Feed on
Posts
Comments

Uma Revolução Civilizacional, motivada pela massificação de nova mídia descentralizadora, provoca o que podemos chamar da “explosão do eu”.

Mídias concentradas geram massificação de identidades, baixa capacidade de diálogo. A identidade de cada um não é estimulada e se vai, aos poucos, aumentando a taxa de percepção do eu de fora para dentro e reduzindo a de dentro para fora.

Na passagem da mídia concentrada para descentralizada, as pessoas passam a ter contato com o diferente e com outras identidades não mais filtradas por um determinado centro.

O estranhamento provoca um questionamento da própria identidade, da forma de pensar.

Há estímulo para que se possa rever as formas de pensar e agir.

É isso, que dizes?

 

Muita gente confunde as duas coisas que são separadas.

Narrativa é uma análise maior sobre determinado problema, que aponta diagnóstico e tratamento. É construída em textos maiores, com argumentações, citações, referências históricas.

Discurso é a apresentação curta dessa narrativa em determinado momento. Se escolhe algum trecho específico da narrativa para a prática do convencimento sobre o diagnóstico e o tratamento.

Podemos dizer que a narrativa é o coletivo de discursos. E que o conjunto de narrativas similares formam uma cosmovisão, que aponta para um diagnóstico e tratamento comum para um conjunto de problemas.

Os algoritmos de plataformas 3.0 foram criados para gerar confiança.

São indicativos criados por pessoas e gerenciados por robôs para tomada de decisão.

Aquela foto foi mais curtida? Por quê? Você ganhou ou perdeu seguidores. Por quê?

São indicativos de caminhos adequados ou inadequados.

No Instagram, diferente de outras plataformas 3.0 se liberou ações em massa.

Alguém, pode seguir centenas de pessoas num dia só para seguir para um determinado perfil é, “deseguir” no dia seguinte.

Não são mais pessoas com critérios individuais em ação, mas máquinas que atuam sem controle.

Há formas de se bloquear tais ações, mas parece que há algo de lucrativo para o Instagram, que não atua sobre a plataforma.

Assim, os usuários não robóticos não têm referência, perde-se a base principal do mundo 3.0: o resgate da confiança.

Assim, no Instagram temos a ordem invertida: são indicativos criados por robôs, a despeito das pessoas.

Se continuar assim a única saída de quem quer mais qualidade e mesmo fazer negócio, caminhar para outro ambiente.

De fora para dentro – o outro atesta que você está feliz;

De dentro para fora – você atesta que está feliz.

Vivemos hoje muito o primeiro e muito pouco o segundo.

A inovação incremental e até a radical podem ser feitas no sucesso de fora para dentro.

A disruptiva apenas se houver compromisso de dentro para fora.

Inovação 3.0 é algo particular, diferente do que tratamos geralmente sobre inovação.

(No fundo, o nome adequado para isso seria Mutação 3.0.)

Não é apenas algo genérico, que podemos chamar de disruptiva, incremental ou radical que são conceitos gerais para uma inovação qualquer.

É, na verdade, uma mutação, uma mudança que deve ser programada de um modelo administrativo para outro, dependendo de cada negócio e problema que gera valor para a sociedade.

A Inovação 3.0 é a passagem de uma Civilização a 2.0 para outra 3.0.

É algo particular, pois é uma mudança com foco, direcionada.

A base da Inovação 3.0 é a chegada de nova mídia, que traz algumas possibilidades, uma sempre, de alguma forma, com vários elementos dos que cito abaixo:

  • Nova linguagem – a dos cliques, que torna possível os projetos do Uber, Waze, AirBnb, Google, com mudanças sensíveis no mercado em que penetra;
  • Novos canais – descentralizados, que permitem que tenhamos a massificação de textos, áudios e vídeos, com forte repercussão social, política e econômica;
  • Novo armazenamento – distribuídos, que viabiliza o Bitcoin e o Blockchain, também “matador” de modelos de negócios tradicionais.

Além disso, o surgimento da primeira geração da “espécie auxiliar do Sapiens”, um cérebro externo, a Inteligência Artificial, que nos permite resolver uma série de problemas de outra forma.

(A Inteligência Artificial é algo completamente inusitado e sem precedentes na história do Sapiens, diferente do surgimento de novas mídias (canais, linguagem e armazenamento).)

O foco princicipal da Inovação 3.0 é a reintermediação.

Reintermediar significa que alguém deixa de intermediar algo para que outro alguém o faça.

Isso é uma passagem de poder.

Temos uma intermediação mais controladora, mais vertical para uma menos controladora, mais horizontal.

O Sapiens combate aumento de complexidade na história, com descentralização das decisões.

E é isso que é o nó para a Inovação 3.0.

Inovar significa abrir mão de um determinado poder para que processos sejam feitos de forma melhor, isso implica alguns pontos hiper-sensíveis, a saber, pois implica:

  • abrir mão de controle, no qual há interesses de todos os tipos;
  • acreditar no novo modelo de controle.

Assim, não é uma passagem simples, pois é algo profundamente arraigado no ser humano.

É por causa disso que a Inovação 3.0 sempre tem sido feita de fora para dentro das organizações tradicionais e nunca de dentro para fora.

As pessoas não percebem a dimensão do que tem que ser feito.

Aposta-se tudo numa mudança tecnológica, na qual “tudo ficam como está”, apenas com novas tecnologias.

Mas não é isso que a Civilização 3.0 demanda e aponta, pois o que o Sapiens precisa para resolver os problemas que o aflige é um novo modelos administrativo mais distribuído, que o permita lidar melhor com os velhos e novos problemas cada vez mais complexos.

É isso, que dizes?

O Sapiens, como qualquer espécie, precisa consumir para sobreviver.

Outras espécies, entretanto, consomem direto na natureza e nós criamos ambiente cultural para isso.

Conforme fomos gradualmente aumentando a população, tivemos que criar organizações intermediárias para prover produtos e serviços.

Existe, assim, o que podemos chamar de Consumo cada vez mais Intermediado e, por sua vez, taxa de “Qualidade de Consumo“.

  • Quanto MAIS o cidadão tiver poder de escolha, maior será a qualidade de consumo, pois menos as organizações de plantão vão impor produtos e serviços aos consumidores.

E vice-versa.

  • Quanto MENOS opções de escolha tiver, mais terá que aceitar a imposição das organizações de plantão.

Quanto maior for a taxa de Qualidade de Consumo, mais o cachorro balança o rabo e menos o rabo balança o cachorro!

Muitos já estudaram os efeitos da qualidade de consumo e as variações de sistemas econômicos com mais ou menos liberdade de concorrência.

Porém, é novo o estudo dos efeitos das Revoluções de Mídia na variação da taxa da Qualidade de Consumo.

Revoluções de Mídia acabam por promover de forma global reintermediações na sociedade, que se iniciam com reintermediações de ideias e depois dos produtos e serviços.

E temos a seguinte regra:

  • Quanto mais intangível é o produto/serviço, mais tenderá a ser atingido diretamente por Revoluções de Mídia;
  • Quanto mais tangível é o produto/serviço, menos tenderá a ser atingido diretamente por Revoluções de Mídia.

Porém, mudanças de mídia acabam por atingir todos os setores INDIRETAMENTE, pois o consumidor quando é empoderado de novas mídias, se modifica, pois:

  • Passa a receber informações de mais fontes, incluindo de outros consumidores;
  • Passa a comparar preços e qualidade de atendimento com mais facilidade;
  • Aumenta senso de comunidade, através de grupos que se conectam de forma permanenete com mais facilidade do que no passado;
  • É afetado por novos modelos de negócio, modificando parâmetros de consumo;
  • Tem mais espaço para reclamar e ser ouvido por outros consumidores.

Uma Revolução de Mídia aumenta assim, a taxa da Qualidade de Consumo da sociedade, alterando os parâmetros do consumidor, que fica mais exigente.

O viés da Qualidade de Consumo passa de baixa/ou estável para alta,  pressionando por mudanças nas organizações de plantão.

Mudanças nas mídias, assim, promovem a melhoria da taxa da Qualidade de Consumo, pois se descentraliza o poder midiático da sociedade.

O poder da sociedade é, e sempre será, fortemente baseado no controle dos canais midiáticos/produtivos, que numa revolução desse tipo, se descentralizam por mudanças tecnológicas.

A demanda pelo aumento da taxa da Qualidade de Consumo pelo cidadão se dá de forma rápida e massificada, tendo forte impacto para as organizações tradicionais de plantão, que estavam acostumada a um consumidor muito menos exigente.

As mudanças, no caso da Revolução de Mídia Digital, são mais profundas, pois os novos modelos de negócio que surgem, operam num modelo de controle consumidor-fornecedor e empresa-colaborador completamente distinto:

  • Surgimento de novos modelos administrativos, que permitem a avaliação constante da Qualidade de Consumo, via estrelinhas (Uber, AirBnb, Mercado Livre, etc.);
  • Alteração do ambiente de negócios, com financiamento descentralizado, sinergia, difusão de cultura empreendedora, que permite o surgimento de cada vez mais concorrentes disruptivos;
  • Relação fornecedor-empresa muito mais flexível, com pessoas entrando e saindo, através da avaliação permanente e online da taxa de reputação digital, fornecida a cada ato de consumo.

Não é apenas mudança tecnológica, mas cultural/administrativa, que altera a forma como o consumo é exercido, transferindo o poder fortemente para o cidadão.

Se consegue, com isso, novo patamar na Qualidade de Consumo, em outros parâmetros, o que torna o antigo modelo organizacional cada vez mais obsoleto.

A migração de um modelo para outro é processo que tem quer ser feito, através de metodologia de migração administrativa bimodal, com duas frentes:

  • Bimodal Administrativo 1 –  continua a operar no modelo antigo;
  • Bimodal Administrativo 2 –  outra, do lado de fora, no modelo novo.

Algo  que o mercado vem absorvendo lentamente, mas vem.

É isso, que dizes?

 

 

 

 

Se alguém me perguntar o que realmente é novo e MAIS original nas minhas ideias, diria que a é a toria do Descentralismo Obrigatório.

É resultado final de somatório de conceitos preliminares que formam teoria maior.

Convidei Thomas Malthus, Charles Darwin e Marshall McLuhan para ” conversar” – o que me levou a algo completamente diferente de como pensamos o humano, a sociedade e a forma como caminhamos no tempo.

Fui anotando tudo que “eles diziam” ou acho que diriam e fui avançando pela estrada.

O que fiz na prática foi:

  1. foquei num problema único ao longo de 20 anos de pesquisa, capacitação, consultoria, desenvolvimento de produtos e serviços: o que é a revolução digital? Causas? Consequências? Metodologias recomendadas?
  2. procurei autores – sem nenhum preconceito de qualquer tipo – que realmente poderiam me ajudar neste desafio;
  3. promovi diálogos entre eles McLuhan-Malthus, McLuhan-Darwin, Darwin-Malthus e todos comigo;
  4. cheguei a conclusões preliminares a partir destes diálogos paralelos entre eles;
  5. e, por fim, desenvolvi a teoria do Descentralismo Obrigatório para estimular a reflexão o debate e, principalmente, a ação.

Este texto é o primeiro que faço, com tal clareza de roteiro, que me permite explicar o passo a passo do meu trabalho.

Vejamos os conceitos estruturantes do Descentralismo Obrigatório, que podem ser considerados em parte ou no todo:

  • Demografismo – a ideia de que o Sapiens é espécie que cresce demograficamente é de Thomas Malthus – o que fiz foi dar este nome e criar sinergia com os outros dois conceitos estruturantes do trabalho: Cognitivismo e Progressivismo, sugerindo nova visão sobre o papel da demografia na Macro-História do Sapiens;
  • Cognitivismo – conceito criado para dar forma às ideias de Marshal McLuhan, para quem: mudou a mídia, mudou o cérebro, mudou o cérebro, mudou a sociedade (“o meio é a mensagem”), que juntei ao Demografismo e ao Progressivismo, oferecendo nova visão sobre o papel das mídias na Macro-História do Sapiens;
  • Progressivismo – conceito criado para resumir as ideias de Darwin, que diz que somos, como as outras espécies mutantes, mas que ganharam novas cores com as ideias do Demografismo e do Cognitivismo, propondo nova visão sobre o papel da mutação no modelo de sobreviviência do Sapiens na Macro-História.

(Note que Malthus é autor maldito e McLuhan, surpreendentemente ignorado. Os dois foram muito úteis para meus propósitos, o que, a meu ver, demonstra que preconceitos intelectuais deve ser evitados.)

Foi o somatório de Demografismo + Cognitivismo + Progressivismo que obtive o = Descentralismo Obrigatório.

Com a junção dos três autores e minhas intuições e contribuições, pude perceber novos fenômenos humanos, que não estavam claros.

Diálogo Malthus-McLuhan – a relação das mídias com a demografia

A primeira conversa foi de Malthus com McLuhan.

Vejamos a regra da macro-história na soma de Cognitivismo Demográfico ou o Demográfico Cognitivismo:

Crescemos demograficamente quando temos novas mídias e novas mídias nos fazem crescer demograficamente.

Isso é uma proposição nova para a compreensão da Macro-História, a partir do diálogo destes dois autores.

Vivemos, assim, espécie de espiral.

Mídias são remédio sistêmico para a espécie, pois nos ajudam a sair de crises demográficas, pois permitem a criação de ciclos de inovação.

O ciclo de inovação, entretanto, que nos permitem a voltar a crescer demograficamente – acaba por nos levar à nova crise civilizacional.

Assim, o Sapiens viverá, de tempos em tempos, crises demográficas civilizacionais, pois cresce em membros e precisará de novas mídias para se reequilibrar, em ciclos contínuos.

Há um fenômeno histórico cíclico que podemos chamar de Crises Midiáticas-Demográficas Civilizacionais. Não podemos pensar a história sem esse componente.

Diálogo Darwin-McLuhan – a relação entre sobrevivência da espécie e tecnologias

Aí tive que refletir sobre modelos administrativos. E fui buscar algo em Darwin e juntar também com McLuhan.

Darwin afirma que espécies são mutantes, incluindo o Sapiens. E McLuhan destaca o lado tecno da nossa espécie. Assim, podemos aferir que outros animais têm modelo de sobrevivência, que podemos chamar de administrativos genéticos. E o nosso é tecnocultural.

O das outras espécies é fixo e o nosso é mutante também por ser Tecnocultural, sujeito às tecnologias.

Neste momento, se forma o que chamei de Triângulo de Sobrevivência das Espécies.

  1. Cada espécie terá modelo de sobrevivência, incluindo o Sapiens;
  2. Que o modelo de sobrevivência é formado por três vetores harmônicos: administrativo, comunicação e complexidade demográfica.

Que o Triângulo de Sobrevivência da Espécie do Sapiens diferente das demais é muito mais mutante, pois a complexidade demográfica é progressiva!

Sendo progressiva, tanto o modelo administrativo e o de comunicação, por ter complexidade demográfica progressiva, precisa ser mutante.

Assim, uma espécie Tecnocultural como a nossa, é muito mais mutante que as demais, pois o modelo midiático-administrativo não é genético, sendo “natural” que promova mudanças midiáticas-administrativas no tempo.

Mais ainda.

Tais mudanças não serão opcionais, mas OBRIGATÓRIAS para evitar crises de sobrevivência!

Por sermos Tecnoculturais, nosso modelo de administração e comunicação NÃO PODEM ser fixos, pois a Complexidade Demográfica é progressiva.

O que leva a sermos – diferentes das outras espécies – não geneticamente mutantes, mas tecnoculturalmente mutantes.

Temos modelo midiático (comunicação) e administração NECESSARIAMENTE e OBRIGATORIAMENTE mutantes.

Os modelos midiáticos-administrativos do Sapiens (isso já faz parte da defesa do Descentralismo) não são fixos – e precisam ser aprimorados no tempo para incorporar mais gente.

Uma espécie que tem Complexidade Demográfica Progressiva terá que ter necessariamente Modelo Midiático-Administrativo Progressivo.

Mudanças administrativas, assim, são “naturais” em uma Tecnoespécie, pois novos modelos midiáticos-administrativos precisam ser criados para se tornar mais compatíveis com o patamar demográfico de plantão.

É algo que qualquer Tecnoespécie (se tiverem outras no universo) precisará fazer.

O Sapiens tem, assim, aprimoramento midiático-administrativo OBRIGATÓRIO.

Aqui, temos conceito ainda também intermediário de Espécie Midiática-Administrativa Progressiva.

O Sapiens será a espécie mais mutante de todas, pela característica Tecnocultural .

Note que tudo isso é o somatório de diálogo entre os autores, que considero mais relevantes para a compreensão do digital: Malthus, McLuhan e Darwin.

Todos vão na linha da resposta a pergunta filosófica:

Quem somos?

O que agrego a tudo isso de realmente novo, fazendo a síntese dos três?

O Descentralismo Obrigatório!

Não só vamos modificar nosso modelos midiático-administrativos no tempo, mas faremos isso na direção da descentralização obrigatória.

Gradual aumento do poder de decisão de cada pessoa sobre cada vez mais problemas.

O que muita gente defende como bandeira política algo que “seria bom” que ocorresse, cheguei a conclusão que é movimento NATURAL, INEVITÁVEL E OBRIGATÓRIO do Sapiens.

Vai ocorrer naturalmente, mesmo que se queira impedir.

As novas mídias e, a seguir, novo modelo administrativo, surgem como movimento sistêmico necessário para lidar com a complexidade demográfica.

Fazem parte do que podemos chamar de ações sistêmicas da espécie (para não chamar de macro-evolutivas).

A descentralização administrativa, mais poder para cada indivíduo, é a única forma no longo prazo de lidar com a complexidade demográfica progressiva.

Todas as regiões que tiverem papel de liderança estarão adotando o modelo mais descentralizador possível. A descentralização será o diferencial competitivo.

E todas as regiões, aonde tiver Sapiens, tenderão a migrar para essa direção, mesmo que leve tempo, em função das barreiras Tecnoculturais anteriores.

Assim, o que posso dizer para definir o Descentralismo Obrigatório?

Somos Tecnoespécie que cresce demograficamente, o que nos força a criar, de tempos em tempos, mídias mais descentralizadas, que nos empoderam e permitem tomar decisões melhores, através de modelos administrativos mais descentralizados e distribuídos. Isso não é opcional, mas obrigatório. E ocorrerá naturalmente, pois, além de todos os movimentos Tecnoculturais, os cérebros das novas gerações vão sendo moldados pelas novas mídias – tornando esse movimento ainda mais “natural”.

Olhando de onde comecei para agora, não imaginava que fosse tão longe, mas nada como um passo depois do outro.

É isso, que dizes?

O surgimento da Civilização 2.0  demonstra que há crise profunda de como pensamos nossa espécie.

A vida está mostrando CLARAMENTE que não éramos que achávamos que éramos, não conseguimos nos diferenciar de forma adequada dos outros animais.

O fato de sermos a única espécie que cresce demograficamente é algo que – estranhamente – não passa pela preocupação dos pensadores das Ciências Humanas.

  • Por que que como conseguimos tal proeza?
  • Quais são os custos obrigatórios (passados e futuros) quando aumentamos a população?
  • Qual a relação que as mídias e as tecnologias têm com o crescimento demográfico e com os modelos administrativos do Sapiens?

O Sapiens tem um modelo administrativo geral/estrutural? Este modelo administrativo é mutante? Se sim, por que muda e em que direção?

A vida nos impele a refletir sobre os fatos recentes.

É preciso assumir que a nossa “professorinha maior” está nos apontando a necessidade de voltar para o laboratório para estudar mais – MUITO MAIS.

A Civilização 2.0, que me parece hoje algo natural, é incompreensível para as Ciências Humanas de plantão, pois a forma como pensamos o Sapiens precisa ser disruptivamente alterada.

É isso, que dizes?

 

Nada ocorreu no passado como agora: a passagem de uma Civilização para outra.

Há duas grandes novidades para o Sapiens, que justificam o diagnóstico de mudança civilizacional:

  • Chegada e massificação de nova mídia disruptiva;
  • Chegada e massificação do uso de cérebro paralelo (inteligência artificial).

No passado, podemos dizer que já tivemos a passagem incremental ou mesmo radical de mídias, mas que mantinha a mesma topologia administrativa, através de líderes-alfa centralizados e intermediadores.

O Airbnb (nova linguagem dos cliques), Blockchain (modelo de armazenamento distribuído), Youtube (novos canais descentralizados) e o Uber Pool (inteligência artificial tomando decisões sozinha) nos aponta para o surgimento de um emergente novo ambiente administrativo. 

A nova mídia é, assim, disruptiva, pois permite criar, a partir dela, novos modelos administrativos sem o antigo líder-alfa, que é substituído por novas possibilidades de controle mais descentralizadas (ou pelo consumidor/fornecedor ou por robôs inteligentes).

Além disso, é a primeira vez que temos, em paralelo ao surgimento de nova mídia, a massificação de  cérebro paralelo, não humano, capaz de tomar decisões e ajudar – ou mesmo criar – o novo modelo administrativo não centralizado em líderes-alfas.

Qualquer comparação que tenha tentado fazer para comparar este momento histórico com outro não se acha na macro-história.

O que pode nos apontar a maior ruptura já promovida e vivida pelo Sapiens na sua caminhada.

Há momentos similares, mas nada como isso. É o início, de fato, de nova civilização, que muda a sua estrutura básica: a passagem de uma topologia mais vertical para uma radicalmente mais horizontal.

Temos ainda alguns outros movimentos relevantes, que podem complementar macro-novidades para essa Civilização 2.0: as mudanças genéticas no Sapiens e possíveis viagens no espaço distante e no tempo, a partir de novas descobertas da física.

Não é fácil compreender tudo isso na dimensão que é preciso, pois nossas mentes/cérebros não foram concebidos para mudanças nessa ordem e escala de disrupção.

O processo irá ficando mais claro com o tempo e conforme os inovadores disruptivos vão mostrando, na prática, o quanto é diferente o que podemos fazer com as novidades.

E o quanto o que fazíamos até aqui não era resultado de “nossa natureza”, mas das tecnologias que tínhamos disponível.

A marca para a grande virada foram: a chegada de 7 bilhões de Sapiens e novas mídias disruptivas, os pais da Civilização 2.0, que se inicia.

É isso, que dizes?

Uma mente disruptiva basicamente é aquela que consegue ter mais espaço imaginativo.

Digamos que o cérebro tem três áreas: a imaginativa, a memorizadora e a processadora.

Nós estamos no epicentro das três.

Mente disruptiva é aquela que tem área imaginativa maior, que lhe permite comparar o que vê na vida e comparar com o que o cérebro considera “verdade”.

E se inicia processo de pensar algo diferente.

Existe ali espaço para pensar coisas diferentes, bem como questionar o que aprendeu pelas autoridades de plantão.

Uma mente criativa, como dizia Einstein, não é feita apenas de conhecimento, mas principalmente de imaginação.

Imaginação é a capacidade de criar imagens – imagem-nar.

Só é possível criar imagens se há espaço no cérebro para isso.

É preciso uma espécie de sala de exibição, na qual se pode  experimentar visão própria do mundo.

É neste ambiente privado entre o mundo e o que a pessoa apreendeu, que se imagina algo diferente, pessoal, e surgem as ideias disruptivas.

Quanto maior for a área e mais a pessoa tiver capacidade, tempo e recursos para prospectar sobre o que já foi pesquisado sobre aquele problema, mais aquele tipo de cérebro será capaz de promover a disrupção.

É isso, que dizes?

Não temos um cérebro, mas tecnocérebro.

Diferente do leão, o Sapiens precisa de mídia (aquilo que está no meio de nós) artificial para viver.

O leão tem mídia genética, nós tecnomídia.

As tecnomídias dão suporte ao cérebro do Sapiens para que possa funcionar.

Assim, o cérebro “veste” as mídias (que mudam no tempo) e se ajusta a elas, promovendo adaptações para operar da melhor forma possível as de plantão.

Assim, nosso cérebro tem mutação incremental ao longo do tempo e radical ou disruptiva quando chegam novas mídias.

Da seguinte forma:

  • No curto prazo (anos e décadas), mídias alteram a plástica cerebral – a camada mais mutante do cérebro.
  • No longo prazo (séculos e milênios) a própria estrutura, tamanho das partes.

A plástica cerebral modifica, a meu ver, e altera as três áreas do cérebro:

  • “As planilhas” – aonde armazenamos dados;
  • “O processador” – que procura os dados e processa pedidos;
  • E a área da reflexão – parte consciente, que chamamos de “eu”.

Novas mídias permitem que dados que precisavam ser memorizados sejam “gravados” do lado de fora nas novas mídias.

(Foi assim na escrita e agora no digital. É um alicerce fundamental para a espécie lidar com mais complexidade demográfica.)

Há, assim, liberação de mais espaço da memória de dados no cérebro – o que nos leva à redução de carga de memorização.

Há, por causa disso, mais espaço cerebral para outras atividades de processamento e reflexão.

Com tudo isso, a área reflexiva é, além de ter mais espaço, fortemente estimulada por novas ideias e informações.

Há, em paralelo, aumento da “musculação” do processador que sai de certa inércia para atividade constante com a chegada das novidades.

Assim, temos, com a chegada de novas mídias, atividade cerebral muito maior, na direção do questionamento dos antigos modelo.

As antigas “planilhas”, aonde os dados estavam armazenados, compatíveis com as mídias hegemônicas passadas, começam a ser descartadas.

Há, portanto, aumento de intensidade das atividades mais criativas e inovadoras com redução de algumas áreas memorizadoras.

Isso explica os surtos de inovação que ocorreram com a chegada de novas mídias (Grécia/alfabeto grego, Europa/escrita impressa e século XXI/digital).

Há estímulo e alterações da plástica cerebral em curto espaço tempo, pelo intenso uso da nova mídia por muita gente ao mesmo tempo.

Assim, quando falarmos no futuro na sequência das mudanças que ocorreram no novo milênio, não podemos esquecer que as mídias começaram é logo o cérebro de cada um que, antes de mudanças sociais, começaram o processo de mudança a seguir.

É isso que dizes?

Ps –

Além disso, se aumenta contatos horizontais, reduzindo antigos intermediadores, autoridades.

Há, assim, alteração do que podemos chamar de hierarquia da plástica cerebral.

O cérebro se acostuma a operar por um tipo de fluxo de informação que se horizontaliza, abrindo espaço para receber novas ideias e informações de fontes laterais.

Mas sobre isso, falo depois.

Vimos aqui as três áreas do modus operandi do cérebro: planilhas, processador e memória RAM.

A memória RAM é espaço que cada um tem de refletir sobre a relação que estabelece com a vida e promover ajustes necessários no modus operandi do cérebro.

É o que podemos chamar de área de consciência, ou de percepção ou ainda de reflexão.

O “eu reflexivo”

A memória RAM foi criada, assim, para ser uma ferramenta de resiliência com a mutação da vida.

Visa promover revisões das mais simples às mais complexas para o Sapiens se adaptar às diferentes mudanças externas, que sempre ocorrem.

Quando vemos que a nossa vida tem problemas, nos esforçamos para promover ajustes dentro (no modus operandi) e fora (na metodologia)

É a memória RAM que vai levantar questões, pois é a parte consciente do cérebro, que podemos chamar de “eu”.

O “eu” vai pedir ajustes.

Na parte interna do cérebro, os dados ficam armazenados nas estruturas das planilhas criadas por teorias, que os organizam e formatam.

O processador irá procurar dados, pré-formatados nestas planilhas teóricas para procurar as respostas que o “eu” formula.

O aparato todo é gerenciado pelas filosofias de plantão.

As filosofias definem questões num nível mais geral e abstrato, que permitem rever a estrutura das planilhas e da própria forma de atuação do processador, diante dos resultados que cada pessoa está tendo na vida.

Cada pessoa, do acordar ao dormir, vai praticar metodologias ao longo do dia compatíveis com o modus operandi do cérebro.

Metodologias são, assim, resultado da interação entre as três áreas do cérebro: “eu reflexivo”, planilhas e processador.

Ninguém atua na vida sem metodologia – forma de agir no mundo.

Quando as metodologias começam a causar problemas é hora de revisar processos: há algo que precisa ser revisto no modus operandi do cérebro.

É isso, que dizes?

O cérebro tem três áreas.

  • Planilhas, aonde guardamos os dados;
  • Processador que acessa os dados destas planilhas, quando necessário;
  • E memória RAM, que permite fazer ajustes nas planilhas e no processador, quando necessário.

O objetivo principal do cérebro é o de ajudar o Sapiens a se relacionar com a vida, aprender com ela, e conseguir se adaptar às mudanças para seguir vivendo com a melhor qualidade possível.

O cérebro saudável é, assim, resiliente, pois vivemos e sempre viveremos num ambiente mais ou menos mutante.

E, por causa disso, precisa de espaço de memória RAM para conseguir rever o processador e as planilhas para promover ajustes compatíveis com as mudanças de cenário.

Um cérebro dogmático, anti-inovação, reacionário, por exemplo, é aquele que tem pouco, quase nenhum, espaço de memória RAM e, por causa disso, não consegue perceber a obsolescência do modus operandi do cérebro com as mudanças da vida.

É cérebro que não consegue rever as estruturas básicas do cérebro (planilha/processador) e, assim, tem baixa resiliência ao cenário novo.

Tal perfil de cérebro sempre deposita as informações que chegam, independente se novas ou diferentes, nos mesmos lugares e da mesma forma, mesmo que com resultados qualitativos cada vez menores.

O cérebro, assim, não consegue acompanhar as alterações de cenário, vai se tornando obsoleto.

É cérebro de baixa taxa de resiliência, pois o ambiente externo sempre foi e será mutante e, por causa disso, planilhas e processadores cerebrais, sem ajuste, ficam obsoletos diante das alterações no cenário.

Determinados modus operandi cerebrais, assim, ficam obsoletos no tempo pela incapacidade de ajustes estruturais.

Já cérebro incremental saudável, por exemplo, sem transtorno dogmático, percebe que fatos novos exigem novas planilhas e novas formas de operar o processador e procuram alternativas.

Por fim, há o cérebro disruptivo, com maior memória RAM, que consegue não só perceber a obsolescência do modus operandi do cérebro, mas conceber ajustes nas planilhas e no processador, ajustando-as ao novo cenário.

São filósofos, teóricos, criadores e empreendedores de todos os tipos em diversas áreas, que provocam o novo.

O cérebro, assim tem modus operandi, com três áreas distintas: processador, planilhas e memória RAM.

E três tipos de usuários: dogmáticos, incrementais e disruptivos.

É isso, que dizes?

Novas mídias permitem que parte do que era guardado na memória seja armazenado fora.

Tal movimento libera áreas do cérebro para poder criar, inovar, inventar.

Foi o que ocorreu com a escrita, tanto nas letras quanto nos números.

Assim, quando temos a chegada de novas mídias, que permitem a liberação de áreas do cérebro temos eras criativas.

Além disso, a disseminação de informações pelas novas mídias permite que mais mentes disruptivas, fora das estruturas tradicionais possam produzir mais ideias disruptivas.

E possam, com mais facilidade, se abastecer de subsídios com outras mentes disruptivas, mesmo trocar, criando movimento virtuoso.

Assim, novas mídias provocam renascimentos civilizacionais.

É isso, que dizes?

Há dois ramos principais da ciência:

  • Onde vivemos – ciência do ambiente/ natural;
  • Quem somos – ciência humana.

A ciência do ambiente/natural é menos complexa e mais isenta. Permite trabalho de laboratório em muitos casos, o uso mais da matemática. E, por causa disso, nível menor de refutação.

Já a ciência humana é mais complexa e menos isenta. Não permite quase nunca trabalho de laboratório, assim reduz o uso da matemática. E, por causa disso, admite nível maior de refutação.

Qualquer tese na ciência humana dificilmente terá adesão geral.

Autores disruptivos serão utilizados para defender determinadas linhas de propostas sociais, pois há certas escolhas abertas diante do futuro.

E serão mais ou menos referenciados e idolatrados por aquele segmento.

Assim, é bem possível ter um Einstein na ciência do ambiente, mas não na humana, na qual toda tese será sempre motivo de embate seja social, político e/ou econômico.

É isso, que dizes?

Quando temos macro-mudanças em determinado tempo da sociedade, há necessidade de entendê-las para agir.

O diagnóstico da Era é relevante, pois é dele que sairão as metodologias de adaptação do antigo tempo para o novo.

Ex. Sociedade do conhecimento = gestão do conhecimento.

Muitas vezes, de forma superficial, por diferentes motivos, batizamos a Era sem o devido cuidado, o que implica em diagnóstico falho e tratamento, idem.

Ou defendemos ainda que não há definição ou roteiro possível.

E é preciso “ir tateando”, desistindo do diagnóstico.

O que nos leva, em ambos os casos, a mais custo e menos benefício.

Uma Era só é passível de ser melhor definida, de forma mais reflexiva, se comparada com fatores qualitativamente diferentes de outras.

Sempre questionei, por esta lógica, o diagnóstico da Sociedade do Conhecimento ou da Informação, ambos fatores sempre qualitativamente presentes em outras épocas da história.

A maior quantidade ou maior pseudo-importância que o conhecimento ou a informação têm hoje não são suficientes para definir a Era, pois são relacionais com o aumento populacional.

É preciso, assim, trabalho histórico comparativo para identificar elementos qualitativamente novos, capazes de inaugurar novas Eras.

A definição da nova Era, contudo é antes de tudo, problema filosófico-epistemológico.

Se há mudanças inesperadas, é sintoma claro e evidente de que havia/há equívoco no mapa paradigmático disponível.

Alguns fenômenos macro-relevantes, provocados por forças inauguradores de novas Eras estão mal conceituados.

Ha forças sub-avaliadas, que entraram em movimento e nossos antigos “radares” não conseguem prever as prováveis consequências.

E, por causa disso, a nova Era não foi prevista e, depois de instaurada, não foi bem diagnosticada.

Não é, portanto, a Era que é estranha ou impossível de ser batizada, mas nossos paradigmas que estão equivocados!

Assim, o debate sobre o diagnóstico mais eficaz da nova Era deve se iniciar na filosofia para depois voltar às teorias e destas às metodologias.

Na filosofia, pode se observar, por exemplo, a crise de macro-paradigma estruturante de identidade do Sapiens na conceituação mal formulada da relação que a espécie tem com a demografia, tecnologias, mídias e alterações nos modelos administrativos de sobrevivência.

Só com revisão filosófica-epistemológica deste macro-paradigma, com novas formas de compreensão de como caminhamos na macro-história, podemos definir a nova Era de forma mais eficaz.

E, só então, agir com menor custo e mais benefício.

É isso, que dizes?

A ideia que o Sapiens sempre viveu sob a égide da Complexidade Demográfica Progressiva é algo muito estranho para nossa maneira de pensar.

A questão demográfica foi ignorada praticamente pela maior parte dos filósofos e teóricos.

Como se um mundo de um bilhão pudesse ser pensando da mesma forma de que um de sete.

Quando se fala isso, vê-se logo que não faz sentido, mas pensamos desse jeito.

Na verdade, a demografia se encaixa em movimentos extra-temporais, extra-contemporâneos. E tudo que é fora do cotidiano, já não é preocupação da maioria das pessoas.

A complexidade demográfica é algo que começa com os avós e vai ser percebida de alguma forma pelos netos.

Somos Sapiens do nosso tempo e não de todos os tempos.

Porém, para estarmos vivos precisamos consumir produtos e serviços de todos os tipos. Não somos feitos só de alma, mas de corpo, que precisa reciclar energias e se proteger das intempéries.

Existem duas vertentes humanas: a coletivista e a individualista, que nos levam para lugares diferentes.

A pergunta é igual: o sapiens, enquanto espécie, tem um propósito?

  • Se sim, temos o coletivismo, com um objetivo criado por alguém, com seguidores, que querem, de alguma forma nos leva naquela direção.
  • Se não, temos o individualismo, criado por cada um, sem que tenhamos ninguém que queira nos nos levar naquela direção.

Isso é um debate no alto do prédio da filosofia, na Metafísica, que desce até chegar na filosofia da educação.

Coletivistas, por terem um caminho a seguir, definido por alguém, baseiam-se necessariamente em um ou mais livros, em alguns líderes. O caminho está do lado de fora. Precisa ser aprendido. E isso cria um modelo educacional que nos levará naquela direção. A filosofia coletivista é, assim, baseada em assuntos, com autoridades, que sabem o caminho e estão ali para definir quem sabe de quem não sabe.

Individualistas, por NÃO terem um caminho a seguir, definido por alguém, baseiam-se na sua própria consciência. O caminho está do lado de dentro. Precisa ser aprendido, ao se lidar com a vida. E isso cria modelo educacional que nos levará naquela direção. A filosofia individualista é, assim, baseada em problemas, sendo aquele que você presta ajudar, serviço, a autoridade, que lhe ajuda a saber se está no caminho.

A educação coletivista é, por natureza, centralizadora, pois há uma missão geral a ser cumprida. Mesmo que não se tenha na educação um conteúdo de um determinado coletivismo, a topologia educacional será  mais vertical, com o aprendizado em torno de poucas autoridades que sabem mais do que os aprendizes.

A educação individualista é, por natureza, descentralizadora, pois NÃO há uma missão geral a ser cumprida. Não há  educação de conteúdo, mas preocupação em como resolver problemas. A topologia educacional será mais horizontal, com muito mais aprendizado por iniciativa dos aprendizes, pois aprendem, a partir de problemas.

É isso, que dizes?

No livro “Nascente” de Ayn Rand, volume 2, na página 219, Roark (personagem principal) diz:

Nunca me preocupo com meus clientes, apenas com as necessidades arquitetônicas”.

Isso vai contra o senso comum, pois admite que:

  • Nem sempre o cliente sabe o que é melhor para ele;
  • Que o especialista tem compromisso com diagnóstico prévio que define as necessidades de cada tipo de problema;
  • Que um especialista se compromete conceitualmente/eticamente com seu diagnóstico, não muda de fora para agradar o cliente;
  • Que cabe ao cliente escolher os diagnósticos disponíveis;
  • Que o que define um especialista eficaz é seu compromisso com o seu diagnóstico.

Muito a detalhar sobre isso.

É isso, que dizes?

Podemos dividir a história do Sapiens em duas:

  • Fase sonora pré-digital – com linguagens por sons, através de intermediação mais centralizada na gestão;
  • Fase por rastros pós-digital – com linguagens por rastros, através de intermediação menos centralizada na curadoria.

Vivemos hoje, assim, o início de nova fase administrativa, que permite lidar melhor com a atual complexidade demográfica.

As duas etapas, entretanto, não são compatíveis, pois temos chegada de linguagem disruptiva.

A fase sonora é inspirada nas espécies mamíferas com líder alfa; a por rastros, nos insetos, com modelo administrativo sem líder alfa.

É isso, que dizes?

Darwin 3.0

Quando Darwin defendeu a teoria das espécies mutantes, incluindo o Sapiens, tivemos ali fenômeno filosófico.

Podemos chamar de mudança disruptiva de Macro-paradigma Estruturante da Identidade da Espécie.

Algo parecido tivemos com o conceito de inconsciente de Freud.

Os efeitos destas mudanças macro-paradigmáticas repercutem para cima, na filosofia. E, para baixo, nas teorias e metodologias.

Temos hoje demanda de ruptura disruptiva na identidade do Sapiens diante do digital.

Há mudanças inexplicáveis, pois nosso Macro-paradigma Estruturante da Identidade do Sapiens ficou obsoleto diante dos fatos.

Precisamos para melhor compreensão revisitar Darwin, Malthus, conhecer as ideias de McLuhan e empacotar tudo de nova maneira para fazer sentido com as mudanças do novo século.

De Darwin, resgatamos a ideia da espécie mutante. De Malthus, que cresce demograficamente. De McLuhan, o conceito de Tecnoespécie- midiática.

De tudo isso, fazemos um mix:

Sapiens escravo da inovação, que aumenta a complexidade demográfica no tempo e precisa alterar modelo de administração, quando tem novas mídias descentralizadoras sempre na direção da distribuição das decisões, se analisarmos o longo prazo.

Sem tal revisão, o novo milênio ficará muito confuso, praticamente inexplicável.

É isso, que dizes?

Temos três fases:

  • Garimpo e recolhimento de ideias;
  • Lapidação dos conceitos;
  • Desfile com as joias.

Cada etapa requer tempo específico e tipo de dedicação.

Na garimpagem e lapidação, tudo ainda está muito novo e de pouco acesso para terceiros.

O desfile já é a fase de transmitir as ideias aos outros, quando piadas, exemplos, facilitação de transmissão são bem-vindas.

Um ambiente organizacional tem duas camadas:

  • Conceito geral;
  • Operação.

O conceito geral define qual problema vem resolver e como isso vai ser feito – não se altera.

Há sempre alguém que vai desenvolver os primeiros “códigos do negócio”, o pontapé inicial.

Na parte operacional, entretanto, se inicia descentralização e distribuição da coordenação, através da nova mídia (canais, linguagem, armazenamento e processos autônomos por máquinas).

Há novas formas de coordenar atividades que altera de forma disruptiva o atual modelo administrativo.

É isso, que dizes?

Temos três fases:

  • Garimpo e recolhimento de ideias;
  • Lapidação dos conceitos;
  • Desfile com as joias.

Cada etapa requer tempo específico e tipo de dedicação.

Na garimpagem e lapidação, tudo ainda está muito novo e de pouco acesso para terceiros.

O desfile já é a fase de transmitir as ideias aos outros, quando piadas, exemplos, facilitação de transmissão são bem-vindas.

Existem duas formas de encarar o sucesso.

  • De fora para dentro – o sucesso para os outros;
  • De dentro para fora – o sucesso para você.

O sucesso mais comum hoje em dia é o de fora para dentro. – sucesso “Zeca Pagodinho”: deixa a opinião dos outros me levar.

Sucesso, assim, precisa de bússola, que é a personal felicidade.

Cada um sabe da sua e vai levar para o túmulo ou para a cremação um julgamento final do que foi a sua vida.

Sempre de forma individual.

Ninguém consegue saber exatamente o que cada um sente no íntimo, muitas vezes, nem a própria pessoa.

A personal felicidade é, assim, espécie de cofre inacessível.

Desenvolver personal conceito de felicidade/sucesso é, portanto, difícil, pois exige reflexão e combater o conformismo social de ser igual aos demais.

Felicidade tem um custo solitário: sair da formatação, quando tudo e todos querem que você mantenha o formato massificado.

O personal sucesso, assim, é processo árduo individual de idas e vindas, que exige compromisso ético de você com você mesmo.

É processo intelectual particular, que vai exigir se conhecer cada vez mais e aprender a jogar a personal diversidade com o processo da vida.

Por isso, é mais fácil se deixar levar pelo fluxo do senso comum, pois o personal sucesso exige esforço que apenas uma pessoa vai validar: você mesmo!

E mais.

Precisamos criar algum tipo de “sucesso social”,  para sobreviver. E aí entra o contexto social entre o modelo de sociedade e personal sucesso.

Quanto mais uma sociedade for avessa ao novo, ao diferente, ao estranho, ao disruptivo, à individualidade, a diversidade, mais será difícil trilhar o caminho do personal sucesso.

Muitos jovens, infelizmente, no Brasil principalmente, não conseguem ligar a necessidade de sociedade mais libertária (livre mercado, livre pensamento e livre arbítrio) com a felicidade.

Existe o conceito da falsa felicidade coletiva, que é completamente não-humana.

A felicidade coletiva, se podemos chamar assim, é o somatório de felicidades individuais. Não é uma felicidade única compartilhada, mas a felicidade de cada um, que soma um todo.

Assim, quanto mais houver oportunidades de trabalho e de se abrir negócios diferenciados, mais se poderá tirar o personal sucesso do armário e vice-versa.

Há relação entre contexto social e capacidade de se viver a personal felicidade/sucesso.

É isso, que dizes?

 

 

Progressivismo é um termo filosófico, que senti necessidade de criar para explicar o lado progressivo da espécie.

Note bem que progressão aqui não é sinônimo de melhoria, mas caminhada.

De compatibilidade sempre entre a maneira de pensar e agir humana com a complexidade progressiva da espécie.

Nossa progressividade é resultado de:

  • Sermos tecnos;
  • Por sermos tecnos não termos limites demográficos;
  • Por não termos limites demográficos, não temos patamar de complexidade fixo;
  • E por não ter patamar de complexidade fixo, precisamos sempre aperfeiçoar nossa forma de pensar e agir para sobreviver com a melhor qualidade possível.

É isso, que dizes?

A pergunta filosófica central está, assim, equivocada.

Na filosofia, não é “Quem Somos?“, mas “Quem estamos?“. Quando se responde “Quem somos?”, não se consegue ver o humano em eterno processo.

Diferente das outras espécies biológicas, nós somos Tecnoculturalmente biológicos.

Nossa capacidade de crescer demograficamente, nos leva a mudanças no patamar de complexidade que outras espécies não têm.

Outras espécies são escravas da genética, nós não, somos escravos da inovação!

Somos espécie progressiva  pois somos tecno, e, por causa disso, tudo em nós é progressivo, incluindo a demografia.

Não existe, assim, possibilidade de pensar filosofia (amar a lógica da vida) que não seja progressiva, pois a lógica da vida para o Sapiens é progressiva.

O conhecimento do “sendo humano” só é possível como  filme em construção, uma série que, no máximo, termina uma temporada para começar outra.

Podemos dizer, nessa direção, que a única coisa fixa na espécie humana é justamente a eterna mudança progressiva.

É isso, que dizes?

Qualidade é o objetivo de todo processo administrativo.

O jeito melhor possível de agradar o cliente pelo menor custo e que o mantenha fiel diante dos concorrentes.

Qualidade é o epicentro de todos os modelos administrativos.

A qualidade é baseada, assim, na relação fornecedor-consumidor.

Quanto maior é a informação do fornecedor, mais fácil ele pode chegar na qualidade ideal e vice-versa.

No passado, o cliente “votava” na qualidade, através do retorno à compra, via sugestões ou através das pesquisas de satisfação.

Hoje, há uma tela na relação de consumo, com aumento radical de informações que permite a passagem de qualidade mais para menos centralizada ou distribuída para quem vive do varejo.

Há ainda outra novidade.

Plataformas como a do Uber e similares descentralizam o fornecimento.

Cada parceiro passa a se preocupar com a qualidade, que era antes centralizada.

É o parceiro que passa cuidar da qualidade e não mais a organização tradicional que cuidava da qualidade centralizada.

Com isso, se consegue taxas de melhor qualidade, pois cada parceiro pode atender e entender melhor como agradar o cliente, através de estrelas.

É a passagem de uma busca por qualidade mais centralizada para mais descentralizada, aumentando, assim, a chance de se praticar taxas mais altas.

É isso, que dizes?

Se as organizações estivessem promovendo o Philosophy Thinking ao invés do Design Thinking talvez estivessem mais competitivas.

E não tivessem que assistir as grandes crises de setores inteiros que perderam o valor no Mundo Digital, a exemplo do entretenimento, de transporte, de serviços, etc.

O Design Thinking acredita que é preciso sair da caixa, através de exercícios de criatividade.

Porém, o problema que temos hoje não é de criatividade dentro de determinado paradigma, mas de criatividade dentro de novo paradigma!

Não se chega a novos paradigmas com exercícios de criatividade, mas de reflexão sobre como pensamos os fatos de forma diferente, através de visões filosóficas mais bem estruturadas sobre a Civilização 2.0.

Acredito que cada pessoa ou organização se quiser voltar a ter taxa de competitividade razoável precisará passar por “banho de loja filosófico” ou o que chamo de “Philosophy Thinking”.

É preciso discutir os Macro-Paradigmas Estruturantes que precisamo ser alterados e saber o que se pode e o que não se pode fazer. E o que se deve e o que não se deve fazer.

As mídias mudaram e todos os modelos organizacionais estavam e estão ainda estruturados em cima delas.

E isso vai gerar problema mais adiante.

É isso, que dizes?

O que seria uma espécie?

Determinado grupo de animais com a mesma genética que cria determinado modus operandi para sobreviver.

Podemos dizer que robôs, sob este ponto de vista, seriam nova espécie? Se mantivermos esse tipo de conceito, não.

Porém,  estamos criando máquinas que aprendem sozinhas e ganham já algum tipo de autonomia de crescimento sem a tutela humana.

Não são mais computadores tutelados, mas computadores que ganham autonomia e poder de decisão, não podendo mais serem chamados de máquinas burras, mas criativas.

Esta é a diferença, que promovem o auto-aprendizado.

Assim, estamos criando Tecnoespécie Auxiliar.

Isso é bastante útil para a tomada de decisões dos administradores, empreendedores e líderes do novo milênio, pois se formos comparar a Civilização 1.0 (Analógica/pré-digital) e a 2.0 (Digital), temos que identificar as mudanças estruturantes para que possamos:

  • Saber os limites que tínhamos na Civilização 1.0 sem o uso do Digital;
  • Saber o potencial que temos da Civilização 2.0 para inovar em cima do que tínhamos antes.

O que há de fato novo?

A chegada de nova mídia, que traz novos canais, linguagem e modelo da armazenamento. E, além disso, uma Espécie Auxiliar capaz de pensar e decidir, a partir de uma quantidade de dados/velocidade que era impraticável para os humanos.

É isso, que dizes?

Defini aqui o conceito de Macro-Paradigmas Estruturantes.

Dentro dessa perspectiva, de quando em vez,  pensadores ou fatos, ou ambos, nos surpreendem e nos obrigam a dar “F5” na nossa cabeça, pois os fatos da vida não mais se encaixam na forma como pensamos o mundo.

É o que vivemos agora na chegada deste novo milênio.

Vivemos a necessidade de superar quatro macro-paradigmas Estruturantes de Identidade encadeados:

1 – Não são as mídias que giram em torno da sociedade, mas é a sociedade que gira em torno das mídias.

Quem disse isso foi Marshall McLuhan com a chegada dos meios eletrônicos o que se confirma plenamente agora com a massificação do mundo digital.

Podemos usar também:

Mudaram as mídias, mudou a sociedade.

Note que as mídias são a união entre três elementos – canais, linguagem e armazenamento.

Mídias são responsáveis pela produção da cultura.

Isso está dentro de outra quebra de Macro-Paradigma Estruturante da Identidade do Sapiens:

2 – Não somos espécie natural, mas  Tecnoespécie.

Ou ainda:

Não temos cultura, mas sempre tivemos Tecnocultura.

É por causa da nossa Tecnoculturalidade que, diferente das outras espécies, cresce demograficamente.

O que nos leva a outra quebra de Macro-Paradigma Estruturante de Identidade:

3 – O Sapiens é escravo da inovação, pois aumenta progressivamente a complexidade demográfica.

E, por fim:

4 – A inovação do Sapiens sempre irá na direção da distribuição das decisões.

Estas quatro mudanças nos permitem enxergar o novo milênio com mais clareza.

É isso, que dizes?

São termos filosóficos, que debatem formas de pensar, que atingem grande parte da espécie sobre temas relevantes.

Temos classificados até aqui de dois tipos:

  • Macro-Paradigmas Estruturantes do Ambiente – que responde a questões do tipo “onde vivemos?” “o que podemos e o que não podemos fazer aqui?” Podemos identificar na história duas crises de Macro-Paradigmas Estruturantes de Ambiente: a terra é plana/redonda e a terra gira em torno do sol ou o sol em torno da terra;
  • Macro-Paradigmas Estruturantes de Identidade – que responde a questões do tipo “quem somos?” “de onde viemos e para onde vamos?“. Podemos identificar na histórica duas crises de Macro-Paradigmas Estruturantes de Identidade: o humano vem de Adão e Eva/ou é evolução animal e a o egoísmo é um mal a ser combatido/é o que gera a riqueza das nações.

Hoje, uma Crise de Macro-Paradigmas Estruturantes do Ambiente seria a possibilidade de viagens o tempo, em atalhos no espaço para a chegada em outros planetas ou o acesso a mundos paralelos.

Porém, já vivemos a Crise do Macro-Paradigmas Estruturantes de Identidade, que vou detalhar aqui.

 

 

O livro apresenta o contra-ponto entre duas formas de estar no mundo.

Keating – um arquiteto do esquema, marqueteiro, que consegue estar nos holofotes, do seu tempo, mente medíocre e incremental, voltada para o sucesso de fora para dentro, sem preocupação com conceitos, disposto a tudo para aparecer, invejoso.

Roark – um arquiteto fora do esquema, nada marqueteiro, que foge dos holofotes, de todos os tempos, mente disruptiva e diferenciada, voltada para o sucesso de dentro para dentro, fortemente conceitual, que não abre mão de suas convicções.

Mostra como a vida de Keating é cercada de sucessos vazios e de falta de inteireza interior.

Pessoa sem propósito diferenciado, que quer ser aceito e faz de tudo para se integrar, abrindo mão da própria diversidade não explorada.

Contrapõe a isso a vida de Roark cercada de insucessos sociais, mas de inteireza interior.

Uma pessoa que escolheu propósito diferenciado, que não faz questão de ser aceito ou se integrar, não abrindo mão da própria diversidade desenvolvida ao extremo.

O herói aqui é Roark, pois é justamente o tipo de pessoa que é confundido com o “perdedor”.

Roark seria um “Van Gogh”, mente brilhante e disruptiva, que passa despercebida no seu tempo, mas seu trabalho, em função da capacidade de ler e criar o disruptivo, se estende a outros tempos.

Rand quer, com o livro, criticar a desatenção, desprezo e combate que a sociedade tem por mentes disruptivas.

Chama atenção para excessiva valorização às mentes incrementais e o sucesso de curto prazo e o descaso com a disrupção.

Rand quer estimular a disrupção, como algo importante para a sociedade.

Forçar que pessoas mais incrementais possam ousar mais na vida e reconhecer o esforço e a importância vital dos mais disruptivos para a sociedade.

O livro se propõe ainda a ser incentivo para quem trilha o caminho de Roark.

E abre debate mais geral sobre porque afinal estamos aqui na vida, questionando aqueles que não ousam lutar pela própria felicidade.

Lança ao ar:

O que, de fato, vale à pena nesta vida tão curta? E diz na introdução:

“Não importa que apenas alguns em cada geração entendam e alcancem a realidade total da estatura apropriada ao Homem – e que o resto a traia. São estes poucos que movem o mundo e dão à vida seu significado – e é a estes poucos que eu sempre procuro me dirigir. O restante não me diz respeito; não é a mim ou a Nascente que eles traem: e às suas próprias almas.”

Rand faz, assim, apologia à criatividade conceitual como meta da vida de cada um.

No volume 2, na página 219, Roark diz: “Nunca me preocupo com meus clientes, apenas com as necessidades arquitetônicas”.

Cena do este tema aqui.

No volume 1, página 345, ela diz: ” integridade é a habilidade de ser leal a uma ideia”.

Do ponto de vista individual de cada leitor, a disrupção de Roark como normal de vida, a meu ver, pede perfil específico – e até raro.

É tipo de temperamento particular de poucos.

Mas nada como ministrar alguma dose de disrupção, como exceção aos incrementais.

Do ponto de vista coletivo, disrupção para Rand – e concordo com ela – é algo fundamental numa tecnoespécie que vive sob a égide da complexidade demográfica progressiva, que precisa se recriar no tempo.

Riqueza, assim, é filha da disrupção.

Ainda mais agora nas fases iniciais da Revolução Civilizacional Digital, em que a inovação sai do armário de forma definitiva.

O livro é, assim, atual, pois chama a atenção de quanto somos radicalmente incrementais e quanto isso é anti-humano e pouco produtivo.

Além disso, denuncia espécie de “disrupçãofobia“, que a sociedade precisa superar se quer aumentar a taxa de felicidade.

Nascente é a primeira pedra do Objetivismo, corrente filosófica criada por Rand, que acredita que o papel de cada indivíduo é criar e se comprometer com seu próprio conceito de felicidade, a despeito do que recomenda o senso comum e projetos coletivistas.

Depois, ela escreve a “Revolta de Atlas” (obra mais badalada) e vários livros filosóficos não-ficcionais..

O livro apresenta o contra-ponto entre duas formas de estar no mundo.

Keating – um cara do esquema, marqueteiro, que consegue estar nos holofotes, do seu tempo, mente medíocre e incremental, voltada para o sucesso de fora para dentro, sem preocupação com conceitos, disposto a tudo para aparecer;

Roark – um cara fora do esquema, nada marqueteiro, que foge dos holofotes, de todos os tempos, mente disruptiva e diferenciada, voltada para o sucesso de dentro para dentro, fortemente conceitual, que não abre mão de suas convicções.

Mostra como a vida de Keating é cercada de sucessos vazios e de falta de inteireza interior.

Uma pessoa que não tem propósito diferenciado dos demais, que quer ser aceito e faz de tudo para se integrar, abrindo mão da própria diversidade não explorada.

Contrapõe a isso a vida de Roark cercada de insucessos sociais, mas de inteireza interior.

Uma pessoa que escolheu propósito diferenciado dos demais, que não faz questão de ser aceito ou se integrar, não abrindo mão da própria diversidade explorada ao extremo.

O herói aqui é Roark, pois é justamente o tipo de pessoa que é confundido com o “perdedor”.

Roark seria um “Van Gogh”, mente brilhante e disruptiva, que passa despercebida no seu tempo, mas seu trabalho, em função da capacidade de ler e criar o disruptivo no seu tempo, se estende a outros tempos.

Rand quer, com o livro, criticar a desatenção, desprezo e combate que a sociedade tem com mentes disruptivas.

Chama atenção para a excessiva valorização às mentes incrementais e o sucesso de curto prazo.

Rand quer estimular a disrupção, como algo importante para a sociedade.

Forçar que pessoas mais incrementais possam ousar mais na vida e reconhecer melhor o esforço dos mais disruptivos.

Ser guia de suporte para quem trilha o caminho de Roark em direção à disrupção.

E abrir debate mais geral sobre porque afinal estamos aqui na vida, questionando aqueles que não ousam lutar pela própria felicidade.

Lança ao ar:

O que, de fato, vale à pena nesta vida tão curta?

Ela diz na introdução:

“Não importa que apenas alguns em cada geração entendam e alcancem a realidade total da estatura apropriada ao Homem – e que o resto a traia. São estes poucos que movem o mundo e dão à vida seu significado – e é a estes poucos que eu sempre procuro me dirigir. O restante não me diz respeito; não é a mim ou a Nascente que eles traem: e às suas próprias almas.”

Rand faz, sim, apologia à criatividade conceitual como meta da vida de cada um.

Faz parte do Objetivismo, corrente filosófica criada por ela, que acredita que o papel de cada indivíduo é criar e se comprometer com seu próprio conceito de felicidade, a despeito do que recomenda o senso comum.

Do ponto de vista individual de cada leitor, a disrupção de Roark como norma, a meu ver, pede perfil específico.

É um tipo de temperamento particular.

Mas alguma disrupção como preocupação, como exceção aos incrementais, é necessária.

Do ponto de vista coletivo, disrupção é algo fundamental numa espécie que vive sob a égide da complexidade demográfica progressiva.

E precisa se recriar. Riqueza é filha da disrupção.

Ainda mais agora nas fases iniciais da Revolução Civilizacional Digital.

O livro é atual, pois chama a atenção de quanto somos radicalmente incrementais e quanto isso é anti-humano.

Além disso, denuncia espécie de “disrupçãofobia“, que a sociedade tem que admitir e procurar superar se quiser aumentar a taxa de felicidade.

A ciência foi criada pelo Sapiens para que possa viver melhor.

Viver melhor significa resolver problemas de forma mais eficaz, com menos esforço e mais resultados.

O epicentro da ciência é, assim:

  • Eticamente – problemas relevantes, dos mais básicos aos complexos, que nos permitam viver melhor;
  • Epistemológico – análise de problemas relevantes, nos quais se possa aferir resultados na nova proposta de pensar e agir.

A ciência, assim, por problemas relevantes é seu leito natural.

A ciência por assuntos, ou por problemas irrelevantes são desvios daquilo que é ciência.

Momentos de Revoluções Civilizacionais estimulam o retorno da ciência ao seu eixo natural.

E vice versa:

Momentos que antecedem Revoluções Civilizacionais estimulam o desvio da ciência do seu eixo natural.

Qualquer esforço intelectual sobre determinado problema vai esbarrar nestas duas variantes.

  • A lógica da vida, fatos;
  • A nossa lógica, interpretações.

Obviamente, que não conseguimos olhar os fatos diretamente de forma “pura”, pois estamos imersos na lógica existente do sapiens.

Não existe, assim, olhar original, mas tentativa de olhar distinto, mais eficaz.

O que podemos ter é olhar diferente dos paradigmas existentes, que ajudem a ver e atuar melhor sobre determinado problema.

Para isso, é preciso tentar re-olhar para os fatos, questionando a forma tradicional.

É preciso, para isso, alguma dose de rebeldia contra as autoridades dos paradigmas de plantão, que estabelecem olhar tradicional sobre eles.

É esforço intelectual de refletir entre as duas lógicas, comparando e observando metodicamente consistência e inconsistência.

E esforço emocional, de ampliação de auto-estima e confiança, para questionar as autoridades existentes não por capricho, mas por necessidade.

É preciso criar, assim, duas colunas:

  • O atual paradigma – como vemos e agimos hoje;
  • O novo paradigma – o que precisa ser alterado. E porquê?

Teremos ainda que mapear qual o nível de enraizamento do atual paradigma na sociedade e os impactos que terão o novo.

É isso, que dizes?

Nossa maneira de pensar vive de tempos em tempos, choques Macro-Paradigmáticos.

São mudanças profundas na forma de pensar o ser humano, que iniciam novos ciclos de pensamento e acabam por influenciar todos os paradigmas ou sub-paradigmas.

Vivemos hoje um momento desse tipo.

A sociedade está se modificando rapidamente e de forma incompreensível para nossa forma de pensar, o que é sinal evidente de uma crise Macro-Paradigmática.

Há algo na resposta Metafísica do quem somos, que precisa ser alterado.

Diria que são três itens:

  • O Tecnicismo – de não somos uma tecno espécie para somos;
  • O Cognitivismo – de que as mídias são controladas pela cultura, para temos uma Tecnocultura;
  • O Demografismo – de que a demografia não força mudanças da espécie, para sim é a força principal da mesma;
  • E o Descentralismo – tecnologias, mídias e demografia nos forçam na macro-história a descentralizar as decisões por uma questão de sobrevivência.

Tais mudanças de pensamento, um mix que fiz de de McLuhan com Malthus nos permite superar a crise da Macro-Anomalia que estamos passando.

É isso, que dizes?

 

Anomalia é algo irregular, que foge daquilo que estamos acostumados.

Thomas Kuhn definiu anomalia como a dificuldade que os cientistas têm de lidar com determinado problema, que, por alguns motivos, não consegue mais ser compreendido e bem resolvido.

As anomalias são sinais que a vida envia para os pensadores de que é preciso alterar algo na nossa maneira de pensar e agir.

Kuhn, entretanto, debate o assunto na sala filosófica da Epistemologia e eu estou propondo este debate na cobertura filosófica, na metafísica, aonde discutimos quem somos.

Existe questões filosóficas, que geram Macro-paradigmas, que nos levam à Macro-anomalias.

Um exemplo é a concepção de que a terra era chata e não redonda e depois que era o centro do universo. Ou mesmo que os humanos vieram de um casal “Adão e Eva” ou mesmo o conceito sobre o Big Bang.

Tudo isso vai entrar nessa sala, aonde debatemos quem somos, de onde viemos, para onde vamos, como nos mudamos.

São Macro-Paradigmas.

É isso, que dizes?

Descentralismo é proposta de debate Metafísico sobre quem é o ser humano.

Na sala nobre da Metafísica, aonde se debate “Quem somos?” sugiro incluir que somos espécie que tem a tendência à descentralização do poder de decisão ao longo do tempo.

Descentralização é a necessidade humana de transferir para cada indivíduo, mais poder de decisão para poder lidar melhor com a Complexidade Demográfica Progressiva.

Se olharmos no tempo, na Macro-história iremos assistir movimentos centralizadores de curto prazo e descentralizadores de longo.

A centralização sempre vai esbarrar na Complexidade Demográfica Progressiva, gerando crises.

Assim, há tendência de uma Tecnoespécie é, ao longo do tempo, crescer em número de membros, mas, para isso, necessitará promover descentralizações.

É isso, que dizes?

A ideia de que vemos as coisas é falsa.

Estamos imersos em Tecnocultura.

E isso nos faz ver aquilo que fomos educados para ver.

Por mais, que tenhamos um pensamento “original” será sempre “pós-original”, pois é filtrado por tudo que recebemos.

A ideia de que nunca vemos, mas revemos, nos dá a dimensão exata de que nenhum humano é capaz de se isolar do legado cultural do que foi inserido.

Obviamente que existem revisões mais ou menos “originais”, a partir desse legado.

Assim, uma visão “original” é aquela que consegue, ao conhecer o legado e se afastar dele, de forma reflexiva.

Conhecer não é processo de conhecimento, mas sempre de desintoxicação.

Não se tem visões “originais”, portanto, desconhecendo o legado, mas, ao contrário, conhecendo-o, percebendo o quanto estamos intoxicados dele e como podemos nos afastar dele.

O afastamento do legado cultural é o que podemos chamar de originalidade. E quanto mais diferente e útil for esse afastamento, mais valorizado será ao longo da história.

É isso, que dizes?

 

No prédio do conhecimento humano  vimos que existe na cobertura: a filosofia das filosofias. Ou as Filosofias.

É o topo do que podemos chamar de prédio do conhecimento humano e, dependendo das respostas dadas ali, há  modificações em cadeia para baixo nos outros andares- tanto nas filo-teorias e filo-metodologias.

É neste topo que se debatem as questões essenciais das filosofias e, a partir dela, vão se desdobrar as formas de pensar e agir de cada pessoa na sociedade.

Se colocarmos o conhecimento dentro de uma hierarquia existe dentro do “setor filosofias” diferentes andares e salas.

No topo de todas as hierarquias está a Metafísica, na qual discutimos quem é o ser humano? O que fazemos aqui? De onde viemos? Para onde vamos? Como mudamos?

Destes debates, descemos  para segundo pavimento, no qual definimos:

  • Como devemos agir? (Ética)
  • Como podemos conhecer a realidade? Como diferentes forças atuam na sociedade? (Epistemologia, aonde se incluem as filo-teorias)
  • E de que forma podemos criar sociedades compatíveis com essa forma de pensar? (Filo-metodologias).

São andares distintos na filosofia.

No topo, a Metafísica influencia os demais.

Se, por acaso, chegar uma nave espacial de outro planeta e disser que somos descendentes daquela espécie.

Isso terá impacto na Cobertura Metafísica, pois vamos ter que reabrir as questões: de ondem viemos, para onde vamos, o que fazemos aqui, como mudamos?

E depois reavaliar o resto.

E, a partir daí, no andar de baixo, o que devemos fazer em nossas vidas, a partir dessa nova perspectiva?

Quando alteramos algo nesse topo sobre o “Quem somos?” estamos falando de Macro-Metafísica, pois é o topo do topo do pensamento humano, algo que afeta tudo que vem depois para baixo.

Macro-metafísicas criam Macro-Paradigmas Filosóficos, que se desdobram nas outras Filosofias, nas Filo-Teorias e Filo-Metodologias.

A Metafísica, por causa disso, é  sala filosófica restrita, com escada íngreme, fechada, na qual só entra gênio, pois é preciso trazer novidade REALMENTE RELEVANTE  para que possamos chamar de Macro-Metafísica, que gera novo  Macro-Paradigma.

Macro-Paradigmas são, assim, paradigmas mais gerais, que não afetam a Metafísica, que é a “mãe” de todos as filosofias e o que vem abaixo dela.

Não é uma mudança de campo do conhecimento específico, mas dos alicerces do conhecimento do ser humano sobre ele mesmo.

A Macro-Metafísica e as mudanças de Macro-Paradigmas podem ser exemplificados pelas mudanças na forma como nos vemos no espelho.

Apresento duas mudanças de alteração de Macro-Paradigmas:

  • Darwin – somos espécie mutacional e não fixa;
  • Galileu – não somos o centro do universo.

Debates Macro-Metafísicos são, assim, raros, ainda mais que permitam ser aceitos como razoáveis e criar novos Macro-Paradigmas.

Vivemos hoje um desafio nessa direção, pois McLuhan entrou nessa sala, reivindicado a mudança do atual Macro-Paradigma, propondo um debate Macro-Metafísico.

A meu ver, chave para podermos começar a pensar e agir melhor no novo milênio.

É isso, que dizes?

 

É o jeito que encontrei de chamar a atenção que toda teoria ou metodologia tem embutida nela enxurrada de conceitos filosóficos, o nome com filo na frente não deixa que esqueçamos disso.

McLuhan resolveu abrir debate Macro-Metafísico, ao defender que somos Tecnoespécie e Tecno-midiáticos, que temos um Tecno-Cérebro, vivemos numa Tecno-Sociedade e produzimos Tecno-Cultura.

Você pode não concordar com nada disso, mas demorei 11 anos para entender aonde é o debate adequado dessas questões: na sala Metafísica, nas questões Macro-Metafísicas, do “Quem somos?”.

Não se está discutindo o conteúdo, mas a forma: se vamos levar isso a sério é lá que se deve fazer essa discussão.

McLuhan defende um novo Macro-Paradigma para a espécie, que, se aceito por alguém, implica em revisão dos outros campos da filosofia e em todas as filo-teorias e filo-metodologias do Sapiens.

McLuhan jogou, assim, “bomba de nêutron Metafísica”, que, a meu ver,  só com ela vamos entender, de forma mais reflexiva e menos emocional, o novo milênio.

McLuhan, entretanto, para ser assimilado tem um alto preço. Propõe uma mudança nos Macro-Paradigmas do Sapiens, que estruturam toda a nossa forma de pensar e agir da espécie.

Se aceitamos as teses Mcluhanianas teremos um marco filosófico antes e depois dele.

Vejamos.

Debates Macro-Metafísicos são feitos em sala que só abre muito raramente. Darwin  já esteve ali, Galileu, Newton, Einstein – só aceitam gênios.

Por quê McLuhan é tão Metafiscamente falando, disruptivo? E por que seria aceito em tal sala tão reservada?

Ele diz uma coisa bem diferente sobre nossa espécie.

Garante que quando chegam nova mídias, há uma mutação na espécie, que não passa pela razão. O “animal” Sapiens se modifica em alguns aspectos, independente da sua vontade.

McLuhan sugere que, de forma não racional, não voluntária, não desejada, não planejada a espécie entra subjetivamente em mutação, quando chegam novas mídias.

O Meio é a Mensagem, ou o Meio é a Massagem.

Mudou a mídia, mutou!

Somos Homo Mídias, que só é Sapiens por causa disso!

Novas mídias provocam alterações na nossa forma de agir e pensar. McLuhan está se candidatando a ser um Darwin 2.0.

Darwin disse, no passado, que somos mutacionais, McLuhan vai mais além: somos tecno-mutacionais.

Se isso, digamos, é fato, essa mudança de Macro-Paradigma nos obriga a rever diversos aspectos da Filosofia, das Filo-Teorias e das Filo-Metodologias.

Se McLuhan está perto do que a vida nos apresenta neste novo milênio, vivemos, por consequência, adaptando o que Thomas Kuhn defendeu com outro viés, uma Macro-Anomalia Metafísica.

É como se o andar mais alto das filosofias, a cobertura, a sala mais bem protegida do conhecimento humano, tivesse sobre ataque do Hacker McLuhan.

Caso as teses sejam aceitas, e a meu ver serão, pois se aproxima da explicação dos fatos do novo milênio, teremos reação cadeia enorme na forma de pensar o Sapiens.

Há um gigantesco esforço intelectual a ser feito pós-McLuhan, pois absolutamente tudo que pensamos sobre a sociedade terá que se modificar, digamos, de forma disruptiva!

McLuhan, a meu ver, é a senha para abrir o programa de compreensão do novo milênio.

Assim, quando aparecer o login “Novo_Milênio” pode colocar a senha: “McLuhan!”

É isso, que dizes?

Macro-paradigma é conceito importado de Thomas Kuhn.

Paradigma seria forma de pensar e agir na sociedade que é válida durante determinado período e se depara com uma anomalia.

Problemas começam a não mais ser satisfatoriamente resolvidos ou minimizados e se precisa de nova forma de pensar e agir, novo paradigma.

Kuhn utiliza o conceito dentro do campo filosófico da Epistemologia.

Macro-paradigma é adaptação deste conceito de Kuhn para a Metafísica – área mais ampla da filosofia.

Macro-Paradigmas são paradigmas mais gerais, que não afetam apenas um campo específico, mas a própria filosofia e que acabam por alterar, em cadeia, outros ramos da filosofia e, por consequência, as filo-teorias e as filo-metodologias.

O que defendo é que é possível aplicar o conceito de Kuhn não apenas para a Ciência, mas para a própria filosofia no geral, pois quando falamos em Ciência, em geral, estamos pensando nas teorias.

Teorias são, na verdade, Filo-teorias, pois estão imersas de conceitos filosóficos.

Macro-Paradigmas alteram a própria filosofia e tais mudanças reverberam em todos os outros setores.

A sociedade vive, assim, na Macro-História, sob a égide de Macro-paradigmas criados por determinadas concepções de mundo, que determinam nossas formas de pensar e agir.

A diferença de um paradigma para um macro-paradigma é de que um paradigma afeta uma área específica como a medicina com ou sem máquina de raio-x.

Podemos dar exemplos de macro-paradigmas:

  • a terra é o centro do universo – o sol é o centro;
  • o ser humano vem de Adão e Eva – somos mutacionais, como os outros animais.

Podemos citar vários outras mudanças que afetaram a resposta do “Quem Somos?”.

Mudanças de Macro-Paradigmas provocam reações em cadeias em todo o prédio do conhecimento humano, pois alteram alicerces sob os quais todos os outros andares: teorias e metodologias estão estruturados.

É isso, que dizes?

 

Detalhamos aqui o conceito do “prédio do conhecimento humano”.

Os andares mais altos são reservados para as Filosofias, pois são vários andares, com diversas salas.

Nestes andares debatemos questões centrais, com alguma ordem:

Metafísica:

  • Quem somos?
  • Como mudamos?
  • Por que estamos aqui?
  • Para onde vamos?

Ética:

  • Como devemos viver individualmente e coletivamente?

Epistemologia?

  • Como podemos conhecer?

Depois, vêm as filo-teorias e as filo-metodologias, esparramadas na forma como procuramos resolver os diferentes problemas da sociedade: política, economia, artes, comunicação, informação, administração, educação, etc.

Nos andares mais altos do prédio, temos, assim, as várias salas filosóficas, que balizam respostas, que influenciam a parte debaixo do prédio: filo-teorias e filo-metodologias.

No térreo, estão os problemas e as demandas humanas.

É isso, que dizes?

 

A filosofia é um prédio com vários andares.

Já andei dividindo a atuação humana em três níveis: filosófico, teórico e metodológico.

A divisão é boa, mas os conceitos podem melhorar.

Quando chamo algo de teoria, na verdade, estou tirando ali o aspecto filosófico, pois estamos falando de filosofia teórica.

A partir de conceitos que foram discutidos antes, que estou adotando de forma consciente, ou não, para chegar a algumas conclusões.

Sem a percepção do debate filosófico anterior, o teórico pode chegar a determinadas “anomalias”, das quais não conseguirá superar, pois a filosofia é um ponto cego para ele.

Aquela teoria, querendo o teórico ou não, consciente ou não, está imersa em conceitos filosóficos, que foram pincelados e projetados antes, que podem conter equívocos.

Ao chamar de teoria de teoria, pura e simplesmente, ajudo ou mesmo estimulo a não consciência dos aspectos filosóficos que estão ali embutidos.

O mesmo podemos dizer de metodologias, pois o que temos são metodologias filosóficas, num andar mais abaixo, imerso em teorias e filosofias precedentes à metodologia.

Assim, podemos dizer que os três andares do conhecimento humano são:

  • Filosofias (pois temos mais de um campo filosófico)  – os debates sobre a essência das forças;
  • Teorias filosóficasque vou chamar de Filo-Teorias –  os debates sobre as forças em movimento;
  • Metodologias filosóficas – que vou chamar de Filo-Metodologias – a atuação humana sobre as forças, a partir dos mapas da essência e dos movimentos.

O que chama a atenção nestes “três andares” é de que o prédio do conhecimento é, sempre será, todo filosófico, pois os “andares” do conhecimento formam uma cadeia hierárquica.

Filosofias descem como hipóteses e os problemas e resoluções voltam como dados para reavaliações.

Desta forma, um problema – que recebe determinada metodologia para ser tratado – precisa ser visto sempre como um acúmulo de debates, que se iniciam e talvez tenha que voltar para as filosofias.

É isso, que dizes?

 

Vamos aos conceitos:

Administrar é fazer gerência de negócios. Gerenciar é coordenar para que as “coisas” funcionem. E as “coisas”, negócios, são as trocas para que a espécie sobreviva.

Administrar, assim, é esforço para manter a espécie viva, ao longo da história, através de métodos de coordenação de processos e pessoas.

A grande mudança filosófica que precisamos promover nas nossas mentalidades é de que NÃO praticamos administração, mas Tecno-administração.

A administração é feita, a partir de uso de tecnologias no geral, mas das mídias, em particular.

Um administrador, por exemplo, decide lendo relatórios (escrita) ou promovendo reuniões (oralidade).

Todo administrador é um tecno-administrador, que coordena e decide, através das mídias disponíveis, que estruturaram o modelo administrativo que ele conhece.

Assim, podemos dizer que a Tecno-administração é feita, moldada, estruturada sobre as mídias disponíveis.

E aí temos separação importante entre canal e linguagem, quando falamos de mídia.

O canal é a parte física, na qual circulam as linguagens – os códigos de cada mídia.

Administrar significa, assim, decidir, ou receber dados de determinada maneira, através de determinada mídia (canal e linguagem).

A mídia que temos disponível, portanto, define o modelo de administração que pode ser praticado.

Me mostre a mídia que temos disponível, que lhe mostrarei o modelo administrativo que será possível praticar!

Quando  chegou a escrita, por exemplo, há 8 mil anos, a administração se alterou, pois a presença física, exigência da oralidade, não era mais necessária.

Dados passaram a poder circular sem tempo ou lugar.  Ordens puderam ser enviadas e contratos passaram a poder ser feitos.

Surgiu novo modelo administrativo por causa disso, que foi a base para os grandes impérios e religiões.

A grande dificuldade que temos hoje na administração é filosófica: administradores não entendem o mundo digital, pois os paradigmas estavam equivocados, pois se ignorava o papel das mídias.

Temos a crise de mentalidades em duas etapas, diante de dois momentos distintos:

Parte I: 

Os novos canais, por onde passaram a circular as antigas linguagens, descentralizaram a informação e uma série de vícios administrativos passaram a ser questionados pela sociedade. O que obrigou a abertura das organizações de dentro para fora e horizontalização de dentro para dentro.

Parte I: 

A grande mudança, entretanto, é a que se iniciou com os novos concorrentes, que tem como grande novidade o uso de linguagem disruptiva, a dos cliques. Os cliques permitem modelo de administração completamente diferente do atual.

O Uber, por exemplo, pratica a Curadoria, pois usa a nova linguagem. E a cooperativa de táxi, a gestão, pois continua com as linguagens antigas.

São dois modelos administrativos diferentes e incompatíveis entre si, pois utiliza de duas linguagens humanas distintas.

  • Na Gestão, alguém se responsabiliza pelas decisões, a partir da oralidade e escrita;
  • Na Curadoria, consegue-se compartilhar decisões por muito mais gente, pois se usa a linguagem dos cliques, que permite a participação de fora para dentro e de baixo para cima.

São dois modelos administrativos incompatíveis e não contínuos.

A Curadoria é o primeiro modelo administrativo disruptivo na história do Sapiens, nos coloca na Classe Administrativa Insecta, nos tirando da Mamífera.

Na Classe Administrativa Insecta os rastros, sem som, nos permitem administrar volume muito maior de decisão por muito mais gente.

É a base da Civilização 2.0.

É isso, que dizes?

Vimos aqui o que mídias altera a sociedade.

O novo milênio traz nova mídia que chamamos genericamente de “Digital”, que significa a chegada de novos canais e nova linguagem.

Nestes momentos, a sociedade se abre para nova Era Cognitiva Civilizacional, pois se troca, ao longo do tempo, a placa-mãe, é refeito o sistema operacional e depois os aplicativos.

O que temos que discutir é até onde vai essa mudança, qual o grau de disrupção que temos pela frente?

Nesta nova era Cognitiva Civilizacional podemos constatar que na primeira etapa tivemos um “banho de loja” nas linguagens anteriores (gestos, oralidade e escrita), que se digitalizaram e se descentralizaram.

É o que chamamos de Digital – Parte I, massificação de novos canais e adaptação/massificação das linguagens existentes.

Porém, esta é apenas a primeira parte da mudança com o Digital, que é provocada pelos novos canais.

O que vai ter o maior impacto não é essa primeira etapa, mas a segunda: a chegada da nova linguagem.

O Digital – Parte II.

Tenho chamado de “Linguagem dos Cliques”, ou “Linguagem Digital”.

Os cliques são linguagens de trocas muito simples e primitivas, se comparadas às demais, porém muito úteis para uma espécie com 7 bilhões de membros.

Permite que uma série de problemas coletivos passem a ter soluções mais compatíveis com a atual complexidade demográfica, o que antes não era possível.

São os cliques que permitem, por exemplo, o surgimento do Waze, do Uber, do Mercado Livre ou do Youtube. Só os canais digitais não permitiriam tais projetos.

Os cliques deixam rastro a cada visita, compra, comentário, compartilhamento que permitem que melhores decisões sejam tomadas pela experiência individual que é compartilhada por muito mais gente –  o que antes não era possível.

Os cliques fazer parte de um tipo de linguagem utilizada por espécies mais numerosas, como a das formigas e permite que possamos iniciar a experimentação de novo modelo da administração sem gerentes, ou líderes-alfas.

Marca o início da passagem de Sapiens Sonoro para Sapiens por Rastros.

Pela primeira vez, desde que saímos das cavernas estamos deixando de ser uma espécie que adotou a classe administrativa mamífera e passa para a insecta.

Os cliques, diferente dos gestos, ou da oralidade ou das escritas, é uma linguagem disruptiva. Todas as outras foram incrementais ou, no máximo, radicais.

É disruptiva, pois permite que possamos praticar um modelo de administração, que nos abre nova classe administrativa.

Por isso, sob este ponto de vista, temos dois sapiens: o antes e depois dos cliques, sendo assim a Civilização 2.0 e não a 3.0, como até eu sugeria.

Independente a classificação, precisamos encara o grande desafio que temos: entender e agir com a dimensão que o momento exige.

 

 

Quando falo de Civilização 3.0 tenho referência histórica de três Eras Cognitivas, a partir de três mídias diferentes: gestual (1), oral/escrita (2) e digital (3).

Estou utilizando um termo geral chamado mídia (aquilo que está entre nós e nos permite ser sapiens).

Somos, na verdade Homo Mídia e, por causa disso, Sapiens.

Porém, para falar com mais propriedade sobre mídias, precisamos separar dois elementos fundamentais e estruturantes desse fenômeno:

  • canal – o meio pelo qual os códigos transitam;
  • linguagem – os códigos que utilizamos.

Várias épocas na macro-história só serão melhor explicadas quando introduzimos o conceito filosófico do Cognitivismo, como um dos principais fatores de alteração da macro-conjuntura de “a” para “b”.

(A frase principal do Cognitivismo é: mudou a mídia, muda a sociedade!)

Por exemplo, antes da escrita impressa (até 1450) x depois da escrita impressa (pós 1450) = sociedade moderna.

As mídias são, assim, a placa-mãe do Sapiens sob a qual rodam a linguagens – os códigos de máquina, que nos permitem produzir o que chamamos de cultura, ou Tecnocultura, para ser mais preciso.

Sobre as linguagens (código de máquina) os filósofos  desenvolvem macro-cosmovisões que são o nosso sistema operacional.

E, por fim, temos os “aplicativos sociais”, que rodam dentro dos sistemas operacionais, numa determinada placa-mãe de uma mídia específica.

Assim, com a chegada de nova mídia, iniciamos jornada de revisão do sistema operacional do Sapiens.

Canais e as linguagens se disseminam sem pedir licença, o que não é, assim, algo opcional, mas obrigatório.

É iniciado, como foi feito na Grécia e na Europa Impressa  processo de revisão do sistema operacional (filosófico).

O objetivo é o de alinhar tudo que acumulamos de conhecimento do sistema operacional passado à nova placa mãe.

É o que vai estruturar as bases da nova Civilização, que surge com o digital, no que podemos chamar de passagem da Civilização 2.0 para a 3.0.

Porém, ando com uma uma dúvida aí sobre este número civilizacional. Seria a 3.0 ou apenas a 2.0, numa mudança profunda e radical, a maior de todas até agora?

É o que vou tratar neste post.

Ayn Rand criou cosmovisão liberal, que chamou Objetivista, com definição em algumas áreas filosóficas: metafísica, epistemologia, ética, política/econômica e artística.

Não foi completa e nem poderia ser.

Temos um espaço para debater a melhor Filosofia do Aprendizado  que tem como objetivo gerar mais felicidade para cada pessoa.

Partimos, assim, da tentativa do que seria a Filosofia do Aprendizado Objetivista, que parte para o fortalecimento do individualismo.

Cada pessoa neste filosofia passaria a ter a responsabilidade de aprender por ela mesma, a partir de determinados problemas.

Não existe fórmula padrão para resolvê-los, mas processo progressivo de experiência de resolver de forma cada vez melhor os problemas – dos mais simples para os mais complexos.

Cabe a cada um, no processo de solução dos problemas definir:

  • quais são as melhores ferramentas para resolvê-los;
  • quais problemas que têm mais interesse de resolver;
  • quais são aqueles que podem garantir a sobrevivência de cada, mais adiante, através de trocas voluntárias;
  • e, por fim, que tipo de participação se sente melhor e com mais capacidade de ajudar em cada processo.

Lembra muito o aprendizado para o empreendedorismo e inovação.

O papel dos educadores é o de criar métodos, espaços, para que os aprendizes (de diferentes idades) individualmente ou em grupo possam vivenciar a experiência da solução de problemas.

E, ao mesmo tempo, que aprende a melhor forma de lidar com o problema, aprende sobre si mesma.

Avalia a cada etapa do processo tanto a melhoria do problema em si, mas o que aprendeu para a próxima jornada.

O aprendizado por problemas é fortemente filosófico e autônomo, pois é preciso trabalhar nas diferentes camadas do mesmo:

  • a metodologia a ser utilizada;
  • a teoria, que definiu o mapa das forças;
  • a filosofia, que definiu os propósitos.

O conteúdo do aprendizado é, basicamente, a experiência acumulada sobre soluções de problemas, mas não de como se resolve cada um.

Não é feito de fórmulas prontas, mas de tipos de exercícios, que vão ajudar na “musculação” problematizadora.

Por fim, o aprendizado objetivista além de individualista é racional, assim, tem que preparar o indivíduo para um mundo existente, concreto.

Não se prepara, assim, para problemas estáticos, mas dinâmicos, pois incorpora a ideia do Demografismo, que faz parte do que tenho desenvolvido o Objetivismo 3.0.

No Demografismo,  se sabe que a espécie vive sob a égide da Complexidade Demográfica Progressiva e a maneira que se resolve um problema hoje, não será a mesma do que amanhã.

É um aprendizado para a inovação constante.

É isso, que dizes?

 

Aprender é algo fundamental para a espécie, pois, diferente das demais, nossa demanda por aprendizado é de quase 100%.

Não nascemos andando, nem falando e nem sabendo como viver sozinhos ou em sociedade.

O aprendizado começa em casa e hoje é complementado por organizações educacionais.

O ser humano é, assim, formatado pela Tecnocultura (cultura + tecnologias) para poder viver em sociedade.

A filosofia do aprendizado é, assim, “sala filosófica” que procura debater as melhores formas para que se possa individualmente e coletivamente manter a espécie viva e, se possível, gradativamente com mais felicidade.

É isso, que dizes?

Existem alguns níveis de reengenharia do pensamento humano.

  • Revisões metodológica bem próximas aos problemas;
  • Revisões teóricas acima das metodologias;
  • E revisões filosóficas, acima das teorias;
  • E revisões filosóficas das cosmovisões filosóficas;
  • E ainda revisões filosóficas das macro-cosmovisões filosóficas, que é o topo do topo da revisão possível feita por alguém – não existe esforço intelectual maior do que este.

Ayn Rand, assim, poderia ser definida como macro-filosofa, pois trouxe para si a tarefa de promover crítica de macro-cosmovisões filosóficas, começando com os gregos (Platão versus Aristóteles), passando pelos modernos e chegando aos contemporâneos.

Pode-se criticar a moça por vários motivos, mas, antes de tudo, é preciso compreender o desafio que abraçou para poder compará-la com outro alguém.

Note que macro-cosmovisões começam com os gregos e vêm descendo por determinados pensadores  que levam séculos ou milênios para se disseminar, virando sub-cosmovisões e se embrenharem pela sociedade em formas de agir e pensar.

Quando Rand critica as contradições e virtudes da sociedade moderna, consegue enxergar longe, pois percebe influências das grandes correntes filosóficas, causas e efeitos e onde fomos bem e mal.

É por isso que nos debates de televisão, ela sempre parece meio fora de contexto, pois está dois degraus acima, não só do senso comum, mas do senso incomum ou do hiper senso incomum.

Assim, antes de debater Ayn Rand e suas ideias é preciso situar que tipo de  intelectual ela foi: um dos raros filósofos que se propôs a debater macro-cosmovisões, ao ponto de sugerir uma própria: o objetivismo.

Rand se situa ao perceber que poderíamos dividir as sub-cosmovisões em duas linhas: coletivismo e individualismo.

Se propõe a criticar, assim, os coletivistas e suas diferentes, sub-cosmovisões: religiosas (cristianismo) e políticas (marxismo, nazismo).

E mostrar como as “boas intenções” podem resultar em ter consequências funestas.

Só nesse nível de debate você consegue juntar a causa da cosmovisão criada há milênios com as consequências que ocorrem na sociedade hoje.

Talvez, só lendo Ayn Rand, salvo engano, alguém é capaz de juntar alguns ensinamentos básicos do cristianismo com a chegada do Nazismo por causa do altruísmo (por mais incrível que isso possa parecer.)

E é por isso que a moça foi e continua sendo dinamite pura.

E mais: talvez tenha sido a primeira com viés radicalmente liberal, que tenha chegado a esse tipo de estágio de macro-abstração e, por causa disso, transformado o liberalismo de sub em macro-cosmovisão.

Assim, podemos dizer, em síntese, que Rand se propôs a duas tarefas gigantes:

  • revisar os efeitos de macro-cosmovisões, a partir de Aristóteles e Platão e as diferentes sub-cosmovisões, que vieram disso, em particular religiosas, além do socialismo e do comunismo, que chamou de coletivistas;
  • e sugerir a reorganização do que era uma sub-cosmovisão liberal, ou da cultura que se tornou hegemônica,  através do Objetivismo, que é alinhamento de várias áreas da cosmovisão liberal, ou uma macro-cosmovisão organizada.

Apresenta, assim, algo bem prático, porém extremamente profundo,  para que liberais possam debater e agir de forma filosoficamente coerente.

“Se você é liberal toma aqui uma macro-cosmovisão filosófica organizada para pensar e agir sobre o tema”.

Defendeu, assim, que a sociedade aberta e liberal precisa de um uma macro-cosmovisão que passa NECESSARIAMENTE por determinadas posturas metafísicas, epistemológicas, éticas, políticos-econômicas e artísticas.

Defende que um liberal tem que ter, antes de tudo, coerência filosófica não só para aprimorar a sociedade atual, mas defendê-la quando atacada em áreas que não se percebia antes.

Rand percebeu que a maior parte dos liberais são, no fundo,  meio liberais, ou liberar em contradição, pois não conseguem ter a dimensão filosófica do que estão REALMENTE abraçando.

Cria, assim, espécie de “sala filosófica liberal de auto-reflexão” e chama todo mundo para sentar e refletir sobre como anda pensando e agindo em vários aspectos.

No fundo, quando sugere o Objetivismo, está refundando o pensamento liberal em outras bases, através de agenda de debate e conduta de forma organizada.

Rand, por fim, tira o liberalismo do seu viés puramente econômico/político (de algo que realmente dá certo e é melhor) e coloca no alto da montanha (de um projeto humano capaz de substituir, inclusive, as religiões).

Rand é o que chamo de “monstra” intelectual, mente macro- disruptiva, que merece mergulho profundo na sua obra, pois não é algo corriqueiro e nem de leitura que caiba numa viagem de metrô.

É ponto de partida, a meu ver, para o extenso debate de revisão liberal, no terceiro ciclo, a partir do digital, que detalhei aqui no meu e-book, que acabo de reescrever:

Liberalismo 3.0:  por que vivemos hoje no Brasil um surto liberal?

É isso, que dizes?

Toda cosmovisão que aparece na sociedade tem  objetivo de melhorar a vida das pessoas.

Não existe nenhuma cosmovisão religiosa, política ou de qualquer espécie que não prometa a melhoria de um ponto “a” (onde estamos) para um ponto “b” (para onde vamos).

Do ponto de vista filosófico, todas as cosmovisões já criadas eram bem intencionadas, pois havia a promessa de melhorar a vida de um grupo de pessoas.

A filosofia, entretanto, é apenas  base para propostas sociais que não tocam no chão, de forma imediata, no curto prazo.

Filosofias são ferramentas estruturantes para se criar teorias, metodologias, tecnologias para atuar na sociedade.

Por trás de cada ação humana, há algum tipo de pensamento filosófico, que está deixando de ser abstrato e se tornando, naquele momento, concreto.

O resultado das ações humanas, assim, está, de certa forma, validando, ou invalidando, determinado pensamento filosófico, mesmo que não tenhamos consciência disso.

A filosofia só é testada, via metodologias.

Só é possível rever determinadas metodologias, em vários momentos, quando se consegue perceber o pensamento filosófico que a criou.

Bem como só é possível testar determinados preceitos filosóficos depois que se analisar os resultados provocados pelas metodologias que se basearam naqueles preceitos.

O problema reflexivo principal nesta tarefa é o seguinte: há distanciamento entre a causa (o pensamento filosófico) e o efeito (ação prática de determinada metodologia), baseada naquele pensamento.

E na maior parte das vezes as metodologias deixam de ser uma ação humana passível de revisão, pois não se consegue perceber a engenharia que há por trás dela.

Em geral,  pensamentos filosóficos são invisíveis, pois  acabaram se tornando naturais, como se fizessem parte da nossa própria identidade.

As pessoas não conseguem separar a identidade/metodologia do pensamento filosófico, pois consideram muitas vezes que ela própria teve aquela ideia/forma de agir sozinha.

 

As pessoas não juntam “a filosofia original” com nossa maneira de pensar e agir,  e posterior “resultado que estamos tendo”.

Assim, é fundamental perceber que por trás de cada metodologia há uma filosofia, que, quando há problemas de resultados, é preciso fazer a “reengenharia filosófica” para se refazer a metodologia.

Este é um tipo de “musculação filosófica” necessária anti-dogmática.

É isso, que dizes?

 

Cosmovisão é uma maneira de pensar e agir disponível na sociedade, criada por alguém ou um grupo de pessoas.

Existem vários tipos de cosmovisões, desde religiosas à políticas, com variações nos comportamentos.

Cosmovisões, em geral, disputam sua maneira de pensar e agir na sociedade.

Ninguém vive sem piloto automático.

É ferramenta relevante para economizar esforço.

Temos níveis, entretanto, de pilotagem automática.

Quanto mais fundo formos mergulhando nela, mais vamos chegar ao que chamamos de identidade.

Identidade, então, seria o nível mais profundo do nosso ser, algo inacessível que vamos levar ao caixão.

Mas como podemos distinguir e ficar tranquilos com o que achamos que somos?

Podemos dizer que existem automatismos nocivos para a pessoa e a sociedade. E outros que não são, cabe a pessoa e a sociedade decidir.

Uma pessoa que é alcoolista, por exemplo, pode considerar que a bebida faz parte da sua identidade, mesmo que lhe faça mal.

No passado, alcoolistas eram consideradas pessoas imorais, que vinha de berço, era da identidade, até que se chegou a conclusão que era doença crônica, cuidada principalmente com intenso trabalho de apoio em grupos.

Um alcoolista pode beber à vontade, desde que não crie problema para os demais, tal como dirigir.

Uma pessoa, assim, é alcoolista por uma série de motivos, mas pode conseguir lidar com isso e ficar menos alcoolista se conseguir parar de beber.

É um trabalho claro de luta entre o automatismo e a falsa identidade e a procura por nova identidade, a partir dos problemas causados por ela.

Um time de futebol é outro exemplo de algo inacessível, porém, em geral, não é algo nocivo para a pessoa e a sociedade.

Há exceções como as torcidas organizadas violentas, por exemplo.

Podemos dizer, assim, que podemos separar dois tipos de automatismo/identidade:

  • Nocivo: é aquele em que a pessoa não consegue abandonar determinada maneira de pensar e agir que provoca sofrimento a ela e aos demais;
  • Indolor: é aquele em que a pessoa não consegue abandonar determinada maneira de pensar e agir, mas  que NÃO provoca sofrimento a ela e aos demais.

Temos situações desse tipo nas pessoas, nas organizações e também na política.

É papo para outros textos.

É isso, que dizes?

 

Se tem algo que não gosto é de conceitos mal empregados.

Vejamos o tal do Vuca (volátil, incerto, complexo e ambíguo).

O mundo atual é volátil?

Volátil seria inconstante, instável.

Isso não é, a meu ver, característica do novo mundo, mas da passagem entre uma era para outra, que nos tira do chão.

Toda a mudança é volátil (de “a” para “b”), mas não o milênio em si.

Há lógica e ritmo que se tornarão naturais mais adiante. Não se pode definir um milênio por um momento de passagem.

O Uber tem lógica, forma de administrar, bem certinha.

O Blockchain, idem, que quando forem dominados tais modelos se tornarão estáveis, no padrão, repetitivos.

Vamos ter livrinhos “Uberização & Blockchain para Dummies”.

Não é o mundo que está volátil, mas a passagem do analógico para o digital. Isso sim.

Incerto? Como incerto?

O mundo vai acabar?

É certo que vamos viver, comer, dormir, ir ao banheiro, tudo isso continua certo, bem como vamos produzir produtos e serviços. Nascer e morrer.

Se mudarem isso por causa da engenharia genética vamos nos acostumar com isso também.

Assim, não é um milênio incerto é apenas desconhecido, pois é novo.

Seria incerto se tivesse por cair um meteoro, aí sim, pois ninguém saberia se iríamos todos, enquanto espécie, morrer.

Repito, de novo, não é incerto é certo que teremos novo paradigma – isso sim.

Sim, haverá taxa de inovação maior, com a qual vamos nos acostumar rapidinho. Os jovens já nem estranham ter que trocar de celular como de cueca.

Mundo complexo?

Sim MAIS complexo, mas não complexo.

Complexo sempre foi proporcionalmente a cada época, a cada tamanho da população.

Ambíguo?

Que desperta dúvida, incerteza; vago, obscuro, indefinido.

O mundo novo não desperta isso, mas a passagem.

Vejamos como o Vuca é Vuca.

O milênio aumentou a taxa de volatilidade, pois temos mais inovação pela descentralização de mídia e de complexidade pelo aumento demográfico de um para sete bilhões nos últimos 200 anos.

Isso é algo tão certo como a matemática: 1 bilhão demandam 3 bilhões de pratos de comida por dia e 7 bilhões, 21 bilhões.

Isso sim é complexidade certa, que demanda mais volatilidade inovadora, gerando um momento de incerteza e ambiguidade.

E isso é certo: MAIS COMPLEXO E MAIS VOLÁTIL.

Sempre tivemos inovação e complexidade progressiva. Se o Sapiens não inovasse, não estaríamos aqui vucando agora.

Mudanças, de fato, geram incerteza e ambiguidade pois é algo novo, ainda não dominado.

Não é, assim, o milênio que é incerto ou ambíguo, mas a nossa relação com ele.

É apenas novo mundo, com mais gente, que, com a nova mídia, saiu do armário e aumentou taxa de inovação, criando novo modelo administrativo – isso sim a grande novidade.

Entramos no mundo Digital dos 7 bilhões de Sapiens, através da Curadoria, que permite, finalmente, acabar com gerentes e gestores, vide Uber e Blockchain.

Milênio uberizado e com bitcoins para todos os lados me parece muito mais vuca.

O novo mundo, portanto,  NÃO  é Vuca.

O conceito vuca que é meio vuquinha.

 Discuti aqui o absurdo de basear a escolha de pessoas para gerenciar a sociedade “bem intencionadas”.

A boa intenção é apenas hipótese, que vai gerar determinada metodologia.

Toda metodologia tem que ser testada sobre determinado cenário/problema e se avaliará resultados para se rever a intenção e saber se foi eficaz ou não.

Não existe, assim, boa intenção, mas apenas intenção, sem adjetivos.

Toda intenção é passível de melhorar ou piorar a situação, dependendo dos resultados apresentados.

Assim, temos dois tipos de intenção:

  • aberta, passível de avaliação, pronta para rever métodos, a partir dos resultados;
  • e fechada – mitológica, dogmática, que já leva o adjetivo de boa, desde o princípio, como forma de amenizar o debate, pois não haverá avaliações, pois é boa em si, pelas pessoas que a sugerem.

Uma pessoa com boas intenções está sugerindo que, independente dos resultados, a intenção deve ser mantida.

É uma intenção dogmática, fechada, não passível de validação.

Tira-se da intenção a possibilidade de erro. A intenção é religiosa, pois é boa por natureza.

Quando o método é bom, independente dos resultados, passa a ser nocivo, pois, mesmo que gere problemas, continuará a ser praticado.

 

 

É o que se chama mal absoluto, pois a pessoa pode estar com uma intenção que gere sofrimento e continuará praticando, pois é uma intenção fechada, é boa, independente dos resultados.

É isso, que dizes?

Muita gente fala que “fulano tem boas intenções“. E, por causa disso, tudo que ele fizer será para o bem de todos.

E ainda que a sociedade precisa de pessoas “bem intencionadas” que todos os problemas estarão resolvidos.

Isso é forma infantil, mitológica e religiosa de pensar a sociedade, pois elimina-se séculos de debate filosófico.

Joga-se no no lixo cérebros e acúmulo cultural com as experiências do passado. Tudo sai do campo das ideias, da tentativa, erro, análise e superação para se apostar em pessoas.

Deixamos de refletir sobre ideias e passamos a apostar no nosso “feeling” sobre pessoas que são do “bem” contra os que são do “mal”.

Boas intenções, é bom saber, estão imersas em cosmovisões filosóficas, que foram criadas e debatidas ao longo do tempo. Têm um histórico de tentativas e erros.

Vejamos:

Intenção aquilo que se pretende fazer; propósito, plano, ideia.
Não se pode dizer que determinada pessoa é boa, pois tem “boa intenção“, pois está propondo plano, propósito, ideia.
Uma pessoa não pode ser “bem intencionada”, pois tudo dependerá do resultado final do seu plano.
Só podemos saber se determinada intenção melhorou  determinado problema depois que tivermos o resultado.
Intenção, assim, não pode ser atributo de alguém, mas sempre de  ideia, que precisa ser testada, não sendo boa ou má, mas apenas mais ou menos eficaz.
E só podemos saber se vai melhorar a vida de todos se a ideia for testada no tempo.
Assim, de maneira geral, toda a ideia tem a intenção de melhorar algo em “a” para “b” e só é possível saber se teve os resultados esperados depois.
Quando dizemos que fulano tem boas intenções, estamos admitindo que, independente do resultado, tudo que ele fizer é bom. Estamos, no fundo, santificando-o.
Entramos, assim, em visão religiosa, mitológica, sobre ações na sociedade em detrimento de análise mais científica.
Quando digo que fulano tem “boas intenções” necessariamente estou com uma mentalidade religiosa e não científica.
Ao dizer fulano é “bem intencionado” eliminamos o debate filosófico da proposta que está por trás da pseudo-bondade. É o mesmo que santificar alguém pelo simples fato de ter uma ideia.
Independente do que você está propondo para a sociedade, o resultado será bom, pois fulano  “é do bem“.
(Temos candidatos que dizem que vão formar ministérios só com pessoas do bem, o que quer dizer que está, no fundo, fugindo do debate filosófico-metodológico do seu governo.)

A fantasia da pessoa “bem intencionada” é de que, independente dos resultados o bem será alcançado.

Uma sociedade que aposta em “pessoas bem intencionadas“, sem debater os métodos, pode ter resultados trágicos, pois será baseado na fé e não em métodos científicos.

 Os bem intencionados ganham carta branca para agir, pois nada do que fizer pode dar errado. E se der não vamos discutir os métodos, mas apenas vamos dizer que fulano que achávamos que era do bem, não é mais.
E vamos procurar outro “santo”.
É isso, que dizes?

A economia é o resultado da forma como o ser humano promove trocas e lida com a escassez de recursos.

A forma como o ser humano promove trocas é resultado de determinada cosmovisão.

Cosmovisões são maneiras de pensar e agir criadas por filósofos ou religiosos, que influenciam a sociedade no médio, mas principalmente no longo prazo.

Assim, crises econômicas são resultados práticos, apesar de distantes no tempo, de alguma cosmovisão criada bem antes e que agora está apresentando resultados.

Cosmovisões filosóficas em algum momento viram metodologias e, só então, podem ser analisados os resultados práticos.

Cosmovisões são criadas com a intenção de melhorar a vida do ser humano, porém nem sempre a vida respeita boas intenções.

Não existe cosmovisão neutra, etérea, pois a nossa forma de pensar NECESSARIAMENTE, mais dia, menos dia, vai influenciar nossa forma de agir.

Uma crise econômica demonstra, assim, equívocos de determinada cosmovisão que precisa ser repensada.

E isso é tarefa, geralmente, dos filósofos, que trabalham com linhas do tempo mais largas.

No Brasil de 2017, por exemplo, estamos saindo de crise econômica gerada por cosmovisões com a mesma origem: coletivismo, que acredita a centralização do poder, em torno do estado.

Todo coletivista tem como grande máxima o seguinte: “o estado é meu pastor e nada me faltará”.

O coletivismo cristão, num primeiro momento, pincelado por um coletivismo positivista e depois marxista formam o pensamento hegemônico do brasileiro.

Tais cosmovisões não defendem o indivíduo como fim em si mesmo, mas como meio para algo maior: por isso, coletivista.

Tal pensamento acredita acredita menos na possibilidade de  ordem espontânea e mais na coordenação das atividades, a partir de um centro, com determinada visão do todo.

O coletivismo é, por natureza, burocrático e vertical, bem avesso ao empreendedorismo, que precisa de liberdade individual para ousar.

E da desregulamentação do centro para que as pessoas possam livremente trocar e escolher o que é melhor para elas.

O estado passa a ser entidade que imaginariamente é espécie de “mãe protetora” com recursos fantasiosamente ilimitados, que produz dinheiro e seria capaz, de forma mágica, resolver todos os problemas.

Cria-se a ideia de direitos coletivos, independente da escassez de recursos. As pessoas têm direito, mesmo que não se tenha condições de atender.

Se passa para o coletivo o que deveria ser esforço individual.

A escassez, um dado matemático da economia, é demonizado, como se fosse algo perverso e não a própria realidade.

O coletivismo, ainda bem, se dissemina mais em épocas de mídias concentradas e perde força na descentralização das mídias, como agora.

Vivemos no Brasil e no mundo movimento de descentralização tecnológica, que se abre para movimentos anti-coletivistas, liberais de todos os tipos, que precisam promover intenso trabalho cultural.

É preciso aliar ao sentimento geral em busca de liberdade, que mídias descentralizadoras promovem, com conceitos filosóficos, teóricos e metodológicos, que ajudem a cada indivíduo a escolher, de forma autônoma, caminhar com próprias pernas.

É isso, que dizes?

 

Existe uma diferença entre ideologia e cultura.

A meu ver ideologia é proposta de cultura. E cultura é ideologia que deu certo.

O marxismo, por exemplo, como o nazismo, o fascismo, são ideologias que procuraram vivar cultura, mas não conseguiram, pois não conseguiram comprovar premissas no tempo.

Uma ideologia para virar cultura precisa da adesão humana, de tempo de prática, comprovar que as premissas iniciais batem com o que o Sapiens considera razoável em termos de sociedade.

O liberalismo foi proposta que foi sendo construída, aos poucos, implantada de forma gradual, na base da tentativa e erro, que eclodiu em algumas revoluções (inglesa, americana e francesa).

O liberalismo é o exemplo típico de ideologia que virou cultura e pegou, pois teve adesão.

Quando eclodiu em revoltas e revoluções, já fazia parte viva da sociedade.

Houve, na verdade, experiência isoladas, que se consolidaram depois.

Foi mais movimento de continuidade e não de disrupção.

O liberalismo não foi, por exemplo, movimento de guerrilha que tomou o poder, como na Rússia, quando novo projeto social político, social e econômico passou a ser testado do zero.

Assim, podemos dizer que não se pode comparar ideologia com cultura.

Por isso, considero esquisito dividir o mundo entre esquerda no sentido marxista e não republicano (que seria a proposta de implantar nova cultura na sociedade) com direita (uma cultura, que está em continuidade já séculos).

São duas coisas completamente diferentes. É como se comparássemos tomate da cultura com melancia da ideologia.

Hoje, temos cultura consolidada e vários movimentos anti-cultura, que para poder se tornar alternativa de poder têm que apresentar resultados de longo prazo em algum lugar do globo.

Tal ideologia tem a missão de ganhar as pessoas pela adesão e não pela força e criar ambiente social, político e econômico, que resista no tempo.

Só então, poderá ser chamado de cultura e ser alternativa válida.

É isso que dizes?

A ideia de que grandes esquipes podem criar ideias disruptivas não é verdadeira.

De fato, as inovações incremental e radical se beneficiam muito de equipes interagindo, pois existe algo real que elas podem observar, analisar e aprimorar.

Têm de onde partir.

Ideias disruptivas, entretanto, partem do abstrsto.

Disrupção para quem não sabe é basicamente conseguir enxergar um paradigma vigente do lado de fora e criar outro!

Mentes disruptivas são espécie de serial killer, ao contrário: existem muitos criminosos, mas apenas alguns matam serialmente.

Ideias disruptivas precisam de forte dose de:

  • Abstração;
  • Espaço reflexão interna;
  • Inquietação existencial;
  • Compromisso ético com sua consciência;
  • Certa autonomia diante dos grupos.

Mentes disruptivas não são criadas, já vêm de berço. Podem ser apenas aprimoradas e incentivadas.

Mentes Disruptivas possuem cérebro específico – fora de padrão.

Mentes disruptivas juntam conceitos e ideias abstratas que poucas pessoas têm capacidade de fazer.

Especialistas em mudanças sabem que ideias revolucionárias geralmente vêm de fora do sistema para dentro.

De que tais ideias não partem de equipes, mas de pessoas isoladas, geralmente “outsiders”.

Obviamente, que ideias disruptivas precisam, depois de formuladas, de equipes para serem arredondadas e transformadas em produtos e serviços.

E nisso mentes disruptivas podem até atrapalhar.

Num cenário disruptivo como o atual, em que estamos no final de uma e início de nova Era Civilizacional, Mentes Disruptivas bem administradas são fundamentais.

São elas que podem aumentar a taxa de competitividade das organizações que querem liderar mercados.

É isso, que dizes?

Disse aqui que Cosmovisões têm determinada origem, um big bang.

Um dos questionamentos do Objetivismo é o questionamento dos pilares da Cosmovisão Cristã e as consequências que tiveram para as pessoas e sociedade.

É espécie de revisão geral da cosmovisão para dar início a outra, a partir dos resultados obtidos.

Ayn Rand, a meu ver, ao analisar a frase “ama o próximo como a ti mesmo”, simplesmente diz que isso é algo impossível.

Ela não questiona se as pessoas devem ou não fazer isso, mas simplesmente não acredita ser possível. Não é uma crítica emocional, moral, apenas objetiva.

“Vocês estão propondo algo que não dá para fazer.” Ponto.

E alerta que isso não só vai criar grave problemas para as pessoas como para a sociedade. E terá o efeito contrário do que está se propondo: as pessoas vão amar menos a elas e as outros!

A justificativa de Rand é a seguinte: cada pessoa precisa tratar de sua sobrevivência e para isso precisa se amar para se cuidar.

É o que diz a aeromoça: se o avião estiver com problemas, coloque a máscara antes em você e depois nos seus dependentes! (Grato Roberto Rachewsky pela dica.)

Cada Sapiens precisa, antes de tudo, se amar, se cuidar, prover o básico para si mesmo, só então, poder começar a se relacionar com os demais de igual para a igual, de inteiro para inteiro.

Se amar, antes de tudo, é base fundamental para amar o próximo!

Quando temos cosmovisão religiosa que influencia toda a  sociedade, incluindo os não adeptos,  isso passa a ter consequências sociais.

A primeira delas é de que cada pessoa que tenta “amar o outro mais do que a si mesmo” inicia jornada de tentativa e fracasso, o que resulta na culpa de não ter conseguido aquilo que é recomendado para ser uma pessoa de bem.

Cria-se ética impossível, não humana, e se gera uma divisão interna, pois não se pode alcançar aquilo que é considerado “o ideal”.

Há, por causa disso, o incentivo a uma baixa auto-estima e, de certa forma, incapacidade de aumentar a taxa de amor pelos demais, pois a pessoa está eticamente dividida.

Toda vez que pensa em si mesmo por necessidade prática – se sente mal.

Do ponto de vista social, temos ainda problema maior e mais grave.

Quando as pessoas deixam de considerar que se amar para sobreviver é algo fundamental para resolver os seus problemas de sobrevivência, começam a imaginar alguém que vá fazer isso por elas.

“Outro vai me amar mais do que a mim mesmo, então, vou esperar que ele chegue para me ajudar.”

E cria-se mentalidade anti-empreendedora individual, dependente da caridade e do altruísmo alheio.

Qual é a receita para reverter isso?

O Objetivismo prega uma outra ética, que seria a seguinte.

Ama-te a ti mesmo para depois poder amar a outro alguém de forma mais honesta e inteira.

É ética mais humana, mais próxima das pessoas, pois cada um, querendo ou não, vai precisar todos os dias resolver seu problema de sobrevivência. E isso não vai ser gerar uma divisão.

E mais: ao estar procurando, além de sobreviver, dando o máximo de si, da sua diversidade única, mais e mais a sociedade vai se aperfeiçoar.

É um tipo de cooperação de pessoas inteiras, diversas e únicas, que interagem de forma mais adulta e menos infantil.

Há espécie de alinhamento ético interno-externo, pois a pessoa não se sente culpada de amar a si mesmo mais do que aos outros, pois isso é fundamental para que todos, ao final, estejam melhores.

A procura do outro não será desonesta, pois ambos sabem que estão trocando sobrevivências.

Do ponto de vista social, a ética objetivista do “ama-te a ti mesmo para encontrar os outros de forma mais inteira”, nos leva a pessoas mais maduras, menos divididas, empreendedoras e mais independentes.

E aí temos algo interessante.

Numa sociedade de trocas, quando você ama a si mesmo e está procurando sobreviver, depende necessariamente do outro para poder gerar valor.

O compartilhamento sempre será necessário, não existem o ama-te a ti mesmo e se feche em casa, pois dessa forma não vai conseguir sobreviver.

O outro é base fundamental para felicidade de cada um. O que está se discutindo não é o encontro e nem a ajuda que vai se dar aos outros, mas justamente como serão as bases éticas dessas relações.

E aí há o que chamo de generosidade interessada.

Você procura entender o problema do outro para, ao mesmo tempo que o vai ajudar, conseguir sobreviver também. É troca ganha-ganha, inteiro-inteiro, sem criação de relações de dependência.

É uma troca aberta, mais madura e menos idealizada.

O Objetivismo é claramente contra-ponto ao pensamento cristão idealizado, que coloca no altar santos e padres (que sobrevivem do salário da igreja), mas que pedem aos fiéis para fazer o que é humanamente impossível.

(Ouvi um padre recentemente defendendo que a pessoa que passa dificuldade não deve duvidar da sua fé que Deus vai ajudá-la, numa atitude de dependência e passividade.)

Tais mitos aparentemente são inofensivos e fazem todo o sentido na direção de um mundo melhor.

Mas, na prática, acaba tendo consequências perversas tanto para as pessoas como para as sociedades.

É isso, que dizes?

Cosmovisões são formas de pensar e agir numa sociedade.

O cristianismo é uma, o marxismo é outra, o liberalismo é outra, o nazismo mais uma.

Cosmovisões têm uma origem, um núcleo fundamental, geralmente uma pessoa ou um grupo que cria as bases filosóficas, que vão se desdobrar no tempo em teorias, metodologias.

Podemos dizer, assim, que muito daquilo que pensamos e agimos hoje é resultado de um big bang filosófico do passado, que moldou nossa sociedade e, por consequência, nós mesmos.

Assim, quando vivemos finais e inícios de novas Eras Civilizacionais, em função da chegada de novas mídias, é normal que façamos revisões nas bases filosóficas das Cosmovisões vigentes para iniciar novos ciclos.

Um destes debates, por exemplo, é o Objetivismo que ao defender o Egoísmo Racional prega algo assim: “ama a ti mesmo para poder amar outro alguém com mais honestidade”.

Tal premissa vai questionar de frente o pensamento cristão que diz: “ama ao próximo como a ti mesmo”.

Isso é possível?

Vou discutir isso aqui.

É isso, que dizes?

 

Metodologias são regras para lidar com determinado problema, a partir de teorias (forças) e filosofia (valores).

Filosofias definem motivações e preocupações. E metodologias são ferramentas de ações.

Metodologias visam obter resultados, a partir de valores diante de forças da vida.

Metodologias não são valores em si, pois são ferramentas para atuar sobre problemas.

Metodologias podem mudar de não atingirem os objetivos propostos.

Há revisões metodológicas, mais simples.

Há revisões teóricas, forças mal avaliadas.

E revisões ética filosóficas, de valores.

Metodologias dogmáticas são aquelas em que as forças e os valores não são mais considerados.

Se atua sempre de mesmo jeito, sem se importar muito com os resultados.

São métodos que se automatizaram e não são maiores passíveis de revisão.

É isso, que dizes?

Quer um ambiente social mais descentralizado?

Você tem que aderir necessariamente a forma de pensar e agir do Individualismo: cada pessoa com a maior responsabilidade possível sobre a própria sobrevivência.

Um pensamento filosófico individualista não nos levaria nunca a um regime como o nazismo e ao holocausto.

Um individualista é alheio a apelos de classe, de raça, de religiões.

Acredita na procura individual da felicidade, através de trocas voluntárias, daquilo que cada um consegue oferecer de melhor aos outros.

Individualismo é conceito filosófico que defende o ser humano como fim em si mesmo e nunca meio para se chegar a determinado objetivo coletivo.

Individualismo não é uma metodologia, mas um conjunto de filosofias para que haja gradual e permanente aumento da responsabilização de cada pessoa pelo seu próprio sustento, sua vida, seus pensamentos.

É excelente guia para formação de jovens, para que tenham sempre em mente que quanto mais cada um se responsabilizar pela própria vida, mais a sociedade poderá se horizontalizar, reduzindo riscos de regimes autoritários e totalitários.

Numa metodologia individualista se procurará reduzir ao máximo que uma pessoa seja obrigada a se responsabilizar pelo sustento do outro, a não ser por espontânea vontade, excetuando dependentes, que são parte de sua responsabilidade.

O individualismo é valor filosófico fundamental  e conceito estruturante do Objetivismo, corrente criada por Ayn Rand.

Todo conceito filosófico, é bom lembrar, foi criado para se contrapor a outro.

O individualismo é oposição ao coletivismo, que, no fundo, como veremos, é um tipo de individualismo sem medição das consequências práticas e sem ética.

O coletivismo, com várias correntes políticas e ideológicas, admite que o ser humano possa ou deve ser instrumento para objetivo coletivo maior.

Escolhe-se uma causa maior, acima de todas as pessoas, e se estimula que cada pessoa abra mão de sua individualidade em nome da algo “maior”.

Esse tipo de pensamento é justamente o germe da verticalização e do autoritarismo ou totalitarismo.

No coletivismo/falso individualismo, se sugere que pessoas se integrem a determinado grupo por objetivo “mais nobre” em nome de que não tem condições de se responsabilizar pela sua própria vida.

Em contra-posição, a defesa coerente e lógica do individualismo apota que as demandas do nosso lado biológico animal são inadiáveis e não deveriam ser transferidas.

Todos temos inadiável fome, sede, sono, frio, calor, precisamos ir ao banheiro, além de várias outras demandas.

Tais demandas, objetivas e inadiáveis, são inerentes a cada pessoa e precisam ser resolvidas de alguma forma.

A pergunta que fica é: quem se responsabiliza por isso?

A diferença entre o coletivismo e o individualismo está na maneira que se resolve as demandas biológicas humanas de cada um.

Numa sociedade coletivista, há processo inevitável de centralização e hierarquização, pois mais e mais gente vai, aos poucos, transferir a responsabilidade de sua vida para um centro centro, que ficará cada vez mais controlador e poderoso.

O centro que deseja o controle verá com bom grado assumir esta responsabilidade, aumentando seu corpo burocrático para fazer o que cada pessoa não faz por ela mesmo.

E gerando, assim, gradualmente uma crise de complexidade: mais quantidade de decisões com cada vez menos qualidade.

A transferência de responsabilidade de sobrevivência individual de cada um para o centro, acaba por gerar problemas administrativos na sociedade.

Quem sobrevive pelo seu próprio esforço, perde motivação, pois mais e mais precisa pagar por aqueles que não fazem o mesmo.

E entramos num círculo vicioso de mais e mais gente, querendo viver sem gerar valor e se responsabilizar pela sua existência, pois há outro alguém que cuida disso.

Assim, o conceito filosófico do coletivismo, tirando a responsabilidade das pessoas pela sua sobrevivência, acaba por tornar as sociedades inapelavelmente mais hierárquicas, várias vezes autoritárias ou totalitárias.

Tudo isso em nome do “bem comum”!

As várias correntes coletivistas, de forma consciente ou não, acabam por retirar a responsabilidade de cada um em resolver os respectivos problemas biológicos.

Consideram, por vários motivos, que há alguma responsabilidade social para que isso seja feito de alguém por outro alguém.

Ou por que o mais rico é mais rico por causa do mais pobre e está em dívida. Ou por que há uma herança que foi recebida de forma indevida e precisa ser compartilhada.

E se estabelece obrigações para isso, em geral impostos, que obriga que tal ajuda seja feita de forma compulsória.

Os individualistas consideram que é responsabilidade de cada um resolver os respectivos problemas biológicos, considerando que não há responsabilidade social para que isso seja feito de forma obrigatória.

O individualista considera que a sobrevivência de cada um tem que ser descentralizada e não pode ser problema coletivo.

E vai se esforçar por criar sociedade de responsabilidade mútua, que quanto mais avançar nessa direção, mais vai se descentralizar, reduzindo o risco do autoritarismo e do totalitarismo.

O individualismo é a melhor vacina social contra holocaustos!

Assim, a visão individualista defende que cada pessoa sempre vai estar, querendo ou não,  pensando nos seus problemas biológicos inadiáveis de alguma forma.

É uma espécie de egoísmo biológico inato, que precisa ser resolvido de forma racional e ética, através da problematização da responsabilidade da existência de cada um.

 

O individualismo acredita que tais valores devem ser estimulados para que cada vez mais, existam menos pessoas dependentes das outras na sociedade.

O coletivismo é um tipo de individualismo sem ética, pois admite e defende que várias pessoas sobrevivam na sociedade sem se responsabilizar pelo seu sustento.

Acaba-se, mais dia e menos dia, estimulando uma sociedade de párias, que demandarão mais e mais centralização, o que levará a sistemáticas crises de abastecimento.

Não é algo que se está inventando, mas se aprendendo com a história.

 

Do ponto de vista filosófico, não.

Valores filosóficos fundamentais são testados no tempo. Não são valores que ficam voando sem tocar no chão.

Quando se fala do relativismo filosófico, esquece-se que a filosofia é guia para a ação concreta na vida.

É testada.

Mais dia ou menos dia, o pensamento do filósofo vai virar metodologia e começa a influenciar na solução de problemas.

Quando a solução dos problemas, baseado em determinada metodologia, gera mais ou menos infelicidade é o momento de analisar os valores filosóficos fundamentais que estão embutidos ali.

Valores filosóficos fundamentais são, portanto, passíveis de verificação.

É análise, de fato, mais sofisticada de causa e consequência, mas é possível de ser feita.

Existem valores filosóficos fundamentais que geram mais ou menos felicidade ou infelicidade.

E, obviamente, que se vai definir o que é felicidade como um valor fundamental.

Quando analisamos as consequências de determinados valores filosóficos fundamentais é quando podemos avaliar se estão, ou não, coerentes com a vida.

Se as metodologias que são produzidas por estes valores filosóficos fundamentais estão aumentando a taxa de felicidade das pessoas, sim ou não?

É isso, que dizes?

A filosofia é o amor a sabedoria. Sabedoria é respeitar as regras da vida, sabendo quando e onde é possível negociar com elas.

Filósofo é, portanto, aquele que sabe lidar com a vida do jeito que ela se apresenta a cada contexto.

Filósofo aprende com a vida e revela sua lógica e regras mais fundamentais.

A filosofia é, assim, criada pelo humano para ser guia, espécie de GPS para definir valores fundamentais pra guiar o Sapiens na sua caminhada.

A filosofia é espécie de STF do pensamento, aonde vamos debater temas mais abstratos, profundos e fundamentais para servir de guia para os indivíduos.

A religião muitas vezes ocupa o papel da filosofia.

A religião, porém, é baseada em algum tipo de dogma, na ligação sempre de alguma entidade do além, com os humanos feitas a partir de psicografia, revelação, envio de um messias, etc.

Religiões têm valores filosóficos? Sim, tem alguns, porém, cada pessoa precisa ser seguidora de determinado livro central, que determina as regras do jogo, que foram definidas por alguém de fora do planeta.

Religiões servem para aplacar determinadas ansiedades humanas, que se mostram contínuas no tempo, justamente por falta de filosofias que as ajudem de forma mais ativa.

Em crises filosóficas, haverá ascensão de religiões e vice-versa.

A filosofia não é inspirada por entidade divina, mas na capacidade que pessoas de carne e osso tem de aprender com a vida e criar valores para que se viva melhor na terra – sem a necessidade de religiões.

Não se pode, entretanto, defender valores fundamentais da cabeça dos filósofos – que seria de laboratório não testados ou comprovados.

Valores filosóficos não testados na história não são filosóficos, pois desprezam a base da filosofia que é amar a vida como ela parece ser.

Se você não aprende com a relação dos nossos antepassados com a vida, está desprezando a experiência que tivemos no tempo.

É um desrespeito à vida e aos antepassados, que não eram burros. Fizeram o melhor possível dentro do contexto que tinham.

Você ignora a vida e quer impor a ela o seu jeito, a sua forma – o que acaba por receber de volta o seu desprezo.

Valores filosóficos inconsistentes são repelidos pela própria vida, não tem jeito.

A vida detesta não ser respeitada e quando isso ocorre responde com raiva, gerando crises de todos os tipos.

Crises são resultados de ações humanas, que foram  desrespeitosas com a vida.

Um filósofo, assim, não pode criar os valores que deseja para a vida, pois estará não mais amando-a, mas querendo impor a ela o seu desejo.

A vida é espécie de cavalo indomável, que em raros momentos permite ser montada, desde que com muito cuidado e respeito.

O filósofo, amante da vida, procura, assim, traçar valores fundamentais, respeitando o que a vida nos ensinou mais relevante no passado e pode ser perpetuado no tempo.

É isso, que dizes?

O Sapiens não lida com problemas diretamente.

Sempre há alguma metodologia, por mais rústica que seja, para fazer a intermediação entre problema e solução.

Metodologias, é bom lembrar, não caem do céu. São desenvolvidas por alguém, num determinado contexto, no qual os problemas tem algumas características específicas, que podem mudar.

Problemas se alteram em diferentes contextos: na qualidade ou na quantidade, o que obriga ajustes nas metodologias, mesmo que se demore mais tempo.

O problema que a prática contínua de uso de determinada metodologia faz com que a identidade da pessoa que a utilize passe, aos poucos, a se confundir com ela.

E aí podemos ter crise aguda de metodologia tóxica.

A pessoa passa a ser defensor intransigente daquele método, como se fosse eterno, único, como se o contexto dos problemas não se alterassem.

Metodologias ficam obsoletas e pessoas que as abraçam como se fosse filosofia de vida ficam obsoletas também!

Isso é o que podemos chamar de dogmatismo: pessoa confunde metodologia com filosofia de vida!

Podemos dizer que pessoa dogmática é aquela que cristalizou, por vários motivos, determinada metodologia como se fosse a sua própria identidade e valores.

Não é mais capaz de rever a eficácia da metodologia, pois ela se tornou parte integrante da sua identidade, a única forma possível de resolver determinado problema.

Digamos que um condutor de carruagem era alguém que usava uma metodologia de transporte, que ficou obsoleta.

Ele não era condutor de carruagem, mas agente facilitador de mobilidade urbana, que poderia ter migrado para outro tipo de veículo, quando surgiu.

Metodólogos tóxicos são defensores de métodos inflexíveis como se aquilo fosse um valor filosófico fundamental e não algo a ser avaliado a cada momento em função de seus resultados.

Cada macaco fica completamente fora do seu galho e começam a cair lá de cima.

Falarei mais disso por aqui.

É isso, que dizes?

Por que vivemos sob a égide da complexidade demográfica progressiva.

O sapiens precisa lidar cada vez mais com mais complexidade.

E isso tem apenas duas saídas: centralizar, que gera crises.

Descentralizar, mais sustentável.

Na micro ou meso-história, pode haver avanços e recuos, mas na macro tudo aponta para a descentralização.

Nós crescemos demograficamente – isso é fato matemático.

Que crescer gera complexidade.

Outro fato irrefutável.

Assim, o Sapiens aumenta sua complexidade com o tempo.

Sem margem para questionamento.

Isso é apenas ignorado, mas não contestado.

Todos movimentos humanos que demoram várias gerações para fazer efeito tendem a ser ignorados pelos pilotos automáticos de plantão.

Isso é uma parte de Malthus. A melhor dele.

(Muitos por uma questão de falta de argumento vai nos chamar de Malthusianos.)

O que o demografismo afirma diante deste fato irrefutável?

Que tal complexidade progressiva gera demanda por mudanças sociais.

Aqui saímos da matemática simples e entramos num jogo lógico ainda básico, mas um pouco mais complexo.

Que a espécie vai ter que fazer ajustes na forma de se administrar quando aumenta a complexidade.

E se não fizer isso, viverá crises.

Obviamente, quem não gosta de mudança pode querer refutar isso, mas não terá argumentos lógicos, apenas emocionais.

Até hoje, ninguém refutou a tese da complexidade demográfica progressiva, com nenhum argumento lógico.

Até aí fomos. E aí entra um jogo lógico mais complexo.

E aí o demografismo vai precisar de dois novos conceitos filosóficos metafísicos: o tecnicismo, que estabelece nova relação do Sapiens com as tecnologias.

“Somos tecno-espécie. E temos tecno-cultura.”

E, por fim, do cognitivismo: quando entramos em crises demográficas, precisamos mudar de mídias para iniciar revoluções civilizacionais.

Assim, o Sapiens é espécie que cresce demograficamente e, por causa disso, precisa promover revoluções civilizacionais de tempos em tempos, alterando primeiro as mídias, depois o modelo administrativo.

A isso deu um nome: tecnicismo demográfico progressivo.

Older Posts »