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Falei um pouco sobre isso neste vídeo.

Vamos ao debate.

Um sistema econômico, qualquer que seja ele, terá:

empresismo

 

Se analisarmos no passado, por exemplo, as navegações foram todas bancadas pelos reis, através de recursos que tinham. E a sociedade não era capitalista.

Na Idade Média havia de ter algo para pagar os fabricantes dos castelos.

Bem verdade, que o problema era resolvido, através de escravidão em boa parte, mas havia alguma coisa que circulava que se chamava dinheiro, seja moeda, ouro, etc. Não é à toa que os espanhóis e portugueses vieram para cá com sangue na boca atrás de riquezas.

Faz tempo que a humanidade chegou em um modelo de troca mais dinâmico que é o dinheiro.

Surgem, então, no século VII a.C., as primeiras moedas com características das atuais: são pequenas peças de metal com peso e valor definidos e com a impressão do cunho oficial“, tirei daqui.

Note a data IV antes de cristo!!!!

Mais de 2,4 mil anos atrás.

Assim, o dinheiro e um setor que cuida do mesmo não foi inventado pelo capitalismo. É algo que vai existir EM QUALQUER SISTEMA ECONÔMICO, como uma ferramenta para facilitar as trocas. Ainda mais quando aumentamos a Complexidade Demográfica!

Aliado ao setor financeiro, temos o setor produtivo, que é financiado por ele de alguma forma.

O setor produtivo é o responsável por produzir bens e serviços.

Há uma relação – e isso vai haver em qualquer sistema econômico – entre os recursos financeiros e o produtivo.

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Quando os críticos do Capitalismo resolveram batizar o Sistema Econômico atual, resolveram destacar o lado Financeiro como o principal do novo sistema econômico.

O termo capitalismo foi criado e utilizado por socialistas e anarquistas (Karl Marx, Proudhon, Sombart) no final do século XIX e no início do século XX, para identificar o sistema político-econômico existente na sociedade ocidental quando se referiam a ele em suas críticas, porém, o nome dado pelos idealizadores do sistema político-econômico ocidental, os britânicos John Locke e Adam Smith, dentre outros, já desde o início do século XIX, é liberalismo, tirei daqui.

  • Note-se que define-se o sistema econômico passado como Feudalismo, um sistema baseado no Feudo.
  • E o Capitalismo, um sistema baseado no capital e não em empresas, pois se dá um destaque ao aspecto financeiro.

(É importante também notar a luta social e política que foi criar um ambiente político e econômico contra o poder monárquico e do clero. Os liberais eram libertários para a época.)

Seria, a meu ver, comparar banana com laranja, pois houve também um setor financeiro no feudalismo, incipiente, mas houve, como antes também. Quem inventou os bancos e os banqueiros não foi o capitalismo!

Veja como definimos economia:

“A Economia ou ciência econômica (português brasileiro)) é uma ciência que consiste na análise da produção, distribuição e consumo de bens e serviços.”

Assim o termo capitalismo esconde  o lado produtivo do atual sistema econômico. E todos são chamados de capitalistas, desde o dono do botequim da esquina até o dono da maior financeira de Wall Street.

Ambos querem explorar os pobres e escravizá-los, o que é muito mais mito do que realidade, pois os dois, em vários momentos, têm interesses diferentes em certa medida.

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Assim, se vamos alinhar, pela lógica, com feudalismo, o feudo como centro da produção, teríamos, pela lógica, algo como o “empresismo”.

Um sistema econômico que tem como base produtiva as empresas (públicas ou privadas) que trabalham sob um modelo de contratação de funcionários, com salários negociados entre as partes.

Saímos de um modelo mais escravagista para um em que o trabalhador foi, aos poucos, ganhando mais liberdade de escolha onde se deve trabalhar, o que não quer dizer que estamos no paraíso.

O que percebo quando se critica o capitalismo é que se imagina que temos agora um ambiente de usura e ganância, mas que antes dele era muito melhor. E que o dinheiro só é algo reverenciado agora e não o foi no passado.

Ledo engano.

O que se propõe é criar um novo ambiente econômico baseado em outra lógica, onde a administração da ganância não entraria, pois seria constituída de seres humanos sem ganância, bons, puros e livres.

usura

A meu ver, pelo que a história nos mostra, e eu gosto de aprender com ela, o ser humano há mais de 10 mil anos teve e sempre terá que lidar com esse tipo de transtorno da ambição: fama, poder e dinheiro.

É preciso uma sociedade que possa regulá-los.

Quando se propõe sistemas alternativos, como o socialismo ou o comunismo, imagina-se um ambiente econômico em que não vai haver um sistema financeiro, nem dinheiro e que todos trabalharão e viverão de uma forma mais harmônica pelo bem comum.

Qualquer aposta nessa direção deveria já ter sido testada em um espaço pequeno, como já tivemos em vários pontos isolados, lembro dos Kibutz em Israel, que estão cada vez mais dentro do ambiente do empresismo.

Marx quando imaginou o comunismo imaginou um sistema ideal que:

O comunismo (do latim communis – comum, universal) é uma ideologia política e socioeconômica, que pretende promover o estabelecimento de uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida, baseada na propriedade comum e no controle dos meios de produção, tirei daqui.

Sua inspiração foi afirmar que no passado as tribos viviam sem propriedade privada, e que esta não seria inerente ao ser humano, podendo imaginar uma sociedade de comuns = comunismo, sem classes e sem propriedades.

Porém, é preciso entender e a Antropologia Cognitiva pode ajudar nisso algumas coisas:

– existe uma Conjuntura Tecno-demográfica que moldará a sociedade, conforme o tamanho da população nesta direção, conforme a fórmula da Complexidade Descentralizadora:

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Ou seja, vamos começar a construir um novo modelo econômico e político terá que refletir e ser eficaz para atender à essa Conjuntura, muito mais descentralizado do que o atual.

A meu ver o capitalismo, que é a criação de redes de produção mais livres, tendo o interesse de cada indivíduo como motivação, através do lucro, não foi uma vontade daqueles “capitalistas”, mas uma saída da espécie para criar um ambiente de produção compatível com o aumento demográfico em curso, com seus méritos e vícios.

Toda a possibilidade que tivemos de saltar de 1 para 7 bilhões foi justamente pela capacidade de manter essa rede funcionando e se reinventando.

SUPERPOPULAÇÃO

Ou seja, tivemos o desenvolvimento de um setor produtivo e de um setor financeiro que foi se sofisticando ao longo dos últimos 200 anos, criando uma rede responsável por colocar produtos e serviços para 7 bilhões de habitantes.

As críticas pertinentes ao atual ambiente econômico, a meu ver são:

  • – forte concentração produtiva, em todo o mundo;
  • – forte concentração do capital, com problemas para toda a sociedade, incluindo o setor produtivo;
  • – desigualdades sociais com baixa capacidade de autonomia de grande parte da população mundial.

Eu diria que esses problemas são resultados de, pela ordem:

  • – concentração de ideias;
  • – de oportunidades;
  • – de inovação;
  • – e, portanto, do capital.

Veremos que a grande reforma do sistema econômico atual será feita não pela política, mas através das primeiras experiências econômicas distributivas dos empreendedores. Isso formará um novo quadro de empreendedores, que vão demandar um ambiente político compatível. Diria até que estão fazendo mais pela descentralização da sociedade que todos os partidos políticos juntos!

(Se olharmos o surgimento do “capitalismo”, veremos que primeiro veio o ambiente econômico, que depois demandou um sistema político compatível e não o contrário!)

Assim, ao destacar a parte financeira do atual sistema econômica, como se fosse o carro chefe, aliar essa parte a ganância, como se fosse invenção do sistema e acreditar que qualquer outro ambiente econômico não terá finanças é trabalhar com conceitos PROFUNDAMENTE equivocados.

Acreditar que a atual concentração é resultado do próprio sistema é natural, mas já temos novas ferramentas teóricas para entender que trata-se de um momento que começa a chegar a seu limite, com as novas possibilidades que o mundo digital aponta.

É isso, que dizes?

 

 

5 Responses to “Capitalismo é um conceito equivocado e por causa disso gera muita confusão”

  1. […] Complexidade Descentralizadora: aumento de Complexidade Demográfica com novas Tecnologias Cognitivas geram Descentralização de Produção, Inovação, Ideias e de Governança, criado em 03/07/14, veja aqui pela primeira vez. […]

  2. […] Capitalismo – http://nepo.com.br/2014/07/03/capitalismo-e-um-conceito-equivocado-e-por-causa-disso-causa-muita-con… […]

  3. […] Quem conhece o blog sabe que rejeito o conceito capitalismo e chamo de empresismo (até que tenha um nome melhor) ver a polêmica aqui. […]

  4. […] Já disse aqui que o conceito capitalismo, a meu ver, é equivocado, mas uso para chamar a atenção, mas não como referência teórica. […]

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