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Quanto mais tivermos controle da informação, mais nos dedicaremos ao estudo de assuntos e quanto mais descontrole, mais nos dedicaremos à problemas.

Não há como entender o nosso mundo atual sem incluir no quadro a abordagem antropológica cognitiva. A nova ciência consegue enxergar macro-movimentos ocasionados por variações nos ambientes cognitivos. Tal visão, ou similar, nos permite enxergar as crises que passamos de forma mais profunda e no longo prazo.

Dito isso, podemos começar a especular sobre uma relação interessante entre assuntos e problemas, que é a base da discussão para a produção do conhecimento, da informação e definidora das futuras estratégicas de ensino.

Para isso, vou usar de novo o espiral cognitivo e adaptar para a abordagem entre assuntos e problemas, como vemos no quadro abaixo.

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Vemos no quadro:

  • Que temos um processo de renascença quando há o descontrole das ideias e o retorno para o estudo de problemas;
  • E no processo de recontrole das ideias e consolidação a volta para o estudo de assuntos.

Podemos ainda dizer que diante dessa nova análise histórica cognitiva:

  • Quanto mais tivermos controle da informação, mais nos dedicaremos ao estudo de assuntos;
  • E quanto mais houver descontrole da informação nos dedicaremos a problemas.

Vamos defender a relação entre estas duas forças?

  • O controle da informação determina uma visão mais centralizada da realidade;
  • Quanto mais houver esse controle, mais essa visão vai ficando hegemônica, tornando-a quase uma verdade;
  • A verdade vai reduzindo o questionamento de quem não concorda com ela;
  • Reduziu-se o contra-ponto e começamos a ter uma falsa impressão de que há uma estabilidade no mundo, pois a visão da realidade começa a ser mais unificada;
  • Diante da estabilidade, pode-se começar a lidar mais com assuntos e dividir por disciplinas, pois aprofunda-se o que é estável;
  • Os problemas passam a ter respostas quase prontas, o que nos leva a aprofundar mais o que está em torno dele e não uma nova forma de resolver os problemas em si.

Quem domina determinado assunto passa a ter valor, pois é uma fonte para ajudar a resolver pequenos problemas dentro de um mundo mais estável de ideias controladas.

Já por outro lado, temos momentos de descontrole das ideias, que podemos dizer provocam:

  • O descontrole da informação introduz uma nova visão mais descentralizada da realidade;
  • Quanto mais houver esse descontrole, mais a visão hegemônica vai sendo questionada, abrindo-se uma crise da verdade e daquilo que considerávamos ser a realidade;
  • A crise da realidade vai aumentando  o questionamento de quem não concorda com ela, ganhando adeptos;
  • Aumenta-se o contra-ponto e começamos a ter também que uma falsa impressão de que tudo é uma instabilidade no mundo, pois a REvisão da realidade começa a ser muito mais intensa;
  • Diante da nova instabilidade de pensamento, a abordagem por assunto e disciplinas vai perdendo valor,  pois é preciso se aprofundar naquilo que é instável, revisando a forma que resolvemos problemas;
  • Os problemas passam a não ter mais respostas quase prontas, o que nos leva a aprofundar novas visões para procurar novas soluções.

Quem domina determinado assunto passa a perder valor, pois não é mais uma fonte para ajudar a resolver os grandes problemas que se colocam dentro de um mundo mais instável de ideias descontroladas.

Note que a crise que se abre na sociedade não é da realidade, mas de como vemos a realidade, pois mais e mais ela passa a ser questionada e a forma de resolver antigos problemas não se adequa mais.

Assim, há uma forte tendência a:

  • – rever o modelo acadêmico educacional, reduzindo a abordagem de assuntos e o foco em problemas;
  • – o renascimento da filosofia, que é a ciência das crises de pensamento, que vai rever como pensamos a realidade;
  • – a perda de valor em quem é especialistas em assunto e o crescimento do valor de quem tem mais capacidade de ver problemas;
  • – perda de valor na capacidade de memorizar e aumento de valor na capacidade de articular, rever e questionar.

É isso, que dizes?

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