melhores – Gleiser;

Versão 1.0 – 18 de junho de 2012
Rascunho – colabore na revisão.
Replicar: pode distribuir, basta apenas citar o autor, colocar um link para o blog e avisar que novas versões podem ser vistas no atual link.

Diz a lenda, ou a história, que Moisés foi ao alto da montanha para receber de Deus os dez mandamentos e ao descer encontrou as pessoas adorando um bezerro de ouro, o que o irritou profundamente.

Jesus também tem uma passagem, na qual chega ao templo, que está tomado pelo comércio e se revolta, quebrando tudo.

Se pegarmos o que podemos tirar, filosoficamente, dos dois eventos, podemos dizer que há uma tendência humana por “adorar” e se agarrar aquilo que á mais tangível e acreditar piamente no que foi falsamente criado para viabilizar a vida.

Explico.

O dinheiro foi inventado para facilitar a troca. É apenas uma referência para viabilizar o escambo de uma galinha por dois cabritos, que não tinha como ser feito anteriormente.

As palavras, idem.

Árvore é uma representação de algo que sabemos do que se trata para facilitar a compreensão do que estou dizendo, mas não uma árvore.

É preciso ser sábio para separar a coisa do que é representado, pois é sempre uma aproximação. Acreditar piamente na aproximação é começar a se desviar do que é pelo que pode ser.

Ou seja, tais representações se consolidam na nossa vida e tendem, se não tomarmos cuidado, a ser a coisa ao invés da representação.

(As neuroses, a meu ver, são justamente a incapacidade de conseguir ver melhor os fatos e ficar cada vez mais nas versões.)

Somos, e isso não tem como fugir, escravos da subsistência, que nos leva necessariamente a entrar no mundo com pouco espaço para respirar.

E conseguir ver o que está por trás do que possivelmente é.

Assim, imersos na sobrevivência, por tendência, sem espaço para respirar mais fundo, vamos nos enebriando, enevoando das representações como se elas fossem a própria realidade e o propósito da vida.

Podemos dizer, assim, que temos taxas diferentes de imersão no mundo das representações.

(Porém tal prática é cada vez mais incompatível com um mundo mais mutante, supervoado, superconectado, no qual o ambiente cognitivo permite cada vez mais a troca entre conhecidos e – principalmente –  desconhecidos.)

Há quem acredite mais ou menos nos bezerros de ouro.

O papel da filosofia (que anda em baixa na decadência cognitiva atual – mas isso vai mudar), bem como da arte,  é justamente ajudar a ver por trás do que é representado, denunciando que é apenas uma cortina a frente do pano de fundo inatingível.

Quanto mais acreditamos, defendemos, propagamos os “bezerros de ouro” mais imersos estamos  no mundo das coisas.

Não é diferente o estudo dos fenômenos e o fazer científico, bem como, as teorias e as metodologias nas organizações.

Todas são invenções temporárias humanas para dar explicações provisórias sobre determinados fenômenos, mas nunca são, de fato, a coisa representada, pois tudo é mutante.

É apenas algo que temos que ver como uma ajuda provisória e não fazer daquilo uma bandeira, um dogma, ou um clube de futebol.

Ao defendermos, com unhas e dentes, posições, sejam quais forem, baseados em textos passados, mais dificuldade teremos de compreender aquilo que provavelmente pode ser, pois nunca será.

O ser humano não tem capacidade de apreender a realidade, apenas se aproximar levemente dela para resolver problemas conjunturais.

A base de um processo de desintoxicação de um mundo de ideias controladas (do qual estamos saindo) nos leva a um questionamento à alta taxa de adoração dos bezerros de ouro – que tal decadência cognitiva provoca.

Que é a base que nos leva a nos preparar para um mundo mais inovador.

Temos que olhar de fora o que é em nós representação e o que pode ser “mais verdade”.

(Detalhei mais sobre isso aqui.)

Estamos imersos, como o filme Matrix  nos mostra, com uma taxa elevada, de adoração da representação e não da coisa a ser representada.

Dogmatismos, falta de capacidade de diálogo, interesses individuais aos coletivos caracterizam essa decadência cognitiva, o principal problema para nos adaptarmos a um mundo mais inovador, pois precisamos separar em nós o que é a representação do que é representado.

Criar é esse exercício de rever nossa própria concepção. Aprender é desaprender o que foi aprendido para ver de novo, sob outra ótica. Sem esse exercício, podemos repetir, mas não criar.

Isso é um dado relevante para quem quer subir essas taxas de inovação e se alinhar a um mundo mais mutante.

O mundo já era mutante antes?

Era, mas conseguia ficar mais parado do que o atual, pois o ambiente cognitivo era hiper-controlado.

O descontrole informacional/comunicacional aumenta a taxa de inovação lá para cima e nossa capacidade de criar tem que acompanhar o ritmo!

Quando falamos em inovação, basicamente, estamos falando na fé que temos nas falsas coisas, incluindo o dinheiro.

E tudo isso faz parte da macro-revisão que temos que fazer e de como produzimos, criamos, aprendemos e nos relacionamos nesse novo mundo, noas quais os bezerros de ouro estão altamente adorados – e atrapalando.

Por aí,

Que dizes?

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