Resumo do artigo feito pelo Tio Chatinho:
Neste artigo, Nepô apresenta a ideia de que uma das principais dificuldades de mudança pessoal está na confusão entre identidade e paradigmas. Ao explicar o conceito de Formatação Básica Obrigatória (FBO), ele argumenta que todos recebemos uma base de crenças e referências da sociedade para conseguir viver em grupo, mas que esses paradigmas não devem ser confundidos com nossa identidade profunda. Quando isso acontece, qualquer revisão de ideias passa a ser sentida como uma ameaça pessoal. Nepô defende que uma vida mais saudável exige a capacidade de revisar continuamente esses paradigmas, ampliando a chamada bancada reflexiva, especialmente no contexto da Revolução Digital, que exige maior capacidade de reconfiguração pessoal no Sapiens 2.0.
As melhores frases do artigo (selecionadas pelo Nepô):
Muitos dos paradigmas da FBO – Formatação Básica Obrigatória ajudam a viver melhor e outros começam a atrapalhar.
Vamos ao Artigo:
“O que é necessário para mudar uma pessoa é mudar a consciência de si mesma.” – Abraham Maslow.
Existe um problema pouco discutido quando falamos de mudança pessoal.
A dificuldade de mudar não está apenas na falta de informação.
Está na identidade.
Quando conversamos com alguém que resiste a revisar suas ideias, aparecem frases muito conhecidas:
“Eu sou assim.”
“Sempre pensei assim.”
“Isso não é para mim.”
Essas frases revelam algo importante.
Os paradigmas deixaram de ser apenas formas de interpretar o mundo e passaram a ser vistos como parte da própria identidade.
O problema é de base.
O Sapiens para ser Sapiens precisa ser formatado – é uma base inicial para poder se virar.
Isso não é a sua identidade fixa, mas a sua identidade em processo.
Frase em destaque:
Muitos dos paradigmas da FBO – Formatação Básica Obrigatória ajudam a viver melhor e outros começam a atrapalhar.
Frase em destaque:
O que é uma vida mais saudável? A capacidade que temos de revisar, de nos reformatar, revendo os paradigmas atrapalhantes e aperfeiçoando os ajudantes.
Descartiando, podemos dizer que:
Frase em destaque:
Me reformato, logo existo.
Frase em destaque:
Ou me reformato, assim, consigo ser o mais Sapiens possível.
Frase em destaque:
Sim, as ideias estão coladas em nós, mas temos que criar uma espécie de faxina diária para ir tirando aquilo que está nos atrapalhando.
Na Escola Bimodal usamos uma metáfora para isso: a banheira de piche.
Os paradigmas grudam na identidade e passam a parecer parte dela, mas não são.
É importante deixar claro que os paradigmas herdados não são negativos em si.
Eles são necessários para a sobrevivência inicial do Sapiens, pois fazem parte daquilo que chamamos de Formatação Básica Obrigatória.
Todos nós recebemos essa formatação da família, da escola, da cultura e das mídias.
Sem ela, seria impossível a socialização.
O problema não está em receber paradigmas – isso não é uma escolha, é uma obrigação.
O problema aparece quando esses paradigmas deixam de ser ferramentas, passíveis de mudança, e passam a ser percebidos como identidade fixa da pessoa.
Quando isso acontece, qualquer questionamento passa a ser percebido como ameaça pessoal.
A pessoa não sente que uma ideia está sendo revisada, pois a ideia faz parte dela mesma.
Frase em destaque:
Há uma confusão entre identidade e paradigmas, que precisa ser quebrada.
Por isso, ampliar a capacidade reflexiva do Sapiens exige um passo anterior.
Frase em destaque:
É preciso aprender a desconfiar da própria identidade.
Ou, pelo menos, de parte dela.
Existe uma diferença importante entre duas frases:
“Eu sou assim.”
“Eu estou assim.”
Quando alguém diz “eu sou assim”, está consolidando a ideia de uma identidade fixa.
Quando alguém diz “eu estou assim”, está reconhecendo uma configuração temporária.
A segunda frase abre espaço para mudança.
A primeira, a principio, fecha.
Boa parte do sofrimento humano vem exatamente dessa confusão.
Frase em destaque:
Confundimos a formatação básica obrigatória que recebemos da sociedade com aquilo que realmente somos.
Mas a formatação básica obrigatória é apenas o ponto de partida.
Não é o destino.
O trabalho existencial de mais qualidade passa exatamente por essa separação.
Se isso era uma demanda ainda tímida para o Sapiens 1.0, se tornou algo fundamental para o 2.0.
De um lado, a identidade mais profunda.
De outro, os paradigmas herdados.
O que, então, podemos dizer que é, assim, nossa identidade?
Na abordagem existenciológica da Escola Bimodal, a identidade mais profunda se aproxima da missão.
A identidade é marcada pelo meu potencial, aquilo que eu, quando faço :
- gosto e sobe meu BOMTRC (Bom Humor, Otimismo, Motivação, Tranquilidade, Resiliência e Criatividade);
- ajudo e/ou motivo os outros.
Dessa forma, deixamos de ter uma Identidade de Mente Primária e passamos para uma identidade de Mente Terciária.
A pergunta central da vida passa a ser:
Qual é a minha missão personalizada no mundo?
Essa é uma pergunta da mente terciária.
É a pergunta existencial que organiza o restante da vida.
Alguém poderia perguntar o que acontece com quem ainda não descobriu sua missão.
A resposta é simples.
A descoberta da missão não é um evento imediato.
É um processo progressivo de descoberta, a partir dos contextos (conjunturais e estruturais) externos e internos (referências emocionais).
A própria pergunta já inicia o movimento.
Tem gente que não procura a missão, sendo conduzida pela Mente Primária ou Secundária.
Tem gente que procura e ainda não encontrou sua missão, mas está em processo de investigação existencial.
Essa investigação é natural dentro da jornada de singularização do Sapiens 2.0.
Outra pergunta possível é quem define essa missão.
A missão surge da interação entre características internas do indivíduo e as tecnopossibilidades disponíveis na civilização em que ele vive.
Por isso, ela tende a ser descoberta progressivamente, através de experimentação, reflexão e observação de onde a energia pessoal flui melhor.
Quando essa missão começa a ganhar forma, surge um segundo trabalho.
Revisar os paradigmas que impedem a realização dessa missão.
Esse é o trabalho da mente secundária.
E é aqui que entra a bancada reflexiva.
A bancada reflexiva é a capacidade que a pessoa tem de colocar seus próprios paradigmas sobre a mesa para análise.
Quanto maior essa bancada, maior a capacidade de revisão.
Alguém poderia perguntar como essa bancada pode ser ampliada?
Ela cresce através de exercícios reflexivos.
Entre eles estão o questionamento de paradigmas herdados, a análise das origens das nossas crenças, a comparação entre diferentes narrativas sobre o mesmo fenômeno e o esforço deliberado de olhar para a realidade por ângulos distintos.
Revisar paradigmas não significa destruir todas as referências.
Significa substituir paradigmas menos funcionais por outros mais adequados ao novo contexto civilizacional.
E estamos vivendo exatamente um momento em que essa revisão se torna cada vez mais necessária.
A Revolução Digital criou uma nova civilização.
Mudaram as mídias, mudaram os modelos de cooperação e mudaram as possibilidades de vida.
Nesse novo cenário, paradigmas que funcionavam no passado podem deixar de funcionar.
É isso, que dizes?










