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Marcos Cavalcanti: um abridor de portas

Link para o áudio:

https://encurtador.com.br/XDlN

“O verdadeiro valor de um homem não pode ser encontrado nele mesmo, mas nas cores e texturas que ganham vida ao seu redor.” Albert Schweitzer. 

Hoje recebi a notícia da morte do meu querido amigo e parceiro Marcos Cavalcanti.

E passei boa parte do dia revisitando lembranças.

Com o passar dos anos, vamos percebendo que existem pessoas que entram na nossa vida e deixam marcas tão profundas que acabam se tornando parte daquilo que somos. 

Digo com todas as letras: se eu sou o conceituador que sou hoje, devo muito ao meu querido Marcos.

Lembro que nosso primeiro encontro foi na Coppe, eu candidato a ser professor do CRIE – Centro de Referência em Inteligência Empresarial da Coppe-UFRJ.

Eu comecei a apresentar minhas ideias e o Marcos foi chamando gente para participar da reunião.

Empolgado que ficou com o papo.

Entrei para o Crie e fiquei vinte anos por lá ministrando aulas.

Detalhe. 

Muito do que eu dizia questionava em parte o que ele pensava.

E aí está o que diferencia o Marcos de muitos outros coordenadores de curso.

Ele não queria doutrinar os alunos, mas abrir a mente dele para a diversidade de reflexões diante desse mundo novo.

Mais.

Logo depois, ele topou entrar comigo no projeto do meu primeiro livro e dividimos a co-autoria do livro “Conhecimento em Rede”, lançado pela Campus.

Do nada, eu estava dando aula em pós e tinha lançado o meu primeiro livro.

Marcos, posso dizer, era um abridor de portas.

Marcos foi uma dessas pessoas na minha trajetória.

Quando olho para trás, consigo identificar diversos momentos decisivos que tiveram sua influência direta.

Foi ele quem me convidou para conversar.

Foi ele quem me abriu as portas da Coppe.

Foi ele quem me proporcionou a primeira experiência de trabalho com um professor de pós-graduação.

Foi ele quem escreveu um livro comigo.

Foi ele, já como diretor da Faperj, que apoiou meu projeto ICOX – um software de Inteligência Coletiva, que o Jornal Globo adotou para lançar o projeto piloto Globoonliners.

Na época, talvez eu não tivesse a dimensão exata do que tudo aquilo significava.

Hoje tenho.

A vida é curiosa.

Quando estamos vivendo determinados acontecimentos, tendemos a enxergá-los como episódios isolados. 

Apenas muitos anos depois conseguimos perceber que alguns encontros funcionam como pontos de inflexão. 

São momentos em que a trajetória muda de direção sem que a gente se dê conta.

Marcos teve esse papel na minha vida.

Mais do que me oferecer oportunidades, ele me apresentou a novos ambientes, novas conversas e novos desafios. E isso faz toda a diferença.

Existem pessoas que compartilham conhecimento.

Existem pessoas que oferecem oportunidades.

Mas existem aquelas mais raras, que ampliam o horizonte de possibilidades dos outros.

Marcos pertencia a essa categoria.

Ele tinha uma capacidade pouco comum de identificar pessoas, conectá-las e criar contextos favoráveis para que pudessem crescer. 

Não era apenas alguém que acumulava conhecimento. Era alguém que construía pontes.

Mais.

Criou o Crie, um laboratório, que preparou centenas de pessoas para entender e lidar melhor com o atual cenário.

Ao longo da vida, fui percebendo que trajetórias não são construídas apenas pelo esforço individual. Existe uma narrativa muito difundida de que cada pessoa é resultado apenas de sua própria determinação. 

Não acredito nisso.

Somos também resultado dos encontros que tivemos.

Somos resultado das conversas que nos provocaram.

Somos resultado das pessoas que acreditaram em nós antes mesmo que tivéssemos razões suficientes para acreditar.

Quando penso em Marcos, é isso que me vem à cabeça.

  • Gratidão.
  • Gratidão pelas conversas.
  • Gratidão pelas oportunidades.
  • Gratidão pela parceria.
  • Gratidão pela confiança.

Se parte importante da minha trajetória profissional foi construída ao longo dos anos, há ali contribuições que carregam a sua assinatura.

A morte de alguém próximo ou importante sempre nos faz refletir sobre a passagem do tempo.

Mas também nos lembra algo fundamental.

  • As pessoas partem.
  • As influências ficam.
  • Os livros ficam.
  • As ideias ficam.
  • As conversas ficam.

Os caminhos que ajudaram a abrir continuam sendo percorridos por outras pessoas.

Hoje, ao me despedir de Marcos Cavalcanti, fica a tristeza natural da partida.

Mas fica, principalmente, o reconhecimento.

Há pessoas que deixam lembranças.

Outras deixam legados.

Marcos deixou os dois.

Eu ia descer para o Rio – estou morando em Teresópolis – neste fim de semana e tinha marcado passar lá para dar um abraço.

Sabia que ele tinha andado internado.

Semana passada, ele esteve de aniversário e ainda bem que eu mandei a seguinte mensagem:

“Marcos, forte abraço… Saúde e paz.. Grato por tudo que você fez por mim….”

Ele me disse:

“Querido Nepô! Muito obrigado, mas não fiz nada. Você merece muito mais!!! 🥰”

E eu respondi:

“Fez sim… Você é um dos meus padrinhos abridor de portas….”

É isso, que dizes?

One Response to “Marcos Cavalcanti: um abridor de portas”

  1. Rosnagela Gelly disse:

    Querido Prof Nepô.

    Linda homenagem.
    Faço minhas suas palavras:

    Existem pessoas que encontramos em nossa caminhada.
    Existem pessoas que deixam sua marca nas nossas vidas.
    Existem pessoas que mudam nossa trajetória.
    Existem pessoas que nos fazem diferentes, por tê-las encontrado, terem marcado nossas vidas e por terem mudado nossas trajetórias.
    Prof. Marcos é uma dessas pessoas.

    Grande abraço,
    Rosangela Gelly

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