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Inovação é prática que pode dar prêmio de organização inovadora na sexta e obrigá-la a fechar às portas na segunda.

Inovar é mudar forma de agir e pensar de determinado ponto a outro.

Não significa que é melhor e nem pior em si, pois precisa de referência externa. Não existe, portanto, inovação no vazio.

Alguém inova com determinado objetivo.

Ninguém inova por inovar, mas para ficar mais competitivo diante dos diferentes desafios do mercado.

É preciso, assim, introduzir a inovação com foco, ou  Inovação Inteligente, que tem como referência a competitividade.

As organizações e pessoas procuram inovar para aumentar a respectiva taxa de competitividade no mercado.

Precisam, assim, ter foco bem definido.

Inovação sem foco é o que podemos chamar de burrice competitiva ou burrice inovadora.

Sugere-se criar áreas de Inteligência Competitiva, que deve coordenar projetos de inovação.

O rabo (inovação) não pode definir os rumos do cachorro (competitividade). Tem que ser exatamente o contrário.

Organizações não nascem para serem inovadoras, mas competitivas. Se precisam ser inovadoras, não podem perder, de maneira nenhuma, o foco da competitividade.

É preciso ter inteligência na inovação. E é isso que estamos precisando: sair da alta taxa de burrice inovadora.

Muita gente tem acreditado que inovação é uma espécie de macumba. Basta fazer despacho que o problema competitividade é resolvido.

É preciso, entretanto, colocar charutos, galinha e garrafas de champanhe na encruzilhada com o mínimo de Inteligência Competitiva.

É isso,que dizes?

Teorias são ferramentas de diagnóstico.

Permitem analisar cenário para que organizações e pessoas possam tomar decisões estratégicas/competitivas com mais eficácia.

Teorias procuram mapear o embate entre forças ativas da sociedade/ mercado e apontar prováveis desdobramentos, através de cenários mais consistentes.

São, portanto, em futuro disruptivo, fundamentais para criar estratégias e metodologias eficazes. melhorando taxa de competitividade.

Digo mais:

  • Em cenário incremental, com forças conhecidas, teorias perdem valor;
  • Em cenário disruptivo, quando lidamos com forças desconhecidas, é o contrário: forças precisam ser reanalisadas.

Organizações tradicionais, de maneira geral, estão hoje viciadas em cenário incremental.

Não consideram teorias como algo que gere valor competitivo.

Acabam por consumir diagnósticos ilógicos e de baixa qualidade, feitos para aquilo que se quer e não para o que se deve ouvir.

Acabam decidindo o presente e futuro baseado muito mais pelos apelos do marketing do que da lógica.

Reduzem, assim, gradualmente, taxa de competitividade, pois baseiam decisões em cenários pouco consistentes.

Teorias não podem, portanto, ser feitas para agradar clientes, mas, principalmente, para alertá-los sobre riscos e oportunidades.

Teorias são, assim, espécie de exame clínico pré-operatório.

Não se pode alterá-lo para que o paciente se sinta momentâneamente feliz.

As consequências competitivas podem ser , como estão sendo para muitos, trágicas.

O Sapiens é a única espécie social, de grande porte, que cresce demograficamente neste nosso planeta. Vivemos, assim, sob a égide da Complexidade Demográfica Progressiva.

Sob este ponto de vista, podemos dividir a Macro-História em Eras Civilizacionais.

Tais Eras permitem que possamos crescer demograficamente, mas tudo isso tem um preço.

Seremos obrigados a promover constantes mudanças, anote:

  • de mídia;
  • de modelos administrativos-produtivos;
  • e respectivas mentalidades.

É preciso entender, assim, que novas Eras Civilizacionais exigem compatibilidade entre: Patamar de Complexidade Demográfico, o Ambiente Midiático, o Modelo Administrativo-Produtivo com respectiva Macro-Mentalidade.

Novas Eras Civilizacionais –  como estamos implantando agora –  exigem surgimento de novas Macro-Mentalidades!

Vou repetir:

Novas Eras Civilizacionais exigem surgimento de novas Macro-Mentalidades!

Nosso problema hoje é: estamos em processo acelerado de mudança de mídia, porém, há gap, praticamente invisível, entre a antiga e a nova Macro-Mentalidade.

Estamos tendo que fazer a manutenção do avião, enquanto está voando, em plena tempestade, sem tempo de capacitar o piloto!

O ritmo frenético de mudanças nos faz querer abraçar, com todo entusiasmo, a nova civilização, porém, com velhas formas de pensar e agir.

Podemos, assim, dizer que:

O mundo digital nos permite virar esplendorosa borboleta, mas nossa velha mentalidade fica, obsessivamente, imaginando formas de colocar a antiga e obsoleta lagarta para voar.

É isso, que dizes?

Em áudio:
https://youtu.be/CQG2z7P7L1U

Vivemos fim de Era Civilizacional e o início de nova.

O diagnóstico é o seguinte:

Perdemos capacidade de atender qualidade na quantidade, pois aumentamos em muito a complexidade demográfica das demandas, com modelo administrativo, que foi, aos poucos, ficando obsoleto. 

Temos os seguintes macro-problemas a serem superados:

  • Concentração de poder em poucas organizações, que dominavam/dominam o mercado;
  • Massificação da oferta e demanda, com baixa diversidade;
  • E redução da participação do cidadão/consumidor na criação de produtos/serviços e nos rumos da sociedade.

Vivemos fenômeno que podemos chamar de Macro-Corporativismo Tóxico, que se caracteriza pelo rabo (organizações), que passaram a balançar o cachorro (cidadão/consumidor) e não o contrário.

As organizações de plantão estão intoxicadas pelos próprios interesses, com baixa capacidade de serem fiscalizadas de baixo para cima e de fora para dentro.

Não estão mais servindo a sociedade, mais se servindo dela.

É exatamente quando precisamos olhar a Macro-História do alto, que nos encontramos no fundo do poço, intoxicados de Hiper-Micro-História.

Vivemos, assim, dois pólos opostos:

  • os que se agarram ao velho modelo;
  • e os que querem implantar o novo.

A Curadoria, modelo administrativo baseado no aparato Digital, promove qualidade na quantidade, com melhoria radical da relação custo/benefício.

Por causa disso, tem ganho adesão do cidadão/consumidor, o mais interessado nas atuais mudanças em curso. O desafio, que temos, portanto, é conseguir superar a Mentalidade 2.0.

O esforço está muito além de tecnologias, metodologias, teorias, mas atacar de frente à Macro-Mentalidade obsoleta.

A Macro-Crise é grande, e, por isso o esforço para superá-la tem que ser ainda maior!

É isso, que dizes?

Em áudio:

https://youtu.be/GTAKxRSCSvY

Quando temos o final de determinada Era Civilizacional (aumento demográfico + concentração de mídias), as organizações passam a ter cada vez mais poder sobre a sociedade e priorizam cada vez mais seus próprios interesses.

O rabo (que deveria servir) passa a balançar o cachorro (que deveria ser servido).

 

Estruturou-se, a partir da Escola Canadense, um campo de estudo que podemos chamar de Antropologia Cognitiva, que tem como problema as causas e consequências das mudanças de mídia na Macro-História.

Neste campo, a partir deste problema, podemos perceber que mudanças de mídia na Macro-História tem impacto tão forte e primordial na sociedade que estruturam Eras.

São Eras determinada por três fatores:

  • A demografia – que define o patamar de complexidade, gerando demandas e problemas cada vez mais complexos;
  • As mídias – que intermediam trocas humanas de todos os tipos;
  • A administração – que precisa atender demandas cada vez mais complexas, com as melhores mídias disponíveis.

As Macro-Eras históricas são, assim, marcadas por alterações nestes três fatores.

Vivemos hoje Macro-Crise de mentalidades, provocada pela massificação de nova Era Demográfica-Midiática-Administrativa, que estamos chamando no popular Era Digital.

A forma hegemônica atual de pensar e agir para solução de problemas é baseada na Era Demográfica-Midiática-Administrativa anterior, que podemos chamar de Oral-Escrita.

Tivemos Patamar de Complexidade Demográfico, que foi crescendo com o tempo e saltou de um para sete bilhões de Sapiens, que esbarrou nos limites das linguagens existentes (oral e escrita) e nas fronteiras da Gestão, modelo administrativo existente.

Tudo isso estruturou o que podemos chamar de Macro-Mentalidade Oral e Escrita, ou Mentalidade 2.0.

A forma de resolver problemas humanos foi toda estruturada para um modelo, que ficou obsoleto. A Macro-crise vem pela incapacidade de compreender os novos paradigmas em curto espaço de tempo.

 

 

Macro-mentalidade é uma forma de pensar o mundo, a partir da conjuntura Demográfica-midiática-administrativa vigente.

Tal conjuntura estrutura uma forma de pensar e agir sobre problemas, o DNA das mentalidades de plantão.

Quando vivemos Revoluções Civilizacionais, iniciamos novo processo de Macro-Reintemediação de passagem da antiga para a nova Macro-Mentalidade.

No passado, tais passagens eram mais lentas e hoje são muito mais rápidas, exigindo enorme esforço para que seja feita da melhor forma possível.

As pessoas nem tiveram tempo de entender a Uberização e lá vem o Blockchain.

Se não entendermos o por que estamos mudando (sugiro o método Philosophy Thinking) será muito difícil saber o que fazer diante de mudanças cada vez mais rápidas e disruptivas.

O grande motivador da inovação acelerada neste novo milênio, saiba bem, é, sem dúvida, o aumento da complexidade demográfica de um para sete bilhões de Sapiens em apenas 200 anos.

Tal explosão demográfica, tornou a gestão obsoleta.

É regra simples da Social-Matemática:

Quando aumentamos a Complexidade Demográfica, será preciso sofisticar modelos administrativos. Ponto.

Estamos, portanto, matando Gestores e colocando Curadores no lugar. É o que vemos na Curadoria em duas modalidades:

  • A Centralizada – (modelo Uber) permite a atualização e controle constante em plataformas centralizadas;
  • E a Curadoria Distribuída – (modelo Bitcoin) NÃO permite a atualização constante, pois a plataforma é distribuída, o centro define regras apenas no início e depois se modifica com migração para outro ecosistema.

Cada uma vem atender a diferente tipos de problemas, ambas, entretanto, não se utilizam mais de antigos gestores.

Não é à toa, que tais modelos têm recebido cada vez mais adesão dos clientes, pois resolvem, a baixo custo, demandas que estavam na rua sem saída da Gestão: ou por incapacidade administrativa ou pelo alto custo.

A gestão, assim, foi feita para determinado nível de complexidade e tem, como disse aqui neste canal, limitação para inovar neste atual patamar de complexidade demográfica.

Vivemos, assim, neste novo milênio, a maior ruptura organizacional, desde que criamos a sociedade moderna. Infelizmente, ainda não estamos levando isso totalmente a sério como deveríamos.

Tem muita gente que era locomotiva num determinado mercado e hoje é cada vez mais vagão.

É isso, que dizes?

Em áudio:
https://youtu.be/Iv0D_2l4kEA

Estamos tão envolvidos em mudanças, que fica difícil separar o joio incremental do trigo disruptivo.

São tantas novas tecnologias, empresas, conceitos, modismos que as pessoas tem ficado meio tontas,  sem conseguir definir ordem de prioridades.

Uma boa maneira de avaliar o que é mais ou menos disruptivo é a estranheza que provoca nas mentalidades vigentes.

Quanto mais susto causar, mais disruptivo é.

E quanto mais se massificar, mais será necessário migrar mentalidade antiga para nova.

Abrir bicicleta com aplicativo de celular, por exemplo, é uma grande invenção, mas não causa  impacto na mentalidade.O ciclista, simplesmente substitui chave por aplicativo: upgrade incremental.

Bem diferente do Uber para uma cooperativa de táxi. Ou Netflix para locadora de vídeo.

Existe ali novo modelo administrativo de processos e pessoas. Sai gestor – controlador de qualidade – e entra Curador, articulador de relações de consumo.

É o que vemos também no Mercado Livre, no Google ou no Youtube.

A chegada da Curadoria – novo modelo administrativo – permite lidar melhor com o atual Patamar de Complexidade Demográfica e, por causa disso, se massifica velozmente, pois atende demanda latente do consumidor.

A garantia de qualidade dos produtos e serviços é transferida para as pontas, em processo de auto-gerenciamento – algo inusitado para o administrador tradicional.

Está havendo, lentamente, sem percebermos, mudança no DNA administrativo do Sapiens, que terá forte impacto não só nos negócios, mas também na política, na educação e na cultura de maneira geral.

É preciso, portanto, capacitação especial para promover a passagem da Mentalidade 2.0 para a 3.0, a meu ver,  o grande desafio do novo milênio.

É isso, que dizes?

Em áudio:

https://youtu.be/okRe2oymedM

Taxa de Competitividade é capacidade que cada organização tem de sobreviver no mercado.

Uma organização compete primeiro com ela, com seu passado, pelo cliente e com outra que oferece produto ou serviço similar.

A competição não é estática, tem taxas, que precisam ser medidas. Vejamos:

  • Está, em termos comparativos, com mais, ou menos capacidade de atender clientes?
  • Tem conseguido ganhar ou perdê-los?
  • Aumentou ou reduziu despesa/ receita?
  • Está ganhando ou perdendo mercados?
  • Por fim, o que precisa ser feito para melhorar tal taxa?

 

Curadoria é um novo modelo de administração mais sofisticado do que a Gestão.

A Curadoria se utiliza do novo ambiente midiático (linguagem dos cliques, reputação digital, inteligência artificial, internet, equipamentos digitais, sensores) para permitir nova forma de solução de problemas.

A Curadoria é baseada em Plataformas Digitais Participativas, nas quais a produção de produtos e serviços não é mais feita por um centro, mas pelas pontas.

Há determinadas regras estabelecidas para o ambiente de negócios que todos seguem e são permanentemente fiscalizados mutuamente pelos participantes (consumidor-fornecedor).

O Curador, diferente do gestor, não é responsável pela qualidade dos produtos e serviços, mas pelo ambiente das trocas feitas dentro da plataforma.

Há liberdade criativa para cada membro utilizar de formas diferentes a plataforma, o que permite aumento da taxa de inovação.

Na minha análise, a Curadoria passará a ser, gradualmente, o modelo de administração hegemônico do Sapiens, com tendência a ser cada vez mais descentralizada e distribuída, já com a chegada, cada vez mais rápida, do Blockchain.

Muita gente fala em inovação, mas é preciso ter um pouco de Philosophy Thinking  (Pensamento Filosófico) para debater o assunto.

Se olharmos a macro-história, veremos que os modelos de administração são mutantes. Variam conforme tamanho da população e  massificação de novas mídias descentralizadoras.

Todas as mudanças que assistimos neste novo milênio são tentativas de respostas à explosão demográfica dos últimos 200 anos, quando pulamos de um para sete bilhões de Sapiens.

Há demanda inovadora por parte dos clientes, cada vez mais maduros, exigentes e digitais, que pedem soluções para novos e velhos problemas.

As soluções inovadoras –  basta analisar com pouco mais de cuidado – são feitas em modelo que não é mais compatível com a Gestão.

A Gestão, pode chorar à vontade, entrou em processo de obsolescência!

Modelos de administração, saibam bem, são conjunturais. Variam conforme conjuntura demográfica-midiática.

Podemos dizer, assim, que a administração é eterna, mas a Gestão tem data de validade.

É filha do ambiente midiático, que demanda necessidade de gestor, de carne e osso, que decodifica códigos orais e escritos para tomada de decisão.

Funcionou muito bem para determinado patamar de complexidade demográfica, com mídias concentradas, mas num ambiente de mídias distribuídas e surgimento de novo modelo administrativo, a Gestão entra em profunda crise – perde competitividade.

Por mais que determinada organização, baseada na gestão, queira inovar, não conseguirá aumentar a taxa de inovação. Há um limite.

A taxa só será superada quando implantar a Curadoria, novo modelo de administração.

Por quê?

A Curadoria, adotada pelo Uber, Facebook, Youtube, Netflix, Airbnb, etc, passa do modelo de criação de produtos e serviços centralizado para descentralizado ou distribuído.

Cria-se plataforma em que se estabelece regras gerais e as pontas têm liberdade para desenvolver projetos.

Conta, assim, com explosão de capacidade inovadora de cada membro. Os membros não precisam mais pedir autorização a determinado centro. Tal modelo aberto e descentralizado consegue, em muito, superar a Taxa de Inovação da antiga Gestão.

Organizações que adotam, estão adotando, ou adotaram, o novo modelo passam a liderar respectivos mercados.

Um projeto de Inteligência Competitiva, em qualquer setor, precisa estar atento para esta macro-mudança provocada pela Revolução Digital.

Pode estar gastando muito com inovação, mas, ao mesmo tempo, reduzindo a taxa de competitividade.

É isso que dizes?

Em áudio:

https://youtu.be/r4Lb54I0ln0

 

 

Philosophy Thinking é método para aumentar a taxa de competitividade da organização.

O método pretende, antes de se perguntar o que tem que ser feito diante do digital, responder o por que tem que ser feito?

Procurar entender a Revolução Digital, a partir de análise histórica para compreender as causas e consequências da atual mudança.

A partir de determinado diagnóstico, com definição de macrotendências, iniciar processo de Transformação Digital.

O PHT parte do diagnóstico que temos ruptura administrativa hoje da Gestão (modelo administrativo hegemônico) para a Curadoria (novo modelo).

A mentalidade organizacional hoje é estruturada na forma de pensar da gestão e precisa se preparar para o novo modelo.

O PHT é método baseado em palestras, workshops e está estruturado, a partir do livro “Administração 3.0: por que e como uberizar uma organização tradicional”, do doutor em ciência da informação e profissional de inteligência competitiva, Carlos Nepomuceno.

 

Taxa de inovação é a capacidade que determinada organização tem de recriar a forma de pensar-agir.

Existem algumas variantes:

  • o perfil psicológico-temperamento dos membros da organização, principalmente das autoridades e líderes;
  • os métodos inovadores adotados, diante do ambiente externo;
  • o ambiente setorial em que está inserido, com respectivo mercado (produto/serviço/clientes);
  • o ambiente de negócios que está inserido (cidade/estado/país/continente), onde se inclui fatores sociais, políticos e econômicos;
  • E a conjuntura midiático-demográfica no viés de centralização ou descentralização, início, meio ou fim de era cognitiva.

Tudo isso definirá a capacidade de medir a taxa de inovação.

Inteligência Competitiva é campo de atuação bem objetivo e apresenta resultados concretos – baseado em dados.

O profissional de Inteligência Competitiva deve possuir facilidade para conectar conhecimentos distintos para produzir a síntese de um cenário.

Como o cenário definido, sugerir um conjunto de ações para reduzir riscos e aumentar oportunidades.

Hoje, temos uma ruptura no mercado que faz com que haja uma crise deste profissional, pois as mudanças são macros-estratégicas e geralmente a formação que foi feita é para a micro-estratégia.

Sugiro adotar o método do Philosophy Thinking para um upgrade.

 

 

Estive ontem no SAP fórum, convidado gentilmente pela empresa como Influenciador Digital.

Muito se fala de futuro neste tipo de evento, mas a maior parte das organizações que está ali tende a se agarrar radicalmente ao passado.

Racionalmente, todo mundo sabe que é preciso mudar, bate palma, mas emocionalmente…adia o problema sempre para a semana seguinte!

Ao se conversar com muitas pessoas ao longo do evento e pelas perguntas feitas nas palestras, observamos profunda crise de mentalidade.

  • Temos hoje  mentalidade repetidora, que precisa migrar para inovadora;
  • Cadeia de comando vertical, que migra para horizontal.
  • E decisões centralizadas que devem passar à distribuídas.

Vivemos hoje algo muito disruptivo em velocidade acelerada.

É, sem dúvida, a maior ruptura organizacional já vista, desde que começamos a brincar de sociedade moderna.

Podemos diagnosticar o fenômeno da seguinte forma:

Passagem disruptiva e acelerada em mentalidade profunda, que precisa se alterar em curto espaço de tempo para manter empresas competitivas.

Apesar disso, o esforço tem sido muito mais em tecnologia do que em psicologia.

O que fazer?

Sugiro apelar para uma velha amiga do Sapiens: a filosofia.

Filosofia adora e tem experiência em crises de mentalidade.

Quando meus alunos e clientes passam a entender o por quê da mudança e que ela é irreversível, a resistência, acreditem, fica muito menor.

Vou chamar tal abordagem, para brincar com Design Thinking, de “Philosophy Thinking”, ou no português, a prática do Pensamento Filosófico, que pretende ser atividade a mais para ajudar a superar a atual crise das mentalidades.

O  Philosophy Thinking visa não se perder das questões centrais::

  • Por que estamos mudando tanto de forma tão rápida?
  • Quais são as macrotendências, a partir de fenômenos similares do passado?
  • O que precisamos superar, de fato, na atual mentalidade?
  • Qual a melhor forma de fazer isso?

Acredito ser método mais rápido, barato e eficaz para promover upgrade: primeiro na forma de pensar e, só então, na de agir, reduzindo resistências.

Não se iluda, portanto:

  • Não haverá transformação digital conduzida por mentalidade analógica;
  • E não vamos superar crises de mentalidade sem doses cavalares de pensamento filosófico, pelo menos, três vezes ao dia.

É isso, que dizes?

Este texto em áudio:
https://youtu.be/CEvpLQhLiLo

O objetivo aqui é descrever meu novo serviço de Curadoria Estratégica na área de aprendizado.

Visa debater o futuro do aprendizado no país para milênio mais povoado, globalizado, digital, complexo e inovador.

Vejamos.

Curadoria é a atividade de coordenar debate sobre determinado problema.

É ação que visa incentivar alterações de mentalidade de determinado ponto a outro.

A curadoria procura estabelecer respostas na forma de pensar e agir, a partir de determinada demanda evidente e emergente da sociedade.

Bem como, respectivo diagnóstico e tendências prováveis, procurando, assim, não ser totalmente neutra, nem, entretanto, dogmática.

O Brasil, é evidente, tem déficit educacional grave e agudo, que limita o desenvolvimento.

O diagnóstico que temos é o seguinte:

– aumentamos a população em sete vezes em 100 anos;

– o modelo quantidade x qualidade/ quantidade/qualidade atual ficou obsoleto diante do novo patamar de complexidade demográfica;

O atual modelo de aprendizagem fortemente, baseado em:

– oralidade presencial;

– livros didáticos e currículos centralizados;

– assuntos em disciplinas compartimentadas;

– transmissão vertical por autoridade;

– para certificação;

– para mercado trabalho estático;

– para memorização e repetição;

– via financiamento indireto, através de escolas estatais caras e centralizadas.

Precisa ser recriado, a partir das novas possibilidades filosóficas, teóricas, metodológicas e tecnológicas mais compatíveis com o mundo digital.

É preciso amplo debate sobre novas tendências:

– aprendizado por problema;

– a distância;

– horizontal;

– para mercado de trabalho inovador e empreendedor, baseado na criatividade;

– descentralizada.

O objetivo é criar novo conceito e prática da qualidade na quantidade e vice-versa.

A curadoria será feita através de:

– pesquisa de campo (com pensadores relevantes, práticas inovadoras e bloqueios afetivos-cognitivos da atual mentalidade diante das novidades);

– palestras e cursos;

– geração de conteúdo (áudios, vídeos textos, incluindo ebooks e livros).

O foco do trabalho será o de criar saídas sob medida para o Brasil, com respectiva conjuntura de exclusão social, demográfica, cultural e territorial.

Terá como curador Carlos Nepomuceno, profissional de inteligência competitiva, jornalista, influenciador digital há mais de 20 anos, doutor em Ciência da Informação, com vários livros publicados e mais de 500 clientes atendidos.

Os clientes, apoiadores, doadores serão aqueles que querem pensar e agir sobre o tema com mais eficácia.

Garantir qualidade na quantidade é o principal desafio do Brasil para educação neste novo milênio.

Muita gente fala em melhorar a educação no país, mas guarda mentalidade antiga, com dois paradigmas  COMPLETAMENTE ultrapassados.

  • Primeiro: total ignorância do boom demográfico;
  • Segundo:  compreender que novas tecnologias não vão entrar na velha escola, mas permitir criar uma completamente diferente!

Vejamos.

O planeta saltou de 1 para 7 bilhões de habitantes nos últimos 200 anos.

Temos novo patamar de complexidade demográfica, que não é mais o do tempo do vovô.

Naquela época, qualidade educacional era sinônimo de pouco aluno em sala de aula e professores super bem formados e valorizados.

No desafio educacional brasileiro para o novo milênio, é preciso não perder NUNCA de vista o real problema: o país saltou de 30 para 210 milhões de habitantes em apenas 100 anos. Nosso déficit hoje é de milhões e não mais de milhares.

Pior.

Num mundo cada vez mais inovador, precisamos de educação continuada – dos jovens aos adultos – com a nova senha: qualidade na quantidade.

Não basta, assim, projetos pilotos que atendam qualidade para pouca quantidade, mas pensar na nova escala, que rima qualidade com complexidade.

O modelo de qualidade em sala de aula com poucos alunos não passa na prova de matemática básica: o custo de cada aluno multiplicado pelo déficit de milhões – demanda despesa que simplesmente não existe.

A antiga escola, é bom saber, não foi assassinada pelo capitalismo selvagem ou pelos inimigos malvados dentro de uma sala secreta, mas pelo aumento demográfico, que a colocou em crise contábil: a qualidade de antes ficou muito cara!

É preciso criar novo modelo de qualidade educacional mais barata. E aí entram as novas tecnologias.

Vêm justamente permitir qualidade mais barata.

As tecnologias de mídia não vão entrar na velha escola para reformá-la, mas criar uma completamente diferente!

Por fim, temos ainda outro problema no Brasil.

E este talvez ainda mais cabeludo e local.

Quase sempre somos e fomos importadores e não criadores de ideias inovadoras em todos os campos, incluindo educação.

A Finlândia, por exemplo, muitas vezes citada como referência, procura passar da qualidade analógica para a digital, porém, sem déficit educacional de milhões, como nós.

Países desenvolvidos estão doidos para dar pulinhos educacionais. O Brasil, entretanto, tem que ser muito mais ousado: precisa de saltos triplos, com pirueta e sem cama elástica!

Assim, temos pela frente os seguintes mega-desafios:

1- superação da antiga mentalidade de qualidade educacional, que tínhamos na escola analógica;

2- entender o digital como novo ambiente, que criará novo modelo de aprendizado e não reformador do antigo com conceito de qualidade mais barato;

3- e, por fim, consciência de que nosso problema é próprio com a seguinte senha, que deve ser repetida à exaustão: qualidade na quantidade, qualidade na quantidade, qualidade na quantidade.

É isso, que dizes?

Em áudio:
https://youtu.be/WuqsXI3_flw

Podemos definir liderança da seguinte forma: pessoa que tem ascendência sobre as demais.

Líder é alguém escolhido, de forma voluntária, para inspirar a viver melhor, alterando a forma de pensar e/ou agir.

São pessoas que ajudam a sociedade a resolver melhor problemas.

Muitas vezes líderes são escolhidos para ser autoridades: passam a ter poder de decisão.

Existe, assim, taxa de liderança em cada autoridade.

  • Há pessoas que são autoridades com baixa taxa de liderança;
  • E há liderança com baixa taxa de autoridade.

Organizações seriam melhores se conseguissem elevar a taxa de liderança em cada uma de suas respectivas autoridades.

Fazer com que as pessoas que tenham autoridade sejam também líderes. E pessoas que têm baixa taxa de liderança não sejam autoridades.

Há, entretanto, jogo entre autoridade e liderança, que sofre forte influência provocada por fatores midiáticos-demográficos.

Mais gente no planeta, com mídias concentradas, nos levam a:,

  • Organizações que se verticalizam para atender demandas;
  • Mercados que se concentram;
  • A concorrência se reduz;
  • A transparência vai para o brejo;
  • Enfim, a sociedade perde gradualmente poder de controle sobre as organizações de plantão.

As autoridades se distanciam das demandas da sociedade e passam a não mais inspirar as pessoas: temos autoridades com baixa taxa de liderança.

É o que vivemos hoje na macro-crise do fim da Era Civilizacional da Gestão Oral e Escrita.

Todo esforço hoje do Mundo 3.0 tem sido em reverter este quadro. Vai na direção oposta: procura aumentar a taxa de liderança das atuais autoridades, através das novas tecnologias digitais.

Isso pode ser visto, através da possibilidade de aferir estrelas, comentários, compartilhamentos no sobe e desce das reputações digitais nas respectivas telas.

A sociedade passa a ter a possibilidade de eleger, de forma diferente, dinâmica e contínua respectivos líderes.

Todo movimento de Reintermediação 3.0 vai na direção do reequilíbrio da taxa autoridade-liderança e liderança-autoridade.

Propõe mudanças em todas as áreas na forma pela qual as autoridades são escolhidas e se mantêm com poder de decisão.

A Reintermediação 3.0 vem, portanto, permitir que se aumente radicalmente a taxa de liderança das autoridades.

Quer, com isso, que  autoridades possam ser mais úteis à sociedade, que tem problemas cada vez mais complexos e emergentes.

É isso, que dizes?

Este texto em áudio:
https://youtu.be/AJV9OW7Fc6E

 

Quando imaginamos mudanças no futuro, sempre pensamos em grandes líderes que nos levam para lá.

É como se a história fosse feita de grandes personalidades e datas. É a chamada visão de futuro centralizada.

Porém, cada vez mais tenho percebido que não é bem assim que a banda do futuro toca.

O futuro pode ter momentos em que pessoas são relevantes em determinado tempo e lugar, mas é feito muito mais de forma distribuída no trabalho silencioso e invisível de milhões ou bilhões de pessoas.

Imagine pequenas comunidades interagindo internamente e externamente tentando viver da melhor forma possível;  enfrentando problemas e inventando soluções mais ou menos incrementais – mais ou menos disruptivas.

Cada pessoa e cada comunidade procura, a cada momento, a melhor solução para respectivo problema.

Este mar de interações distribuída e descentralizada vai construindo o futuro, passo a passo –  sempre na tentativa de pior para melhor.

Existe, assim, o que podemos chamar de “sabedoria das multidões“, que é um senso coletivo de sobrevivência.

Há, claro, equívocos que duram certo tempo, mas se volta sempre para o que é melhor para cada um ou para todos – algo como um bom senso que acaba por prevalecer.

Hoje, quando temos aumento de empoderamento de cada indivíduo, a partir de nova mídia descentralizadora, o ritmo de mudança coletivo se acelera bastante.

Comunidades locais, que eram mais fechadas, passam a ser cada vez mais oxigenadas pelo lado de fora.

Se reduz o tempo entre solução local e global e vice-versa.

O futuro ganha, assim, velocidade, mas com grande diferença: não vem de um centro para as pontas, mas das pontas para as pontas.

É isso, que dizes?

Muitos perguntam por que aumentamos a taxa de imprevisibilidade sobre o futuro.

Explicações começam com a globalização, com a cada vez maior interdependência dos mercados, mas, a meu ver, o motivo principal é:  massificação de novas mídias descentralizadoras, a partir da primeira década do novo século.

Mídias são o epicentro da espécie e definem a forma como as   trocas humanas são possíveis.

Mídias centralizadas, como tínhamos no passado, estabeleciam maior verticalização dos mercados.

Mercados e comunicação mais verticais,  maior controle de determinadas organizações sobre a sociedade.

A saber: maior taxa de passividade do consumidor e maior barreira de entrada para novos concorrentes.

O futuro, não resta dúvida, era muito mais certo do que incerto; muito mais controlado do que descontrolado. 

A massificação de mídias descentralizadoras contribui, portanto, para que aumentássemos em muito a taxa de imprevisibilidade sobre o futuro.

São variantes maiores, o que nos leva a equação mais complexa.

O futuro, saiba você, tem um preço. E este  subiu muito nas últimas décadas, pois passou de previsível para imprevisível.

É fato:

Quanto mais disruptivo for o futuro, mais caro ele fica.

Apesar da competitividade das organizações depender cada vez mais de cenário futuro eficaz, o investimento na área de Inteligência Competitiva de longo prazo continua, inexplicavelmente, muito baixo.

É bom avisar por aí sobre a a seguinte regra:

Na dúvida, invista em reflexão e não em ação duvidosa.

A competitividade, mãe de todas as organizações, vai agradecer emocionada.

É isso, que dizes?

Este texto em áudio:
https://youtu.be/FHLuBS-ui14

Tenho dito aqui no Canal que os ciclos civilizacionais admitem dois macro-movimentos: centralização e descentralização, conforme conjuntura de mídia e demografia.

Linguagens, modelos de ensino e administrativos se tornam obsoletos e precisam de mudanças radicais ou disruptivas para solucionar o problema constante da Complexidade Demográfica Progressiva – característica única do Sapiens.

As civilizações que cresceram demograficamente e não promoveram tais mudanças no passado entraram em colapso.

Estes macro-ciclos se espelham na Educação.

De maneira geral, podemos diagnosticar duas fortes correntes macro-educacionais:

  • Educação por Autoridade –  ganha força nos ciclos centralizadores, geralmente do meio para o fim de Eras Civilizacionais;
  • E Educação por Problemas – que se fortalece nos ciclos descentralizadores, geralmente do início para o meio de Eras Civilizacionais.

A Educação por Autoridade se caracteriza pela intermediação do conhecimento.  É educação para tempos de contenção da inovação.

Ganha escala quando a sociedade passa a não ter recursos produtivos para promover o aumento de diversidade.

Vivemos hoje justamente fim de  longa era da Educação por Autoridade.

Já a Educação por Problemas se caracteriza pela reintermediação do conhecimento, a partir de ciclo inovador, no qual a sociedade com respectivas questões e soluções volta a ser referência da verdade.

É educação para tempos de explosão inovadora.

A sociedade passa a ter recursos produtivos para aumentar a diversidade e começa a estimular modelos mais abertos e inovadores de ensino.

Vivemos hoje justamente o início de nova era de Educação por Problemas. Esta, aliás, é uma das principais macro-tendências do novo milênio.

A filosofia “Educação por problemas”, entretanto, não é nova, vive apenas renascimento.

E só ganhará escala quando conseguir assumir a sua missão filosófica-pedagógica e passar a adotar as novas possibilidades midiáticas disponíveis.

É preciso superar, para isso, antigas mentalidades da Era Civilizacional que chega ao fim.

No meio de tantas mudanças, é preciso ajustar as bússolas.

Não se ir para o Norte, quando o milênio está navegando, com todas as velas abertas, para o Sul.

É isso, que dizes?

Em áudio:
https://youtu.be/yAqDAYkxbQ0

 

 

TEXTO DENSO PARA MELHORIA POSTERIOR PARA DESENVOLVIMENTO DE PODCAST.

Apresentei aqui  o conceito do Pêndulo Civilizacional.

O Pêndulo Civilizacional é ferramenta teórica que desenvolvi para nos ajudar a perceber movimento opostos na macro-história na direção de centralização ou descentralização de poder.

Podemos inferir a seguinte regra geral:

Mais gente no planeta nos leva à concentração de poder, que só pode ser revertida com novas mídias, gatilho que permite nova era descentralizadora.

O Sapiens vive, assim, na macro-história dois ciclos: ora centraliza, ora descentraliza, a partir sempre das variações demográficas-midiáticas.

O Pêndulo Civilizacional é um indicador das macro-tendências. É espécie de biruta de aeroporto que indica a direção dos ventos.

O Pêndulo, entretanto, não é elemento suficiente para definir o tipo de centralização ou descentralização, pois aqui vão entrar outros fatores.

Neste momento, vamos precisa do Espiral Civilizacional – que analisar a especificidade de cada mídia, levando em conta a conjuntura demográfica e a sofisticação tecno-cultural alcançada.

Podemos dizer, por exemplo, que a Escrita Impressa foi upgrade sobre a Manuscrita e que teve efeito similar à chegada do alfabeto no lugar da escrita por desenhos.

Em ambos os casos, apesar de separados por séculos, tivemos similaridade na forma como houve, em ambos os casos, a redução de custos da transmissão de ideias, seguido de ciclos descentralizadores, com respectivo processo de inovação social disruptiva.

Podemos afirmar, assim, que:

Quando temos novas mídias que reduzem o custo de circulação de ideias e permitem, além disso, a descentralização do consumo e produção, o Pêndulo tende a se mover para a descentralização de poder.

E vice-versa.

Quando temos novas mídias que aumentam o custo de circulação de ideias e promovem a centralização do consumo e produção, o Pêndulo tende a se mover para a centralização de poder.

O Espiral, pela própria topologia da figura geométrica, demonstra que o momento acima será diferente do anterior, mas há continuidade.

E os lados extremos, ora para um lado (centralização), ora para outro (descentralização), caracterizam o Pêndulo Civilizacional.

O Pêndulo, portanto, determina os eixos mais extremos do espiral, apontando as consequências em direção à descentralização ou centralização.

E o Espiral serve para analisar que há sempre mídias mais sofisticadas, que permitem lidar com a complexidade, ora centralizando, ora descentralizando.

O Pêndulo registra a tendência do movimento, centralização ou descentralização, mas é o Espiral que vai definir o tipo, o como o processo será feito, detalhando o tipo de mídia que está se massificando, além de sua característica centralizadora ou descentralizadora.

Veja a figura:

A Era Digital, por exemplo, nos traz movimento Pendular para a descentralização, através da massificação de nova mídia que tem características particulares e completamente diferentes de tudo que já tivemos, até então.

O fenômeno da descentralização será similar aos anteriores, mas com características específicas da atual conjuntural tecno-cultural-midiática, com os efeitos específicos da mídia.

O que é novo, enfim, é a particularidade da mídia neste novo contexto, mas não a tendência de descentralização.

O Digital chega num mundo globalizado com sete bilhões de sapiens, diferente do que foi com a chegada da prensa (descentralização similar), quando não passávamos dos 500 milhões e vivíamos em civilizações muito mais isoladas e menos interdependentes do que hoje.

O Pêndulo e o Espiral são os dois termômetros bases para os que querem projetar o futuro se divertirem.

Tem muita gente por aí apaixonada pela Ciência das Redes.

Porém, é preciso delimitar capacidade de determinados campos do conhecimento para evitar ministrar xarope para câncer de pulmão. Ou quimioterapia para simples resfriado.

A Ciência das Redes desenvolve conjunto interessante de conceitos e métodos indutivos para compreender micro-movimentos incrementais.

Permite entender como o humano utiliza Redes para resolver problemas.

Redes, porém, são apenas parte do problema e não o todo.

É tipo de Ciência Aplicada no mesmo estilo das Ciências da Computação, Comunicação, Informação, entre outras – ciências indutivas e incrementais, pois dividem para compreender.

Funcionam bem em cenário de continuidade, mas não no disruptivo.

Quando vivemos rupturas na sociedade, como agora, é evidente que precisamos rever o próprio Sapiens. 

A noção que tínhamos do humano precisa ir para a berlinda.

Nestes momentos, recomenda-se fortemente o retorno para Ciências Dedutivas, com forte viés filosófico e integrador.

É preciso, antes de tudo, reanalisar o Sapiens e, só então, quando necessário, voltar às Ciências Aplicadas específicas.

Não tínhamos no passado, por exemplo, a noção exata de quanto somos tecno-midiático-dependentes e como alteramos a sociedade – e as próprias redes – a partir de novas mídias e movimentos demográficos.

É por causa disso que abracei, com entusiasmo,  a Antropologia Cognitiva, que faz análise macro-histórica, tendo como referência o próprio Sapiens e a evolução do seu cérebro.

Essa abordagem facilita a revisão de diversos conceitos e paradigmas das Ciências Aplicadas, incluindo a das Redes.

O grande risco de estudar – como tem muita gente fazendo – a parte pelo todo é analisar o rabo, como se fosse responsável pelo movimento do cachorro.

É isso, que dizes?

Este texto em áudio:
https://youtu.be/E0P4gnUpk-k

Era muito ingênuo quando comecei a estudar a Revolução Digital. E nessa fase infantil, utilizava o conceito “desintermediação”.

E há muita gente, sonhadores utópicos, ou tecno-sonhadores, que acreditam que o Digital vai nos libertar totalmente das amarras sociais e iremos viver num mundo livre de mídias.

Puro engano.

Mídias são Meios.

Meios estão entre pessoas, que precisam destes para estabelecer canais e códigos de trocas.

Outras espécies têm mídias naturais, já nascem com elas. Nós criamos as nossas.

Temos Tecno-mídias, que progridem, conforme as demandas de sobrevivência.

Um ambiente midiático funciona por determinado período histórico, mas perde a validade, conforme aumentamos o Patamar de Complexidade Demográfica.

Os modelos de intermediação de ontem, não podem ser os mesmos de hoje ou de amanhã.

Novas mídias permitem saltos produtivos e estes  nos levam a saltos demográficos.

Não existe nada mais revolucionário na sociedade do que mais gente querendo comida. A demanda passa a bater à porta da inovação todos os dias, exigindo melhores ofertas.

O que temos nesse novo século – com a chegada das novas mídias – é macro-processo de reintermediação.

O modelo de intermediação midiático-administrativo, baseado na oralidade-escrita-gestão se tornou obsoleto para os problemas complexos que temos hoje.

Só se sustentou no último século pela chegada de mídia centralizadora e por falta de uma descentralizadora.

A Reintermediação 3.0 sofistica a maneira que trocamos informações, produtos e serviços. Se comparada com a passada é mais sofisticada e dá respostas satisfatórias para diversas “perguntas sem saída”.

Porém, como todo ambiente tecno-midiático-social, não é definitivo e nem será isento de problemas.

Reintermediar é preciso, pois sobreviver e viver também.

É isso, que dizes?

Este texto em áudio:
https://youtu.be/r3dTINPdDAk

 

 

Há  crise velada na Internet, que só tende a crescer com o tempo. Mais e mais pessoas reclamam das atuais Plataformas Participativas: do Youtube, do Instagram, do Uber, do Facebook, entre outras.

Há, de fato, incontornável impasse entre modelo centralizado de decisões versus nova cultura descentralizada –  que propagam.

Usuários têm toda a liberdade do mundo para publicar o que querem, mas não de opinar e decidir sobre as regras de funcionamento.

Os sintomas podem ser resumidos, assim:

  • falta transparência;
  • modificações de cima para baixo sem consulta ou comunicação;
  • além, de divisão não proporcional dos lucros.

É espécie de democracia horizontal radical de liberdade de expressão na ponta e modelo autoritário hierárquico vertical, na forma de decidir, no centro.

Várias ações dos donos das plataformas têm ido, cada vez mais, na direção oposta aos conceitos originais.

Vivemos hoje, sem dúvida, ainda de forma tímida, os primórdios da primeira grande crise das organizações 3.0.

Muitos dirão que é algo para sempre.

Discordo.

Há, de fato, impossibilidade da participação mais efetiva das pessoas. Faltam, antes de tudo, ferramentas participativas.

São milhões de usuários que teriam que participar em centenas de decisões, todos os dias – o que tornaria, com as ferramentas atuais, o modelo caótico, ineficaz e pouco produtivo.

Para resolver o problema visualizo duas grandes tendências para o futuro:

  • Filosofia mais aberta e participativa para as pontas –  nas plataformas menores, de nicho;
  • tecnologias mais distribuídas – no estilo blockchain para as plataformas maiores.

Podemos, assim, começar a imaginar um Youtube-chain, um Insta-chain ou um Face-chain.

A crise das Organizações 3.0 marcará o início do fim da etapa de descentralização digital e a passagem para a fase mais distribuída.

Quem viver, distribuirá!

É isso, que dizes?

Em áudio:

https://youtu.be/KGlwIr7UQw8

 

 

O Sapiens é a espécie mais mutante do planeta. Conforme vai aumentando a Complexidade Demográfica, vai sendo, anote bem, OBRIGADO a alterar a forma como se organiza.

Modelos organizacionais são, assim, estruturados, a partir das mídias disponíveis.

Mídias regulam trocas humanas.

Vou além:

Não existe sociedade sem troca e nem troca sem mídia.

Podemos afirmar que: quando trocamos ideias, sentimentos, produtos e serviços somos FORTEMENTE influenciados pelas mídias de plantão.

Mentalidades (forma de agir e pensar sobre o mundo) são, portanto, reflexos das mídias.

Mídias marcam eras humanas e dentro delas podemos identificar Macro-Mentalidades.

Macro-Mentalidade são formas de agir e pensar sobre o mundo,  influenciadas pelas mídias disponíveis em cada Era Midiática.

É fato.

Nem toda mudança de mentalidade é provocada por mudanças de mídia, mas mudanças de mídia influenciam, de alguma forma, mentalidades.

Quando iniciamos nova Era Midiática, como agora, alteramos a forma como nos relacionamos e, necessariamente, surgem, gradualmente, novas Macro-Mentalidades compatíveis com o novo ambiente.

Isso não pode ser ignorado, como vem sendo, pela sociedade.

Se constata conflitos evidentes entre as duas Macro-Mentalidades: a que já tem a lógica da nova mídia versus a da passada.

Tal choque não foi tão radical no passado, pois o espaço de tempo entre o surgimento e massificação das novas mídias e macro-mentalidades foi muito mais lento, gradual e menos disruptivo.  

É preciso, assim, de forma urgente, criar modelos de capacitação para que possamos fazer a migração entre as duas mentalidades.

As premissas são:

  • entender a necessidade inevitável da mudança de uma para outra;
  • compreender o cenário migratório entre as duas Eras;
  • assumir que há embate entre as duas Macro-Mentalidades;
  • E, por fim, criar espaço intermediário de passagem para que se possa experimentar novas práticas em ambiente mais neutro.

Quanto mais tivermos sucesso nessa empreitada, menos conflituosa e mais rápida será tal passagem.

É isso, que dizes?

Este texto em áudio:
https://youtu.be/oFN3bZmdiaA

Perdemos muito a capacidade de refletir, que já tivemos num passado distante.

Nossas pobres mentes se habituaram com a mesmice das ideias centrais proferidas por mídias concentradas.

É fato.

Ao final de macro-ciclos midiáticos centralizadores, como agora, o Sapiens, independente do país que vive, reduz capacidade de reflexão.

Uma taxa reflexiva saudável depende fortemente da interação que recebe.

Quanto mais tem contato com ideias diferentes, mais a pessoa consegue avaliar os conceitos que surgem nas telas:

  • São úteis ou inúteis?
  • Falsos ou verdadeiros?
  • Lógicos ou ilógicos?

E vai, assim, gradualmente, musculando a reflexão atrofiada.

Hoje, infelizmente, há enorme fosso entre o volume cada vez maior de ideias circulantes nos meios digitais e a capacidade reflexiva disponível na praça.

Em épocas como essa, é preciso, urgente, tomar três banhos de filosofia lógica ao dia.

É isso, que dizes?

Este texto em áudio:

 

Dissemos aqui que a sociedade humana vive Pêndulos Civilizacionais Centralizadores e Descentralizadores.

Na Macro-História, quando aumentamos a população temos tendência centralizadora, que só chegará ao fim com a massificação de novas mídias descentralizadoras.

Vivemos, assim, o fim de macro-ciclo centralizador, que influenciou fortemente o século passado.

Todas as tendências sociais, políticas e econômicas, aonde se inclui mentalidades e a educação, tenderam, ao longo de todo o século XX, ao centralismo.

As organizações passaram a ter cada vez mais poder sobre a sociedade.

Houve, para poder lidar com o aumento gradual – e radical – do Patamar de Complexidade Demográfica, a necessidade de centralização de poder de diferentes formas nas diferentes regiões do planeta.

É importante perceber que este ciclo se concluiu com a chegada das tecnologias digitais, que abriu novo macro-ciclo descentralizador.

Que é o que viveremos ao longo das próximas décadas, pelo menos.

A sociedade passa a recuperar terreno, procurando re-controlar as organizações.

Se pudermos escolher algumas palavras para tentar projetar o milênio, não haverá uma mais adequada do que descentralização.

É isso, que dizes?

Vivemos fenômeno inusitado neste novo milênio.

Veja bem:

Mudanças de mídia são fenômenos Macro-Históricos, ocorrem em ciclos seculares ou milenares: a chegada da oralidade há 70 mil anos, da escrita há 8 mil , da prensa há 550 anos e agora do digital.

Alterações de mídia, entretanto, seguiam mais ou menos certa lógica: mudança secular, consequência secular – mudança milenar, consequência milenar.

No passado, os impactos dos efeitos das mudanças de mídia NÃO afetavam tão fortemente, como agora, a Micro-História.

Hoje, mudanças de tamanha envergadura têm sido capaz de estimular alterações visíveis e disruptivas em anos ou décadas.

Isso tem dificultado tremendamente a vida dos estrategistas de plantão.

Vejamos a realidade:

  • O ser humano, de maneira geral, como é natural, vive na hiper-micro-história – intoxicado de acontecimentos cotidianos;
  • As áreas de Inteligência Competitiva ou Estratégica das organizações se habituaram a cenário mais ou menos incremental e tendem, por causa disso, ao tático-operacional;
  • E, as poucas organizações que se dedicam ao estratégico de médio ou longo prazo, não têm no repertório a  análise midiática Macro-Histórica, pois nunca foi necessário.

Vivemos, assim, profunda – e ainda não diagnosticada – crise de análise preditiva.

A Antropologia Cognitiva – estudo das mudanças de mídia na Macro-História –  passa a ser ferramenta teórica fundamental para todos os profissionais que querem compreender melhor o futuro.

Podemos dizer, por fim, que um estrategista não vai entender JAMAIS o novo milênio se não convidar a Macro-História para dançar!

É isso, que dizes?

Este texto em áudio:
https://youtu.be/0adVzLJl19Y

Vivemos neste novo milênio a maior ruptura administrativa da Macro-História do Sapiens.

Revoluções de Mídia no passado já trouxeram sofisticação para os modelos administrativos, mas não de forma tão disruptiva.

A Revolução Digital traz a nova Linguagem dos Cliques. A linguagem permite o surgimento de novo modelo administrativo muito mais dinâmico do que o anterior.

O Uber, a meu ver, não é, assim, continuidade das cooperativas de táxi – bem como o Airbnb não é das corretoras de aluguel de imóveis.

Tais negócios, que fazem cada vez mais sucesso, só são possíveis, pois a nova linguagem permite que se resolva problemas entre fornecedor e consumidor de maneira bastante inovadora.

A Curadoria – como optei por chamar o novo modelo administrativo 3.0 – pode, pela primeira vez, eliminar a necessidade de gerentes.

O controle dos fornecedores e consumidores passa a ser feito pelos próprios, através de sistema de avaliação digital. E os processos regulados, cada vez mais, por Inteligência Artificial.

Tal modelo administrativo é resposta humana à explosão demográfica dos últimos 200 anos, que elevou de um para sete bilhões o número de habitantes e provocou o aumento do patamar de complexidade demográfica.

A crise administrativa que temos hoje é, portanto, aguda.

Todos os profissionais do ramo foram formatados para trabalhar na Gestão e não na Curadoria.

E a Curadoria passa a ser, gradualmente, o fator diferencial competitivo dos novos inusitados concorrentes que surgem, tirando a liderança dos antigos.

Sim, é tempo de capacitação disruptiva!

É isso, que dizes?

Este texto em áudio:
https://youtu.be/FxhBlxOHgTs

Se você quer estudar para conhecer algo é muito importante que escolha um problema.

Um problema, mais do que um assunto, vai lhe permitir criar caminho de conhecimento mais independente.

Todo problema gera sofrimento a alguém.

E este alguém é teu cliente, que espera que você lhe ajude a resolvê-lo da melhor maneira possível.

O conhecimento por problema está na moda. Ou melhor na macro-moda do novo século.

Pêndulos civilizacionais descentralizadores, como vivemos agora com a chegada do digital, favorecem o aprendizado por problemas.

O conhecimento por problema se contrapõe ao conhecimento por autoridade, mais ligado aos assuntos.

Conhecer por problemas é um tipo de conhecimento distribuído, pois não existe alguém que “carimba” de cima se a solução provisória está certa ou errada.

Cada problema, gera solução sempre provisória, que será testada e avaliada pelos clientes, que dará a palavra final.

Quem manda no aprendizado por assunto é uma autoridade.

Por problemas, o cliente.

Quem tem problema definido e cliente pode iniciar a jornada.

Boa sorte!

Toda cosmovisão social, aonde se inclui também as religiões, se inicia por algum filósofo.

Filósofos lidam com os macro-temas humanos, que são traduzidos e adaptados para as teorias e metodologias, com forte influência na sociedade.

O que estamos descobrindo agora é que, antes dos filósofos, temos macro-tendências mídia e demográficas sobre as quais os filósofos operam.

Há duas:

  • Centralizadoras – que tenderão a produzir cosmovisões fechadas;
  • Descentralizadoras – que tenderão a produzir cosmovisões abertas.

No novo século, temos a massificação de nova mídia descentralizadora e da criação de cosmovisões abertas.

Mentalidadeconjunto de manifestações de ordem mental (crenças, maneira de pensar, disposições psíquicas e morais), que caracterizam coletividade, classe de pessoas ou indivíduo; mente, personalidade.

Toda produção cultural é feita, através de tecnologias de mídia. Não produzimos cultura sem mídia ou regra.

Há sempre algum tipo de limite, que estabelece como podemos nos expressar e nos relacionar com os demais.

O ser humano, assim, é escravo das regras midiáticas.

Quando falamos, escrevemos, clicamos ou gesticulamos estamos sendo, sem saber, formatados pelos limites das mídias de plantão.

Mídias, portanto, formatam pessoas e sociedades, definindo fortemente o ambiente cultural/organizacional em que vivemos.

Me mostre as mídias disponíveis, que lhes direi quais mentalidades teremos na sociedade.

Quando temos rupturas de mídia – fenômeno raro da macro-história – passaremos NECESSARIAMENTE  da formatação de determinado ambiente para outro.

Mentalidades antigas, formatadas pelo ambiente anterior, precisarão se adaptar ao novo.

Hoje, estamos vivendo a passagem em todo o planeta da mentalidade 2.0 – formatada pelas mídias oral e escrita, onde se inclui os meios eletrônicos –  para a 3.0 –  já no ambiente digital.

Desta vez, com características bem diferentes do que tivemos no passado: as  mídias não eram tão globais, tão disruptivas e não se massificavam de forma tão rápida  – o que torna a atual macro-crise da mentalidade atual ainda mais aguda.

Será preciso grande esforço para, antes de tudo, admitir a macro-crise e, a partir daí, criar formas de minimizar respectivos impactos, através de capacitação adequada.

Não, não é desafio pequeno, mas sem dúvida nenhuma totalmente necessário.

É isso, que dizes?

Este texto em áudio:
https://youtu.be/NUZ8H6R9Ubc

 

Criadores e repetidores se ajudam na produção do conhecimento. Cada um com uma função específica na sociedade.

O criador é original.

Sugere novas maneiras de pensar e agir sobre determinado problema.

Já o repetidor apresenta maneiras de pensar e agir criadas por outros. Faz histórico do problema.

O repetidor procura debates acumulados e sobre estes os criadores trabalham.

Não se espera do repetidor originalidade no conteúdo, mas na forma. Já o criador deve inovar no conteúdo.

O criador, assim, é um pós-repetidor.

O repetidor traduz, sintetiza, prioriza.

O criador inova, altera e modifica.

O repetidor é forma e o criador,  conteúdo.

O criador cria e o repetidor dissemina.

Os dois são importantes no mercado do conhecimento.

Quando estamos analisando determinado livro,  aula, palestra, ou autor não confundir repetidor com criador para avaliar bem o resultado final.

Sim, criadores são mais raros, porém não quer dizer que superiores.

São funções diferentes e interdependentes que têm o mesmo objetivo: resolver os problemas escolhidos da melhor forma possível.

Este texto em áudio:
https://youtu.be/G0HenpCYMBg

Quando falamos em qualidade na educação, logo se pensa em sala de aula com poucos alunos e professores cada vez mais capacitados.

A qualidade educacional, entretanto, como em todos os outros setores, se estabelece na relação entre quantidade e qualidade. Se aumentamos muito a quantidade (número de alunos), teremos NECESSARIAMENTE problema de qualidade!

O problema que temos hoje no país e no mundo é que aumentamos radicalmente o tamanho da população (sete vezes em 200 anos no planeta) e  (sete vezes em 100 anos no Brasil).

É preciso dizer com todas as letras: nosso ambiente educacional ficou obsoleto por causa do salto demográfico dos últimos 100 anos no país.

O grande desafio da inovação educacional no Brasil e no mundo neste novo século, como diz meu amigo Ronaldo Mota, é o de criar: qualidade na quantidade e quantidade com qualidade!

A obsolescência educacional pode ser expressa na matemática: a qualidade que tínhamos antes servia para determinado tamanho da população.

Hoje, nós não temos condições de manter o mesmo padrão de qualidade que tínhamos, simplesmente, por que temos muito mais crianças para ir à escola!

Vivemos, infelizmente, a nostalgia melancólica de querer voltar a um passado perdido.

A realidade demográfica não nos permite tal retorno!

É preciso, assim, iniciar mudança, nos aproveitando das novas tecnologias digitais que chegam, para recriar o conceito de qualidade educacional.

Ficamos chorando sobre a qualidade perdida, mas se formos multiplicar o valor do conceito de qualidade por cada aluno, veremos que não haverá recursos.

A qualidade com o modelo educacional 2.0, baseada em professor-aluno, sala de aula presencial, ensino por assunto e disciplinas não é mais capaz de resolver o problema.

É preciso criar novo modelo educacional, com novo conceito de qualidade, compatível com o Patamar de Complexidade Demográfica da população atual no país e no mundo.

Assim, o que consideramos  qualidade na educação analógica não será absolutamente o mesmo que consideraremos  na educação digital.

É preciso começar deste ponto para não nos perdermos em discussões menores.

É isso, que dizes?

Este texto em áudio:
https://youtu.be/n0l4Di3__3g

 

 

 

Mídias sempre formataram nossa forma de ver, perceber e se relacionar com o mundo.

  • As mídias são ferramentas produtora de cultura;
  • Somos, assim, formatados pelas mídias de plantão;
  • Quando temos novas mídias, temos reformatação geral da sociedade.

Já tivemos reformatações anteriores: a dos gestos para a oralidade, da oralidade para a escrita e desta, agora, para o digital.

Estamos, assim, em plena Revolução da Forma.

Não estamos mais discutindo o conteúdo na mesma forma, mas nova forma que vai provocar o debate de novos conteúdos.

Podemos até dizer que os problemas essenciais do Sapiens continuam mais ou menos os mesmos, mas a forma como vamos enfrentá-los está mudando radicalmente.

É isso, que dizes?

 

Não há a possibilidade do Sapiens compreender o mundo, sua própria vida, o sentido da existência. Tudo que tentamos explicar será sempre provisório.

Do ponto de vista epistemológico (campo da filosofia que discute o que é verdadeiro) é de bom tom utilizar  depois de certeza ou verdade o adjetivo “provisório

Certeza provisória é atitude filosófica eficaz diante da vida e respectivos problemas. O que é verdade hoje pode não ser mais amanhã.

O ser humano já acreditou, por exemplo, em certezas absolutas no passado que viraram mentiras, tais como: a terra é plana ou é o centro do universo.

Certezas, entretanto, têm função social.

Precisamos das melhores certezas para decidir sobre diversas encruzilhadas nas nossas vidas –  das mais banais às mais relevantes.

A pergunta filosófica, portanto, mais importante na hora de decidir será: como podemos tomar decisões melhores com as melhores certezas – mesmo que provisórias?

A verdade, qualquer que seja, precisa ser testada na vida.

E você vai me perguntar: o que é a vida?

A vida é espécie de redemoinho de interesses, fatos, pulsões, contextos, tensões, forças em movimento, na qual o Sapiens está inserido.

A vida está, assim, fora da capacidade de compreensão absoluta do Sapiens, que nunca vai deixar ter apenas certezas provisórias.

 

É isso, que dizes?

Como vimos aqui a espécie tem na sua essência movimento do Pêndulo Civilizacional (centralização/descentralização).

O item principal é a capacidade humana de aumentar a taxa de autonomia de pensamento para promover a descentralização. Quando ela é baixa, tende à centralização. Quando é maior, tende à descentralização.

Saltos demográficos, por exemplo, geram redução da autonomia de pensamento na sociedade.

Nascem muitas pessoas, não se consegue informá-las/educá-las para que consigam ter melhor qualidade de decisão, baseada em lógica, dados econômicos e históricos, com domínio mais apurado do idioma.

E se inicia ciclo de aumento de dependência das pontas a determinado centro, que vai gradualmente tomando a decisão pelas pessoas por necessidade destas.

Aumentos demográficos, assim, reduzem a taxa de autonomia de pensamento local, regional ou mundial e isso nos leva à demanda por ciclos centralizadores.

Assim, o movimento centralizador é a primeira resposta humana a aumentos demográficos, pois haverá o apelo para que se aumente a centralização para coordenar o conjunto de demandas.

A descentralização será sempre o segundo movimento, pois haverá, no longo prazo, a demanda por soluções mais flexíveis, mais participativas, mais diversificadas.

E isso vai gerar, lentamente, a demanda por descentralização.

Existem  dois possíveis movimentos para que o aumento gradual da autonomia de pensamento em maior escala e respectiva descentralização social de determinado país, região ou globo:

  • movimento cultural/educativo – feito de forma coordenada, no médio e longo prazo;
  • movimento midiático descentralizador – feito de forma aleatória, no curto e médio prazo.

Hoje, vivemos na sociedade, no Brasil em particular, o fim de uma Era Centralizadora dos Meios Eletrônicos, resposta dada para o salto demográfico dos últimos 100 anos de 30 para 210 milhões.

Houve movimentos centralizadores, que se aproveitaram dessa baixa autonomia de pensamento para prosperar. Não houve movimento educativo, que aumentasse a autonomia de penamento.

Porém, a chegada de nova mídia descentralizadora permitiu que isso fosse feito pelo viés midiático, criando ciclo descentralizador.

Um fenômeno local e mundial, que terá fortes reflexos no globo nas próximas décadas.

É isso, que dizes?

Estudos das mudanças de mídia na Macro-História estão sendo feitos pelos pesquisadores da Antropologia Cognitiva – novo campo de conhecimento.

Tais estudos nos levam a novo paradoxo das Ciências Sociais: centralização provoca à descentralização e vice-versa.

Vejamos a lógica.

  1. O Sapiens é a única espécie social do planeta que cresce demograficamente;
  2. Quando crescemos a população, abre-se novo ciclo de demanda e oferta, que exige movimento macro-inovador;
  3. Novos movimentos macro-inovadores só são possíveis com a chegada e massificação de novas mídias descentralizadoras;
  4. Quando NÃO temos novas mídias descentralizadoras e continuamos a crescer demograficamente, tendemos à centralização;
  5. Quando  temos novas mídias descentralizadoras, tendemos à descentralização.

Assim, por incrível que pareça, movimentos macro-inovadores descentralizadores permitem a expansão da complexidade demográfica, que gera ciclos centralizadores mais adiante.

Vivemos, assim, na macro-história, espécie de Pêndulo Civilizacional, ora com viés centralizador, ora descentralizador, influenciando a forma de pensar e agir das sociedades.

Iniciamos agora, com a chegada do digital, no final do século passado, novo macro-ciclo inovador/descentralizador, que já está se refletindo em diversas mudanças sociais, culturais, políticas e econômicas, que devem se expandir cada vez mais ao longo do novo século.

Se a lógica estiver correta, tal ciclo macro-inovador, com a continuidade do crescimento populacional, que vai nos trazer, mais adiante, centralização. E esta, ainda mais adiante, descentralização.

É isso, que dizes?

Podcast deste texto:
https://youtu.be/jIvx6DKwyhk

Podemos dizer que há dois tipos de competição:

  • Em mercados fechados – nos quais o consumidor tem pouca escolha entre os diferentes fornecedores, há forte barreira regulatória para novos competidores, próximo a um tipo de oligopólio, como é, por exemplo, o setor de telecomunicações brasileiro;
  • Em mercados abertos – nos quais o consumidor tem muitas escolhas entre os diferentes fornecedores, há nenhuma ou mínima barreira regulatória para novos competidores, como é hoje, por exemplo, o setor de aplicativos de táxi.

Vejamos:

  1. Em mercados fechados, o consumidor não tem liberdade de escolha e, portanto toda a competição é feita INDEPENDENTE dele;
  2. O cliente passa a não ser o foco da Inteligência Competitiva, que passa a procurar cada vez mais os movimentos do concorrente, pois o fator cliente é mais fixo;
  3. Digamos que o foco da Inteligência Competitiva em mercados fechados é o de acompanhar os passos, cada vez mais, do concorrente.

Por outro lado:

  1. Em mercados abertos, o consumidor passa a ter liberdade de escolha e, portanto, a competição é feita cada vez mais DEPENDENTE do consumidor que tem mais opções;
  2. O trabalho da Inteligência Competitiva é o de procurar cada vez mais os movimentos do cliente, pois é preciso entender as demandas;
  3. Digamos que em mercados abertos o foco da Inteligência Competitiva passa do concorrente para o cliente.

Mercados abertos e fechados são conjunturas que dependem de país ou região.

Existem, entretanto,  alguns movimentos de de mercado fechado para aberto ou vice-versa.

Vejamos:

  • Regulatório específico – determinado setor, que ganha ou perde regulação específica, que atinge apenas determinado segmento ou grupo de empresas de determinado setor;
  • Mudanças políticas – de governo com estado para mais para menos regulador, que atinge todas as organizações de determinado país;
  • Mudanças midiáticas – quando chegam novas mídias descentralizadoras em escala global, que permitem que o cidadão/consumidor passe a estar muito mais bem informado e o surgimento de novos canais de distribuição de ideias, produtos e serviços. Tudo isso permite a chegada de novos concorrentes, o que atinge a TODAS as organizações de todos os países.

Vivemos hoje no novo milênio a terceira via: chegada e massificação do ambiente digital com impacto global.

A chegada do Digital modifica radicalmente o ambiente competitivo da sociedade.  Não é num setor, num país, numa região, mas em todo o planeta.

Temos saído com a ampliação do mundo digital, em escala global, do ambiente de competição do mercado fechado para o aberto.

Novas mídias abriram, de forma rápida e disruptiva, canais de distribuição de ideias, produtos e serviços, permitindo, pela ordem:

  • que o consumidor tenha mais informação e opções de consumo;
  • que antigas barreiras regulatórias em diversos setores perdessem a validade (o caso dos táxis é emblemático);
  • e novos concorrentes entrando nos novos mercados, antes fechados pela capacidade de controle de canais de ideias, produtos e serviços.

Revoluções de Mídia descentralizadoras, já vimos isso no passado, modificam, assim, o ambiente competitivo da sociedade, provocando, passagem de ambiente fechado para aberto.

Por causa da massificação da nova mídia, vemos hoje, como macro-tendência o foco da Inteligência Competitiva migrar do concorrente para o cliente.

As organizações pré-digitais, que estavam habituadas a viver em ambiente de competição fechado, têm hoje mais dificuldade de viver nesse novo ambiente mais aberto.

O mundo digital, com ambiente de competição aberto, é o grande desafio que os profissionais de Inteligência Competitiva têm que superar.

: foram capacitados para operar num ambiente competitivo fechado e analógico e agora têm que saber lidar com o aberto e digital.

Exige, portanto, forte mudança de paradigma, através de intensa reciclagem.

Este texto em podcast:
https://youtu.be/SPQnpN5o7iY

A reciclagem dos profissionais de Inteligência Competitiva da competição fechada para a aberta é um serviço que tenho procurado oferecer na Nepomuceno – Inteligência Competitiva & Inovação – conheça mais aqui nepo.com.br/ic.

Detalhei aqui a minha análise sobre a crise da Inteligência Competitiva no Brasil e no mundo.

O problema que temos hoje no mercado é bem complexo, pois vivemos mudança estrutural na sociedade.

Não temos – isso está cada vez mais evidente – problema específico de mudança de cenário de uma organização ou de setor específico, mas de TODO o mercado.

Algumas bases estruturais do pensamento daquilo que considerávamos que era o mercado, administração, futuro precisam ser revistas.

Vimos que a maior parte dos Profissionais de Inteligência Competitiva tem atividade com viés mais tático do que estratégico e agora temos mais um desafio: o macro-estratégico.

Organizações isoladas, com toda a sua responsabilidade de entrega de produtos e serviços, metas, operação, dificilmente terão capacidade, investimento, para que possam trabalhar no que vamos chamar de Inteligência Competitiva para Macro-Cenários Disruptivos.

Depois de muito refletir sobre esse problema, começo a imaginar que a alternativa é transferir esse  desafio para as associações e organizações setoriais.

A criação de núcleos de Inteligência Competitiva para Macro-Cenários Disruptivos é um dos papéis a ser desempenhado pelas associações empresariais.

As Inteligência Competitivas Organizacionais continuariam a atividade específica, com viés mais tático e micro-estratégico e passam a ganhar subsídios de  visão mais macro-estratégica, financiada pelo conjunto das organizações de determinado setor.

Tenho conversado com várias associações setoriais e parece que já existem várias iniciativas, ainda incipientes, em várias delas.

Um núcleo/ou rede de Inteligência Competitiva Macro-Estratégica Setorial para Macro-Estratégica  teria como missão:

  • promover estudos mais disruptivos e menos incrementais;
  • mais macro-estratégicos do que estratégicos ou táticos;
  • mais de longo e menos de médio prazo;
  • analisar impacto deste estudos no setor específico;
  • e promover, por fim, atividades de conteúdo e capacitação para que  respectivas áreas de Inteligência Competitiva nas organizações possam ter mais subsídios para assessorar os associados.

A criação de Núcleos de Inteligência Competitiva Setorial é um serviço que tenho procurado oferecer na Nepomuceno – Inteligência Competitiva para Macro-Cenários Disruptivos – conheça mais aqui nepo.com.br.

Este texto em áudio:
https://youtu.be/f30sfc5W6Pw

 

 

Burrice Competitiva poderia ter a seguinte definição: quando determinada organização ou setor vai gradualmente não conseguindo mais enxergar o que está acontecendo no mercado e  vai, aos poucos, saindo do jogo.

Vivemos hoje no Brasil e no mundo, infelizmente,  aumento radical da taxa de Burrice Competitiva.

As organizações, no passado, sempre trabalharam no “feeling” dos donos.

De fato, o mercado era menos complexo, mais local, menos internacional, mais incremental, menos disruptivo.

Foram poucas as organizações do país que criaram – para valer –  áreas de Inteligência Competitiva de longo prazo, também chamadas de Estratégicas ou de Inovação Estratégica.

As organizações eram – e ainda são em sua maioria – estruturas feitas para repetir padrões, processos e, por causa disso, criaram cultura fortemente formatadora de mentes de baixa criatividade.

As organizações pré-digitais nasceram e cresceram num ambiente social com taxa disruptiva muito mais baixa do que o atual.

Hoje, vivemos mudanças disruptivas na comunicação e , por causa disso, em todo o mercado. É  mudança de paradigma, que exige nova forma de pensar e agir.

E aí aparece o problema estratégico:

  • as organizações pré-digitais NÃO têm profissionais especializados em criar qualquer tipo de cenário;
  • quando têm profissionais de Inteligência Competitiva são  voltados muito mais para o tático (curto prazo) do que para o estratégico (de longo);
  • E, por fim, quando há profissionais de Inteligência Competitiva de cenários de longo prazo (que envolve filosofia, teoria e metodologia) estão intoxicados dos paradigmas pré-digitais e não conseguem entender a base mais profunda das mudanças que estão em curso.

Por causa disso, aumenta em todo o mundo, com alguns reflexos no Brasil, a taxa de Burrice Competitiva.

Isso pode ser claramente demonstrado com surgimento de cada vez mais novos líderes de mercado, totalmente inusitados, e respectiva decadência dos antigos, antes considerados imbatíveis.

É isso que tenho procurado fazer na minha empresa de produção de conteúdo e capacitação a Nepomuceno – Estratégia Digital – conheça mais aqui nepo.com.br.

Este texto em áudio:
https://youtu.be/GR4aU0XbT0g

Vamos definir Inteligência Competitiva da seguinte maneira:

Forma proativa de captar e organizar informações relevantes sobre comportamento da concorrência, dos clientes e do mercado como um todo, analisando tendências e cenários, e permitindo  processo de tomada de decisão melhor no curto, médio e longo prazo.

No Brasil, a maior parte das organizações, NÃO tem departamento de Inteligência Competitiva. As que já têm estão com problema. Podemos dizer em crise.

Por quê?

As teorias sobre Inteligência Competitiva, de maneira geral, foram elaboradas para ambiente incremental e não disruptivo.

A maior parte dos Profissionais de Inteligência Competitiva não tem tido teorias e nem metodologias para lidar bem com mudanças disruptivas do mercado.

Não estão preparados para o que está acontecendo e ainda o que virá.

Vivemos hoje as seguintes mudanças disruptivas, a partir da chegada e massificação de nova mídia, que fomenta:

  • empoderamento do consumidor – que passa a gerar e receber informações, tornando-o mais exigente;
  • novos canais de distribuição de produtos e serviços – que permitem a chegada de concorrentes inusitados;
  • e, por fim, novos modelos de negócio – completamente distintos dos praticados atualmente pelas organizações pré-digitais.

Tais mudanças – que estão acontecendo em cada vez mais setores – são difíceis de serem compreendidas pelos Profissionais de Inteligência Competitiva.

É preciso nova formação para profissionais de Inteligência Competitiva que seja capaz de compreender de forma mais ampla o impacto do digital na sociedade. E de como o mercado tende a se comportar no médio e longo prazo, a partir da Revolução Cognitiva atual.

Tudo isso para que as organizações pré-digitais possam voltar a traçar estratégias mais consistentes em relação ao futuro.

É isso que tenho procurado fazer na minha empresa de produção de conteúdo e capacitação a Nepomuceno – Estratégia Digital – conheça mais aqui nepo.com.br.

É isso, que dizes?

Texto em áudio:
https://youtu.be/fNUm3Ju1kZM

 

O novo milênio traz com ele Nova Era Civilizacional do Sapiens.

Hoje, o modelo de administração hegemônico da espécie é a Gestão Oral e Escrita, que chegou ao seu limite diante do aumento demográfico de um para sete bilhões de habitantes nos últimos 200 anos.

Uma série de problemas complexos que se apresentam na sociedade NÃO TEM mais saída, via Gestão.

Não é possível mais de forma rápida, barata e participativa decidir e produzir.

Há vácuo entre o que a sociedade deseja –  empoderada por novos canais de ideias –  daquilo que as organizações podem oferecer.

A Gestão – baseada nas linguagens oral e escrita – precisa, necessariamente, de  gestor de carne e osso para interpretar tais códigos.

A Curadoria, que usa os cliques, ou interpreta códigos digitais, supera tais limites.

Não é à toa que a Curadoria passou a ser a base de todos os novos modelos das Organização 3.0 – Uber e similares.

A nova Era Civilizacional inicia, portanto, processo de fim da Gestão, dos gestores, dos líderes-alfas, que estruturaram toda a mentalidade administrativa que tínhamos até então.

Tal mudança de topologia – e por que não dizer de poder – altera conceitos e práticas na sociedade.

Veremos no futuro profunda alteração filosófica,  desde mudanças radicais nas religiões a hábitos sociais, políticos e econômicos.

É, sem dúvida nenhuma, a maior ruptura civilizacional pela qual o Sapiens já passou.

E, não é à toa, que tem gerado tanta perplexidade.

É isso, que dizes?

 

Neste novo milênio, será preciso separar mudanças em dois tipos:

  • As estruturais –  chegada de nova linguagem e novo modelo de administração;
  • E as conjunturais – que serão consequência das primeiras.

Os futurólogos de plantão conseguem visualizar melhor as conjunturais e menos as estruturais, pois não têm seguido  velha  máxima na arte de projetar cenários:

Primeiro, é preciso entender por que estamos mudando, para, só então, compreender para onde estamos mudando.

Se vivemos macro-mudança é preciso entender macro-forças.

Existem, sob esse ponto de vista, duas macro-forças relevantes que afetarão o novo milênio:

  • Problema –  salto demográfico de um para sete bilhões, em 200 anos – num mundo cada vez mais globalizado, hiper-conectado;
  • Solução –   surgimento de novo ambiente de comunicação, nova linguagem, que permitem novos canais de distribuição de ideias, produtos e serviços. E, como consequência, aparecimento, ainda incipiente, de novo modelo de administração.

Tal mudança pode se dizer é o marco de Nova Era Civilizacional do Sapiens – o que virá adiante será bastante diferente do que tínhamos até agora.

A Curadoria, novo modelo administrativo, altera completamente conceitos que tínhamos de administração, qualidade, produção. E gera profunda crise de mentalidade entre o velho e o novo método.

É preciso focar na mudança principal, estrutural, pois é para ela que precisamos nos preparar e saber aproveitar as oportunidades e evitar os riscos.

O novo milênio resolveu ir nessa direção e é para lá que devemos seguir.

É isso, que dizes?

Gestão é ferramenta administrativa, que está baseada em duas linguagens antes disponíveis: oralidade e escrita.

A Gestão nos acompanha já vários milênios e nos serviu de base para resolver problemas das diferentes civilizações passadas.

A gestão é:

  • lenta e, por consequência, cara;
  • com baixa participação da sociedade.

Isso pode ser administrado, numa espécie de fase de crise latente, mas não explícita, quando tínhamos:

  • mídias concentradas;
  • canais de distribuição de produtos e serviços concentrados.

A concentração permitiu que houvesse a redução da diversidade na sociedade e o aumento de controle do centro sobre as pontas.

O gatilho civilizacional, passagem de uma Era Civilizacional para a outra, se dá com a chegada e massificação e nova mídia descentralizadora.

A crise administrativa passa de latente para explícita, com surgimento de novo cidadão/consumidor muito mais informado e exigente.

E ainda novos canais de distribuição, que permitem o surgimento de concorrentes às velhas organizações.

Um conjunto grande de novos pensadores e empreendedores passam, cada vez mais, a influenciar as novas gerações e se inicia o processo de nova Era Civilizacional.

A Gestão dá lugar à Curadoria, que incorpora a oralidade e a escrita e introduz a linguagem dos cliques, que permite que possamos ter nova forma de tomada de decisões.

A crise administrativa, assim, é algo natural para o Sapiens, não é a primeira vez que ocorre.

As novidades são:

  • a quantidade de sapiens envolvidos;
  • a velocidade da mudança;
  • e a taxa de disrupção.

A taxa de disrupção é alta, pois os cliques permitem terminar com o modelo de administração baseado em líderes-alfas, introduzindo a Curadoria.

Nela, o gerenciamento de processos e pessoas é feito dentro de Plataformas Participativas, nas quais os fornecedores e consumidores se auto-gerenciam, sem a necessidade de um líder-alfa de carne e osso.

Sai o antigo Gestor e entra o Curador, que tem como ferramentas os cliques, algoritmos, inteligência artificial.

É uma crise profunda a exigir muito das nossas mentalidades intoxicadas.

É isso, que dizes?

 

O ser humano já passou na história por algumas macro-revisões filosóficas.

Galileu nos tirou do centro do universo. E Darwin nos fez entender que não éramos filhos de Adão e Eva.

A partir destas premissas, pensamentos tiveram que ser revisados para permitir novas formas de entender o humano, mais compatíveis com os fatos.

O mundo digital com diversas mudanças inusitadas nos obriga a rever algumas macro-verdades que tínhamos bem consolidadas sobre o Sapiens.

A primeira revisão a ser feita, a meu ver, é reavaliar o papel fundamental que as mídias exercem sobre a sociedade.

O Digital nos faz perceber que a sociedade não gira apenas em torno das mudanças propositais trazidas pela economia e pela política.

É fato: as Ciências Sociais precisam dar um cavalo de pau! Um giro de 180 graus.

É preciso imaginar um Sapiens que vive dentro de um tecno-planeta, cercado de tecnologias por todos os lados.

No tecno-planeta do Sapiens, as mídias são produtoras de cultura e alteram a sociedade de baixo para cima, sem centro controlador.

Além disso, somos obrigados a rever papel da demografia nas mudanças humanas, na seguinte nova lógica:

  • aumentos demográficos geram novas demandas;
  • novas demandas aumentam a complexidade;
  • a nova complexidade gera latência por macro-inovações;
  • macro-inovações só são possíveis com a chegada e massificação de novas mídias;
  • e novas mídias permitem mudanças profundas na forma como administramos a sociedade.

Criamos novos modelos de administração, ao longo da macro-história, para poder lidar com novos patamares de complexidade demográficas.

O  crescimento demográfico, portanto, é feito através de ordem espontânea que OBRIGA, perceba bem, OBRIGA,  a sociedade a tomar determinadas ações em direção à inovação no longo prazo.

Precisamos, assim, incorporar essa nova macro-revisão filosófica estruturante para poder agir de forma mais eficaz no novo milênio.

Ou incorporamos essa nova forma de ver a sociedade ou nossas análises não conseguirão  projetar o futuro e lidar melhor com ele.

É isso, que dizes?

Muito se fala hoje em dia de propósito, mas só existem dois:

  • O propósito independente – aquele que não depende de ninguém para ser atingido;
  • E o propósito dependente – aquele que, necessariamente, depende de alguém para ser atingido.

Você, por exemplo, pode decidir nadar todos os dias e isso é um propósito independente, que demandará esforço, um clube com piscina, investimento, vontade, mas é algo que não precisa envolver mais pessoas na sua decisão.

Pode também fazer ioga, respiração, servir comida para mendigos no meio da noite. São exemplos de propósitos independentes.

Já um namoro é o exemplo típico de propósito dependente, assim com como casamento, ou amizade, ou mesmo propósito profissional.

E é disso que estamos falando muito hoje em dia: de propósitos organizacionais.

Propósitos organizacionais só podem nos levar numa direção: agradar um cliente para que retribua com atenção e dinheiro e mantenha a organização (ferramenta de realização de propósito) viva.

Até a chegada do digital, organizações conseguiram sobreviver um pouco independente do propósito dos clientes. Estávamos na fase final da Era Civilizacional 2.0, na qual tivemos a concentração de mídia, que, por consequência, nos levou à concentração dos canais de distribuição.

Os clientes perderam poder em função da concentração do mercado, com cada vez menos opções.

E, por causa disso, as organizações conseguiram fazer com que o propósito do cliente importasse menos.

Ou melhor, puderam viver, de alguma forma, com um grau de independência maior do cliente.

A indústria da música, os táxis, os políticos, organizações estatais no Brasil são exemplos típicos desse aumento do propósito organizacional  – a despeito dos clientes.

A chegada do Digital e, com ele, da transparência e de novos modelos de competição, fizeram com que o propósito dos clientes ganhasse escala.

O que era feito de forma velada veio à luz.

E se viu que o rabo estava balançando, de certa forma, o cachorro.

Hoje, tanto se fala de propósito organizacional, pois o cliente tem ganhado cada vez mais  força.

Organizações devem ser ferramentas para realizar, da melhor forma possível, o propósito dos clientes e esse, afinal de contas, é o seu principal propósito.

Estamos falando daquela frase conhecida: “o cliente sempre tem razão”.

Mas às vezes mais ou menos, conforme a concentração do mercado.

Podemos, neste momento, readaptá-la: o propósito de qualquer organização é, portanto, permitir o propósito do cliente!

É isso, que dizes?

Esta talvez seja a maior dificuldade para os atuais administradores.

Hoje, assistimos a chegada de novas formas de controlar processos e pessoas que não podem mais ser chamadas de Gestão.

O Uber, por exemplo, não pratica a Gestão, mas a Curadoria, na qual fornecedores e consumidores se auto-controlam.

Não há gerentes e nem profissionais de RH.

Assim, temos que entender que a Curadoria (ou no popular Uberização) não é mais Gestão, apesar de ser Administração.

Como isso é possível?

Até hoje, considerávamos Gestão e Administração como sinônimos. E essa é, talvez, a maior ruptura do mundo digital na forma como pensamos as organizações.

Vejamos a definição de administração:

A administração é feita, através do controle de processos e pessoas, com as linguagens de comunicação humana disponíveis.

A Gestão era/é feita, tendo como base as linguagens oral e escrita.

Só que novas linguagens –  a história demonstra isso –  são criadas por necessidade de melhoria da espécie e permitem que possamos criar novos Modelos Administrativos.

A Administração é eterna e a Gestão conjuntural!

Novos modelos podem surgir para atender novas demandas, já que a espécie não tem limites demográficos, o que gera aumentos graduais do Patamar de Complexidade Demográfica.

Podemos dizer que há a seguinte nova forma de pensar o conceito de Administração:

  • Haverá sempre a Administração, que será compatível com Patamar de Complexidade Demográfica;
  • Quando aumentarmos o Patamar de Complexidade Demográfica, criaremos novas formas administrativas mais sofisticadas;
  • Novas formas administrativas são feitas em torno das linguagens humanas disponíveis;
  • Quando surgem novas linguagens humanas, temos a possibilidade de sofisticar e criar novos modelos administrativos.

A grande novidade hoje é a chegada da linguagem dos cliques, que permite,por exemplo, o Uber e similares.

Tal modelo administrativo é completamente diferente dos anteriores. São feitos, através da criação da reputação mútua entre consumidor e fornecedor.

O Uber controla processos e pessoas, através dos cliques.

O Uber não pratica a Gestão, mas a Curadoria (ou no popular, a Uberização).

Imaginar que a Gestão podia ficar obsoleta é algo que não passa pela cabeça dos atuais administradores, mas tem que passar!

Assim, Administração não é sinônimo de Gestão. Administração é sinônimo de organização e controle, que varia conforme o Patamar de Complexidade Demográfica e as Linguagens Humanas disponíveis.

É isso, que dizes?

Um dos principais equívocos que cometemos é avaliar que agora somos tecnológicos.

O Homo quando optou ser Sapiens – escolheu ser tecno.

O que nos diferencia das outras espécies é justamente a capacidade de criar novas tecnologias para  resolver novos problemas.

Quando aumentamos a população, elevamos patamar de complexidade.

Surgirão latências por novas tecnologias para lidar com novas demandas cada vez mais sofisticadas.

O grau de exigência tecnológica, por exemplo, de uma tribo de índios no interior da Amazônia com 120 membros é completamente distinta de uma megalópole como São Paulo que tem 12 milhões de habitantes.

Aumentos demográficos provocam elevação da dependência tecnológica do Sapiens.

A tecno-cultura aumenta a sua taxa de tecnocidade.

Uma coisa é sociedade totalmente oral, que se utiliza de linguagem biológica como a fala. Outra, completamente diferente, é quando incorporamos à escrita.

A escrita, por exemplo, exige tecnologia exterior ao homem.

E mais ainda quando grande parte da cultura passa a ser produzida, através de telas no ambiente digital.

As alterações tecnológicas – na introdução de novo celular ou aplicativo – pode ter impacto muito maior na vida da sociedade, pois surge e se dissemina muito rapidamente.

Estamos ganhando uma certa tecno-liquidez.

E isso impacta diretamente na forma como vemos o mundo.

Saímos de um ambiente previsível para um cada vez mais imprevisível em função do aumento da tecnocidade.

Há uma liquidez maior na produção da cultura.

E isso precisa ser, de alguma forma, ajustado para que as pessoas se sintam confortáveis nesse novo ambiente muito mais mutante.

Nossa mentalidade (como pensamos e agimos) é mais compatível com um mundo muito mais sólido do que o atual.

É preciso um macro-ajuste.

É isso, que dizes?

Quanto mais palestro, dou aulas, discuto com pessoas de todas as idades, perfis constato a mesma coisa: nossa mentalidade não suporta macro-mudanças!

O Sapiens, de maneira geral, foi educado e formatado para viver na micro-história, talvez na hiper-micro-história.

Se falarmos do ser humano médio, estamos interessados no que ocorre com nossos familiares (muito), amigos (bastante), algo no nosso estado ou país (em alguma medida) e talvez no mundo (de vez em quando).

Vivemos inseridos no nosso tempo e lugar, profundamente intoxicados do cotidiano.

Nas organizações que trabalhamos temos nossas metas diárias, semanais, mensais, ou no máximo, anuais.

Isso não é algo ruim, negativo. Nós somos assim e é isso que nos faz sobreviver.

Vivemos hoje, entretanto, início da Era Civilizacional 3.0 provocada pela chegada de nova mídia digital e, com ela, da nova linguagem dos cliques, que nos abre revoluções sociais, políticas e econômicas.

Vivemos momento de disrupção do Sapiens, a passagem de um Homo que vivia sob a égide das linguagens oral e escrita que criaram a Gestão.

E estamos introduzindo a linguagem dos cliques que nos permite experimentar a Curadoria.

É mudança radical de como organizamos a espécie, talvez a maior mudança já promovida pelo Sapiens em todos os tempos.

O novo modelo de administração é muito mais próximo dos insetos, como das formigas, do que dos mamíferos, que sempre foi nossa referência, com respectivos líderes-alfas.

Sim, já tivemos mudanças de mídias no passado com consequências proporcionalmente similares. Mas, em nenhum outro momento da macro-história, mudanças provocadas pela chegada de novas mídias foram tão rápidas e disruptivas e impactaram tanto a primeira geração.

Precisamos, no passado, por exemplo, de várias gerações (exatos 350 anos) desde a chegada da prensa para migrar da monarquia absoluta para a república.

E agora não temos mais esse tempo.

Há choque entre a forma como vemos o mundo na hiper-micro-história, sempre em continuidade, para o da macro-história em processo disruptivo.

A continuidade incremental que esperávamos que fosse as nossas vidas não está acontecendo.

E aí está, talvez, o grande desafio educacional para as lideranças da geração pré-digital: migrar, em curto espaço de tempo, de pensamento contínuo micro-histórico para um disruptivo macro-histórico.

É isso, que dizes?

Todas tecno-espécie consegue aumentar a população.

Se encontrarmos outra pelo Universo veremos isso.

Nós, por desenvolver novas tecnologias, conseguimos superar as barreiras demográficas.

E se continuamos a crescer, como tem sido feito ao longo dos últimos cinco séculos, necessariamente temos que inovar de forma obrigatória.

 

Existe na sociedade o que vou chamar de Pêndulo Civilizacional.

(Já chamei de Cognitivo, mas acho Civilizacional mais adequado).

Pêndulo na definição corrente é “dispositivo que oscila em torno de  ponto fixo”.

Podemos dizer que a demanda de sobrevivência do Sapiens é o nosso ponto fixo, como de todas as outras espécies no planeta.

Não existe prioridade maior para qualquer pessoa, grupo, país e sociedade do que sobreviver e – se possível – viver melhor.

O Sapiens tem na sua essência a luta pela sobrevivência e – diferente das outras espécies –  capacidade de se reinventar de forma incremental ou disruptiva ao longo da macro-história.

Há dois movimentos pendulares, que nos levam a dois pólos distintos:

  • Aumentos demográficos SEM mídias descentralizadoras – que nos levam à centralização social, política e econômica;
  • Aumentos demográficos COM mídias descentralizadoras – que nos levam à descentralização social, política e econômica.

Nos últimos cinco séculos vivemos sob a égide da massificação da escrita, através da prensa.

A partir dela, tivemos a seguinte reação em cadeia:

  •  surgimento de sociedade mais descentralizada e inovadora (no modelo republicano e de livre mercado);
  • a hiper-globalização;
  • e o hiper-aumento demográfico de um para sete bilhões de habitantes em 200 anos.

Neste período de cinco séculos depois de iniciado o processo, podemos dizer que tivemos o seguinte ciclo:

  • 1450 – 1800 – massificação da nova mídia descentralizadora da escrita impressa e preparação das revoluções liberais, aumentando o poder das pontas;
  • 1800-1900 – consolidação e ápice dos movimentos liberais, iniciando processo de macro-crescimento demográfico;
  • 1900-2000 – centralização de poder, com o surgimento dos regimes totalitários, como reflexo do aumento demográfico sem mídias descentralizadoras;
  • 2000em diante – surgimento de nova mídia descentralizadora.

Veremos que quanto maior é a complexidade demográfica de determinada sociedade,  há apenas duas formas de lidar com ela:

  • ou há a centralização de poder, o que acaba por gerar soluções de curto prazo, pois o centro se vê, ao longo do tempo,  incapaz de lidar com a complexidade crescente;
  • ou a descentralização dos problemas, solução de médio e longo prazo, compartilhando-os com as pontas.

Vivemos hoje fenômeno similar a 1450,  com a chegada de mídia descentralizadora, iniciando processo em direção à descentralização de poder.

Após cinco séculos regidos pelo impacto da escrita impressa, teremos mais alguns séculos sob a influência da chegada do digital.

Todo o debate filosófico sobre essência e substância precisa levar em conta nossa tecno-especificidade.

O Sapiens é a única tecno-espécie do planeta.

Uma tecno-espécie tem a capacidade de se reinventar, ao longo da sua trajetória.

Já tivemos época que éramos espécie não voadora, não navegadora. Tivemos fases que não conseguíamos olhar para as estrelas, para os micróbios ou conhecer os átomos e suas partículas. Tudo isso foi se modificando e nos modificando no tempo.

Ninguém pode afirmar, com os avanços da engenharia genética, da capacidade que teremos mais adiante de alterar nosso DNA, de que continuaremos a nos alimentar, reproduzir ou mesmo morrer.

Ninguém pode afirmar que continuaremos a precisar de água e comida para sobreviver no futuro.

Vai depender das tecnologias e como vamos decidir utilizá-las, a cada momento, em função dos problemas que teremos,  já que continuamos a crescer demograficamente.

O que hoje é uma essência básica do Sapiens, pode não ser amanhã.

Assim, se temos, diferente dos outros animais, a capacidade de alterar o que neles é definitivo, não podemos dizer que nossa essência é fixa.

O que podemos dizer sobre o Sapiens é que temos a essência aberta, passível de mutação, a partir da nossa capacidade de alterar a natureza e a nós mesmos.

As opções da substância disponível –  aquilo que podemo ser a cada momento da macro-história – depende das possibilidades que temos no tecno-planeta que reinventamos.

Já disse aqui que o Sapiens não vive NO planeta, como os outros animais, mais num tecno-planeta, que é mutante, conforme as tecnologias disponíveis.

Somos aquilos que as tecnologias nos permitem ser. E tecnologias são sempre passíveis de alterações. Isso é a base da nossa essência.

É isso, que dizes?

 

Tenho defendido que,  por crescer demograficamente sem limites, o  Sapiens precisa criar linguagens e modelos de administração cada vez mais sofisticados.

Nossa espécie vive sob a égide da Complexidade Demográfica Progressiva.

Mudanças na comunicação e na administração, assim, não são opcionais, mas obrigatórias.

O processo irá surgir naturalmente, após saltos demográficos, primeiro com a chegada e massificação de novas mídias e depois com mudanças administrativas, na direção da descentralização das decisões – única forma viável no tempo de lidar com o aumento progressivo da complexidade.

Nessa trajetória, podemos dizer que tivemos as seguintes Linguagens de Comunicação na Macro-História: os gestos, a oralidade, a escrita e agora os cliques (linguagem binária).

Demorei bastante tempo para considerar, como faço agora, os cliques como nova linguagem humana de comunicação.

Linguagens de Comunicação são ferramentas produtoras de cultura que permitem trocas de todos os tipos e, respectiva, tomada de decisão.

Os cliques, quando olhamos a sua aplicação, permitem que decisões sejam tomadas por cada vez mais gente, tal como a criação da reputação de pessoas, objetos, registros informacionais e lugares.

Deixa-se rastro dos cliques passados que é utilizado por todos que vem a seguir, permitindo que se tenha processo de tomada de decisões mais eficaz, barato e meritocrático.

A novidade da Linguagem da Comunicação dos Cliques, diferente das passadas, é que nunca tivemos um mix tão intenso entre a linguagem de comunicação social (responsável pelas trocas humanas) e a matemática (responsável pela medição e cálculo).

Eram dua categorias de linguagens distintas que andaram separadas por milênios –  cada uma com função específica – que agora se juntam para criar a Civilização 3.0.

Algoritmos em processos de Comunicação Social passam a fazer parte da interação entre as pessoas, que se comunicam cada vez mais por telas e plataformas participativas.

São os algoritmos que já estão definindo os artigos que você recebe, quais amigos verás com mais intensidade no Facebook e que tipo de resultado de busca terá no Google.

Muitos dirão que preferiam que nada disso ocorresse.

Têm vontade de voltar para o mato, mas isso é o que chamo de pensamento melancólico em ação.

A complexidade de 7 bilhões de Sapiens está dada e respectivas demandas, agora é resolver o problema da oferta, através destas novas alternativas de comunicação e administração.

Como?

  • Assumir que teremos novos modelos de comunicação e administração obrigatórios para resolver problemas e que não há saída nos modelos antigos;
  • Que estes novos modelos serão cada vez mais matemáticos para resolver os problemas cada vez mais complexos;
  • Que será preciso compreender melhor o papel dos algoritmos, torná-los cada vez mais transparentes e passíveis de edição;
  • E, por fim, a possibilidade, via concorrência, para que se aperfeiçoem sempre a favor dos consumidores e cidadãos.

É neste novo ambiente comunicacional-matemático que o Sapiens 3.0 terá que saber conviver e modificar – da melhor forma possível – neste novo milênio.

É isso, que dizes?

 

Quando começamos a falar há cerca de 70 mil anos, podíamos dizer que tínhamos certa simplicidade cognitiva, pois havia apenas uma forma de comunicação entre todas as tribos e entre-tribos.

A oralidade se manteve como única forma de comunicação humana durante, pelo menos, 2/3 da nossa existência no planeta.

Criamos a escrita, há cerca de 5 mil anos,  para poder lidar com  aumento da taxa de Complexidade Demográfica.

O Sapiens –  tenho repetido isso aqui à exaustão – é a única espécie que cresce demograficamente e, por causa disso, precisa promover, de tempos em tempos, inovações na comunicação e na administração da espécie.

A escrita quebrou a barreira da oralidade do tempo e lugar e permitiu, além da construção da memória humana, que se pudesse criar novos modelos de administração mais complexos.

Não haveria Império Romano, por exemplo, sem a escrita manuscrita!

A chegada da escrita (primeiro a manuscrita e depois a impressa) sofisticou o ambiente, pois passamos a ter que lidar com duas linguagens em paralelo na sociedade:

  • Pessoas analfabetas, que não sabiam ler em sociedades que já dominavam a leitura;
  • E povos ágrafos que não dominavam a escrita e eram basicamente orais.

Quando refizermos a história, a partir dos novos conceitos da Antropologia Cognitiva (que considera a chegada das novas mídias e aumentos demográficos como eixo central das macro-mudanças humanas) precisaremos rever a história das religiões e dos modelos de governo.

Por exemplo, veremos que o Cristianismo se expandiu justamente pela difusão da Escrita Manuscrita, que permitiu o surgimento do grande Império Romano.

Roma aderiu ao Cristianismo, pois não haveria chance de haver  imperador politeísta. Era necessária a tríade: escrita  – monoteísmo – império.

E ainda que a invasão dos “bárbaros” que decreta o fim do Império Romano Ocidental (476 DC) é feita justamente por tribos ágrafas, numa luta entre duas civilizações: uma que só falava e outra que falava e escrevia.

Hoje, temos algo ainda mais complexo.

Temos duas antigas  linguagens (Oral e Escrita – vou descartar os gestos como relevante) que estão se reposicionando no novo milênio.

E ainda uma terceira, a dos cliques (binária) que está surgindo, permitindo novo modelo de administração e de sociedade.

Há uma democratização da oralidade e da escrita e, ao mesmo tempo, o uso inicial da linguagem digital dos cliques (binária), já sendo adaptada para novo modelo de administração (a Curadoria).

O nível de complexidade é muito maior, pois não temos mais penas dois mundos em paralelo (o da escrita e da oralidade) se revezando, mas agora um terceiro, dos cliques.

E mais: a oralidade e a escrita se democratizaram e isso tem forte impacto na sociedade.

O quadro é muito mais complexo do que sempre foi, compatível com  mundo de 7 bilhões de habitantes e sua imensa diversidade.

Viveremos no novo milênio com três ambientes cognitivos distintos em muitas vezes em paralelo, duelando entre si, com seus diversos representantes, com seus projetos específicos.

(O  totalitarismo islâmico e o bolivarianismo, por exemplo, são representantes típicos do pensamento oral/escrito manuscrito.)

Qualquer estudo estratégico mais eficaz do novo milênio terá  que saber analisar estas três dimensões, em separado e como se potencializam em direção à grande macrotendência do milênio: a descentralização inevitável, como detalhei aqui.

É isso, que dizes?

 

 

As linguagens são as ferramentas de construção da cultura do Sapiens.

Precisamos rever a trajetória humana, a partir do  novo olhar da Antropologia Cognitiva, que incorpora o fundamental papel das mudanças das mídias na história.

Temos, com a chegada da Internet, alterações no tabuleiro desse jogo macro-midiático, que contava até agora apenas com três linguagens: a gestual, a oral e a escrita.

A principal novidade do digital é a chegada da nova linguagem – a dos Cliques.

A linguagem dos cliques permite que haja tomada de decisão com muito mais participação  – como temos visto no Uber, Airbnb, Mercado Livre, etc.

A Linguagem dos Cliques viabiliza a criação de novo modelo administrativo, impensável até aqui, superando a Gestão e introduzindo a Curadoria.

Os Cliques e a Curadoria são as “grandes vedetes” do novo milênio e vêm atender à demanda da civilização que chegou rapidamente ao patamar de complexidade de 7 bilhões de Sapiens.

Porém, como vimos no passado, novas mídias, quando chegam, promovem rearranjo em todas as linguagens pré-existentes.

A escrita e a oralidade, que eram a base do modelo administrativo que tínhamos, sofrem agora processo de secundarização por um lado e relevância, ou movimento de renascimento, por outro.

As antigas linguagens estão se descentralizando e se massificando por causa da redução de custos da produção e distribuição das informações.

A descentralização das mídias – vindas do digital –  traz mudanças sociais, políticas e econômicas, pois muita mais gente tem acesso à informação e passa a exigir organizações compatíveis com esse novo esclarecimento.

As antigas linguagens aceleram a demanda por nova sociedade, que não tem mais saída com as antigas linguagens e o velho método administrativo.

Temos aí dois movimentos, em paralelo, que vão se encontrar mais adiante: cada vez mais gente pedindo mudanças empoderados pelas velhas mídias renovadas pelo digital.

E novos modelos administrativos de solução dos problemas, via linguagem dos cliques e Curadoria, que permitem saídas para os impasse civilizacional que nos metemos.

É isso, que dizes?

 

Detalhei aqui como há ao longo da história humana  jogo de linguagens muito pouco estudado pelos historiadores.

A oralidade é a forma mais antiga e democrática de comunicação, pois se aprende a falar em casa, sem necessidade de escola.

Todos os povos e pessoas sabem o idioma, porém nem todas ler e escrever.

A oralidade tem uma trajetória interessante, vejamos:

  • oralidade pré-escrita – que permitiu o surgimento das aldeias, o fim do nomadismo, a domesticação de animais e plantas. O politeísmo primitivo é filho da oralidade;
  • oralidade pós-escrita – a escrita complementa a oralidade, tornando-se a peça fundamental para lidar com novos patamares de complexidade. A escrita manuscrita e depois impressa nos permitiram quebrar as barreiras de tempo e lugar e criar  a memória humana. O monoteísmo mais ou menos totalitário é filho da escrita;
  •  oralidade nos meios eletrônicos – com o aumento demográfico dos últimos 200 anos, a oralidade volta com toda força, mas agora de forma fortemente centralizada e vertical. Há, em alguma medida, um retorno do uso da oralidade pelos centros de poder, reduzindo a capacidade de produção de informação das pontas, a não ser que seja local e presencial;
  • oralidade no digital – com a chegada do computador e depois da Internet, acrescida de equipamentos móveis, a oralidade está tendo espécie de renascimento, pois se consegue superar – pela primeira vez – as barreiras de tempo e lugar de forma descentralizada.

(De certa forma, o mesmo ocorre com a escrita, mas depois falamos mais disso.)

Note que o renascimento da oralidade distribuída será algo fundamental para o novo milênio, pois temos:

  • grandes déficits educacionais de uma população que cresceu demais (principalmente fora dos grandes centros mais desenvolvidos economicamente) e não há recursos, com o velho modelo educacional, de fornecer educação de qualidade. Hoje, está se recuperando tais déficits, mesmo sem projeto educacional explícito, através de áudios e vídeos disponíveis na rede;
  • grandes déficits republicanos de uma população que cresceu demais e não há maturidade política para tomada de decisões com mais autonomia e eficácia (baseada em domínio do idioma, da matemática e de experiências históricas). Isto também está sendo feito sem que haja um projeto intencional nessa direção.

Note que a escrita foi utilizada como a grande ferramenta educacional durante vários séculos, por total incapacidade de transmissão oral descentralizada de conhecimento.

Hoje, a grande barreira que tínhamos para a difusão da oralidade descentralizada foi superada.

A grande oportunidade que temos no novo milênio não é continuar a apostar apenas na escrita.

A grande oportunidade que temos pela frente, pois atinge a qualquer um, é incentivar o uso intensivo da oralidade distribuída a distância para que se possa promover – de forma barata, massiva e eficaz – novo ciclo educacional e republicano, que a Civilização 3.0 demanda.

 

É isso, que dizes?

Existem vários tipos de inteligência, mas vou seguir o raciocínio digital e ficar com apenas três:

  • O HD  – onde armazenamos o que sabemos;
  • O processador – que utilizamos para tomar decisões;
  • E a memória RAM – espaço que utilizamos para revisar todo o processo.

A Inteligência Criativa é feita no espaço da memória RAM.

Está justamente na capacidade que temos de criar espaço próprio para rever processos.

Perceber como percebemos.

Ou melhor.

A Inteligência Criativa é a capacidade que temos, o espaço interno criado, para refletir sobre os nossos próprios pensamentos e ações.

A Inteligência Criativa é a capacidade humana de se reinventar.

Mas para isso precisa ter um espaço interno para que possa observar tudo que chega, como agimos, como pensamos e o que armazenar na memória e as decisões que serão tomadas.

Quanto maior a “memória RAM”de cada um, maior será a possibilidade da Inteligência Criativa e, por consequência da inovação.

De maneira geral, nossas vidas são feitas de forma mais automatizada , através de processos de tomada de decisão e memórias recorrentes, sobre as quais não temos muito espaço interno para reflexão

Somos mais autômatos, com baixa capacidade de criação e inovação.

É no desenvolvimento da inteligência criativa, de rever como pensamos e agimos, que está o segredo da inovação e criatividade.

Isso é mais desenvolvido quando temos exercícios diários, espaços de anotação/reflexão, experimentação de novas formas de ação e revisão sobre tudo isso.

Assim, se expande, gradualmente, a capacidade criativa, através de alargamento da Memória RAM e, por consequência, da criatividade e da inovação.

É isso, que dizes?

Nenhum pensador do passado, já falecido, pode ser avaliado pela maneira de pensar de hoje.

Todo pensador recebe herança sobre a qual se debruça, vê inconsistências e colabora para melhorar, a partir da sua capacidade de refletir de forma mais eficaz sobre os problemas escolhidos.

Um pensador pratica a oposição ao pensamento dominante da sua época.

A avaliação do trabalho de qualquer pensador se inicia, portanto, no legado que recebeu e aquilo que conseguiu agregar a este em perspectiva.

É importante considerar que pensamentos criam hábitos sobre os quais se alicerçam interesses de vários tipos pela continuidade dos mesmos e pela não mudança.

Pensadores que questionam a forma de pensar e agir, necessariamente irão contra o poder da mentalidade reativa de plantão e contra a que foi educado.

É uma batalha interna e externa para conseguir criar novo patamar de pensamento.

O Sapiens tem basicamente dois métodos para analisar um problema: a indução e a dedução.

  • A indução parte do conteúdo (dados, fatos) para o mais geral – é método mais indicado para ambientes estáveis e processos conhecidos;
  • A dedução parte da forma (filosofia, teoria, metodologia) para o mais específico – é método mais mais indicado para ambientes instáveis e processos desconhecidos.

Na filosofia, podemos dizer que tal embate separa idealistas (mais ligados à forma) dos empiristas (mais ligados ao conteúdo).

Na verdade não se pode encarar o estudo e análise de problemas na base da paixão por métodos.

Métodos são ferramentas a serem utilizadas, conforme cada contexto.

Ora temos que que ser mais pragmáticos e conteudistas e ora mais filosóficos e formalistas.

Há determinados problemas “mais cabeludos”, que exigem revisão em questões mais amplas na forma como vemos determinado cenário ou ambiente.

Podemos dizer assim, que:

  • Quando lidamos com ESTABILIDADE temos melhores resultados quando somos mais conteudistas, mais indutivos, mais pragmáticos.

E vice-versa.

  • quando lidamos com INSTABILIDADE e MAIS DESCONHECIMENTO teremos melhores resultados quando somos mais dedutivos, mais filosóficos, mais teóricos e metodológicos.

Não se pode tentar resolver um novo problema, com as velhas ferramentas.

Instabilidades nos processos denotam que os conteúdos (fatos) não estão se encaixando nas formas (teorias). É preciso revisar as teorias para reencaixar os fatos.

Quando isso não é feito, temos um problema de insistir com um martelo, quando se pede chave de fenda.

Hoje, com a chegada do Digital estamos insistindo nos métodos indutivos sem nos preocupar com os dedutivos. É preciso rever as formas para, só então reencaixar o conteúdo.

É isso, que dizes?

Tenho insistido em dizer que o Sapiens caminha para o Descentralismo ao longo da macro-história.

Podemos entender descentralismo como o aumento gradual da capacidade de cada indivíduo  tomar decisões ao longo da vida.

O descentralismo é algo que caracteriza a essência humana, como defendi aqui. 

Faz parte do que é natural da nossa espécie.

Podemos dizer que o Sapiens 3.0, filho do digital, toma e tomará cada vez mais decisões, do que o Sapiens 2.0, filho da escrita e o 1.0, da oralidade.

Por sermos espécie tecno-cultural não temos limites demográficos, mas precisaremos necessariamente alterar a forma como nos relacionamos e nos organizamos ao longo do tempo para lidar melhor com novo patamar de complexidade.

O Sapiens 1.0,  Oral,  por exemplo, tinha  teto demográfico intransponível, pois a oralidade era incapaz de permitir o aumento da participação de cada indivíduo nas decisões.

Sociedades Orais tinham necessariamente que viver sob determinado tipo de centralização. A complexidade não podia ser distribuída por falta de tecnologias cognitivas e, portanto, havia  limite de crescimento demográfico.

Quando estudarmos – sob esta nova ótica – antigas civilizações que entraram em colapso, veremos sempre os efeitos destes dois fatores em relação:

  • o aumento da complexidade demográfica;
  • que acaba por bater na capacidade de descentralização de decisões, por falta de mídias adequadas.

A passagem de ambiente organizacional mais centralizado para mais descentralizado demanda, assim, sempre mudanças cognitivas individuais para permitir descentralização.

Cada individuo terá que ter mais capacidade de decisão –  a única forma que permite lidar com a Complexidade Demográfica no longo prazo.

O cérebro precisa ser mais bem preparado para tomar decisões mais lógicas (educação) e ter melhor ferramenta de apoio (tecnologia cognitiva).

Quando uma sociedade aumenta a complexidade necessariamente vai precisar –  para não entrar em colapso –  de nova educação, novas mídias e, por fim, novo modelo de organização, que permita a descentralização das decisões.

Quando isso não é possível, tende à centralização e crises cíclicas e permanentes.

É isso, que dizes?

 

Podemos dizer que temos dois tipos de tecnologias na sociedade humana.

  • As cognitivas – que empoderam diretamente nosso cérebro;
  • As não cognitivas – que empoderam principalmente nossas habilidades físicas.

O cérebro humano é o que nos diferencia basicamente de todas as outras espécies.

Temos, na verdade,  um tecno-cérebro.

Este tecno-cérebro sempre foi auxiliado por determinada prótese para poder operar, aprender, se relacionar com as outras pessoas e o mundo.

Um avião (Tecnologia Não-Cognitiva) nos permite viajar com mais rapidez para lugares mais distantes, mas um computador (Tecnologia Cognitiva) nos permite que possamos projetar aviões cada vez melhores, naves espaciais, que antes era impossível com as Tecnologias Cognitivas anteriores.

Assim, Tecnologias Cognitivas são as que mais afetam nossa macro-história, pois são ferramentas que permitem que o cérebro possa fazer coisas que não podia antes.

Além disso, Tecnologias Cognitivas, pelo uso massificado, se tornam, com o tempo, cada vez mais baratas e permitem que mais e mais pessoas possam utilizar.

O uso do avião, portanto, não é necessariamente fenômeno de massa, tecnologias cognitivas, podem demorar a se massificar, mas um dia o fazem.

Há, com a massificação de novas Tecnologias Cognitivas, empoderamento do cérebro de cada Sapiens, que se utiliza da nova tecnologia, de forma muito rápida.

Há aumento radical da capacidade de informar e se informar.

E, além disso, uma órtese cognitiva vai, aos poucos, alterando determinadas configurações do cérebro, criando um tipo de mutação biológica da espécie.

Por isso, a chegada de novas mídias, principalmente, as descentralizadoras são tão impactantes na nossa macro-história.

Há um empoderamento individual e coletivo muito rápido na capacidade de processar informações, que altera a sociedade de fora para dentro, sem um grupo regulador.

É algo que quebra todos os conceitos que temos da caminhada humana.

É fundamental para compreender o novo século perceber que vivemos hoje uma Revolução Cognitiva, que significa massificação acelerada de novas mídias descentralizadoras, que inauguram nova etapa da Civilização Humana.

Muito do que tínhamos certeza sobre o Sapiens, podemos começar a duvidar.

É isso, que dizes?

 

São mudanças históricas que alteram profundamente a vida do planeta no geral ou do Sapiens em particular, de forma profunda e, muitas vezes,  irreversível.

Podemos dizer que existem dois tipos de fenômenos macro-históricos:

  • Macro-fenômenos históricos planetários – que afetam o planeta como um todo, tal como a queda do meteoro que acabou com os dinossauros há cerca de 66 milhões de anos;
  • Macro-fenômenos históricos humanos – que afetam a sociedade, mas não o planeta como um todo. Tal como guerras mundiais ou grandes epidemias.

Entre os macro-históricos humanos temos de dois tipos:

  • Macro-fenômenos históricos humanos impositivos – tais como conquistas de impérios, revoluções sociais totalitárias, no qual existe centro incentivador das mudanças, em que há necessidade de continuado uso da força física ou doutrinação para continuidade do processo. Aqui, há uma forte imposição dos centros para as pontas;
  • Macro-fenômeno históricos humanos não impositivos – aumentos demográficos, tais como difusão de novas mídias, massificação de novas tecnologias, de doutrinas políticas e econômicas, no qual NÃO há necessidade de continuado uso da força física ou doutrinação para a continuidade do processo. Aqui, há uma forte movimento das pontas, independente dos centros.

Vivemos hoje a consequência de dois fenômenos históricos humanos não impositivos: o salto demográfico, que nos obriga a lidar com outro patamar de complexidade.

Ninguém projetou 7 bilhões de pessoas no mundo para criar uma demanda de forte mudança social. Isso ocorreu como movimento distribuído e não intencional da espécie.

E tal latência por mudanças – para lidar com o novo patamar de complexidade – nos leva à massificação de nova mídia, o que também é um movimento espontâneo, não impositivo, que altera a vida da sociedade para sempre.

É isso, que dizes?

Novas mídias descentralizadoras vêm viabilizar a necessária distribuição de poder.

Já disse aqui que a distribuição de poder, ao longo do tempo, faz parte do que podemos chamar de essência humana.

O Sapiens quando aumenta a Complexidade Demográfica precisa fazer com que cada vez mais gente participe de forma melhor das decisões.

É como se houvesse uma pulverização obrigatória do poder para muito mais gente ajudar nas decisões.

Muitos dirão que nem todas as regiões do planeta fazem isso, é fato, mas todas que não aderem a esse comportamento, entram em processo de crise.

Nestes momentos de descentralização de mídia um grupo que detinha o controle das verdades circulantes perde espaço para nova leva de autores que irão oxigenar a sociedade de novas verdades.

É um movimento cíclico, obrigatório, cotidiano de qualquer tecno-espécie do Universo. Como somos a única conhecida, não temos termos de comparação, mas assim que somos.

Aumentos demográficos necessariamente obrigam a espécie a mudar, através da descentralização de poder.

Muitos dirão que há uma perda qualitativa, sim há, pois os antigos “produtores da verdade” perdem espaço. Mas há, ao mesmo tempo, ganho quantitativo, pois cada vez mais gente ganha mais capacidade de decisão.

Mais gente vai tomar decisões melhores e vai desbancar o antigo centro de poder de circulação das verdades.

O antigo centro tem uma verdade que perdeu o contato com os problemas da maioria. Uma verdade eunuca, sem problemas vindo das pontas.

Verdade  que acaba se tornando cada vez mais voltada para o interesse e reforço do próprio grupo – corporativa e dogmática.

Foi o que ocorreu no fim da Idade Média com a chegada da prensa, que desbancou o poderio da Igreja, criando novas alternativas religiosas e um ambiente mais científico.

O mesmo ocorre agora com a chegada da Internet.

Neste momento, haverá crescente demanda pela difusão e massificação de macro-cosmovisões descentralizadoras, que defendem um ser humano sem propósito.

E vice-versa.

Haverá crescente redução de macro-cosmovisões centralizadoras, que defendem ser humano com propósito, do qual o antigo grupo de poder sabia o caminho.

É isso, que dizes?

 

 

 

 

Várias vezes ouço discursos melancólicos de pessoas diante das mudanças no novo milênio.

A melancolia é estágio emocional-cognitivo que vai muito além da nostalgia.

A nostalgia é apego ao passado, mas não coloca a pessoa paralisada como a melancolia.

Se existe algo que aprendi nestes vinte anos de estudo sobre o Digital foi que a principal força de mudança do Sapiens é a Complexidade Demográfica Progressiva – característica única de tecno-espécies.

Aumentos demográficos geram novo patamar de complexidade demográfica e estes demandas por mudanças obrigatórias, que ficam latentes até surgir nova mídia descentralizadora.

Tudo que ocorre numa cidade de 300 mil habitantes será diferente quando a população saltar para 3 milhões.

Problemas serão mais complexos, demandarão soluções mais matemáticas,  mais sofisticadas, mais tecnológicas, mais científicas – e menos românticas,

Uma forma de se viver terá que dar – necessariamente –  lugar à outra.

Todos os dias os 3 milhões de habitantes naquela cidade, ou os 210 milhões de brasileiros ou os 7 bilhões de Sapiens vão acordar com fome –  querendo comida na mesa.

Contra essa força da sobrevivência nada, absolutamente nada, nenhum tipo de sentimento, nostalgia, melancolia será capaz de impedir que os processos se alterem.

O grande erro que temos neste novo milênio – que nos leva à esta melancolia crônica –  é o que definimos filosoficamente no século passado como essência humana.

Nosso conceito sobre a essência do Sapiens está equivocado: quando crescemos demograficamente, necessariamente precisamos mudar a sociedade.

A essência do Sapiens, aquilo que podemos ser – é  e sempre será algo em aberto, pois não sabemos exatamente o que teremos que fazer para comportar  7, 8 ou 15 bilhões de habitantes no planeta.

Tem-se a fantasia de que vamos aumentar a população indefinidamente, mas a vida não vai se alterar por causa disso. Isso é completamente falso!

Há esse sentimento no ar de paralisia, pois nos agarramos a um tipo de sociedade que não tem mais como voltar para trás.

Não há há nada que nenhuma pessoa, grupo, país, organização transnacional possa fazer.

O melancólico não tem ferramentas para voltar ao mundo que um dia amou e não consegue perceber por que tudo está se alterando.

A pessoa mais do que nostálgica, se transforma em melancólica.

A melancolia é, assim, sentimento que paralisa e não leva a lugar nenhum.

Nada vai impedir que 7 bilhões de Sapiens tenham respectivas demandas e queiram construir  sociedade que lhes apresente as melhores ofertas possíveis.

Agora, com o digital, as portas das mudanças se abriram. Virão cada vez mais rápidas para desespero dos melancólicos de plantão.

É isso, que dizes?

 

História 3.0

Temos hoje espécie de historicismo de poucos critérios, que perdeu a validade depois da chegada da Internet.

Vejamos.

Admite-se que o fim da pré-história ocorre com a chegada da escrita manuscrita há cerca de 5 mil anos.

Porém, mais para trás o critério é outro.

Considera-seque a mudança da pré-história para a história foi provocada por outras mudanças tecnológicas: o período paleolítico (mais antigo/pedra lascada rústicas) para o neolítico (mais novo/pedra polida).

São critérios diferentes.

  • Ora a era se alterou por mudança da mídia de plantão – escrita, que inaugura novo ciclo.
  • Ora foi a mudança das tecnologias usada – pedras.

No livro “Sapiens – uma breve história do homem”, Youval Harari defende que mais do que a chegada da pedra polida, a grande mudança humana que nos tirou da pré-pré-história foi a chegada da oralidade.

De novo, voltamos com o impacto das mídias, porém, na sequência, Harari não continua na mesma linha, ignora a escrita, a escrita impressa e o restante.

Por fim, quando chegamos em 1450, início praticamente unânime pelos historiadores da sociedade moderna, se atribui a nova fase à queda de Constantinopla, que encerra o ciclo do Império Romano e não a chegada da prensa, em 1450, que teve impacto muito maior.

As mudanças que estamos vivendo com a chegada da Internet demonstra que toda vez que a sociedade massifica novas mídias descentralizadoras passa a sofrer o impacto de mudanças de fora para dentro.

E mudamos eras.

Mídias criam novos hábitos, novos hábitos criam novas formas de pensar e agir.

A história, assim, precisa refazer seus critérios de macro-mudanças do passado para:

  • Gestos – pré-história;
  • Oralidade – história sem registro;
  • Escrita – história com registro.

E uma revisão profunda da relação das mudanças de mídia como indutoras de alterações do passado, incluindo depois, a complexidade demográfica progressiva.

É isso, que dizes?

 

O que um sapiens tem de comum com outro que nasceu há dez mil anos?

E com o vizinho?

Ou com aquele que tem a mesma ideologia ou oposta?

  • O que seria sempre comum podemos chamar de essência?
  • O que seria incomum em cada pessoa definimos como substância?

A substância é a essência em ação, de forma particular, cultural e pessoal.

Podemos, por exemplo, dizer que nosso lado animal é da nossa essência: precisamos comer, beber, ter aonde dormir, se reproduzir.

Isso é algo que temos em comum com as outras espécies vivas. Toda espécie viva, podemos dizer, tem algum tipo de demanda de sobrevivência para se manter viva.

Todas precisam disso.

O Sapiens, entretanto, diferente das outras espécies conseguiu transformar a natureza e se recriar ao longo da história.

Diferente das outras espécies, podemos dizer que nós somos culturais e mais do que isso, somos tecno-culturais, pois somos os únicos que podemos alterar a forma como vivemos, alterando o ambiente tecno-cultural.

Podemos alterar a forma como nos comunicamos e como administramos as sociedades, diferentes das outras espécies. E, por causa disso, podemos crescer demograficamente, como nenhuma outra espécie.

Assim, o Sapiens na sua essência além de precisar viver é uma espécie inovadora, mutante, tecnológica, midiática, que vai alterando a forma de viver, conforme as necessidades objetivas e subjetivas da espécie.

Diria mais.

Diria que a análise da macro-história nos coloca como uma espécie que, por crescer demograficamente, precisa descentralizar o poder.

Sim, apesar das recaídas centralizadoras, a tendência do Sapiens para lidar com a complexidade demográfica progressiva é, no longo prazo, capacitar pessoas, através de mídias (tecnologia) e educação (cultura) para decidir cada vez melhor.

Isso, a meu ver, faz parte da nossa essência.

Não é o que normalmente se pensa sobre ela e é totalmente inverso do que se imaginava no século passado, mas se refizermos a nossa essência tendo como base:

  • nossas demandas animais;
  • a complexidade demográfica progressiva;
  • e a inovação obrigatória como fator de sobrevivência.

Veremos que a única forma possível de nos manter com melhor qualidade é a descentralização de poder.

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