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  • O uso de dois pesos e duas medidas também costuma ser chamado de hipocrisia – Rodrigo Constantino – da coleção;

 (O post é um resumo e um mix de outros para aprofundar o tema.)

Segundo Houaiss, Hipocrisia é o ato ou efeito de fingir, de dissimular os verdadeiros sentimentos, intenções; fingimento, falsidade.

A hipocrisia é a cortina social entre o que falamos para todos e o que fazemos, no particular ou até no público, mas não queremos que joguem luz.

Gandhi propunha menos hipocrisia na ação do mundo ao defender que:

Você tem que ser a mudança que você quer para o mundo”

Ou seja, trabalhar com uma taxa baixa de hipocrisia. Nesse buraco está a diferença entre a intenção e, de fato, o que se pretende. Mas tem um dado interessante:

A hipocrisia da sociedade é maior ou menor, conforme o controle dos filtros de informação.

Quanto mais controlada for a informação, mais hipocrisia, por tendência, teremos, pois se dirão coisas que não se poderá comprovar, na prática, se estão coerentes com o discurso.

O poder adora escuridão.

Todo regime autoritário nos leva a fechar/controlar a mídia para esconder os fatos.

Já vi gente defender a volta da ditadura, pois nada melhor para a hipocrisia do que a sombra.

É melhor não saber, ou pensar, vamos fingir que não existe.

A Internet é uma revolução da informação que vai refazer a nossa civilização justamente rever a hipocrisia 1.0.

Vamos construir uma nova sociedade, com novos valores, sendo que a hipocrisia atual ficará velha e criaremos uma nova, verdinha, que aos poucos vai amadurecer, pois aprender  manipular a hipocrisia da vez é a arte de qualquer poder.

Foi o que aprendemos nos últimos 500 anos depois da monarquia e o poder da igreja.

Acorda, não há poder sem hipocrisia!

O que existe são taxas de hipocrisia, no qual o poder se sente iluminado pela luz da informação e fica meio sem ação.

O que se tenta é ir controlando o foco de luz para criar o que se deseja na sombra.

O ego humano sempre quer que o indivíduo e seus desejos sejam maiores do que o coletivo e para isso serve a sombra onde a hipocrisia planta suas árvores.

Vivemos com a redes sociais uma hipocrisia mais complexa,  sem dúvida.

A informação está lá, mas há que se ter um esforço para ser difundida, pois a vida em sociedade é essa eterna luta para reduzir (mas nunca acabar, pois é impossível) o espaço contra os abusadores do coletivo,  do bem comum.

Uma sociedade saudável é aquela que recicla sua hipocrisia em menos tempo e vice versa.

Estamos no início da batalha de saber usar melhor as verdades que estava escondidas (vide Wikileaks).

Esse é o  cenário da luta contra a hipocrisia 1.0.

Reduzimos, assim, o  espaço das  mentiras  sociais, construindo uma sociedade menos hipócrita, do que a passada, porém mais hipócrita que a futura, num eterno jogo de poder/hipocrisia/controle da informação.

Sobre hipocrisia ainda diria mais.

Que a hipocrisia da atual sociedade tem seu preço e está atrapalhando.

Atrapalha a todos, por isso teremos o surgimento ainda incipiente de uma nova classe social dominante menos hipócrita, que vai assumir os rumos do capitalismo 2.0, ou seja lá o nome que vamos dar para criar uma nova hipocrisia 2.0, mais competente que a atual.

(Que obviamente se não for vigiada vai criar a sua própria incompetência, sombra e hipocrisia.)

No velho filme, assim, caminha a humanidade.

Vejamos.

O crescimento populacional deu uma apertada geral na sociedade.

Não dá mais para determinadas incompetências acontecerem.

É cara, anti-produtiva, não gera valor. E explode em crises.

Toda a incompetência sempre bate no muro da próxima crise!

A incompetência é fruto de algo que se faz, se repete, ninguém vê (ou não se quer ver), ninguém pune e continua a se repetir. Há, assim,  uma relação entre incompetência, sombra e hipocrisia. Quanto mais incompetente é determinada sociedade, empresa, governo, mais vai precisar de hipocrisia entre o que faz e o que diz que faz para se manter incompetente.

 

Para isso, vai fazer fumaça para reduzir a transparência, ampliando a sombra para esconder a hipocrisia, que, por sua vez, mantém a incompetência.

Transparência significa reduzir o espaço entre o que se diz e de fato faz.

E, dar subsídios, para o coletivo corrigir o que está inviável, atrapalhando a todos.

Revoluções informacionais têm essa característica.

 

Vêm ao mundo para reduzir determinada hipocrisia, que gera uma  incompetência, dentro de determinada sombra, que atrapalha o produzir para mais gente, quando há um salto quântico, como agora, na demografia.

Isso é feito basicamente dando espaço para novos talentos olharem velhos problemas com olhos novos e darem novas soluções, viáveis a partir da troca que se estabelece nos novos canais, no caso, a Internet.

Uma revolução social faz isso de forma limitada, pois são poucos olhos.

Numa revolução da informação são muitos, ao mesmo tempo, é uma revigorada geral na civilização inteira.

Se me perguntarem qual é o objetivo da chegada da Internet no mundo, direi:

A Internet é uma nova mídia que veio resolver uma crise de demanda, em função do aumento da população, que precisa de um ambiente produtivo mais eficiente, por isso mais inovador e, portanto, com mais liberdade e, principalmente, qualidade e velocidade de informação.

No mundo pós-Internet já temos algumas tendências para reduzir a hipocrisia, que é monitorar o que antes não era monitorado.

O quadro da televisão em Barueri do CQC é exemplar.

Chip, celular, satélite dentro de uma televisão doada para uma escola mostrou o desvio de conduta da diretora que levou o aparelho para a casa dela.

O bip colocado dentro da tevê levou o pessoal da televisão para a casa da marginal da educação, como um cavalo de tróia, que apitava.

Alta tecnologia do século XXI (transparente) contra um fazer do século XIX (sombra), tirando de crianças uma aparelho.

Quer algo mais perverso do que isso? (Não seria um crime hediondo?) É um exemplo claro da relação que se estabelece entre hipocrisia x transparência / sombra x luz / fazer x dizer / tecnologia nova x prática antiga.

O mundo tecnológico-cognitivo, com menos controle informacional e mais fontes alternativas de informação,  inibe a hipocrisia passada. No caso, usou-se na mídia antiga com ferramentas novas.

Note que o pessoal do CQC é filho do Youtube, novos talentos, novo formato, que rapidamente migra também para a Internet, o video lá bombou! Do que se trata afinal?

Precisamos de uma nova classe social que consiga saber utilizar a nova sombra que essa nova mídia proporciona com taxas maiores de competência e menores de hipocrisia.

Ela vem com a missão de  resolver as demandas postas, não compatíveis com a filosofia, tecnologia, metodologia, hipocrisia, sombra da classe passada pré-Internet.

Talvez, seja a mesma revigorada, uma nova geração, porém a mudança cognitiva é tão radical, que não acredito que será assim tão fácil.

De qualquer forma, esse é o embate político do século XXI, que apenas está começando: um conjunto de novos capitalistas atuando dentro de uma nova sombra, com menos hipocrisia 1.0  versus os da sombra passada, um modelo produtivo que gere mais valor em um ambiente mais competente.

O mundo analógico deixava poucos rastros e a taxa de hipocrisia tendia a ser maior do que teremos no futuro digital. (Eis a explicação para uma série de distorções sociais do decadente mundo analógico.)

É fato: a digitalização é muito mais cheia de pegadas na areia sem tanto mar para apagá-las:

  • Hoje temos muito mais registros e o que é registrado tem o poder muito maior de diapasão (filmes, fotos, relatos, via redes sociais);
  •  E o que clico e faço é documentado, pois entre e mim e os fatos digitais há um mouse e um teclado.

Há, portanto, um karma digital que agora nos acompanha e nos limita a agir individualmente contra a coletividade. A sociedade ganhou, assim, mais poder de fiscalização sobre ela mesma e seus representantes.

Qualquer sociedade, portanto, será sempre moldada por aquilo que podemos fazer à luz do dia.

Quanto mais luz, menos espaço de sombra e mais atitudes aceitáveis pelo social devemos adotar.

Não por que queremos, mas por sermos obrigados.

  •  Foi o que o papel impresso teve de impacto na vida dos reis e dos papas.
  •  E o que rede digital fará (e já começou) com a política atual das organizações (públicas e privadas) de todos os setores.

Portanto, o mundo 2.0 digital tende a ser mais meritocrático, com taxas de hipocrisia menores do que as atualmente praticadas.

Será uma sociedade que não aceitará mais determinadas hipocrisias que campeiam o mundo analógico. Haverá hipocrisias, claro, mas serão muito mais sofisticadas dos que as atuais.  

Que dizes?

2 Responses to “Por que teremos outro tipo de hipocrisia com as redes sociais?”

  1. […] (Este post ficou velho!!! –> Fiz um outro post mais novo sobre isso aqui.) […]

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