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Resumo do artigo feito pelo Tio Chatinho:

Neste artigo, Nepô apresenta o conceito de “apassarinhamento” como a redução da Taxa de Sapiencidade gerada pelo deslocamento da atenção humana para a zona de preocupação em detrimento da zona de atuação. O autor analisa como as mídias e as sociedades massificadas e centralizadas estimulam a dispersão ideológica e o reclamismo através do consumo de problemas macro e inalcançáveis, e defende o Potencialismo e a Descentralização Progressiva da Civilização 2.0 como caminhos necessários para resgatar o protagonismo, a saúde individual e a capacidade de transformação micro.

As melhores frases do artigo (selecionadas pelo Nepô):

Há coisas sobre as quais temos atuação; e há coisas sobre as quais temos apenas preocupação.

Uma vida de melhor qualidade nasce justamente quando o Sapiens aprende a concentrar energia naquilo que pode efetivamente transformar.

Pessoas mais eficazes concentram energia naquilo que podem influenciar diretamente.

A zona de preocupação é um lugar em que a pessoa deixa de certa forma de participar do mundo e passa apenas a sobreviver dentro dele.

É reduzir a Taxa de Sapiencidade — nossa capacidade de agir de forma mais reflexiva, singular e transformadora, potencializando aquilo que temos de diferente das outras espécies.

O Apassarinhamento nos leva a passar boa parte do tempo emocionalmente sequestrado por temas sobre os quais não possuímos qualquer capacidade concreta de interferência.

Quanto mais a atenção coletiva tende a se deslocar para temas amplos, distantes e pouco acionáveis, mais isso acaba ampliando a zona de preocupação e reduzindo a zona de atuação.

O excesso de preocupação distante gera passividade próxima.

Sociedades mais descentralizadas – como a que estamos entrando – exigem indivíduos mais protagonistas.

A singularidade floresce na zona de atuação; a massificação floresce na zona de preocupação.

A massificação sequestra a atenção coletiva justamente para enfraquecer a potência da atuação singular.

O excesso de preocupação distante produz indivíduos emocionalmente informados e existencialmente paralisados.

A descentralização exige menos espectadores do mundo e mais coautores da realidade.

Toda sociedade centralizadora prospera quando transforma cidadãos em consumidores permanentes de ansiedade coletiva.

A verdadeira liberdade começa quando o indivíduo recupera soberania sobre onde deposita sua energia mental.

As melhores frases dos outros:

  • “Age no que depende de ti, aceita o que não depende de ti.” – André Comte-Sponville;

  • “Você não pode mudar o vento, mas pode ajustar as velas do barco.” – Jimmy Dean;

  • “A ação é a chave fundamental para todo sucesso.” – Pablo Picasso;

  • “Somos feitos de escolhas; o que fazemos hoje determina nosso amanhã.” – Eleanor Roosevelt;

Vamos ao Artigo:

“Concedei-me serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para reconhecer a diferença.”Reinhold Niebuhr.

Existe uma ideia recorrente em várias correntes existenciais — do estoicismo aos Alcoólicos Anônimos — que aponta para uma distinção fundamental da vida humana:

  • Há coisas sobre as quais temos atuação;
    ● E há coisas sobre as quais temos apenas preocupação.

Os estóicos insistiam que uma vida de melhor qualidade nasce justamente quando o Sapiens aprende a concentrar energia naquilo que pode efetivamente transformar.

Quando isso não acontece, a vida escapa pelos dedos.

A famosa frase de John Lennon resume bem isso:

“A vida é aquilo que acontece enquanto você está fazendo planos para outra coisa.”

Ou seja, o foco está na preocupação e não na atuação.

Stephen Covey, no clássico “Os sete hábitos das pessoas eficazes”, também aborda esse mesmo fenômeno ao diferenciar a zona de preocupação da zona de atuação.

Segundo Covey, pessoas mais eficazes concentram energia naquilo que podem influenciar diretamente. 

Já as menos eficazes tendem a gastar tempo excessivo reclamando, reagindo e se envolvendo emocionalmente com temas sobre os quais têm pouca ou nenhuma capacidade concreta de ação.

Você não arruma a cama, mas está muito preocupado com os macacos que estão morrendo no Japão.

No fundo, tanto os estóicos quanto Covey estão apontando para o mesmo problema estrutural:

A dispersão da energia humana naquilo que não pode ser alterado e se deixando de lado o que se pode.

O que está por trás disso?

A percepção de que muita gente vive deslocada da própria existência.

A zona de preocupação é um lugar em que a pessoa deixa de certa forma de participar do mundo e passa apenas a sobreviver dentro dele.

É um “apassarinhamento” da vida.

Apassarinhar é ter uma vida de passarinho.

É reduzir a Taxa de Sapiencidade — nossa capacidade de agir de forma mais reflexiva, singular e transformadora, potencializando aquilo que temos de diferente das outras espécies. 

Uma taxa de Sapiencidade maior é aquela que você consegue potencializar seus talentos únicos e contribuir para mudanças saudáveis na sociedade.

O Apassarinhamento nos leva a passar boa parte do tempo emocionalmente sequestrado por temas sobre os quais não possuímos qualquer capacidade concreta de interferência.

E aqui entra um ponto pouco explorado e é o ponto mais original do artigo.

A divisão entre zona de atuação e zona de preocupação não é apenas psicológica, mas ideológica.

Ela é também política, civilizacional e existencial.

Não estamos falando necessariamente de uma conspiração deliberada ou planejada.

O ponto é mais estrutural.

Sociedades mais centralizadas tendem a operar melhor através da massificação, pois possuem menor capacidade de lidar com singularidades em larga escala.

Quanto mais massificação existe, mais a atenção coletiva tende a se deslocar para temas amplos, distantes e pouco acionáveis.

E isso acaba ampliando a zona de preocupação e reduzindo a zona de atuação.

Levar as pessoas para a Zona de Preocupação, como vimos fortemente no século passado com as mídias de massa, é uma forma de aumento de controle do centro sobre as pontas.

Isso acontece porque a atenção humana é um ativo existencial limitado.

Quanto mais ela é deslocada para problemas distantes, abstratos e inalcançáveis, menos sobra energia para mudanças concretas no ambiente próximo.

Uma pessoa emocionalmente sequestrada pelo macro tende a atuar menos no micro.

E isso tem um efeito civilizacional relevante:
reduz a participação singular das pessoas nos processos reais da sociedade.

O excesso de preocupação distante gera passividade próxima.

A pessoa acompanha guerras, escândalos, crises e tragédias em tempo real, mas perde progressivamente a capacidade de reorganizar:

● a própria saúde;
● os próprios vínculos;
● a comunidade próxima;
● seus projetos;
● e sua capacidade singular de contribuição.

Temos assim uma espécie de industrialização da dispersão humana.

Sociedades mais centralizadas dependem menos de protagonistas locais e mais de espectadores emocionais permanentes.

Esse talvez tenha sido um dos efeitos mais invisíveis das mídias massificadoras do século passado.

Quanto mais uma sociedade leva as pessoas a concentrarem energia em temas distantes, abstratos e inalcançáveis, mais ela reforça a centralização.

Assistir na televisão sobre o buraco na rua de uma cidade distante é gastar energia mental com algo que está completamente fora do nosso controle.

Tragédias e mais tragédias distantes nos levam a achar que o mundo não tem jeito e cada vez mais ficamos viciados no Reclamismo.

Reclamismo é uma atitude passiva diante da vida, que nos faz passar o tempo todo reclamando e não fazendo nada para mudar aquilo que está ao nosso alcance.

Isso tem impactos individuais e coletivos.

Individual, pois a pessoa precisa melhorar a qualidade de vida e não toma atitudes, pois a passividade atinge também a sua vida particular.

Pense, por exemplo, numa pessoa que precisa fazer uma reeducação alimentar.

Ela sabe que precisa:

  • Melhorar a alimentação;
    ● Dormir melhor;
    ● Caminhar;
    ● Voltar a fazer exercícios;
    ● Cuidar do próprio corpo.

Tudo isso está dentro da sua zona de atuação.

Mas, muitas vezes, ela passa horas consumindo notícias, discutindo política, acompanhando guerras, escândalos, futebol ou crises globais sobre as quais não possui nenhuma ação concreta.

Resultado?

Ela sabe tudo sobre o caos do mundo, mas não consegue reorganizar a própria saúde.

É como alguém que tenta apagar incêndios distantes enquanto a própria casa está pegando fogo.

Coletiva, pois todo mundo fica reclamando de tudo e fazendo muito pouco ou quase nada para mudar o que está a seu alcance.

E temos o inverso por outro lado.

Quanto mais uma sociedade estimula as pessoas a atuarem sobre problemas concretos, locais e próximos, mais ela favorece a descentralização.

  • Uma sociedade massificada tende à preocupação;
  • Uma sociedade potencializadora tende à atuação.

Hoje, com a chegada da Civilização 2.0, numa etapa do Mundo DDI – Mais Dinâmico, Descentralizado e Inovador, o apassarinhamento se torna cada vez mais incompatível com a realidade.

Aumentamos muito a quantidade de decisões e escolhas que temos que tomar na vida.

Sociedades mais descentralizadas – como a que estamos entrando – exigem indivíduos mais protagonistas.

A Descentralização Progressiva, conceito central da Escola Bimodal, aumenta a necessidade de participação singular das pessoas nos processos de sobrevivência coletiva.

O Apassarinhamento precisa ser combatido desde cedo.

Por quê?

Quanto mais complexa fica a sociedade, mais cada pessoa precisa deixar de ser espectadora e se tornar agente.

O Potencialismo – proposta existencial da Bimodais – entra exatamente aqui.

O Potencialismo não propõe apenas autoconhecimento.

Propõe o deslocamento energético da preocupação para a atuação.

Sair da obsessão pelo inalcançável e direcionar energia para aquilo que pode ser transformado.

  • A singularidade floresce na zona de atuação.
  • A massificação floresce na zona de preocupação.

Quando alguém começa a atuar sobre a própria saúde, seus projetos, sua comunidade, seus vínculos ou sua produção intelectual, algo muda profundamente.

A pessoa deixa de ser apenas consumidora emocional da realidade.

Passa a ser coautora dela.

Uma sociedade mais descentralizada precisa de pessoas menos hipnotizadas pela preocupação e mais engajadas na atuação.

Talvez possamos redefinir o estoicismo para a Civilização 2.0 da seguinte maneira:

Abraçar a zona de atuação, dentro do que podemos chamar de Ativismo contra o Passivismo (Apassarinhamento) não é apenas aceitar o que não pode ser mudado.

É também proteger a própria energia contra sistemas permanentes de dispersão coletiva.

Enfim, sociedades mais descentralizadas exigem menos espectadores emocionais e mais agentes singulares de transformação. 

É isso, que dizes?

O link para o Glossário Bimodal:

https://bit.ly/glossbimodais

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