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Já disse aqui neste canal que a grande divisão do pensar e agir humano está na resposta da seguinte pergunta:

“Por que estamos aqui?”.

Se há para esta resposta um propósito geral da espécie, necessariamente, alguém sabe qual é o melhor caminho.

Há um centro que se aproxima mais daquela verdade, ou daquele propósito.

O resto das pessoas que não sabem  precisam saber, através de quem sabe.

E este alguém – que sabe – se sente com vontade de criar correntes políticas ou doutrina religiosa – ou ambos – para que o Sapiens vá naquela direção.

É, a meu ver, a origem dos pensamentos autoritários, dogmáticos. totalitários, que podemos chamar de base filosófica centralizadora.

Existe uma separação entre quem sabe e quem não sabe o caminho.

E o mundo será separado entre aqueles que mais sabem e aqueles que ainda não sabem e deveriam saber.

É um pensamento filosófico intermediador, centralizador.

Por outro lado, se não há propósito geral da espécie, ninguém sabe qual é o caminho.

E o objetivo do Sapiens será apenas viver como as demais espécies.

Esse pensamento admite que o ser humano é capaz de refletir sobre a sua vida de forma mais consciente  que outras espécies, mas isso não nós dá o direito de achar que temos algo de muito especial.

Simplesmente, nossos conflitos existenciais existem, mas não precisamos criar algo para preencher esse vazio.

Esta é a base do pensamento filosófico libertário, do conceito de ordem espontânea, inteligência coletiva ou cultura de participação.

E do que podemos chamar de filosofia descentralizadora.

Cada pessoa sabe alguma coisa na sua luta diária pela sobrevivência e é o somatório dessa sabedoria distribuída que nos permite avançar de forma descentralizada como espécie sem nenhum propósito.

Não há um guia ou centro, mas caminho que é construído de baixo para cima e de forma horizontal.

É um pensamento filosófico não-intermediador.

A base do Descentralismo 3.0, que também chamo de quando em vez de Liberalismo 3.0.

Podemos dizer, ainda, para concluir, que:

  • Quando temos eras de mídias centralizadoras, a tendência é que o pensamento filosófico intermediador, centralizador, ganhe escala como ocorreu no século passado.

E vice-versa.

  • Quando temos eras de mídias descentralizadoras, a tendência é que o pensamento filosófico desintermediador, descentralizador, ganhe escala, como assistiremos neste novo milênio.

 

É isso, que dizes?

Dois fatores provocam grandes apagões filosóficos:

Centralização de mídias;

Que é provocada por saltos demográficos.

O Sapiens passa a operar nas hiper micro história sem capacidade de revisões de pensamento mais amplas.

Quando falamos em empoderamento das pessoas, estamos dizendo que pessoas precisam de mais autonomia para resolver problemas diante da complexidade progressiva.

O Sapiens aumenta a complexidade demográfica e a única saída, a longo prazo, é descentralização é fatiamento da solução dos problemas.

Para isso, é preciso, como início do processo,  de mídias mais descentralizadas que vão permitir, de forma massificada, que problemas sejam fatiados.

Depois das mídias, segue demanda por nova educação, que visa o resgate de antigas propostas de “educar para problemas”.

O destino humano, conforme aumenta a complexidade demográfica, é a, médio e longo prazo, a descentralização dos problemas.

Existe o que vou chamar de taxa de capacidade de reflexão.

Refletimos sobre o que vivenciamos.

Só é possível refletir sobre o próprio pensamento.

Tudo que pensamos sobre o mundo é passível de revisão.

Para isso, é preciso criar um espaço de percepção sobre a própria percepção.

Há alguns macetes:

1) escolher um problema para chamar de seu, no qual tenha autonomia para testar novas formas de solução;

2) avaliar com pessoas interessadas nas soluções propostas a eficácia dos resultados;

3) criar  espaço de registro (áudio, vídeo ou texto) para narrar a experiência, de preferência, público.

 Com isso, a taxa de reflexão tende a subir.

No futuro, teremos líderes, porém com muito mais meritocracia.

Hoje, temos autoridades que se tornaram líderes por falta de mobilidade e transparência social.

São mais autoridades do que líderes.

Numa sociedade mais informada, teremos líderes mais contextuais, por menos tempo.

Lideranças mais permanentes terão que ter algo muito relevante a dizer para muita gente. 

Uma mente empreendedora escolhe problemas que geram desconforto.

Uma mente empreendedora visa reduzir o desconforto na sociedade.

Uma mente empreendedora aprende a melhorar a forma de pensar e agir diante dos problemas dos clientes.

Uma mente empreendedora caça pessoas que possam ajudar a pensar e agir melhor.

Uma mente empreendedora aprende principalmente com seu cliente, que o guia na melhor direção.
Uma mente empreendedora não tem preconceitos, desde que pensamentos e ações melhorem a vida dos clientes.

Uma mente empreendedora sabe que problemas são mutantes e isso exige mente aberta para o novo.

Uma mente empreendedora sabe que boa parte do fracasso está em não saber ouvir o cliente e mudar, quando necessário.
Uma mente empreendedora é aquela que faz da redução do desconforto do cliente uma missão de vida.
Uma mente empreendedora é aquela que não perde o foco no desconforto do cliente.

O gato de Platão (se é que ele teve um) é muito parecido com o o da vizinha, pois a essência felina se manteve no tempo, com poucas variações naquilo que vemos, as substâncias.

Do ponto de vista da essência do ser humano na Grécia, estávamos já lá, mesmo sem saber, impactados pela demografia, pelas tecnologias, pelas mídias e pela cultura.

Éramos os mesmos nestes aspectos.

Porém, a substância, aquilo que podemos – e não podemos ser hoje – se alterou bastante, no tempo, pois é assim que essencialmente somos.

Analisar uma pessoa grega a um contemporâneo nos mostra que há mudanças que não são apenas culturais.

Podemos dizer, se quisermos, que existe, assim, algo que é mutante no Sapiens, que estamos chamando de essência, que não é essência, mas substância, os aspectos tecnológicos, midiáticos e demográficos de cada época.

E isso nos coloca nova questão: na nossa caminhada mutante é possível falar em essência e substância? Papo para o outro post.

Podemos dizer que há reflexão filosófica importante sobre o Sapiens no novo milênio, fundamental para poder entender nosso destino.

Se inicia pela distinção entre dois conceitos filosóficos relevantes para esse caso: essência e substância. Comecemos com essa premissa:

A espécie humana é a essência do que podemos ser. E cada ser humano é a substância daquilo que conseguimos ser.

A essência é a potência e os limites da espécies, até aqui: começamos aqui e daqui não passamos.

E a substância a capacidade individual de cada um de viver dentro destes imagináveis limites abstratos, a serem comprovados no concreto.

Os limites são dados por projeções filosóficas de até onde podemos ir e aonde não.

As  mudanças que estão ocorrendo no novo milênio questionam nossa percepção do que, de fato, é a nossa essência –  o que inaugura crise filosófica essencial.

A questão-mãe da filosofia precisa ser refeita:

Quem realmente somos? Qual é a nossa essência para que as pessoas possam pensar e agir dentro das respectivas substâncias?

Para ser bem mais pragmático.

A essência filosófica que um diretor de cooperativa de táxi tinha sobre a espécie (contida no senso comum) não permitiria que aparecesse um Uber.

O diretor da cooperativa de táxi achava que a espécie era muito menos mutante do que realmente é!

Assim, como ainda acham os políticos em Brasília.

Não se esperava que mudanças de mídia pudessem provocar determinadas alterações tão disruptivas no ambiente político ou nos negócios.

Isso é contra-senso daquilo que imaginávamos que era a nossa essência.

A ideia da essência do Sapiens – digamos a base de toda a cadeia de pensamento que se desdobra em questões filosóficas, teóricas, metodológicas, nos negócios, organizações, cosmovisões, crenças individuais – entra em processo de questionamento e dúvidas.

Definimos, no senso comum, a essência do Sapiens, antes da chegada do Digital, como: espécie cultural e que, em algum momento, se utiliza de tecnologias como sub-produto da cultura.

Sim, nossa essência já era consideradas pelos nossos antepassados como mutante, se comparada com outros animais, a partir da mudanças culturais.

Porém, a mutação humana promovida apenas pela cultura tem se mostrado falsa e nos leva a não compreender o novo milênio!

É preciso dizer que nossa essência é, sim, mutante, mas não é apenas pela cultura que podemos esperar surpresas. De tempos em temos, promovemos ajustes incrementais e/ou disruptivos em tecnologias, principalmente as mídias, que são o suporte aonde o ambiente cultural opera.

A diferença é que ações culturais são geralmente provocadas por pessoas e grupos de forma intencional. Há um movimento deliberado de levar de “a” para “b”, na maior parte dos casos.

Na massificação de tecnologias, principalmente das mídias, temos um caso de não intencionalidade, ou se quiserem um macro-movimento tecno-cultural não intencional.

As mídias, estamos aprendendo, não estão embaixo da cultura, dominadas por elas, mas são ferramentas necessárias para que possamos praticar a cultura.

Não existe, portanto, possibilidade de separar a palavra tecno-midiática-cultural do Sapiens.

Só conseguimos ser uma espécie cultural, pois somos uma espécie midiática, que utiliza tecnologias para produzir cultura.

A cultura e a mídia são duas partes do mesmo coração da espécie, dependentes uma da outra.

Não se pode analisar um coração apenas por uma parte, pois para existir e funcionar, precisa de ambas.

Ao defender que somos tecno-midiáticos-mutantes, defino que nossa essência é sujeita a alterações no tempo também por causa das mídias, que não são itens secundários, mas essenciais de quem somos.

O ser humano vive, assim, dentro de ambiente tecno-midiático-cultural, não apenas cultural. Isso faz parte integrante da nossa essência e não da substância.

A novidade do debate filosófico é admitir que, além das mudanças culturais, já admitidas, há na nossa essência mudanças esperadas nas tecnologias de maneira geral e das mídias em particular.

Na nossa essência somos espécie tecno-midiática-cultural, pois nossa capacidade de mudar nos permite crescer demograficamente e, quanto mais crescemos, mais tecno-midiáticos precisamos ser e inovar.

Se não incorporarmos os fatores tecnologias, mídias e demografia na base da nossa essência nunca conseguiremos definir bem a substância de quem somos e o que está ocorrendo.

Precisamos promover macro-ajustes filosófico. Sem ele,  o novo milênio – afetado por tecnologias, novas mídias e novo patamar demográfico – jamais será compreendido.

É isso, que dizes?

 

Mídias são tecnologias que estão entre as pessoas e estabelecem como  podem se relacionar e trocar.

Mídias são as tecnologias que mais influenciam a tecnoespécie, pois são a base principal para todas as trocas.

Mídias definem hábitos de consumo, de trocas entre amigos, parentes, pessoas próximas e desconhecidas e interferem no ambiente social em todas as áreas.

Mídia é uma espécie de “líquido aminótico” da espécie que estabelece o ambiente sob o qual a cultura poderá se desenvolver.

As mídias, apesar de serem resultado da caminhada cultural, influenciam a espécie alterando a cultura de forma ativa e não passiva ou neutra, como se imaginava no século passado.

As pessoas não mudam a forma de pensar com a chegada das novas mídias, mas mudam hábitos. E é a mudança de hábito, que vai, aos poucos, mudando a forma de pensar.

Mídias centralizadoras levam à espécie a hábitos centralizadores e vice-versa.

Mídias – onde se inclui a linguagem – por sua característica de adesão voluntária,  não são impostas de cima para baixo.

As pessoas aderem a elas de forma espontânea.

(Obviamente, que estabelecem patamares de trocas em que profissionalmente muitas vezes somos obrigados a usar.)

Mídias são ferramentas com as quais a cultura é produzida e, por causa disso, quando se alteram mudam a sociedade.

Não existe contradição entre razão e emoção.

Toda emoção tem uma dose de razão e vice-versa.

Podemos falar, assim, de taxas. E procurar outro nome que reflita melhor esse exercício.

E aí se encaixa o conceito de intuição.

O que temos,portanto, perante a vida e os problemas são intuições, mais ou menos refletidas.

Logo de cara, temos intuições de baixa reflexão, que geralmente incorporam as crenças e cosmovisões de plantão.

É o que podemos chamar de intuições do senso comum.

Conforme, vamos refletindo sobre elas, descobrindo mais e mais pessoas que pensaram sobre aquelas intuições, vamos repensando a intuição original.

E passamos da intuição de baixa reflexão para uma de maior, até mesmo iniciar o processo da criação da personal-intuição, que você pode chamar de sua.

Não quer dizer que quem refletiu mais sobre determinada intuição tem a verdade ou é mais certo. Apenas pode dizer que tem intuição mais trabalhada.

Intuições são feitas, a meu ver, para lidar com problemas.

Intuições mais refletidas tendem a ajudar a resolver melhor os problemas. E é esse o parâmetro a ser seguido: resultados diante do problema a ser enfrentado.

Quanto menor o esforço e melhor o resultado, mais o caminho reflexivo sobre a intuição é adequado e vice-versa.

A ideia de que existe dicotomia entre razão versus emoção é – ela mesma – um exemplo típico de intuição de baixa reflexão.

 

 

Debates humanos de qualquer natureza vão passar pela forma como respondemos a esta questão:”por que estamos aqui?”.

É a ante-sala filosófica que obrigatoriamente temos que passar para adentrar em debates mais abstratos e reflexivos sobre a nossa espécie.

Podemos, em linhas gerais, traçar dois caminhos possíveis a serem escolhidos, a partir dessa bifurcação:

  • estamos aqui com propósito específico de espécie especial, se comparados com as outras?
  • ou estamos aqui sem propósito específico, como todas as outras espécies, querendo apenas viver a vida da melhor forma possível?

Todos pensamentos filosóficos e depois teóricos, incluindo os políticos, serão desdobramentos, a partir desta bifurcação.

Acredito ser opção tão definidora de cada pessoa na sua maneira de pensar e agir, que podemos especular que contém aspectos que vão muito além da razão.

Adentram pelo campo dos temperamentos, tipos de inteligência, maneiras de sentir o mundo. E ainda imersão – muitas vezes definitiva – em determinadas cosmovisões e crenças de todos os tipos.

Algo muitas vezes bem acima de aspectos passíveis de debates racionais.

Sugiro, assim, que antes de qualquer debate mais abstrato, se defina, antes de tudo, a questão-mãe:

“Por que estamos aqui?“.

Tal método explicitará, de forma rápida, como cada um dos debatedores pensa o ser humano no planeta e respectivos desdobramentos.

Com certeza, tal atalho, poderá reduzir em muito o tempo que perdemos em debates infrutíferos.

Temos a fantasia de que apenas algumas decisões na sociedade importam.

Acreditamos que a sociedade vai melhorar se os líderes tomarem decisões melhores.

E, por causa disso, ficamos imaginando colocar “salvadores da pátria” que fantasiamos que vão decidir melhor por todos.

Cada pessoa que vai ao supermercado está tomando decisões que importam para todos os outros.

O problema é que quanto mais centralizada forem as decisões, mais chances teremos de ter problemas. E vice-versa: quanto mais pulverizadas, melhor.

Sim, existem algumas decisões que mudam a vida de mais gente, porém, quanto mais uma sociedade vai se descentralizando, mais as decisões vão se distribuindo.

E as decisões só vão se distribuindo por aumento da taxa de autonomia de tomada de decisões de qualidade por cada pessoa, que ocorrem por dois motivos:

  • pela melhoria da capacidade cultural-educacional, através do discernimento, através do domínio das linguagens (idioma e matemática) e lógica;
  • pela descentralização de mídia, que permite que a informação circule e serve como uma espécie de formação cultural-educacional gratuita.

As pessoas vão, aos poucos, tomando para si as decisões e ações que pediam para que outras pessoas, reintermediando processos.

Antigos intermediadores vão perdendo espaço, pois mais e mais pessoas não veem mais sentido nesta intermediação e vão procurando novas alternativas distribuídas.

A sociedade vai se modificando lentamente de uma taxa de centralização para outra muito mais baixa, num processo de descentralização de processos de tomada de decisão.

Podemos dizer, assim, que existe uma relação verdade individual- problemas individuais. Quanto melhor for a verdade individual de cada um, com mais qualidade vai resolver problemas individuais.

Milhões de problemas individuais sendo tomados com mais qualidade vai fortalecendo um modelo de sociedade mais descentralizado.

Assim, uma sociedade não muda no dia de uma determinada eleição, quando se vota. Ou quando um congresso resolver modificar determinada lei.

Isso é o resultado de bilhões de micro decisões que vão sendo tomadas, que favorece a esse ambiente mais descentralizado.

Assim, é preciso entender que a “verdade” na sociedade, baseada no conhecimento de cada pessoa diante de cada problema é individual.

A melhoria da verdade de cada um vai impactar nas verdades de todos, aperfeiçoando a sociedade de baixo para cima.

Cada pessoa constrói sua própria verdade para lidar com respectivos problemas.

Temos bilhões de decisões sendo tomadas todos os dias.

Países em que temos centralização de poder, monopólios, regras muito definidas o leque de decisões a ser tomada é menor.

As pessoas são direcionadas a um número pequeno de opções e vice-versa. Em países em que temos mais descentralização de poder, o leque de opções é maior.

Um mundo melhor e mais descentralizado se baseia em melhoria gradual e massificada de decisões melhores por cada vez mais gente.

Cada pessoa tem trajetória de conhecimento individual na melhor forma de resolver cada um da dezena de problemas diários.

Não existe, portanto, verdade central, ou a melhor verdade, ou a verdade única, que são característica de regimes mais centralizadores, do autoritarismo ao totalitarismo.

Há um leque enorme de verdades que irá guiar pessoas para  decidir, conforme a sua individualidade seus respectivos problemas.

Assim, temos micro verdades parciais, distribuídas, individuais de cada um diante dos problemas que têm pela frente.

A verdade é individual, pois os problemas são individuais.

É da qualidade dessa relação problema-verdade individual ou verdade-problema que um país se modifica.

O ser humano é a única espécie social do planeta que cresce demograficamente.

Conseguimos tal façanha, pois somos espécie Tecnocultural, que pode alterar de forma incremental, radical ou mesmo disruptiva a sociedade no tempo.

A grande alteração de percepção que temos que promover nas nossas mentalidades no novo milênio é entender a “tabelinha” que existe entre mídias,  demografia e modelos de administração do Sapiens.

Quando aumentamos a população, vamos precisar descentralizar as mídias para permitir que a espécie possa lidar, de forma mais distribuída, com novo patamar de complexidade.

Há matemática simples na “evolução” humana:

Um bilhão de Sapiens em 1800 consumiam 3 bilhões de pratos de comida. E hoje 7 bilhões demandam, 21 bilhões.

Saltos demográficos demandam OBRIGATORIAMENTE primeiro mudanças de mídia e depois no modelo administrativo da espécie.

A massificação das novas mídias – que viabiliza novo modelo administrativo –  é a principal macrotendência do novo milênio.

Assim, caminha (matematicamente) a humanidade!

Os estrategistas estão em crise.

Mais e mais organizações não conseguem ter estratégias adequadas diante da Revolução Digital.

Basta ver a queda constante e gradativa da taxa de competitividade das organizações tradicionais em várias áreas.

Líderes de mercado que eram locomotivas, agora têm aceitado cada vez mais o humilde papel de vagão.

Se colocarmos em números, a crise dos estrategistas já pode ser calculada em bilhões de dólares, sem falar na perda total de várias empresas que fecharam as portas pela dificuldade de entender e agir, a partir de nova visão sobre o amanhã.

O problema principal dos estrategistas está na formação.

Estrategistas foram preparados para projetar cenários em  futuro incremental e não disruptivo.

Num futuro incremental, o trabalho do estrategista é voltado para pesquisas de curto prazo. Procura perceber micro-tendências do consumidor, concorrentes, tecnologias e pequenas mudanças prováveis nas áreas social política e econômica.

Num futuro incremental, estrategistas trabalham com o mesmo paradigma. As bases de pensamento sobre como caminha a vida da sociedade – e por sua vez dos negócios –  permanecem as mesmas.

Num cenário disruptivo, entretanto, é preciso revisão filosófica, teórica e metodológica, pois a sociedade não está mais funcionando do mesmo jeito.

Há evidente crise das ciências sociais, com as quais os estrategistas foram formados, pois novas forças, como as tecnologias de mídia, demonstram que podem muito mais do que se previa.

É preciso, assim,  revisão da forma como pensamos o próprio Sapiens.

Os estrategistas 3.0 vão ter que primeiro rever conceitos para, só então, voltar às boas e conhecidas pesquisas de campo.

A crise é profunda e precisa ser corrigida rápido.

 

O debate filosófico sobre realidade nos leva para dois extremos:

  • A realidade existe e tem nela uma sabedoria, uma lógica intrínseca e existem pessoas que mais se aproximam dela. Este pensamento é do tipo conservador, religioso e hierárquico. Se existe uma verdade verdadeira determinadas pessoas se aproximam mais dela, havendo, portanto, o certo e o errado e pessoas que estão mais certas do que outras;
  • No outro extremo, temos a visão de que a realidade não existe, mas apenas percepções provisórias humanas sobre ela. Não há nela, lógica intrínseca e não existem pessoas que mais se aproximam dela. Este pensamento é do tipo co liberal, ateu ou agnóstico e não hierárquico, distribuído. Se não existe uma verdade verdadeira, cada pessoa tem a sua capacidade de se aproximar da realidade,  não havendo, portanto, o certo e o errado.

Para esse pensamento da realidade não existente e inatingível, o futuro é sempre aberto e construído pelas pessoas.

Um mundo que passa por Revolução Civilizacional abre as portas para as mudanças em todas as áreas e se abre um macro-ciclo aberto e inovador.

A visão conservadora da “realidade existe lá fora e tem alguém que se aproxima mais dela” tende a perder espaço para a “realidade lá fora é sempre uma percepção histórica, mais ou menos eficaz”.

Saímos de um futuro mais fechado e controlado pelas autoridades do saber. Para um futuro mais aberto, no qual as autoridades do saber se descentralizam.

Nesse mundo mais aberto, a verdade está em cada pessoa diante dos problemas que têm para resolver a sua frente, conceitos como ordem espontânea, inteligência coletiva e cultura da participação tendem a fazer mais sentido.

Temos, na verdade, além das velhas escolas que defende a educação por problemas e a ordem espontânea como motor da sociedade, uma nova escola que começa a surgir da ordem espontânea digital, dentro de nova etapa de participação.

É isso, que dizes?

O conceito de realidade é relevante para projetos de inovação.

Quem tem baixa taxa de criatividade dirá que a realidade é sólida e existe lá fora, independente dos humanos.

E quem alta taxa de criatividade, mente inovadora, dirá que não. Que tudo é sempre uma construção humana, passível de erro e mudança.

A base da inovação é desconfiar do que existe. E imaginar uma forma de alterar o real. Quando mais se desconfia, mais aberta pode ser a inovação.

Quanto mais houver capacidade abstrata de imaginar um novo real, mais disruptiva poderá ser o projeto.

E quanto mais você acreditar que o real é real, mais dificuldade terá de modificá-lo.

Sempre me preocupo em sala de aula a apontar para meus alunos que tenho a minha percepção particular sobre a realidade.

Assim, deixo claro que a verdade, qualquer que seja ela, é sempre parcial, individual, transitória.

Aponto a origem da cosmovisão que abracei e os motivos.

(Cosmovisões são formas de ver o mundo, que estão disponíveis nas prateleiras filosóficas e teóricas no supermercado do conhecimento).

Deixo, assim, os alunos e alunas julgarem os meus argumentos e respectivas escolhas, sabendo que não se está apresentando o real, mas uma interpretação do real.

 

 

Ao saírem de sala, terão possibilidade de optar por seus próprios caminhos.

Novas verdades

Mudanças de mídia afetam a topologia das relações, que serão mais ou menos vertical. Mais ou menos horizontal, conforme a topologia da mídia.

Uma mídia centralizadora fortalece com o tempo a verdade organizacional, pois a produção de conhecimento será feita, através de organizações, que têm recursos para publicar (tornar público).

Assim, as regras de publicação, os interesses e os temperamentos das autoridades de cada organização vão definir boa parte das verdades circulantes, bem como o foco, os problemas que “importam”.

Uma mídia descentralizadora abre novo ciclo que tende a fortalecer, por algum tempo, a verdade individual, pois a produção de conhecimento será feita através de novas organizações, que reduzem o custo da produção, permitindo que novas pessoas e ideias possam publicar.

Um novo ciclo descentralizador se abre de forma definitiva, estrutural, mesmo que haja recaídas centralizadoras.

Assim, as regras de publicação, os interesses e os temperamentos das autoridades de cada antiga organização perdem o poder de definir as verdades circulantes, depois que chegam novas mídias descentralizadoras.

Podemos dizer que se inicia novo ciclo de produção da verdade de determinado filtro para outro.

Problemas não “interessantes” para as antigas organizações passarão a circular.

Temos, assim, a passagem da demanda de produção de verdades mais organizacionais para mais individuais.

E isso vão criar gap cognitivo, pois há costume, hábito, formatação de um modelo de produção da verdade para outro.

O sendo humano

A ideia de um ser humano substantivo é um dos pilares da infelicidade e da verdade de baixa qualidade.

Perceber-se a si mesmo como um verbo, não ser humano, mas sendo humano faz muito bem para a busca da felicidade e da verdade.

Pois tudo passa a ser um processo. E não uma chegada.

É o início do processo de mudança filosófico de se deixar levar para levar-se.

Aprender com o caminho e lutar apenas para que o hoje seja melhor que o ontem.

Nada mais.

Cada um tem a sua, mas é preciso ter cuidado.

A verdade é ferramenta para se obter  felicidade individual e coletiva.

A verdade foi feita para ser testada na vida. 

Não existe portanto verdade definitiva, mas verdade provisória a ser testada.

Temos versões de verdades, como se fossem softwares.

A sociedade é feita do somatório das verdades individuais, que somadas, acabam por definir nossas decisões e, com elas, a qualidade de vida. 

Verdades podem ser de baixa qualidade. 

São aquelas que não mudam, não aprendem, mesmo que não tragam felicidade.

São aquelas que não interagem com outras.

São aquelas de baixa reflexão, que dispensam números, conceitos, o passado, métodos.

São verdades de baixa taxa de razão e alta taxa de emoção.

Uma pessoa que nunca muda cristalizou a verdade, como se fosse a realidade.

Podemos dizer, assim, que existem melhores verdades que são aquelas que facilitam a felicidade.

Verdades, por fim, são realmente testadas ao tentar resolver problemas, a única forma de se analisar a sua validade.

Verdades são individuais, mas a realidade não liga para ela. Quando a pessoa ignora isso diante de problemas, a vida castiga.

Homo Deus #1

(Lendo o livro do Harari)

Há algo no livro Sapiens que me deixou intrigado. E me trouxe para seu segundo livro.

Ele diz lá que ainda não temos, enquanto humanidade um propósito.

Neste segundo livro, Harari se esforça para falar de “agenda da humanidade”.

A questão, antes do debate de qual é a agenda, é se temos agenda. 

Como o sapiens resolveu no passado seus problemas.

Diria que aí há dois tipos de conclusões sobre os problemas humanos gerais e globais.

Os centristas, que acabam por defender debates mundiais, com organizações  planetárias centralizadas. 

E os distributistas, que acreditam que é no somatório descentralizado de micro decisões, sem um poder central, que conseguiríamos avançar.

Sou adepto da segunda cosmovisão. Harari, me parece, da primeira.

Aí se abre um debate enriquecedor.

Os debates intensos sobre filosofia nos levam à equivocada pergunta: “O que é a filosofia?”. Filosofia como algo sem relação ao ser humano e seus problemas.

Prefiro lançar outra pergunta, mais pragmática e empírica: para que serve a filosofia? Por que continuamos precisando dela e de filósofos?

O que nos remete a uma pergunta anterior a esta: Por que precisamos da filosofia nas nossas vidas?

Filosofia tem que ser vista como ferramenta humana para solução de determinado tipo de problemas.

O ser humano, do meu ponto de vista, não tem propósito em si, mas apenas, como todos os outros seres vivos, viver.

(Admito que várias outras cosmovisões pensem diferente disso, mas adotei essa.)

Sendo assim, toda vida, que ainda está viva, precisa resolver problemas para se manter assim.

O principal problema humano para viver é o contínuo resolver problemas todos os dias por todas as pessoas várias vezes ao dia.

  • E existem vários tipos e graus de problemas, desde os mais simples, conhecidos, concretos, sensíveis, indutivos, comuns, conjunturais.
  • Aos mais complexos, desconhecidos, abstratos, reflexivos, dedutivos, incomuns, estruturais.

Podemos dizer que existe espaços humanos para resolver problemas dos dois tipos.

Quanto mais estivermos próximo dos primeiros, menos a filosofia estará presente e vice-versa.

A filosofia, assim, para mim, é o espaço de debate criado e necessário para que possa apoiar os seres humanos nos problemas mais complexos, desconhecidos, abstratos, reflexivos, dedutivos,  incomuns, estruturais.

A Filosofia não é portanto disciplina, apesar de ter continuidade de debates, mas espécie de UTI para resolver problemas, quando várias tentativas de tratamento já foram tentadas em outras instâncias dentro “do hospital do conhecimento”.

Podemos dizer que a caminhada humanase caracteriza pelo aumento demográfico.

Que gera complexidade.

Que cria problemas administrativos.

Que gera demandas de descentralização dos problemas, através do aumento da taxa de liberdade individual.

Quanto mais sapiens houver no planeta, mais liberdade cada indivíduo terá que ter para ajudar a lidar com o aumento de complexidade.

 

Porque conhecemos?

Para resolver problemas de todos os tipos e viver melhor.

Cada humano, mesmo um bebê na barriga da mãe já está vivendo o duelo entre problema/solução.

O conhecimento humano, se pensarmos de forma coletiva, é o conjunto acumulado de problema/solução praticado por sete bilhões de pessoas, milhares de vezes ao dia, todos os dias.

É o somatório de problemas diferentes com pessoas diferentes, que exigem bilhões de soluções diferentes.

Podemos dizer que este macro-mosaico do conhecimento é o que podemos chamar de inteligência coletiva distribuída (ICD). 

Quanto melhor for a relação de custo/benefício desta ICD, de cada pessoa com seus milhares de problemas, melhor será a qualidade de vida e vice-versa.

Tecno-ambiente

O Sapiens não controla tudo.

Assim, estrategistas precisam criar taxas de forças: as mais ou menos controláveis.

Existem entre as forças menos controláveis os movimentos coletivos.

Aumentos demográficos são movimentos coletivos de difícil controle, pois não se pode fazer nada quando homens e mulheres querem procriar.

Aumentos demográficos ampliam as taxas de complexidade com várias consequências no médio e longo prazo para a espécie.

Todos temos alguma percepção sobre o futuro individual ou coletiva, a partir de crenças, cosmovisões, temperamentos, qualidade do debate que temos sobre o que virá.

A percepção sobre o futuro define a tomada de decisão no presente.

O futuro pode ser algo abstrato e intangível, mas a nossa percepção sobre ele, não.

Podemos dizer, assim, que já existe algum futuro hoje na mente das pessoas que guiam várias decisões.

Tal percepção exerce influência no presente, pois decisões são tomadas o tempo todo baseada nesta percepção.

Tal percepção não é problematizada da como se deveria, o que se reflete na qualidade da tomada de decisões.

Um futurólogo/futurista mais do que um “vidente” é especialista sobre a percepção que as pessoas têm sobre o futuro.

Não é algo abstrato, mas concreto, pois decisões poderiam ganhar qualidade. Assim, um futurista atua sobre o presente.

Pessoas que se dedicam ao futurismo procuram:

  • Mapear as diferentes percepções e métodos que temos para perceber e projetar o futuro;
  • Analisar a lógica e a forma de coleta de dados que embasam tal visão.

Um futurista tem como missão melhorar a qualidade da percepção das pessoas sobre o futuro.

A melhoria da qualidade da percepção sobre o futuro tem consequência tomada de decisões melhores.

Num mundo cada vez mais inovador, cada vez mais gente precisa de um futurismo de melhor qualidade.

Os principais interessados num, primeiro momento, de um futurismo de melhor qualidade são os que operam hoje mais diretamente com o futuro, são eles: 

  • Investidores de risco;
  • Estrategistas;
  • Profissionais de inteligência estratégica;
  • Empreendedores, principalmente, os que querem trabalhar com inovação disruptiva.

O futurista pretende que tais profissionais se equívoquem menos nas respectivas decisões.

Além disso, é preciso qualificar o debate sobre o futuro em toda sociedade, pois cada vez mais gente viverá de inovação e precisará de um futurismo melhor.

O futurismo era uma missão dos estrategistas, que desenvolveram métodos, antes da chegada do digital, quando o futuro ainda era incremental.

Vivemos hoje um futuro disruptivo, que demanda futuristas especializados.
 

Ninguém define como pessoas vão usar tecnologias.

A maior parte das tecnologias são abertas em relação à ideia original dos seus criadores.

Assim, tecnologias, em boa medida, têm  vôo próprio entre criação e uso.

As tecnologias cognitivas muito mais, pois são estruturantes da espécie. São utilizadas boa parte do dia, por muita gente.

São, diferentes de outras, o epicentro da espécie.

E estabelecem novo patamar de relacionamento entre os humanos, destes com a vida.

Por isso, que a massificação de novas tecnologias cognitivas são os fenômenos marcantes e disruptivos na história do Sapiens.

Todo o modelo organizativo da sociedade tem base nas tecnologias cognitivas, incluindo a topologia de poder.

Não é, como em outros fenômenos sociais de mudança na estrutura de poder,  premeditado, articulado e pretendido por determinado grupo.

É um movimento sistêmico, de base tecnológica, que dá início a novo ciclo civilizacional pelo simples uso.

A mudança, entretanto, têm o gatilho tecnológico, mas vai depender para seu avanço, aí sim, de movimentos sociais (incluindo religioso, filosófico, teórico, político, administrativo, entre outros), que vão perceber as novas possibilidades e passar a se aproveitar delas para mudar a sociedade ao longo do tempo de forma irreversível.

Toda previsão de futuro é feita por alguém, através de um determinado método.

E aí temos dois tipos de temperamento que podem influenciar as projeções e o uso de qualquer método:

  • O otimista – que tenderá sempre a analisar as forças de forma positiva, na direção de futuro melhor que o presente, apostando na abundância e na redução de crises;
  • O pessimista – que tenderá sempre a analisar as forças de forma negativa, na direção de  futuro pior que o presente, apostando na escassez e no agravamento de crises.

É impossível que um futurista consiga superar seu temperamento. 

Por isso, que as previsões apresentadas, seja por qualquer tipo de temperamento, precisam se basear em projeção, através de determinada lógica.

O que se pode é analisar a lógica da previsão para saber em que medifac determinadas forças foram sub ou super avaliadas.

Antes de querer mudar, influenciar ou prever o futuro, trabalhe a percepção que tem sobre ele.

O futuro é algo abstrato, a percepção que temos sobre ele, nem tanto.

Tudo que pensamos sobre o futuro é apenas percepção, com mais ou menos embasamento futurista.

O método de futurologia de médio e longo prazo que desenvolvi trabalha basicamente com forças.

Um futurólogo de longo prazo será  analista das forças em eterno movimento.

As forças vivas têm demandas e ofertas.

E é nesse conflito permanente entre gurias vivas que se pode projetar o futuro mais distante.

Existem outros métodos de futurologia, baseados em pesquisas de tendências, que são melhor aplicados para tendências de curto prazo.

Quando pensamos no médio e no longo prazo, entretanto, é preciso sofisticar o estudo das forças para ter mais eficácia.

Cisnes negros

O futuro é algo aberto e abstrato.

O papel da futurologia não é prever o futuro, mas reduzir a imprevisibilidade.

Antes de qualquer coisa, é possível sempre supor que algo muito imprevisível, pode acontecer.

O que os futurólogos passaram a chamar de “Cisne Negro”.

Cisnes negros são fatos de baixíssima previsibilidade, que alteram de forma radical o futuro.

No popular, um cisne negro está expresso na frase “se deus quiser”.

Se não houver um cisne negro entre o hoje e o amanhã, tal coisa é possível.

O cisne negro é espécie de pílula de humildade dos futurólogos.

Sempre é bom, fazer essa ressalva, se um cisne negro não aparecer.

Podemos dizer que cada pessoa é, em alguma medida, um futurólogo.

Ninguém decide nada hoje se não tiver algum tipo de previsão futura no curto, médio e longo prazo sobre o amanhã.

Podemos dizer, assim,  que há algum tipo de qualidade de futurologia em qualquer decisão pessoal ou organizacional.

O problema que temos com o futuro, assim, é da qualidade da futurologia empregada.

Uma futurologia de baixa qualidade significa decisões de baixa qualidade.

De maneira geral, os métodos de previsão de futuro, principalmente no Brasil,  são pouco científicos e de baixa qualidade.

Podemos dizer que o Brasil prefere mais videntes do que futurólogos.

Videntes não usam métodos científicos, o que já se exige de um futurólogo.

Não, um método científico não é aquele feito em lugar específico, como nas universidades, apenas por cientistas.

Método científico é prática, que pode ser utilizada por qualquer pessoa ou organização, a partir de algumas premissas.

Método científico é trabalho permanente da reflexão sobre a emoção, a partir de algum problema.

Método científico é testar soluções para problemas e, a partir dos resultados, se aprimorar o método.

Podemos dizer, assim, que a vidência, jogo de Búzios, tarô são métodos de futurologia não científicos, baseados em emoções com baixa taxa der reflexão.

E que se pode trabalhar com métodos de futurologia mais científicos, que serão aplicados e testados na prática, a partir dos resultados.

Uma método de futurologia de melhor qualidade tem taxa mais alta de acerto e vice-versa.

Futuro é o estudo que todos nós fazemos do provavelmente que vai acontecer em diferentes camadas de tempo, em determinadas áreas.

O futuro é sempre previsão mais ou menos precisa feita por alguém (pessoa, grupo ou organização), através de algum método de análise mais ou menos científico.

O futuro é sempre uma hipótese.

Quanto maior a taxa de acerto nas previsões feitas, mais aquele método/pessoa de previsão é mais ou menos eficaz.

Assim, podemos dizer que há métodos melhores e piores de se prever o futuro.

Meu esforço agora, depois de vinte anos trabalhando no e estudando o digital, é o de ajudar pessoas e organizações a conseguir reduzir a imprevisibilidade do futuro, através de método científico.

Marx definiu, baseado muito na cosmovisão católica/monarquista, o mundo entre dois pólos, inferno e céu: proletariado versus empresários.

A base filosófica é essa com variações econômicas. Não é à toa que todo regime baseado em Marx acaba sempre em algum tipo de tirania, império.

Assim, a divisão entre dois pólos na sociedade, é algo que vêm de determinadas cosmovisões religiosas primitivas, que dividem o mundo em apenas duas contra-posições.

Um diabo e um santo em eterna luta, o que é de fácil compreensão para qualquer pessoas com baixa autonomia de pensamento.

A base da cosmovisão marxista, assim, se mantém nos princípios medievais estruturantes da monarquia e do catolicismo.

Quando alguém se diz “de direita”, na verdade, admite que existem dois pólos de poder válidos na sociedade, em contra-posição a alguém que é “de esquerda”.

Tenho insistido que essa narrativa “de direita” é reforçar a cosmovisão primitiva entre nós/eles que precisa ser superada, principalmente na maneira de pensar, que se reflete naquilo que dizemos.

Se olharmos a macro-história vemos que a sociedade humana procura sair ao longo do tempo da visão primitiva de mundo (bom/mau) para uma visão mais científica de diferentes forças em conflito a cada situação, numa complexidade de pensamento mais ampla.

Podemos situar, por exemplo, o catolicismo totalitário medieval,  o totalitarismo marxista, ou a sua variante o nazismo e o fascismo e agora o islamismo como projeto de poder como algo de um passado.

Que tem retornos no presente, pois se alastra em setores da sociedade, nos quais houve forte aumento demográfico e não se acompanhou a autonomia de poder, fundamental para a superação desse tipo de primitivismo de pensamento.

Não consigo me posicionar politicamente ao dizer que sou contra, por exemplo, a uma religião (oficial ou disfarçada) dogmática.

Quando abraço a cosmovisão libertária, de liberdade dos indivíduos, defesa do consumidor (e não de trabalhadores ou empresários) não é uma contra-posição a algo, mas uma projeto de sociedade.

Não sou “de direita”, pois a “esquerda” não é um projeto válido de poder, baseado em cosmovisão aberta, resiliente aos fatos, mas algo que não me serve de referência.

Existem pessoas republicanas e não republicanas (caso dos marxistas). E dentro da república temos diferentes cosmovisões da melhor forma de resolver problemas dentro dela.

Quando aceito me referenciar como pessoa de “direita” estou deixando de observar que o projeto “de esquerda”, na maioria das vezes, é anti-republicano. E, ao invés de ajudar no debate, estou embaralhando o mesmo.

Uma das funções dos liberais, é o discurso mais racional, baseado na experiência do passado menos religioso e dogmático.

É preciso trazer uma narrativa cada vez mais clara e objetiva, colocando cada proposta para a sociedade no seu devido lugar.

Não posso também dizer que sou anti-islâmico, ou anti-nazista, pois isso me tira a possibilidade de afirmação. Passo ser algo em negação a outro, isso é válido, num primeiro momento, mas isso não pode me definir.

Quando alguém se diz “de direita”, ao invés de estar combatendo quem é “de esquerda”, na verdade, está validando algo que não é, mas passa a ser projeto válido de poder.

Se dizer liberal, libertário, contra todas as formas de centralização de poder, de restrição ao direito da livre escolha dos consumidores, me parece algo muito mais profícuo.

Deixando claro que o marxismo e variantes não são projetos válidos de poder, como a história tem insistido em demonstrar.

O que dizes?

 

Podemos dizer que na sociedade temos macro-mentalidades (ver mais no livro Mentalidade 3.0), cosmovisões, crenças e problemas.

Cosmovisões são maneiras de pensar e agir no mundo, que estão em mais ou menos concorrência.

Podemos dizer que existem dois tipos de cosmovisões:

  • as abertas e mutantes, que conseguem dialogar com os problemas e a sociedade. As que duram mais no tempo, pois são mais resilientes;
  • as fechadas e dogmáticas, que não conseguem dialogar com os problemas e a sociedade. Que são conjunturais em determinado momento, mas perdem força ou desaparecem, por falta de resiliência.

De maneira geral, as religiões são cosmovisões fechadas e dogmáticas, pois partem, quase sempre, de  determinado centro, em geral um livro, do qual se extrai ensinamentos fechados.

Religiões já tiveram influência muito maior em problemas da sociedade e quando se arvoram a sair de determinado campo de  cosmovisão passiva para ativa causam crises.

Assim, podemos dizer que há:

  • Cosmovisões passivas – aquelas que as pessoas que a abraçam incorporam a sua visão como  crença individual, que vale para ela própria, não imagina que todos têm que compartilhar da mesma – os vegetarianos é um exemplo bom, como monges budistas. É algo que serve para eles e não querem nem impor aos outros e nem que problemas sejam resolvidos a partir dessa crença;
  • Cosmovisões ativas – aquelas que as pessoas além de incorporar a sua visão como uma crença individual, acreditam que aquelas propostas servem para a solução individual ou coletiva para os problemas de cada pessoa e da própria sociedade.

Cosmovisões fechadas e dogmáticas, passivas, não causam crises sociais, pois a pessoa não demanda que aquilo que ela acredita seja algo que precisa ser generalizado para toda a sociedade.

Cosmovisões fechadas e dogmáticas ativas, estas sim, causam crises sociais, pois a pessoa demanda que aquilo que ela acredita seja algo que precisa ser generalizado para toda a sociedade.

Porém, como é uma cosmovisão fechada e dogmática, mesmo que os problemas sociais ocorram, ela continuará insistindo nos mesmos, pois há uma incapacidade de se aprender com os fatos.

 

O nome é esnobe, mas necessário.

Precisamos entender que temos camada que estava oculta na história humana, que vou chamar de macro-mentalidade, ou mentalidade geral, ou tecno-mentalidade.

É algo que está na camada mais alta da sociedade humana. Vejamos o desenho:

Macro-mentalidades são modificadas apenas por alterações nas Tecnologias Cognitivas.

Pode isso?

Pode, pois o Sapiens é uma tecno-espécie e as tecnologias cognitivas são as mais relevantes para nós, que estabelecem as nossas relações de todos os tipos com o mundo (pessoas, coisas, consumo, aprendizado) etc.

Macro-mentalidades são modificadas com baixa intenção cultural, pois a chegada das tecnologias cognitivas, principalmente as descentralizadoras, alteram a forma como as pessoas se relacionam com a vida.

É uma camada estruturante da espécie, que inicia processo de revisão e alteração das cosmovisões.

Cosmovisão é o conjunto de conceitos, ideias, formas de pensar que agregam crenças individuais. Cosmovisões são filhas das Macro-mentalidades, mas já sofrem forte influência cultural.

Cosmovisões são criadas por mentes brilhantes em várias áreas, que conseguem inaugurar uma cosmovisão e influenciar pessoas a aderir a ela, através de crenças pessoais.

Por fim, as crenças pessoais são  as “caixas” individuais, com as quais caminhamos no mundo e resolvemos nossos problemas.

Mudanças nas macro-mentalidades modificam as cosmovisões, pois elas são adaptadas às mídias.

Todas as cosmovisões serão alteradas na sociedade quando chegam novas mídias.

Quando temos mídias centralizadoras, haverá uma ascensão de cosmovisões centralizadoras e vice-versa.

Pessoal, continuando perguntas e respostas.

Minha aula NÃO será no sábado que vem no dia 01/07, a coordenação mudou para o dia 15/07, dia todo.

Quem for a aula, fará a auto-avaliação logo pela manhã, já deixando todo mundo mais relaxado para o dia.

Não será feita por e-mail. Por e-mail só para quem FALTAR A AULA DO DIA 15/07.

Dei uma mudada no formulário de avaliação, pois era apenas para um dia e não para o módulo todo, até aqui.

Quem ainda não deu feedback, pode fazer por aqui.
feedback.nepo.com.br

Quem já fez, já tem 1,5 dos pontos e pode colocar isso na auto-avaliação, mesmo que tenha avaliado apenas um dia.

Quem quiser, de forma voluntária e espontânea, avaliar todo o módulo, fica a critério.

Quem faltou a aulas passadas e quer ganhar pontos, tem que fazer um resumo até o dia 15/07, nos links abaixo, conforme o dia que faltou.

Faça o resumo no comentário do próprio Youtube

Os links:

Aula 01 – o que é realidade?
Aula 02 – o que é felicidade?
Aula 03 – o que é inovação?

Qualquer duvida, façam contato, não me incomodo de responder, quero que todo mundo fique seguro.

Peço ao pessoal que está no Whatsapp, na lista da turma, que repasse para todos as mensagens e ajude em quem ainda está com dúvida,

Grato,

Nepô. Estou colocando as informações no link: facha.nepo.com.br

Pessoal, segue por aqui os avisos, já que temos pessoas que não estão recebendo o e-mail.

Como proceder para fazer a auto-avaliação?

Critério 1: número de vezes que foi a aula. Tivemos 4 encontros. Cada encontro vale 1,75. Quem foi aos quatro fica com 7.

Critério 2: 1,5 pela participação em sala de aula. Quem participou ativamente ficam com nota cheia e vai reduzindo, conforme o desempenho.

Critério 3:  1,5 pelo feedback dados das aulas: feedback.nepo.com.br

Vamos fazer um cálculo fictício:

Foi a todos as aulas (7) + participação ativa (1,5) + não deu feedback (0) = 8,5

Quem  faltar no último dia e não fizer a auto-avaliação ANTES DO DIA, ficará sem nota.

Qualquer duvida, façam contato,

Grato,

Nepô.

Filosofia não é uma disciplina.

E nem a história de pessoas que se disseram ou foram consideradas filósofos.

Filosofia é um espaço recorrente de debate de problemas mais abstratos, que exige um tipo de temperamento, perfil e cérebros específicos.

Este espaço precisa de problemas que causem sofrimento das pessoas.

Não se discute um espaço pelo espaço.

Qualquer debate sobre filosofia voltado para os próprios filósofos tende ao corporativismo filosófico e a perder o fio terra com a realidade.

Todos os problemas humanos e crises, em algum momento agudo, vão acabar por recorrer a este espaço, como se fosse uma ala específica de um hospital de problemas.

Podemos dizer, assim, que existe uma ala permanente de debates abstratos, tais como o que é o humano e suas variantes: o que fazemos aqui? O que nos faz feliz? O que é a beleza? Justiça? Etc…

E as filosofias aplicadas a problemas específicos, que definem a essência das forças, um ramo específico da epistemologia, que auxilia pessoas ao definir a essência das forças, algo abstrato.

A filosofia não pode ser uma estatal, na qual se esquece a sua função social: ajudar as pessoas a lidar melhor com suas vidas.

Filósofos que só falam com filósofos, portante, tendem ao corporativismo filosófico, transformando o que deveria ser solução em problema.

A sala da filosofia tem que ser sempre arejada, com janelas e portas abertas para novos problemas, que vem de fora.

 

 

Podemos dizer que as verdades humanas esperam por “messias”, mentes brilhantes, que são capazes de ver mentiras aonde ninguém conseguiu.

Não existe verdade, como vimos, mas verdades melhores.

Não existe realidade, mas tentativas humanas de se aproximar dela.

Não existe, portanto,  “A”  verdade melhor, mas várias verdades melhores, a partir de diferentes pessoas que vivem diferentes problemas.

Verdades melhores ajudam pessoas a ter resultados mais eficazes com menos esforço. 

Cada pessoa, a partir de sua diversidade, o que inclui o cérebro distinto, vai procurar a sua melhor verdade para lidar com os seus problemas da vida.

Verdades melhores são ferramentas individuais para se aumentar a taxa de felicidade.

Quanto mais as verdades individuais forem diversas, mais temos condições de aumentar a taxa de inovação, criatividade e felicidade coletiva de determinada sociedade.

E vice-versa:

Quanto menos as verdades individuais forem diversas, menos temos condições de aumentar a taxa de inovação e criatividade e felicidade coletiva de determinada sociedade.

A verdade coletiva, assim, é o somatório de bilhões de formas que as pessoas resolvem seus problemas.

Criação de novas mentalidades hegemônicas é debate de nível muito abstrato, macro-histórico que exige tipo de cérebro e formação específica, que envolve filosofia e história.

É preciso analisar as bases, raízes, da mentalidade hegemônica anterior para:

  • Separar o que é estrutural e o que era conjuntural;
  • O que se manterá e o que se fará revisão.

Sob as bases da antiga mentalidade hegemônica, se construirá nova mentalidade, que será a ” plataforma” para o surgimento de novas crenças individuais. 

Mentalidade é o coletivo de crença.

Crença é o coletivo de formas de pensar e hábitos individuais.

Crenças produzem verdades para lidarmos com os problemas da vida.

Mentalidades hegemônicas são formadas pelo conjunto de crenças e verdades entre diferentes eras cognitivas.

Novas Tecnologias Cognitivas promovem novas formas humanas de relacionamento, novas formas de validação da verdade.

E nos levam a novas mentalidades hegemônicas.

Vivemos hoje o início de nova mentalidade hegemônica digital 3.0.

Podemos citar:

  • Mentes disruptivas;
  • Acúmulo de mentes disruptivas;
  • Mentes incrementais;
  • Acúmulo de mentes incrementais;
  • Novas tecnologias cognitivas;
  • Novas tecnologias perceptivas e medidoras;
  • Novos fenômenos sociais e ecológicos, que lançam novos problemas, que demandam novas verdades.

No debate sobre “como produzir verdades melhores” temos que entender que cada ser humano tem cérebros distinto dos demais.

Cada cérebro tem dificuldades e habilidades para determinadas funções.

E tal fato nos leva a revisão sobre  alguns problemas:

Moral/ética: a busca da felicidade, desenvolver a habilidade para a qual cada cérebro tem mais facilidade;

Epistemológica: determinados cérebros inauguram novos ciclos de pensamento, como espécie de “messias filosófico”.

Tiranias são criadas por golpes variados, repúblicas, não.

A República é resultado de determinado somatório de autonomia de pensamento, que determina a  topologia de poder mais ou menos vertical.

  • Quanto menos autonomia de pensamento coletivo, maior será a verticalização da topologia.

E vice-versa.

  • Quanto maior for a autonomia de pensamento coletivo, maior será a horizontalização da topologia.

Precisamos rever na ciência política os efeitos que mudanças de mídia e o aumento da complexidade demográfica trazem para a topologia de poder e, portanto, para o fazer político.

Aumentos demográficos elevam à complexidade e forçam para que haja massificação da produção.

Mídias concentradas reforçam essa demanda por massificação.

E a crise da complexidade demográfica progressiva só consegue ter saída mais sustentável com a chegada da nova mídia descentralizadora, que combina dois aspectos: diversidade e produção.

Se olharmos a macro-história do Sapiens caminhos na direção da descentralização de poder, da autonomia de pensamento para que possamos lidar melhor com a complexidade.

Sim, no meio do caminho houve, há e haverá regimes centralizadores, autoritários e mesmo totalitários, mas terão vida curta, pois não conseguirão atender a uma demanda básica da espécie: diversidade na complexidade.

No totalitarismo temos a homogeneidade na complexidade, o que resolve parte do problema e não o todo. Homogeneidade traz problema básico para a espécie: o desejo de cada um ser diferente e colocar a sua diversidade para fora.

 

 

Ciência é um verbo: atividade social, sem paredes, que procura verdades melhores diante de problemas.

Um pensamento científico é a busca permanente por verdades melhores do que as anteriores.

Verdades melhores visam resolver problemas da melhor forma possível.

Verdades que não visam resolver problemas não fazem parte do pensamento científico.

Um poema, por exemplo, não tem intenção de produzir verdades. 

É resultado de expressão de subjetividade verdadeira de alguém sem consequência prática direta.

Toda verdade – que podemos chamar de científica – tem alguma consequência prática.

Assim, todos que lidam com problemas, precisam de verdades melhores. 

Todos nós, portanto, somos cientistas, com diferentes qualidades de verdades e respectivas decisões.

Verdades são criadas para lidar com problemas. 

Verdades melhores restringem, minimizam ou reduzem o esforço para solução de dado problema. 

Produzem relação de custo/benefício melhor e vice-versa.

Verdades piores são, em geral, de baixa taxa de reflexão sobre as emoções, utilizam de pouca lógica.

São avessa aos números, têm linguagem pouco clara, baixo ou nenhum parâmetro compatível com fenômenos históricos similares.

E sem relação nenhuma ou pouco elaborada de causa e consequência.

O debate científico é, assim,  atividade popular, sem parede, criado pelos humanos para produzir verdades melhores.

De fato, cada pessoa tem a sua verdade e respectiva qualidade de decisão diante dos problemas.

Quanto melhor for a qualidade das verdades de cada pessoa, grupo, organização, país, melhor será a qualidade de vida.
 

O ser humano precisará sempre de verdades melhores. Podemos mudar como produzimos verdade, mas não podemos eliminar a necessidade de produzir verdades melhores.

Verdades passam por algum tipo de processos de validação para que possam ajudar no processo de tomada de decisões.

Os processos de validação da verdade são fortemente influenciados pelas mídias de plantão.

Não produzimos verdades no vazio, mas imersos em tecnologias de trocas.

Quando mudamos as tecnologias de trocas passamos a poder validar a verdade de novas formas, com mais eficácia do que anteriormente.

Este é o grande salto disruptivo para todos os que vivem de produzir verdades 2.0, desde as instituições científicas, até as produtoras de conteúdo, como noticiários.

  • A verdade 2.0, baseada na oralidade e escrita, era feita por gestores da verdade, que recebiam dados, avaliavam, criavam critérios, editavam e publicavam o que consideravam verdades melhores em seus respectivos canais, desde revistas científicas, até o Jornal Nacional;
  • A verdade 3.0 será baseada além da oralidade e escrita pela linguagem dos cliques. Será feita por curadores da verdade, que vão organizar grandes plataformas em que pessoas de todos os tipos vão ajudar a produzir as melhores verdades, desde verdades científicas aos noticiários.

Hoje, vivemos o momento de passagem, pois não estamos ainda com projetos consolidados da produção da verdade 3.0 e a verdade 2.0 já entrou em crise.

Momento apenas de passagem.

Quando leio sobre o futuro do jornalismo e da ciência, em que os antigos players vão ainda ter espaço, pois conseguem “ser os autenticadores da verdade” chega a me dar sono.

O que teremos é o fim dos gestores para os curadores de verdades e isso é uma mudança disruptiva.

Sim, se poderá ter colunistas, repórteres, editores, tudo que temos hoje, porém, terão que ser o tempo todo validados pelas diversas plataformas participativas para todo tipo de gosto, assunto, vontade e personalização.

Os atuais gestores da verdade darão lugar a curadores da verdade, que terão a missão de garantir que a vontade que vem de baixo para cima e do lado para o lado seja respeitada.

É outro modelo.

 

Podemos dizer que pessoas podem basear decisões em verdades de baixa ou alta qualidade.

Verdades de baixa qualidade são aquelas que:

  • não tiveram aferição com as experiências;
  • baixa lógica;
  • pouco uso de números.

Grande quantidade de pessoas com crenças de baixa qualidade demandam sociedades mais verticalizadas, pois não terão capacidade de questionar o que vem das autoridades.

Sociedades que têm hegemonia de crenças de baixa qualidade tenderão a ser muito mais verticalizadas do que as que tem a hegemonia de crenças de alta qualidade.

 

Mentalidade é o coletivo de crenças individuais.

Sociedades têm mentalidades, que são formadas pelo conjunto de crenças existentes.

Temos três correntes:

  • A verdade científica passível de aferição e modificação, a partir dos resultados, com critérios lógicos, de baixa ou alta qualidade, feita para a tomada e mudança de decisão, a partir de critérios lógicos e experiências práticas;
  • A verdade não científica que não se propõe a ser ferramenta de verdade para a tomada de decisões, aonde se inclui a arte, totalmente inofensiva para a sociedade;
  • A verdade não científica que se propõe a ser ferramenta de verdade para a tomada de decisões, aonde se inclui as correntes científicas metafísicas, as religiões (principalmente as que têm pretensões políticas) e as utopias, altamente perigosa para a sociedade.

 

 

Muito se fala sobre a produção da verdade, mas é preciso ver que a verdade é uma interação permanente com a realidade.

E a realidade é algo vivo, em movimento, através de forças que interagem o tempo todo.

Conhecer a verdade, assim, é basicamente conhecer as forças que estão em movimento na realidade.

Existem cinco instâncias de debate no conhecimento das forças do mais concreto ao mais abstrato.

Instâncias:

  • Operacional – que lida diretamente com o problema, extremamente sensitivo, indutivo, que trabalha com a observação dos sentido, de baixa abstração e lida diretamente com as forças vivas. Precisa de algum tipo de metodologia para atuar. Critério de verificação: resultados práticos diretamente em cima do problema;
  • Metodológica – que lida indiretamente com o problema,  via operacional. Procura trabalhar com o mapa das forças teóricos já definido, prepara sequência de ações para agir diante delas, bem como as melhores ferramentais, capacitação, perfil, método. Nível de abstração e reflexão maior. Precisa de algum tipo de teoria para atuar. Critério de verificação: resultados práticos, através do operacional;
  • Teórica – que lida indiretamente com o problema,  via metodólogos. Procura criar o mapa das forças em movimento, a partir das essências definidas pelos filósofos. Prepara mapa das forças para que os metodólogos possam agir diante delas. Nível de abstração e reflexão maior. Precisa de algum tipo de filosofia para atuar diante da essência das forças. Critério de verificação: qualidade das metodologias criadas, através dos metodólogos, em cima do trabalho dos operacionais, metodólogos;
  • Filosófico epistemológico – que lida indiretamente com o problema,  via teóricos. Procura criar o mapa da essência das forças para que os teóricos possa agir diante delas. Nível de abstração e reflexão maior. Precisa de algum tipo de norte ético para atuar . Critério de verificação: qualidade das teorias criadas, através dos teóricos, em cima do trabalho dos operacionais, metodólogos, teóricos;
  • Filosófico moral – que lida indiretamente com o problema,  via filósofos epistemológicos. Procura criar o motivo e propósito das ações. Nível de abstração e reflexão maior. Critério de verificação: qualidade das filosofias epistemológicas criadas, através dos filósofos epistemológicos.

 

Não existe conhecimento que não tenha consequências práticas, a não ser que se defina claramente que determinadas verdades ou conhecimentos ou produção intelectual não visam a tomada de decisão.

Um poema, por exemplo, não visa nenhuma tomada de decisões, não é mais ou menos eficaz, pois não teremos decisões baseadas neles.

 

Qualquer espécie, sapiens inclusive, usa o cérebro para sobreviver da melhor forma possível.

Conhecer, assim, é algo que está ligado à vida.

Conhecemos para viver, se possível melhor.

Precisamos de verdades melhores para decidir de forma mais eficaz. Existem, assim, verdades melhores e verdades piores, a saber:

  • Verdades melhores – permitem que possamos tomar decisões melhores e mais eficazes;
  • Verdades piores – permitem que possamos tomar decisões piores e menos eficazes. Ou não tomar decisão nenhuma, o que mostra a inutilidade daquela verdade. Ou uma verdade não voltada para a tomada de decisão.

Muitos dirão que verdades melhores e piores são subjetivas e sim são critérios éticos, que sempre nos levarão ao debate sobre a verdade.

Não podemos separar epistemologia pura de ética pura ou vice-versa, sempre haverá critérios éticos quando falamos de verdades. E sempre haverá critérios epistemológicos quando falamos de ética.

A junção é proposital.

Conhecer é uma ferramenta importante para sobrevivência e deve estar cercada de preocupações.

Assim, antes do debate “o que é a verdade” vem antes: “para que a verdade?”.

É um divisor de águas entre correntes filosóficas, antes ética do que epistemológica. A verdade que interessa é aquela que vai servir de base para a decisão das pessoas.

E podemos aferir a qualidade da verdade que as pessoas tomam decisões: baixa ou alta qualidade.

 

Não devem guiar metodologias, ações operacionais, ou mesmo ações políticas.

 

Verdades não passíveis de aferição são de baixa qualidade.

Existem conhecimentos que são feitos para o entretenimento, que não têm a intenção de tomada de decisões.

Existem, entretanto, conhecimentos que são feitos com ferramentas de entretenimento, que não admitem aferição, mas se arvoram no direito de serem conhecimento para a tomada de decisões.

São verdades não aferíveis com pretensão de se tornarem “científicos”. São os mais perigosos, pois estão sugerindo que decisões sejam tomadas a partir deles.

Podemos definir como falsas verdades arrogantes. Que querem ser o que não são.

Existem, por fim, as verdades que procuram lógica e aferição, mas são de baixa qualidade.

Há, sem dúvida, espaço para o conhecimento não aferível.

Mas são outros campos de expressão e não de definição,  o papel da ciência, sobre o qual a filosofia deve ser preocupar.

Conhecer, sem  objetivo funcional, assim, passa a ser  atividade de entretenimento, forma de se passar o tempo.

Não cabe debate lógico, pois são ocupações não-científicas.

A ciência foi feita, e tem um custo social, pasta ajudar as pessoas a viver melhor.

Ao aliar o conhecer como elemento fundamental à procura da vida de melhor qualidade, condicionamos o conhecer necessariamente a propósito e a algum tipo de aferição.

Conhecemos para viver melhor. E o conhecimento ganha norte ético: conhecer visa atuar sobre a realidade.

Dividimos a procura do conhecimento, por questão de ética, e eliminamos as tentativas de verdade sem objetivo prático, que não tem aferição possível.

É como se disséssemos que existem dois espaços: um para debater a verdade verificável e outro para brincar de pensar.

Brincar de pensar não está dentro do espaço da filosofia, mas de tudo que possamos chamar de lazer, de metafísica, de mitos.

No brincar de pensar não é necessário lógica, coerência e aferições.

Assim, nem todo mundo tem a sua verdade, mas o seu passatempo intelectual. É apenas brincadeira intelectual. É opção de quem quer usar seu tempo para divagar.

A procura da verdade necessariamente precisa de aferição.

Pensadores, digamos pragmáticos, defendem a verdade com propósito. Por causa disso, tendem a gerar conhecimentos mais relevantes para a sociedade.

E você pode me perguntar: e a ciência pura? Papo para outro artigo.

Se todo o conhecimento gera uma tomada de decisões.

É possível avalar as consequências daquela tomada de decisão para aferir a qualidade daquele conhecimento.

Assim, todo o conhecimento só é verificado se serve para a tomada de alguma decisão. E, a partir da tomada de decisão, com suas consequências é que se pode aferir a qualidade do conhecimento.

Muitos dirão que existem conhecimentos que não produzem tomadas de decisão imediatas e estarão corretos.

Porém, em algum momento determinado conhecimento seja em que instância estiver dos debates humanos, sempre tenderão a tocar na realidade.

E aí precisamos falar nas instâncias da produção da verdade.

Quando temos concentração de mídia, por tendências, as crenças individuais se tornam mais sólidas e menos líquidas.

Há um diminuição das trocas horizontais e aumento do recebimento de informação vertical.

A mentalidade hegemônica  central da sociedade tenderá a influenciar de forma muito maior as crenças individuais.

Haverá uma padronização maior das crenças e uma redução da capacidade do aumento da diversidades das crenças.

As crenças individuais serão produzidas mais de fora para dentro do que de dentro para fora.

Quando temos a descentralização de mídia, o movimento passa a ser o contrário, inicia-se aumento de trocas horizontais e há maior liberdade para o aumento de crenças de dentro para fora.

Inicia-se um ciclo que vai permitir um novo processo de macro-descentralização do poder, pois as pessoas estão se empoderando de crenças mais autônomas.

Crença é o conjunto de hábitos, pensamentos e sentimentos desenvolvido por cada um para sobreviver.

Crenças são testadas na vida, pois podem ser mais ou menos eficazes, levar a pessoa a taxas maiores ou menores de felicidade.

Há crenças mais ou menos dogmáticas, que negociam com a vida e se adaptam a ela, preservando mais ou menos a taxa de felicidade.

O adjetivo puro significa que há ciência impura. A ciência impura é aquela que está ligada à vida.

A ciência pura estaria bem na tradição grega de deuses do olimpo produzindo conhecimento sem a necessidade de aferição pela vida.

São pessoas que produzem conhecimento, a partir de suas próprias reflexões, sem a necessidade de nenhum tipo de aferição.

A alegação é que esse tipo de “insight” um dia utilizado por alguém, em algum lugar.

Na minha opinião, como temos visto aqui no debate, a ciência tem papel prático na sociedade que é o papel de produzir verdades melhores.

Cada instância da ciência tem o compromisso de entregar verdades melhores para a instância logo abaixo, como vemos nesse mapa.

Assim, não temos ciência pura, mas reflexões e abstrações científicas em determinado nível, que precisa entregar algo na instância logo abaixo.

O que chamamos de “ciência pura” entra muitas vezes no que estou chamando de instâncias filosóficas ou teóricas, extremamente práticas para o avanço da qualidade das verdades.

Antes de se perguntar o que é o conhecimento. E o que é o conhecimento mais verdadeiro, podemos nos perguntar “por que conhecemos?”.

Vejo debates filosóficos infindáveis sem propósito. 

As pessoas, no fundo, sobrevivem, ganham salários, muitas vezes do estado, pagas por nós, para criar falsas questões.

Existe necessariamente um encadeamento entre algumas questões:

Quem somos? (existencial)

Para que vivemos? (Ética)

Por que conhecemos? (Pré-epistemológica)

Como devemos criar verdades? (Epistemológica)

Quando falamos sobre a última, debates sobre a verdade, algum tipo de resposta foi dada às outras.

É talvez a ordem dos fatores que altera o produto: o debate existencial, ético e pré-epistemológico do conhecimento vem, assim, antes do da própria epistemologia.

A epistemologia não pode, assim, ganhar vida própria é uma estação de trem para a qual precisamos NECESSARIAMENTE passar por outras estações.

Qualquer espécie, sapiens incluso, usa o cérebro para sobreviver da melhor forma possível.

Conhecer, assim, é algo que está ligado à vida. Conhecemos para viver, se possível melhor. Precisamos de verdades melhores para decidir de forma mais eficaz.

Conhecer é uma ferramenta importante para sobrevivência e deve estar cercada de preocupações.

Assim, antes do debate “o que é a verdade” vem antes: “para que a verdade?”.

É um divisor de águas entre correntes filosóficas, antes ética do que epistemológica.

Podemos separar, assim, conhecimento de entretenimento intelectual. E na filosofia o debate sobre epistemologia nunca ser feito sem antes dos outros. 

Se conhecemos por conhecer, o critério de aferição de verdade está longe da preocupação de produzir verdades que exigem a melhor lógica e aferição possível.

São conhecimentos não-científicos, pois não permitem aferição. São digressões válidas para um conjunto de demandas não científicas na sociedade.

Que devem ficar restritas a determinadas atividades e não a outras.

Nestes casos, o conhecimento ficará mais próximo das artes, dos passatempos, do lazer, pois são verdades mitológicas, religiosas, dogmáticas.

Não devem guiar metodologias, ações operacionais, ou mesmo ações políticas.

São verdades sem lógica passíveis de aferição.

Há, sem dúvida, espaço para o conhecimento não prático.
Mas são outros campos de expressão e não de definição,  o papel da ciência, sobre o qual a filosofia deve ser preocupar.

Conhecer, sem  objetivo funcional, assim, passa a ser  atividade de entretenimento, forma de se passar o tempo.

Não cabe debate lógico, pois são ocupações não-científicas.

A ciência foi feita, e tem um custo social, pasta ajudar as pessoas a viver melhor.

Ao aliar o conhecer como elemento fundamental à procura da vida de melhor qualidade, condicionamos o conhecer necessariamente a propósito e a algum tipo de aferição.

Conhecemos para viver melhor. E o conhecimento ganha norte ético: conhecer visa atuar sobre a realidade.

Dividimos a procura do conhecimento, por questão de ética, e eliminamos as tentativas de verdade sem objetivo prático, que não tem aferição possível.

É como se disséssemos que existem dois espaços: um para debater a verdade verificável e outro para brincar de pensar.

Brincar de pensar não está dentro do espaço da filosofia, mas de tudo que possamos chamar de lazer, de metafísica, de mitos.

No brincar de pensar não é necessário lógica, coerência e aferições. 

Assim, nem todo mundo tem a sua verdade, mas o seu passatempo intelectual. É apenas brincadeira intelectual. É opção de quem quer usar seu tempo para divagar.

A procura da verdade necessariamente precisa de aferição.

Pensadores, digamos pragmáticos, defendem a verdade com propósito. Por causa disso, tendem a gerar conhecimentos mais relevantes para a sociedade.

E você pode me perguntar: e a ciência pura? Papo para outro artigo.

O novo cenário não é complicado. 

É diferente.

Vai contra algumas certezas dos livros escolares que tínhamos sobre o ser humano, como a história se move e o papel que exercem as tecnologias e a demografia.

E as rupturas necessárias que temos que fazer na forma como nos organizamos, quando vamos aumentando a complexidade.

Depois que se explica e se entende, a lógica se torna mais fácil.

O problema, assim, não é propriamente de entender o novo, mas a capacidade que temos de superar o conhecido.

Cada pessoa tem determinado perfil e capacidade afetiva-cognitiva para lidar com mudanças mais radicais de percepção.

Além disso, a forma como sobrevivemos determina muito nossos hábitos e estes estabelecem nossa maneira de pensar.

Hoje, temos que revisar conceitos estruturantes. Tais mudanças deveriam vir do centro, das organizações tradicionais de criação e difusão do conhecimento, para as pontas.

Mas isso não será assim, pois organizações de conhecimento são criadas dentro de determinado modelo e vivem da produção incremental de conhecimento.

O disruptivo tem que vir, necessariamente, de fora.

 

O papel de um cenarista é reduzir a imprevisibilidade do futuro.
Analisando, inicialmente, o que é mais previsível para começar a fazer os cálculos de futuro.kkk Juh

Podemos dizer que em qualqjuer futuro teremos cada sapiens comendo, bebendo, indo ao banheiro, etc e tal todos os dias.

Isso é previsível?

Se não houver mudanças genéticas, sim.

Isso é a base de todos os cenários, pois demandas geram ofertas. Ofertas criam a necessidade de organizações.

Assim, teremos mercado de trocas.

O que é preciso analisar, assim, é o que muda nos mercados.

Quais são os fatores que não são fixos.

Podemos dizer que organizações e consumidores mudam no tempo.

E quais são os fatores que alteram o mercado, tanto organizações como consumidores?

No macro-cenário, podemos apontar dois bem negligenciados e com forte impacto: demografia e dessacralização de mídia.

A demografia aumenta à complexidade das demandas, o que obriga a sofisticação das ofertas.

Organizações precisam crescer, inovar, mudar.Descentralização de mídia altera o amadurecimento afetivo-cognitivo do conumidor, aumenta a demanda por personalização, o que gera ainda mais impacto na complexidade.

Além disso, novas mídias permitem o surgimento de novas formas administrativas, criando espaço para novas organizações outsiders.

Não existe, assim

A crise do Instagram

A base da administração 3.0 é a reputação digital, através de conjunto grande de indicadores.

É a reputação digital que permite o Uber “matar” os gerentes, ganhar escala e ser exponencial.

Passageiros e motoristas se auto-fiscalizam pelo mérito de cada um em ser útil e não hostil à comunidade.

O objetivo da reputação digital é ter gente que tem problema, apontando melhores soluções, via cliques. 

Há espaço para robotizar muita coisa, menos o epicentro da nova administração: os índices dos méritos de cada elemento (pessoa ou coisa) dentro da plataforma.

Se robôs passam a aumentar, sem critério, como o Instagram tem permitido, está deixando proliferar falsas reputações.

Está tirando daquela comunidade de consumo a capacidade de separar o joio do trigo.

Quem é mais seguido não é necessariamente melhor, é alguém que usa mais robôs.

Quanto mais permite o uso de robôs para gerar os índices da reputação, mais chance tem o joio de se fingir de trigo.

É como se o índice da inflação fosse manipulado. 

São falsos índices que levam à tomada de decisão equivocada.

Índices são criados para que melhores decisões sejam tomadas. 

Índices 3.0 aferem o mérito das pessoas. 

Uma plataforma desse tipo cria a falsa meritocracia.

É um desvio perigoso que tira do mundo 3.0 o que tem de melhor.

Aos poucos, tal plataforma de tornará vazia de qualidade. 

Se não mudar rápido, verá concorrente, que não manipule os índices, tomar seu lugar.

Já estou lá agora, mas de curiosidade. 

Do ponto de vista do meu conteúdo, vou procurar outra plataforma que não permita esse tipo de manipulação.

Aceito sugestões.

 

A crise do fosso acadêmico se explica pelo desempoderamento de mídia.

Organizações precisaram lidar com aumento de complexidade demográfica e, aos poucos, aumentaram, por necessidade, a verticalização da hierarquia.

Reduziram a capacidade de dialogar com a sociedade. E passaram de solução a problema.

O cidadão não é mais cliente da produção científica.

O pesquisador acadêmico estatal brasileiro faz, na maior parte das vezes, da sua curiosidade o seu cliente bancada pelo cidadão.

No fundo, é uma espécie de mesada de papai e mamãe para que o filhinho, que não saiu de casa, se distraia com o que gosta sem nenhum tipo de retorno para quem o financia.

Quando temos organizações acadêmicas distantes dos problemas da sociedade, podemos dizer que se abriu um fosso.

Organizações acadêmicas foram criadas para gerar verdades mais sofisticadas, a partir de problemas.

Com o tempo, principalmente no Brasil, problemas da sociedade deram lugar a problemas acadêmicos.

Foram criados falsos problemas, sobre os quais se dedicam longo tempo.

É falsa verdade, pois são falsos problemas.

A verdade 3.0

Verdades são influenciadas pelas tecnologias cognitivas.

Ninguém produz verdade sem tecnologia. E a característica das tecnologias cognitivas influenciam a forma de se produzir verdades.

Quando temos tecnologias cognitivas mais centralizadoras, temos a tendência de maior padronização das verdades e vice-versa.

Vivemos, com a chegada do digital, nova etapa da produção de verdades de forma mais aberta, descentralizada e distribuída.

Se verdades são construídas em torno de problemas.

Refletir sobre problemas é refletir sobre verdades.

Quando determinada solução para um problema se mostra ineficaz, se abre o campo da reflexão em diferentes camadas.

Quanto mais a solução se torna ineficaz, mais tempo demandará de reflexão.

Existem camadas de reflexão sobre os problemas:

Operacionais – mais concretas e incrementais;

Metodológicas – com nível de abstração maior, mais ainda incremental;

Teóricas – muito mais abstrata, beirando o disruptivo;

Filosóficas – totalmente abstrata e disruptiva.

São camadas que são demandadas em função dos desafios colocados pelos problemas.

Podemos dizer que existem problemas e que verdades serão construídas em torno deles.

Verdades que ajudam pessoas a resolver determinado problema serão consideradas as “melhores” verdades.

O Sapiens não procura “a verdade”, mas verdades melhores para o problema que quer resolver.

Verdades que não estão alinhadas a problemas não são verdades, mas digressões.  

Não são mentiras, mas outro campo humano ligado ao passatempo, como palavras cruzadas. 

A procura da verdade para solucionar problemas é exercício diário de todos  seres vivos, incluindo o Sapiens.

O Sapiens, assim, não chegará nunca à verdade absoluta, pois cada ser vivo tem a sua, a partir dos problemas postos. 

Problemas são históricos, assim como as verdades.

Cada ser humano, assim, tem seus respectivos problemas e o que considera as melhores verdades.

Porém, existem verdades, consideradas melhores, que não ajudam a resolver determinados problemas de forma mais eficaz.

Nem toda forma de resolver determinado problema é a mais eficaz. 

Podem existir aquelas que com esforço menor gerem melhor resultados.

A procura da verdade é a eterna busca pela melhor forma de resolver problemas.

A crise da curadoria
Mal começou a andar e a Curadoria já está em crise.  

Vemos isso no Uber e no Instagram ao não levarem a sério a reputação digital.

Tenho dito que mudanças de mídia provocam mudanças de hábito, mas não mudam mentalidades.

Mudanças de mentalidade precisam de revisões filosóficas, muita reflexão e de  reeducação continuada dentro de nova mentalidade, mais adaptada ao novo ambiente.

Temos tido mudanças de hábito em abundância, apenas isso, mas não de mentalidade.

O tema será debatido, entre outros, no curso online de agosto e setembro, que estou promovendo.

Mais detalhes aqui e inscrições aqui: mundo30.nepo.com.br

Você que é cliente antigo pode estar estranhando.

O blog agora é uma parte da empresa Nepomuceno – Empreendedorismo, Inovação & Futuro.

Separei a parte comercial da produção de conteúdo.

Poderá entrar no novo site nepo.com.br para conhecer.

O blog continua vivo e igual.

É o meu espaço para colocar as últimas reflexões.

A ciência atual é filha da escrita.

A 3.0 será da linguagem dos cliques.

A ciência atual, para lidar com a complexidade, se fechou nela mesma.

Vive também o corporativismo tóxico como as demais organizações tradicionais.

É mudança macro-histórica de modelo.

O conceito de qualidade se altera. Não teremos mais apenas a validação pelos pares. Por poucos pares.

Mas pelos pares e pelos ímpares que sofrem problemas e querem soluções.

A crise é aguda.

E a mudança, vai demorar, mas será radical.

Futurologia equivocada: o erro estratégico grosseiro que estamos cometendo!

O futuro pode ser incremental ou disruptivo. Quando hiper-forças entram em movimento, ele se torna disruptivo.

Hiper-forças são ecológicas, tecnológicas e demográficas.

Nossa maneira de pensar o futuro é sempre incremental.

O ser humano vive na micro-história.

Hiper-forças são movimentos macro-históricos.

As ferramentas de análise de futuro, assim, variam conforme o contexto.

Quando hiper-forças estão passivas as ferramentas de análise de futuro incrementais funcionam.

São elas: pesquisa dentro da mesma mentalidade e paradigma, análise micro-histórica e revisões operacionais e metodológicas.

Quando hiper-forças estão ativas as ferramentas de análise de futuro incrementais não funcionam. É preciso das disruptivas.

 São elas: pesquisa dentro de nova mentalidade e paradigma, análise macro-histórica e revisões teóricas e filosóficas.

O uso de ferramentas inadequadas de previsão de futuro é o principal fator de crise estratégica das organizações.

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