Não adianta algo muito pronto, se não disponível. E nem algo disponível que não está muito pronto.

Versão 1.0 - 17 de setembro de 2012
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Se existe um tema polêmico é o da qualidade da informação.

Se quiser criar uma polêmica sem fim jogue esse tema na mesa.

Marcelo Gleiser afirma, e eu concordo com ele, que tudo que não pode ser medido, não é científico.

Qualidade da informação não é algo que possa ser medido, mas percepção da qualidade, já é outro departamento.

Ou seja, podemos, através de levantamento de dados avaliar se determinado ambiente tem uma alta ou baixa taxa de percepção de qualidade pelos seus usuários.

Assim, vamos lidar aqui com “Percepção da Qualidade da Informação” (PQI) e não “qualidade da informação”.

A PQI é algo relacional do uso de um determinado ambiente de informação pelos usuários.

Alguns elementos estão nessa relação subjetiva.

Apontaria aqueles que percebo da relação usuário x informação:

  • - disponibilidade;
  • - custo;
  • - veracidade;
  • - atualização;
  • - abrangência;
  • - capacidade de síntese;
  • -  facilidade de recuperação (incluindo tempo).

Com a chegada da Internet, podemos dizer que outros elementos ficaram mais emergentes:

  • - capacidade do ambiente em consertar possíveis erros, principalmente com apoio de usuários;
  • - possibilidade de interferência de quem usa melhorando a relevância do que lá existe, ampliando a percepção de cada informação disponível.

O upgrade tecnológico trazido pela Internet permitiu um conjunto de novas possibilidades, que passou, aos poucos, a ser incorporado pelos usuários como um fator de percepção de qualidade, pois ela é criada  na comparação dos diferentes serviços.

Assim, a PQI é mutante, conforme as novas possibilidades vão surgindo. O que era a percepção de qualidade ontem,  é outra hoje.

Podemos dizer, por exemplo que quanto mais jovem é o usuário e mais acostumado a algumas facilidades, mais ele percebe o que tem baixa e o que tem alta qualidade.

Em alguns momentos, vai se procurar destacar um destes elementos como vitais.

Não adianta algo muito pronto, se não disponível. E nem algo disponível que não está muito pronto!

É um equilíbrio caso a caso, demanda por demanda, usuário por usuário, que, no geral forma uma percepção sobre um determinado serviço.

A chegada da Wikipédia –  e um conjunto de outros sites similares -  marca uma mudança importante na criação de ambientes informacionais na sociedade e na avaliação do PQI

A Wikipédia se utiliza das novas possibilidades de administração dos ambientes de informação –  só possível com a chegada da Internet.

Comparado com os modelos tradicionais, podemos dizer que:

  • - um ambiente tradicional da informação – tem um gestor encarregado pela manutenção da informação, do qual o usuário é apenas consumidor.
  • um site pós-Internet da informação  - tem um gestor encarregado pela manutenção da plataforma e transfere para (completamente ou parcialmente) o consumidor a manutenção da informação.
O problema é que com a chegada da Internet houve uma abertura de porteira informacional: mais  fontes  interação,  com maior do volume de dados mutante no planeta.
Assim, para manter uma taxa de PQI alta um ambiente tradicional da informação tem se obrigado a cada vez mais lidar com mais volume, mais dados, mais mudanças, isso implica em investimento, que nem sempre é disponível ou, quando se tem, tem dado o  retorno esperado. O velho gestor, sozinho, isolado e sem apoio do usuário é incapaz de colocar algo rápido e ágil disponível. Eis o impasse em toda a sociedade baseada nesse modelo!
O problema é que fica cada vez mais difícil manter o equilíbrio custo/benefício/PQI,  pois para se manter atual, acessível, relevante precisa investir cada vez mais em gestores, tornando o custo de manutenção cada vez mais alto, perdendo na taxa de atualização.
Há uma crise do modelo, pois a relação de custo/benefício e a PQI tornam-se cada vez mais distantes.

Quando surgem projetos como o do Wikipédia, procura-se dar uma resposta a essa crise, através de um novo modelo de administração do ambiente, a um custo razoável, mantendo a taxa de PQI a níveis aceitáveis.

O problema é que o modelo ainda é novo, do qual boa parte dos pesquisadores da informação rejeitam, usuários mais tradicionais torcem o nariz, não há confiança na veracidade (ver mais sobre essa desconfiança aqui), que é aonde temos que investir.

  • Note que revistas acadêmica estão demorando de 6 meses a um ano para aprovar e publicar um artigo;
  • Enciclopédias não conseguem mais atualizar novos termos a tempo e a hora;
  • Sites de notícia não são capazes de estar em todos os lugares que deveriam.

Assim, é preciso pensar em uma nova alternativa, através da migração de ambientes tradicionais desse tipo para esse novo modelo 2.0 mais participativo.

Sem dúvida, é uma questão de tempo, porém inevitável, pois mais e mais a taxa de PQI do novo modelo vai subir enquanto a do outro vai baixar.

O que precisamos é nos concentrar e estudar formas de que essa passagem seja feita da forma mais suave possível, criando pontes de passagem, melhorando o novo para que principalmente a veracidade seja cada vez mais garantida, através da qualificação cada vez maior da plataforma e da comunidade que dela participa.

É isso,

que dizes?