Feed on
Posts
Comments

“Ninguém gosta de copiar do quadro negro”Rodrigo Zonis Nepomuceno, 13 anos, da minha coleção de frases.

Fiz uma maratona de palestras no Colégio Santo Inácio, aqui no Rio, esta semana.

E da conversa com o pessoal do Rio e em vídeo-conferência, em paralelo, com Minas e São Paulo, acredito que existem três perguntas básicas na cabeça hoje dos professores:

  • 1- a escola vai de fato mudar?
  • 2- se vai, para onde?
  • 3- e se é para lá, como damos o primeiro passo?

Vamos tentar ajudar a começar a pensar sobre estas três questões.

A escola vai de fato mudar?

Bom, a escola é uma instituição que visa preparar os novos humanos para conviver em sociedade, dotando-os de informações necessárias para este fim, das mais específicas às gerais.

A escola atual foi criada há 550 anos, contemporânea do surgimento do ambiente de conhecimento do livro impresso, que criou em torno dele uma civilização com determinadas características, dentro de um sistema econômico, social e político.

Portanto, se, por acaso, esta civilização entra em processo de ruptura, a escola deve acompanhá-la para preparar o novo cidadão/cidadã para esse novo ambiente.

Certo?

E, assim, caímos na questão central de nossa sociedade, que não é exclusiva da escola, mas das empresas, governos, congresso, etc.

A Internet é capaz de alterar a maneira como estamos no mundo?

Acredito que sim.

Para “coo-vencer”, sugiro ler alguns posts neste blog:

Caso você considere que estamos inaugurando uma nova civilização, passemos para a segunda pergunta.

Se vai mudar,  vai para onde?

Vou levantar dois pontos para reflexão.

A digitalização – diferente do mundo analógico – cria uma velocidade de atualização muito maior do que estávamos acostumados anteriormente.

O tempo de atualização, as diversas fontes produtoras, que se multiplicam (formais e informais), as diversas versões de cada fato nos levam a passagem de um conhecimento aparentemente mais perene para um mais fluído.

(No fundo, a verdade sempre foi fluída, mas podíamos ter uma ilusão maior que era “verdade” (o certo e o errado) pelo tempo de atualização. Agora, está mais fácil de ver que a verdade é sempre uma interpretação que muda.)

O Wikipedia é a expressão viva disso.

Uma enciclopédia, que muda, que erra, que se ajeita, que se arruma, diferente da Barsa ou da Larrouse, que demoravam mais tempo para se atualizar.

Ou seja, o senso comum é wiki, uma metamorfose ambulante.

E se encaixa perfeitamente em um mundo que precisa inovar cada vez mais.

É muita gente, querendo tudo, ao mesmo tempo!

Algo, bem diferente do ambiente de conhecimento e produtivo passado, hierárquico e mais lento.

Por outro lado, temos a questão de quantidade e qualidade.

A humanidade opta por trabalhar colaborativamente a distância, com conhecidos e desconhecidos, como nunca pôde,  para resolver problemas complexos.

Desde a produção das soluções para a Aids, Genoma, Acelerador de Partículas, ao próprio Linux, a Internet em si, sem falar no aumento da participação do cidadão na vida pública, nos jornais, pelo celular nos engarrafamentos, que só tende mais e mais a aumentar e se ampliar.

Não estamos co-criando por que agora o humano é mais legal, mas é a saída para resolver os problemas complexos que temos pela frente de forma viável (custo/benefício), lembrando que não temos planeta B.

O que era passível de soluções individuais, hoje é preciso que se resolva de forma co-criada, horizontal.

Assim, o mundo que surge precisa de humanos capacitados a lidar toda hora com mudanças e com forte capacidade de criar em grupo.

O conhecimento é mais complexo, menos uniformizado, mais mutante e horizontalizado.

Todos estão envolvidos na atividade de criar, cada vez mais, e cada vez menos na de reproduzir, como é o caso de 90% das atividades hoje do professor.

O aluno (e por que não, o professor, que também deveria ser um aluno do seu aluno) precisa aprender a resolver problemas.

E uma abordagem, como é hoje, por assunto não agrega, divide, confunde, aliena (professor e aluno) e, por fim, se já atrapalhava antes, agora será insustentável, mais e mais.

(Sem falar no choque entre um garoto que atualiza seus aparelhos eletrônicos toda a semana e pergunta quando vai atualizar o “software” da escola!)

A sociedade agora vai pedir uma nova escola compatível com a nova civilização.

Paulo Freire estava certo, mas o tempo das ideias dele, só agora chegou!

(Quem sabe não colocam um  busto dele em Wall Street.) 😉

E para este modelo a escola atual, mais atrapalha do que ajuda, baseada na reprodução e não na criação de novos conhecimentos em sala de aula (pacote fechado).

Há, assim, a necessidade de estimular de todas as formas possíveis, como ou sem tecnologia, a co-criação presencial e virtual, conforme cada caso, com pessoas que estão em sua sala, em outras salas, em outras séries, em outras escolas e fora dos muros da escola, agregando pesquisadores de ponta, do ataque, do meio e da defesa. 🙂

Uma passagem desse tipo:

Mundo 1.0 – Escola 1.0

Mundo 2.0 – Escola 2.0

Pensa por assunto

Pensa por problema

Ritmo analógico, mais demorado

Ritmo digital, mais rápido

Verdades fechadas

Verdades abertas

Aprende verticalmente

Aprende horizontalmente

A criação não é o principal valor de produção

A criação é o principal valor de produção

O certo e o errado

O constante incerto

O que nos leva a nossa terceira questão.

Se é para lá, como damos o primeiro passo?

As instituições não migram para esse novo mundo adotando tecnologia, o que é, na verdade, uma tentativa de fingir que muda, mas continua tudo igual.

O que temos é uma ruptura cognitiva civilizacional.

Nós resolvíamos problemas de uma maneira e agora começamos a resolver de outra.

O que nos leva a um processo lento de adaptação, aprendizado e experimentação para equilibrar essa passagem.

Assim, recomenda-se protótipos de todos os tipos.

Monitorados, acompanhados de perto, avaliados, descartando o que não funciona e o que funciona e expandido a cada etapa para mais alunos e mais professores.

E pergunta-se?

E o Mec?

O Mec também pode ser envolvido nesse processo, sendo chamado para acompanhar, discutir e participar.

Por que não?

Além de outras escolas, representantes das empresas e dos professores.

É uma mudança negociada, na base do diálogo, uma passagem necessária para um mundo e uma escola que atendia a 1 bilhão de pessoas (1800) para uma outra que atende a um público de 8 bilhões (2020).

Não podemos imaginar que um salto demográfico desse tipo pode passar impune de uma reformulação geral no barraco humano do planeta.

Tem mais coisas, mas por enquanto, é isso.

Que dizem?

Diário do blog:

O tema escola 2.0 já trabalhei aqui no blog.

O que há de novo aqui é a percepção dos três problemas que serve para todo o mundo 2.0. Acredito que ajuda também perceber que um mundo digitalizado, por natureza é mais dinâmico.

O que ainda vou amadurecer é sobre a passagem da escola por assunto x problema. Que acho que está ainda sem uma consistência, como eu gostaria.

Vamos em frente.

27 Responses to “Escola 2.0: três questões básicas”

  1. Camila Leporace disse:

    Quando estava na escola, e até na faculdade, a gente percebia e comentava que às vezes aprendia muito mais em conversas nos corredores, informalmente, entre professores e alunos, do que na sala de aula. Essa constatação nada mais era do que perceber que estava faltando diálogo. Estava faltando troca real. Gostei muito do post. A escola precisa sim preparar para o mundo e se preparar para o mundo, que está bem diferente. Por que só ela se manteria igual?

  2. Carlos Nepomuceno disse:

    Camila,

    uma frase que saiu lá, foi:

    “É preciso trazer a vida para a escola”.

    O que ocorre é que estamos todos engessados por lá, alunos, professores, direção, incluindo os pais.

    Esse mundo em pacote não ajuda mais a resolver os problemas que temos pela frente.

    É uma guinada? É.

    Mas necessária.

    A nova geração vai exigir isso.
    E se os mais velhos não fizerem, quando elas chegarem lá, farão, questão de tempo, a meu ver.

    Valeu a visita,

    Beijos

    Nepô.

  3. Beth Bastos disse:

    Caríssimo Nepo…
    Quero agradecer mais uma vez a sua disponibilidade de compartilhar com a comunidade de educadores das escolas jesuítas seu conhecimento, suas idéias, suas dúvidas, seu tempo.
    A questão de a escola precisa mudar não é nova, afinal em 500 anos pouco se mudou na essência da escola. Porém, a forma que foi abordada esta necessidade agregou valor e atualidade a uma questão muito conhecida pelos professsores.
    Na maratona de palestras (4 seguidas!!!!), você nos ajudou a adubar uma semente já plantada e que esperamos ter mais momentos para cuidar juntos.
    Um beijo.

  4. Lucia disse:

    Essa questão é complicada e está longe de ser resolvida. Algumas escolas já perceberam que precisam mudar e já mudaram, estão preocupadas que o aluno reflita sobre o que está estudando, aprenda a ter senso crítico, pense em cima dos problemas e não decore fórmulas e frases feitas. A Escola que meus filhos estudaram o ensino fundamental adota esse estilo. Um exemplo é a forma como tratavam datas comemorativas, como uma oportunidade de se entender na prática os problemas. Por exemplo, no Dia do Indio, as crianças recebem a visita de uma pequena parte de uma tribo indígena, que passa o dia com eles, contando estórias sobre a tribo, seus costumes, suas danças e rituais, etc. Depois em sala de aula, os professores trabalham com os alunos aquela vivência. No dia do Meio Ambiente, eles visitam um lixão, conversam com catadores de lixo, depois visitam uma empresa de reciclagem. Da mesma forma, todo o passeio em seguida, foi colocado em sala de aula, diversificando a discussão em cada disciplina: geografia, ciências, história, etc… Sempre achei incrível essa postura e as observações dos meus filhos e o interesse despertado me faziam perceber que esse era mesmo o caminho. Mas hoje, essas escolas são consideradas escolas que “não ensinam” o que se é cobrado, portanto como estam fora do “senso comum” acabam discriminadas. No meu caso, pelos meus próprios filhos, que no segundo grau ao irem para uma escola tradicional, voltada para o vestibular tiveram muita dificuldade de adaptação. Dois perderam de ano (não tinha conteúdo suficiente) e é notório que o interesse pelo estudo caiu, não se sentem desafiados de forma inteligente. A terceira, perdeu no desempenho, mas acompanha a média. Se rebela o tempo todo contra o modelo atual que considera autoritário (“Nos tratam como robôs”, “não aceitam questionamentos e somos repreendidos injustamente”) e paradoxalmente critica a mim e a escola antiga de sermos responsáveis por ela ser tão questionadora e ter dificuldade de “acompanhar” a turma e seja no conteúdo e até mesmo no comportamento passivo. Ou seja, ter dificuldade de se moldar a caixa.
    Não me arrependo e continuo achando que eles ganharam muito em cidadadania, ética e principalmente em postura indagadora e não contemplativa e passiva. Só em já pensarem fora da caixa tão cedo, já valeu.
    A pergunta que martela é: como ser uma escola com visão 2.0 e ter que orientar o aluno para uma cobrança de vestibular 1.0 ? A princípio eu creio que o primeiro e grande movimento deve ser do MEC mesmo (e aparentemente estão se movimentando, o ENEM é uma prova disso, apesar de ainda bem falho) que regulamenta a educação no país.
    Outra coisa que me irrita profundamente nessa questão são os livros didáticos. No mundo de hoje eles não deveriam mais existir, o conteúdo tem que ser revisto o tempo todo, portanto o livro didático deveria ser mensal, no máximo. Todas as escolas deveriam ter estrutura para elaborar apostilas atualizadas acompanhando as mudanças. Mas o que está acontecendo é que os livros didáticos são reeditados anualmente (A indústria editorial agradece). Além de serem caríssimos agora o tempo de vida deles é um ano, não são mais reaproveitados. Todos os anos gastamos fortunas em livros novos e jogamos toneladas de livros fora, um desperdício nada sustentável.
    Qualquer mudança para 2.0 tem que passar pela educação 2.0.

  5. Carlos Nepomuceno disse:

    Beth, grato pela acolhida, confiança….e espero que consigamos ver a muda, árvores e florestas crescerem. Bjs

  6. Beth Bastos disse:

    Nepo, continuando a nossa conversa nas palestras

    Em uma das sessões, você falam das competências reflexivas exigidas pelo mercado.
    Pensando nesta questão na escola, não há como não relacionar que os professores também precisam ter a prática da reflexão no seu fazer profissional. (Este aspecto é para mim fundamental, até dediquei meu doutorado a isso.) É fato que a adequação, adptação, evolução da escola para essa civilização 2.0 está associada, entre outros fatores, a profissionalização dos professores. E se consideramos que os cursos de formação de professores também estão de acordo com a civilização 1.0, vemos que o buraco é mais embaixo ainda!
    Se as próximas politicas públicas para formação de novos professores – que precisa ser para um grande número, por motivos demográficos ou para desenvolver a escolarização de massa – tiver como pano de fundo a oportunidade de ” romper” com o modelo escola 1.0, e consigam apontar a necessidade da profissionalização na concepção de base do ofício de professor, penso que a prática reflexiva e de participação crítica tomará lugar da visão que a ação do professor é apenas dar aula sobre conteúdos fechados!
    Mas sejamos lúcidos, a profissionalização, a prática reflexiva e a participação crítica vão além do “saber fazer” profissional. É preciso desenvolvê-las previamente. E aí me parece que tem uma questão a ser pensada: as escolas que estão motivadas para mobilizar seus professores na aventura da construção da escola 2.0 tem os meios de formá-los em serviço, em ação?
    😉

  7. Carlos Nepomuceno disse:

    Lucia, caraca…muito bom…

    É um colorido forte e profundo das contradições que vivemos.

    Acredito no papel dos agentes de mudança e do estímulo ao diálogo.

    valeu mesmo, espero que os professores do Santo Inácio leiam seu depoimento também.

    O papo da camisa de força do MEC rolou por lá.

    beijos

    Nepô.

  8. Luiz Ramos disse:

    Carlos,
    Como advogado e interessado em meio ambiente e recursos naturais, busco estar atualizado, inclusive na didática. Por isso já participei de cursos, pesquisas e eventos.
    Sinto que a escola, naturalmente, tem refletido filosoficamente as tendências sociais: escola fechada, aberta ou quase, anárquica ou quase. Títulos são dados: Escola Nova, Escola Atual. Ênfase no sujeito, ênfase no método.
    Pergunto: a internet e a informática em geral serão intrumentos de transformação ou campo de luta entre tendências político/filosóficas?
    Espero que sejam instrumentos de transformação.
    Abraços
    Luiz Ramos

  9. Carlos Nepomuceno disse:

    Beth,

    “Mas sejamos lúcidos, a profissionalização, a prática reflexiva e a participação crítica vão além do “saber fazer” profissional. É preciso desenvolvê-las previamente. E aí me parece que tem uma questão a ser pensada: as escolas que estão motivadas para mobilizar seus professores na aventura da construção da escola 2.0 tem os meios de formá-los em serviço, em ação?”

    É a resposta que redes colaborativas de educadores têm que responder. Só existe uma saída para a crise – seja esta ou outras – co-criar, experimentar, envolver, dialogar…

    Luiz, realmente já tivemos vários tipos de escolas, mas o sistema oficial é o do vestibular, da caixinha, do livrinho, da reprodução, da cópia. O que estamos falando é na mudança completa do modelo, que a sociedade vai exigir.

    Ou seja, hoje escolas alternativas já experimentaram muitas coisas, veja texto da Lúcia, agora é o modelo geral – o padrão – que por tendência tem que mudar.

    abraços,

    Grato pela visita e comentário,

    Nepomuceno.

  10. Mônica Couto disse:

    “ Há elefantes caminhando todos os dias por toda a sala de aula e estamos focalizando as formigas.” – Amélia Gambetti
    Começo meu comentário com a frase (acima) de uma das Pedagogas de Reggio-Emilia, Itália, lugar que muito têm nos ensinado com seu sistema de ensino para crianças de 0 a 6 anos..
    Acho que ela ilustra bem um dos aspectos caducos da escola 1.0: focar nas coisas que menos importam.
    A escola 2.0 deveria se preocupar com muitas coisas:
    – atualizar a concepção de infância e adolescência e entender de uma vez por todas que os estudantes, de qualquer idade, têm muito a oferecer.Deveríamos escutá-los de verdade!!
    – compreender os espaços físicos como “um educador a mais”, onde as alterações na sua organização podem provocar novos desafios a serem vividos por professores e estudantes (até mesmo no acesso aos materiais e pessoas, para que tenham mais autonomia para criar e conhecer);
    – vislumbrar que a escola não é uma ilha e, assim, é importante que esteja integrada ao ambiente mais próximo e juntos a outros ambientes e assim sucessivamente;
    – entender que a “mono docência “ é ficar preso ao modelo “um para muitos”, quando nossas crianças e jovens há muito já se relacionam no modelo “muitos para muitos”;
    – oportunizar formas de aprender em que todos se sintam e possam, efetivamente, colaborar com a aprendizagem dos seus parceiros, afinal, ninguém sabe tudo e nem também é totalmente desprovido de conhecimentos e experiências;
    – promover a participação de diferentes atores do processo de aprendizagem (pais, estudantes, professores, comunidade) na vida da escola ;
    – provocar os estudantes com projetos onde todos tenham autonomia e possam colaborar para chegarem juntos ao que lhes parecer a melhor escolha, a melhor solução;
    – não matar a curiosidade de estudantes e muito menos dos professores com conteúdos prontos e acabados, amarrados aos planos de curso de tanto tempo atrás.
    – criar mecanismos para que a formação de professores aconteça em simultaneidade com a sua atuação em sala de aula; é na discussão dos desafios diários , juntos e “pisando no ombro de gigantes” que podemos avançar com a prática cotidiana;
    A sociedade agradece.
    P.S: Teria mais a dizer, mas acho que já abusei do espaço oferecido.

  11. Mônica Couto disse:

    corrigindo: “… que muito tem nos ensinado…”
    Nepô:(sem rasgação de seda)
    Suas reflexões e provocações aqui e em tudo que vivemos nas aulas (MBKM turma março 2010) estão me fazendo muito bem…
    Valeu!
    Abração

  12. Carlos Nepomuceno disse:

    Mônica, do nada você aparece, vem com tudo isso que apresenta…(muito bom).

    Acho que você gostaria de estar no grupo de estudos de agosto, precisamos de gente inquieta.

    Veja lá:
    http://nepo.com.br/2010/03/15/grupo-de-estudos-2010//

    abraços,

    Nepô.

  13. Carlos Nepomuceno disse:

    Um dado interessante que ilustra o mundo dinâmico em que entramos, li agora, no livro do Luc de Brandabere – O lado Oculto das Mudanças, o seguinte:

    “Há apenas meio século, a maioria das empresas permanecia na lista das 500 maiores por 65 anos, hoje sobrevivem por cerca de dez” – dados da Consultoria Standard & Poors.

    Outra frase que ajuda, que pesquei no mesmo livro:

    Se queremos manter o controle sobre nossos destino, precisamos aprender a nos antecipar as mudanças que ocorrem a nossa volta – Francis Bacon;

  14. Carlos Nepomuceno disse:

    Outro ponto interessante para fazer essa passagem de um mundo que trabalha por assuntos para um mundo de problemas, acho que podemos trabalhar com Capra.

    Ele lembra que hoje vivemos uma crise de percepção, baseado muito nos conceitos de Descartes e Newton, passando de uma visão mais compartimentada para uma holística. Isso gera uma crise de percepção, pois tínhamos um mundo pouco conectado e interligado.

    O aumento de conexões, cria problemas de outra natureza que nos faz ter problemas para ver as coisas como são, de um ponto de vista compartimentado em um mundo cada vez mais conectado.

    “Uma realidade que não pode mais ser vista em função destes conceitos. Vivemos hoje num mundo globalmente interligado, no qual fenômenos biológicos, psicológicos, sociais e ambientais são todos interdependentes”.

    E prossegue lembrando que nesse novo mundo conectado a maneira como as várias partes estão integradas no todo é mais importante do que as próprias partes. As interconexões e interdependência entre os numerosos conceitos representam a essência..”

    CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação. São Paulo: Cultrix,1982.

  15. Lucia disse:

    O conceito de impermanência do Budismo também é um bom retrato. Apesar de ser um conceito para se aceitar melhor a morte, por que não impregar aqui? Na verdade as rupturas nada mais são do que sequências de pequenas mortes.
    “A única certeza da vida é a mudança. Precisamos viver para ela. E não contra ela.”
    Conceito milenar, ou seja, nada novo de novo…

  16. Vanessa Aguiar disse:

    Nepô,
    Acabo de ver um vídeo que ilustra, de forma muito lúdica, a questão de que é preciso trazer a vida para a escola – ou no mínimo inspiração para se aprender a aprender. Espero que goste:
    http://www.youtube.com/watch?v=onQrYYFf2to
    Bjs.

  17. Jonas Zonis disse:

    Pessoal,

    Concordo 200% com essa nova visão holística da escola, em volta dos “problemas”. Claro que a vida não é Física, nem Biologia: a vida é simplesmente a vida – sempre na intersecção dos compartimentos que criamos para entendê-la. Fico até emocionado…!

    É muito mais empolgante sugerir os caminhos 2.0 que ainda iremos percorrer, isso eu entendo (não tenho muito a acrescentar ao que foi dito, estou aqui aprendendo um bocado!).

    Devo dizer, porém, que o outro lado está gritante pra mim!
    O que a Lucia disse lá em cima no 4º post é tão pertinente que tira o meu ar de uma só vez: vamos ficar esperando 80, 90 anos para darmos forma e vida ao nosso BRAINSTORM??

    Se a sociedade civil está se organizando em volta de um novo paradigma, quantas décadas vamos esperar para que isso repercuta nas instituições de ensino? (estamos discutindo a maravilhosa paisagem e esquecemos de falar do GRANDE ELEFANTE ROSA cagando nas plantinhas…)

    *Pois bem, alguém me responda: há quanto tempo o Paulo Freire escreveu “Pedagogia do Oprimido”???

  18. Carlos Nepomuceno disse:

    Vanessa, adorei o filme, show!
    Jonas, gostei muito de: “estamos discutindo a maravilhosa paisagem e esquecemos de falar do GRANDE ELEFANTE ROSA cagando nas plantinhas”

    Vou repassar a matéria do pensador pernambucano, Silvio Meira, que defende a ideia de escola trabalhar em torno de problemas:
    Íntegra:
    http://www.arhserrana.com.br/2009/downloads_gerais/os_6_cs_do_futuro_do_trabalho.pdf

    Perguntam:

    Como deveria mudar a educação:

    Meira – O ensino clássico é, por assim dizer, newtoniano. Parte do prinncípio de que, se você estruturar o conhecimento de uma área organizadamente, quem houver passado por aquele processo de aprendizado pode saber tudo.

    Temos de migrar para um modelo de escola mais darwiniano, que não estabeleça, a priori, fundamentos para nada; ele deve fazer, de todos, aprendizes que descubram o problema a ser resolvido e criam a solução, ao mesmo tempo que descubram, o conhecimento necessário. Ensina-se com base em problemas em vez de estar preso a grade curricular.

    Pergunta: lembra o aprendizado de duplo loop, do Chris Agyris, de Harvard,. Há escolas adotando esse método de ensino no Brasil?

    Meira: O CESAR é uma delas, a escola de medicina da Faculdade Pernambucana de Medicina (FPM), em Recife, Universidade Federal do ABC, em São Paulo… Na FPM, em vez de começarem por aulas de anatomia, os alunos vão para o posto de saúde da família, na periferia, na primeira semana de aulam, para ver o que é doença e do que a população adoece. Do processo de ensino clássico, muda-se para o aprendizado baseado, em problema, o problem based learning.

    Pergunta: Mas não é especialização demais?

    Não, se você partir do princípio de que o processo de aprender é contínuo, assim, como trabalhar é. Temos, isto sim, de criar mecanismo de incentivo e compensação para que a pessoa que trabalha não pare de aprender.

  19. Carlos Nepomuceno disse:

    Videos das palestras podem ser baixados aqui:
    http://bit.ly/bUyfFT (Agite antes de usar) 😉

  20. Lucia disse:

    Jonas,
    Disse TUDO:
    “Claro que a vida não é Física, nem Biologia: a vida é simplesmente a vida – sempre na intersecção dos compartimentos que criamos para entendê-la.”
    Grande questão: Como fazer toda a sociedade enxergar isso na velocidade que precisamos? Revoluções de 100 anos para acontecer basta a francesa, a industrial… Chega né?

  21. […] Galera, nessa discussão da futura escola que anda pingando no blog de diversas maneiras, a partir das palestras do Santo Inácio. […]

  22. Achei muito pertinente esse post e gostaria de ver esse tipo de pensamento espalhado pelo Brasil inteiro. Trabalho como Pedagoga há 25 anos e muito me espanto quando vejo as necessidades reais que precisam ocorrer com a educação …já tão obsoleta nas escolas e nada é feito nem pelos próprios educadores nem pelo MEC nem pelos governantes.
    Já não é de hoje que se fala em mudar a forma do vestibular , por exemplo….e o que mudou? Apenas uma prova do ENEM que deu no que deu no ano passado com o vazamento da prova em si , gerando mais expectativas e frustrações em nossos alunos.
    Se formos pensar em nossos professores então….a maioria sem qualificação, sem tempo ( e alguns sem vontade) para se qualificarem e o pior de tudo….sem comprometimento com o aluno.
    Quando falamos em inclusão, a repulsa por parte de alguns professores é enorme e em outros ela se dá de forma velada!
    Infelizmente vagas no vestibular para Pedagogia sobram mais e mais a cada ano …por puro desinteresse pela profissão…até porque precisamos pagar nossas contas no final de cada mês ….se formas falar de remuneração então….ficaremos dias aqui !
    Enfim, amo o que faço e vou continuar todos os dias acreditando em mudanças que são possiveis sim…basata querer!
    Bjs
    Teresa Carneiro

  23. Carlos Nepomuceno disse:

    Teresa,

    o que é triste é que o professor está desmotivado.

    Parece que colocamos nosso filhos em um depósito para saírem de lá com algo que ninguém mais acredita.

    Que vai mudar, vai, o problema é o tempo disso.

    Grato pela visita,

    Nepô.

  24. […] sobre revolução na educação aqui (blog do Nepo) This entry was posted in Vídeos Bacanas. Bookmark the permalink. ← […]

  25. Carlos Nepomuceno disse:

    Um bom vídeo que discute os efeitos perversos de estar plugado o tempo todo…e um questionamento sobre isso:

    http://abcnews.go.com/GMA/video/technological-overload-plugged-11049553

  26. […] sobre revolução na educação aqui (blog do Nepo) Ted Talk anterior do Ken Robinson em que ele fala sobre educação e criatividade […]

Leave a Reply to Camila Leporace

WhatsApp chat