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  • Num mundo que se move a terabites por segundo, não serão os maiores que engolirão os menores, mas os mais rápidos que engolirão os mais lentos – Benito Paret – da minha coleção de frases;

Vivi este fim de semana, de camarote, o drama do incêndio no Morro dos Cabritos na Lagoa, já que moro embaixo dele, praticamente.

O fogo foi tão grande que poderia ter invadir casas e edifícios.

Rapidamente, coloquei um video no Youtube, mandei alguns para o Eu-Repórter, do Globo, e corremos para o Globo on-line e para a televisão para saber mais detalhes.

Era algo importante, pois o fogo estava descontrolado, podendo, a qualquer momento, chegar aos edifícios, incluindo o meu.

(Muita gente não dormiu em casa. Nenhum bombeiro apareceu. Foi um caos total.)

Apesar do Globo ter publicado hoje esse nota…

fogo_cabritos 001

…na qual disseram que os leitores tiveram informações em torno do site deles, isso não foi bem verdade, pelo menos, logo no início da noite, o momento mais crítico do processo.

Nessa fase, havia apenas uma notinha sobre o incêndio, apesar dos videos e fotos, imagino, estarem entrando….

Ficaram bastante tempo apenas anunciando secamente que havia um incêndio, sem fotos ou vídeos, enquanto no Twitter, no Youtube a coisa pegava fogo, em todos os sentidos.

Obviamente, aquela hora da noite não havia gente o suficiente para conseguir reunir as contribuições dos leitores.

O vídeo, que mandei, por exemplo, não entrou no ar!!!

Pois ele precisa de um “OK” de alguém, o que é incompatível com a velocidade que precisamos numa situação como essa.

Logo depois, a GloboNews, por volta das 22 horas, canal a cabo, dá uma chamada sobre o assunto e coloca uma repórter para falar pelo celular (????) , sem imagens, quando esse espetacular vídeo, aí debaixo,  já estava no Youtube há mais de uma hora:

O problema todo foi o tempo..

Os jornalistas e suas empresas ainda estão com a cabeça no mundo do papel e da não colaboração, apesar do discurso ao contrário.

O Globo é um dos  que mais trabalha na contribuição dos leitores, mas mesmo eles ainda estão lentos, pois querem intermediar tudo.

Usam  a colaboração dos leitores, mas ainda dependem de alguém (ser humano) para monitorar a contribuição, não deixando (as máquinas) cuidarem da situação logo no ato que ocorrem.

Por isso, o Youtube é tão mais rápido, pois é auto-administrável pelos colaboradores, sem ingerência humana.

O que acho que poderia melhorar no jornalismo, a partir desse caso, saindo da visão 1.0 da colaboração para a 2.0:

  • 1) quando um colaborador se mostra “confiável” em um site jornalístico, através de seu Karma, passa a publicar direto no site em uma área especial, criando tags, que ajudem a outros publicarem no mesmo espaço, criando automaticamente uma página específica;
  • 2) esse conjunto de colaborações vai sendo publicada, reduzindo o tempo da edição, ou seja, vai-se tendo tudo rapidamente, independente quem está na redação, assumindo a previsão de Mussoi, do próprio Globo,  no qual um jornal passa a ser uma rede social;
  • 3) é uma área livre para os leitores, que as pessoas que entram no site sabem que ainda não sofreu uma edição, o que acelera o tempo, dando margem para que jornalistas cheguem para melhorar o que está lá;

  • 4) ou seja, ao se chegar essas colaborações, que já entram no ar, alguém é alertado da chegada de uma colaboração atípica, em quantidade, o que demonstra que algo fora da normalidade está ocorrendo. Sempre tem plantonistas no jornal!

O problema da cobertura do incêndio dos Cabritos foi justamente o tempo da moderação, que depende da presença humana.

Foi lento…para quem estava aflito, mesmo no dia seguinte, eram poucos videos e fotos. O Jornal de domingo saiu sem uma foto. Só apareceu a foto na segunda, hoje.

Essa colaboração não pode mais ser editada no calor da hora.

Tem que ser regulado pelos algorítimos do sistema que vai deixar quem é conhecido publicar, assumindo naquele momento as vezes de repórter e editor, até que um de carne e osso saia da cama, do bar, do cinema e do show e venha até uma tela de computador, administrar e melhorar o que o leitor já está fazendo por ele mesmo.

Foi isso que faltou, a meu ver.

O tempo da cobertura foi lento e isso se deve a uma visão ainda não amadurecida do novo mundo que estamos entrando.

O resto vem na aba.

E é isso que tem que avançar.

Concordas?

5 Responses to “O novo tempo do jornalismo”

  1. Luiz Ramos disse:

    Colaboração 2.0
    Carlos,
    Seu post está perfeito como idéia, mas quem tem que por em prática seus princípios parece ainda estar dominado pela equivocada idéia de Poder e Imagem (Veja seu outro post). A sensação que passam é de que não podem abrir mão do Poder de administrar a informação, pois perderiam a imagem pessoal.
    A nota do jornal citada por Você, em vez de um relatório para o leitor, parece mais um exercício de Imagem do Grupo.
    Cito um trecho seu:” Essa colaboração não pode mais ser editada no calor da hora.
    Tem que ser regulado pelos algorítimos do sistema que vai deixar quem é conhecido publicar, assumindo naquele momento as vezes de repórter e editor, até que um de carne e osso saia da cama, do bar, do cinema e do show e venha até uma tela de computador, administrar e melhorar o que o leitor já está fazendo por ele mesmo.
    Foi isso que faltou, a meu ver”.
    Eu desisti de colaborar com o “Eu, repórter” pelos entraves burocráticos para o oferecimento da noticia e fotos ou vídeos. E, nem sempre seu material é utilizado. E, sem modéstia, material inferior ou repetitivo é aproveitado. Parece ser uma escolha burocrática.
    Colaborar com os meios de comunicação na filosofia da Internet 2.0 parece ser quase utópico no contexto atual. Por exemplo, minha foto sobre o incêndio no Morro dos Cabritos não tem fogo na mata, mas tem um balão enorme facilmente identificável a cair na mata, na manhã do dia 19 de junho. Será aproveitado para investigação/reportagem sobre os prováveis autores/baloeiros? Tenho minhas dúvidas. Para mim, comunicação 2.0 tem que ir além da informação/interação corriqueira.
    Abraços
    Luiz Ramos, 21/06/2010

  2. Carlos Nepomuceno disse:

    Luiz,

    acho que eles vão melhorar isso…

    Você publicou a foto do balão em algum outro lugar?

    Pode me mandar?

    Eu coloco aqui.

    abraços,

    Nepô.

  3. Relato e observações pertinentes. Há incompatibilidade entre a comunicação tradicional e a nova comunicação, o modelo antigo não foi habituado a pensar em colaboração e, de qualquer forma, isso não faz sentido para uma empresa comercial. Por isso duvido que os veículos tradicionais cheguem lá. Do outro lado, ainda são incipientes os veículos de comunicação não comerciais que todos podemos fazer juntos, em colaboração. Na internet, onde essa comunicação se faz, as informações se perdem num universo de informações; muitos veem, mas muitos não veem. Veículos produzidos na lógica da colaboração na internet, além de televisão e rádio públicas conectadas à internet combinam com o novo modelo de comunicação que está em gestação. Ainda não existem, por exemplo, um portal público e um portal de organizações sociais, a exemplo dos portais privados, como Uol, G1, R7, iG etc.

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