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Não há chance de entender o novo milênio sem McLuhan.

McLuhan foi, antes de tudo, um filósofo. Filósofos cuidam da essência das forças.

McLuhan olhou para a história e percebeu que somos uma Tecnoespécie, fortemente influenciados pelo aparato tecnológico.

O meio é a mensagem pode ser traduzido por o ser humano é formatado pelo aparato tecnológico de plantão. Muda-se o aparato, muda-se o Sapiens. 

O meio é a mensagem pode ainda ser alterado por a forma é mais importante do que o conteúdo!

McLuhan tem que subir de status entre os pensadores mais relevantes da humanidade.

Há pensadores que criam bifurcações na maneira que o ser humano pensa sobre si mesmo. McLuhan é um deles. Tem que estar na mesma sala de Galileu e Darwin.

  • Podemos dizer que Galileu mudou muito a nossa concepção quando nos tirou do centro do universo.
  • Darwin matou Adão e Eva e nos colocou como uma variante dos macacos.
  • E McLuhan nos colocou como tecnoespécie, que se altera profundamente quando mudamos o aparato midiático.

No século passado, tivemos três correntes que analisaram a influência da comunicação na sociedade.

  • os europeus, influenciados por Marx, que disseram que o meio é a ideologia;
  • os americanos, que defenderam que os meios é uma boa forma de ganhar dinheiro;
  • E os canadenses que defenderam que o meio é a mensagem, muda-se a mídia, muda-se tudo.

No novo milênio, a partir das mudanças radicais que estamos vivendo, acredito que chegou a hora da vingança de McLuhan.

Pensamentos de todos os tipos podem ocorrer, mas têm como consequência a projeção de cenários. E cenários acontecem ou não acontecem.

Pensadores podem não assistir o futuro, podem ser massacrados na sua época, mas a história se encarrega de colocar cada um no seu lugar.

O digital e tudo que tem trazido de mudança faz com o que o pensamento de McLuhan seja o mais relevante para o novo milênio.

Sem McLuhan, organizações e pessoas não vão conseguir entender de onde viemos, onde estamos e para onde vamos.

O maldito está rindo às gargalhadas.

É isso, que dizes?

Quality 3.0

Google translate (help me with errors)

Quality is the best cost / benefit ratio, preserved ethical values.

The cost / benefit ratio is directly related to the Cognitive-Administrative Age that is lived at each time.

What was quality before the digital is no longer after it.

We can not understand quality as something fixed and determined, because the maximum quality we can achieve is directly linked to the technological frontiers that we have available.

What we understood by quality in Management (oral and written cognitive environment) we must begin to understand quality in Curatorial (with the arrival of Digital).

Quality in Management depended on the best possible performance of the manager who was responsible for the flow between the problem and the solution. Here organizations are responsible for products and services;
Curatorial quality depends on the best possible performance of a curator, who uses artificial intelligence capabilities, to create platforms that allow the best relationship between people who negotiate between the problem and the solution. Here organizations are no longer responsible for products and services, only for the Platform.
It is good to understand when we are talking about quality of information, education, health, the right that all the concepts we had were within the Techno-cognitive-administrative limits of the Oral and Written Age – that we call Management.

Today, we have new possibilities to solve the same problems with more quality, through the Curatorship, which allows a better cost-benefit ratio.

What we might call “quality management” gave what had to be done and became obsolete due to the increase in Demographic Complexity.

Today, we must analyze the quality in the Curatorship. And this does not fall from the sky, because there is a set of methodologies that includes training, appropriate people, technologies and processes that make it possible to generate quality in another completely different paradigm.

Fake news, for example, what people have called information in the “post-truth” is, in essence, a symptom of the intermediate moment that we live.

There are many activities that are in a 2.5 World. They left Management, but have not yet arrived in the Curatorial.

That is, there is a practice that:

It is not management, it needs Manager to ensure the quality of the information.
And it is not Curatorship, which needs Curator + artificial intelligence + mass participation to ensure the quality of information.
What reactive people are doing is the following.

As Curatorship is not self-evident and is not yet being implanted with all its potential, they collect problems (there are many) of what we can call a limbo between two Cognitive Eras to reinforce the idea of ​​the old concept of quality.

It is a reactive movement that hides the low quality of management by pointing out the flaws of what is still under construction, taking the first steps.

It is good to say: what killed quality in management was the demographic increase.

Now, the future is no longer crying over the terminally ill (Quality in Management), but run to the nursery to learn and create the new template (Quality in Curating).

Is that what you say?

 

Qualidade 3.0

Qualidade é a melhor relação de custo/benefício, preservado valores éticos.

English version here.

PPT:


A relação de custo/benefício está diretamente ligado à Era Cognitiva-Administrativa que se vive a cada época.

O que era qualidade antes do digital não é mais depois dele.

Não podemos entender qualidade como algo fixo e determinado, pois o máximo de qualidade que podemos atingir está diretamente ligado às fronteiras tecnológicas que temos disponíveis.

O que entendíamos por qualidade na Gestão (ambiente cognitivo oral e escrito) precisamos começar a entender qualidade na Curadoria (com a chegada do Digital).

  • A qualidade na Gestão dependia do melhor desempenho possível do gestor  que era responsável pelo fluxo entre o problema e a solução. Aqui organizações são responsáveis por produtos e serviços;
  • A qualidade na Curadoria depende do melhor desempenho possível de um curador, que usa recursos de inteligência artificial, para criar plataformas que permitem o melhor relacionamento entre pessoas que negociam entre elas o problema e a solução. Aqui organizações não são mais responsáveis por produtos e serviços, apenas pela Plataforma.

É bom assim entender quando estamos falando de qualidade da informação, da educação, da saúde, do direito de que todos os conceitos que tínhamos estavam dentro dos limites Tecno-cognitivo-administrativos da Era Oral e Escrita – que chamamos de Gestão.

Hoje, temos novas possibilidades de resolver os mesmos problemas com  mais qualidade, através da Curadoria, que permite relação de custo-benefício melhor.

O que podemos chamar “qualidade na gestão” deu o que tinha que dar e ficou obsoleta devido ao aumento da Complexidade Demográfica.

Hoje, é preciso analisar a qualidade na Curadoria. E isso não cai do céu, pois existe  conjunto de metodologias que inclui capacitação, pessoas adequadas, tecnologias e processos que fazem com que se possa gerar qualidade em outro paradigma completamente diferente.

Notícias falsas, por exemplo, o que o pessoal tem chamado de informação na “pós-verdade” é, no fundo, um sintoma do momento intermediária que vivemos.

Há muitas atividades que estão num Mundo 2,5. Saíram da Gestão, mas ainda não chegaram na Curadoria.

Ou seja, há uma prática que:

  • Não é gestão, que precisa de Gestor para garantir a qualidade da informação.
  • E não é Curadoria, que precisa de Curador + inteligência artificial + participação de massa para garantir a qualidade da informação.

O que as pessoas reativas estão fazendo é o seguinte.

Como a Curadoria não é algo evidente e não está sendo implantada ainda com todo seu potencial, recolhem problemas (existem muitos) do que podemos chamar de limbo entre duas Eras Cognitivas para reforçar a ideia do velho conceito de qualidade.

É um movimento reativo que esconde a baixa qualidade da gestão ao apontar as falhas do que ainda está em construção, dando os primeiros passos.

É bom que se diga: o que matou a qualidade na gestão foi o aumento demográfico.

Agora, o futuro não é mais chorar sobre o doente terminal (Qualidade na Gestão), mas correr para o berçário para aprender e criar o novo modelo (Qualidade na Curadoria).

É isso, que dizes?

Hoje, estamos saindo de Matrix. Concentrações de mídia geram Matrix. E descentralização de mídia nos tiram de lá.

O que temos em Matrix são organizações concentradas, no qual a subjetividade e a diversidade precisam ser abafadas.

O motivo é o aumento demográfico que demanda ou concentração ou mudança de mídia e modelo de administração.

O que ocorre de maneira geral com a subjetividade geral quando temos Revoluções Cognitivas? Temos que sair de Matrix e da filosofia Zeca Pagodinho: deixa a vida me levar.

Quando a vida me leva, eu não preciso de um guia interno. Basca escolher as opções que aparecem.

Quando iniciamos uma nova jornada coletiva, quando se abrem as mídias e com ela se decentraliza a informação e se inicia o processo de distribuição das decisões, é preciso um fio interno condutor.

Preciso sair do movimento de fora para dentro para o de dentro para fora.

Alguém que eu não conheço, que sou eu mesmo, precisa ter um projeto pessoal, algo que me guie com um teleférico do momento atual até o final da vida.

  • Muitas vezes eu estou na segunda desmotivado, é preciso mudar alguma coisa rápido;
  • Muitas vezes eu estou no final do ano ou no dia do meu aniversário que a vida está passando e eu quero deixar alguma pegada.

Mas qual?

O caminho das novas gerações será o de criar propósito, pois as novas mídias descentralizadas levam a nossa objetividade e subjetividade na direção da diversificação.

Diversificar significa tirar do armário nossa objetividade e subjetividade.

E isso exige que deixemos de trabalhar para o sonho dos outros, mas que tenhamos também os nossos sonhos.

Abre-se negociação.

Movimentos empreendedores precisam acontecer e é preciso negociar o tempo todo para que cada um se sinta potencializando a sua subjetividade diversa.

O problema que percebo nos meus alunos e nos meus mentorados é de que não fomos educados e/ou formatados para conversar com nossos botões.

Não havia espaço no mundo Produtivo 2.0 (complexo e centralizado) para diversidades muito diferentes.

E isso é uma tarefa difícil, pois é de um com cada um, ninguém pode tomar a pílula vermelha por você.

Sair de Matrix é o grande desafio das novas gerações!

Você só vai deixar de ser levado, se souber qual é o teu caminho!

É isso, que dizes?

 

 

Complexity 3.0

(Google translated – with few reviews)

Slides: complexityppt.nepo.com.br

Today, we talk a lot about complexity, complex thinking, but we have to be careful not to start projecting what we want the future to be what it is likely to be.

The problem in projecting the future is to tear away what we might call human nature.

There are changes going on, but you have to see what the human being will really change and what is more perennial.

Generally, people project what they would like the human being to be and make it a theory. But the human being is not what we would like. What is he!

When one experiences very radical changes in society one must go back to the past and “scan” human nature to see what is more or less mutant.

My studies in Anthropology 3.0 lead me to:

To consider Sapiens as Tecnoespécie, strongly influenced by the media and languages ​​on call;
Perceive the influence that the demographic increase has in what we can call “complexity.”
And the strong influence that the arrival of new media and languages ​​exert in Macro-History.
Complexity 3.0 is the result of a world of 7 billion, which had its diversity contained by the limits of the media and languages ​​on call and now comes out of the closet.

As we try to project what will be the passage from what we can call Complexity 2.0 to 3.0 without traveling in mayonnaise we must analyze similar changes in the past.

What we live today is a Cognitive Revolution characterized by the arrival and massification of new media.

There are some reasons and consequences.

The cause is the demographic increase that generates a new level of complexity and generates the latency of a more open and decentralized exchange environment, which initiates a decision-making process.

The impact of this on human thinking is enormous.

The mental model 2.0, let’s call it, was made for an environment with less change, less information, and less power to make decisions.

What we can perceive is the demand for a mental model that was situated within one cognitive environment for another.

This was what happened in the passage from orality to writing, which was consolidated as a mass phenomenon, only with the arrival of the Press.

It requires an “upgrade” in the mental model from “a” (pre-digital) to “b” digital post.

So what we can call Complexity 3.0 is:

From the point of view of the environment – a 7 billion world in which people have gained media power and want more power to distribute decisions;
From the point of view of people – the demand for a new way of thinking, which allows the processing of more information and can make better decisions.
Several names will be used hereafter to characterize this passage from complexity 2.0 to 3.0: holistic thinking, fractal, complex, 3.0, etc.

However, in my view, starting from Anthropology 3.0, is that:

There are two factors that should guide all changes from the Sapiens mental model of Complexity 2.0 to 3.0: a world with more exchanges and more decision power for the tips. The rest is complementary to that.

Is that what you say?

Hoje, se fala muito em complexidade, pensamento complexo, mas temos que ter um certo cuidado para não começar a projetar o que queremos que seja o futuro com o que ele provavelmente virá a ser.

O problema ao projetar o futuro é desgarrar do que podemos chamar de natureza humana.

Há mudanças em curso, mas é preciso ver o que o ser humano vai realmente mudar e o que é mais perene.

Geralmente, as pessoas projetam o que gostariam que o ser humano fosse e fazem disso uma teoria. Porém, o ser humano não é aquilo que gostaríamos. Ele é o que!

Quando se vive mudanças muito radicais na sociedade é preciso voltar ao passado e “escanear” a natureza humana para ver o que é mais ou menos mutante.

Meus estudos da Antropologia 3.0 me levam a:

  • Considerar o Sapiens como Tecnoespécie, fortemente influenciado pelas mídias e linguagens de plantão;
  • Perceber a influência que o aumento demográfico tem no que podemos chamar de “complexidade”.
  • E a forte influência que a chegada de novas mídias e linguagens exercem na Macro-História.

Complexidade 3.0 é resultado de um mundo de 7 bilhões, que teve a sua diversidade contida pelos limites das mídias e linguagens de plantão e que agora sai do armário.

Ao tentarmos projetar o que será a passagem do que podemos chamar de Complexidade 2.0 para 3.0 sem viajar na maionese é preciso analisar mudanças similares no passado.

O que vivemos hoje é uma Revolução Cognitiva que se caracteriza pela chegada e massificação de novas mídias.

Existem alguns motivos e consequências disso.

A causa é o aumento demográfico que gera novo patamar de complexidade e gera a latência de um ambiente mais aberto e descentralizado de trocas, que inicia processo de distribuição de decisões.

O impacto disso para o pensamento humano é enorme.

O modelo mental 2.0, chamemos assim, foi feito para um ambiente com menos trocas, menos informação e menos poder de tomada de decisões.

O que podemos perceber é a demanda de um modelo mental que estava situado dentro de um ambiente cognitivo para outro.

Foi o que ocorreu na passagem da oralidade para a escrita, que se consolidou como fenômeno de massa, apenas, com a chegada da Prensa.

É preciso um “upgrade” no modelo mental de “a” (pré-digital) para “b” pós digital.

Assim, o que podemos chamar de Complexidade 3.0 é:

  • do ponto de vista do ambiente – um mundo de 7 bilhões em que as pessoas ganharam poder de mídia e querem mais poder de distribuição de decisões;
  • do ponto de vista das pessoas – a demanda por uma nova forma de pensamento, que permita o processamento de mais informação e possa tomar decisões melhores.

Vários nomes serão utilizados daqui por diante para caracterizar essa passagem da complexidade 2.0 para a 3.0: pensamento holístico, fractal, complexo, 3.0, etc.

Porém, na minha visão, partindo da Antropologia 3.0, é de que:

Há dois fatores que devem guiar todas as mudanças do modelo mental do Sapiens da Complexidade 2.0 para a 3.0: um mundo com mais mais trocas e mais poder de decisão para as pontas. O resto é complemento a isso.

É isso, que dizes?

A matemática tem alguns desafios que estão há anos para serem desvendados. A educação em países emergentes, idem. O problema é que o paradoxo, antes de tudo, está mal formulado.

Primeiro, antes de tudo, é necessário colocar o fator da multiplicação de forma adequada.

Quando falamos de educação no Brasil, por exemplo, temos que multiplicar qualquer proposta de modelo educacional por 20 milhões.

É preciso ver o custo por cada aluno, somando todas as despesas ao longo da sua formação e multiplicar pelo fator imaginário de 20 milhões.

Pode ser 30, 20, 50, conforme a faixa de que educação estamos falando.

Assim, quando falamos de educação de qualidade é preciso definir que a qualidade está diretamente ligado ao fator quantidade!

A regra que temos que nos acostumar é a seguinte:

Não podemos pensar na Educação 3.0 de qualidade que não possibilite ter escala. Se serve para 20 ou 20 mil tem que servir para 20 milhões!

O principal problema que temos hoje ao projetar a Educação 3.0 é a nossa intoxicação ao atual modelo.

Temos a falsa ilusão de que a Internet vai entrar na escola. Quando faremos justamente o contrário.

Foi o ambiente de comunicação oral e escrito que definiu a escola do passado. E será o novo ambiente que definirá a escola do futuro.

O primeiro passo para um Educador 3.0 é simbolicamente subir numa montanha e jogar fora tudo que ele imaginava sobre educação. E começar do zero.

Revoluções Cognitivas expandem as paredes da cultura, permitindo a solução de problemas que antes eram inviáveis.

O que temos nas mãos hoje são tecnologias e uma nova linguagem que permite que milhares possam aprender com milhares.

O papel do Educador 3.0 é procurar métodos que permitam que milhões tenham ensino de qualidade.

É preciso adaptar a lógica do Waze. do Uber, do Airbnb, do Mercado Livre para a Educação 3.0. Milhões podem aprender, através de curadores e estrelinhas, baseado não mais em assuntos, mas em problemas.

É isso, que dizes?

Muita gente tenta entender o futuro Digital, a partir das lunetas equivocadas.

É comum em palestras a avaliação geracional.

O alfabeto é extenso: geração X, Y, Z.

Ou caminha-se para a economia.

“Agora estamos saindo da égide da Revolução Industrial, a escola da revolução industrial .”

Muitos pegam carona no estudo das redes, comunicação, informação, conhecimento.

Se fosse um jogo de batalha naval os cenaristas de plantão iam ter como resposta: água, água, água e água!

Por quê?

A base para um cenário bem feito é iniciar pelo estudo das forças em movimento.

Analisar as forças principais e quais são aquelas que têm mais possibilidade de sair de uma influência baixa para uma maior.

O cenarista analisa forças que estão com o com tendência de alta e aquelas que estão com tendência de queda!

O problema principal de um cenarista é não entender o papel da filosofia no seu trabalho.

A filosofia, apesar do preconceito que existe sobre ela pelos cenaristas, nada mais é do que o estudo da essência das forças.

 Um cenarista deve se perguntar sempre se existe alguma força no cenário que está sendo sub-avaliada ou super-avaliada.

De maneira geral, os cenaristas mais imaturos de deixam levar pelo senso comum sobre as forças. Um mais experimente vai recorrer à filosofia/teoria para reavaliar as forças que podem estar subavaliadas.

No caso do Digital, por exemplo, podemos analisar:

  • tecnologias de maneira geral são consideradas neutras – erro;
  • tecnologias cognitivas são completamente ignoradas pelos cenaristas.

O que ocorre ao se fazer o cálculo do futuro diante da Revolução Digital?

Damos valores próximos a zero para estas forças, que têm, se fizermos uma reavaliação filosófica-teórica na história o poder até de mudar o modelo de administração da sociedade.

É por isso que erramos feio ao projetar o futuro.

Forças emergentes continuam pessimamente pontuadas e continuam a exercer a sua influência, a despeito das fórmulas dos cenaristas.

Resultado?

Erro em cima de erro!

É isso, que dizes?

É comum pessoas projetarem o futuro a partir da luneta que têm disponível. Porém, fazer cenários exige  ferramental específico.

Um cenarista eficaz é meio filósofo e meio teórico.

Precisa olhar as forças do alto, procurando não se intoxicar com o senso comum sobre elas.

Forças disputam hegemonia no ambiente e o que o cenarista analisa é se existe alguma com mais possibilidade de vir a ganhar a batalha.

Quanto mais equilibrado é a disputa das forças, mais difícil será o trabalho do cenarista.

E o contrário.

Quando determinada força exerce forte influência, mas é mal avaliada por intoxicação, aí o trabalho fica mais fácil.

Construir cenários exige um determinado perfil e conduta. É um especialistas em determinado problema: estudo das forças e análise das que ganharão a batalha.

Quanto mais o cenarista se afasta dos problemas operacionais, mais chance tem de não se intoxicar.

Um cenarista é alguém que trabalha com estratégia.

É isso, que dizes?

Revoluções Cognitivas são fenômenos macro-históricos. Nossa maneira de pensar e agir é hiper micro histórica. Não vai dar boa coisa.

Todo fenômeno social tem ciclos de início, meio e fim.

Eras Cognitivas são longas.

Já duraram milênios, séculos e agora temos mudanças evidentes em décadas.

Nossos antepassados tiveram mais tempo para se preparar (e não perceber) os efeitos devastadores na sociedade quando mudamos as mídias.

Há três tipos de Revoluções Cognitivas:

  • as incrementais – quando concentramos as mídias existentes, como a chegada das mídias eletrônicas;
  • as radicais –  quando descentralizamos as mídias existentes, como a chegada das escrita impressa;
  • as disruptivas – quando descentralizamos as mídias existentes e introduzimos nova linguagem.

Novas linguagens humanas significam basicamente que podemos passar a tomar decisões de uma nova maneira.

Linguagens têm a função nobre de ajudar as espécies a decidir.

A atual Revolução Cognitiva Descentralizadora Disruptiva Digital (este é o nome científico que dei a ela) introduz nova linguagem que permite o surgimento de novo modelo de administração.

As próximas gerações precisarão conviver com mudanças num curto espaço de tempo que no passado demoraram séculos.

É preciso criar, assim, modelos de capacitação que possam tirar as pessoas da hiper-micro história e alçá-las à Macro-História para que possam sentir, pensar e agir de forma diferente.

É isso, que dizes?

Toda vez que temos fenômenos humanos muito diferentes, é por que algo da essência humana estava mal formulado.

Não é o ser humano que fez o que não podia, apenas agiu de uma forma que não imaginávamos que fosse agir. Havia um erro em como pensávamos a sua essência.

Digo ainda.

A vida sempre tem razão. São as filosofias, teorias e metologias que sempre estão equivocadas.

Quando temos  fenômeno como uma Revolução Cognitiva que modifica bastante a sociedade, é evidente que havia algo da essência humana que não estava no nosso radar.

Na filosofia, quando analisávamos a essência humana, não percebíamos o quanto somos influenciados pela mídia. Há  revisão filosófica a ser feita. Da mesma maneira que tivemos que fazer por ocasião do holocausto nazista. A pergunta que vem à tona é quem de fato afinal somos?

Assim, nestes momentos graves em que há uma dissintonia entre os fatos e nossa imagem de nós mesmos, temos Crise Existencial Civilizacional.

É preciso rever, antes de tudo, o ser humano para recomeçar a pensar na sociedade e seus desdobramentos.

A Antropologia (estudo do Sapiens) nestes momentos de crise passa a ser o campo de reflexão principal, pois temos que voltar a Macro-História e procurar sinais para saber o que passou desapercebido.

Não existe nenhum fenômeno humano que já não tenha tido sintomas no passado. Pode ter se agravado agora, mas certamente já ocorreu antes.

Assim, todos os campos das ciências sociais, passam a aeroportos regionais e secundários, tomando a Antropologia o lugar nobre da revisão paradigmática, aonde os aviões maiores pousarão.

Há uma Crise Existencial Civilizacional e pela ordem, precisamos:

  • Filosoficamente – rever a essência humana, que estava mal dimensionada;
  • Teoricamente – rever as teorias, já dentro da nova visão da essência humana, revendo como vemos o Sapiens na história e o que passou desapercebido.

É isso, que dizes?

Nem toda chave de fenda serve para todo parafuso. É preciso entender que temos na sociedade problemas estratégicos e operacionais. E há  diferença enorme para escolher as ferramentas para agir e pensar sobre eles.

  • Problemas operacionais, de maneira geral, são resultados de impasses metodológicos. Há algo equivocado nos processos, nas tecnologias, nas pessoas (perfil e capacitação). É preciso rever a forma de agir no problema.
  • Problemas estratégicos, de maneira geral, são resultados de problemas filosóficos e teóricos. Há algo de equivocado na maneira de pensar, que resulta na forma de agir. É preciso rever a forma de pensar no problema.

Vejamos:

  • Quando estamos diante de fenômenos conhecidos, diagnosticados, é o caso de aplicar metodologias e fazer ajustes, pois as filosofias-teorias continuam consistentes;
  • Quando estamos diante de fenômenos desconhecidos, não diagnosticados, é o caso de rever metodologias e fazer ajustes, através da revisão filosófica-teórica, que deixaram de ser consistentes.

Filosofias analisam a essência das forças e Teorias as forças em movimento.

Quando temos fenômenos desconhecidos é sinal de que alguma força não era conhecida e provocou mudanças no ambiente.

E se há fenômeno novo na sociedade alguma força foi mal avaliada na sua capacidade de trazer alterações desconhecidas ao ambiente.

E ainda:

Assim, quando há fenômenos novos, é preciso jogar a toalha e procurar as falhas filosóficas e teóricas. Rever paradigmas e não insistir nas velhas metodologias.

Filosoficamente falando, as revisões nos remetem ao próprio ser humano. Se os fenômenos novos são provocados pelas ações humana há necessidade de rever o “quem somos?”.

Filosoficamente falando, as revisões nos remetem a outras forças. É preciso rever como pensamos sobre ela. Há necessidade de cada campo que analisa a história daquela força rever seus paradigmas.

É isso, que dizes?

Chegou a hora de não dar mais mole para os antropólogos: precisam assumir que sem McLuhan não vão entender o Sapiens 3.0!

De certa forma, é uma espécie de acomodamento chamar de Antropologia Cognitiva o estudo das mudanças de mídia.

No fundo, e vou assumir isso agora, temos que chamar de Antropologia 3.0.

Não faz mais sentido, aqui do meu laboratório, pensar a Macro-História humana, papel dos antropólogos, sem incorporar nas análises as mudanças de mídia.

Não se trata de outro campo, ou um ramo da Antropologia, mas uma revisão da própria.

Há um corte epistemológico evidente, quando vemos o mundo dar uma guinada de 180 graus com a chegada do digital e não entender que fizemos o mesmo no passado.

Somos uma Tecno-espécie Cognitiva, que muda completamente quando criamos novos Ambientes de Mídia. Se a Antropologia não incorpora isso, não é mais Antropologia.

A base da Antropologia 3.o parte do princípio de que as tecnologias são extensões dos nossos corpos, almas e mentes. E quando mudam, mudam a sociedade.

E mais: quando temos novas Tecnologias Cognitivas o ser humano abre uma nova etapa civilizacional, quebrando velhos e falsos muros Tecnoculturais.

É isso, que dizes?

O ser humano precisa das mídias para se informar e decidir.

Uma Revolução Cognitiva tem duas etapas:

  • primeiro passo – descentraliza as informações;
  • segundo passo – distribui as decisões.

Existe movimento contínuo macro-histórico da humanidade, conforme vamos aumentando a Complexidade Demográfica em direção à descentralização da informação e à distribuição das decisões.

Não temos outra forma de lidar com a Complexidade Demográfica Progressiva do que descentralizar e distribuir.

A isso podemos chamar de Inovação Civilizacional Progressiva.

Há, sem dúvida, tentativas de centralização da informação e das decisões, mas são sempre pontuais, regionais e curtas ao longo do tempo.

Tentativas de centralização esbarram em fatores objetivos, tais como abastecimento. E subjetivos, sensação de falta de liberdade, que acabarão por implodir os projetos centralizadores no tempo.

Se analisarmos a Macro-História vamos perceber que sempre, ao aumentarmos a Complexidade Demográfica Progressiva, mais dia, menos dia, o surgimento de novas mídias, que vão descentralizar a informação. E, a partir daí, permitir que se distribua as decisões.

Para isso, é preciso cada vez mais ferramentas cognitivas sofisticadas, que nos permitam dar estes “upgrades” civilizacionais.

Isso não é agora, sempre foi assim. E sempre será.

Faz parte das premissas básicas de uma Tecno-espécie.

Se encontrarmos marcianos que desenvolvem tecnologias e se alimentam todos os dias, veremos que eles viverão também sob as regras da Inovação Civilizacional Progressiva.

É isso, que dizes?

Continente 3.0

Uma Revolução Cognitiva é igual a descoberta de novo continente.

Novas mídias permitem que possamos nos comunicar melhor e decidir melhor. Saímos de um Aquário Cognitivo e entramos em outro, como vemos abaixo:

Vivemos, assim, em falsas paredes tecnológicas. Acreditamos em limites para a sociedade que são falsos limites!

Não podemos fazer determinadas ações e pensamos de determinada maneira, pois estamos imersos em uma Ambiente Cognitivo específico.

Quando mudamos o Ambiente Cognitivo passamos a poder fazer algo que não podíamos e pensar de forma diferente do que pensávamos.

Uma Revolução Cognitiva promove, assim, expansão do Aquário Cognitivo, como vemos abaixo:

Podemos pensar formas novas de resolver velhos problemas, pois os antigos limites de comunicação e tomada de decisão se ampliaram.

Há um novo continente a ser desbravado com a chegada de uma Revolução Cognitiva e o principal problema deixa de ser tecnológico e passa a ser psicológico: a incapacidade que temos de ver que os limites antigos não existem mais.

É isso, que dizes?

 

O RH uberizado

Não será fácil a vida para os profissionais do RH no novo milênio.

 

Hoje, temos organizações que estão dentro de Ambiente Cognitivo. E, por causa dele, temos novo Modelo de Administração.

O RH atual trabalha para um modelo administrativo, que está ficando obsoleto.

E isso exige uma mudança radical no paradigma de como pensamos as organizações e a sua evolução no tempo.

Vejamos:

Não são as organizações que definem o modelo de comunicação na sociedade, mas é justamente o contrário: a forma como nos comunicamos é que define o modelo administrativo!

O problema é que mudanças de comunicação são muito lentas e demoradas e parecem que não ocorrem.

Não percebemos, por exemplo, que o atual modelo de gestão é filho do tripé gestos, oralidade e escrita. E que o novo modelo administrativo incorpora os cliques a estes três.

Hoje, basicamente o RH contrata, promove, treina, demite. É o RH da Gestão. O novo RH continua se preocupando com as pessoas, mas não mais da mesma forma.

Numa empresa uberizada não teremos colaboradores contratados e fixos. É um novo modelo de vínculo, baseado na avaliação online entre o colaborador e o consumidor.

O fato mais estranho em tudo isso é o seguinte:

Antigamente, se selecionava para trabalhar. Na Uberização, se trabalha para selecionar.

Muitos analisam a atual Revolução Cognitiva com espanto, nossos netos entenderão muito mais de Sapiens do que nós.

Temos a ilusão da continuidade, pois há um fator primordial da espécie que é invisível para nós: o aumento da Complexidade Demográfica.

O Sapiens é a única espécie social do planeta que cresce demograficamente sem pedir licença para ninguém. E isso nos faz ser uma espécie dependente de inovação.

Assim, quando aumentamos a população, já podemos prever que teremos rupturas na forma como nos comunicamos e nos informamos. E depois no modelo de administração.

Isso é base para o Sapiens.

Nossos cientistas sociais de plantão desprezaram com vontade dois pensadores fundamentais: Malthus (demografia é geradora de crises) e McLuhan (as mídias mudam a espécie).

Assim, precisamos entender qual é o macro-movimento fundamental do Sapiens no novo milênio:

Estamos recriando a sociedade em função do aumento demográfico. Primeiro, vamos refazer o ambiente de comunicação e depois o administrativo.

Fizemos isso no passado e faremos de novo.

Para isso, temos novo aparato de mídia, que nos permite  nova linguagem, a dos cliques. Pela primeira vez, podemos contar com Administradores Artificiais, tomando decisões a partir da participação de massa.

É o que vemos de novidade nos projetos Uberizados.

A uberização permite que possamos decidir melhor, com a participação de mais gente, superando o impasse que tínhamos nos séculos passados.

É isso, que dizes?

Toda a espécie viva tem apenas duas missões: sobreviver e se reproduzir. O resto é lazer.

Até que tenhamos a primeira Revolução Genética, que permita o ser humano se alimentar de luz, seremos dependentes diariamente de água e comida.

Isso faz com que a espécie humana, como todas as demais, seja previsível.

Não é à toa que o leão espera as zebra beber água na fonte. E aranhas fazem a teia em caminhos previsíveis dos insetos rumo às flores.

Muitos tentam ignorar o lado previsível da humanidade, pois ele, de fato, é chato mesmo. Não permite que nossas utopias da sociedade ideal ocorram.

Precisaremos comer, dormir, nos vestir, nos comunicar, ir ao banheiro. Somos seres repetitivos.

Assim, não é muito complicado imaginar onde estamos e para onde vamos no tempo: sobreviver e nos reproduzir. E tudo que fazemos caminha nessa direção.

O ser humano, assim, procura ferramentas que o levem para esse caminho: conhecimento, informação, redes, comunicação e tudo mais que você queira imaginar visa resolver os dois problemas básicos da espécie.

Não são, como muito pensam, metas, mas apenas ferramentas para que possamos sobreviver e reproduzir.

Quando se imagina o futuro do ser humano, a partir destas ferramentas, se cai num enorme equívoco, pois estamos tentando entender o cachorro pelo rabo e não pela suas necessidades.

A isso podemos chamar natureza humana.

Não há possibilidade de compreender o Sapiens sem que se tente compreender, a partir da história, a sua natureza.

Qualquer tentativa de imaginar onde estamos e para onde vamos, vai esbarrar nesse ponto.

A natureza humana, assim, explica Revoluções Cognitivas.

É isso, que dizes?

O conhecimento humano se modifica baseado em alguns fatores: novas tecnologias de medição, acúmulo de estudos incrementais, experiências das mais diversas, novos fenômenos e novos malucos (Einstein, Freud, Darwin, McLuhan e etc).

Marshall McLuhan (1911-1980) é o maluco principal para compreender o novo século.

McLuhan é, antes de tudo um filósofo, que propôs uma revisão no topo dos debates filosóficos ao defender que as tecnologias são uma extensão do ser humano.

Traduzi isso com o conceito de “tecno-espécie” que é filho das ideias de McLuhan. Mas eles disse mais.

Disse que o meio é a mensagem. De que mudanças de mídia mudam o Sapiens, independente do conteúdo que vinculam.

Podemos dizer que tal visão cria um corte epistemológico no pensamento do Sapiens sobre o Sapiens.

Do ponto de vista de McLuhan e toda a Escola Canadense de Comunicação que veio depois, Pierre Lévy, inclusive, a história não se move de forma radical pela economia ou luta de casse.

Mas toda vez que temos fortes mudanças de mídia.

Quando abracei tais pensamentos minha capacidade de avaliar o futuro mudou completamente, pois passei a enxergar melhor o ser humano.

Podemos dizer o seguinte:

A resposta ao “Quem Somos?” a principal da filosofia antes e depois de McLuhan. A proposta dele é deixarmos de ver o Sapiens como uma espécie que usa tecnologias para uma espécie que fez da tecnologia parte integrante da sua vida.

E ainda:

Do ponto de vista de análise de cenário futuro, acredito que temos dois tipos de cenaristas: os que incorporaram McLuhan ao seu cálculo e os que não o fizeram.

Os primeiros, com a chegada da Revolução Digital conseguem perceber o tamanho da atual mudança.

Os segundos, que não conseguem perceber a modificação, pois continuam a considerar que o Sapiens tem um controle acima do que a vida mostra sobre as tecnologias.

E não dão tanta importância para Revoluções Cognitivas.

McLuhan é o Darwin do século XX. Sem ele, o novo milênio fica muito mais nebuloso para ser compreendido.

Organizações que querem migrar para o novo mundo ficam procurando melhores métodos, mas deveriam estar pesquisando os melhores filósofos. Primeiro, é preciso mudar o paradigma e, só então, agir.

É isso, que dizes?

 

 

Não me venham com projetos de educação de qualidade para meia dúzia.

O impasse que temos hoje na educação é que tínhamos os limites tecnológicos cognitivos do passado da oralidade e escrita, que modelou o Ambiente Educacional.

Dentro do Ambiente Educacional temos as Organizações Educacionais.

O problema principal do atual Ambiente Educacional 2.0 é de custo/benefício.

Quando aumentamos a quantidade, derrubamos a qualidade e o benefício. Quando aumentamos a qualidade, aumentamos o custo e reduzimos a quantidade.

É o paradoxo de um ambiente cognitivo que deu o que tinha que der.

Não há saída para Ambiente Educacional que consiga ter melhor custo/benefício dentro dos limites do Ambiente Cognitivo 2.0.

Só conseguiremos reequilibrar custo/benefício, qualidade e quantidade, se passarmos a pensar todo o modelo dentro de novos paradigmas, a partir das novas possibilidades do Ambiente Cognitivo 3.0.

Nele, teremos que repensar o Ambiente Educacional com outros parâmetros, e, só então, falarmos de um Ambiente Educacional 3.0.

É isso, que dizes?

As pessoas estão como um cachorro tentando morder o rabo quando pensam o futuro da educação.

Temos que compreender a sociedade a partir de novo conceito filosófico.

Mudanças no ambiente cognitivo mudam o modelo produtivo.
O modelo produtivo demanda novo modelo de educação.
O novo modelo de educação precisa ser espelho do novo ambiente produtivo.

A educação, assim, não é feita nas nuvens.

É resultado de conjuntura macro-histórias dos ambientes cognitivos e produtivos.

Educadores que querem experimentar novidades terão que fazê-lo dentro das possibilidades do ambiente cognitivo e produtivo de plantão.

Quando se muda o ambiente cognitivo, se irá mudar, pela ordem, o ambiente produtivo e se começará uma demanda por mudanças no aparato educacional.

Dependendo do tipo de mudança do ambiente cognitivo teremos um processo mais ou menos incremental, radical ou disruptivo do ambiente produtivo e educacional.

Hoje, com a chegada da Revolução Cognitiva Descentralizadora Disruptiva Digital temos mudança profunda na sociedade, envolvendo o ambiente produtivo e educacional.

Educadores se iludem, pois acreditam que o debate educacional é controlado por eles, não é.

A educação vive dentro de duas bolhas maiores que estão sobre ele: a bolha cognitiva e a produtiva.

A bilha cognitiva muda muito raramente, mas quando ela se modifica inicia um processo de mudança primeiro no Sapiens, incluindo seu cérebro, que depois impacta nas organizações produtivas e, só então, no aparato educacional.

Discutir qualquer coisa que não compreenda estes diferentes ambientes, é algo bom para uma mesa de bar, mas não para definir estratégias de futuro.

É isso, que dizes?

 

 

Muitos professores e educadores acreditam que podem tudo dentro do ambiente educacional e que depende deles modificar algo nos métodos vigentes. Se iludem.

Professores e educadores vivem dentro do ambiente educacional e de uma organização educacional. O ambiente educacional vive dentro de ambiente produtivo. E o ambiente produtivo vive dentro de ambiente cognitivo.

Vejamos.

  • O que define as bases da cultura de maneira geral é o aparato tecno-cognitivo que temos disponível, que define a forma como resolvemos problemas. As linguagens e os meios que temos para trocas (para produzir e consumir informação, conhecimento e nos comunicar);
  • O aparato produtivo é criado ou migrado de dentro ou para um novo ambiente cognitivo e será o espelho deste. Assim, organizações produtivas serão modeladas e formatadas, explorando o máximo que o ambiente cognitivo permitir a cada momento histórico;
  • O ambiente educacional prepara pessoas para o ambiente produtivo. O ambiente educacional hegemônico, podem ter espaços alternativos, será moldado para que formate crianças, jovens e adultos para o ambiente produtivo de plantão;
  • Por fim, a organização educacional, na ponta, responsável por executar métodos educacionais será resultado desses conjuntos acima.

Obviamente que há  espaço entre o que é o padrão e a experimentação em cada uma destas camadas.

Mas há também paredes tecnológicas daquilo que não se pode fazer por falta de ferramentas. E há paredes organizacionais daquilo que não se deve fazer por ser incompatível com os modelos organizacionais vigentes.

Não adianta massificar um tipo de educação que será rejeitada mais adiante pelo ambiente produtivo.

Isso é fundamental para compreender as mudanças que teremos com a Educação 3.0, que falarei a seguir.

É isso, que dizes?

 

Vídeo correlato:

 

Como tenho dito de diferentes maneiras no meu novo LiquidBook, a vida sempre tem razão e o cenarista nem sempre.

O problema para a construção de bons cenários no novo século é:  a chegada da Revolução Digital arrebenta com as teorias das ciências sociais de plantão. Ponto!

A vida escancara de forma clara e objetiva que a forma como pensamos o ser humano, a sociedade, a história estava equivocada.

É preciso ir para o alto da montanha e ter coragem de começar a jogar nossos paradigmas 2.0 ao vento!

A Revolução Digital demonstra que:

  • as tecnologias não são neutras;
  • tecnologias cognitivas mudam o Sapiens;
  • a história humana é fortemente impactada por mudanças de tecnologia cognitiva;
  • o modelo de administração da sociedade é filho dos ambientes cognitivos e não o contrário;
  • há uma influência da demografia nas mudanças de mídia e na história do Sapiens de maneira geral.

Na minha humilde opinião, sem essa revisão filosófica-teórica, os cenaristas de plantão terão sérios problemas de prever o futuro.

É isso, que dizes?

Um cenarista eficaz sempre acredita que a vida tem razão e é ele que tem que aprender com ela e não o contrário.

Não podemos dizer que há estabilidade e nem estabilidades nos cenários estudados.

Há mudanças como regra e há forças que atuam sobre determinado ambiente que são conhecidas ou não conhecidas.

Quando temos mudanças não conhecidas é sinal de que existem forças que estão fora da teoria do cenarista, nada mais.

É a teoria do cenarista que está obsoleta, pois há  força desconhecida que precisa ser incorporada à teoria.

E aí se exige  revisão teórica para que possa incorporar a força desconhecida ao cálculo do futuro para começar a ter cenários mais eficazes.

Não é, assim, a vida que tem que se encaixar na teoria do cenarista, mas é o cenarista que tem que aprender com a vida, com as forças que não estão dentro do seu cálculo de futuro!

É isso, que dizes?

 

Teoria é o estudo das forças em movimento. O cenarista eficaz escolherá sempre o estudo das forças que causam instabilidade.

Podemos dizer que estabilidade é um cenário previsível pela maioria dos cenaristas. E instabilidade é o contrário: quanto a maior parte dos cenaristas perde a mão.

Um cenarista eficaz é aquele que consegue identificar a principal força que causa instabilidade no cenário.

E inicia um processo de desenvolvimento de uma teoria sobre essa força. No fundo, ele refaz o que podemos chamar de “cálculo do futuro”.

Podemos dizer que teorizar sobre uma determinada força é:

  • classificá-la;
  • conseguir procurar sinais dessa força no passado;
  • comparar essa força com outras similares;
  • aprender com a reação do Sapiens, a partir dela;
  • comparar situações similares;
  • e aplicar esse estudo no momento presente;
  • e, só então, iniciar o processo de projetação de novos cenários.

É isso, que dizes?

Sempre digo que há uma diferença entre um cenarista e um profeta: o primeiro é cientista, o segundo curandeiro.

O cenarista é um cientista que se baseia em determinada teoria e entrega para sociedade prognósticos. Ou seja, ele tem uma teoria que define forças em movimento, que estabelecem momentos de equilíbrio e desequilíbrio.

O cenarista aprende com as forças do seu problema-foco e percebe quando haverá estabilidades ou instabilidades, conforme as correlações de forças.

Um cenarista eficaz é, assim, aquele que opta por escolher as melhores teorias.

Alguém que constrói cenários sem teoria não é um cenarista, mas um candidato a profeta!

É isso, que dizes?

Não, não são os jovens milênios que estão se adaptando, mas todos nós, que assistimos mudanças radicais na sociedade em diversas áreas: comportamento geral, consumo, relacionamentos, política, etc.

A atual Revolução Cognitiva Descentralizadora tem grande novidade, se comparada às anteriores: a velocidade. Nossos antepassados tiveram muito mais tempo para se acostumar com os novos ambientes cognitivos.

Nós estamos vivendo tudo de forma muito rápida e isso dá um nó na cabeça de muita gente. É natural.

Podemos falar também de semelhanças.

  • a descentralização – parecida com a chegada da Escrita Impressa há 500 anos;
  • a introdução de nova linguagem – parecida com a chegada da Oralidade há 70 mil anos.

Vejamos:

  • Descentralização de mídia –  mais transparência, mais informação, mais amadurecimento social;
  • A nova linguagem –  dos cliques que permite que possamos criar a Curadoria, novo modelo de administração, que vai superar a Gestão.

A Curadoria  tem como base principal a participação de massa, regulada por Inteligência Artificial. que aponta a solução de diversos impasses civilizacionais com custo/benefício sustentável.

Todas as mudanças relevantes que assistiremos no futuro serão consequências destas duas características:

  • rápida velocidade – que vai acirrar bastante o conflito entre o velho mundo 2.0 e o 3.0;
  • E novo modelo de administração – que vai modificar de forma disruptiva e profunda as organizações no curto, médio e longo prazo.

É isso, que dizes?

 

 

Vídeo relacionado:

Resumo:

1- é falsa a ideia de que a ciência é feita apenas na academia;

2 – o papel da ciência é resolver problemas complexos, que a sociedade não consegue;

3 – a ciência entrega maneiras novas de pensar e agir para a sociedade;

4 – é possível na Ciência cada um ter seu ponto de vista intocável?

5 – o espaço no qual ideias têm valor em si e não são questionadas é a Arte;

6 – Trabalhos científicos são ferramentas de ação que visam trazer conforto;

7 – pontos de vista viram pontos de ação e podem causar danos para a sociedade.

 

Hoje, se tornou comum a ideia do relativismo teórico. Cada um pensa de um jeito e todo mundo respeita o jeito do outro pensar.

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A Ciência, entretanto, tem que entregar algo para a sociedade e ideias e propostas de ação precisam ser questionadas para se aperfeiçoarem. Não podemos confundir, assim, espaços acadêmicos com galerias de arte.

Vejamos:

  • A Arte foi criada para gerar desconforto e ampliar a linguagem e precisa da liberdade criativa. Uma obra de arte tem valor em si, não é uma ferramenta com a melhor lógica que vai nos levar de “a” para “b”;
  • A Ciência. ao contrário, foi criada para gerar conforto e ampliar a nossa capacidade de pensar e agir sobre problemas complexos;
  • Uma teoria não tem valor em si, mas é proposta de mudança da forma de pensar e agir, que vai nos levar de “a” para “b”.

Mas, você pode querer perguntar:

Pode-se ter diferentes avaliações do que consideramos conforto e desconforto?

Sim, podemos ter diferentes maneiras de avaliar o resultado do que foi entregue. Porém, depois que foi entregue e tocou na vida, na sociedade, em que vive determinado problema.

Há dados para analisar e não suposições “artísticas”.

A crise da Ciência hoje está dentro da crise das demais Organizações 2.0. Se deve ao esgotamento da Gestão, baseada no aparato tecnológico cognitivo que tínhamos e nas linguagens existentes.

O aumento do patamar da Complexidade Demográfica Progressiva tornou as atuais organizações obsoletas. E para tentar resolver a crise, elas se concentraram e acabaram sendo reféns delas mesmas.

O rabo passou a balançar o cachorro.

No caso da Ciência tal fenômeno se explicita num ambiente voltado para assuntos.

Na transformação do espaço de soluções de problemas complexos para uma espécie de galeria de arte.

Na galeria de artes científica de hoje cada se expressa do jeito que quiser, algo que não pode ser questionado, como se trabalhos acadêmicos fossem obras de arte.

Obras que são vistas como valor em si e não ferramentas de mudanças sociais na forma de pensar e agir.

Se entrega pouco para a sociedade, pois cada pesquisador é muito mais artistas, produzindo ciência “pura”, baseada em assuntos de interesse subjetivo do pesquisador para ele mesmo.

A Ciência foi transformada em arte.

A mudança que assistiremos com a Revolução Digital e o novo ciclo participativo é a reabertura para o debate de ideias com a sociedade, cada um defendendo a sua certeza provisória em torno de problemas.

A Ciência 3.0 será muito mais líquida, mais participativa, com pressão de fora para dentro. E talvez o dentro seja cada vez menos dentro.

Será baseada na demanda da sociedade para a solução de problemas complexos.

É isso, que dizes?

 

 

O Sapiens vive sempre em  bolhas civilizacionais.

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Lugares, pessoas, tempos.

Porém, as bolhas estão dentro de uma bolha maior.

E a bolha maior é formada pelo aparato de mídia que temos, que definem as fronteiras do que podemos e do que não podemos fazer.

Entre os humanos há tecnologias cognitivas invisíveis que definem falsas paredes, que são derrubadas com a chegada de novo aparato de mídia.

Assim, temos a falsa ilusão de que somos o que somos. De que a sociedade é o que é, pois vivemos numa bolha civilizacional nos limites das tecnologias cognitivas que temos disponível.

Quando se rompe essa tecno bolha cognitiva, percebemos que muito do que não podíamos fazer não era por limitação humana, mas por falta de tecnologias.

A espécie entra em crise entre o que não se podia fazer e o que se pode agora. Os velhos hábitos na maneira de pensar e agir passam a ser a barreira e não mais a possibilidade concreta.

Saímos dos limites técnicos para o filosófico.

Hoje, nosso problema não é mais o que não podemos fazer, mas a capacidade de deixar de fazer do jeito que estávamos acostumados.

Todo o movimento de mudança que teremos pela frente é superar o modelo mental do século passado, com as tecno-limitações que tínhamos.

E avançar no que podemos fazer agora.

É isso, que dizes?

Quanto custa?

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Esta é a pergunta que pouca gente faz, mas deveria fazer sempre sobre novos métodos de educação, principalmente para o Brasil.

Educação é tratada como algo abstrato, como não tivesse custos e fosse regulada pelas leis da economia: abundância e escassez.

Projetos educacionais inovadores devem se perguntar o tempo todo: quanto custa se pensarmos em milhões ao invés de centenas?

O que se faz hoje, sem esse questionamento, na falta de opção, é criar projetos educacionais de qualidade para pouca gente para criar  espécie de semente para ser espalhada. Mas que nunca o é por falta de verba.

Porém, a pergunta que não quer calar, volta: quanto custa?

Apesar da fantasia que criamos no Brasil que educação é gratuita, pergunte a um gestor educacional se ele não tem contas todo mês para pagar.

O educador joga a culpa no descaso das autoridades, como se ele não tivesse que ser também um pouco economista, fazendo cálculos para que qualidade rime com quantidade.

Vejamos:

O problema de pensar o futuro da educação é que não conseguimos superar os limites da Civilização 2.0, que não tinha disponível o aparato digital e as novas filosofias, teorias, metodologias e tecnologias, que vem no vácuo.

 

 

Assim, projetos experimentais para 200 não interessam muito se não puderem ser replicados para 200 mil, pois não se terá dinheiro para tanto.

E este é o impasse civilizacional que vivemos. O atual modelo geral de educação, baseado no aparato tecnológico cognitivo oral e escrito, que nos legou a gestão, não consegue mais ter qualidade na quantidade de um mundo hiperpovoado.

A superação do impasse qualidade-quantidade será feito, através do uso do novo aparato digital, que criará um modelo novo de educação, através de inteligência artificial, cliques, curadoria, horizontalização.

O atual modelo hegemônico de educação, aliás, usou a escrita para aumentar a qualidade na quantidade, mas chegou a um impasse devido ao aumento demográfico dos últimos 200 anos.

A educação de qualidade do novo milênio para ter escala vai ter que abandonar o modelo professor-aluno, oral-escrito para novo paradigma da qualidade para milhões.

Hoje, quando falamos em qualidade de educação pensamos só em dezenas ou no máximo centenas, mas nunca em milhões. E é daí que se deve conduzir o debate.

É isso, que dizes?

A base de toda filosofia, teoria e metodologia depende de como analisamos a natureza humana.

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Muitos dirão que não existe natureza humana, ou que ela é sólida como uma pedra, ou líquida como água.

Porém, o debate sobre natureza humana é o ponto de partida de qualquer conhecimento individual ou coletivo.

Muitos dirão que há temas em que a natureza humana não entra e eu afirmo que não, pois qualquer conhecimento é do humano para o humano.

Do humano que pensa e faz, ou só pensa, para o humano que faz.

Dependendo de como avaliamos a natureza humana, teremos posições filosóficas, teóricas e metodológicas completamente distintas.

Para um cenarista, é fundamental modular bem os limites do que podemos chamar de natureza humana.

Para evitar a arrogância, de definir uma natureza humana da sua própria cabeça (mesmo que diga que não exista) o cenarista recorre à história.

A história é o fio terra para que possamos definir a natureza humana de forma mais consistente e menos arrogante.

Se o ser humano não fez determinadas coisas no passado por que fará agora?

Novos cenários podem permitir novas facetas humanas? Podemo. Mas é preciso analisar se é um novo cenário realmente, ou é algo repetido que o cenarista simplesmente não percebe a repetição?

E se é totalmente novo, algo raro em tantos milhares de anos, como a antiga natureza humana vai reagir?

Na minha opinião, o que pode haver de realmente novo são mudanças tecnológicas que podem afetar a estrutura genética humana, tal como nos alimentarmos de sol, ou termos pessoas que já nascem sem poder se reproduzir, por exemplo.

É isso, que dizes?

Vídeo relacionado:

 

Resumo:

  1. sempre avaliamos pessoas no trabalho. Quem avaliava era o gerente e agora são os consumidores por uma necessidade da espécie;
  2. não teremos mais um RH central. Coisas que são feitas fora do trabalho pouco importaram no passado. O que importa sempre, ao final de tudo, é o que a pessoa entrega de valor.

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O primeiro episódio da terceira temporada da série Black Mirror imagina que a uberização que se vê nas novas empresas estará fortemente presente nas relações pessoais. E que vamos passar o tempo todo esmolando estrelinhas para poder trabalhar. Diria que preocupados com estrelinhas no trabalho, sim.  Dos amigos, não.

Há duas discussões a partir disso.

  • A filosófica – que nos remete a como pensamos sobre a relação do humano com tecnologias;
  • E o prognóstico do cenário (que é resultado da visão filosófica) – onde afinal a uberização pode nos levar?

Na minha Certeza Provisória atual acredito que o ser humano, como qualquer outra espécie viva, antes de qualquer coisa, é motivado primeiro pela sobrevivência e depois, com ela garantida, se dá ao luxo do vem depois.

Se queremos colocar um fio terra no debate dos cenaristas sobre o novo milênio precisamos recorrer sempre à história.

Não podemos esquecer, e isso é demonstrado pela história, que o que move cada pessoa no mundo é chegar ao final do dia vivo. Para isso, precisa comer, beber, trabalhar e conseguir evitar os riscos de morrer antes de dormir.

Isso vem das cavernas e continua e continuará presente na vida de cada um de forma mais ou menos latente, conforme cada contexto.

De cenários mais adversos, em guerras, terremotos, grandes catástrofes, ao cotidiano.

Na minha Certeza Provisória, diria que tudo que fazemos, todas as ferramentas que criamos e usamos, inventamos, massificamos ontem, hoje e amanhã vem atender a essa demanda principal: sobreviver.

Obviamente, que superados determinados parâmetros de sobrevivência o ser humano começa a se dar ao luxo de ter vícios, prazeres, gostos e iniciamos um conjunto de demandas em torno disso.

Uma orquestra tocando enquanto o Titanic afunda: só em filme.

Gosto da série Walking Dead, bem filosófica, na qual vemos um ser humano tentando sobreviver num mundo sob o ataque de epidemias de zumbis. Ali, está o mesmo ser humano querendo sobreviver em condições muito mais precárias do que a atual, na qual todo o verniz civilizacional vai literalmente para o espaço.

Assim, há uma espécie de “natureza dos seres vivos” – não digo só humana – em que o instinto de sobrevivência em todas as espécies sempre estará presente em alguma medida, conforme a situação limite.

A única mudança radical que alteraria o Sapiens essa máxima, e isso é possível, seria mudanças genéticas, com o domínio dos códigos genéticos, se criarmos uma nova espécie de laboratório que não precise mais comer ou beber.

Aí teríamos  nova espécie com outros paradigmas, abandonando a lógica dos seres vivos.

Enquanto isso não ocorre, a história nos mostra que as tecnologias abriram fronteiras para o ser humano ocupar, com a sua natureza.

E o papel do cenarista é analisar como essa natureza humana – digamos meio líquida, mas dentro de um corpo sólido, vai se adaptar às novas condições de cada época.

(Muita gente vai dizer que não existe natureza humana. É talvez o primeiro equívoco de muitos cenaristas utópicos.)

Podemos dizer que essa natureza humana não é fixa, é mutante, pois uma coisa é um humano mais próximo à natureza, em uma fazenda, e outro um que vive numa megalópole.

Procurar constantemente a natureza humana no tempo e projetar adaptações da mesma para o futuro, mesmo com descobertas de novas facetas, é a atividade principal de um cenarista eficaz.

Assim, imaginar que a espécie vai criar demandas novas, a partir de novas tecnologias, precisaria comprovar algo parecido na história. Ou imaginar que havia algo tão oculto que agora há condições de vir à tona.

E isso tem que ter algum tipo de discurso lógico e não apenas achismo emocional de um cenarista utópico.

Até por que não é primeira vez que alteramos mídias no passado. E podemos analisar que muita coisa mudou. Mas muita coisa TAMBÉM não mudou.

Dito isso, passemos ao que sugere o autor do primeiro episódio da terceira temporada de Black Mirror.

De fato, o aumento demográfico radical dos últimos 200 anos (de 1 para 7 bilhões) tem nos obrigado para sobreviver melhor a criar estrelas para avaliar produtos, serviços, pessoas, textos, vídeos, áudios.

Estamos adotando a comunicação química das formigas, criando um novo modelo administrativo da Curadoria para lidar com problemas complexos, sem solução no atual modelo administrativo da Gestão – filha direta da palavra oral e escrita, que nos acompanha há 70 mil anos.

A uberização significa a passagem do controle administrativo de um gestor do alto para um consumidor, munido de aplicativo, que viabiliza a expansão dos cliques – a terceira linguagem humana.

O prestador de serviços na uberização passa a ter receio do consumidor, que pode, através dos cliques, que são gerenciados por uma Inteligência Artificial, tirá-lo da plataforma ou reduzir o ganho no final do mês, como já ocorre em diversos projetos novos na Internet e até na variável do final do mês das tripulações da Gol.

Isso, entretanto, não é novidade para a espécie.

Avaliações de prestação de serviços sempre ocorreram no tempo e na história.

Quem avaliava, porém, cada prestador era um gestor, que fazia a sua avaliação e tomava as mesmas decisões de demissão, promoção, contratação de forma vertical.

O aumento do patamar de complexidade demográfica, entretanto, tornou o trabalho do antigo gestor obsoleto.

A avaliação do consumidor permite a descentralização da avaliação de baixo para cima, de forma horizontal, com mais meritocracia. É a pulverização do gestor em milhões de micro-gestores.

A uberização é uma saída sistêmica para o aumento da complexidade. Taxistas não eram mais controlados pelo consumidor, que reclamavam em vão. O motorista do Uber é controlado pela dobradinha consumidor – inteligência artificial dentro de uma plataforma administrada por um Curador.

Motoristas do Uber agora temem a avaliação dos passageiros e, por isso, se comportam muito melhor.

O critério de estrelas também se dá para canais de vídeos, áudios, textos e aqui estamos falando de espaços de divulgação de ideias, que podem ser ou não comerciais (no sentido de geração de receita).

A taxa de ética social tende a aumentar na transparência e com o controle da sociedade sobre as organizações e seus parceiros, colaboradores.

Assim, avaliar serviços, produtos  não é algo novo, o que estamos fazendo com a uberização é democratizar a forma de avaliação.

Imaginar que esse sistema de avaliação já existente nas organizações migaria para as relações pessoais é algo a-histórico.

Por que aconteceria agora? Avaliar já ocorre por uma necessidade de ser melhor atendido, por que passaríamos a fazer isso nas relações pessoais?

Só por que podemos?

Já podíamos fazer isso com a fofoca, mas mesmo com toda a fofoca sobre alguém isso não impediu que pessoas sejam amigas ou que tais fofocas impeçam que ela trabalhe em determinado lugar.

O que faz a diferença na hora do trabalho não é com quem você se deita, ou de quem é amigo, mas a capacidade que se tem de gerar valor para quem tem um determinado problema.

Não vejo nada na história que possa demonstrar algo assim. Fornecedores e consumidores, uberizadas ou não, querem pessoas que consigam gerar valor, independente do que fazem, com quem se encontram, de quem são amigos.

O que valeu para o passado e será para o futuro é capacidade que cada um tem de identificar problemas e ajudar a superá-los. É isso que vai sempre ser objeto de avaliações cada vez mais sofisticadas, que serão feitas com as ferramentas cognitivas disponíveis (canal físico e linguagem).

Vejamos.

Pouco importa, por exemplo, se um vendedor de baterias no mercado livre não tem nenhum amigo no Facebook, mas que entrega o produto em dia e todo mundo o elogia. Importa? O mesmo digo de um motorista do Uber ou de alguém que aluga quartos do AirBnb.

Pessoas fazem negócios com outras por motivos mais objetivos e se relacionam com outras por motivos mais subjetivos.

Tais relações passam por diversos critérios de seleção de quem você quer ver todo dia, de vez em quando ou nunca tanto nos negócios quanto na sua vida pessoal.

Porém, nos negócios o que importa mais é a objetividade e na vida pessoal a subjetividade. São critérios diferentes para demandas diferentes.

Acredito que determinadas práticas sociais como galinhagem, grosserias, posições políticas já são mais transparentes e vão evitar relacionamentos pessoais futuros.

Mas isso não vaza para os negócios, pois a ideia de empresas centralizadas, de Recursos Humanos centrais que contratam é algo que não se sustenta num cenário futuro.

Veja o meu debate sobre isso aqui:

Porém, isso não vai importar muito do ponto de vista objetivo, pois as organizações se uberizando, o que vai importar é o karma digital que a pessoa terá ao entregar o produto ou serviço na plataforma.

A ideia de um RH central escolhendo colaboradores tende a ficar cada vez mais obsoleto.

Assim, sim teremos mais transparência nas relações, sim teremos mais informação sobre a prática de cada um na sociedade, sim avaliaremos cada vez mais tudo.

Porém, a ideia de que vou esmolar estrelas do amigo para manter meu emprego, na minha certeza provisória, é pouco provável.

O episódio consegue projetar e radicalizar um futuro sombrio, a partir das tecnologias. A série toda aliás tem esse tom de reativismo melancólico, mas é bem feita e abrem bem o espaço para o debate.

É isso, que dizes?

 

 

 

Vivemos uma crise profunda, pois as organizações científicas vivem o final de uma Era Cognitiva, na qual diagnosticamos um corporativismo tóxico.

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Nestes momentos temos alguns fatos relacionados. O que chamamos de ciência será muito mais parecido com arte ou hobbie.

A ciência que praticamos hoje está muito mais parecida com uma galeria de arte do que um ambiente científico.

O papel da arte é brincar com a subjetividade para alargar as fronteiras da linguagem e dos sentidos.

O papel da ciência é ajudar a sociedade a dar solução para problemas complexos, num ambiente de objetividade, de diálogo e de lógica.

Quando defendemos que cada um tem o seu ponto de vista e que deve ser respeitado, estamos falando de um ambiente artístico.

O papel da ciência é justamente o contrário.

Pontos de vistas devem ser desrespeitados com argumentos, questionados, validados, invalidados. Pontos de vistas estão lá justamente para serem massacrados.

Os que sobreviverem são ferramentas para que tenhamos menos problemas aqui do lado de fora.

Quando alguém me diz que eu tenho um ponto de vista e ele tem o dele, tudo certo, mas o ponto de vista, acaba por virar um ponto de ação.

Ponto de ação é uma prática, uma metodologia, um prognóstico, um diagnóstico, um tratamento que, mais dia menos dia, vai causar mais ou menos conforto ou desconforto para alguém.

O papel da ciência é reduzir desconfortos.

O da verdadeira arte é o contrário: gerar desconforto.

A arte que não gera desconforto, é hobbie, assim como curiosidade sobre conhecimentos que não resultam em solução de problemas.

Mas não ciência!

A visão de futuro de muita gente é de que haverá uma dispersão radical das experiências.

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E de que o mundo hoje é organizado da atual maneira por causa de um centro forte.

Concordo parcialmente.

Haverá de fato mais alternativas, o mundo terá ainda mais camadas de futuro. Porém, não repetimos, imitamos e temos um planeta mais ou menos parecido por imposição.

O ser humano imita os demais por necessidade, pois quer ter sempre o melhor custo/beneficio para resolver problemas.

A ideia de que a Revolução Cognitiva nos levará para um mundo cada vez mais heterogêneo e que será impossível comparar diferentes regiões, me parece um prognóstico não viável.

A diferença entre regiões ou mesmo dentro da mesma região será, como já é hoje, em função da mídia utilizada.

Quanto mais a nova mídia e a linguagem for massificada e eficazmente utilizada, mais e mais aquela região poderá conseguir resolver os antigos problemas de melhor forma.

Quanto mais difundida e eficaz for a mídia utilizada para resolver problemas da espécie, mais no futuro estarão determinadas regiões e vice-versa.

Futuro não quer dizer mais evolução, melhor, bom, correto, apenas é o máximo que conseguimos fazer com o que temos nas mãos, só isso.

É isso, que dizes?

Pode colorir como quiser o projeto educacional, mas…

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…o que importa ao final é o seguinte.

  • Quanto mais homogêneo for o pensamento das crianças no processo educacional mais centralizadora é a proposta de educação;
  • Quanto mais heterogêneo for o pensamento das crianças no processo educacional, mais descentralizadora é a proposta de educação.

Propostas educacionais preparam pessoas para determinada sociedade projetada (vontade de mudar a atual) ou vivida (a que existe).

Há, a meu ver, no mundo dois tipos de sociedade, se puxarmos para os extremos:

  • sociedades que são regidas por um centro, com forte controle do estado sobre a sociedade e os indivíduos. Um modelo mais vertical;
  • sociedades que são regidas pelo a interação das pontas com baixo controle do estado, com o desenvolvimento de uma ordem mais espontânea dos indivíduos. Um modelo mais horizontal.

Digamos, que a primeira é a proposta mais autoritária (e muitas vezes totalitária) de sociedade, do controle de  determinado centro para as pontas e a outra da ordem espontânea, mas aberta e livre.

A filosofia da educação reflete uma ou outra.

Pode não ser no verniz, no discurso, mas no que realmente acaba por entregar homogeneidade ou heterogeneidade?

  • Uma proposta de educação centralizadora/estatizadora fará com que cada pessoa reduza a taxa de diversidade. A individualidade e a subjetividade serão contidas e não estimuladas para a integração no todo. Cada membro se verá incompleto, compondo um todo maior, que contém a completude. As pessoas vão ser preparadas para respeitar à autoridade de plantão e pensar de forma bem próxima dos professores e dos demais membros da escola. É uma escola estatizadora.
  • Uma proposta de educação descentralizadora fará com que cada pessoa aumente a sua taxa de diversidade. A individualidade e a subjetividade individual serão estimuladas para a integração no todo. Cada membro se verá completo para compor o todo maior, que contém a incompletude. As pessoas vão ser preparadas para questionar a autoridade de plantão e pensar de forma bem diferente dos professores e dos demais membros da escola.  É uma escola empreendedora.

Vejamos:

  • A educação estatizadora/centralizadora fortalece sociedades de baixa inovação, forte controle social do centro para as pontas.
  • A educação empreendedora/descentralizadora fortalece sociedades de alta inovação, baixo controle social do centro para as pontas.

Tais propostas são a base de qualquer projeto educacional e de sociedade. Metodologias que serão implantadas refletirão essa realidade.

Antes de defender que o problema do Brasil é educação é bom saber de que tipo de filosofia de educação estamos falando: estatizadora ou empreendedora?

Obviamente, que o debate da Educação 3.0, Curadora, nos leva a uma radicalização da Educação Empreendedora.

É isso, que dizes?

Cenarista é alguém que constrói cenários futuros para que outro alguém tome decisões melhores.

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Cenaristas trabalham com forças em movimento. É preciso entender cada força, novas forças, a relação entre elas e as possíveis modificações e, só então, projetar cenários.

Cenários nada mais são do que a relação das forças em movimentos. E as projeções, a partir de novas configurações.

  • Quando temos forças iguais ou parecidas em ação, a tendência do cenário futuro é de maior taxa de estabilidade;
  • Quando temos novas forças (ou não tão conhecidas) em ação, tendência do cenário futuro é de maior taxa de instabilidade.

Quando temos novas forças, cabe aos cenaristas identificá-las, conhecê-las,  incorporá-las, através do estudo de sua ação no passado e no presente em lugares onde ela está mais atuante há mais tempo.

Novas forças significam que há algo de errado no paradigma do cenarista, que precisa ser refeito.

O cenarista precisa aprender que a vida sempre tem razão e ele sempre está equivocado. A vida ensina e o cenarista aprende.

O ser humano é a principal força a ser estudada pelo cenarista, pois todo o seu trabalho está voltando para que melhores decisões sejam tomadas.

Há cenários, como o clima, terremotos, maremotos, pragas que podem depender mais ou menos das forças humanas, mas o cenarista sempre estará prestando serviço para alguém que precisa tomar uma decisão, a partir do cenário construído.

Quanto mais um cenarista tenha visão mais clara de como reage o ser humano individualmente e coletivamente a determinadas forças, mais terá condições de acertar prognósticos e vice-versa.

O cenarista indica ações no presente para que a pessoa que está sendo orientada possa se adequar melhor ao cenário futuro.

Cenaristas que não estudam o passado, são cenaristas, que tendem a ter maior taxa de arrogância, pois acreditam que apenas o instinto, sua capacidade de percepção, é capaz de prognosticar os cenários futuros.

O passado é uma espécie de âncora de humildade para os cenaristas, pois evita que a taxa de arrogância suba. Que ele comece a projetar o que quer para o futuro e não o que provavelmente vai ocorrer.

Desconfie de cenaristas que não apresentam memória de cálculo passada.

 

Todas as organizações que praticam a gestão estão em crise. A gestão foi o modelo e administração, que conseguiu lidar com um determinado patamar de Complexidade Demográfica.

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A crise que vivemos na sociedade hoje é do modelo de administração, baseada na linguagem oral e escrita, que ficou obsoleto diante do aumento demográfico.

Basicamente, estamos saindo de uma espécie que produzia ruídos, próxima dos mamíferos, que exige líderes-alfas (gestores/palavra oral e escrita) e iniciamos a jornada para espécies de comunicação química (curadoria/cliques).

Isso ocorre em todas as áreas e vai ocorrer também na produção científica.

Existem duas coisas importantes separar neste campo:

O método científico – é estrutural – filosófico. E a
publicação e divulgação é conjuntural – tecnológica.

O método científico, no tempo, exige um problema, uma hipótese para lidar melhor com ele, um teste para validar a hipótese, um comparativo e uma conclusão.

Isso podemos dizer que será algo estruturante de qualquer espécie viva, não só humana, na direção da procura de uma qualidade de vida melhor.

Todos os animais testam melhorias, incluindo os humanos, que fazem isso no geral, e nas questões mais complexas se utilizam de determinadas organizações, que chamamos de academia.

Muita gente confunde método científico que é a eterna busca da certeza provisória, ou da mentira, se quiserem radicalizar com a publicação. Com a publicação.

A publicação, entretanto, não é estruturante, pois dependerá das ferramentais disponíveis a cada período histórico. Como passamos um longo ciclo dentro da Era da Palavra Oral e Escrita criamos a ilusão de que método e publicação é a mesma coisa. Não é!

Antes éramos gestuais, depois passamos às palavras e hoje temos os cliques.

O método científico será praticada na plataforma de publicação disponível e será influenciado por este conjunturalmente.

Hoje, a publicação científica é feita, através da validação das palavras. É o método da gestão, na qual há um gestor, que chamamos de editor ou editores, criam um corpo de pareceristas que avalia o que será publicado.

Filtra-se para publicar.

Segundo o especialista americano de mídias digitais, Clay Shirky, a digitalização do mundo, com suas novas ferramentas, temos o contrário:

Publica-se para filtrar.

A nova linguagem dos cliques permite que pessoas ao lerem determinado artigo, possam, avaliá-lo no processo de leitura. O que podemos chamar de Curadoria Acadêmica.

Tal modelo permite que a Ciência 3.0, possa:

  • ter muito mais interação;
  • ser muito mais líquida;
  • muito mais próxima da sociedade;
  • menos dependente da vontade e interesse dos antigos gestores/editores;
  • mais inovadora;
  • mais descentralizada e distribuída.

A crise da ciência hoje é justamente a mesma de todas as organizações.

Criamos alta taxa de corporativismo tóxico, pois devido à centralização e isolamento da produção científica. A academia ficou cada vez mais voltada parar os próprios interesses do que os da sociedade.

Temos hoje uma ciência conservadora e corporativista, deixando a sociedade sem respostas às questões complexas.

Muitos acadêmicos consideram que qualquer coisa diferente do atual modelo de publicação irá trazer o caos à ciência, pois são reativos às mudanças.

E confundem assim métodos científicos com publicação científica.

A procura da melhor verdade, ou da melhor mentira continuará sempre, o que muda apenas é o método que faremos isso.

Mais gente no mundo, um mundo mais complexo, mais mutante e inovador, exige um novo modelo de produção acadêmico compatível.

O antigo validador oral/escrito dará lugar aos cliques, o uso intenso de inteligência artificial, que permitirá a renascença científica, pois estará muito mais próxima da sociedade do que hoje.

 

´É isso, que dizes?

 

 

 

Existem dois impactos.

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O primeiro é algo mais amplo na base de toda a filosofia, na pergunta mãe:

“Quem somos?”.

Hoje, o principal debate filosófico passa por McLuhan e a ideia de que somos  Tecnoespécie, que se modifica na essência com a chegada de novas tecnologias, principalmente as cognitivas.

Sem este novo paradigma, da Tecnoespécie o novo milênio será um labirinto de minotauro para os filósofos.

Isso, digamos, é algo fundamental que torna consciente algo que já ocorria no passado, tal como as mudanças filosóficas ocorridas na Grécia com a chegada do alfabeto grego ou depois da idade média com a prensa.

Revoluções Cognitivas provocam surtos filosóficos profundos.

A base dos pensamentos filosóficos de plantão ocorrem dentro dos limites Tecnoculturais existentes, que são formados por falsas paredes. Quando elas caem, tudo que estava em cima dela, cai junto.

Porém, temos um impacto em outras camadas da filosofia, no campo moral e epistemológico.

O que antes eram limites humanos não são mais.

Revoluções Cognitivas expandem o “aquário” Tecnocultural, permitindo que o que possamos avançar sobre novas possibilidades.

Um conjunto de pensamentos humanos passa a ser revisto, pois o que achávamos que era sólido, vemos que é líquido.

É isso, que dizes?

 

Marshal McLuhan é conhecido como comunicólogo.

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Mas o novo paradigma que ele defendeu “O meio é a mensagem” é filosofia.

No momento, que sugere que os meios de comunicação são uma extensão do ser humano, entra no campo das perguntas do “Quem somos?”.

McLuhan sugere que o ser humano, por dedução, é uma Tecnoespécie. Introduz um ponto de vista relevante na Filosofia da Tecnologia, que analisa a relação do ser humano com as tecnologias.

Permite o trabalho da Escola Canadense de Comunicação, que passa a estudar as rupturas de mídia no passado para recontar a história humana.

Abre o campo de estudos da Antropologia Cognitiva e permite a obra de Pierre Lévy, que faz um panorama geral sobre as rupturas de mídia.

McLuhan é uma pessoa chave do novo milênio e tem, de certa forma, a importância de Darwin. Temos o mundo antes e depois de McLuhan.

Por quê?

Temos uma visão completamente nova do ser humano, que, na época, pareceu algo exotérico, com baixo impacto de compreensão sobre as mudanças na sociedade.

As mídias eletrônicas trouxeram ou uma Evolução Cognitiva, ou uma Revolução Cognitiva Centralizadora, a gosto, o que reforçou o mundo que já existia.

McLuhan disse algo relevante na década de 60 que só agora se mostra muito mais útil para a compreensão das mudanças humanas, tal como a chegada da Revolução Digital.

Só agora, com a chegada da Revolução Digital, McLuhan passa a ganhar a relevância que merecia.

Não conseguiremos entender o novo milênio sem McLuhan e sua escola.

Não importa tanto o que é dito dentro das mídias, pois as mídias definem a sociedade, pois são uma extensão do ser humano.

Veja ao vivo:

Muito do combate à McLuhan se deve ao questionamento central que essa proposição “o meio é a mensagem” tem e teve sobre o conceito marxista da luta de classes.

McLuhan, ao colocar as tecnologias de comunicação no topo das forças provocadoras das mudanças históricas, elimina o conceito de que a história é filha da luta de classes.

E todo comunicólogo com tendências marxistas baniu McLuhan, ou colocou-o como um pensamento de um excêntrico, digno de figurar num “jardim zoológico” dos pensadores exóticos.

Porém, o novo milênio com as mudanças bruscas que estamos passando, traz McLuhan e sua turma para o centro dos holofotes.

Principalmente, as organizações que querem lideram o mercado precisam de McLuhan para criar cenários mais realistas.

Pela ordem:

  • Da visão filosófica de que somos uma tecnoespécie;
  • De que mudanças de mídia alteram profundamente o ambiente de negócios.

É isso, que dizes?

Vivemos uma profunda crise da ciência. Principalmente das ciências sociais.

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A concentração de mídia nos leva ao corporativismo tóxico, que atinge a todos os setores, incluindo a academia.

Hoje, as organizações criam critérios de produção cientifica de dentro para dentro. Há uma certificação pelos pares, que têm problemas acadêmicos, num círculo vicioso.

Teorias perdem o conceito fundamental, o conceito fica sem consistência.

Teorias são ferramentas humanas para resolver problemas, como detalhei aqui.

Toda boa teoria visa apontar metodologias e, para isso, precisa analisar forças e fazer prognósticos. Teoria que não faz prognósticos não é teoria, é hobbie ou arte.

É na analise dos resultados dos prognósticos e do resultado das metodologias que começamos a saber se uma determinada teoria é eficaz, ou não.

Os resultados demonstram o que pode ser ajustado. Qual é o equívoco que foi feito nas fases preliminares.

As teorias atuais não fazem isso.

Hoje, uma pessoa que se diz cientista é um cientista de assunto, se especializa num tema sem fim, se torna conhecedor de tudo sobre aquele assunto, mas que, de prático, nada ajuda para a sociedade.

Todo estudo tem que ter um problema para nortear o seu caminho, pois é esse o papel da ciência: ajudar a sociedade a viver melhor.

É isso, que dizes?

 

Vídeo relacionado:

O grande problema com os cenaristas modernos é que eles passaram a fazer marketing.

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Por uma questão de sobrevivência, os cenaristas passaram a atuar com os princípios do marketing: o cliente tem sempre razão e vou dizer aquilo que ele deseja ouvir.

Isso dá dinheiro, palestra.

E começamos a ter cenaristas marqueteiros dizendo que a Hillary vai ganhar, que a Inglaterra vai ficar na comunidade européia e que o acorde de paz na Colômbia vai ser aprovado. Que a uberização é algo periférico e que no Brasil essa onda de transparência cidadão vai passar.

O papel do cenarista, bem como do calculista de pontes, do oncologista e do terapeuta não é dizer o que o cliente quer ouvir, mas, baseado em teorias eficazes, tentar apresentar um cenário factível para o cliente lidar melhor com ele.

Vivemos hoje guinada civilizacional, na qual as organizações estão em fase de negação. Estão sedentas para escutar pessoas que garantam que futuro não vai mudar tanto assim.

Porém, é preciso entender o papel dos cenaristas para as organizações.

Todo cenarista precisa de uma teoria para fazer seus prognósticos. A diferença entre um cenarista e outro é a teoria que o embasa. E a sua capacidade de criar em cima das forças analisadas.

Um cenarista dever ter apenas compromisso com a sua teoria e do que ele consegue enxergar no futuro a partir dela. Há um diálogo necessário com o cliente, incluindo alunos, mas tem que se dar em bases argumentativa, teórica e lógica.

Quando o cenarista confunde o seu papel de prognosticar o futuro e começa a dizer o que o cliente quer ouvir para aumentar o seu ganho, algo começa a se complicar. A raposa começa a ser chamada para analisar se as galinhas precisam de proteção.

Quando cenaristas deixam de atuar no campo das ciências e da lógica passam ao marketing. Seminários e palestras deixam de ser espaço de reflexão e racionalidade e passam a ambiente de prece para que o futuro não seja tão impiedoso.

Para um cenarista eficaz, quem tem que ter razão é a teoria desenvolvida, que permite prognósticos, e não o cliente!

O cliente contrata um cenarista para conhecer o que ele estudou e não para reforçar aquilo que ele quer ouvir.

Na atual fase de negação, cenaristas eficazes e não marqueteiros assistem os marqueteiros fazendo sucesso.

O futuro, entretanto, que marketing é bom para vender, mas não para fazer estratégica eficaz.

Há dois filmes que recomendo que evidenciam a luta entre cenaristas marqueteiros e cenaristas eficazes:

A caça de Madoff:

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A grande aposta.

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É isso, que dizes?

Vídeo correlato:

Vamos a elas:

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1 – seja um profissional de problemas e não de assuntos;

2 – faça de seu problema uma missão de vida;

3 – procure fontes e não informação;

4 – procure um padrinho/ curador;

5 – tenha o seu espaço de produção de conhecimento;

6 – faça parte de uma comunidade que vive o seu problema;

7 – tenha alunos e clientes e aprenda com eles.

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Problemas estruturam o pensamento e permitem criar metodologias e respostas da vida (e aliança com os sofredores) para saber se estamos indo no caminho menos equivocado.

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Problemas nos mostram que todo o conhecimento tem um propósito: ajudar a sociedade a viver melhor.

Quando as pessoas se dedicam a assuntos e não a problemas, campos de estudo, ciências da rede, de informação, de comunicação, do conhecimento, ou seja lá o que for, entram no labirinto de minotauro, onde não tem wifi e nem tomada para carregar celular.

As pessoas têm problemas e são motivas por resolvê-los. O papel de pensadores ativos é o de ajudar as pessoas a superá-los, quando possível, ou minimizá-los.

Problemas são:

  • integradores;
  • não tem fronteiras, limites, barreiras;
  • não têm autoridade;
  • são mutantes, pois depende sempre do contexto.

Obviamente, uma ciência baseada em problemas só é possível nesse novo ambiente mais descentralizado e distribuído.

O problema é que as ciências atuais são filhas de um mundo 2.0, de pensadores isolados, em torno de assuntos, dentro de labirintos de minotauros eunucos.

A Ciência 3.0 é mais participativa e interativa, pois tem novas ferramentas de validação do que é mais útil à sociedade. Cliques permitem que a sociedade possa participar mais do processo científico.

Tal mudança vai varrer para o canto do quarto a ciências por assuntos.

A Ciência 2.0, além disso, com o tempo de uso, foi gerando, como em outras organizações, uma espécie de corporativismo tóxico.

Viraram muito mais sindicatos do pensamento corporativistas, do que ferramentas de pensar e agir, que possam ser úteis para a sociedade.

Os novos pensadores que serão valorizados pela sociedade não serão especialistas em assuntos, mas em problemas.

Assuntos são aeroportos que só permitem pousar teco-tecos e rejeitam a chegada de aviões maiores.

Pensadores que não têm problema para resolver e atuar na vida acabam por se perder no mar da falta de prioridades. Perdem a noção do que realmente importa e o que deve ser deixado de lado. Saem da Ciência e vão para as Artes ou Hobbies do pensamento.

É isso, que dizes?

 

Problemologia é uma corrente de pensamento educacional voltada para problemas.

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Isso não é novo.

Porém, teremos um surto de mudanças educacionais na direção do estudo, a partir de problemas.

Por quê?

Novas Eras Cognitivas têm uma primeira fase de forte inovação e precisam de pessoas no mundo mais criativas para lidar com antigos e novos problemas.

Há um surto de inovação generalizado.

As antigas formas de resolver os problemas, dentro dos limites Tecnoculturais que tínhamos, passam a ser questionadas e precisamos de novas.

Há uma demanda por pessoas mais inovadoras, que não repitam velhas fórmulas.

Isso é algo conjuntural, mas será estrutural?

Talvez, possamos dizer que quanto mais gente tivermos no mundo, mais complexidade teremos e mais criativos precisamos ser.

Problemas ficam cada vez mais dinâmicos e precisam de respostas novas o tempo todo.

Há um novo patamar de autonomia de cada indivíduo, que é algo necessário para lidar numa sociedade mais complexa.

Esse novo patamar vai nos obrigar a ter educação mais voltada para a mudança do que a anterior.

Há forte tendência por:

  • aprendizado autônomo;
  • por problemas;
  • permanente;
  • mais horizontal do que vertical;
  • por grupos de interesse em torno do mesmo problema.

Haverá um aumento de taxa permanente de inovação, que não volta para trás.

A nova educação vai trabalhar num novo Planeta 3.0, que tem um novo aparato de mídia e a nova linguagem dos cliques.

Organizações não serão mais tão verticais, será algo na direção do Uber, com independência para cada um lidar melhor com o consumidor.

O que fará com que cada um seja um solucionador da melhor forma de lidar com os clientes e ser bem avaliado.

A educação por assuntos e disciplinas dispersas é cara e incompatível com esse novo cenário.

É isso, que dizes?

A grande novidade do novo milênio é a mudança profunda que o Sapiens está passando.

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Cada indivíduo direta ou indiretamente está vivendo as consequências da chegada de novo aparato de tecnologias cognitivas e uma nova linguagem.

Há uma mudança estrutural, em três níveis:

  • genético/biológica;
  • subjetiva;
  • objetiva.

De cada Sapiens, no novo Planeta Sapiens 3.0.

Há mudanças estruturais que são novas e permanentes.

A saber:

  • empoderamento de mídia;
  • conexão global;
  • acesso 24 horas à conexão global.

É isso, que dizes?

A grande questão filosófica do novo milênio é introduzir as tecnologias na pergunta “Quem somos?”.

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Até aqui a resposta foi incapaz de se aproximar mais do que de fato ocorre.

O Sapiens é uma Tecnoespécie e é o que é pelas tecnologias que consegue criar.

O Planeta Sapiens, tecnológico por natureza, quando recebe novos aparatos se alarga. Passamos a fazer o que não era possível antes. Criamos um vácuo entre o Planeta Sapiens antigo e o novo.

As tecnologias expandem nossos limites e no vácuo criado avançam projetos daqueles que percebem que as falsas paredes do antigo planeta já não existem mais.

Há, porém, mudanças diretas de novas tecnologia no Sapiens. Algo no nosso corpo físico ou mental se altera, pois novas órteses fazem com que tenhamos que nos adaptar a elas.

Principalmente, o cérebro que tem certa independência de seus respectivos donos.

Pessoas que gostam de pensar o futuro, devem olhar para os vácuos que se abrem no Planeta Sapiens com a chegada de novas tecnologias e não para as tecnologias em si.

Tecnologias que abrem vácuos são aquelas que vêm atender à demandas que estavam contidas na parede do antigo Planeta Sapiens.

Há latências da sociedade que não conseguem ser atendidas por falta de tecnologias que as viabilize. Tais tecnologias serão mais rapidamente massificadas do que outras.

Quem gosta de pensar o futuro, deve olhar para as latências e o potencial que são atendidas com novas tecnologias.

É isso, que dizes?

O Sapiens não vive no Planeta, mas numa espécie de Tecnoplaneta particular.

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Outras espécies vivas lidam diretamente com a natureza. O Sapiens se relaciona com a natureza, através de aparato tecnológico.

  • As outras espécies podem sofrer com as mudanças da natureza e se adaptar a elas.
  • O Sapiens altera a sua vida se novas tecnologias surgirem, pois a relação possível com a natureza, com outros seres vivos e outros Sapiens se modifica.

Há graus de adaptação necessária, a partir da chegada de novas tecnologias:

  • tecnologias não cognitivas – variável, conforme impacto sobre a sociedade futura;
  • tecnologias cognitivas – sempre impactante, pois altera a forma de relação dos Sapiens entre si;
  • tecnologias genéticas – sempre impactante, pois poderá  alterar a forma como sobrevivemos, nos reproduzimos, morremos.

Quando novas tecnologias surgem o Planeta Sapiens se modifica, principalmente Tecnologias Cognitivas, o que nos faz defender que determina etapas civilizacionais, a saber:

  • Civilização 1.0 – o Sapiens que gesticula;
  • Civilização 2.0 – o Sapiens que também fala, lê e escreve;
  • Civilização 3.0 – o Sapiens que clica.

Toda mudança civilizacional, a partir de Revoluções Cognitivas (chegada de novas tecnologias de comunicação e informação) introduzem grande mudanças no Planeta Sapiens:

  • genética/biológica, alteração no cérebro;
  • subjetiva, mudanças em como lidamos com o mundo;
  • objetiva, novas formas de resolver o problema das demandas e ofertas.

É isso, que dizes?

Galera, se segura, pois começamos a Revolução Administrativa!

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O ser humano caminha na história aumentando o patamar de complexidade demográfica.

É a única espécie social que faz isso, mas precisa de tempos em tempos promover um forte ajuste em como se comunica e se administra para voltar a equilibrar a espécie.

O diagnóstico da crise que estamos passando é simples:  crescemos demais e nossos modelos de comunicação e administração ficaram incompatíveis.

Como procedemos o ajuste?

  • Começamos introduzindo novas tecnologias de comunicação e informação, com ou sem uma nova linguagem;
  • E depois, a partir das possibilidades abertas por essa novidade, criamos um modelo de administração mais sofisticado, nem melhor e nem pior, apenas mais sofisticado.

Assim, podemos dizer que até aqui com a digitalização do mundo estávamos na fase da Revolução Cognitiva, mas que se abre na segunda etapa: da Revolução Administrativa.

Organizações uberizadas nos mostram que é possível administrar, basicamente tomar decisões, de uma nova forma, através da nova linguagem dos cliques.

Daqui para frente, o que vamos assistir são mais e mais organizações ocupando mais e mais espaços na sociedade embaladas pela novo modelo de administração.

A Revolução Administrativa já começou.

E é ela que vai realmente criar a nova Civilização, a partir das novas possibilidades criadas pela Revolução Cognitiva.

É isso, que dizes?

Quando falamos em especialização, pensamos sempre especialização de assuntos e não de problemas.

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O mundo que estamos saindo é um mundo de ideias e inovação controlados pelo limite das tecnologias, da linguagem, que se tornaram incapazes de lidar com o novo patamar da Complexidade Demográfica.

Quando isso ocorre a tendência é massificar, apostar na repetição, na baixa inovação, no controle e caminhamos para o fortalecimento do agir e pensar em torno dos assuntos.

A educação caminha toda nessa direção.

Assuntos, que podemos chamar de dados dispersos, são ferramentas pré-problemas.

Não podemos incentivar o estudo e prática em torno de problemas em sociedades que não podem inovar.

Vamos estudar em torno de dados dispersos, desarticulados, sem coerência entre si e deixar que os problemas sejam resolvidos por uma parcela pequena da sociedade.

Isso não é maligno, mas a resposta que encontramos para momentos em que a taxa de Complexidade Demográfica aumenta sem o respectivo upgrade nas tecnologias de mídia e na linguagem,

Especialistas de assuntos, ou de dados, são apenas pessoas que quanto mais estudam mais se isolam no mundo.

O estudo de assuntos nos leva sempre a becos sem saída.

Quando recomeçamos nova Era Civilizacional, com novas tecnologias de mídia e nova linguagem podemos, de novo, nos dedicar ao estudo de problemas, pois a taxa de inovação volta a crescer.

O estudo de problemas, ao contrário do de assuntos, é integrador.

Todo o estudioso de problemas vai lidar com os mesmos problemas fundamentais:

  • superar sofrimentos latentes de quem sofre com o problema;
  • dificuldade de que as pessoas encarem novas metodologias para antigos problemas;
  • articulação de diferentes campos de assuntos para lidar com o mesmo problemas, quebrando barreiras disciplinares;
  • questões filosóficas, teóricas e metodológicas.

Assim, o estudo dos problemas por especialistas, ao contrário do de assuntos, não leva pessoas a ruas sem saídas, mas para cruzamentos.

É isso, que dizes?

Tenho dito que a Antropologia Cognitiva é o único campo de estudos que pode fazer prognósticos mais consistentes sobre o futuro.

(A partir de um papo numa estação de VLT com Luciana Sodré.)

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Muitos dirão que todo martelo só vê pregos.

E que como abracei este campo de estudos vou priorizá-lo por um capricho do ego.

Vou tentar colocar argumentos para defender a ideia de forma lógica.

O conhecimento humano avança de forma integrada, a partir de alguns fatores:

  • novas tecnologias que nos permitem enxergar melhor, ver melhor, medir melhor, ver  o que não víamos;
  • novos fenômenos que obrigam a repensar alguns paradigmas;
  • novos malucos que chegam para apresentar ideias completamente diferentes;
  • o legado filosófico, teórico, metodológico no tempo, que nos faz amadurecer com o tempo, pois mais e mais gente passou e pensou de forma incremental ou disruptiva sobre problemas.

Vivemos hoje a chegada de  nova Revolução Cognitiva, que provoca mutação no Sapiens e, por sua vez, em toda a sociedade futura.

Assim, é preciso refletir sobre:

  • Quem somos?
  • Como caminhamos na história a partir das rupturas de mídia?
  • Como as tecnologias influenciam na nossa história?
  • Como as tecnologias cognitivas mudam a sociedade humana?

É como se tivéssemos uma epidemia de zumbis no mundo, no qual os especialistas em epidemia de zumbis terão mais facilidade de prever o futuro.

Temos uma crise devido a:

  • novos fenômenos que obrigam a repensar alguns paradigmas;

É hora dos “especialistas de zumbis”, pois a “epidemia” é de “zumbis”.

É preciso compreender como os “zumbis” surgem, qual será a extensão da epidemia sobre a sociedade para depois começar a ver como isso vai impactar as demais abordagens, nos diferentes campos de estudo.

Todos os campos de estudos serão impactados pela mudança de paradigma que tal fenômeno tem sobre a sociedade.

Tal campo não é melhor do que os outros, mas conjunturalmente é chave, pois consegue entender melhor a natureza do fenômeno que acaba por impactar todos os outros.

É como se tivéssemos, diante de uma epidemia de zumbis, discutindo a sociedade, sem incorporar o fato de que há um processo radical de “zumbizamento” rápido de toda a sociedade.

Todos os campos de estudo que procuram projetar o futuro terão visão parcial do fenômeno, pois não se debruçarão sobre o principal fenômeno e as revisões necessárias.

É preciso recomeço, novo paradigma filosófico, nova pedra fundamental estruturante, que permita incorporar no cerne das novas abordagens mudanças como a Internet na sociedade humana em cada um dos campos das ciências sociais.

É preciso recomeçar com a seguinte frase: o Sapiens muda quando mudam as mídias e as linguagens. E cada problema que é estudado tem que levar isso em consideração.

A Antropologia Cognitiva se dedica justamente a entender estas mudanças de mídia na história e, por causa disso, consegue ter mais facilidade e consistência nas projeções.

O papel de campos estudos é de criar teorias e teorias têm como uma das missões prognosticar o futuro.

Campos de estudo, tais como comunicação, conhecimento, redes, informação, ciências sociais, ciência política, economia, sociologia ou antropologia que não seja cognitiva e vários outros perdem o sentido, pois partiram de premissas filosóficas que estão superadas.

A estrutura desses campos partem de uma “pedra fundamental” de que tecnologias são neutras e que o ser humano as controla.

Quando isso é falso.

Tecnologias e Sapiens formam uma moeda de duas faces. Quando mudam determinadas tecnologias, o Sapiens muda com elas.

Todas as tentativas que tais campos de estudo fizerem de forma isolada, sem passar pela Antropologia Cognitiva serão parciais.

Há  grandes sacadas, contribuições, metodologias interessantes que estão por aí nestes campos de estudo, mas se tornam precárias quando querem fazer prognósticos do que virá, pois partem da premissa filosófica equivocada.

Não deram ainda o “cavalo de pau” necessário para incorporar de forma consistente o fenômeno Internet nas suas teorias.

Conseguem ver apenas  parte do elefante e não o todo.

Hoje, é preciso repensar o ser humano e depois começar a repensar suas diferentes atividades. Se começamos a repensar as diferentes atividades sem repensar o ser humano, o caminho se torna nebuloso.

É isso, que dizes?

 

 

Há um esforço das organizações para tentar conversar com o novo consumidor. Isso pode ser visto, desde a escola até as maiores empresa do mercado.

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Há um problema de paradigma grande aí.

As organizações têm a ilusão que é a Internet que vai entrar na organização. Isso é falso. É justamente o contrário. A Internet tem o poder de criar novo modelo de organização que é incompatível com o atual.

Como disse McLuhan o meio é a mensagem.

As linguagens e todo o aparato que construímos para poder usá-las definem o modelo das organizações.

As atuais organizações foram criadas em função de mudanças tecnológicas e de linguagens do passado.

E agora, como vivemos uma nova Revolução Cognitiva (chegada de novas tecnologias de informação e comunicação e uma nova linguagem) estamos criando um novo modelo de organizações.

O que viemos em momentos como estes é a criação de dois mundos em paralelo.

  • Um, do lado de dentro, entrando em obsolescência, que pratica o modelo de administração/comunicação que vai chegar ao fim.
  • E outro do lado de fora, que podemos falar das empresas uberizadas, que já praticam um novo modelo de administração/comunicação.

Vejamos.

  • As atuais organizações, escola inclusive, se estruturam em torno do seguinte aparato de mídia/linguagem: tecnologias de informação e comunicação da palavra escrita e oral, presencial ou a distância.
  • As novas organizações colocam a escrita oral e a distância num segundo plano e passam a se utilizar, como eixo central, do novo aparato de administração/comunicação baseado nos cliques.

As decisões passam a ser tomadas pelos cliques, que nos levam a um novo modelo de topologia administrativa.

Cliques, um modelo de espécies mais numerosas, como as formigas, não precisam de líderes-alfas para tomar decisões.

A nova linguagem dos Cliques permite que consumidores possam participar de forma muito mais ativa nas decisões.

Eles não pedem para que decidam a seu favor, eles decidem naquilo que acham que lhes interessa.

Assim, é preciso criar ambientes de passagem entre o velho e o novo para que a ruptura não seja traumática, pois não se trata de dois modelos incrementais e sequenciais, mas disruptivos, pois são estruturados em duas linguagens diferentes.

Podemos dizer, até, que para dois Sapiens distintos.

É isso, que dizes?

 

Podemos fazer todas as projeções que quisermos para o futuro. Não há limite para sonhar. Mas algo precisa ser dito.

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Por que o Sapiens fará agora o que nunca fez antes?

Projeções sobre o futuro precisam demonstrar, com alguma lógica, de que os nossos antepassados não fizeram, mas agora conseguiremos fazer e vir uma explicação.

A história nos ajuda a ver os nossos limites.

Se em milhares de anos não fizemos determinadas ações é por que elas não eram possíveis por algum motivo.

Se esse motivo está sendo superado, aí temos um bom ponto lógico para a futurologia.

Poderíamos ter dito ante do avião, por exemplo, que o ser humano nunca voou até aqui, mas se aparecer tecnologias que permitam voar, nós voaremos.

Aí podemos dizer que uma tecnologia provocará uma mudança que nunca poderia ter ocorrido antes.

Faz sentido.

Muitas vezes vejo muitos profetas fazendo projeções do futuro, mas ignoram a história, como se tudo começasse a partir de nós. Isso não é um prognóstico baseado em uma teoria, mas uma profecia.

De maneira geral, o Sapiens detesta mudar.

Se deixarmos, nosso lado reativo a mudanças sempre tenderá a prevalecer sobre os demais.

Só latências muito vitais provocam mudanças sociais, políticas e econômicas, acompanhadas por grupos que incitam tais mudanças.

  • As verdadeiras revoluções do Sapiens, entretanto, são as Tecnológicas Cognitivas, pois permitem a expansão radical da Tecnocultura, de forma silenciosa, descentralizada e massificada.
  • Revoluções Cognitivas não têm um líder, alteram individualmente a plástica cerebral das pessoas, alterando a própria tecno-natureza humana.
  • Revoluções Cognitivas são ferramentas do Sapiens para viver melhor e lidar de forma mais eficaz com a complexidade.

Quando olhamos para a história, percebemos o que podemos mudar a partir de Revoluções Cognitivas e o que se manteve, ao longo do tempo imutável.

A única Revolução que pode superar a Cognitiva é uma Revolução Genética, se isso for possível, em larga escala de forma descentralizada.

E por isso precisamos da história, da Antropologia Cognitiva para nos guiar.

É isso, que dizes?

Existe uma fantasia de que todos têm a sua percepção de mundo e não há uma mais eficaz do que outras. Isso é falso.É representativa de uma época que a academia está mais preocupada em publicar do que ajudar a sociedade a viver melhor.

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Teorias, como disse aqui, são hipóteses a serem testadas.

Teorias que não são testadas não são teorias, mas alegorias.

Assim, quando alguém vem dizer que cada um tem a sua percepção de mundo, é fato. Porém, percepções de mundo acabam virando ações no mundo. E as ações no mundo têm consequências.

As consequências de nossas ações no mundo são teorias que estão sendo testadas, de forma consciente ou inconsciente.

O problema é que depois de uma forte concentração de mídia, passamos a ter percepções pouco trabalhadas.

Teorias são incorporadas sem crítica e muito mais repetimos do que criamos.

Só conseguiremos ter um mundo melhor, quando assumirmos que estamos testando teoria o tempo todo, assumindo de onde elas vêm, para onde vão.  E se são eficazes no que elas prometem.

E ainda:

Assim, quanto mais teorias forem explicitadas, quanto mais forem testadas, quanto mais forem descartadas, quanto mais forem revistas de forma transparente e aberta, mais qualidade de vida terá o Sapiens.

Uma das piores formas de opressão que pode existir é quando as teorias se tornam invisíveis, pois foram incorporadas pelas pessoas na sua própria identidade, tornando difícil que pensem e ajam de forma diferente.

Vídeo relacionado:

Existem muitas ciências por aí tentando explicar o presente e projetar o futuro. Uma delas é a Ciência das Redes.

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Porém, rede é solução e não problema.

Você pode me perguntar.

Não se pode estudar partes de um problema, tal como informação, comunicação, redes, de forma isolada?

Sim, se pode, mas depende muito da época. Em fases incrementais da humanidade, é mais fácil ir por este caminho, mas não em momentos de ruptura.

Revoluções Cognitivas são os fenômenos mais disruptivos do Sapiens. Nestes momentos há uma expansão da Tecnocultura que não ocorre em nenhum outro momento da macro-história humana.

Assim, quando temos momentos disruptivos como o atual, precisamos nos voltar para o ser humano e a sua macro história.

É uma exigência fundamental a volta à filosofia, a pergunta básica do “Quem somos?“.

Revoluções Cognitivas provocam crises filosóficas profundas, pois o Sapiens entra em processo radical de mudança.

E quanto tudo parece mudar, é preciso que coloquemos algumas âncoras para que possamos saber o que provavelmente vai se alterar. E o que não vai.

Como saber o que não vai?

Olhando para o passado, para os limites que nossos antepassados tiveram,  que tentaram fazer e não conseguiram e o que conseguiram.

Assim, temos uma visão mais clara do Sapiens e nos permite seguir adiante.

Nestes momentos de ruptura, incluindo filosófica, se sugere o estudo do Sapiens, do humano, sua releitura.

Qualquer tentativa de estudar a parte tenderá a ser estrada com mais nevoeiro e tenderá a projetar algo que não é da tradição histórica humana.

A Ciência das Redes, como várias outras, comete esse pecado teórico. No momento de tão profunda ruptura, opta por não partir do Sapiens.

É preciso recomeçar do alto: da filosofia, voltando a teoria e depois a metodologia, tendo como ponto central os campos que estudam o Sapiens em si.

Por isso, a Antropologia cabe bem nestas horas.

O estudo do humano na história e suas rupturas tecnológicas cognitivas (que é o fenômeno principal da hora), permite ver de forma mais eficaz.

É o meu palpite.

É isso, que dizes?

 

Vídeo relacionado:

Teoria para este blog é conjunto de regras ou leis, mais ou menos sistematizadas, aplicadas a um problema específico.

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O Sapiens tem problemas a resolver, o que lhe obriga a tomar decisões. As teorias, assim, são ferramentas para que o Sapiens decida melhor.

Ninguém atua na vida sem uma teoria, mesmo que não tenha consciência das que pratica.

A percepção humana sempre trabalha com teorias. E uma pessoa com percepção mais “musculada” é aquela que consegue escolher, melhorar e assumir as teorias que a guia.

Teorias são filhas de filosofias e mães de metodologias.

Teorias têm as seguintes saídas:

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  • Análise – as forças que atuam sobre determinado problemas. Forças que continuam, as que se alteram. Quando? Onde? e Por quê?
  • Diagnóstico – os problemas causados pelas forças que precisam ser minimizados e de atuação humana sobre eles;
  • Tratamento – a atuação necessária para lidar com as forças;
  • Prognóstico – o que vai ocorrer se não houver atuação, ou se houver.

Vejamos:

  • Teorias, assim, para este blog, não são eunucas.
  • Teorias eunucas são aquelas que não geram prognósticos, diagnósticos, tratamento ou análise.
  • Teorias cumprem um papel de guiar pessoas a resolver problemas e tomar decisões.

No momento que se faz a análise, o diagnóstico, o prognóstico e o tratamento pode-se analisar se as hipóteses sugeridas fazem mais ou menos sentido.

Muitos podem perguntar: qual é a referência para saber se uma teoria é eficaz?

Podemos dizer que existem taxas de sofrimento humano que serão reduzidas ou ampliadas depois do tratamento.

E há ainda o prognóstico do que ocorrerá.

Quanto mais os prognósticos se aproximarem dos fatos futuros e quanto mais se reduzir a taxa de sofrimento, com o tratamento proposto, mais a teoria é eficaz e vice-versa.

É isso que dizes?

O ser humano adora fazer sexo. E sexo significa aumento populacional. Assim, a não ser que mudemos geneticamente nossa vontade por transar, a tendência do aumento demográfico é constante.

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Vivemos, assim, sob a égide da Complexidade Demográfica.

Quanto mais gente tivermos no mundo, mais humanos seremos, pois estamos reforçando nossa latência por sexo, reprodução.

Temos que nos basear na história e não na nossa concepção sempre fantasiosa e superficial, do que é Sapiens realmente é.

Assim, quanto mais pessoas tivermos no mundo, mais problemas teremos e mais tecnologias precisaremos.

E isso é extremamente humano.

As pessoas, quando pensam sobre a desumanização humana, imaginam logo nossos antepassados com menos tecnologias, pois sempre tivemos tecnologias, que hoje pelo uso ficaram invisíveis.

A ideia de que mais e novas tecnologias nos desumanizam, parte de uma visão equivocada do humano. Quando não tivermos tecnologias, aí sim, deixaremos de ser humanos.

Tal visão parte de uma visão filosófica equivocada da relação do ser humano com tecnologias. E do ser humano com a demografia.

Tema que está no topo do debate filosófico do novo século: sobre a questão existencial primordial: quem somos?

Somos uma Tecno-Espécie que vive sob a égide da Complexidade Demográfica Progressiva.

Qualquer visão que não coloque estes dois temas em debate tenderão a não conseguir entender o novo século e passar a resistir a ele.

De forma mais ou menos ativa, dependendo do dogmatismo.

É isso, que dizes?

Existe uma forma de pensar sobre novas tecnologias que vou chamar de Reatividade Melancólica.

Vídeo relacionado:

 

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Resistir a mudanças faz parte, inclusive saudável, do ser humano, pois algo está se perdendo uma coisa para se ganhar outra.

Tem perfis de pessoas que têm a tendência de olhar as perdas e esquecer os ganhos com as tecnologias. E há aqueles que só vêem os ganhos e não as perdas. Seria o reativo melancólico versus o empolgado desenfreado.

Existe claro o reativo crítico, que quer ponderar sobre as mudanças e isso é positivo para o processo.

Diria que a diferença entre o reativo crítico e o melancólico está na maneira que se encara o papel da tecnologia na sociedade.

Tecnologias não inventam demandas, mas vêm atender as demandas humanas seculares. Aquelas que procuram criar demandas são justamente as que são deixadas de lado e esquecidas.

Podemos dizer, assim, que toda tecnologia não vem por que se quer, mas por que vêm resolver  problemas, que antes não existiam. Ou que não tínhamos legado para inventá-las.

Assim, novas tecnologias que se massificam vêm resolver problemas, que não podem ser ignorados.

O reativo melancólico é aquele que olha para a tecnologia como se fosse algo opcional para o Sapiens e não obrigatório para resolver determinado problema.

É aquele que ignora o problema como se pudéssemos voltar para um tempo em que não havia necessidade da tecnologia. Porém, nesse tempo o problema talvez não existisse e só não foi criada tecnologia por falta de opção.

Um fator que todo reativo melancólico ignora é o crescimento populacional. Um mundo de 7 bilhões tem problemas que um de um bilhão não tem.

Tecnologias vêm resolver estes NOVOS problemas.

Tentar ignorar seu papel é como aquele doente que não quer assumir que tem câncer, como se ignorar o problema pudesse resolvê-lo.

Reativos melancólicos são pessoas que colaboram negativamente para pensar o futuro, pois querem que as soluções tecnológicas não venham, como se os problemas que estão sendo resolvidos por elas não existissem.

É isso, que dizes?

Quando falamos em uberização do mundo, logo se fala que os motoristas do Uber são também explorados, mas de outra forma.

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Não nego.

Se compararmos o modelo de administração implantado pelo Uber para um antigo motorista de táxi, o que temos de salto é o controle que a sociedade passou a ter de cada um deles.

O modelo de fiscalização ou da prefeitura ou de cooperativas de táxi passou a ser falho. Motoristas demais e fiscais de menos.

O que tínhamos na sociedade, na verdade, era o descontrole da frota, que fazia o que queria quando queria. Isso, na verdade, é o que ocorre com todas as organizações tradicionais.

A sociedade cresceu demais demograficamente e não consegue mais controlar as organizações que precisaram se centralizar.

O Uber é apenas o primeiro passo num macro ajustes que estamos fazendo.

Porém, é normal que todo mundo encare essa grande novidade como o final de linha da inovação nesse campo.

Fotografam o Uber e acham que isso é o final de tudo que faremos. Isso não fato. Gosto de lembrar que temos um filme, ou uma série, de vários capítulos e temporadas. Estamos apenas nos primeiros cinco minutos de vários tempos.

O Uber uberizou a fiscalização dos motoristas, mas não uberizou o lucro.

A lógica do Uber, sob esse ponto de vista, é a mesma das antigas organizações, o modelo da plataforma é centralizado. E quem é o dono da plataforma fica com a maior parte.

Isso será sempre assim?

Acredito que não.

O modelo da Uberização tende a se descentralizar, com a chegada da cultura do Blockchain, que é um misto entre Napster e Torrent.

Redes descentralizada e distribuídas, sem uma plataforma central, organizando todo o processo.

Se ao Blockchain for aplicado numa frota de táxis ou de Ubers, suponhamos, não haveria um Uber, mas milhares, mantendo o conceito de avaliação, mas permitindo uma nova forma de distribuição de lucros.

O Blockchain, na verdade, seria a uberização da uberização.

Isso é válido para o Youtube, Facebook, Twitter, etc.

Se me perguntarem qual é o próximo grande passo da Uberização do mundo, eu diria. É a uberização da uberização.

É isso, que dizes?

Vídeo relacionado:

Muitos alunos assistem a minha aula e saem empolgados em uberizar o mundo.

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Porem, o espaço de uberização do mundo ainda não está tão aberto.

O que me faz pensar bastante sobre quem somos.

Somos aquilo que fazemos. E fazemos aquilo que nos permite sobreviver: aquilo que dá dinheiro. Somos, assim, de alguma forma aquilo que o ambiente produtivo permite ser.

Todo o ambiente produtivo tem uma lógica e uma demanda. E é natural que a nossa forma de pensar e agir seja mais próxima daquilo que o ambiente produtivo quer escutar.

Há uma espécie de imã que faz com que todos pensem e ajam, conforme a lógica do ambiente produtivo.

O que o ambiente produtivo quer escutar é considerado válido e o que não quer, nem tanto.

Porém, a vida não é controlada pelo ambiente produtivo. Na maior parte da história há um forte controle deste sobre a vida.

Em Revoluções Cognitivas – a chegada e massificação de novas tecnologias de troca (informação e comunicação)- o ambiente produtivo de plantão perde o controle sobre as mudanças na vida.

Em Revoluções Cognitivas se abre um vácuo entre o que quer ser ouvido e o que precisa ser ouvido. O que precisa ser mudado e o que se quer mudar. Podemos chamar isso de Reatividade Emocional.

Todo o aparato de aconselhamento do ambiente produtivo tende a dizer aquilo que este quer ouvir, mas a vida caminha em outra direção.

Há um falso aconselhamento, uma espécie de “paparicação sem lógica”.

As organizações tradicionais diante da atual Revolução Digital se abrem para ouvir apenas aquilo que reforça seus valores e não aquilo, que, de fato, está ocorrendo com a vida.

É, por causa disso, talvez, mais do que tudo que torna tão frágil a situação das organizações.

Os antigos conselheiros só sabem pensar e agir, conforme as regras antigas, não conseguem se aventurar em  nova narrativa para não ficar “mal na fita”.

E o círculo vicioso (conselheiros-antigas organizações) vai deixando brechas, que vão sendo ocupadas pelos novos players do mercado, que estão completamente alheios a esse problema.

É preciso, tanto organizações como novos conselheiros, romper esse círculo. Organizações precisam ouvir o que não se quer e conselheiros aprender novos paradigmas e se comprometer com eles.

É isso, que dizes?

 

Vamos a um resumo:

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1 – Revoluções Cognitivas são fenômenos macro-históricos e todo o paradigma estratégico trabalha na micro-história;

2 – Uma mudança dessa dimensão só ocorreu há 70 mil anos, não é à toa o estranhamento;

3 – Organizações foram estruturadas dentro da gestão, que está em estágio terminal;

4 –  Empresas de consultoria que deveriam ajudar estão também  em crise;

5 – As universidades que deveriam ajudar estão também em crise;

6 – A mídia que deveria ajudar está também em crise;

7 – As pessoas estão na fase da negação, que é extremamente perigosa, pois a nova geração não vive a mesma crise.

É isso, que dizes?

Vejamos?

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1) saímos do isolamento da Idade Mídia e estamos mais conectados;
2) saímos das tribos locais para as conceituais, o que nos faz assumir mais a forma que pensamos sobre o mundo;
3) há muito dogmatismo oriundo da Mídia Eletrônica;
4) a Escola Oral e Escrita não nos ensina a dialogar;
5) há a compulsão da novidade cognitiva;
6) vivemos uma crise civilizacional;
7) precisamos sair da crise, mas ainda não sabemos como.

E precisa dizer ainda que:

  1. Qualquer análise que não leve em conta a Revolução Cognitiva terá tudo para não compreender o papel das novas tecnologias no fenômeno;
  2. Que a história pode, assim, nos ajudar a pensar melhor o problema;
  3. Que em termos comparativos vivemos uma fase inicial da Revolução Cognitiva que as forças do passado se degladiam, mas não há ainda uma proposta viável para apontar a saída de médio e longo prazo.

A política é a metodologia encontrada pelo Sapiens para debater, minimizar e/ou resolver problemas coletivos.

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Existem três instância no fazer político:

  • O modelo – como se decide;
  • O conteúdo – o que se faz;
  • O estado – os serviços que são entregues.

A política, entretanto, necessita que as pessoas se comuniquem e se informem para poder existir.

As pessoas, entretanto, não se informam e se comunicam, no vazio. Precisam de ferramentas Tecnoculturais para isso.

  • Se vivemos num mundo oral, a política terá a influência do modelo oral;
  • Se vivemos num mundo escrito, a política terá a influência do modelo escrito;
  • Se vivemos num mundo digital, a política terá a influência do modelo digital.

Assim, o modelo de se fazer política varia no tempo, ao longo de milênios ou séculos, conforme as ferramentas que temos para nos informar e nos comunicar.

E aí temos duas novas instâncias no Modelo Político:

  • o debate político;
  • a decisão política.

Hoje, com as ferramentas que temos optamos por intermediários, que chamamos de “políticos”.

De tempos em tempos, escolhemos os parlamentares para que tomem decisões por nós.

Escolhíamos os parlamentares, através do voto escrito, que depois passou a digital.

Hoje, com a chegada da primeira etapa da Revolução Cognitiva, a digitalização da informação e da comunicação, passamos a ter mais informação, mais trocas e iniciamos um processo de mudança no conteúdo do que se debate.

Porém, começamos a entrar na segunda etapa da discussão do próprio Modelo. A forma como decidimos.

Hoje, através das primeiras experiências bem sucedidas da Terceira Linguagem, dos Cliques, já começamos a poder vislumbrar 07 tendências para a Política 3.0:

  1. a reforma da política e não na política;
  2. a redução da demanda por políticos que decidem tudo por nós;
  3. a uberização dos políticos;
  4. uma (re) federalização reduzindo as decisões a espaços menores, estados, cidades, bairros, ruas;
  5. a migração dos serviços do âmbito estatal para a sociedade, com mais flexibilidade;
  6.  a uberização daquilo que ficar com o Estado;
  7. a wikização das leis.

 

Conversando com meus alunos, um deles me perguntou como posso afirmar que temos uma nova linguagem no mundo, a dos cliques?

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Linguagens são o DNA da nossa espécie.

São utilizadas para que possamos sobreviver.

E para sobreviver precisamos tomar decisões.

A linguagem, assim, tem como função principal nos ajudar a tomar decisões melhores.

Linguagens, entretanto, ficam obsoletas. Isso é uma nova descoberta dos estudos da Antropologia Cognitiva.

O que contribui para a obsolescência das linguagens é a Complexidade Demográfica Progressiva. Uma linguagem que era funcional ontem, pode deixar de ser amanhã.

A palavra foi a ferramenta principal durante os últimos 70 mil anos, desde a oral, a manuscrita e a impressa. Estruturou a gestão e seus respectivos gestores, que interpretavam sons e ruídos, processavam e despachavam novos.

O aumento demográfico tornou a decisão baseada em ruídos/Palavras obsoleta, pois um gestor tem capacidade específica de poder atender  quantidade de sons.

A principal crise hoje no novo milênio é de que a administração da espécie baseada na Palavra não consegue mais resolver os problemas complexos de 7 bilhões de Sapiens.

A Gestão, modelo de administração baseada em ruídos, ou na palavra, é muito demorado parar atender as demandas atuais.

Além disso, acaba por dar poder demais aos antigos gestores, que passaram a exercê-lo para próprio benefício.

A Palavra vai perder a sua hegemonia para a Linguagem dos Cliques, que permite a criação da Curadoria, novo Modelo de Administração da Espécie, mais compatível com a complexidade de 7 bilhões de Sapiens.

Os Cliques permitem  tomada de decisões por mais gente, mais rápida, descentralizada, com muito mais informação relevante. É a saída para conjunto enorme de problemas sociais, políticos e econômicos que temos hoje e não têm saída no atual modelo Palavra/Gestão.

A palavra deixará de ser o epicentro da administração e das trocas a distância e se recolocará como  forte elemento das comunicações presenciais, principalmente voltadas para o diálogo.

Haverá uma perda do poder exercido hoje da Palavra a distância escrita com um aumento do uso da Palavra Oral, através de áudios e vídeos.

Perderá sua importância na administração, pois  exige gestor de carne e osso, que não consegue mais atender as demandas de um mundo tão complexo.

É isso, que dizes?

Um dos resultados mais chocantes da minha pesquisa é este. A influência da Complexidade Demográfica Progressiva na Centralização de Poder.

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Vamos enumerar os motivos:

  1.  mais gente, mais diversidade objetiva e subjetivas, o que implica pressão sobre o sistema produtivo;
  2. o sistema produtivo precisa inovar para poder atender ao aumento de complexidade;
  3. geralmente, a inovação vai na direção da massificação da produção, o que implica em padronização das ofertas;
  4. padronização das ofertas aposta no embotamento da diversidade das pessoas para aceitar as ofertas padronizadas;
  5. organizações para atender a tanta gente, precisam se centralizar;
  6. a centralização das organizações pede controle de ideias e inovação;
  7. e o ciclo na direção da concentração só tem um final quando chegam novas possibilidades de descentralização de mídia, que reiniciam o ciclo.

Aumento demográfico, além disso, exigem que pessoas sejam educadas nos conceitos da autonomia republicana, o que acaba não ocorrendo por falta de capacidade.

Mais gente, com mais demandas urgentes e menos capacidade de autonomia, acabam por pedir um centro forte e solucionador de problemas imediatos.

Isso fortalece um tipo de modelo político e econômico centralizado, mais populistas, ora autoritário, ora totalitário.

Se reinicia o processo de reconstrução dos valores liberais, que só conseguem vir à luz com novas mídias, que permitem novas formas de descentralização espontânea.

Estamos falando aqui de macro-movimentos civilizacionais, cada vez mais evidentes com a atual globalização do Sapiens.

Tais fenômenos ocorriam de forma isolada quando éramos uma espécie compartimentada, que vivia em nichos, sem a interdependência que temos hoje.

É isso, que dizes?

99% das pessoas no Brasil, se perguntadas dirão que tudo se resolve com Educação.

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Vivemos hoje a superficialidade dos conceitos. O fim de uma era emocional, na qual as narrativas deram lugar ao marketing vazio.

Sim, Educação esse conceito aberto e abstrato, no qual cabe qualquer coisa, desde a doutrinação em Cuba e na Coréia do Norte, vistas por muitos como um bom modelo de Educação.

Temos, portanto, que adjetivar Educação. Precisamos falar em Educação Republicana ou Liberal, que tem um tipo de proposta para a sociedade, voltada para a autonomia dos indivíduos.

A base para se pensar na Educação Republicana é a de aumentar a autonomia dos indivíduos para que eles possam tomar decisões melhores.

Decisões melhores têm algumas receitas, tal como a capacidade de pensamento lógico, o que implica domínio maior sobre o idioma quanto dos números.

Uma aprendizagem voltada para problemas, no qual o cidadão/cidadã poderá exercitar constantemente o exercício de hipótese-testes-reavaliação-nova hipótese.

O que tira as pessoas de dogmatismo e as fazem ser mais capazes de lidar com os fatos da vida. Menos dependentes de um centro e mais empreendedoras.

Toda a bagagem cultural dos nossos antepassados devem ir colorindo esse exercício de lidar com problemas.

Não podemos falar de Educação no abstrato, sem uma linha de conduta, pois existem modelos educacionais que nos levam para situações piores do que nos encontramos.

Aquelas que fortalecem o pensamento dogmático e o fortalecimento de um centro, reduzindo a autonomia das pessoas.

É isso, que dizes?

Vídeo relacionado:

A grande novidade do novo milênio é a perda do reinado da palavra. A palavra se constituiu nos últimos 70 mil anos como o DNA Tecnocultural estruturante do Sapiens. E agora dá lugar aos cliques.

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A palavra é uma ferramenta de linguagem, baseada em ruídos, que tem uma limitação para lidar com a complexidade.

Espécies que usam o ruído não podem ultrapassar determinado número de membros, pois ruídos exigem que haja a interpretação por um líder-alfa, que consegue interpretar os sons complexos e decidir.

Líderes-alfas limitam a quantidade, a capacidade e a velocidade das decisões.

Quando se aumenta a população, o Sapiens fez isso, foi, aos poucos, esgarçando a capacidade da palavra como o DNA Tecnocultural prioritário do Sapiens.

Toda a civilização 2.0 foi baseada na palavra e chegou ao seu limitem na casa dos 7 bilhões de habitantes.

Todas as crises que temos hoje se devem à limitação da palavra como o DNA Tecnocultural do Sapiens.

Nossa espécie demanda nova linguagem que permita que possamos decidir de forma mais rápida, melhor, com a participação de mais gente.

As organizações tradicionais trabalham em cima do DNA Tecnocultural da palavra. A isso chamamos gestão, que tem o seu modus operandi de decidir.

As novas organizações, a la Uber, introduzem o modelo de decisão dos cliques, que é a Curadoria, que é mais sofisticado do que o da Gestão.

Os cliques permitem o uso intenso de Inteligência Artificial, pois  são mais simples de serem interpretados.

Cliques permitem que mais gente, de forma mais rápida, possam ajudar na decisão.

Os cliques são um novo DNA Tecnocultural, que iniciam o processo de uma nova Civilização, pois podemos agora criar um novo modelo de administração, no qual há uma nova linguagem hegemônica.

Todos os movimentos sociais, políticos e econômicos inovadores serão indutores da implantação da nova linguagem.

Os problemas que não conseguimos superar hoje só são possíveis com a linguagem dos cliques.

Os cliques, assim, tornam a palavra obsoleta, colocando-a da linguagem principal para a secundária.

Há um jogo, conforme avançamos na Complexidade Demográfica Progressiva de passar linguagens principais em secundárias. A palavra fez isso com o gesto e os cliques está fazendo o mesmo com as palavras.

Continuaremos falando, gesticulando e lendo, mas tais linguagens estão entrando num aspecto secundário, não mais preferencial para a tomada de decisões.

É isso, que dizes?

 

 

O Sapiens é uma espécie Tecnocultural. Nós não somos genéticos como as demais. De quando em vez, alteramos nossas linguagens e a partir daí criamos novas civilizações.

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Esta é a grande novidade na maneira de pensar e prever as mudanças do e no Sapiens no novo milênio.

O DNA Tecnocultural do Sapiens é a linguagem.

As  linguagens mudam no tempo. Quando novas tecnologias de informação e comunicação surgem há um rearranjo nas linguagens e alterações civilizacionais.

Novas possibilidades Tecnoculturais se tornam possíveis.

Quando chegaram as mídias eletrônicas houve intensificação da linguagem oral sobre a escrita, de forma vertical. O que acabou influenciando o século passado, mais centralizado, mais emocional, menos lógico.

Hoje, com a chegada das mídias digitais estamos revivendo o que tivemos há 70 mil anos (a chegada da oralidade). Temos hoje a nova linguagem: a dos cliques.

Os cliques são a terceira linguagem: gestual (1.0), palavra (oral e escrita) (2.0), cliques (3.0).

Neste momento, nossa espécie pode passar a tomar decisões sem a palavra, na base da experiência coletiva de cada membro, que se torna  líder conjuntural, conforme a contribuição para os demais.

Os cliques passam a ser a linguagem hegemônica do novo milênio, tornando as outras secundárias.

Todo o movimento Tecnocultural relevante no novo milênio será marcado pela introdução do potencial da nova linguagem.

É isso, que dizes?

O principal problema que vivemos hoje é que nossos gurus de plantão deixaram de ser gurus.

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Muito se fala da crise das organizações tradicionais, mas pouco da crise das empresas dos Gurus 2.o, que estão acentuando a crise e não minimizando.

Guru é mais ou menos aquele cara que consegue enxergar mais longe.

Nossos gurus de plantão não conseguem compreender a atual Revolução Digital. E como é ela a principal responsável pelas mudanças, o futuro fica nublado.

As organizações baseiam sua estratégia na previsão dos gurus. Como os gurus também estão em crise, ficaram sem o farol que as ajudava a andar na neblina.

As empresas responsáveis pela bola de cristal do futuro, que contratam os gurus, estão também em crise.

Por quê?

Eis aqui alguns palpites:

  1.  imediatistas;
  2. não conseguem rever macro-paradigmas;
  3. usam as mesmas ferramentas incrementais do século passado para traçar estratégias num século disruptivo;
  4. orgulhosas;
  5. acreditam que os antigos clientes ainda têm razão, não os enfrentam;
  6. focam muito a análise em tecnologias e não na Tecnocultura;
  7. se agarram ao valor gerado no passado como os próprios clientes.

Vivemos algo como o pajé da aldeia que perdeu a capacidade de diagnosticar e tratar uma nova doença.

O pajé era a esperança da tribo sobreviver, mas este não tem mais ferramentas para curar a gripe trazida pelos “estrangeiros”.

O problema hoje é que gurus-organizações não conseguem romper o seu casamento, enquanto o apartamento pega fogo a olhos vistos.

É isso, que dizes!

 

O fotógrafo é um produtor de imagens incomuns por que ele quer ser um incomum diante do comum.

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A cada novo espaço que você entra, você está se redescobrindo.

Fotografar é procurar algo em você nas imagens que registra.

Você, no fundo, quer ser aquela imagem, pois expressa algo que não se consegue dizer de outra forma.

Quando fotografo pássaros em plena cidade, invisíveis para a maioria das pessoas, estou, no fundo, querendo dizer que minhas qualidades também são invisíveis. Que gostaria de ser mais notado.

Que existe algo em mim que poucos notam.

E aquele pássaro com a sua beleza não relevada sou eu. Que ao mostrar o pássaro está mostrando a mim mesmo, que se sente na sombra.

Fico ali esperando a hora de fazer com que aquela beleza incomum se transforme em imagem.

Talvez, todo fotógrafo procure revelar-se e isso é algo que vai criando a sua identidade: saber que tipo de objeto o representa melhor a cada momento.

Há uma demanda por trazer o belo do comum, transformando o fotógrafo em incomum.

O fotógrafo é um produtor de imagens incomuns por que ele quer ser um incomum diante do comum.

Todos querem chamar a atenção para si de alguma forma, mesmo que se suicidando. Fotografar, no fundo, é um tipo de recusa ao suicídio, ao se valorizar a vida.

E usam as imagens que estão do lado de fora para isso.

É isso, que dizes?

Outro dia encontrei um gaúcho no Jardim Botânico que me disse que acalentava um sonho de fotografar.

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E estava procurando a melhor máquina.

Não disse para ele, mas pensei e digo agora, que só se consegue se chegar na câmera ideal fotografando.

Hoje, é fácil comprar e vender pelos Mercados Livres da vida. o que nos permite comprar e vender para experimentar alguns modelos.

Minha sugestão comprar equipamento mais barato e ir se descobrindo, vendo as demandas para ir sofisticando e gastando mais, conforme os caminhos fiquem mais claros.

Tudo caminha hoje em dia, depois da Revolução Digital nessa filosofia da agilidade e flexibilidade.

Comprei de uma amiga uma Sony HX100-v, usada, pelo valor de R$ 600,00 reais.

Expandi o meu olhar.

A câmera tem um zoom, que me permitiu começar a enxergar os detalhes a longa distância e comecei a experimentar uma nova região de observação.

Comecei a fotografar passarinhos, me interessei no tema e cheguei até a procurar equipamentos complementares.

Depois, surgiu a possibilidade de comprar lentes Cotrim macros, que se adaptaram à câmera e passei a sair do longe para o muito perto.

E uma nova região de observação se abriu.

Se tivesse especulado apenas comigo mesmo, ficaria um bom tempo procurando um equipamento para passarinhos, mas hoje estou mais para insetos.

Não quer dizer que isso não seja uma fase, mas só a experiência pôde me dizer qual é a minha demanda.

Disse aqui que a câmera não é passiva, ela é ativa, pois as limitações da região de observação são quebradas e novas possibilidades surgem.

Quanto mais você se relacionar com a câmera, que vai lhe permitir chegar em novas regiões de observação. E quanto mais entramos em regiões de observações novas, mais podemos ir nos conhecendo.

E vendo que tipo de equipamento vai nos permitir fazer melhor aquilo que queremos.

É isso, que dizes?

 

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