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Resumo do artigo feito pelo Tio Chatinho:

Neste artigo, Nepô apresenta a tese de que a desorientação diante do Digital decorre da inadequação da nossa escala de observação, apontando que tentamos decifrar um raro fenômeno macro-histórico com ferramentas mentais formatadas para a micro-história. Ao comparar a investigação conjuntural com a identificação de padrões recorrentes da evolução humana, o autor demonstra que a chegada das mídias digitais e das MACAVEMIs não constitui uma série de fatos isolados, mas o detonante de uma transição civilizacional profunda provocada pelo salto demográfico para oito bilhões de pessoas. Diante do esgotamento dos modelos centralizados e da emergência da Curadoria e da Civilização 2.0, Nepô defende a urgente substituição do sensibilismo pelo padronismo e a criação do Formacionismo 2.0 para estruturar a formação avançada necessária ao Sapiens contemporâneo.

Vamos ao Artigo:

“A história não se repete, mas muitas vezes rima.” — Mark Twain.

O principal problema intelectual do nosso tempo é tentar compreender um fenômeno macro-histórico com uma mente treinada para a meso (coisa rara) micro-história (mais comum).

Nossa vida cotidiana nos treina para interpretar acontecimentos próximos, com causas relativamente visíveis. 

O assassinato é uma boa metáfora: há vítima, local, horário, digitais, DNA, câmeras, testemunhas. Você reconstrói o acontecimento a partir dos rastros daquele caso. É uma investigação predominantemente local e conjuntural.

O serial killer muda o jogo porque cada crime isoladamente pode não explicar nada. É preciso colocar vários casos lado a lado e perguntar: o que se repete? 

O padrão, a partir da pesquisa histórica dos crimes cometidos por ele, começa a revelar aquilo que nenhum episódio isolado revela. 

A investigação sobe de nível. 

Você deixa de olhar apenas para o acontecimento e passa a procurar a lógica recorrente por trás dos acontecimentos.

E esse é exatamente o problema diante do Digital. 

Estamos olhando para as MACAVEMIs (Mentes Artificiais Cada Vez Mais Inteligentes), mídias digitais, Uber, polarização, crise da mídia, trabalho remoto, plataformas, educação digital, novas profissões, entre outros, como acontecimentos separados. 

É a polícia examinando cada cena do crime separadamente. 

O Formacionismo Civilizacional Bimodal propõe subir a câmera.

Quando fazemos isso, encontramos uma sequência de fatos similares raríssima na história humana: a chegada e disseminação dos gestos → oralidade → escrita manuscrita → escrita impressa → Digital. 

Estamos vivendo mais uma mudança de mídia, um fenômeno raro separado por milênios ou séculos.

Mudanças de mídia precisam ser analisadas como fenômenos recorrentes da Macro História. O Digital deve ser compreendido a partir desses padrões e não apenas pelas manifestações conjunturais atuais.

Os gestos, a oralidade, a escrita manuscrita, a escrita impressa e o Digital aparecem na hipótese Bimodal como mudanças de outra ordem, capazes de inaugurar novas configurações civilizacionais. 

Eis a constatação:

Quanto mais raro e macro-histórico é um fenômeno, menos ele pode ser compreendido apenas pela observação do presente e mais precisamos recorrer aos padrões da Macro História.

Fenômenos Macro-Históricos exigem que se monte o quebra-cabeça olhando para a tampa da caixa: procurando padrões que permitam encaixar as peças, que vistas de forma isolada não nos permite projetar nem o passado, nem o presente e muito menos o futuro.

Isso explica a sensação contemporânea de desorientação. 

Uma pessoa pode ser extremamente inteligente, informada e especializada e, ainda assim, não entender o Digital com mais profundidade. 

O problema não é falta de informação. É inadequação da escala de observação.

Uma coisa é olhar os fatos atuais do sopé da montanha, outra é do alto dela, olhando para a Macro-História.

Quando olhamos do ponto de vista Macro Histórico, podemos considerar, dentro da hipótese Bimodal, que estamos presenciando a maior Revolução Civilizacional da história até aqui: 

Eis os fatores:

  • Causante: mais gente;
  • Detonante: nova mídia digital;
  • Consequente: novo Modelo de Cooperação mais descentralizado, transferindo progressivamente mais responsabilidade para as pontas.;
  • Atuante: compreender o novo cenário e desenvolver uma formação mais adequada para que o Sapiens possa operar nele, tanto coletiva quanto individualmente.

Por que é a maior revolução civilizacional da história?

Motivos:

  • É o maior aumento demográfico ocorrido, quando saltamos de um para oito bilhões de Sapiens, em pouco mais de 200 anos; 
  • Que, a partir das novas tecnopossibilidades, passamos a criar a Curadoria, um modelo de cooperação e sobrevivência similar ao das formigas, através dos rastros digitais – algo inédito e nunca desenvolvido em larga escala; 
  • E que, pela primeira vez na história, criamos Mentes Artificiais cada vez mais inteligentes, nos permitindo resolver problemas de quantidade com mais qualidade, a baixo custo, o que antes eram inviáveis no modelo passado.

Nós somos, assim, as primeiras gerações da Civilização 2.0. 

O problema é que fomos preparados para viver e pensar dentro da Civilização 1.0 e não na 2.0, que tem uma nova demanda de formação avançada. 

Precisamos de uma Formação Avançada (aquela que forma o Sapiens depois da infância) mais robusta um Formacionismo 2.0 e não mais o 1.0.

Sim, o Formacionismo é um campo novo, mas sempre existiu, o que faltava era uma denominação clara. O que tínhamos era o 1.0 e o que precisamos agora é do 2.0.

É fato preocupante: estamos tentando compreender uma mudança macro-histórica usando ferramentas mentais adequadas à micro-história. 

Mais: os ambientes científicos ficaram obsoletos e não estão nos ajudando neste desafio.

É por isso que o Digital parece tão caótico e incompreensível. 

Para entendê-lo, precisamos parar de olhar apenas para os acontecimentos e começar a procurar os padrões.

Sair do Sensibilismo e irmos para o Padronismo.

Para entendê-lo, precisamos parar de olhar apenas para os acontecimentos e começar a procurar os padrões.

São eles:

Macro-História → padrões das mudanças de mídia → Complexidade Demográfica → descentralização → Civilização 2.0 → necessidade do Sapiens 2.0 → Formacionismo.

É isso, que dizes?

 

Anexos:

Visão Fotográfica × Visão Filmística da História. Este, para mim, é o melhor anexo. Desenvolveria a ideia de que uma fotografia pode estar factualmente correta e, ainda assim, levar a uma conclusão histórica equivocada. “O YouTube é centralizado” pode ser uma foto correta. Mas, quando fazemos o filme TV aberta → YouTube → possíveis plataformas distribuídas, aparece uma trajetória de descentralização. Frase-mãe: “Não se identifica uma tendência histórica fotografando o presente. Tendências exigem filmes.”

Curadoria 1.0 × Curadoria 2.0. Aqui entraria nossa discussão sobre centralização residual. Curadoria 1.0 descentraliza fortemente decisões nas pontas, mas mantém a infraestrutura e a governança da plataforma centralizadas. Curadoria 2.0 seria a hipótese de uma etapa posterior, na qual tecnologias distribuídas permitiriam descentralizar também partes da própria plataforma e da governança. O ponto importante: descentralização não significa ausência de centros, mas transferência progressiva de decisões do centro para as pontas.

Como medir a descentralização? Este seria mais investigativo. Em vez de perguntar simplesmente “YouTube é centralizado ou descentralizado?”, perguntar: “Quais decisões antes tomadas pelo centro passaram a ser tomadas pelas pontas?” Daí comparar TV/YouTube, táxi/Uber, imobiliária/plataformas, mapas/Waze. Isso pode desembocar naquele conceito que apareceu no nosso papo: uma possível Taxa de Transferência Decisória para as Pontas. Eu colocaria como “para desenvolver”, pois ainda é uma avenida nova.

Como validar padrões quando existem poucos fenômenos Macro-Históricos? Este veio da crítica do Claude. Eu não desenvolveria agora, mas registraria como avenida. A questão seria: mudanças de mídia são raríssimas, portanto não temos centenas de casos para análise estatística. Como validar padrões estruturais com N pequeno? Aqui entram Maynard Smith e Szathmáry e as grandes transições evolutivas. É uma boa questão Ambientológica para pesquisa futura.

Entrar para a Bimodais convidar ou agenciar Nepô para uma palestra:
palestras.nepo.com.br

O link para o Glossário Bimodal:

https://bit.ly/glossbimodais

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