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Versão 1.0 – 17 de abril de 2012
Rascunho – colabore na revisão.
Replicar: pode distribuir, basta apenas citar o autor, colocar um link para o blog e avisar que novas versões podem ser vistas no atual link.

Já se articula no Brasil a criação do Partido Pirata.

Marina e seu pessoal discutem dentro do movimento chamado “Nova Política”.

E lá também se pensa se deve, ou não, estruturar um partido.

Alguns parlamentares falam em ser mais 2.0 do que são hoje.

É preciso muita clareza do momento histórico para tomar uma decisão.

Conforme temos discutido nesse blog, estamos diante de uma nova guinada da civilização.

Termina a era regida pelo ambiente cognitivo do livro impresso, que teve duas etapas, antes e depois da mídia de massa.

Podemos dizer que mudou, coisa rara, a conjuntura cognitiva.

Nesse período, houve, a partir de 1450, fase de abertura, que deu na Renascença, Iluminismo no meio, a descentralização e o descontrole da circulação de ideias que durou até a Revolução Francesa, que estabeleceu a desintermediação dos reis e criou o conceito de democracia representativa.

Alguém iria ser escolhido para nos representar durante um período de tempo.

Copiamos, na época, o modelo grego, porém sem praça, pois não era possível em função de tanta gente. O rei caiu, pois era obsoleto para gerenciar uma população que crescia.

(Se quiser ler sobre esse debate do rei obsoleto – compre Thomas Paine – Senso Comum.)

Essa é a base da nossa gestão social adotada hoje, que chamamos de democracia.

Criou-se o conceito de parlamento e de governos executivos, seja presidencialista, ou parlamentarista.

Depois tivemos a fase 2 da Revolução Cognitiva do papel impresso, que construiu a mídia de massa, vertical, que permitiu consolidação do modelo, o controle contínuo da circulação de ideias e nos trouxe a atual fase de decadência do modelo.

Essa consolidação engessou a sociedade, emperrou mudanças com a barriga. É o grande DNA das crises que vivemos hoje, tanto no âmbito social, econômico e político.

A população cresceu em quantidade e complexidade (de 1 para 7 bi em 200 anos), mas os modelos de representação continuam iguais aos pensados para um mundo passado com muito menos gente.

Esse modelo chegou ao seu limite por diversos fatores:

1- a centralização da informação não permitiu uma transparência necessária e a tomada de decisões compatível com novas demandas;

2- em função disso, transformou-se instituições antes reformistas para hoje conservadoras, que se auto-representam, muito mais movidas a interesse do que princípios;

3- uma forte intoxicação da taxa do falso-eu.

Há, assim, uma alta taxa de intoxicação IRREVERSÍVEL desse ambiente atual de representação.

Os movimentos dos jovens apontam (Espanha/EUA) para essa direção:

“Não sabemos que democracia queremos, mas não é essa, com certeza, que está aí”.

Critica-se a falta de proposta.

Porém,, não sem tem proposta, pois é preciso pensar algo novo, que começa a surgir nos projetos de desintermediação na sociedade, com consumo, produção, troca, comunicação, conhecimento – todos desintermediados. É algo demorado, mas que as pessoas já sentem o que é  e o que não é.

Estamos entrando na fase do surto filosófico em que antigos preceitos começam a ser questionados. Na pré-revolução francesa e americana, que criaram o conceito democrático de hoje, o processo durou 200 anos. O motivo: a dificuldade gigantesca que o ser humano tem de mudar.

Quando pensamos o futuro – a se repetir o que houve em uma Revolução Cognitiva similar – estamos falando de um rompimento com o modelo de representação em si.

Falamos não de novas bandeiras, mas da própria forma de se fazer política.

Estamos caminhando não para uma democracia digital, como muitos apregoam, porém para uma nova maneira de desintermediação das decisões da população, através de ferramentas digitais, que nos possibilitam hoje o que antes era impossível: decidir rápido, a baixo custo, com larga participação vinda da população.

É uma ágora dentro de uma plataforma que vai nos ajudar a decidir.

Não precisamos mais de representantes, modelo francês, mas de outra forma de decidir.

Haverá representantes, mas serão muito mais gestores de plataformas coletivas e não intermediadores de desejos, como é hoje.

Quanto tempo? Não se sabe.

E é isso que precisamos apontar quando se pensa em mudanças políticas. Não são novas bandeiras, mas novas formas e prática, agindo de forma diferente, de forma mais horizontal, com velhas e novas bandeiras.

É uma mudança cultural, tendo como indutor principal novas tecnologias cognitivas desintermediadoras que darão vazão às latências que já estavam aí e têm aumentado, batendo a porta da nova civilização.

O que se procura é apenas mais rapidez, qualidade e um retorno aos princípios da Revolução Francesa que moldou nosso mundo, com uma nova roupagem: igualdade 2.0, liberdade 2.0 e fraternidade 2.0.

Não se pode imaginar nas reuniões dos novos movimentos alguém falando do alto e todos escutando embaixo. Vi um documentário sobre a Islândia, rodas de conversas para solucionar a crise daquele país.

Twittei na época:

FestiRio 2.0 – hj –> Futuro de 1 esperança –>http://bit.ly/olzv5t P/ entender pq constituinte/Islândia foi feita p/ Facebook.

Ou seja, no presencial ou a distância é a construção de movimentos de diálogo, de troca e não de mais um velho modelo vertical com roupa nova, que logo vai puir.

Assim, é preciso que experiências sejam incentivadas para que a população comece a experimentar uma nova forma de tomar decisões e ser melhor representada, tornando o político um apicultor e não mais um ordenhador de vacas.

Porém isso começa com uma mudança de prática de quem quer apontar o caminho.

Não pode ser política 2.0 da boca para fora!

É preciso, antes de tudo, mudar a maneira de estabelecer o diálogo, criando experiências concretas do novo modelo. Se para isso, houver a necessidade da institucionalização e eleição, tudo bem, como um caminho nessa direção.

E nunca o contrário, pois a intoxicação do modelo anterior é muito forte e pode, simplesmente, engolfar o novo movimento.

Que dizes?

 

 

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