Este contínuo esforço social de corrigir os erros que a nossa
subjetividade nos conduz é o que chamo de  objetivação

Este contínuo esforço social de corrigir os erros que a nossa subjetividade nos conduz é o que chamo de  objetivação - Brooke;

(Repostando os melhores do ano.)

Tudo é informação?

Um boi pastando no meio da relva é informação?

É quase. É parte.

Pode, ou não, fazer parte do processo.

Um boi no pasto é o “mundo real” sem representação.

Se todos os humanos morrerem haverá só o sentido e o instinto dos animais, pois acabarão as palavras.

  • Haverá o cheiro do boi para a onça.
  • O mugido dele para a vaca.

O mundo sem os humanos será um mundo sem representação dentro do tempo, mas não mais fora dele.

O boi só existirá naquele segundo pastando no pasto.

Só o ser humano é capaz de deslocar o boi no tempo.

O boi no pasto é a quase-realidade sem filtros, porém filtrada por aquele que vê, que olha com determinado ponto de vista o boi no pasto, conforme seus olhos mais velhos, mais novos, mais fazendeiro, menos fazendeiro, etc….

O boi no pasto é o mundo em quase estado puro e, quando representado, filtrado pelos nossos  interesses/desinteresses com mais ou menos eficácia.

O boi no pasto para quem passa,  é paisagem.

Mas se alguém deseja representá-lo?

“Papai, olha lá o boi no pasto”.

O que pressupõe a linguagem.

E a vontade e o desejo de destacá-lo no tempo presente.

Ou ainda preservá-lo.

O boi só existirá fora daquele tempo, no qual nos relacionamos com ele, vivo, no pasto, se guardarmos na memória e contar para alguém.

“Titia, eu vi um boi no pasto”

Ou documentá-lo, através de algum tipo de registro, texto, foto, vídeo, desenho, escultura, etc…

Assim, na relação ser humano-boi no pasto temos o real sendo revelado num processo que podemos chamar de informacional, que passa pelo contato com um fato em processo, o interesse de registrá-lo e preservá-lo no tempo.

Quando preservamos o boi no pasto fora da memória criamos um documento.E se quisermos homenageá-lo como uma estátua, um monumento.

A diferença que o documento eu levo de um lado para o outro.

E o monumento, dependendo do tamanho, fica lá estático, quase um boi, porém mais durável, perenizando o boi no pasto.

Até que alguém decida destruí-lo.

(Ou achar que uma estátua do boi no pasto não cabe na praça e sim a de um parente, caso típico brasileiro).

O boi pastando é um processo, que pode gerar um documento.

A informação é todo o processo de ver o boi, ao registro, a sua divulgação e à assimilação interpretativa de quem vê o documento do boi no pasto, que cria uma nova representação, podendo criar, até, um novo documento.

Um poema sobre a foto do boi no pasto.

Ou uma descrição daquela foto ou do poema para serem recuperados, algo chamado na arquivologia linguagem documentária, que é o esforço de com menos palavras representar o máximo para quem chega ávido de informação.

O documento é, assim,  o registro parcial do real por quem o registrou.

Nunca é o real, mas parte dele, filtrado por alguém.

Precisamos da informação para transformar o que é complexo em simples, permitindo, assim, que nossas mentes limitadas (apesar de todo o seu potencial) possam apreender e decidir.

E o boi, que não tem nada com isso, é o boi que um dia pastou naquele pasto, ou em algum pasto, dependendo do registro.

A informação é um processo, que tende a desaguar em documentos.

O mundo, assim, é sempre uma representação dele mesmo ou de nossa memória, seja transitória ou documentada.

Os primeiros documentos, se podemos chamar assim, eram os documentos virtuais, da memória,  transmitidos  pela oralidade, que era passada de pai a filho, histórias, poemas, peças de teatro repetidas, desde que inventamos a linguagem há 100 mil anos para permitir que pudéssemos:

  • nominar as coisas nos substantivos.
  • colocá-los em movimento nos verbos.
  • e expressar nossas subjetividades nos adjetivos.

Todo processo informacional, na verdade, é uma simplificação de algo mais complexo que nunca conseguiremos representar, que a complexidade nos forçou a criar a escrita há 5 mil anos e registrar as coisas.

A memória era por demais fugaz e inexata.

Não quer dizer que os documentos não o sejam, mas são menos.

Representar o mundo é, assim, uma eterna incompletude que tenta, ao máximo, expressar determinado fato em movimento, processos.

A informação sempre será uma ilusão do real inatingível.

Uma versão dos fatos.

Por isso quanto mais fatos colocarmos nas versões mais próximos estaremos do que era para ser representado, mas nunca chegaremos ao fato.

Mais próximos estaremos do processo em si, mas nunca é o processo puro, mas apenas o máximo que conseguimos nos aproximar dele, agora com os recursos cada vez mais sofisticados para representá-los.

Se informar é, querendo ou não, se iludir, mais ou menos.

Porém, há forças atuando em movimento no processo informacional.

  • De um lado o volume.

Quanto mais volume, mais complexidade para se achar o que se quer e mais sofisticada terá que ser a representação, através de metodologias, tecnologias e profissionais especializados .

  • De outro o tempo.

Uma informação, como um processo em movimento, precisa estar na hora certa para ser achada antes da decisão. Não adianta saber o horário do trem que já partiu.

  • A um custo razoável.

Não adianta uma informação maravilhosa, se ninguém tem dinheiro para pagar, se não está acessível para cada vez mais gente.

Assim, a informação é uma tentativa de equilíbrio produzida e dinâmica entre volume, tempo e custo.

Informar é tentar colocar o máximo de fatos nas versões para ajudar a reduzir  a ilusão do processo representado. Assim, como desinformar e manipular, o contrário.

Que dizes?

Este texto foi inspirado neste.

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Se informar é sempre se iludir, mais ou menos: http://bit.ly/fBYu0m

Não existe informação sem manipulação, o que muda é a taxa:http://bit.ly/fBYu0m

A informação é sempre uma ilusão do real: http://bit.ly/fBYu0m

Se informar é se iludir:  http://bit.ly/fBYu0m