Resumo do artigo feito pelo Tio Chatinho:
Neste artigo, Nepô apresenta o conceito de Formatismo como um novo campo conceitual voltado a organizar, comparar e aprimorar a Formatação Básica Obrigatória Avançada do Sapiens, estruturada em torno de duas perguntas essenciais — quem somos e como caminhamos na história —, defendendo que a revisão constante desses paradigmas estruturais é indispensável para evitar erros em decisões cotidianas e permitir que as pessoas vivam melhor diante das transformações da Civilização 2.0.
Vamos ao Artigo:
“Não temos verdades finais, mas melhores verdades.” – Marcelo Gleiser.
Todo Sapiens nasce incompleto.
Uma tartaruga sai do ovo com boa parte do seu “manual de instruções” instalada.
O Sapiens não.
Precisamos passar por um longo processo de formatação para nos transformar em adultos minimamente capazes de sobreviver.
Precisamos aprender a andar, falar, comer, usar o banheiro, nos relacionar com outras pessoas e dominar uma infinidade de códigos básicos da sociedade na qual nascemos.
Podemos chamar esse primeiro processo de Formatação Básica Obrigatória Básica.
Porém, existe outra camada da formação humana muito menos percebida e, a meu ver, ainda mais relevante para a qualidade das nossas decisões ao longo da vida.
Além de aprender a funcionar no mundo, todo Sapiens precisa, de alguma maneira, se localizar no mundo.
Mesmo sem perceber, todos nós desenvolvemos respostas para duas perguntas fundamentais:
- Quem é o Sapiens?
- Como o Sapiens avança ao longo da sua jornada histórica?
Podemos chamar esse segundo processo de Formatação Básica Obrigatória Avançada.
É aqui que vamos ter propostas variadas sobre quem somos e como avançamos na história.
Existem, entretanto, algumas conclusões que vão sendo incorporadas à Formatação Básica Obrigatória Avançada, tal como as formulações de Darwin, que nos colocou a ideia de que somos animais como os demais, com algumas características particulares.
Precisamos, assim, de um campo conceitual que seja a base para estas questões.
É aqui que proponho um novo Ambiente de Diálogo: o Formatismo.
O Formatismo é o campo conceitual que procura desenvolver, organizar, comparar e aprimorar os Paradigmas Estruturais necessários para a Formatação Básica Obrigatória Avançada do Sapiens.
Seu objetivo é simples de formular e extremamente difícil de executar:
Procurar as melhores respostas disponíveis para quem somos e como caminhamos ao longo da história para que possamos tomar decisões melhores e viver melhor.
Aqui aparece uma objeção previsível.
“Vocês estão propondo uma nova formatação obrigatória para que todo mundo pense igual?”
Não.
Isso seria transformar o Formatismo numa espécie de catecismo conceitual.
A proposta é justamente o contrário.
O Formatismo não procura estabelecer verdades definitivas, mas organizar a disputa pelas melhores verdades disponíveis.
Paradigmas são pontos de partida para compreender a realidade, não dogmas que não podem ser questionados.
A Ciência, aliás, avança justamente quando respostas antigas são substituídas por outras que conseguem explicar melhor os fenômenos.
Por isso, o Formatismo precisa ser estruturalmente revisionista.
Por que ele é relevante?
Quando McLuhan nos diz: mudou a mídia, mudou a sociedade, imediatamente, tem que acender a luz amarela e aquela afirmação sair de um campo isolado e específico e vir para o formatismo.
Se a sociedade muda, conforme a mídia muda, a forma como pensamos a jornada humana precisa de uma guinada disruptiva.
Ou ainda quando o Bernard Stiegler, o conceituador francê nos traz a ideia, de jeito dele, de que somos somos uma tecnoespécie, tal afirmação não pode ficar restrita a “filosofia das técnicas” – isso tem que ser incorporado ao Formatismo.
Tudo que altera de forma relevante a maneira como compreendemos o Sapiens ou a Jornada Humana, independentemente do campo de origem, precisa ser analisado pelos Formatólogos e, se demonstrar maior consistência diante da realidade do que os paradigmas disponíveis, incorporado ao Formatismo.
O Formatismo não pergunta de onde veio determinada ideia.
Pergunta se ela melhora ou não nossas respostas para as duas questões centrais, se vai nos preparar para lidar melhor com a realidade, ou não.
O objetivo do Formatismo não é viajar na maionese, mas ajudar o Sapiens a viver melhor.
Darwin era biólogo.
Se Darwin melhora nossa compreensão sobre quem é o Sapiens, sua contribuição entra no Formatismo.
Darwin não era Formatólogo, mas algumas de suas descobertas são contribuições fundamentais para o Formatismo.
Marshall McLuhan estudava comunicação.
Quando percebe que mudanças nas mídias alteram profundamente a sociedade, deixa uma contribuição que ultrapassa o campo da comunicação e ajuda a explicar a Jornada Humana.
Ayn Rand era considerada filósofa.
Se alguma de suas reflexões melhora nossa compreensão sobre a relação entre pensamento, escolha e sobrevivência, essa contribuição interessa ao Formatismo.
Autores da Psicologia, Antropologia, Economia, História, Biologia, Neurociência, Administração ou de qualquer outro campo podem fazer contribuições formatistas.
Se as respostas estruturantes estão equivocadas, os campos aplicados podem construir edifícios sofisticadíssimos sobre fundações conceituais ruins.
Quando um autor melhora uma das duas respostas estruturantes, conceitualmente ele sai da sala em que estava e entra no Formatismo.
Isso não significa apagar sua origem acadêmica.
Significa reorganizar sua contribuição a partir do fenômeno que ela ajuda a compreender.
É uma mudança Ambientológica Conceitual.
Em vez de organizar ideias prioritariamente pelo departamento de onde vieram, passamos a organizá-las pela pergunta estrutural que ajudam a responder.
As duas grandes áreas do Formatismo
O Formatismo pode ser dividido inicialmente em dois grandes Ambientes de Diálogo.
O primeiro procura responder:
- Quem é o Sapiens?
- É o Formatismo Pessoal.
Nele entram os Paradigmas Estruturais sobre nossa espécie que antecedem nossas escolhas existenciais e operacionais.
É justamente nesse espaço que a Casa do Eu procura atuar.
A proposta é rever paradigmas sobre identidade, emoções, finitude, singularidade, escolhas, responsabilidade e Potenciais Singulares.
O segundo procura responder:
Como o Sapiens avança na história?
É o Formatismo Civilizacional.
Aqui entram os diferentes Motores da História.
Precisamos compreender quais forças provocam as grandes mudanças da sociedade e quais padrões conseguimos identificar na Macro História.
As duas áreas não são independentes.
Elas formam uma espécie de dobradiça conceitual.
Não conseguimos compreender adequadamente a sociedade sem uma determinada visão do Sapiens. E não conseguimos compreender adequadamente o Sapiens sem entender o ambiente civilizacional no qual ele está inserido.
É nesse sentido que podemos falar numa:
FBO Avançada 1.0, formada pelos Paradigmas Estruturais predominantes da Civilização 1.0;
e numa
FBO Avançada 2.0, que precisa revisar esses paradigmas para preparar melhor as pessoas para a Civilização 2.0.
O Formatismo passa a ser justamente o campo responsável pela reflexão permanente sobre a qualidade dessa FBO Avançada.
O Formatismo não é luxo intelectual
Essa talvez seja a mudança mais importante.
Discutir quem é o Sapiens e como caminhamos na história parece, à primeira vista, conversa abstrata.
Não é.
Dependendo da resposta que damos para “quem é o Sapiens?”, mudamos nossa forma de pensar:
educação, trabalho, felicidade, saúde mental, relações, organizações e projetos de vida.
Dependendo da resposta que damos para “como avançamos na história?”, mudamos nossa forma de pensar:
economia, política, administração, tecnologia, educação, inovação e futuro.
Se erramos nas perguntas estruturantes, espalhamos o erro pelas decisões conjunturais.
É o velho problema do botão errado na primeira casa da camisa: quando chegamos lá embaixo, não adianta reclamar dos botões.
Por isso, o Formatismo não deve ser visto como mais uma especialidade acadêmica.
Ele está antes das especialidades.
É o lugar no qual procuramos melhorar os paradigmas que depois serão utilizados por diferentes campos para compreender seus fenômenos particulares.
A proposta é simples:
Antes de formar médicos, administradores, psicólogos, professores, economistas ou engenheiros, estamos formando Sapiens.
E todo Sapiens precisa de um mapa minimamente consistente sobre si mesmo e sobre a sociedade na qual vai viver.
Conclusão
O Formatismo nasce de uma constatação:
Não existe Sapiens sem formatação.
Temos uma Formatação Básica Obrigatória Básica, necessária para que possamos operar no cotidiano.
E temos uma Formatação Básica Obrigatória Avançada, necessária para que possamos nos localizar como indivíduos e como membros de uma espécie que possui uma longa Jornada Histórica.
É isso, que dizes?










