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Resumo do artigo feito pelo Tio Chatinho:

Neste artigo, Nepô apresenta a necessidade urgente de reorganizar as ciências sociais diante da transição para a Civilização 2.0, defendendo uma abordagem indiretista na qual a revisão das “lentes conceituais” é prioritária para interpretar os fatos. O autor introduz conceitos como a Ambientologia Conceitual (ciência suportológica que organiza o mapa dos paradigmas) e propõe a transição da antiga Ciência Social estática para a dinâmica Ciência da Inovação (Ciência Fenomenológica Social Central). Sob essa ótica, a inovação assume o papel de principal motor da jornada do Sapiens, dividindo-se em camadas civilizacional, coletiva e individual (Existenciologia), e estabelecendo que o valor de qualquer abordagem científica deve ser medido estritamente por sua capacidade prática de melhorar a relação da espécie com os fenômenos da realidade.

As melhores frases do artigo (selecionadas pelo Nepô):

Toda visão de mais qualidade do mundo nasce do Indiretismo.

Se não revisarmos as “lentes” que enxergamos a realidade, podemos estar usando as lentes embaçadas ou inadequadas.

Por isso, tão importante quanto analisar os fenômenos é analisar as lentes conceituais utilizadas para compreendê-los.

É uma conversa fundamental para que pessoas e a sociedade possam ter uma qualidade de vida melhor.

Se você não entende as mudanças de curto, médio e longo prazo da floresta fica difícil analisar cada árvore sem a visão do todo.

O Sapiens veio ao planeta para cumprir a missão de ser o máximo singular que conseguir – e é isso que o faz poder ter uma vida melhor.

Primeiro precisamos compreender a floresta. Depois podemos compreender melhor as árvores.

Toda abordagem é uma ferramenta para melhorar nossa relação com determinado fenômeno.

Quem organiza melhor as lentes interpreta melhor os fenômenos.

Quem interpreta melhor os fenômenos toma decisões melhores.

A Civilização 2.0 exige novas lentes: sem reorganizar as ciências sociais, entendemos menos e erramos mais.

Por que a Ciência Social precisa virar Ciência da Inovação para explicar a trajetória do Sapiens na Civilização 2.0.

Não basta estudar os fatos. A Civilização 2.0 exige revisar as lentes que usamos para interpretar a realidade.

Quem não reorganiza suas lentes conceituais terá dificuldade para compreender os desafios da Civilização 2.0.

A grande questão da Civilização 2.0 não é apenas entender a sociedade, mas entender como ela muda.

As melhores frases dos outros:

“A verdadeira viagem de descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos.” – Marcel Proust;

“Uma ciência que hesita em esquecer os seus fundadores está perdida.” – Alfred North Whitehead;

“O que um homem vê depende tanto do que ele observa quanto do que sua experiência visual-conceitual anterior o ensinou a ver.” – Thomas Kuhn;

“Pensamentos sem conteúdo são vazios, intuições sem conceitos são cegas.” – Immanuel Kant;

“A ciência é a única atividade humana em que os erros são sistematicamente criticados e, sempre que possível, corrigidos.” – Karl Popper;

“A ciência não é apenas um conjunto de conhecimentos, mas uma maneira de pensar.” – Carl Sagan;

“Um mapa não é o território que representa, mas, se for correto, tem uma estrutura similar ao território, o que explica sua utilidade.” – Alfred Korzybski;

Vamos ao Artigo:

“Uma mudança de paradigma não é apenas uma alteração nas teorias, mas uma transformação na própria maneira como enxergamos o mundo.”Fritjof Capra; 

Comecemos pelo básico.

Existe uma encruzilhada na visão de cada um sobre a realidade:

  • O diretismo – acreditar que vemos a realidade diretamente e não através de uma lupa conceitual, que nos ajuda a enxergar melhor;
  • O indiretismo – acreditar vemos a realidade indiretamente, através de uma lupa conceitual, que nos ajuda a enxergar melhor.

O diretista analisa apenas os fatos. O indiretista analisa os fatos e escolhe e, quando necessário, revisa as lentes utilizadas para interpretá-los.

Toda visão de mais qualidade do mundo nasce do Indiretismo.

Se não revisarmos as “lentes” que enxergamos a realidade, podemos estar usando as lentes embaçadas ou inadequadas.

Pior: como não temos consciência das lentes, não temos como alterá-las.

Os fatos podem permanecer os mesmos.

O que muda é a forma de interpretá-los.

Por isso, tão importante quanto analisar os fenômenos é analisar as lentes conceituais utilizadas para compreendê-los.

Assim, a nossa abordagem sobre a realidade é Indiretista.

Se toda interpretação depende de lentes, então precisamos organizar as próprias lentes.

Aí nasce naturalmente a Ambientologia Conceitual.

A Ambientologia Conceitual é a tentativa de organização – e revisão constante – sobre como organizamos os paradigmas que vamos analisar a própria sociedade.

Os paradigmas são criados por diferentes ciências, que nos ajudam a entender e lidar melhor com uma gama enorme de fenômeno.

Porém, existe uma ordem Ambientológica Conceitual, que organiza todo o mapa que vamos usar para estudar os fenômenos.

É da qualidade da Organização Ambientológica Conceitual que podemos melhorar ou piorar nossa qualidade de vida.

Ou seja, uma Organização Ambientológica Conceitual Mais Forte tende a melhorar nossa qualidade de vida; uma mais fraca tende a piorá-la. 

Por quê?

Por que a relação que temos com os fenômenos de todos os tipos nos permite tomar decisões melhores ou piores.

Portanto, a conversa sobre uma Organização Ambientológica Conceitual Mais Forte não é um papo abstrato e sem sentido.

É uma conversa fundamental para que pessoas e a sociedade possam ter uma qualidade de vida melhor.

Uma das características principais da Civilização 2.0 é o aumento da taxa de responsabilização do Sapiens.

E antigas Organizações Ambientológicas Conceituais precisam ser revistas.

A primeira distinção importante é separar as Ciências Fenomenológicas das Ciências Suportológicas.

  • As Ciências Fenomenológicas – estudam fenômenos. Seu objetivo é compreender como determinados aspectos da realidade funcionam;
  • Já as Ciências Suportológicas – estudam as bases que nos permitem compreender melhor os fenômenos.

A Organização Ambientológica Conceitual é uma Macro Ciência Suportológica, que organiza todo o universo. 

Não estudam diretamente a realidade.

Nas Ciências Fenomenológicas existe uma nova divisão:

  • Temos as Ciências Fenomenológicas Não Sociais:
  • E as Ciências Fenomenológicas Sociais.

As Não Sociais estudam fenômenos externos à dinâmica social humana.

  • A física;
  • A química;
  • A biologia;
  • A astronomia;
  • A geologia, entre outras.

Todas procuram compreender fenômenos específicos da realidade, que são independentes da sociedade humana.

Já as Ciências Fenomenológicas Sociais estudam o Sapiens.

  • Sua sobrevivência;
  • Sua cooperação;
  • Sua jornada histórica;
  • Seu funcionamento individual e coletivo.

Mas mesmo dentro das Ciências Fenomenológicas Sociais existe uma distinção pouco percebida.

  • Há Ciência Fenomenológica Social Central (antiga Ciência Social 1.0) – procuram compreender a floresta;
  • E há as Ciências Fenomenológicas Sociais Periféricas, que procuram compreender determinadas árvores.

A ciência central precisa responder à pergunta mais ampla:

Como o Sapiens avança na história? Ou ainda: Como uma Tecnoespécie consegue aumentar progressivamente sua capacidade de sobrevivência?

Sem responder adequadamente a essa pergunta, todas as demais análises das Ciências Fenomenológicas Sociais Periféricas ficam parcialmente comprometidas.

Se você não entende as mudanças de curto, médio e longo prazo da floresta fica difícil analisar cada árvore sem a visão do todo.

Pois qualquer explicação sobre economia, administração, educação, política ou psicologia depende de uma determinada visão sobre a trajetória humana.

Se mudamos a explicação da floresta, mudamos também a explicação das árvores.

A Ciência Fenomenológica Social Central era conhecida como Ciência Social, mas o nome era e continua fraco.

A Ciência Fenomenológica Social Central pode receber apelidos, tais como Ciência Social 2.0 ou Ciência da Inovação.

Por que Ciência da Inovação.

É uma abordagem dentro da procura de uma Organização Ambientológica Conceitual Mais Forte, pois:

  • Ciência Social – sugere um estudo do Sapiens e da sociedade de forma estática, porém a inovação é algo central na vida de qualquer espécie ainda mais do Sapiens;
  • Ciência da Inovação – sugere um estudo do Sapiense da sociedade de forma dinâmica, destacando que a inovação é algo central na vida de qualquer espécie, ainda mais do Sapiens.

A proposta de migrar da Ciência Social para a Ciência da Inovação, assim, é a procura de uma Abordagem de uma Organização Ambientológica Conceitual Mais Forte da seguinte forma:

  • Ciência Social –  Abordagem de uma Organização Ambientológica Conceitual Mais Estática;
  • Ciência da Inovação –  Abordagem de uma Organização Ambientológica Conceitual Mais Dinâmica.

Por isso, a Ciência da Inovação ocupa um lugar especial. Podemos chamar de Ciência Social 2.0, detalhando que é uma visão mais dinâmica, sem problema.

Detalho:

A Ambientologia Conceitual organiza o ecossistema de lentes — o mapa geral. 

A Ciência da Inovação organiza um domínio específico dentro desse mapa: a trajetória humana. São dois níveis distintos de organização, não funções concorrentes. 

A Ciência da Inovação ou Ciência Social 2.0 é, a nosso ver, a Ciência Fenomenológica Social Central.

Ressalto:

O Sapiens não é apenas uma espécie que coopera. 

É uma espécie que aumenta sua capacidade de sobrevivência por meio da inovação contínua de ferramentas, mídias, conceitos e modelos de cooperação. 

Por isso, colocar a inovação como eixo central da Ciência Social 2.0 não é estudar um aspecto da trajetória humana, mas o principal mecanismo que explica sua trajetória. 

Seu objetivo é compreender os padrões estruturais da jornada humana.

A partir dela podemos trabalhar três grandes camadas:

  • A inovação civilizacional – procura compreender como a espécie avança ao longo da história;
  • A inovação coletiva, onde estão as organizações –  compreender como grupos resolvem problemas;
  • E a inovação individual (Existenciologia) – compreender como cada pessoa resolve melhor seus próprios desafios.

A Existenciologia é o sinônimo de Inovação Individual, que pode ter diferentes abordagens, a nossa, por exemplo, é o Potencialismo.

No qual o Sapiens veio ao planeta para cumprir a missão de ser o máximo singular que conseguir – e é isso que o faz poder ter uma vida melhor, com uma taxa de BOMTRC (Bom Humor, Otimismo, Motivação, Tranquilidade, Resiliência e Criatividade) mais alta.

Quando alteramos os paradigmas da Ciência da Inovação (a Ciência Fenomenológica Social Central), todas as ciências periféricas precisam ser revisitadas.

Uma nova visão da história humana altera:

  • A economia;
  • A  administração;
  • A educação;
  • A política
  • A psicologia.

Primeiro precisamos compreender a floresta. Depois podemos compreender melhor as árvores.

Temos ainda as Ciências Suportológicas.

Seu papel é fortalecer a qualidade das explicações produzidas pelas Ciências Fenomenológicas.

Aqui entram dois campos fundamentais.

  • A Conhecimentologia – procura compreender como produzimos conhecimento de melhor qualidade, como reduzimos erros, como validamos explicações e narrativas mais consistentes;
  • E a Lógicologia – procura compreender a qualidade dos raciocínios utilizados na produção do conhecimento, aumentar a coerência entre observações, argumentos e conclusões.

Por fim, existe ainda uma camada adicional que costuma ser pouco percebida.

Todas as ciências trabalham com abordagens.

Não existe uma única forma de estudar um fenômeno.

Existem diferentes narrativas.

Diferentes paradigmas.

Diferentes modelos explicativos.

A Física possui abordagens distintas.

A Psicologia possui abordagens distintas.

A Economia possui abordagens distintas.

A Ciência da Inovação possui abordagens distintas.

A Existenciologia possui abordagens distintas.

A Conhecimentologia possui abordagens distintas.

O desafio passa então a ser outro:

Como avaliamos uma abordagem?

Muitas vezes isso é feito pela tradição.

Pela autoridade.

Pela quantidade de adeptos.

Pelo prestígio institucional.

Mas esses critérios são frágeis.

Uma abordagem não deveria ser considerada forte porque é antiga.

Nem porque possui muitos seguidores.

Nem porque é defendida por especialistas.

O critério precisa ser outro.

Toda abordagem é uma ferramenta para melhorar nossa relação com determinado fenômeno.

Por isso, a pergunta correta é simples:

Esta abordagem melhora ou piora nossa relação com o fenômeno estudado?

  • Se melhorar, estamos diante de uma abordagem mais forte.
  • Se piorar, estamos diante de uma abordagem mais fraca.

As abordagens, assim, procuram melhorar a relação entre o Sapiens e os fenômenos.

Quanto mais uma abordagem aumenta a capacidade de compreender, prever, decidir e agir diante de determinado fenômeno, mais forte ela é.

Quanto mais confunde, limita ou dificulta essa relação, mais fraca ela é.

Talvez possamos resumir tudo isso numa fórmula simples:

  • As Ciências Fenomenológicas estudam os fenômenos;
  • As Ciências Suportológicas estudam como produzir explicações mais fortes sobre os fenômenos.

E as abordagens são avaliadas pela sua capacidade de melhorar a relação entre o Sapiens e os fenômenos estudados.

A Civilização 2.0 exige exatamente isso.

Menos apego a tradições conceituais.

Mais preocupação com a qualidade das explicações.

Menos foco nas nomenclaturas.

Mais foco nos resultados.

Mais do que nunca, precisamos compreender a floresta, as árvores e a qualidade das lentes que utilizamos para observá-las.

Terminemos assim:

Quem organiza melhor as lentes interpreta melhor os fenômenos. 

Quem interpreta melhor os fenômenos toma decisões melhores. 

E quem toma decisões melhores aumenta suas chances de viver melhor. 

A reorganização das ciências sociais na Civilização 2.0 não é uma discussão acadêmica. 

É uma necessidade civilizacional para um Sapiens que precisa ser muito mais lúcido do que foram as suas versões passadas.

É isso, que dizes?

O link para o Glossário Bimodal:

https://bit.ly/glossbimodais

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