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Resumo do artigo feito pelo Tio Chatinho:

O texto argumenta que a crescente autonomia proporcionada pelas novas tecnologias exige uma Renascença Formacionista para atualizar os paradigmas com os quais conduzimos a existência e manter a vida sustentável. Diante da inevitabilidade da finitude — dividida entre mortalistas e imortalistas —, propõe-se priorizar prazeres estruturais e projetos com significado em vez de depender apenas de prazeres pontuais e passageiros. Para que essa liberdade não se perca em modelos obsoletos, a abordagem bimodal defende substituir a filosofia tradicional pelo Formacionismo, tornando a formação conceitual humana consciente, funcional e explícita, além de combater o erro de transformar instrumentos (meios) em objetivos finais da vida.

Vamos ao Artigo:

“Não é que tenhamos pouco tempo para viver, mas que desperdiçamos muito dele. A vida é longa o suficiente para realizar grandes tarefas, se bem empregada.” –  Sêneca.

 

Primeira Reflexão: Mortalistas, Imortalistas e as diferentes formas de aproveitar a vida

Uma das questões existenciais mais importantes do Sapiens é a maneira como lidamos com a nossa mortalidade.

É o primeiro ponto relevante do Formacionismo Individual.

A questão: como você lida com a angústia inevitável da consciência da finitude?

De maneira geral, colocamos essa conversa debaixo do tapete, jogamos fumaça para não ter que pensar nisso.

Porém, uma série de decisões sobre a nossa vida depende de como respondemos a essa questão.

É fundamental que tornemos essa questão consciente.

E dentro desta perspectiva temos uma dicotomia fundamental: aquelas pessoas que acreditam que a existência individual termina definitivamente com a morte e aquelas que acreditam que continuaremos existindo depois dela.

Podemos chamar essa divisão, formando dois grupos na sociedade: os Mortalistas e os Imortalistas.

Os Mortalistas acreditam que a morte biológica representa o fim definitivo da existência individual. Que, como as demais espécies, morreu, acabou.

Os Imortalistas acreditam que existe alguma forma de continuidade da existência depois da morte do corpo.

O interessante, entretanto, não é apenas discutir quem está certo, mas investigar como essas crenças influenciam a maneira como cada um organiza a própria vida.

Vamos começar pelos Mortalistas.

Se acreditamos que esta é a única vida que teremos, surge uma pergunta inevitável: como aproveitar da melhor maneira possível o tempo limitado que temos por aqui?

Podemos identificar, inicialmente, dois caminhos.

O primeiro é o do Hedonismo, que procura aproveitar a vida priorizando experiências prazerosas mais conjunturais do que estruturais.

O segundo é o daquele que procura construir uma existência significativa, desenvolvendo seus potenciais, cultivando relações e realizando projetos que considera importantes.

O primeiro procura mais prazeres conjunturais do que estruturais e o segundo o contrário.

Para compreender melhor essa diferença, precisamos separar dois tipos de prazer.

  • Prazeres Conjunturais são aqueles associados a experiências pontuais: uma boa refeição, uma viagem, uma festa ou uma compra;

  • Prazeres Existenciais ou Estruturais são aqueles associados à construção de uma trajetória: desenvolver uma competência, avançar em uma missão, fortalecer relações ou perceber que estamos realizando nossos potenciais.

Não se trata de condenar os prazeres conjunturais.

Eles fazem parte de uma vida saudável.

A questão é o lugar que ocupam na nossa existência.

Quem organiza a vida prioritariamente em torno dos prazeres conjunturais pode entrar numa espécie de roda-viva: deseja, conquista o prazer, o prazer termina e surge a necessidade de buscar outro, num processo, muitas vezes, viciante.

Essa dinâmica tende a produzir inquietação quando a satisfação passa a depender continuamente de novos estímulos.

Já quem constrói uma vida orientada por prazeres existenciais pode desenvolver fontes mais estáveis de satisfação.

Nossa hipótese é que a dependência excessiva dos prazeres conjunturais tende a reduzir a tranquilidade, enquanto a construção de uma trajetória existencial significativa tende a favorecê-la.

Não é uma regra absoluta, mas uma relação que merece ser investigada.

A reflexão, portanto, não é apenas sobre a morte.

É sobre o que fazemos com a vida enquanto estamos aqui.

Estamos apenas acumulando momentos prazerosos ou construindo uma existência que nos proporciona satisfação mais profunda e tranquilidade?

Detalhe relevante: a questão de como lidamos com a morte – como fator principal a ser conversado desde cedo – não é estimulado.

Mantemos esse debate muito menos explícito do que deveria.

A proposta do Potencialismo Bimodal defende justamente que isso seja conversado. 

Uma pessoa, mesmo que acredite, na vida depois da morte, pode abraçar uma vida mais significativa, não deixando para depois o que pode e deve fazer enquanto está viva.

 

Segunda Reflexão: toda Renascença Civilizacional exige uma Renascença Formacionista

Estamos vivendo uma Renascença Civilizacional provocada pela chegada de novas tecnologias mentais, que permitem criar Modelos de Cooperação mais descentralizados.

Nesse processo, o Sapiens passa a ter mais possibilidades de escolha, mais autonomia e, consequentemente, mais responsabilidade sobre a própria vida.

Chamamos esse movimento de aumento da Potencialização, fundamental para assumir as responsabilidades de uma sociedade mais distribuída.

Entretanto, existe um problema.

Não adianta ampliar as possibilidades de escolha das pessoas se elas continuam utilizando paradigmas desenvolvidos para uma realidade anterior, na qual as responsabilidades eram menores.

Os paradigmas mais utilizados eram mais fracos, pois os mais fortes não eram disseminados e, quando eram, não faziam parte das escolhas das pessoas de maneira geral.

Eis a regra:

Quanto maior a Potencialização, maior precisa ser a Reconceituação dos Paradigmas Formacionistas.

Podemos representar essa relação pela fórmula bimodal:

S = R/P

Onde:

  • S = Sustentabilidade: a busca de uma taxa maior de sustentabilidade da vida;
  • R = Reconceituação: a revisão e o fortalecimento dos paradigmas que orientam nossas escolhas;
  • P = Potencialização: o aumento das possibilidades, da autonomia e da responsabilidade do Sapiens.

A fórmula expressa a hipótese de que, diante de uma Potencialização crescente, precisamos elevar proporcionalmente a Reconceituação para manter a Sustentabilidade e ampliá-la ainda mais quando buscamos uma taxa superior de Sustentabilidade.

Isso exige a adoção de Paradigmas Mais Fortes, que nos ajudem a lidar melhor com uma realidade mais complexa.

É nesse contexto que aparece a necessidade de uma Renascença Formacionista.

Ela exige dois movimentos complementares.

O primeiro é o aumento da Disseminação Formacionista.

Ao longo da história, diferentes pensadores desenvolveram conceitos fortes que ajudam o Sapiens a viver melhor.

Entretanto, boa parte desse patrimônio conceitual não chegou à maioria da população.

As novas tecnologias mentais permitem ampliar e personalizar a disseminação desses conceitos.

Foi o que ocorreu com a chegada da escrita impressa, quando uma série de livros dos pensadores antigos foi disseminada, e é o que ocorre agora com um boom de influenciadores divulgando paradigmas mais fortes do passado.

O segundo movimento é a Inovação Formacionista.

Não basta disseminar melhor os conceitos do passado.

Uma nova civilização cria problemas inéditos, que exigem novos paradigmas.

Precisamos revisar conceitos antigos, descartar aqueles que perderam funcionalidade e desenvolver outros mais adequados à nova realidade.

É nesse ponto que surge a proposta da corrente bimodal de substituir a Filosofia pelo Formacionismo.

A hipótese é que a Filosofia, como ambiente hegemônico de diálogo conceitual, chegou ao seu limite diante dos desafios da Civilização 2.0.

O problema central está na tendência de tratar o conhecimento como um fim em si mesmo, em vez de explicitar sua função na melhoria da vida.

O Formacionismo propõe outra finalidade: tornar a Formação Conceitual Obrigatória do Sapiens mais consciente, consistente e funcional, para ajudar pessoas e sociedades a viver mais e melhor.

Isso não significa abandonar os grandes pensadores do passado.

Significa aproveitar o que eles produziram de mais forte, disseminar esse patrimônio e avançar na criação de novos conceitos.

Na Praça Formacionista, essa é a proposta de uma das barraquinhas, a barraquinha bimodal, aberta ao diálogo com outras correntes.

A questão central é que uma nova civilização não exige apenas novas tecnologias e novos modelos de cooperação. Exige também uma nova maneira de formar conceitualmente o Sapiens.

Sem uma Renascença Formacionista, corremos o risco de ampliar a liberdade das pessoas sem fortalecer os paradigmas necessários para utilizá-la de maneira mais sustentável.

Terceira Reflexão: Dois erros conceituais que atrapalham nossa vida

Existem dois erros conceituais recorrentes que prejudicam a maneira como organizamos nossa vida e nossas instituições.

O primeiro é confundir meios com fins. 

Chamamos de Meísmo a tendência de transformar ferramentas em objetivos. O dinheiro, por exemplo, deveria servir para melhorar nossa vida, mas muitas pessoas passam a organizar sua existência em torno de sua acumulação. 

O meio vira fim.

O mesmo pode ocorrer com instituições. 

Criadas para cumprir determinadas finalidades, elas podem passar a priorizar a própria preservação, expansão e prestígio. Na avaliação da corrente bimodal, isso também acontece com a Filosofia: o conhecimento, que deveria ajudar o Sapiens a viver melhor, passa a ser tratado como um fim em si mesmo.

Por isso, propomos substituí-la pelo Formacionismo, um ambiente de diálogo cuja finalidade deve estar explícita: fortalecer a Formação Conceitual Obrigatória do Sapiens para melhorar a qualidade de vida das pessoas e das sociedades.

O segundo erro é manter implícito aquilo que deveria ser explícito. 

Todos passamos por uma formação conceitual, incorporando paradigmas sobre a vida, a sociedade, a cooperação, a verdade e nossa própria existência. Isso ocorre mesmo sem consciência.

(O mesmo podemos dizer sobre a questão da finitude que é uma conversa pouco conversada, desde cedo tanto na família quanto nas escolas).

Embora falemos muito sobre Educação, nem sempre explicitamos quais paradigmas devem orientar essa formação. Quando novas tecnologias mentais transformam a sociedade, como destacou Marshall McLuhan, precisamos revisar os conceitos que usamos para compreendê-la.

O Formacionismo propõe tornar consciente esse processo e criar um ambiente estruturado para examinar os paradigmas que orientam nossa vida. Ao mesmo tempo, precisamos evitar que esse ambiente se transforme em um novo fim em si mesmo.

A síntese é simples: devemos explicitar nossas finalidades para não transformar meios em fins e examinar conscientemente nossa formação conceitual para não sermos conduzidos por paradigmas que nunca questionamos.

Precisamos explicitar nossas finalidades para não transformar meios em fins e tornar consciente nossa Formação Conceitual Obrigatória para não sermos conduzidos por paradigmas que nunca questionamos.

Quanto mais potencializados nos tornamos, mais importante passa a ser essa revisão consciente dos paradigmas que orientam nossa vida.

É isso, que dizes?

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O link para o Glossário Bimodal:

https://bit.ly/glossbimodais

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