Resumo do artigo feito pelo Tio Chatinho:
Neste artigo, Nepô apresenta o conceito de Fotografia 2.0, discutindo como o avanço das mentes artificiais transforma a atividade fotográfica de um mero registro técnico da realidade para uma curadoria estética e conceitual. Utilizando como pano de fundo o projeto “Terê na Intimidade”, o autor demonstra como ferramentas acessíveis de inteligência artificial permitem retirar ou incluir elementos nas imagens, descentralizando a criação artística, democratizando a criatividade de baixo custo e servindo como um instrumento de bem-estar e presença integrada ao Potencialismo Bimodal.
As melhores frases do artigo (selecionadas pelo Nepô):
Toda fotografia sempre foi uma interpretação da realidade.
Estamos diante de uma mudança estrutural na relação entre o olhar humano e a imagem produzida.
As mentes artificiais estão criando uma nova etapa conceitual da fotografia.
A fotografia artística nunca teve compromisso absoluto com o registro puro da realidade.
O fotógrafo deixa de ser apenas alguém que captura o mundo.
Ele passa a ser alguém que visualiza e propõe mundos possíveis.
As mentes artificiais estão libertando a fotografia do compromisso absoluto com o real.
A fotografia artística se aproxima cada vez mais da imaginação visual.
Na fotografia artística, o objetivo principal nunca foi apenas documentar.
Na Fotografia 2.0, o valor migra da captura técnica para a curadoria estética e conceitual.
As melhores frases dos outros:
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“A beleza das coisas existe na mente de quem as contempla.” – David Hume;
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“A arte não reproduz o visível, torna visível.” – Paul Klee;
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“O essencial é invisível aos olhos.” – Antoine de Saint-Exupéry;
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“A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade.” – Pablo Picasso;
- “A criatividade é a inteligência se divertindo.” – Alfred North Whitehead;
- “A fotografia é uma forma de entender o que não pode ser explicado com palavras.” – Dorothea Lange;
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“Fotografar é colocar na mesma linha a cabeça, o olho e o coração.” – Henri Cartier-Bresson;
Vamos ao Artigo:
“Fotografar o que vemos não é tão interessante quanto fotografar o que imaginamos.” – Duane Michals.
Tem algo silencioso acontecendo na fotografia que muita gente ainda não percebeu.
Não estamos apenas diante de novas ferramentas de edição como ocorreu com a chegada do computador e celular.
Estamos diante de uma mudança estrutural na relação entre o olhar humano e a imagem produzida.
Hoje, com facilidade, a baixo custo, é possível retirar e incluir o que se quer em uma fotografia.
A fotografia, de forma tradicional, sempre foi apresentada como uma tentativa de congelar o real.
Mas, no fundo, toda fotografia sempre foi uma interpretação da realidade.
O fotógrafo define o enquadramento, a luz, o momento do clique, a escolha da lente, o contraste, tudo isso sempre foi, de alguma forma, uma curadoria subjetiva da realidade.
A novidade agora é outra.
As novas mentes artificiais mais inteligentes ampliaram radicalmente a capacidade criativa do fotógrafo.
Pior: de graça ou a baixo custo.
E isso muda completamente o jogo.
Estamos, por causa disso, saindo da Fotografia 1.0 e passando para a 2.0.
Tenho vivenciado isso de forma muito concreta no projeto “Terê na Intimidade”, que tem dois braços.
O primeiro é quando eu saio sozinho ou em grupo (criado dentro do projeto) pelas ruas de Teresópolis, fotografando a cidade com o celular;
O segundo é quando eu, através da oficina, como o apoio da Prefeitura da Cidade, damos dicas e incentivamos a fotografar a cidade.
O que incentivamos?
- Fotografem a cidade;
- Aproveitem o celular que já está no bolso para desenvolver uma atividade artística de baixo custo e, com isso, melhorar o seu emocional.
A mensagem: você não precisa ir para Paris, Nova Iorque ou Islândia para ter contato com a beleza.
A beleza pode estar na esquina da sua rua.
Na banca de jornal.
Na neblina da manhã.
Num banco vazio da praça.
Num cachorro atravessando a rua.
Numa ladeira qualquer.
O problema é que muita gente desaprendeu a olhar para o lugar onde vive.
O que combatemos?
Pare de usar o celular apenas para selfies e o utilize como algo que vai desenvolver a sua criatividade e aumentar o seu BOMTRC (Bom Humor, Otimismo, Motivação, Tranquilidade, Resiliência e Criatividade).
O projeto procura estimular exatamente isso: a redescoberta da cidade através da fotografia cotidiana.
Um projeto criativo de baixo custo, não só melhorando a vida de cada pessoa, mas mostrando lados da cidade nunca vistos.
Os pets, os ângulos diferentes, as nuvens que se modificam todos os dias, os lugares que o turista passa rápido e o morador pode detalhar com mais calma.
É, assim, um ganho individual e coletivo.
E há algo muito interessante nisso.
Estamos falando de uma atividade criativa de baixíssimo custo operacional.
Hoje, qualquer pessoa com um celular razoável consegue produzir imagens muito interessantes.
Isso reduz drasticamente a barreira de entrada da atividade artística.
E mais.
A pessoa passa a caminhar mais.
Observa mais.
Percebe detalhes.
Sai do automático.
Entra em estado de presença.
A fotografia vira uma espécie de meditação operacional urbana.
E isso conversa diretamente com o Potencialismo Bimodal.
Quanto mais conseguimos criar atividades criativas de baixo custo, mais aumentamos a possibilidade de uma vida mais singularizada, saudável e alinhada com os potenciais de cada pessoa.
Algo fundamental em um mundo DDI – Mais Dinâmico, Descentralizado e Inovador.
Mas foi nesse processo que comecei a perceber algo maior.
As mentes artificiais estão criando uma nova etapa conceitual da fotografia.
Na exposição que estou desenvolvendo, pensei em dividir essa transformação em três ambientes distintos.
- Uso clássico das Mentes Artificiais, via edição em computador ou celular;
- Novo uso das Mentes Artificiais para tirar elementos;
- Novo uso das Mentes Artificiais para colocar elementos.
O primeiro ambiente da exposição mostraria fotos que foram editadas com o uso das mentes artificiais tradicionais.
Na verdade, quase todo fotógrafo contemporâneo já utiliza mentes artificiais sem perceber, pois a câmera digital já permite uma série de ajustes na hora do clique.
Depois, na edição pós-clique, quando ajustamos brilho, contraste, nitidez, saturação ou profundidade usando aplicativos como Snapseed, já estamos dialogando com sistemas inteligentes que ajudam na reorganização da imagem.
A fotografia digital já deixou de ser “crua” há muito tempo.
Toda fotografia atual é, em algum nível, uma fotografia interpretada, via Mentes Artificiais, pois todas usam ferramentas digitais.
O segundo ambiente da exposição mostraria algo mais avançado: o uso das mentes artificiais para retirar elementos que atrapalham a proposta estética da imagem.
Em Teresópolis, por exemplo, temos um problema recorrente: os fios elétricos, que não estão, como em outras cidades, embutidos no chão.
Muitas paisagens espetaculares ficam poluídas visualmente.
Hoje, conseguimos remover esses elementos com relativa facilidade.
“Gemini, tira os fios e os postes!”
E bum, eles vão embora.
E aqui existe um ponto importante.
Na fotografia artística, isso não é fraude.
Fraude seria alterar uma fotografia jornalística ou documental sem explicitar isso.
A fotografia artística nunca teve compromisso absoluto com o registro puro da realidade – a palavra artística diz tudo:
No dicionário:
“Inicialmente ligado à capacidade técnica e manual, o conceito expandiu-se para representar a expressão de sentimentos, criatividade e interpretação do mundo.”
Repare que não é registrar o mundo, mas interpretá-lo.
A terceira etapa da exposição é a mais disruptiva.
É quando as mentes artificiais deixam de apenas corrigir ou retirar e passam a incluir elementos inexistentes na cena original.
E aqui começa, de fato, a Fotografia 2.0.
Imagine uma praça vazia com uma luz perfeita.
Você olha para aquela cena e pensa:
“Se tivesse uma pessoa sentada naquele banco…”
Antes, seria necessário esperar alguém passar.
Ou contratar um modelo. Ou tirar a foto de alguém e, de certa forma, invadir a privacidade da pessoa, com risco de gerar atrito.
Agora não.
Você pode criar aquela presença posteriormente.
Viu a imagem, o potencial, espera estar sem ninguém naquele dia ou outro, na mesma hora, aproveitando a luz que viu naquele tempo e lugar.
E isso muda radicalmente o papel do fotógrafo.
O fotógrafo deixa de ser apenas alguém que captura o mundo.
Ele passa a ser alguém que visualiza e propõe mundos possíveis.
Outro dia fiz experiências interessantes.
Numa ladeira, com uma luz incrível, inseri uma bicicleta descendo.
Numa cena da feirinha, coloquei uma pessoa com guarda-chuva numa situação de chuva que não existia.
E as imagens ganharam uma força estética enorme.
Percebi então que estamos entrando numa nova etapa histórica da fotografia.
E isso já aconteceu antes.
Durante séculos, os pintores eram os grandes responsáveis pelo registro visual da sociedade.
Príncipes.
Guerras.
Paisagens.
Famílias.
Tudo dependia dos pintores registradores.
Quando surgiu a fotografia, houve uma ruptura.
Os pintores deixaram gradualmente de ser a única possibilidade de registrar a realidade.
E foi justamente aí que explodiu o impressionismo e outras correntes mais subjetivas.
A fotografia libertou a pintura do compromisso do registro.
Agora estamos vivendo algo parecido.
As mentes artificiais estão libertando a fotografia do compromisso absoluto com o real.
Estamos entrando numa etapa em que a fotografia artística se aproxima cada vez mais da imaginação visual.
A câmera passa a ser apenas o ponto de partida.
Isso vai gerar muito debate.
Muita resistência.
Muita gente dirá:
“Mas isso não é fotografia!”
Talvez não seja mais fotografia 1.0.
Talvez seja exatamente a Fotografia 2.0.
E é importante separar as coisas.
Fotografia artística é uma coisa.
Fotojornalismo é outra.
Fotografia documental é outra.
Registro pericial é outra.
Misturar tudo gera confusão conceitual.
Na fotografia artística, o objetivo principal nunca foi apenas documentar.
Foi provocar sensações.
Criar atmosferas.
Produzir interpretações visuais.
E é exatamente isso que as novas mentes artificiais potencializam.
Elas não substituem o olhar humano.
Elas ampliam o campo de criação desse olhar.
O mais interessante é que isso tudo democratiza ainda mais a criatividade.
Antes, certas imagens dependiam de equipes, modelos, estúdios e altos custos.
Agora, uma pessoa caminhando com celular pela cidade pode criar cenas visualmente sofisticadas.
Isso muda completamente o acesso à produção artística.
A Fotografia 2.0 expande a possibilidade do criador.
É menos sobre registrar o mundo e mais sobre reinterpretá-lo.
No fundo, talvez estejamos vivendo a passagem do fotógrafo registrador para o fotógrafo curador de possibilidades visuais, tanto no que sai quanto no que entra.
E isso é apenas o começo de uma longa estrada extremamente promissora para a criatividade.
Por fim, essa liberdade traz, porém, uma tensão inevitável.
O grande critério deixa de ser apenas ‘capturar bem’ e passa a ser ‘decidir bem o que deve existir na imagem’.
No fundo, estamos vivendo a passagem do fotógrafo registrador para o fotógrafo curador de possibilidades visuais, tanto no que sai quanto no que entra.
Essa não é uma simples evolução tecnológica. É uma mudança civilizacional em escala reduzida. As mentes artificiais descentralizam o poder de criação, ampliam dramaticamente as possibilidades e colocam sobre o indivíduo uma responsabilidade maior: decidir o que merece existir na imagem.
Na Fotografia 2.0, o valor migra da captura técnica para a curadoria estética e conceitual. O celular + Mente Artificial se torna uma poderosa ferramenta de Potencialismo cotidiano — de baixo custo, alta singularização e presença ampliada.
Estamos apenas no início. Quem aprender a decidir bem o que deve existir na imagem terá uma vantagem criativa na Fotografia 2.0.
A beleza continua na esquina da rua. Agora, mais do que nunca, ela também depende do que temos a coragem de incluir ou retirar dela.
É isso, que dizes?










