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Resumo do artigo feito pelo Tio Chatinho:

Neste artigo, Nepô apresenta a transição da Ciência da Inovação para o Formacionismo, propondo uma virada ambientológica baseada no Utilitarismo 2.0, na qual os campos de estudo devem se estruturar em torno da finalidade prática de ajudar o Sapiens a viver melhor; para isso, define o Formacionismo como o ambiente dedicado a aprimorar a formação humana por meio de dois mapas centrais — o Formacionismo Pessoal (quem somos) e o Formacionismo Civilizacional (como avançamos na história) —, consolidando a abordagem Bimodal como ferramenta conceitual para a tomada de decisões e a evolução individual e da espécie.

Vamos ao Artigo:

Conceitos são ferramentas.

Enquanto ajudam a compreender melhor a realidade, devem ser utilizados. Quando encontramos conceitos mais fortes, precisamos substituí-los.

É exatamente isso que está acontecendo agora na Bimodais.

Durante anos, defendi a criação da Ciência da Inovação como um novo Ambiente de Diálogo, como suporte para a compreensão melhor do digital.

Ela foi importante para nossa caminhada.

Hoje, porém, considero que foi uma etapa intermediária, que foi suplantada.

Estamos dando um passo além.

Minha principal pergunta intelectual nas últimas décadas foi:

Como podemos entender melhor o Digital?

Para responder, tivemos que ir cada vez mais fundo.

Percebemos que não era possível compreender o Digital apenas estudando novas tecnologias.

Foi necessário compreender as mídias, os modelos de cooperação, as mudanças civilizacionais e, finalmente, o próprio Sapiens.

A caminhada pode ser resumida assim:

Digital → Civilização → Sapiens → Formação.

Foi nesse percurso que surgiu a Ciência da Inovação.

Ela nos ajudou a organizar diversas descobertas e hipóteses que não cabiam adequadamente nos Ambientes de Diálogo tradicionais.

Era um campo novo, livre de amarras, que nos permitiu respirar.

Foi útil.

Mas conceitos não devem ser preservados por gratidão.

A Ciência da Inovação foi uma ponte. E agora chegamos ao outro lado.

Podemos analisar qualquer fenômeno em dois níveis.

A Fenomenologia procura compreender o fenômeno:

De onde viemos? Onde estamos? Para onde vamos?

Foi o que fizemos durante muito tempo com o Digital.

Já a Ambientologia olha para outro problema:

O Ambiente de Diálogo que utilizamos para estudar determinado fenômeno é adequado?

Existe aqui uma regra importante:

Quanto mais disruptiva é uma nova explicação fenomenológica, mais profunda precisa ser a revisão ambientológica necessária para incorporá-la.

Quando percebemos, por exemplo, a partir de McLuhan, que as mídias têm papel estrutural nas mudanças humanas, não basta acrescentar essa ideia aos estudos da Comunicação.

Precisamos perguntar:

O que isso muda na maneira como entendemos o Sapiens e sua caminhada histórica?

É quando saímos do palco e entramos na cozinha conceitual.

Conhecimento para quê?

Essa revisão nos levou a uma questão ainda mais profunda:

Para que produzimos conhecimento?

Durante séculos, discutimos se o conhecimento deveria vir prioritariamente da razão ou da experiência.

Para nós, essa discussão passa a ser secundária.

Razão e experiência são meios.

A pergunta principal é outra:

Conhecimento para quê?

Inspirados no Utilitarismo de John Stuart Mill, estamos propondo o Utilitarismo 2.0:

O conhecimento deve servir para ajudar o Sapiens a viver melhor.

Conhecimento não é fim.

É meio.

E isso muda também a maneira como devemos organizar os Ambientes de Diálogo.

O problema da Antropologia e da Sociologia

Campos como Antropologia e Sociologia são definidos principalmente pelo objeto que estudam.

Antropologia:

vamos estudar o humano.

Sociologia:

vamos estudar a sociedade.

Mas falta uma pergunta:

Para quê?

Quando a finalidade não está explícita, aumenta o risco de transformar meio em fim.

Estuda-se para produzir mais estudos.

Debate-se para produzir mais debates.

É o terreno fértil para a Torre de Marfim.

Dentro de uma visão utilitarista do conhecimento, precisamos inverter a lógica:

Um Campo de Estudo Utilitário deve ser organizado em torno do problema que pretende ajudar a resolver.

Não basta dizer o que estudamos.

Precisamos dizer para que estudamos.

É daí que surge o Formacionismo.

Podemos defini-lo assim:

Formacionismo é o campo de estudos dedicado a melhorar continuamente a formação do Sapiens, ajudando-o a compreender quem é e como avança na história para que possa se localizar melhor na realidade, tomar decisões melhores e viver melhor.

O Formacionismo nasce, portanto, com uma finalidade explícita:

Entender para formar.

E se estrutura em torno de duas perguntas:

  • Quem é o Sapiens?
  • Como o Sapiens avança na história?

Vejamos:

  • Da primeira nasce o Formacionismo Pessoal;
  • Da segunda, o Formacionismo Civilizacional.

Podem existir diferentes abordagens dentro do Formacionismo.

A nossa é o Formacionismo Bimodal.

No Formacionismo Civilizacional Bimodal, procuramos compreender como o Sapiens avança na história.

É onde entram as principais hipóteses desenvolvidas no livro Civilização 2.0: Tecnoespécie, Complexidade Demográfica, Revoluções Midiáticas, Descentralização e Novos Modelos de Cooperação.

No Formacionismo Pessoal Bimodal, procuramos compreender quem é o Sapiens e como ele pode conduzir melhor sua vida.

É onde entram as propostas desenvolvidas principalmente em A Casa do Eu: as diferentes camadas da mente, o Potencialismo, o Melhorismo e outros conceitos voltados para uma vida de maior qualidade.

Temos, portanto, dois mapas:

  • Formacionismo Civilizacional → mapa da caminhada da espécie;
  • Formacionismo Pessoal → mapa da caminhada do indivíduo.

Precisamos dos dois para formar melhor o Sapiens.

Essa mudança altera também a maneira como passo a definir minha atividade intelectual.

Durante anos, fez sentido me considerar um Cientista da Inovação.

Hoje, não mais.

Passo a me considerar um Formacionista.

A Ciência da Inovação não foi um erro.

Foi uma etapa importante da caminhada.

Começamos querendo entender o Digital, fomos obrigados a rever a Civilização, depois o próprio Sapiens e, finalmente, chegamos à pergunta sobre como devemos formar melhor as pessoas.

E não pretendo parar por aqui.

Sou um Potencialista.

Minha missão existencial é procurar desenvolver ao máximo as potências que consegui identificar em mim.

Uma delas é a capacidade de conceituação.

Assim, enquanto perceber que posso ir mais fundo, vou continuar avançando.

Meu compromisso não é com os conceitos que criei no passado.

É procurar ser o melhor teórico que eu conseguir ser, dentro dos limites das minhas possibilidades.

Se uma nova hipótese supera a outra anterior, ficamos com a nova.

Se um novo Ambiente de Diálogo organiza melhor o problema, mudamos de ambiente.

É justamente por ser Potencialista que não posso transformar meus próprios conceitos em âncoras.

A mudança para o Formacionismo faz parte de uma revisão mais ampla da nossa relação com o conhecimento.

Podemos organizar essa nova arquitetura em três degraus.

Para que serve o conhecimento? Utilitarismo 2.0

Abraçamos uma Visão Utilitarista do Conhecimento.

Conhecimento é ferramenta.

Sua finalidade última é ajudar o Sapiens a viver melhor.

Dentro do que estamos chamando de Utilitarismo 2.0, propomos também uma revisão da maneira como organizamos os Campos de Estudo.

Nossa hipótese é:

Campos de Estudo Utilitários deveriam, sempre que possível, ser nomeados a partir da finalidade que pretendem atingir, e não apenas do objeto que estudam.

Quando nomeamos um campo apenas pelo objeto, aumentamos a possibilidade de perdermos de vista sua finalidade.

O meio pode virar fim.

A conversa pode se fechar sobre si mesma.

A Torre de Marfim ganha terreno.

Quando a finalidade está explícita desde o nome, criamos uma espécie de trilho conceitual permanente.

A pergunta “para que estamos fazendo isso?” fica muito mais difícil de esquecer.

  1. Como formar melhor o Sapiens? Formacionismo

Se conhecimento deve servir para viver melhor, precisamos perguntar:

Que tipo de conhecimento estrutural todo Sapiens deveria receber para se formar melhor?

É aqui que entra o Formacionismo.

Partimos da hipótese de que o Sapiens não nasce pronto.

Ele precisa ser formado para conseguir se transformar plenamente no Sapiens que pode ser.

E essa formação exige, antes de tudo, dois mapas:

  • Quem somos?
  • Como avançamos na história?

O Formacionismo é o Ambiente de Diálogo criado para melhorar continuamente esses mapas e transformá-los em formação.

Sua síntese é simples:

Entender para formar. Formar para viver melhor.

  1. Qual é a nossa abordagem dentro do Formacionismo? Formacionismo Bimodal

Por fim, o Formacionismo define a finalidade, mas não determina uma única resposta.

Podem existir diferentes Escolas Formacionistas.

A nossa proposta é o Formacionismo Bimodal.

É nele que organizamos nossas hipóteses específicas sobre:

quem é o Sapiens, por meio do Formacionismo Pessoal, desenvolvido principalmente em A Casa do Eu;

e

como o Sapiens avança na história, por meio do Formacionismo Civilizacional, desenvolvido principalmente no meu livro Civilização 2.0.

Assim, a nova escada conceitual fica:

UTILITARISMO 2.0
Para que serve o conhecimento?
Para ajudar o Sapiens a viver melhor.

FORMACIONISMO
Como transformar conhecimento estrutural em melhor formação do Sapiens?
Entendendo quem somos e como avançamos na história.

FORMACIONISMO BIMODAL
Quais são as nossas melhores respostas atuais para essas duas perguntas?
Casa do Eu + Civilização 2.0 e todo o arsenal conceitual Bimodal.

Essa é a cozinha conceitual em que estou entrando agora.

A Ciência da Inovação foi fundamental para chegar até aqui.

Mas quem pretende desenvolver ao máximo sua potência conceitual não pode parar numa estação apenas porque levou muito tempo para chegar nela.

Adeus, Ciência da Inovação. Bem-vindo, Formacionismo!

É isso, que dizes?

O link para o Glossário Bimodal:

https://bit.ly/glossbimodais

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