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Cara a tapa


Conceitos são bons para namorar, mas não casar com eles
– Nepô – da minha coleção de frases;

Estava em uma reunião, discutindo com um grupo responsável por definir e garantir a execução de processos de trabalho dentro de uma empresa.

Avaliávamos o que significaria abrir os textos dos procedimentos –  de como as coisas devem ser feitas na organização –  para um modelo wiki, no qual aqueles que os executam os processos passassem a ter a liberdade de alterá-los diretamente na base de dados, transformando lições aprendidas em mudanças de fato.

Hoje, lá existe um circuito lento e, um pouco fechado a participações, entre o procedimento e a sua alteração.

Procura-se, entretanto, implantar um modelo 2.0 de rever procedimentos, abrindo a base de dados para modificação direta, ganhando velocidade, qualidade e inovação.

A gerente da área, super-incentivadora da iniciativa, vira e diz para sua equipe:

“Gente, não tem jeito, o nosso setor vai ter que colocar a cara a tapa”.

E eu retruquei:

“Não, o que vai ficar a tapa, para ser batido, não é o setor de vocês, mas os procedimentos!!!”

E ai tem o ponto central, o calcanhar de aquiles, da revisão a ser feita na nossa cabeça da passagem do  mundo pré-2.0 para o pós-2.0.

1- antes, alguém era responsável pelos procedimentos. Portanto, era o “dono dos procedimentos”. E qualquer alteração sugerida de mudança era assumir que o “dono” fez algo que não foi bom, ou correto. Dependendo da relação do dono com a sua segurança, auto-estima, poderia se sentir até ofendido. Brigava-se para que os procedimentos ficassem do jeito que estão, pois afinal eles são os  ”meus procedimentos”;

2- essa visão, entretanto, esconde uma realidade de que os procedimentos são uma ferramenta para resolver determinados problemas. Não são, na verdade, de ninguém, pois quanto mais eficientes forem, melhor para todo mundo. No fundo, quanto mais nos separarmos deles e podemos vê-los de uma forma distante, melhor será para que possamos revisá-los;

Mas o modelo de controle informacional 1.0 nos levou a essa identificação perversa do acervo com o gestor.

A passagem do mundo do controle 1.0 para a nova forma de controle 2.0 é a mudança de que os procedimentos não pertencem a ninguém. São bolas em uma determinada mesa e todos devem lutar para que elas ajudem e não atrapalhem.

É, assim, preciso um desprendimento da relação eu-meu.

Para algo eu-nosso.

E todos contra o mal procedimento!

As raízes desse apego, entretanto, tem uma causa mais profunda.

Os procedimentos ou qualquer coisa armazenada em um dado acervo tinham um tempo longo de maturação.

Ficávamos tanto com eles que nós acostumávamos.

E, por consequência, acabávamos casando com eles.

Entretanto, agora, é necessária uma revisão na forma de nos apaixonarmos pelo conhecimento.

Hoje, é melhor nos acostumarmos muito mais a “ficar” com ideias do que mesmo  namorar ou pior: casar de papel passado com elas.

O conhecimento, ao invés de  substantivo,  sempre foi um verbo –  nós é que não víamos!!!

Hoje, precisamos encará-lo com um verbo em processo, no máximo, um substantivo prá lá de abstrato!

Estamos avançando com ele e vamos alterando, conforme vamos entrando em contato com os outros e novas visões, algo típico de um mundo novo de cada vez mais fluxos.

Portanto, hoje o  conhecimento tem se caracterizado muito mais um pão em um lago de girinos.

Rodando para continuar relevante.

Do que uma pedra no meio do lago, paradinha.

Assim, precisamos rever a nossa antiga solidificação de ideias, tanto na questão da posse como do tempo.

Quanto mais vierem nos questionar, melhor, pois mais vamos aprender.

E não o contrário.

Não sou meu conceitos, estou hoje com estes, até que algo ocorra para que eu possa evoluí-los;  E quanto mais rápido e de forma consistente, melhor!

É uma mudança radical de postura em relação ao  conhecimento aprendido.

Que mexe diretamente nas nossas inseguranças e na relação eu-meu.

É bom, assim, nos colocarmos fora do jogo o tempo todo para melhor jogar.

Os conceitos não nos pertencem, pois eles estão fora de nós!

Todos coo-vencemos uns aos outros - e e avançamos e não fulano con-venceu ciclano!

Este é o espírito, a mudança cognitiva fundamental, que está por trás do mundo 2.0, que estabelece uma nova forma de controle e da relação que tínhamos com a informação e o conhecimento.

E é o grande salto que cada um tem que individualmente se propor a fazer, se quiser jogar bem o novo jogo!

Ou seja, estabelecer uma separação do eu-com-o-meu.

E do conhecimento enquanto  verbo e não mais substantivo.

Há uma sinuca de bico casca grossa que precisa ser solucionada.

Pergunta-se: já estás com o taco na mão?

Diz…

Exemplos históricos mostram, o que hoje chamamos de mágico, ou sobrenatural pode, um dia, vir a ser explicado cientificamente - Marcelo Gleiser, da minha coleção.

Hoje, vamos ver o filme Lutero.

Lutero

Já discuti bastante este filme por aqui, vejam os links.

O filme apresenta uma ruptura de um ambiente de conhecimento, através da introdução de uma nova mídia: o livro impresso. Mostra que – como agora – o que uma mídia de oxigenação social pode significar.

Livros sugeridos para o pós filme:

  • BLOG – Entenda a revolução que vai mudar seu mundo – Hugh Hewitt;

Análise história sobre os fenômenos do blog, comparando, inclusive, com Lutero.

E o livro sobre Gutemberg, tem um artigo sobre o livro aqui:

http://periodicos.uesb.br/index.php/folio/article/viewFile/14/27

E o própriolivro:

A Revolução de Gutemberg  – John Man

Brasil 1.0

O Brasil já tem uma população bastante criativa. Basta ao governo deixar os brasilieiros serem quem eles são – Bruce Mau – da minha coleção de frases;

Estamos chegando às próximas eleições presidenciais, que repetirá a mesma neurose brasileira das passadas.

Dois partidos (PT e PSDB)  disputando o poder, que, de fato, está há 20 anos nas mãos de outro (o PMDB), que espera o resultado na sombra para continuar mandando, com sua maioria parlamentar, através de uma aliança conservadora da elite mais atrasada do pais, para manter uma população alienada e cooptada por quem dá mais esmola.

O projeto do PMDB, de fato quem não sai do poder, é simples e claro: garantir que a fumaça aconteça sem fogo.

E, enquanto isso, garantir para um forte segmento (principalmente o mercado financeiro) que nada vai mudar, nenhuma reforma seja feita e que qualquer projeto de país, seja cozinhado em fogo brando, até se dissolver na sopa da acomodação.

Enquanto o fogão da mesmice cozinha, PT e PSDB brigam por uma falsa polêmica: o tamanho do Estado.

Vê-se que estradas privatizadas ou companhias de celular ou banda larga, planos de saúde, sem fiscalização sobem preços, atendem mal e criam cartéis e monopólios, deixando o consumidor sem bom atendimento e a quem reclamar.

Isso não é fato?

E que hospitais, escolas, justiça sem meta de qualidade e eficiência não atendem bem ao cidadão.

Idem?

Temos aqui o pior do Estado Máximo e o pior do Estado Mínimo.

Enquanto ficam nessa polêmica ideológica vazia e o resultado que interessa: atender melhor, é deixado de lado nos dois casos.

Ao invés de melhora da gestão, levanta-se bandeiras ideológicas, nas quais o cidadão é massa de manobra e não fim, objetivo principal, como resultado de produtos e serviços.

O centro da discussão, entretanto,  em ambos os casos, tanto do fortalecimento público, quanto privado,  é de gestão e controle.

O público ou o privado podem funcionar, desde que, acima dos interesses menores, esteja como meta principal o atendimento à população. E em ambos os casos isso não acontece.

Já falei mais sobre isso aqui.

O problema da briga PT e PSDB, incentivada pelo PMDB, é a falta de uma agenda mínima de mudanças e de reformas, que pudesse unir lideranças visionárias e moderadas (e não mesquinhas) dos dois partidos para traçar um projeto de país, através de reformas necessárias, a despeito do bloco PMDB e aliados, que querem manter o sopão.

Afastar tudo que é não é consenso e afinar naquilo que se pode avançar.

Projetos de diálogos de antagonistas como esse ocorreram na África do Sul, na Irlanda e no Chile.

Leiam “Presença“, de Peter Senge e amigos.

No centro desse debate, é preciso começar a discutir um projeto de país a-partidário, um país 2.0, com a ampliação da cidadania da população (como pessoas e não eleitores), utilizando-se de novos conceitos de participação, via rede,  resgatando inclusive a ideia de empoderamento popular, deixada de lado no PT nos últimos anos, aliado a um discurso de empreendedorismo e cooperativismo, que o PSDB, defensor da iniciativa privada,  deveria fazer e não faz.

Aqui, ou se é cotista, “bolsista da família”, ou se tenta um emprego público através de concurso.

Cadê o sonho de ser um empreendedor?

Estamos sufocando a nossa tão propalada e pouco exercida, criatividade!!!!

Devemos procurar traçar uma meta que nos daria perspectiva de sair só da produção de comida e matéria-prima para outros produtos e serviços de mais valor agregado, que também farão a diferença no futuro, gerando e podendo distribuir riqueza, a partir da criatividade.

Isso, entretanto, exige inovação, sabedoria e generosidade.

Coisa que nossos líderes, que ficam em uma briguinha de botequim, ainda não praticam.

Impossível?

Quem sabe?

A neurose só se resolve com vontade e criatividade no contra-fluxo das emoções e impulsos.

Que dizes?

Não há nada mais prático do que uma boa teoria – Kant – da minha coleção de frases;

Nada melhor que em uma reunião, alguém muito sério, pedir a palavra e dizer:

“Vamos colocar o pé no chão?”

Sempre causa um impacto, eis um pragmático, um cara que sabe fazer.

É comum em sala de aula, alunos pedirem exercícios práticos.

“Vamos praticar, pois teorizar é papo furado”.

Claro, que pé no chão é fundamental.

Mas nem sempre o pé no chão de curto prazo é a melhor opção.

E nem podemos confundir pensar, analisar e refletir com pé na lua.

Pragmatismo é também pensar para não cometer besteira!

É por isso que os teóricos afirmam que existem dois tipos distinto de mudanças práticas possíveis na sociedade:

  • As mudanças nas ações, de continuidade;
  • E as mudanças nas percepções, de ruptura.

As primeiras são de curto prazo, quanto mais rápidas ocorrerem melhor, a partir de dada percepção de cenário.

As segundas são de longo, mais reflexivas, demoram mais tempo e são mais complexas, mas balizam um conjunto de ações, depois da revisão da percepção, geralmente aliadas ao planejamento estratégico.

Entretanto, há casos e casos.

E deve haver sabedoria do momento certo de se aplicar uma ou outra.

Pragmatismo, ou visão de curto prazo, não são antibióticos que servem para qualquer dor de cabeça!!!

Se estamos em um buraco, como disse Marcos Cavalcanti, semana passada, no encontro do BNDES,  quanto mais cavarmos, mais fundo estaremos dentro dele.

Ou seja, há momentos, de ruptura, crise, grandes saltos, que exigem mudanças de percepção, para sair do buraco e ver de fora.

Adequado o processo, redefinido o cenário, volta-se às ações e aos pragmáticos da ação, (pois existem também os pragmáticos da percepção).

O mundo 2.0 nos traz essa novidade.

Depois de 550 anos, note bem o tempo, estamos mudando o ambiente de conhecimento da sociedade.

Uma grande ruptura.

Não se trata de mudanças nos modelos dos negócios, mas do negócio em si, que precisam se ajustar ao novo ambiente de conhecimento, que levará toda a sociedade de roldão.

Qualquer pragmatismo sem reflexão nessa hora exige cautela.

Nada pior que um cara vendado, na frente de um precípicio, muito pragmático, dizer, chega de papo, vamos em freeeeeeeeeeeeeeente….

Sugere-se para as corporações:

  • 1- criar um comitê multi-disciplinar de mudança 2.0, com forte peso da diretoria e presidência e multiplicadores chaves;
  • 2- discussões teóricas, filosóficas bem amplas do mundo que estamos entrando;
  • 3- definir cenários possíveis para onde vão as demandas futuras dos consumidores da sua área de negócio;

(recomenda-se focar no problema e não na solução: rádio=necessidade de som a distância / jornal = receber notícias a distância / petróleo = suprir a energia necessária para o mundo funcionar, etc.)

  • 4- traçar uma estratégia para poder atender no tempo e lugar estas demandas, a partir do problema que pode mudar o jeito, mas não a necessidade;
  • 5- Redefinir o negócio a partir daí;
  • 6- Criar modelos de negócio adequadas à nova visão;
  • 7- Traçar uma estratégia de mudança externa e interna;
  • 8- Abrir esse processo para o conjunto da empresa para colher sugestões e começar o processo de mudança, seja com a mesma empresa ou criando até uma nova (como fez as Americanas.com);
  • 9- E, só então, partir para as ações práticas, em um processo de reavaliação constante entre o cenário definido e a realidade enfrentada, mantendo o comitê de mudanças ativos, com reuniões regulares.

Aos pragmáticos de plantão que estão cavando, cavando sem querer mudar de percepção, no buraco, apenas um pedido:

Quando o cava-cava chegar no Japão, manda um e-mail! :)

Por fim, deixo a frase do Yves Doz, da minha coleção:

Boa parte das empresas morre não por fazer coisas erradas, mas por fazer a coisa certa por um tempo longo demais;

Que dizes?

O saber a gente aprende com os mestres e com os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes Cora Coralina – da minha coleção de frases;

 

batata

Quando a batata é uma comida?

É uma pergunta difícil de responder….:)

Posts relevantes sobre o assunto:

Batata é comida?

Dica da Fernanda para todos verem:

watch?v=jqxENMKaeCU

O que disseram os dois grupos:

Grupo 1

Grupo 2

É o processamento e compilação de todas as experiências e informações (superficiais ou profundas) captadas pelo individuo ao longo da vida. São informações adquiridas ao longo de um determinado espaço de tempo que, processados e analisados, constituem um embasamento teórico e prático que é usado como referência para guiar o indivíduo ou a sociedade em situações diversas.

A nossa relação com a Internet, ao contrário do que achamos, pode nos levar a um mundo de muito mais dominação do que o da Idade Mídia – Nepô -  da minha coleção de frases;

O grande problema dos tecno-otimistas é atribuir a tecnologia um juízo moral.

“A Internet é uma coisa boa”.

Não existe nem tecnologia boa, nem ruim, mas adequada à determinada demanda humana.

Um site de comércio eletrônico pode democratizar o consumo ou servir para fulano roubar o número de cartão de crédito da  fulana.

  • Quando aproximam pessoas, está adequada para uma demanda existente;
  • Quando não cria instrumentos de proteção à privacidade alheia, precisa ser adequada.

Qualquer conceito de bom ou ruim a dada tecnologia nos tira a possibilidade de um julgamento frio de sua adequação a determinado contexto.

Cria uma cortina de fumaça, nubla os olhos e faz com que surjam os fãs clubes ou o movimento de defender:

“Quanto mais Internet, melhor será a raça humana”.

Falso.

Pode ser até o contrário, cuidado!!!

O centro desse debate torto é a confusão básica entre dois conceitos: conhecimento e sabedoria.

O conhecimento, apesar do blá-blá-blá de plantão, é uma ferramenta de sobrevivência humana, portanto uma tecnologia cognitiva, como também são a fala e o gesto.

Sem conhecimento, qualquer ameba é mais preparada que o humano para sobreviver.

Assim, vamos nos informando, aprendendo aqui e ali, como chegamos em casa, que roupa vestir, como ligar um computador.

É um movimento humano básico para existir, por tendência, vamos em frente sem grandes questionamentos, mas só aprendendo as ferramentas cognitivas da vez.

Preciso conhecer para viver.

Preciso conhecer, se quero sobreviver.

E qualquer coisa que me ajude nesse processo, estou dentro!

E, ainda:

Quanto mais civilização, em quantidade e qualidade, mais demanda de conhecimento.

Assim, o conhecimento, como parte integrante de nosso meio, tal como respirar, comer, beber,  por si só, não nos leva nada além de resolver problemas de cada dia.

É acordar no dia seguinte e recomeçar.

É uma atividade natural do nosso instinto de sobrevivência.

Ligamos o piloto automático e vamos embora.

Ou seja, o conhecimento não muda relações humanas, nem com o planeta, nem do humano com ele mesmo.

  • Pode em alguns momentos ajudar.
  • E em outros atrapalhar.

Já tivemos a ideia de que quanto mais conhecimento, mais perto a pessoa pode estar da sabedoria.

Mas a história mostra que estávamos errados.

É bom lembrar que Hitler tinha uma biblioteca de 36 mil livros e lia muito toda noite, porém…

E que o holocausto nasceu na Alemanha, um país completamente alfabetizado.

Não foi por falta de livros que a coisa desandou!

O conhecimento é um instrumento a serviço da relação que estabelecemos com o mundo.

Se formos violentos, vamos usar tudo que sabemos a serviço disso.

E o contrário, idem.

O conhecimento é, portanto, elemento neutro do ponto de vista da qualidade das relações.

Porém, importante para que se defina e se consiga manter as pessoas – cada vez em maior número – vivas.

(Uma tribo pode não ter lido um livro e ser mais harmônica entre eles e o planeta do que uma reunião de pós-doutorers discutindo se vão ou não colocar um bebedouro no laboratório.) ;)

A forma de nos relacionar com o que nos cerca é a variável.

E aí entra a sabedoria.

Não no quê, mas no como.

Não no objeto na causa, no fim, mas na relação, na forma, no meio.

A sabedoria, assim, é um movimento não automático dentro da sobrevivência humana.

Digamos, até, não natural.

Não é resultado da rotina, mas de um esforço para sair da rotina.

É supérflua, dispensável, não prática.

Exige reflexão, mudança.

Sair do fluxo irresistível da boiada.

Uma revisão e monitoramento constante da forma que interagimos com os demais.

A sabedoria procura meios não o fim, pois os meios são o próprio fim.

O importante aqui são as relações e não as concretizações, que são, no fundo, o resultado das relações.

(Tem-se seguidores por consequência e não como causa. Tem-se consumidores fiéis como consequência e não como causa.)

Aposta-se nas pessoas e no todo.

É um item, portanto, de qualidade, de superação da quebra do piloto automático do conhecimento.

Imaginar que a Internet vai nos levar naturalmente à sabedoria, portanto, é uma insanidade.

É uma confusão de conceitos.

Digo mais: pelo que vejo com tantos olhos, todos os tempos ligados em telinhas, mais e mais a Internet está nos colocando no piloto automático, ao invés de nos tirar de lá.

Ou seja, em nome do conhecimento insano, estamos cada vez menos sábios!!!

Ao contrário, quanto mais conhecimento circulando, mais temos tendência a nos perder no piloto automático.

E mais movimentos devemos fazer – de métodos conscientes de conscientização – para ampliar a sabedoria e forçar que o conhecimento por si só não predomine como se fosse ele o centro e o salvador do Universo.

Desconfie, portanto, de um geração que se auto-denomina a sociedade do conhecimento!

Avisa-se:

  • Podemos viver sem sabedoria, mas não sem conhecimento.
  • Entretanto, só a sabedoria pode nos tirar de becos sem saída que o conhecimento insano nos coloca.

Por outro lado, só podemos ser sábios , no momento.

A sabedoria é relação e não conceituação.

Aqui e agora.

Não pode haver separação entre o que eu penso e o que eu faço.

Saltamos, diariamente, com ela,  do universo do quê para o do como.

Como diz Gandhi, sabiamente:

“Temos que ser a mudança que queremos para o mundo”.

Na forma e no conteúdo.

É disso que se trata.

Portanto, a meu ver, só podemos sair das nossas caixas fechadas de conhecimento, com sabedoria.

Revendo relações, na prática, agora com o conhecimento que nos domina.

E não teorizando sobre a prática.

Coisas do tipo:

Diz-se “A”, mas faz-se “B”.

Sabe tudo, mas não é sábio.

Só nesse processo de olhar interno – à procura da qualidade humana – podemos  separar conhecimento sem sabedoria de outro com a dita cuja.

Pelo que vejo, quanto mais Internet sem sabedoria, mais estamos entrando em Matrix, do que saindo de lá.

Antes, pelo menos, desligávamos a Tevê, agora levamos a Tevê para passear na coleira dos headfones. Cuidado!

Por fim, é fato nessa nossa modernidade só de fachada,  que posso arriscar a dizer:

” Ao contrário do que achamos, a princípio, nosso uso da Internet pode nos levar a um mundo de muito mais dominação do que o da Idade Mídia, não por falta de opções de canais ou de conhecimento, mas pela incapacidade que esse novo “modus-operandi”  de conexão total sem comunicação real, pode causar na nossa relação pouco sábia com os demais e com o planeta.

É fato: a insconsciência nos leva a dominação e a opressão.

Portanto, se quer que o mundo de fato mude aposte na sua sabedoria e na dos demais, dentro ou fora da Internet.

Que dizes?

A really revolutionary truth is not an illusion; we have to see things as they are – Ferreira Gullarfrom my phrase collection in Portuguese.

(In this podcast text translation, reflections on population, new demands, and the need for innovation, as ways of understanding the emergence of the Internet.)

We are seven billion people on the planet who consume, believe me, 21 billion meals a day – from breakfast to dinner.1 They are 21 billion data processed in the logistics of food, without mentioning the volume of information involving health, education, housing, transportation, and leisure.

Questions: Was it possible to make progress in this planetary journey, barricaded within a field lacking interaction between newspapers, radio, and TV? With our computers isolated and their data bases blocked to public visits?

The Internet brought this adjustment, in the same way the printed book oxygenated the closed castles of the Church and monarchy, which hampered the development of civilization. Thus, the web creates an information, communication, and knowledge environment that facilitates the logistical progress needed to sustain seven billion souls who are not ceasing to multiply. The web also enables a resolution of the dichotomy between the potential speed of demand and the slowness of supply. That’s why it has propagated so fast and brought so many changes.

Actually, the show must go on.

That’s it. Thank you.

1 North Americans have up to six meals a day, while Africans have just one. Their combined average? Three meals a day.

More Neposts in English.

Twitter in English. Follow me.

Twitter in Portuguese. Follow me.

Translated by Jones de Freitas. Edited by Phil Stuart Cournoyer.

(This article in Portuguese.)

Boa parte das empresas morre não por fazer coisas erradas, mas por fazer a coisa certa por um tempo longo demais – Yves Doz- da minha coleção de frases;

Reflexões a partir do debate com diversas empresas no BNDES, ontem.

Todo sistema, qualquer que seja ele, de um jornal a uma linha de montagem de carros, é composto por algo que entra, é processado e sai, a partir de determinada demanda humana.

Para aprimorar o atendimento desse demanda, é necessária uma retroalimentação do processo de produção de forma permanente ou ocasional.

Essa reflexão pós-produção avalia o resultado do processo para aferir se a demanda foi atendida e o que pode ser feito para ser aprimorado, tendo como princípio que uma demanda resolvida gera naturalmente outras em um processo contínuo.

Não existe demanda parada, ela evolui a cada novo ciclo. O demandante (usuário) quer sempre mais, diferente e melhor.

As questões que se colocam, a partir desse “DNA sistêmico” para se gerar inovação permanente no processo são:

  • - há canais estabelecidos para se gerar essa retroalimentação?
  • - qual é o interesse/necessidade dos executores do processo em, a partir das sugestões, caso hajam, em procedê-la?
  • - os canais desaguam em mudanças?
  • – e, caso sim,  qual o tempo despendido entre  o recebimento da sugestão, avaliação de sua relevância e a efetiva implantação?

Nossa civilização, filha da Idade Mídia,  estabeleceu, pela característica de um modelo uni-direcional de troca de ideias, um ambiente de informação e conhecimento compativel com uma dada realidade.

Ou seja, o tempo da mudança ainda é regido pela característica desse ambiente de conhecimento, que se manteve equilibrado  pela estabilidade do cenário externo ao sistema.

Entretanto,

  • – o aumento populacional;
  • - a complexidade formada a partir deste;
  • - e, por consequência, a necessidade da globalização….

…alteraram esse ritmo, gestando a  necessidade de um outro ambiente informacional, que permitisse basicamente uma melhor retroalimentação, tanto no tempo como na qualidade, tendo a necessidade da incorporação de novos  atores e novos canais.

(Detalho a nossa carência de novos líderes quando falo sobre o Meritocracimetrômetro.)

A Internet vem ao mundo, portanto, resolver uma crise de retroalimentação para resolver os novos problemas de uma população de 7 bilhões de pessoas, que consomem por dia 21 bilhões de pratos de comida!!!

(Na Copa de 70, éramos 90 milhões em ação e hoje, na do Dunga, 200 milhões!)

Melhorar a qualidade da retroalimentacao é, assim, do ponto de vista da crise populacional que vivemos, o motivo principal da chegada da Internet no planeta.

Nossa civilização, portanto, cresceu a tal ponto que há uma clara defasagem entre a  qualidade da retroalimentacao exigida para atender as demandas atuais e a oferecida pelas instituições.

Estamos, sem saber, afundando na lama!

O novo ambiente vem tentar corrigir essa defasagem, através, a princípio, da introdução de uma nova tecnologia que permite um novo modelo de troca de ideias, que, por sua vez cria um novo ambiente que facilita, em última instância, a qualidade da retroalimentação.

A implantação, entretanto, de um novo modelo de retroalimentação altera e questiona:

  • – o modelo de controle dos sistemas antigos e os conceitos de quem os concebeu e gerencia, que precisam criar novos modelos mentais, que aceitem o novo patamar da retroalimentação, no qual o controle é feito de nova maneira e sem moderação. Não dá mais tempo para ficar controlando tudo que circula.

(Ou seja, não adianta ouvidoria surda , nem entrar por um ouvido e “sac” pelo outro. Ou criar projetos de gestão de conhecimento eunucos, nos quais se escreve as melhores práticas de um lado, o procedimento de outro. e nada muda na forma da empresa trabalhar. Quando o cara vai fazer de novo, ele repete os mesmos erros do passado! Conhecimento não é substantivo!)

  • -  cria-se, assim, por outro lado, novos modelos de sistema com melhor qualidade de retroalimentação, que passam a  pensar e produzir de uma forma mais rápida mais adequada as demandas.

(São 7 bilhões de chatos: um quer coca light, outro não come carne vermelha, aquele só veste azul)

Assim, o centro, o DNA,  do que chamamos projetos 2.0, do que precisamos para revisar nossas organizações, basicamente, trata-se de melhorar a qualidade da retroalimentação para sair da crise civilizacional que nos metemos.

Ou se joga uma bomba atômica e se mata metade da população.

Ou se muda as empresas.

Qual você escolhe? :)

Diz.


A esperteza divide, enquanto a sabedoria inclui –
Eckhart Tolle – da minha coleção de frases;

Exercício com a turma DIG 5 da Pós da Facha, em Estratégia de Marketing Digital.

Mudei hoje o tema, coloquei sabedoria, ao invés de conhecimento.

Grupo 1- É a soma do conhecimento e experiência aplicada a um contexto específico.

Grupo 2 – Sabedoria pode ser todo conhecimento profundo, adquirido e aplicado, relacionado ao aprendizado e experiência ao longo do tempo.

Sábios do mundo:

  • Gandhi
  • M. Luther King
  • Dalai Lama
  • Mandela
  • Einstein
  • Nilton

Sábio é aquele que:

  • Tem um objetivo maior em relação a sociedade, tem como prática ajudar o próximo a avançar, evoluir, crescer e visa sempre um bem maior.

A sabedoria é um verbo, um adjetivo ou um substantivo?

Livros recomendados pós-discussão:

  • O poder do Agora – Eckart Tolle;

Fundamental para entender a força destrutiva do ego, item importante para vivermos na sociedade da rede digital;

  • Presença – Peter Senge;

Aborda a importância de começarmos a usar o outro lado do cérebro mais holístico e integrado com o todo;

  • A cientista que curou o próprio cérebro – Jill Taylor;

Uma cientista que estuda o cérebro sofre um derrame e constata que um lado do cérebro é holístico e nos integra ao coletivo de uma nova maneira. Podemos recuperar esse lado, apagado atualmente?

  • Só por Prazer – Linus Torvald;

Romance bem suave que mostra com o Linux surgiu;

  • O lado oculto da mudança – Luc de Brabandere;

Visão consistente de como devemos encarar mudanças;

  • Paulo Freire – Pedagogia do Oprimido;

Botafogo 2.0

Anda rolando uma discussão na Rússia se se vão, finalmente enterrar o velho Lênin, morto em 1924 e até hoje, embalsamado e exposto na Praça Vermelha de Moscou.

Sem ele, haveria revolução russa?

Acredito que talvez, mas não do mesmo jeito.

Líderes percebem momentos históricos e se aproveitam dele.

Talvez até os acelere e os conduza a determinada direção, mas não os criam.

Quantos Lênins, pelo mundo, tentaram a revolução marxista e falharam por falta de liderança ou de condições históricas?

Pois bem, a vitória do Botafogo nas últimas duas partidas contra times teoricamente superiores, do Flamengo e do Vasco nos remete a discussão do papel do líder e das redes.

Joel Santana pegou um time desestruturado após uma derrota de 6 x 0 para o Vasco.

E conseguiu em poucos dias, na base da conversa com o mesmo grupo que havia perdido, levá-los da lama à fama.

Não mudou nenhum jogador, rearrumou algumas peças de lugar, muito poucas, mas fez um trabalho basicamente de papo, com o ego coletivo e deu ao grupo o fundamental para uma rede funcionar: um poder superior.

O termo é utilizado bastante nos grupos de mútuo-ajuda dos Anônimos (Alcoólatras, Narcóticos, Comedores, Endividados, etc).

Alguns interpretam como Deus, eu analiso, como ateu que sou, que é uma motivação maior, acima de cada umbigo.

Ou seja, para se conseguir superar as nossas limitações, compulsões, problemas do senso comum que nos jogam para baixo, é preciso ter um poder superior a nós que nos ajude a ver algo maior do que nosso próprio umbigo.

Um propósito que nos energize.

Esta é uma das razões de sucesso da rede dos Anônimos.

E foi também de Joel Santana.

E arrisco dizer de qualquer rede humana.

A capacidade de termos uma motivação maior.

(Ingrediente, aliás, que tem  faltado aos nossos líderes atuais do país, que giram em torno de seu próprio umbigo e passam essa visão adiante.)

Uso as palavras do guru preferido da Revista Exame:

” Nós, definitivamente, não trabalhamos pelo dinheiro que ganhamos. Nós gostamos de dar um significado maior a nossa vida. Gostamos de saber que nosso trabalho está direcionado para a construção de algo nobre ou de ideal em benefício de nossos semelhantes. Uma vez consolidado e aceito o sonho, fica estabelecida a ordem de grandeza dos saltos que queremos dar” – Vicente Falconi, na Exame, 962.

Joel conseguiu que cada jogador do Botafogo entrasse em uma rede coletiva de superação, com um objetivo maior, sair da lama ou do buraco em que estavam.

Interessante que a conversa, a comunicação, como aconteceu no Botafogo e nos grupos de mútuo ajuda, como ocorre em vários grupos na Internet, passa a ser o elemento fundamental da passagem da situação de poço “A” para a situação de saída do poço “B”.

Ou seja, há uma descoisificação de cada elemento, uma separação do ego individual  e cria-se um projeto motivador, que unifica o grupo em torno de algo maior.

Tive, por exemplo, o desprazer de viajar com esse time do Vasco, voltando de uma palestra ano passado.

Os jogadores e delegação simplesmente ignoraram os outros passageiro num show de exibição coletiva de falta de educação, pareciam os donos do avião, ao ponto de ter ido ao banheiro e um membro da delegação ter sentado em meu lugar e, quando pedi para que saísse, me olhou de cara feia e nem me pediu desculpas.

Os egos estavam e continuam, a meu ver, à  flor da pele!

Ali, deveria se fazer um trabalho ao contrário do que o Joel fez no Botafogo.

Baixar a bola e tentar fazer com que cada um daqueles monstruosos egos inflados voltem a trabalhar para um coletivo, como fez o Bernardinho com sucesso na seleção de vôlei do  Brasil, mantendo sempre um desafio acima, apesar de todos os títulos.

O mesmo se pode dizer do Flamengo que ganhou – contra todos os prognósticos o último campeonato na base da humildade, na superação de jogadores dados como perdidos para o futebol (Adriano e Petkovic).

Andrade parece que conseguiu tirar, no seu jeito simples, o grupo da egolatria, mas depois do Hexa a arrogância que deveria ser combatida, não foi.

Há técnicos, a meu ver, para se tirar da lama e outros para manter na fama.

Um bom artigo sobre o papel dos líderes para manter ou mudar, saiu no Valor esta semana:

É preciso um tipo de capitão para enfrentar cada desafio.

Ou seja, a vitória do Botafogo nos remete ao papel dos líderes, da rede, da Inteligência Coletiva e da dosagem dos egos para cima ou para baixo, conforme cada momento.

Joel Santana não fez milagres, apenas aplicou uma lei das redes: uniu o grupo em torno de um projeto e deixou que o futebol, por mais mediano que fosse, emergisse e o coletivo fizesse a diferença.

Um bom exemplo a ser estudado pelas organizações.

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