Resumo do artigo feito pelo Tio Chatinho:
Neste artigo, Nepô apresenta a Teoria do Demografismo Midiático Cooperativo (TDMC) para defender que a Revolução Digital não é um evento isolado, mas parte de um padrão milenar e recorrente da nossa tecnoespécie, no qual o aumento demográfico exige novas mÃdias e modelos de cooperação mais descentralizados — culminando em uma inevitável renascença conceitual e na necessidade de potencialização do Sapiens diante da nova complexidade civilizacional.
Vamos ao Artigo:
“Os acontecimentos são apenas espuma sobre as ondas profundas da história.” – Fernand Braudel.
Uma das maiores dificuldades para compreender a Revolução Digital não está na falta de inteligência das pessoas. Está na escala temporal utilizada para analisar a realidade.
A maioria de nós foi treinada para pensar no curto prazo.Â
Podemos chamar isso de curto prazismo.
Sim, nem todo o fenômeno precisa de uma visão mais de longo prazo.
O problema é quando temos a repetição de um Padrão Milenar e não conseguimos enxergá-lo.
É como se um serial killer matasse de dez em dez anos as suas vÃtimas, o que torna muito difÃcil entender o padrão, pois os acontecimentos estão distantes no tempo.
A Escola de Toronto, encabeçada por Marshall McLuhan, não estudou o digital, mas as mÃdias do passado e nos legou essa visão de um Padronismo Milenar.
Pierre Lévy, seguidor de McLuhan, nos mostrou que vivemos hoje um fenômeno recorrente, que se inicia com a oralidade, passa pela escrita manuscrita, a impressa, a chegada do rádio e televisão e agora o digital.
Ou seja, o Sapiens tem uma demanda recorrente de modificar o seu modelo de comunicação e quando faz isso altera de forma estrutural a sociedade.
Qualquer visão de cenário sobre o digital que não adote um Padronismo Milenar vai repetir aquela velha conhecida imagem dos cegos, procurando analisar um elefante.
Cada um vê a parte, mas nunca o todo.
As grandes Revoluções Civilizacionais só conseguem ser entendidas se observadas por essa visão Macro-Histórica.
A TDMC (Teoria do Demografismo Midiático Cooperativo) que a Bimodais vem desenvolvendo, aprimorando o que nos legou McLuhan procura fazer este ajuste.
Por que precisamos de novos modelos de comunicação de tempos em tempos? Isso não é invenção da nossa cabeça, é o que a Macro História nos mostra.
Precisamos de novos modelos de comunicação, que se iniciam com uma nova mÃdia, pois o Sapiens, por ser uma Tecnoespécie, consegue aumentar gradativamente a população.
Os modelos de comunicação de ontem se tornam obsoletos com a complexidade demográfica de hoje.
Mas o processo não para por aÃ.
Os Modelos de Comunicação são os novos alicerces para que possamos experimentar Modelos de Cooperação mais sofisticados, mais descentralizados, que se tornam mais compatÃveis com a nova Complexidade Demográfica.
As fórmulas que apresentamos a seguir não são matemáticas, mas lógicas. Elas não procuram medir quanto uma variável cresce em relação à outra, mas indicar uma relação estrutural de demanda.Â
Funcionam da mesma forma que afirmamos: quanto mais feijão colocamos na panela, mais sal passa a ser necessário. A fórmula não informa a quantidade exata de sal, apenas aponta que o aumento de um fator cria, inevitavelmente, a demanda pelo aumento de outro para manter a qualidade do resultado.Â
As três fórmulas da TDMC seguem exatamente essa lógica.
É o que vemos na fórmula S = D/C.
A Lei da Descentralização InevitávelÂ
Uma sociedade mais sustentável (S) precisa descentralizar (D) (a partir de novos modelos de comunicação e cooperação), quando se aumenta a Complexidade Demográfica (C).
Este é o padrão que conseguimos chegar que explica como o Sapiens avança na história, aperfeiçoando o legado de McLuhan e seus seguidores.
Existe, assim, uma dificuldade metodológica pouco discutida.
Fenômenos recorrentes são relativamente fáceis de identificar quando acontecem frequentemente e próximos.
Já quando um fenômeno ocorre apenas de muitos séculos em muitos séculos, ou até mesmo em diferentes milênios, nosso cérebro tende a tratá-lo como algo totalmente novo.
É uma espécie de ilusão histórica.
Hoje temos essa dicotomia diante do Digital:
- Fenômeno Inusitado – algo como o Digital nunca ocorreu;
- Fenômeno Recorrente – algo como o Digital já ocorreu no passado, tendo em vista o Digital como uma mÃdia.
Na verdade, temos algo interessante.
Do ponto de vista de mudanças de mÃdia o Digital é o fenômeno recorrente – é mais uma mÃdia que surge na sociedade, criando novas possibilidades de cooperação.
Porém, o tipo de mÃdia para atender a uma complexidade acima de 8 bilhões de sapiens tem algo de inusitado.
Hoje, convivemos com dois macro fenômenos inusitados que nunca ocorreram:
- O surgimento de Mentes Artificiais cada vez mais inteligentes as MACAVEMIs (Mentes Artificiais Cada Vez Mais Inteligentes);
- Que nos permitem criar Rastros Digitais, possibilitando a descentralização, através da distribuição do comando e controle para cada vez mais gente.
Passamos hoje do modelo de cooperação da Gestão (comando e controle mais centralizados, baseados na oralidade e escrita) para a Curadoria (comando e controle mais descentralizados baseados nos rastros digitais e no potencial das MACAVEMIs (Mentes Artificiais Cada Vez Mais Inteligentes).
- Na Curadoria 1.0, vimos o surgimento da Uberização, baseada em Plataformas com tendência a Blockchenização, aumentando o grau de descentralização dos Serviços de Massa;
- Na Curadoria 2.0, teremos a Gepetização, baseada no uso das MACAVEMIs (Mentes Artificiais Cada Vez Mais Inteligentes) para a descentralização dos Serviços Personalizados (melhoria do ensino, saúde, controle emocional).
Temos uma forte demanda hoje pela Potencialização do Sapiens, pois há um exponencial aumento de responsabilização de cada ser humano.
O que nos coloca diante do aprendizado de duas fórmulas:
S = P / D.
A Lei da Potencialização InevitávelÂ
Quanto mais descentralizamos (D) o comando e controle dos modelos de cooperação, mais cada Sapiens precisa ser Potencializado, sendo preparado para tomar decisões de mais qualidade.Â
E ainda.
A Lei da Renascença Inevitável.
S = R/P
Sustentabilidade = Reconceituação / Potencialização
Ela estabelece uma lei clara: quanto maior é a potencialização do indivÃduo, maior se torna a necessidade de reconceituação do Ambiente Conceitual que vivemos.
Por isso, depois de cada nova Revolução Midiática, temos o surgimento de uma Renascença, que nos traz:
- Criação de novas Narrativas e Conceitos Fortes;Â
- Reorganização das Narrativas e Conceitos Fortes;
- Descarte das Narrativas e Conceitos Fracos;
- Simplificação, tanto as novas quanto as antigas das Narrativas e Conceitos Fortes para Massificação, ampliando a Potencialização do novo Sapiens.
Essa talvez seja uma das maiores contribuições da TDMC.
Ela mostra que existe uma espécie de “anomalia perceptiva”.
Somos excelentes para perceber padrões do cotidiano.
Somos razoáveis para entender tendências de algumas décadas.
Mas somos extremamente limitados para enxergar padrões de milênios.
Por isso, boa parte dos analistas interpretam o Digital como um acontecimento isolado.
Já a TDMC propõe outra leitura:
- aumento demográfico;
- aumento da complexidade;
- surgimento de uma nova mÃdia;
- novo modelo de cooperação;
- renascença civilizacional.
Não é um evento isolado.
É um ciclo recorrente da Tecnoespécie.Â
Essa lógica aparece de forma estruturada na descrição do Motor da História 2.0 e da sequência “mais gente → nova mÃdia → novo modelo de cooperação → nova civilização”.
Talvez devêssemos ser mais generosos com quem ainda não compreendeu o Digital.
Não se trata apenas de resistência às novas ideias.
Existe uma dificuldade cognitiva natural.
Nossa mente foi construÃda para sobreviver ao presente, não para identificar padrões separados por séculos.
A TDMC procura justamente superar essa limitação, propondo uma mudança de altitude analÃtica.
Ela nos convida a trocar a janela pelo mirante.
Porque somente olhando a Macro-História percebemos que a Revolução 2.0 não é um acidente.
É mais um capÃtulo recorrente da longa caminhada da Tecnoespécie humana rumo a modelos cada vez mais descentralizados de sobrevivência.
É isso, que dizes?










