A procura de uma nova intermediação é fruto de uma latência humana pelo amadurecimento individual ou coletivo.

Versão 1.0 - 31 de agosto de 2012
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Em duas oportunidades na última semana deparei-me com pessoas que se mostraram desconfiadas com a nova forma da reintermediação em curso. Este, aliás, é o maior medo da humanidade hoje em dia.

Recapitulando, podemos dizer que estamos passando de um tipo de intermediação para outro.

O ser humano precisa ser intermediado para sobreviver, mas tanto no micro como no macro, chega uma hora que ele amadurece e precisa abandonar um tipo  menos sofisticado e menos complexo para outro mais.

Sair de casa é algo nessa direção.

Vivemos isso individualmente, em grupos, nos países em dadas revoluções sociais ou globalmente em revoluções cognitivas.

A procura de uma nova intermediação é fruto de uma latência humana pelo amadurecimento individual ou coletivo.

Quanto mais formos no planeta, numericamente, mais vamos precisar de ambientes sociais mais sofisticados para lidar com a complexidade do aumento das demandas e da maior diversidade que isso acarreta.

Precisamos de algo mais inteligente, mais barato, mais eficaz para lidar com grandes volumes variáveis e inconstantes de demandas que a anterior não permitia, apenas isso.

A nível macro,  isso só é possível na história da humanidade em função da chegada e da adesão em massa às novas tecnologias cognitivas – foi assim no papel impresso, está sendo assim agora.

Portanto, vivemos ciclos de reintermediação passando de um modelo com um tipo de controle  para outro com um novo tipo de controle mais sofisticado, a adesão ao ambiente cognitivo é apenas um primeiro passo nessa direção, ou seja:

- aumento da população;

- novo ambiente cognitivo;

- nova reintermediação.

 

Discuti isso aqui nas novas formas de cooperativa de taxistas, que estão deixando o velho modelo intermediador, já pouco eficiente e caro, para trás.

O problema é que há uma forte e secular confiança no modelo intermediador atual.

Por termos nascido nesse ambiente intermediador, acreditamos que a única forma CERTA de fazer é quando alguém intermedeia do jeito que estamos acostumados.

Já percebi que não é uma questão cognitiva, racional, mas emocional.

Confiança é algo que mexe com nossos medos mais profundos.

Confiamos no intermediador conhecido e desconfiamos tremendamente no novo tipo de intermediador, pois estaríamos navegando em águas sem bússola, mesmo que haja comprovações do contrário.

De maneira geral, a passagem se dá da seguinte maneira.

  • O intermediador 1.0 era uma pessoa de carne e osso, conhecedor de dado assunto, que carimbava um dado processo, atestando que o resultado daquilo era comprovadamente adequado;
  • Médicos, jornalistas, bibliotecários, cooperativas de táxi, juízes, parlamentares, cartórios, enciclopedistas, editoras de livros, de música;
  • Eles eram os intermediadores que a sociedade reconhecia (e continua a reconhecer) com os avalizadores de dado produto final.

O problema com esses intermediadores de plantão é de que eles foram imaginados, preparados, concebidos para lidar com um mundo estável, no qual as mudanças eram possíveis de serem absorvidas.

E com um volume razoável de carimbos a serem dados ao longo do seu expediente.

Esse modelo estável só é possível quando o ambiente cognitivo permite uma alta taxa de controle das ideias pelas organizações “reconhecidas”, que dão legitimidade aos “carimbadores” e não há um aumento radical da população.

Ao se aumentar o volume das demandas, como o aumento da população, cada vez mais os “antigos carimbadores” vão tendo dificuldade, com os mesmos métodos atender ao aumento de demanda. E o controle das ideias vai cada vez mais gerando crises de estagnação social, pois a inovação necessária do mais com o menos não acontece na velocidade adequada.

Os validadores de plantão vão se tornando cada vez mais caros.

Precisa-se, ao continuar no mesmo modelo,  cada vez mais de carimbadores, aumentado o custo e reduzindo a eficácia.

Essa é a principal crise do modelo intermediador que temos hoje.

Cada vez mais temos mais gente, com cada vez menos resultados.

Porém, se não há alternativa possível, o modelo vai tendo uma sobrevida, apesar das crises que ele gera mais e mais.

O surgimento de um novo ambiente cognitivo permite, entretanto, que novas formas de intermediação sejam possíveis, questionando o poder dos “carimbadores” de plantão, estabelecendo uma nova forma de legitimação dos processos.

A nova validação deixa de ser de alguém, de um carimbador e passa a ser feita de duas novas formas:

Web 2.0 – pela comunidade em rede, que pode:

  • - clicar (de forma involuntária);
  • - comentar;
  • - estrelar;
  • - curtir/descurtir.
Web 3.0 – pelos chips e robôs informacionais, que podem:
  • saber com precisão como, de fato, as coisas acontecem para fazer ajustes cada vez mais preciso.
O conjunto de dados do  ”Karma Digital”  que vai sendo deixado e colhido seja pelas pessoas da comunidade ou pelos robôs informacionais, marca uma nova validação do processo mais preparada para lidar com grande volume instável de demandas.

Essa nova validação não é melhor nem pior que a anterior, mas é mais adaptada para viver em um mundo mais mutante e complexo, pois permite trabalhar em escalas cada vez maiores de demandas mutantes.

É mais bem adaptada, com um grande diferencial matador:  é muito mais barata, o que torna os antigos carimbadores cada vez mais obsoletos.

Nosso problema, portanto, é ganhar a confiança daqueles que se habituaram com o velho intermediador, um ser cada vez mais caro.

É sem dúvida preciso conseguir criar novos perfis profissionais, métodos, tecnologias para criar critérios cada vez melhores para que a nova validação seja cada vez mais bem feita e possa ganhar mais e mais confiança da sociedade.

É isso, que dizes?