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Quando respondemos com autenticidade ao presente, impossibilitamos a repetição Carlito Azevedoda minha coleção de frases.

Fui convidado para uma palestra em um Estado do Sul.

Recusei o convite.

Eles que me convidaram com muito carinho, mas  não tinham recursos para me remunerar.

Só passagem, translado e estadia.

Sugeri, então, uma palestra pelo Skype.

Não toparam.

Infelizmente, me enquadro na lista dos pesquisadores independentes, que não têm uma instituição por trás.

Ir para lá, significa não ficar no meu ponto de táxi-consultoria aqui à disposição dos meus clientes, colocar alguém $$$ no meu lugar para minhas aulas, não estudar (que considero parte do trabalho), reduzir o tempo para blogar, etc…

E prevejo que mais e mais será mais caro ter uma pessoa ao vivo e a cores em eventos.

Explico.

Hoje, no meu blog estão disponíveis sem nenhum custo todas as minhas ideias, através de áudios, vídeos, entrevistas e até meu novo livro!

Faz parte da divulgação, do meu marketing, do meu exercício profissional, da junção de forma e conteúdo de um consultor estratégico para uso da Internet, mídias digitais, ou como queiram chamar.

Tudo, na verdade, que pode ser replicado, virar arquivo, perde o valor, já que o preço da distribuição despencou.

Tem que ser de graça para espalhar a marca Nepô.

A palestra, não.

Palestra é algo artesanal.

Exige tempo de dedicação, da mesma forma que uma opinião, um treinamento, uma consultoria.

É de graça o replicável.

E cobra-se o especial e específico.

É a mesma lógica do software livre.

As distribuidoras querem mais que você baixe e use, mas ai de você se pedir treinamento, customização, ajustes e achar que vai ser de graça também.

É aí que rola o dinheiro.

Voltamos com a rede, de certa forma, ao momento artesanal de antes da Revolução Industrial.

Só que dessa vez é o artesanato de massa.

Me impressionou muito ter participado como jornalista do  Congresso que fui ano passado em Nova York da O´Relly, editora de livros técnicos, que colocou mais de mil pessoas para discutir a Web 2.0.

web2

O ingresso era caro e as pessoas iam lá para ouvir, perguntar, trocar entre elas.

Eles têm feito vários destes, em uma tendência forte das editoras de negócios: deixar de ter o suporte livro como referência e centrar o foco nos seus autores/pensadores em eventos de massa.

Discuti um pouco isso sobre o futuro das editoras de livro.

O mesmo ocorre na indústria de música.

Nunca tantos artistas famosos estiveram no Brasil.

Por quê?

Pois agora o negócio é o show e não mais o CD.

O show de massa, com ingresso caro.

Muitos congressos aqui no Brasil convidam, mas não pagam aos palestrantes.

Às vezes, nem a passagem.

Consideram que dá mídia para eles.

O que nem sempre é mentira.

Resultado: quem está com movimento, clientes, tem o que dizer, acaba não indo. Vai quem quer fazer mercado, o que de certa forma esvazia o conteúdo do encontro.

Basta somar 2 + 2.

Muita gente reclama do conteúdo e a explicação é essa.

Cobra-se do público, mas não se paga aos palestrantes!

Em muitos casos, é um show de gente vendendo coisas, mas não trociando idéias abertas.

É um marketing mal feito, digamos.

É preciso mudar essa mentalidade.

Ainda: não adianta chamar também as pessoas para apresentar um Power Point antigo.

Se está na rede e a pessoa repete como um papagaio, para que o encontro?

Pedirá, mais e mais, improvisação, pouco tempo de exposição, nenhum ou quase nenhum slide, e muito dabate para valer a pena o ingresso, o tempo e o custo de deslocamento.

De graça, estou na rede, generosamente, sobrevivendo com meus queridos clientes e compartilhando o que puder com os meus 99 leitores.

Presencialmente, tenho um custo, um valor de me dedicar com carinho àquelas pessoas.

É o custo do Nepô artesanal!

Assim, acredito esse tipo de ficha tem que cair para quem quiser realizar e participar de eventos 2.0, pois:

O de graça hoje mudou de praça!

PS- sugeri a quem me convidou, realizarmos um wikishop, cobrando das pessoas por dois dias de encontro, ficaram de estudar.

É isso.

Concordas?

6 Responses to “O de graça mudou de praça!”

  1. Aldo disse:

    Gostei do Nepô artesanal e sem infotóxicos.
    Acho que tens toda a razão. Na atual realidade onde se pode ter a vivencia sem a presença fisica há que se compensar quando esta vivência vier com presença corpórea.

    Fui, também, convidado para ser homenageado em Belo local do nordeste a 3 mil kilometros de minha base no Rio. Pagavam só a passagem e estadia e a homenagem era para participar de uma mesa “dialogada” isto é, seis pessoas batendo papo entre si no palco em um painel e uma audiência inteira olhando esta estranha coisa.

    abraço,

    Aldo

  2. cnepomuceno disse:

    Aldo,

    acredito que temos que usar mais o Skype e ferramentas que nos permitam estar lá, dialogando, sem o esforço da viagem.

    Convites também para falar uma hora – e viajar quase 20 – é algo que me parece cada vez mais absurdo.

    Certa vez, fui a São Paulo para falar 20 minutos. Demorei quase 12 horas para ir e vir.

    Acredito que o presencial, quando ocorrer, deve ser algo intenso, com mais tempo, para aprofundar coisas, bem usado.

    Por isso, deve-se cobrar.

    É isso,

    abraços,

    Nepomuceno.

  3. Nepô,
    Primeiramente parabéns pelo blog. Tenho lido seus RSS faz umas 2 semanas e sempre ficava adiando vir comentar aqui que gosto muito do blog e da forma direta que você escreve, ao contrário de muitos escritores que só enrolam e não chegam a nenhuma conclusão que possa ajudar os leitores.

    Em relação a palestras, eu queria uma ajuda sua.
    Fui convidado para dar uma palestra para um mercado que não tenho experiência mas sei que até outubro (data da feira) eu consigo aprender bem sobre o mercado, conversar com pessoas do setor e preparar uma ótima palestra.

    Meu ponto é, como precificar uma palestra desse tipo? Sei que há uma grande variação de valores, mas existe algum tipo de “valor base” para que eu possa começar a negociação com os organizadores do evento?

    Abraços,
    Millor

  4. cnepomuceno disse:

    Milor,

    aqui no Rio paga-se para um professor de pós algo em torno de R$ 200,00 reais a hora/aula.

    Imagine que existe um esforço de, se for o caso, preparar a palestra, viajar, ir lá, voltar, etc…

    Imagino que se colocar as horas e se basear mais ou menos nesse preço você poderá argumentar.

    Obviamente, que isso é um parâmetro, pois tem gente que cobra muito, dependendo do retorno que a palestra vai ter para as pessoas que vão assistir.

    O nome da pessoa na mídia, etc….

    É isso, forte abraço,

    valeu a visita,

    Nepomuceno.

  5. Aracy Campos disse:

    Concordo plenamente. Tempo, Idéias e Conhecimento. Isso tudo tem um valor!

    Cacilda Becker já dizia, quando lhe pediam ingressos para suas peça: “Não me peça para dar a única coisa que tenho para vender”.

    Abs,
    Aracy

  6. cnepomuceno disse:

    Aracy,

    boa frase.

    abraços, tks pela visita.

    Nepô.

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