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Nossa maneira de pensar vive de tempos em tempos, choques Macro-Paradigmáticos.

São mudanças profundas na forma de pensar o ser humano, que iniciam novos ciclos de pensamento e acabam por influenciar todos os paradigmas ou sub-paradigmas.

Vivemos hoje um momento desse tipo.

A sociedade está se modificando rapidamente e de forma incompreensível para nossa forma de pensar, o que é sinal evidente de uma crise Macro-Paradigmática.

Há algo na resposta Metafísica do quem somos, que precisa ser alterado.

Diria que são três itens:

  • O Tecnicismo – de não somos uma tecno espécie para somos;
  • O Cognitivismo – de que as mídias são controladas pela cultura, para temos uma Tecnocultura;
  • O Demografismo – de que a demografia não força mudanças da espécie, para sim é a força principal da mesma;
  • E o Descentralismo – tecnologias, mídias e demografia nos forçam na macro-história a descentralizar as decisões por uma questão de sobrevivência.

Tais mudanças de pensamento, um mix que fiz de de McLuhan com Malthus nos permite superar a crise da Macro-Anomalia que estamos passando.

É isso, que dizes?

 

Anomalia é algo irregular, que foge daquilo que estamos acostumados.

Thomas Kuhn definiu anomalia como a dificuldade que os cientistas têm de lidar com determinado problema, que, por alguns motivos, não consegue mais ser compreendido e bem resolvido.

As anomalias são sinais que a vida envia para os pensadores de que é preciso alterar algo na nossa maneira de pensar e agir.

Kuhn, entretanto, debate o assunto na sala filosófica da Epistemologia e eu estou propondo este debate na cobertura filosófica, na metafísica, aonde discutimos quem somos.

Existe questões filosóficas, que geram Macro-paradigmas, que nos levam à Macro-anomalias.

Um exemplo é a concepção de que a terra era chata e não redonda e depois que era o centro do universo. Ou mesmo que os humanos vieram de um casal “Adão e Eva” ou mesmo o conceito sobre o Big Bang.

Tudo isso vai entrar nessa sala, aonde debatemos quem somos, de onde viemos, para onde vamos, como nos mudamos.

São Macro-Paradigmas.

É isso, que dizes?

Descentralismo é proposta de debate Metafísico sobre quem é o ser humano.

Na sala nobre da Metafísica, aonde se debate “Quem somos?” sugiro incluir que somos espécie que tem a tendência à descentralização do poder de decisão ao longo do tempo.

Descentralização é a necessidade humana de transferir para cada indivíduo, mais poder de decisão para poder lidar melhor com a Complexidade Demográfica Progressiva.

Se olharmos no tempo, na Macro-história iremos assistir movimentos centralizadores de curto prazo e descentralizadores de longo.

A centralização sempre vai esbarrar na Complexidade Demográfica Progressiva, gerando crises.

Assim, há tendência de uma Tecnoespécie é, ao longo do tempo, crescer em número de membros, mas, para isso, necessitará promover descentralizações.

É isso, que dizes?

A ideia de que vemos as coisas é falsa.

Estamos imersos em Tecnocultura.

E isso nos faz ver aquilo que fomos educados para ver.

Por mais, que tenhamos um pensamento “original” será sempre “pós-original”, pois é filtrado por tudo que recebemos.

A ideia de que nunca vemos, mas revemos, nos dá a dimensão exata de que nenhum humano é capaz de se isolar do legado cultural do que foi inserido.

Obviamente que existem revisões mais ou menos “originais”, a partir desse legado.

Assim, uma visão “original” é aquela que consegue, ao conhecer o legado e se afastar dele, de forma reflexiva.

Conhecer não é processo de conhecimento, mas sempre de desintoxicação.

Não se tem visões “originais”, portanto, desconhecendo o legado, mas, ao contrário, conhecendo-o, percebendo o quanto estamos intoxicados dele e como podemos nos afastar dele.

O afastamento do legado cultural é o que podemos chamar de originalidade. E quanto mais diferente e útil for esse afastamento, mais valorizado será ao longo da história.

É isso, que dizes?

 

No prédio do conhecimento humano  vimos que existe na cobertura: a filosofia das filosofias. Ou as Filosofias.

É o topo do que podemos chamar de prédio do conhecimento humano e, dependendo das respostas dadas ali, há  modificações em cadeia para baixo nos outros andares- tanto nas filo-teorias e filo-metodologias.

É neste topo que se debatem as questões essenciais das filosofias e, a partir dela, vão se desdobrar as formas de pensar e agir de cada pessoa na sociedade.

Se colocarmos o conhecimento dentro de uma hierarquia existe dentro do “setor filosofias” diferentes andares e salas.

No topo de todas as hierarquias está a Metafísica, na qual discutimos quem é o ser humano? O que fazemos aqui? De onde viemos? Para onde vamos? Como mudamos?

Destes debates, descemos  para segundo pavimento, no qual definimos:

  • Como devemos agir? (Ética)
  • Como podemos conhecer a realidade? Como diferentes forças atuam na sociedade? (Epistemologia, aonde se incluem as filo-teorias)
  • E de que forma podemos criar sociedades compatíveis com essa forma de pensar? (Filo-metodologias).

São andares distintos na filosofia.

No topo, a Metafísica influencia os demais.

Se, por acaso, chegar uma nave espacial de outro planeta e disser que somos descendentes daquela espécie.

Isso terá impacto na Cobertura Metafísica, pois vamos ter que reabrir as questões: de ondem viemos, para onde vamos, o que fazemos aqui, como mudamos?

E depois reavaliar o resto.

E, a partir daí, no andar de baixo, o que devemos fazer em nossas vidas, a partir dessa nova perspectiva?

Quando alteramos algo nesse topo sobre o “Quem somos?” estamos falando de Macro-Metafísica, pois é o topo do topo do pensamento humano, algo que afeta tudo que vem depois para baixo.

Macro-metafísicas criam Macro-Paradigmas Filosóficos, que se desdobram nas outras Filosofias, nas Filo-Teorias e Filo-Metodologias.

A Metafísica, por causa disso, é  sala filosófica restrita, com escada íngreme, fechada, na qual só entra gênio, pois é preciso trazer novidade REALMENTE RELEVANTE  para que possamos chamar de Macro-Metafísica, que gera novo  Macro-Paradigma.

Macro-Paradigmas são, assim, paradigmas mais gerais, que não afetam a Metafísica, que é a “mãe” de todos as filosofias e o que vem abaixo dela.

Não é uma mudança de campo do conhecimento específico, mas dos alicerces do conhecimento do ser humano sobre ele mesmo.

A Macro-Metafísica e as mudanças de Macro-Paradigmas podem ser exemplificados pelas mudanças na forma como nos vemos no espelho.

Apresento duas mudanças de alteração de Macro-Paradigmas:

  • Darwin – somos espécie mutacional e não fixa;
  • Galileu – não somos o centro do universo.

Debates Macro-Metafísicos são, assim, raros, ainda mais que permitam ser aceitos como razoáveis e criar novos Macro-Paradigmas.

Vivemos hoje um desafio nessa direção, pois McLuhan entrou nessa sala, reivindicado a mudança do atual Macro-Paradigma, propondo um debate Macro-Metafísico.

A meu ver, chave para podermos começar a pensar e agir melhor no novo milênio.

É isso, que dizes?

 

É o jeito que encontrei de chamar a atenção que toda teoria ou metodologia tem embutida nela enxurrada de conceitos filosóficos, o nome com filo na frente não deixa que esqueçamos disso.

McLuhan resolveu abrir debate Macro-Metafísico, ao defender que somos Tecnoespécie e Tecno-midiáticos, que temos um Tecno-Cérebro, vivemos numa Tecno-Sociedade e produzimos Tecno-Cultura.

Você pode não concordar com nada disso, mas demorei 11 anos para entender aonde é o debate adequado dessas questões: na sala Metafísica, nas questões Macro-Metafísicas, do “Quem somos?”.

Não se está discutindo o conteúdo, mas a forma: se vamos levar isso a sério é lá que se deve fazer essa discussão.

McLuhan defende um novo Macro-Paradigma para a espécie, que, se aceito por alguém, implica em revisão dos outros campos da filosofia e em todas as filo-teorias e filo-metodologias do Sapiens.

McLuhan jogou, assim, “bomba de nêutron Metafísica”, que, a meu ver,  só com ela vamos entender, de forma mais reflexiva e menos emocional, o novo milênio.

McLuhan, entretanto, para ser assimilado tem um alto preço. Propõe uma mudança nos Macro-Paradigmas do Sapiens, que estruturam toda a nossa forma de pensar e agir da espécie.

Se aceitamos as teses Mcluhanianas teremos um marco filosófico antes e depois dele.

Vejamos.

Debates Macro-Metafísicos são feitos em sala que só abre muito raramente. Darwin  já esteve ali, Galileu, Newton, Einstein – só aceitam gênios.

Por quê McLuhan é tão Metafiscamente falando, disruptivo? E por que seria aceito em tal sala tão reservada?

Ele diz uma coisa bem diferente sobre nossa espécie.

Garante que quando chegam nova mídias, há uma mutação na espécie, que não passa pela razão. O “animal” Sapiens se modifica em alguns aspectos, independente da sua vontade.

McLuhan sugere que, de forma não racional, não voluntária, não desejada, não planejada a espécie entra subjetivamente em mutação, quando chegam novas mídias.

O Meio é a Mensagem, ou o Meio é a Massagem.

Mudou a mídia, mutou!

Somos Homo Mídias, que só é Sapiens por causa disso!

Novas mídias provocam alterações na nossa forma de agir e pensar. McLuhan está se candidatando a ser um Darwin 2.0.

Darwin disse, no passado, que somos mutacionais, McLuhan vai mais além: somos tecno-mutacionais.

Se isso, digamos, é fato, essa mudança de Macro-Paradigma nos obriga a rever diversos aspectos da Filosofia, das Filo-Teorias e das Filo-Metodologias.

Se McLuhan está perto do que a vida nos apresenta neste novo milênio, vivemos, por consequência, adaptando o que Thomas Kuhn defendeu com outro viés, uma Macro-Anomalia Metafísica.

É como se o andar mais alto das filosofias, a cobertura, a sala mais bem protegida do conhecimento humano, tivesse sobre ataque do Hacker McLuhan.

Caso as teses sejam aceitas, e a meu ver serão, pois se aproxima da explicação dos fatos do novo milênio, teremos reação cadeia enorme na forma de pensar o Sapiens.

Há um gigantesco esforço intelectual a ser feito pós-McLuhan, pois absolutamente tudo que pensamos sobre a sociedade terá que se modificar, digamos, de forma disruptiva!

McLuhan, a meu ver, é a senha para abrir o programa de compreensão do novo milênio.

Assim, quando aparecer o login “Novo_Milênio” pode colocar a senha: “McLuhan!”

É isso, que dizes?

Macro-paradigma é conceito importado de Thomas Kuhn.

Paradigma seria forma de pensar e agir na sociedade que é válida durante determinado período e se depara com uma anomalia.

Problemas começam a não mais ser satisfatoriamente resolvidos ou minimizados e se precisa de nova forma de pensar e agir, novo paradigma.

Kuhn utiliza o conceito dentro do campo filosófico da Epistemologia.

Macro-paradigma é adaptação deste conceito de Kuhn para a Metafísica – área mais ampla da filosofia.

Macro-Paradigmas são paradigmas mais gerais, que não afetam apenas um campo específico, mas a própria filosofia e que acabam por alterar, em cadeia, outros ramos da filosofia e, por consequência, as filo-teorias e as filo-metodologias.

O que defendo é que é possível aplicar o conceito de Kuhn não apenas para a Ciência, mas para a própria filosofia no geral, pois quando falamos em Ciência, em geral, estamos pensando nas teorias.

Teorias são, na verdade, Filo-teorias, pois estão imersas de conceitos filosóficos.

Macro-Paradigmas alteram a própria filosofia e tais mudanças reverberam em todos os outros setores.

A sociedade vive, assim, na Macro-História, sob a égide de Macro-paradigmas criados por determinadas concepções de mundo, que determinam nossas formas de pensar e agir.

A diferença de um paradigma para um macro-paradigma é de que um paradigma afeta uma área específica como a medicina com ou sem máquina de raio-x.

Podemos dar exemplos de macro-paradigmas:

  • a terra é o centro do universo – o sol é o centro;
  • o ser humano vem de Adão e Eva – somos mutacionais, como os outros animais.

Podemos citar vários outras mudanças que afetaram a resposta do “Quem Somos?”.

Mudanças de Macro-Paradigmas provocam reações em cadeias em todo o prédio do conhecimento humano, pois alteram alicerces sob os quais todos os outros andares: teorias e metodologias estão estruturados.

É isso, que dizes?

 

Detalhamos aqui o conceito do “prédio do conhecimento humano”.

Os andares mais altos são reservados para as Filosofias, pois são vários andares, com diversas salas.

Nestes andares debatemos questões centrais, com alguma ordem:

Metafísica:

  • Quem somos?
  • Como mudamos?
  • Por que estamos aqui?
  • Para onde vamos?

Ética:

  • Como devemos viver individualmente e coletivamente?

Epistemologia?

  • Como podemos conhecer?

Depois, vêm as filo-teorias e as filo-metodologias, esparramadas na forma como procuramos resolver os diferentes problemas da sociedade: política, economia, artes, comunicação, informação, administração, educação, etc.

Nos andares mais altos do prédio, temos, assim, as várias salas filosóficas, que balizam respostas, que influenciam a parte debaixo do prédio: filo-teorias e filo-metodologias.

No térreo, estão os problemas e as demandas humanas.

É isso, que dizes?

 

A filosofia é um prédio com vários andares.

Já andei dividindo a atuação humana em três níveis: filosófico, teórico e metodológico.

A divisão é boa, mas os conceitos podem melhorar.

Quando chamo algo de teoria, na verdade, estou tirando ali o aspecto filosófico, pois estamos falando de filosofia teórica.

A partir de conceitos que foram discutidos antes, que estou adotando de forma consciente, ou não, para chegar a algumas conclusões.

Sem a percepção do debate filosófico anterior, o teórico pode chegar a determinadas “anomalias”, das quais não conseguirá superar, pois a filosofia é um ponto cego para ele.

Aquela teoria, querendo o teórico ou não, consciente ou não, está imersa em conceitos filosóficos, que foram pincelados e projetados antes, que podem conter equívocos.

Ao chamar de teoria de teoria, pura e simplesmente, ajudo ou mesmo estimulo a não consciência dos aspectos filosóficos que estão ali embutidos.

O mesmo podemos dizer de metodologias, pois o que temos são metodologias filosóficas, num andar mais abaixo, imerso em teorias e filosofias precedentes à metodologia.

Assim, podemos dizer que os três andares do conhecimento humano são:

  • Filosofias (pois temos mais de um campo filosófico)  – os debates sobre a essência das forças;
  • Teorias filosóficasque vou chamar de Filo-Teorias –  os debates sobre as forças em movimento;
  • Metodologias filosóficas – que vou chamar de Filo-Metodologias – a atuação humana sobre as forças, a partir dos mapas da essência e dos movimentos.

O que chama a atenção nestes “três andares” é de que o prédio do conhecimento é, sempre será, todo filosófico, pois os “andares” do conhecimento formam uma cadeia hierárquica.

Filosofias descem como hipóteses e os problemas e resoluções voltam como dados para reavaliações.

Desta forma, um problema – que recebe determinada metodologia para ser tratado – precisa ser visto sempre como um acúmulo de debates, que se iniciam e talvez tenha que voltar para as filosofias.

É isso, que dizes?

 

Vamos aos conceitos:

Administrar é fazer gerência de negócios. Gerenciar é coordenar para que as “coisas” funcionem. E as “coisas”, negócios, são as trocas para que a espécie sobreviva.

Administrar, assim, é esforço para manter a espécie viva, ao longo da história, através de métodos de coordenação de processos e pessoas.

A grande mudança filosófica que precisamos promover nas nossas mentalidades é de que NÃO praticamos administração, mas Tecno-administração.

A administração é feita, a partir de uso de tecnologias no geral, mas das mídias, em particular.

Um administrador, por exemplo, decide lendo relatórios (escrita) ou promovendo reuniões (oralidade).

Todo administrador é um tecno-administrador, que coordena e decide, através das mídias disponíveis, que estruturaram o modelo administrativo que ele conhece.

Assim, podemos dizer que a Tecno-administração é feita, moldada, estruturada sobre as mídias disponíveis.

E aí temos separação importante entre canal e linguagem, quando falamos de mídia.

O canal é a parte física, na qual circulam as linguagens – os códigos de cada mídia.

Administrar significa, assim, decidir, ou receber dados de determinada maneira, através de determinada mídia (canal e linguagem).

A mídia que temos disponível, portanto, define o modelo de administração que pode ser praticado.

Me mostre a mídia que temos disponível, que lhe mostrarei o modelo administrativo que será possível praticar!

Quando  chegou a escrita, por exemplo, há 8 mil anos, a administração se alterou, pois a presença física, exigência da oralidade, não era mais necessária.

Dados passaram a poder circular sem tempo ou lugar.  Ordens puderam ser enviadas e contratos passaram a poder ser feitos.

Surgiu novo modelo administrativo por causa disso, que foi a base para os grandes impérios e religiões.

A grande dificuldade que temos hoje na administração é filosófica: administradores não entendem o mundo digital, pois os paradigmas estavam equivocados, pois se ignorava o papel das mídias.

Temos a crise de mentalidades em duas etapas, diante de dois momentos distintos:

Parte I: 

Os novos canais, por onde passaram a circular as antigas linguagens, descentralizaram a informação e uma série de vícios administrativos passaram a ser questionados pela sociedade. O que obrigou a abertura das organizações de dentro para fora e horizontalização de dentro para dentro.

Parte I: 

A grande mudança, entretanto, é a que se iniciou com os novos concorrentes, que tem como grande novidade o uso de linguagem disruptiva, a dos cliques. Os cliques permitem modelo de administração completamente diferente do atual.

O Uber, por exemplo, pratica a Curadoria, pois usa a nova linguagem. E a cooperativa de táxi, a gestão, pois continua com as linguagens antigas.

São dois modelos administrativos diferentes e incompatíveis entre si, pois utiliza de duas linguagens humanas distintas.

  • Na Gestão, alguém se responsabiliza pelas decisões, a partir da oralidade e escrita;
  • Na Curadoria, consegue-se compartilhar decisões por muito mais gente, pois se usa a linguagem dos cliques, que permite a participação de fora para dentro e de baixo para cima.

São dois modelos administrativos incompatíveis e não contínuos.

A Curadoria é o primeiro modelo administrativo disruptivo na história do Sapiens, nos coloca na Classe Administrativa Insecta, nos tirando da Mamífera.

Na Classe Administrativa Insecta os rastros, sem som, nos permitem administrar volume muito maior de decisão por muito mais gente.

É a base da Civilização 2.0.

É isso, que dizes?

Vimos aqui o que mídias altera a sociedade.

O novo milênio traz nova mídia que chamamos genericamente de “Digital”, que significa a chegada de novos canais e nova linguagem.

Nestes momentos, a sociedade se abre para nova Era Cognitiva Civilizacional, pois se troca, ao longo do tempo, a placa-mãe, é refeito o sistema operacional e depois os aplicativos.

O que temos que discutir é até onde vai essa mudança, qual o grau de disrupção que temos pela frente?

Nesta nova era Cognitiva Civilizacional podemos constatar que na primeira etapa tivemos um “banho de loja” nas linguagens anteriores (gestos, oralidade e escrita), que se digitalizaram e se descentralizaram.

É o que chamamos de Digital – Parte I, massificação de novos canais e adaptação/massificação das linguagens existentes.

Porém, esta é apenas a primeira parte da mudança com o Digital, que é provocada pelos novos canais.

O que vai ter o maior impacto não é essa primeira etapa, mas a segunda: a chegada da nova linguagem.

O Digital – Parte II.

Tenho chamado de “Linguagem dos Cliques”, ou “Linguagem Digital”.

Os cliques são linguagens de trocas muito simples e primitivas, se comparadas às demais, porém muito úteis para uma espécie com 7 bilhões de membros.

Permite que uma série de problemas coletivos passem a ter soluções mais compatíveis com a atual complexidade demográfica, o que antes não era possível.

São os cliques que permitem, por exemplo, o surgimento do Waze, do Uber, do Mercado Livre ou do Youtube. Só os canais digitais não permitiriam tais projetos.

Os cliques deixam rastro a cada visita, compra, comentário, compartilhamento que permitem que melhores decisões sejam tomadas pela experiência individual que é compartilhada por muito mais gente –  o que antes não era possível.

Os cliques fazer parte de um tipo de linguagem utilizada por espécies mais numerosas, como a das formigas e permite que possamos iniciar a experimentação de novo modelo da administração sem gerentes, ou líderes-alfas.

Marca o início da passagem de Sapiens Sonoro para Sapiens por Rastros.

Pela primeira vez, desde que saímos das cavernas estamos deixando de ser uma espécie que adotou a classe administrativa mamífera e passa para a insecta.

Os cliques, diferente dos gestos, ou da oralidade ou das escritas, é uma linguagem disruptiva. Todas as outras foram incrementais ou, no máximo, radicais.

É disruptiva, pois permite que possamos praticar um modelo de administração, que nos abre nova classe administrativa.

Por isso, sob este ponto de vista, temos dois sapiens: o antes e depois dos cliques, sendo assim a Civilização 2.0 e não a 3.0, como até eu sugeria.

Independente a classificação, precisamos encara o grande desafio que temos: entender e agir com a dimensão que o momento exige.

 

 

Quando falo de Civilização 3.0 tenho referência histórica de três Eras Cognitivas, a partir de três mídias diferentes: gestual (1), oral/escrita (2) e digital (3).

Estou utilizando um termo geral chamado mídia (aquilo que está entre nós e nos permite ser sapiens).

Somos, na verdade Homo Mídia e, por causa disso, Sapiens.

Porém, para falar com mais propriedade sobre mídias, precisamos separar dois elementos fundamentais e estruturantes desse fenômeno:

  • canal – o meio pelo qual os códigos transitam;
  • linguagem – os códigos que utilizamos.

Várias épocas na macro-história só serão melhor explicadas quando introduzimos o conceito filosófico do Cognitivismo, como um dos principais fatores de alteração da macro-conjuntura de “a” para “b”.

(A frase principal do Cognitivismo é: mudou a mídia, muda a sociedade!)

Por exemplo, antes da escrita impressa (até 1450) x depois da escrita impressa (pós 1450) = sociedade moderna.

As mídias são, assim, a placa-mãe do Sapiens sob a qual rodam a linguagens – os códigos de máquina, que nos permitem produzir o que chamamos de cultura, ou Tecnocultura, para ser mais preciso.

Sobre as linguagens (código de máquina) os filósofos  desenvolvem macro-cosmovisões que são o nosso sistema operacional.

E, por fim, temos os “aplicativos sociais”, que rodam dentro dos sistemas operacionais, numa determinada placa-mãe de uma mídia específica.

Assim, com a chegada de nova mídia, iniciamos jornada de revisão do sistema operacional do Sapiens.

Canais e as linguagens se disseminam sem pedir licença, o que não é, assim, algo opcional, mas obrigatório.

É iniciado, como foi feito na Grécia e na Europa Impressa  processo de revisão do sistema operacional (filosófico).

O objetivo é o de alinhar tudo que acumulamos de conhecimento do sistema operacional passado à nova placa mãe.

É o que vai estruturar as bases da nova Civilização, que surge com o digital, no que podemos chamar de passagem da Civilização 2.0 para a 3.0.

Porém, ando com uma uma dúvida aí sobre este número civilizacional. Seria a 3.0 ou apenas a 2.0, numa mudança profunda e radical, a maior de todas até agora?

É o que vou tratar neste post.

Ayn Rand criou cosmovisão liberal, que chamou Objetivista, com definição em algumas áreas filosóficas: metafísica, epistemologia, ética, política/econômica e artística.

Não foi completa e nem poderia ser.

Temos um espaço para debater a melhor Filosofia do Aprendizado  que tem como objetivo gerar mais felicidade para cada pessoa.

Partimos, assim, da tentativa do que seria a Filosofia do Aprendizado Objetivista, que parte para o fortalecimento do individualismo.

Cada pessoa neste filosofia passaria a ter a responsabilidade de aprender por ela mesma, a partir de determinados problemas.

Não existe fórmula padrão para resolvê-los, mas processo progressivo de experiência de resolver de forma cada vez melhor os problemas – dos mais simples para os mais complexos.

Cabe a cada um, no processo de solução dos problemas definir:

  • quais são as melhores ferramentas para resolvê-los;
  • quais problemas que têm mais interesse de resolver;
  • quais são aqueles que podem garantir a sobrevivência de cada, mais adiante, através de trocas voluntárias;
  • e, por fim, que tipo de participação se sente melhor e com mais capacidade de ajudar em cada processo.

Lembra muito o aprendizado para o empreendedorismo e inovação.

O papel dos educadores é o de criar métodos, espaços, para que os aprendizes (de diferentes idades) individualmente ou em grupo possam vivenciar a experiência da solução de problemas.

E, ao mesmo tempo, que aprende a melhor forma de lidar com o problema, aprende sobre si mesma.

Avalia a cada etapa do processo tanto a melhoria do problema em si, mas o que aprendeu para a próxima jornada.

O aprendizado por problemas é fortemente filosófico e autônomo, pois é preciso trabalhar nas diferentes camadas do mesmo:

  • a metodologia a ser utilizada;
  • a teoria, que definiu o mapa das forças;
  • a filosofia, que definiu os propósitos.

O conteúdo do aprendizado é, basicamente, a experiência acumulada sobre soluções de problemas, mas não de como se resolve cada um.

Não é feito de fórmulas prontas, mas de tipos de exercícios, que vão ajudar na “musculação” problematizadora.

Por fim, o aprendizado objetivista além de individualista é racional, assim, tem que preparar o indivíduo para um mundo existente, concreto.

Não se prepara, assim, para problemas estáticos, mas dinâmicos, pois incorpora a ideia do Demografismo, que faz parte do que tenho desenvolvido o Objetivismo 3.0.

No Demografismo,  se sabe que a espécie vive sob a égide da Complexidade Demográfica Progressiva e a maneira que se resolve um problema hoje, não será a mesma do que amanhã.

É um aprendizado para a inovação constante.

É isso, que dizes?

 

Aprender é algo fundamental para a espécie, pois, diferente das demais, nossa demanda por aprendizado é de quase 100%.

Não nascemos andando, nem falando e nem sabendo como viver sozinhos ou em sociedade.

O aprendizado começa em casa e hoje é complementado por organizações educacionais.

O ser humano é, assim, formatado pela Tecnocultura (cultura + tecnologias) para poder viver em sociedade.

A filosofia do aprendizado é, assim, “sala filosófica” que procura debater as melhores formas para que se possa individualmente e coletivamente manter a espécie viva e, se possível, gradativamente com mais felicidade.

É isso, que dizes?

Existem alguns níveis de reengenharia do pensamento humano.

  • Revisões metodológica bem próximas aos problemas;
  • Revisões teóricas acima das metodologias;
  • E revisões filosóficas, acima das teorias;
  • E revisões filosóficas das cosmovisões filosóficas;
  • E ainda revisões filosóficas das macro-cosmovisões filosóficas, que é o topo do topo da revisão possível feita por alguém – não existe esforço intelectual maior do que este.

Ayn Rand, assim, poderia ser definida como macro-filosofa, pois trouxe para si a tarefa de promover crítica de macro-cosmovisões filosóficas, começando com os gregos (Platão versus Aristóteles), passando pelos modernos e chegando aos contemporâneos.

Pode-se criticar a moça por vários motivos, mas, antes de tudo, é preciso compreender o desafio que abraçou para poder compará-la com outro alguém.

Note que macro-cosmovisões começam com os gregos e vêm descendo por determinados pensadores  que levam séculos ou milênios para se disseminar, virando sub-cosmovisões e se embrenharem pela sociedade em formas de agir e pensar.

Quando Rand critica as contradições e virtudes da sociedade moderna, consegue enxergar longe, pois percebe influências das grandes correntes filosóficas, causas e efeitos e onde fomos bem e mal.

É por isso que nos debates de televisão, ela sempre parece meio fora de contexto, pois está dois degraus acima, não só do senso comum, mas do senso incomum ou do hiper senso incomum.

Assim, antes de debater Ayn Rand e suas ideias é preciso situar que tipo de  intelectual ela foi: um dos raros filósofos que se propôs a debater macro-cosmovisões, ao ponto de sugerir uma própria: o objetivismo.

Rand se situa ao perceber que poderíamos dividir as sub-cosmovisões em duas linhas: coletivismo e individualismo.

Se propõe a criticar, assim, os coletivistas e suas diferentes, sub-cosmovisões: religiosas (cristianismo) e políticas (marxismo, nazismo).

E mostrar como as “boas intenções” podem resultar em ter consequências funestas.

Só nesse nível de debate você consegue juntar a causa da cosmovisão criada há milênios com as consequências que ocorrem na sociedade hoje.

Talvez, só lendo Ayn Rand, salvo engano, alguém é capaz de juntar alguns ensinamentos básicos do cristianismo com a chegada do Nazismo por causa do altruísmo (por mais incrível que isso possa parecer.)

E é por isso que a moça foi e continua sendo dinamite pura.

E mais: talvez tenha sido a primeira com viés radicalmente liberal, que tenha chegado a esse tipo de estágio de macro-abstração e, por causa disso, transformado o liberalismo de sub em macro-cosmovisão.

Assim, podemos dizer, em síntese, que Rand se propôs a duas tarefas gigantes:

  • revisar os efeitos de macro-cosmovisões, a partir de Aristóteles e Platão e as diferentes sub-cosmovisões, que vieram disso, em particular religiosas, além do socialismo e do comunismo, que chamou de coletivistas;
  • e sugerir a reorganização do que era uma sub-cosmovisão liberal, ou da cultura que se tornou hegemônica,  através do Objetivismo, que é alinhamento de várias áreas da cosmovisão liberal, ou uma macro-cosmovisão organizada.

Apresenta, assim, algo bem prático, porém extremamente profundo,  para que liberais possam debater e agir de forma filosoficamente coerente.

“Se você é liberal toma aqui uma macro-cosmovisão filosófica organizada para pensar e agir sobre o tema”.

Defendeu, assim, que a sociedade aberta e liberal precisa de um uma macro-cosmovisão que passa NECESSARIAMENTE por determinadas posturas metafísicas, epistemológicas, éticas, políticos-econômicas e artísticas.

Defende que um liberal tem que ter, antes de tudo, coerência filosófica não só para aprimorar a sociedade atual, mas defendê-la quando atacada em áreas que não se percebia antes.

Rand percebeu que a maior parte dos liberais são, no fundo,  meio liberais, ou liberar em contradição, pois não conseguem ter a dimensão filosófica do que estão REALMENTE abraçando.

Cria, assim, espécie de “sala filosófica liberal de auto-reflexão” e chama todo mundo para sentar e refletir sobre como anda pensando e agindo em vários aspectos.

No fundo, quando sugere o Objetivismo, está refundando o pensamento liberal em outras bases, através de agenda de debate e conduta de forma organizada.

Rand, por fim, tira o liberalismo do seu viés puramente econômico/político (de algo que realmente dá certo e é melhor) e coloca no alto da montanha (de um projeto humano capaz de substituir, inclusive, as religiões).

Rand é o que chamo de “monstra” intelectual, mente macro- disruptiva, que merece mergulho profundo na sua obra, pois não é algo corriqueiro e nem de leitura que caiba numa viagem de metrô.

É ponto de partida, a meu ver, para o extenso debate de revisão liberal, no terceiro ciclo, a partir do digital, que detalhei aqui no meu e-book, que acabo de reescrever:

Liberalismo 3.0:  por que vivemos hoje no Brasil um surto liberal?

É isso, que dizes?

Toda cosmovisão que aparece na sociedade tem  objetivo de melhorar a vida das pessoas.

Não existe nenhuma cosmovisão religiosa, política ou de qualquer espécie que não prometa a melhoria de um ponto “a” (onde estamos) para um ponto “b” (para onde vamos).

Do ponto de vista filosófico, todas as cosmovisões já criadas eram bem intencionadas, pois havia a promessa de melhorar a vida de um grupo de pessoas.

A filosofia, entretanto, é apenas  base para propostas sociais que não tocam no chão, de forma imediata, no curto prazo.

Filosofias são ferramentas estruturantes para se criar teorias, metodologias, tecnologias para atuar na sociedade.

Por trás de cada ação humana, há algum tipo de pensamento filosófico, que está deixando de ser abstrato e se tornando, naquele momento, concreto.

O resultado das ações humanas, assim, está, de certa forma, validando, ou invalidando, determinado pensamento filosófico, mesmo que não tenhamos consciência disso.

A filosofia só é testada, via metodologias.

Só é possível rever determinadas metodologias, em vários momentos, quando se consegue perceber o pensamento filosófico que a criou.

Bem como só é possível testar determinados preceitos filosóficos depois que se analisar os resultados provocados pelas metodologias que se basearam naqueles preceitos.

O problema reflexivo principal nesta tarefa é o seguinte: há distanciamento entre a causa (o pensamento filosófico) e o efeito (ação prática de determinada metodologia), baseada naquele pensamento.

E na maior parte das vezes as metodologias deixam de ser uma ação humana passível de revisão, pois não se consegue perceber a engenharia que há por trás dela.

Em geral,  pensamentos filosóficos são invisíveis, pois  acabaram se tornando naturais, como se fizessem parte da nossa própria identidade.

As pessoas não conseguem separar a identidade/metodologia do pensamento filosófico, pois consideram muitas vezes que ela própria teve aquela ideia/forma de agir sozinha.

 

As pessoas não juntam “a filosofia original” com nossa maneira de pensar e agir,  e posterior “resultado que estamos tendo”.

Assim, é fundamental perceber que por trás de cada metodologia há uma filosofia, que, quando há problemas de resultados, é preciso fazer a “reengenharia filosófica” para se refazer a metodologia.

Este é um tipo de “musculação filosófica” necessária anti-dogmática.

É isso, que dizes?

 

Cosmovisão é uma maneira de pensar e agir disponível na sociedade, criada por alguém ou um grupo de pessoas.

Existem vários tipos de cosmovisões, desde religiosas à políticas, com variações nos comportamentos.

Cosmovisões, em geral, disputam sua maneira de pensar e agir na sociedade.

Ninguém vive sem piloto automático.

É ferramenta relevante para economizar esforço.

Temos níveis, entretanto, de pilotagem automática.

Quanto mais fundo formos mergulhando nela, mais vamos chegar ao que chamamos de identidade.

Identidade, então, seria o nível mais profundo do nosso ser, algo inacessível que vamos levar ao caixão.

Mas como podemos distinguir e ficar tranquilos com o que achamos que somos?

Podemos dizer que existem automatismos nocivos para a pessoa e a sociedade. E outros que não são, cabe a pessoa e a sociedade decidir.

Uma pessoa que é alcoolista, por exemplo, pode considerar que a bebida faz parte da sua identidade, mesmo que lhe faça mal.

No passado, alcoolistas eram consideradas pessoas imorais, que vinha de berço, era da identidade, até que se chegou a conclusão que era doença crônica, cuidada principalmente com intenso trabalho de apoio em grupos.

Um alcoolista pode beber à vontade, desde que não crie problema para os demais, tal como dirigir.

Uma pessoa, assim, é alcoolista por uma série de motivos, mas pode conseguir lidar com isso e ficar menos alcoolista se conseguir parar de beber.

É um trabalho claro de luta entre o automatismo e a falsa identidade e a procura por nova identidade, a partir dos problemas causados por ela.

Um time de futebol é outro exemplo de algo inacessível, porém, em geral, não é algo nocivo para a pessoa e a sociedade.

Há exceções como as torcidas organizadas violentas, por exemplo.

Podemos dizer, assim, que podemos separar dois tipos de automatismo/identidade:

  • Nocivo: é aquele em que a pessoa não consegue abandonar determinada maneira de pensar e agir que provoca sofrimento a ela e aos demais;
  • Indolor: é aquele em que a pessoa não consegue abandonar determinada maneira de pensar e agir, mas  que NÃO provoca sofrimento a ela e aos demais.

Temos situações desse tipo nas pessoas, nas organizações e também na política.

É papo para outros textos.

É isso, que dizes?

 

Se tem algo que não gosto é de conceitos mal empregados.

Vejamos o tal do Vuca (volátil, incerto, complexo e ambíguo).

O mundo atual é volátil?

Volátil seria inconstante, instável.

Isso não é, a meu ver, característica do novo mundo, mas da passagem entre uma era para outra, que nos tira do chão.

Toda a mudança é volátil (de “a” para “b”), mas não o milênio em si.

Há lógica e ritmo que se tornarão naturais mais adiante. Não se pode definir um milênio por um momento de passagem.

O Uber tem lógica, forma de administrar, bem certinha.

O Blockchain, idem, que quando forem dominados tais modelos se tornarão estáveis, no padrão, repetitivos.

Vamos ter livrinhos “Uberização & Blockchain para Dummies”.

Não é o mundo que está volátil, mas a passagem do analógico para o digital. Isso sim.

Incerto? Como incerto?

O mundo vai acabar?

É certo que vamos viver, comer, dormir, ir ao banheiro, tudo isso continua certo, bem como vamos produzir produtos e serviços. Nascer e morrer.

Se mudarem isso por causa da engenharia genética vamos nos acostumar com isso também.

Assim, não é um milênio incerto é apenas desconhecido, pois é novo.

Seria incerto se tivesse por cair um meteoro, aí sim, pois ninguém saberia se iríamos todos, enquanto espécie, morrer.

Repito, de novo, não é incerto é certo que teremos novo paradigma – isso sim.

Sim, haverá taxa de inovação maior, com a qual vamos nos acostumar rapidinho. Os jovens já nem estranham ter que trocar de celular como de cueca.

Mundo complexo?

Sim MAIS complexo, mas não complexo.

Complexo sempre foi proporcionalmente a cada época, a cada tamanho da população.

Ambíguo?

Que desperta dúvida, incerteza; vago, obscuro, indefinido.

O mundo novo não desperta isso, mas a passagem.

Vejamos como o Vuca é Vuca.

O milênio aumentou a taxa de volatilidade, pois temos mais inovação pela descentralização de mídia e de complexidade pelo aumento demográfico de um para sete bilhões nos últimos 200 anos.

Isso é algo tão certo como a matemática: 1 bilhão demandam 3 bilhões de pratos de comida por dia e 7 bilhões, 21 bilhões.

Isso sim é complexidade certa, que demanda mais volatilidade inovadora, gerando um momento de incerteza e ambiguidade.

E isso é certo: MAIS COMPLEXO E MAIS VOLÁTIL.

Sempre tivemos inovação e complexidade progressiva. Se o Sapiens não inovasse, não estaríamos aqui vucando agora.

Mudanças, de fato, geram incerteza e ambiguidade pois é algo novo, ainda não dominado.

Não é, assim, o milênio que é incerto ou ambíguo, mas a nossa relação com ele.

É apenas novo mundo, com mais gente, que, com a nova mídia, saiu do armário e aumentou taxa de inovação, criando novo modelo administrativo – isso sim a grande novidade.

Entramos no mundo Digital dos 7 bilhões de Sapiens, através da Curadoria, que permite, finalmente, acabar com gerentes e gestores, vide Uber e Blockchain.

Milênio uberizado e com bitcoins para todos os lados me parece muito mais vuca.

O novo mundo, portanto,  NÃO  é Vuca.

O conceito vuca que é meio vuquinha.

 Discuti aqui o absurdo de basear a escolha de pessoas para gerenciar a sociedade “bem intencionadas”.

A boa intenção é apenas hipótese, que vai gerar determinada metodologia.

Toda metodologia tem que ser testada sobre determinado cenário/problema e se avaliará resultados para se rever a intenção e saber se foi eficaz ou não.

Não existe, assim, boa intenção, mas apenas intenção, sem adjetivos.

Toda intenção é passível de melhorar ou piorar a situação, dependendo dos resultados apresentados.

Assim, temos dois tipos de intenção:

  • aberta, passível de avaliação, pronta para rever métodos, a partir dos resultados;
  • e fechada – mitológica, dogmática, que já leva o adjetivo de boa, desde o princípio, como forma de amenizar o debate, pois não haverá avaliações, pois é boa em si, pelas pessoas que a sugerem.

Uma pessoa com boas intenções está sugerindo que, independente dos resultados, a intenção deve ser mantida.

É uma intenção dogmática, fechada, não passível de validação.

Tira-se da intenção a possibilidade de erro. A intenção é religiosa, pois é boa por natureza.

Quando o método é bom, independente dos resultados, passa a ser nocivo, pois, mesmo que gere problemas, continuará a ser praticado.

 

 

É o que se chama mal absoluto, pois a pessoa pode estar com uma intenção que gere sofrimento e continuará praticando, pois é uma intenção fechada, é boa, independente dos resultados.

É isso, que dizes?

Muita gente fala que “fulano tem boas intenções“. E, por causa disso, tudo que ele fizer será para o bem de todos.

E ainda que a sociedade precisa de pessoas “bem intencionadas” que todos os problemas estarão resolvidos.

Isso é forma infantil, mitológica e religiosa de pensar a sociedade, pois elimina-se séculos de debate filosófico.

Joga-se no no lixo cérebros e acúmulo cultural com as experiências do passado. Tudo sai do campo das ideias, da tentativa, erro, análise e superação para se apostar em pessoas.

Deixamos de refletir sobre ideias e passamos a apostar no nosso “feeling” sobre pessoas que são do “bem” contra os que são do “mal”.

Boas intenções, é bom saber, estão imersas em cosmovisões filosóficas, que foram criadas e debatidas ao longo do tempo. Têm um histórico de tentativas e erros.

Vejamos:

Intenção aquilo que se pretende fazer; propósito, plano, ideia.
Não se pode dizer que determinada pessoa é boa, pois tem “boa intenção“, pois está propondo plano, propósito, ideia.
Uma pessoa não pode ser “bem intencionada”, pois tudo dependerá do resultado final do seu plano.
Só podemos saber se determinada intenção melhorou  determinado problema depois que tivermos o resultado.
Intenção, assim, não pode ser atributo de alguém, mas sempre de  ideia, que precisa ser testada, não sendo boa ou má, mas apenas mais ou menos eficaz.
E só podemos saber se vai melhorar a vida de todos se a ideia for testada no tempo.
Assim, de maneira geral, toda a ideia tem a intenção de melhorar algo em “a” para “b” e só é possível saber se teve os resultados esperados depois.
Quando dizemos que fulano tem boas intenções, estamos admitindo que, independente do resultado, tudo que ele fizer é bom. Estamos, no fundo, santificando-o.
Entramos, assim, em visão religiosa, mitológica, sobre ações na sociedade em detrimento de análise mais científica.
Quando digo que fulano tem “boas intenções” necessariamente estou com uma mentalidade religiosa e não científica.
Ao dizer fulano é “bem intencionado” eliminamos o debate filosófico da proposta que está por trás da pseudo-bondade. É o mesmo que santificar alguém pelo simples fato de ter uma ideia.
Independente do que você está propondo para a sociedade, o resultado será bom, pois fulano  “é do bem“.
(Temos candidatos que dizem que vão formar ministérios só com pessoas do bem, o que quer dizer que está, no fundo, fugindo do debate filosófico-metodológico do seu governo.)

A fantasia da pessoa “bem intencionada” é de que, independente dos resultados o bem será alcançado.

Uma sociedade que aposta em “pessoas bem intencionadas“, sem debater os métodos, pode ter resultados trágicos, pois será baseado na fé e não em métodos científicos.

 Os bem intencionados ganham carta branca para agir, pois nada do que fizer pode dar errado. E se der não vamos discutir os métodos, mas apenas vamos dizer que fulano que achávamos que era do bem, não é mais.
E vamos procurar outro “santo”.
É isso, que dizes?

A economia é o resultado da forma como o ser humano promove trocas e lida com a escassez de recursos.

A forma como o ser humano promove trocas é resultado de determinada cosmovisão.

Cosmovisões são maneiras de pensar e agir criadas por filósofos ou religiosos, que influenciam a sociedade no médio, mas principalmente no longo prazo.

Assim, crises econômicas são resultados práticos, apesar de distantes no tempo, de alguma cosmovisão criada bem antes e que agora está apresentando resultados.

Cosmovisões filosóficas em algum momento viram metodologias e, só então, podem ser analisados os resultados práticos.

Cosmovisões são criadas com a intenção de melhorar a vida do ser humano, porém nem sempre a vida respeita boas intenções.

Não existe cosmovisão neutra, etérea, pois a nossa forma de pensar NECESSARIAMENTE, mais dia, menos dia, vai influenciar nossa forma de agir.

Uma crise econômica demonstra, assim, equívocos de determinada cosmovisão que precisa ser repensada.

E isso é tarefa, geralmente, dos filósofos, que trabalham com linhas do tempo mais largas.

No Brasil de 2017, por exemplo, estamos saindo de crise econômica gerada por cosmovisões com a mesma origem: coletivismo, que acredita a centralização do poder, em torno do estado.

Todo coletivista tem como grande máxima o seguinte: “o estado é meu pastor e nada me faltará”.

O coletivismo cristão, num primeiro momento, pincelado por um coletivismo positivista e depois marxista formam o pensamento hegemônico do brasileiro.

Tais cosmovisões não defendem o indivíduo como fim em si mesmo, mas como meio para algo maior: por isso, coletivista.

Tal pensamento acredita acredita menos na possibilidade de  ordem espontânea e mais na coordenação das atividades, a partir de um centro, com determinada visão do todo.

O coletivismo é, por natureza, burocrático e vertical, bem avesso ao empreendedorismo, que precisa de liberdade individual para ousar.

E da desregulamentação do centro para que as pessoas possam livremente trocar e escolher o que é melhor para elas.

O estado passa a ser entidade que imaginariamente é espécie de “mãe protetora” com recursos fantasiosamente ilimitados, que produz dinheiro e seria capaz, de forma mágica, resolver todos os problemas.

Cria-se a ideia de direitos coletivos, independente da escassez de recursos. As pessoas têm direito, mesmo que não se tenha condições de atender.

Se passa para o coletivo o que deveria ser esforço individual.

A escassez, um dado matemático da economia, é demonizado, como se fosse algo perverso e não a própria realidade.

O coletivismo, ainda bem, se dissemina mais em épocas de mídias concentradas e perde força na descentralização das mídias, como agora.

Vivemos no Brasil e no mundo movimento de descentralização tecnológica, que se abre para movimentos anti-coletivistas, liberais de todos os tipos, que precisam promover intenso trabalho cultural.

É preciso aliar ao sentimento geral em busca de liberdade, que mídias descentralizadoras promovem, com conceitos filosóficos, teóricos e metodológicos, que ajudem a cada indivíduo a escolher, de forma autônoma, caminhar com próprias pernas.

É isso, que dizes?

 

Existe uma diferença entre ideologia e cultura.

A meu ver ideologia é proposta de cultura. E cultura é ideologia que deu certo.

O marxismo, por exemplo, como o nazismo, o fascismo, são ideologias que procuraram vivar cultura, mas não conseguiram, pois não conseguiram comprovar premissas no tempo.

Uma ideologia para virar cultura precisa da adesão humana, de tempo de prática, comprovar que as premissas iniciais batem com o que o Sapiens considera razoável em termos de sociedade.

O liberalismo foi proposta que foi sendo construída, aos poucos, implantada de forma gradual, na base da tentativa e erro, que eclodiu em algumas revoluções (inglesa, americana e francesa).

O liberalismo é o exemplo típico de ideologia que virou cultura e pegou, pois teve adesão.

Quando eclodiu em revoltas e revoluções, já fazia parte viva da sociedade.

Houve, na verdade, experiência isoladas, que se consolidaram depois.

Foi mais movimento de continuidade e não de disrupção.

O liberalismo não foi, por exemplo, movimento de guerrilha que tomou o poder, como na Rússia, quando novo projeto social político, social e econômico passou a ser testado do zero.

Assim, podemos dizer que não se pode comparar ideologia com cultura.

Por isso, considero esquisito dividir o mundo entre esquerda no sentido marxista e não republicano (que seria a proposta de implantar nova cultura na sociedade) com direita (uma cultura, que está em continuidade já séculos).

São duas coisas completamente diferentes. É como se comparássemos tomate da cultura com melancia da ideologia.

Hoje, temos cultura consolidada e vários movimentos anti-cultura, que para poder se tornar alternativa de poder têm que apresentar resultados de longo prazo em algum lugar do globo.

Tal ideologia tem a missão de ganhar as pessoas pela adesão e não pela força e criar ambiente social, político e econômico, que resista no tempo.

Só então, poderá ser chamado de cultura e ser alternativa válida.

É isso que dizes?

A ideia de que grandes esquipes podem criar ideias disruptivas não é verdadeira.

De fato, as inovações incremental e radical se beneficiam muito de equipes interagindo, pois existe algo real que elas podem observar, analisar e aprimorar.

Têm de onde partir.

Ideias disruptivas, entretanto, partem do abstrsto.

Disrupção para quem não sabe é basicamente conseguir enxergar um paradigma vigente do lado de fora e criar outro!

Mentes disruptivas são espécie de serial killer, ao contrário: existem muitos criminosos, mas apenas alguns matam serialmente.

Ideias disruptivas precisam de forte dose de:

  • Abstração;
  • Espaço reflexão interna;
  • Inquietação existencial;
  • Compromisso ético com sua consciência;
  • Certa autonomia diante dos grupos.

Mentes disruptivas não são criadas, já vêm de berço. Podem ser apenas aprimoradas e incentivadas.

Mentes Disruptivas possuem cérebro específico – fora de padrão.

Mentes disruptivas juntam conceitos e ideias abstratas que poucas pessoas têm capacidade de fazer.

Especialistas em mudanças sabem que ideias revolucionárias geralmente vêm de fora do sistema para dentro.

De que tais ideias não partem de equipes, mas de pessoas isoladas, geralmente “outsiders”.

Obviamente, que ideias disruptivas precisam, depois de formuladas, de equipes para serem arredondadas e transformadas em produtos e serviços.

E nisso mentes disruptivas podem até atrapalhar.

Num cenário disruptivo como o atual, em que estamos no final de uma e início de nova Era Civilizacional, Mentes Disruptivas bem administradas são fundamentais.

São elas que podem aumentar a taxa de competitividade das organizações que querem liderar mercados.

É isso, que dizes?

Disse aqui que Cosmovisões têm determinada origem, um big bang.

Um dos questionamentos do Objetivismo é o questionamento dos pilares da Cosmovisão Cristã e as consequências que tiveram para as pessoas e sociedade.

É espécie de revisão geral da cosmovisão para dar início a outra, a partir dos resultados obtidos.

Ayn Rand, a meu ver, ao analisar a frase “ama o próximo como a ti mesmo”, simplesmente diz que isso é algo impossível.

Ela não questiona se as pessoas devem ou não fazer isso, mas simplesmente não acredita ser possível. Não é uma crítica emocional, moral, apenas objetiva.

“Vocês estão propondo algo que não dá para fazer.” Ponto.

E alerta que isso não só vai criar grave problemas para as pessoas como para a sociedade. E terá o efeito contrário do que está se propondo: as pessoas vão amar menos a elas e as outros!

A justificativa de Rand é a seguinte: cada pessoa precisa tratar de sua sobrevivência e para isso precisa se amar para se cuidar.

É o que diz a aeromoça: se o avião estiver com problemas, coloque a máscara antes em você e depois nos seus dependentes! (Grato Roberto Rachewsky pela dica.)

Cada Sapiens precisa, antes de tudo, se amar, se cuidar, prover o básico para si mesmo, só então, poder começar a se relacionar com os demais de igual para a igual, de inteiro para inteiro.

Se amar, antes de tudo, é base fundamental para amar o próximo!

Quando temos cosmovisão religiosa que influencia toda a  sociedade, incluindo os não adeptos,  isso passa a ter consequências sociais.

A primeira delas é de que cada pessoa que tenta “amar o outro mais do que a si mesmo” inicia jornada de tentativa e fracasso, o que resulta na culpa de não ter conseguido aquilo que é recomendado para ser uma pessoa de bem.

Cria-se ética impossível, não humana, e se gera uma divisão interna, pois não se pode alcançar aquilo que é considerado “o ideal”.

Há, por causa disso, o incentivo a uma baixa auto-estima e, de certa forma, incapacidade de aumentar a taxa de amor pelos demais, pois a pessoa está eticamente dividida.

Toda vez que pensa em si mesmo por necessidade prática – se sente mal.

Do ponto de vista social, temos ainda problema maior e mais grave.

Quando as pessoas deixam de considerar que se amar para sobreviver é algo fundamental para resolver os seus problemas de sobrevivência, começam a imaginar alguém que vá fazer isso por elas.

“Outro vai me amar mais do que a mim mesmo, então, vou esperar que ele chegue para me ajudar.”

E cria-se mentalidade anti-empreendedora individual, dependente da caridade e do altruísmo alheio.

Qual é a receita para reverter isso?

O Objetivismo prega uma outra ética, que seria a seguinte.

Ama-te a ti mesmo para depois poder amar a outro alguém de forma mais honesta e inteira.

É ética mais humana, mais próxima das pessoas, pois cada um, querendo ou não, vai precisar todos os dias resolver seu problema de sobrevivência. E isso não vai ser gerar uma divisão.

E mais: ao estar procurando, além de sobreviver, dando o máximo de si, da sua diversidade única, mais e mais a sociedade vai se aperfeiçoar.

É um tipo de cooperação de pessoas inteiras, diversas e únicas, que interagem de forma mais adulta e menos infantil.

Há espécie de alinhamento ético interno-externo, pois a pessoa não se sente culpada de amar a si mesmo mais do que aos outros, pois isso é fundamental para que todos, ao final, estejam melhores.

A procura do outro não será desonesta, pois ambos sabem que estão trocando sobrevivências.

Do ponto de vista social, a ética objetivista do “ama-te a ti mesmo para encontrar os outros de forma mais inteira”, nos leva a pessoas mais maduras, menos divididas, empreendedoras e mais independentes.

E aí temos algo interessante.

Numa sociedade de trocas, quando você ama a si mesmo e está procurando sobreviver, depende necessariamente do outro para poder gerar valor.

O compartilhamento sempre será necessário, não existem o ama-te a ti mesmo e se feche em casa, pois dessa forma não vai conseguir sobreviver.

O outro é base fundamental para felicidade de cada um. O que está se discutindo não é o encontro e nem a ajuda que vai se dar aos outros, mas justamente como serão as bases éticas dessas relações.

E aí há o que chamo de generosidade interessada.

Você procura entender o problema do outro para, ao mesmo tempo que o vai ajudar, conseguir sobreviver também. É troca ganha-ganha, inteiro-inteiro, sem criação de relações de dependência.

É uma troca aberta, mais madura e menos idealizada.

O Objetivismo é claramente contra-ponto ao pensamento cristão idealizado, que coloca no altar santos e padres (que sobrevivem do salário da igreja), mas que pedem aos fiéis para fazer o que é humanamente impossível.

(Ouvi um padre recentemente defendendo que a pessoa que passa dificuldade não deve duvidar da sua fé que Deus vai ajudá-la, numa atitude de dependência e passividade.)

Tais mitos aparentemente são inofensivos e fazem todo o sentido na direção de um mundo melhor.

Mas, na prática, acaba tendo consequências perversas tanto para as pessoas como para as sociedades.

É isso, que dizes?

Cosmovisões são formas de pensar e agir numa sociedade.

O cristianismo é uma, o marxismo é outra, o liberalismo é outra, o nazismo mais uma.

Cosmovisões têm uma origem, um núcleo fundamental, geralmente uma pessoa ou um grupo que cria as bases filosóficas, que vão se desdobrar no tempo em teorias, metodologias.

Podemos dizer, assim, que muito daquilo que pensamos e agimos hoje é resultado de um big bang filosófico do passado, que moldou nossa sociedade e, por consequência, nós mesmos.

Assim, quando vivemos finais e inícios de novas Eras Civilizacionais, em função da chegada de novas mídias, é normal que façamos revisões nas bases filosóficas das Cosmovisões vigentes para iniciar novos ciclos.

Um destes debates, por exemplo, é o Objetivismo que ao defender o Egoísmo Racional prega algo assim: “ama a ti mesmo para poder amar outro alguém com mais honestidade”.

Tal premissa vai questionar de frente o pensamento cristão que diz: “ama ao próximo como a ti mesmo”.

Isso é possível?

Vou discutir isso aqui.

É isso, que dizes?

 

Metodologias são regras para lidar com determinado problema, a partir de teorias (forças) e filosofia (valores).

Filosofias definem motivações e preocupações. E metodologias são ferramentas de ações.

Metodologias visam obter resultados, a partir de valores diante de forças da vida.

Metodologias não são valores em si, pois são ferramentas para atuar sobre problemas.

Metodologias podem mudar de não atingirem os objetivos propostos.

Há revisões metodológicas, mais simples.

Há revisões teóricas, forças mal avaliadas.

E revisões ética filosóficas, de valores.

Metodologias dogmáticas são aquelas em que as forças e os valores não são mais considerados.

Se atua sempre de mesmo jeito, sem se importar muito com os resultados.

São métodos que se automatizaram e não são maiores passíveis de revisão.

É isso, que dizes?

Quer um ambiente social mais descentralizado?

Você tem que aderir necessariamente a forma de pensar e agir do Individualismo: cada pessoa com a maior responsabilidade possível sobre a própria sobrevivência.

Um pensamento filosófico individualista não nos levaria nunca a um regime como o nazismo e ao holocausto.

Um individualista é alheio a apelos de classe, de raça, de religiões.

Acredita na procura individual da felicidade, através de trocas voluntárias, daquilo que cada um consegue oferecer de melhor aos outros.

Individualismo é conceito filosófico que defende o ser humano como fim em si mesmo e nunca meio para se chegar a determinado objetivo coletivo.

Individualismo não é uma metodologia, mas um conjunto de filosofias para que haja gradual e permanente aumento da responsabilização de cada pessoa pelo seu próprio sustento, sua vida, seus pensamentos.

É excelente guia para formação de jovens, para que tenham sempre em mente que quanto mais cada um se responsabilizar pela própria vida, mais a sociedade poderá se horizontalizar, reduzindo riscos de regimes autoritários e totalitários.

Numa metodologia individualista se procurará reduzir ao máximo que uma pessoa seja obrigada a se responsabilizar pelo sustento do outro, a não ser por espontânea vontade, excetuando dependentes, que são parte de sua responsabilidade.

O individualismo é valor filosófico fundamental  e conceito estruturante do Objetivismo, corrente criada por Ayn Rand.

Todo conceito filosófico, é bom lembrar, foi criado para se contrapor a outro.

O individualismo é oposição ao coletivismo, que, no fundo, como veremos, é um tipo de individualismo sem medição das consequências práticas e sem ética.

O coletivismo, com várias correntes políticas e ideológicas, admite que o ser humano possa ou deve ser instrumento para objetivo coletivo maior.

Escolhe-se uma causa maior, acima de todas as pessoas, e se estimula que cada pessoa abra mão de sua individualidade em nome da algo “maior”.

Esse tipo de pensamento é justamente o germe da verticalização e do autoritarismo ou totalitarismo.

No coletivismo/falso individualismo, se sugere que pessoas se integrem a determinado grupo por objetivo “mais nobre” em nome de que não tem condições de se responsabilizar pela sua própria vida.

Em contra-posição, a defesa coerente e lógica do individualismo apota que as demandas do nosso lado biológico animal são inadiáveis e não deveriam ser transferidas.

Todos temos inadiável fome, sede, sono, frio, calor, precisamos ir ao banheiro, além de várias outras demandas.

Tais demandas, objetivas e inadiáveis, são inerentes a cada pessoa e precisam ser resolvidas de alguma forma.

A pergunta que fica é: quem se responsabiliza por isso?

A diferença entre o coletivismo e o individualismo está na maneira que se resolve as demandas biológicas humanas de cada um.

Numa sociedade coletivista, há processo inevitável de centralização e hierarquização, pois mais e mais gente vai, aos poucos, transferir a responsabilidade de sua vida para um centro centro, que ficará cada vez mais controlador e poderoso.

O centro que deseja o controle verá com bom grado assumir esta responsabilidade, aumentando seu corpo burocrático para fazer o que cada pessoa não faz por ela mesmo.

E gerando, assim, gradualmente uma crise de complexidade: mais quantidade de decisões com cada vez menos qualidade.

A transferência de responsabilidade de sobrevivência individual de cada um para o centro, acaba por gerar problemas administrativos na sociedade.

Quem sobrevive pelo seu próprio esforço, perde motivação, pois mais e mais precisa pagar por aqueles que não fazem o mesmo.

E entramos num círculo vicioso de mais e mais gente, querendo viver sem gerar valor e se responsabilizar pela sua existência, pois há outro alguém que cuida disso.

Assim, o conceito filosófico do coletivismo, tirando a responsabilidade das pessoas pela sua sobrevivência, acaba por tornar as sociedades inapelavelmente mais hierárquicas, várias vezes autoritárias ou totalitárias.

Tudo isso em nome do “bem comum”!

As várias correntes coletivistas, de forma consciente ou não, acabam por retirar a responsabilidade de cada um em resolver os respectivos problemas biológicos.

Consideram, por vários motivos, que há alguma responsabilidade social para que isso seja feito de alguém por outro alguém.

Ou por que o mais rico é mais rico por causa do mais pobre e está em dívida. Ou por que há uma herança que foi recebida de forma indevida e precisa ser compartilhada.

E se estabelece obrigações para isso, em geral impostos, que obriga que tal ajuda seja feita de forma compulsória.

Os individualistas consideram que é responsabilidade de cada um resolver os respectivos problemas biológicos, considerando que não há responsabilidade social para que isso seja feito de forma obrigatória.

O individualista considera que a sobrevivência de cada um tem que ser descentralizada e não pode ser problema coletivo.

E vai se esforçar por criar sociedade de responsabilidade mútua, que quanto mais avançar nessa direção, mais vai se descentralizar, reduzindo o risco do autoritarismo e do totalitarismo.

O individualismo é a melhor vacina social contra holocaustos!

Assim, a visão individualista defende que cada pessoa sempre vai estar, querendo ou não,  pensando nos seus problemas biológicos inadiáveis de alguma forma.

É uma espécie de egoísmo biológico inato, que precisa ser resolvido de forma racional e ética, através da problematização da responsabilidade da existência de cada um.

 

O individualismo acredita que tais valores devem ser estimulados para que cada vez mais, existam menos pessoas dependentes das outras na sociedade.

O coletivismo é um tipo de individualismo sem ética, pois admite e defende que várias pessoas sobrevivam na sociedade sem se responsabilizar pelo seu sustento.

Acaba-se, mais dia e menos dia, estimulando uma sociedade de párias, que demandarão mais e mais centralização, o que levará a sistemáticas crises de abastecimento.

Não é algo que se está inventando, mas se aprendendo com a história.

 

Do ponto de vista filosófico, não.

Valores filosóficos fundamentais são testados no tempo. Não são valores que ficam voando sem tocar no chão.

Quando se fala do relativismo filosófico, esquece-se que a filosofia é guia para a ação concreta na vida.

É testada.

Mais dia ou menos dia, o pensamento do filósofo vai virar metodologia e começa a influenciar na solução de problemas.

Quando a solução dos problemas, baseado em determinada metodologia, gera mais ou menos infelicidade é o momento de analisar os valores filosóficos fundamentais que estão embutidos ali.

Valores filosóficos fundamentais são, portanto, passíveis de verificação.

É análise, de fato, mais sofisticada de causa e consequência, mas é possível de ser feita.

Existem valores filosóficos fundamentais que geram mais ou menos felicidade ou infelicidade.

E, obviamente, que se vai definir o que é felicidade como um valor fundamental.

Quando analisamos as consequências de determinados valores filosóficos fundamentais é quando podemos avaliar se estão, ou não, coerentes com a vida.

Se as metodologias que são produzidas por estes valores filosóficos fundamentais estão aumentando a taxa de felicidade das pessoas, sim ou não?

É isso, que dizes?

A filosofia é o amor a sabedoria. Sabedoria é respeitar as regras da vida, sabendo quando e onde é possível negociar com elas.

Filósofo é, portanto, aquele que sabe lidar com a vida do jeito que ela se apresenta a cada contexto.

Filósofo aprende com a vida e revela sua lógica e regras mais fundamentais.

A filosofia é, assim, criada pelo humano para ser guia, espécie de GPS para definir valores fundamentais pra guiar o Sapiens na sua caminhada.

A filosofia é espécie de STF do pensamento, aonde vamos debater temas mais abstratos, profundos e fundamentais para servir de guia para os indivíduos.

A religião muitas vezes ocupa o papel da filosofia.

A religião, porém, é baseada em algum tipo de dogma, na ligação sempre de alguma entidade do além, com os humanos feitas a partir de psicografia, revelação, envio de um messias, etc.

Religiões têm valores filosóficos? Sim, tem alguns, porém, cada pessoa precisa ser seguidora de determinado livro central, que determina as regras do jogo, que foram definidas por alguém de fora do planeta.

Religiões servem para aplacar determinadas ansiedades humanas, que se mostram contínuas no tempo, justamente por falta de filosofias que as ajudem de forma mais ativa.

Em crises filosóficas, haverá ascensão de religiões e vice-versa.

A filosofia não é inspirada por entidade divina, mas na capacidade que pessoas de carne e osso tem de aprender com a vida e criar valores para que se viva melhor na terra – sem a necessidade de religiões.

Não se pode, entretanto, defender valores fundamentais da cabeça dos filósofos – que seria de laboratório não testados ou comprovados.

Valores filosóficos não testados na história não são filosóficos, pois desprezam a base da filosofia que é amar a vida como ela parece ser.

Se você não aprende com a relação dos nossos antepassados com a vida, está desprezando a experiência que tivemos no tempo.

É um desrespeito à vida e aos antepassados, que não eram burros. Fizeram o melhor possível dentro do contexto que tinham.

Você ignora a vida e quer impor a ela o seu jeito, a sua forma – o que acaba por receber de volta o seu desprezo.

Valores filosóficos inconsistentes são repelidos pela própria vida, não tem jeito.

A vida detesta não ser respeitada e quando isso ocorre responde com raiva, gerando crises de todos os tipos.

Crises são resultados de ações humanas, que foram  desrespeitosas com a vida.

Um filósofo, assim, não pode criar os valores que deseja para a vida, pois estará não mais amando-a, mas querendo impor a ela o seu desejo.

A vida é espécie de cavalo indomável, que em raros momentos permite ser montada, desde que com muito cuidado e respeito.

O filósofo, amante da vida, procura, assim, traçar valores fundamentais, respeitando o que a vida nos ensinou mais relevante no passado e pode ser perpetuado no tempo.

É isso, que dizes?

O Sapiens não lida com problemas diretamente.

Sempre há alguma metodologia, por mais rústica que seja, para fazer a intermediação entre problema e solução.

Metodologias, é bom lembrar, não caem do céu. São desenvolvidas por alguém, num determinado contexto, no qual os problemas tem algumas características específicas, que podem mudar.

Problemas se alteram em diferentes contextos: na qualidade ou na quantidade, o que obriga ajustes nas metodologias, mesmo que se demore mais tempo.

O problema que a prática contínua de uso de determinada metodologia faz com que a identidade da pessoa que a utilize passe, aos poucos, a se confundir com ela.

E aí podemos ter crise aguda de metodologia tóxica.

A pessoa passa a ser defensor intransigente daquele método, como se fosse eterno, único, como se o contexto dos problemas não se alterassem.

Metodologias ficam obsoletas e pessoas que as abraçam como se fosse filosofia de vida ficam obsoletas também!

Isso é o que podemos chamar de dogmatismo: pessoa confunde metodologia com filosofia de vida!

Podemos dizer que pessoa dogmática é aquela que cristalizou, por vários motivos, determinada metodologia como se fosse a sua própria identidade e valores.

Não é mais capaz de rever a eficácia da metodologia, pois ela se tornou parte integrante da sua identidade, a única forma possível de resolver determinado problema.

Digamos que um condutor de carruagem era alguém que usava uma metodologia de transporte, que ficou obsoleta.

Ele não era condutor de carruagem, mas agente facilitador de mobilidade urbana, que poderia ter migrado para outro tipo de veículo, quando surgiu.

Metodólogos tóxicos são defensores de métodos inflexíveis como se aquilo fosse um valor filosófico fundamental e não algo a ser avaliado a cada momento em função de seus resultados.

Cada macaco fica completamente fora do seu galho e começam a cair lá de cima.

Falarei mais disso por aqui.

É isso, que dizes?

Por que vivemos sob a égide da complexidade demográfica progressiva.

O sapiens precisa lidar cada vez mais com mais complexidade.

E isso tem apenas duas saídas: centralizar, que gera crises.

Descentralizar, mais sustentável.

Na micro ou meso-história, pode haver avanços e recuos, mas na macro tudo aponta para a descentralização.

Nós crescemos demograficamente – isso é fato matemático.

Que crescer gera complexidade.

Outro fato irrefutável.

Assim, o Sapiens aumenta sua complexidade com o tempo.

Sem margem para questionamento.

Isso é apenas ignorado, mas não contestado.

Todos movimentos humanos que demoram várias gerações para fazer efeito tendem a ser ignorados pelos pilotos automáticos de plantão.

Isso é uma parte de Malthus. A melhor dele.

(Muitos por uma questão de falta de argumento vai nos chamar de Malthusianos.)

O que o demografismo afirma diante deste fato irrefutável?

Que tal complexidade progressiva gera demanda por mudanças sociais.

Aqui saímos da matemática simples e entramos num jogo lógico ainda básico, mas um pouco mais complexo.

Que a espécie vai ter que fazer ajustes na forma de se administrar quando aumenta a complexidade.

E se não fizer isso, viverá crises.

Obviamente, quem não gosta de mudança pode querer refutar isso, mas não terá argumentos lógicos, apenas emocionais.

Até hoje, ninguém refutou a tese da complexidade demográfica progressiva, com nenhum argumento lógico.

Até aí fomos. E aí entra um jogo lógico mais complexo.

E aí o demografismo vai precisar de dois novos conceitos filosóficos metafísicos: o tecnicismo, que estabelece nova relação do Sapiens com as tecnologias.

“Somos tecno-espécie. E temos tecno-cultura.”

E, por fim, do cognitivismo: quando entramos em crises demográficas, precisamos mudar de mídias para iniciar revoluções civilizacionais.

Assim, o Sapiens é espécie que cresce demograficamente e, por causa disso, precisa promover revoluções civilizacionais de tempos em tempos, alterando primeiro as mídias, depois o modelo administrativo.

A isso deu um nome: tecnicismo demográfico progressivo.

Podemos dividir a macro-história humana em apenas duas Eras, antes e depois do digital.

Sim, é uma opção válida e vou explicar os motivos.

Na fase AD – Antes do Digital, tivemos várias etapas do Cognitivismo, da passagem dos gestos para a oralidade e desta para a escrita, com o ápice dos meios eletrônicos.

De fato, podemos estudar detidamente cada uma destas etapas, porém há determinadas mudanças incrementais, que permaneceram as mesmas.

Destaco duas mais relevantes:

  • Estruturamos nossa civilização, ao longo dos últimos 70 mil anos, através da linguagem mamíferas dos sons (oralidade e escrita);
  • E contamos, ao longo desse período, apenas com a inteligência humana (limitada em vários aspectos) para tomada de decisões.

Por que a Era Digital pode ser chamada de segunda Era?

O Digital introduz, pela primeira vez, linguagem disruptiva, diferente das passadas (a dos cliques) que permite tomada de decisões muito mais participativa do que antes.

Os cliques imitam o modelo de comunicação das formigas e elimina a necessidade de um poder central tomando decisões.

O líder-alfa pode, finalmente, ser substituído.

É essa linguagem que estruturou a Gestão, que funcionou bem até a complexidade de sete bilhões de sapiens, o que marca a obsolescência do modelo.

O mundo PD-Pós-Digital traz, além dos cliques, linguagem disruptiva o surgimento de uma Inteligência fora do humano, que estamos chamando de Artificial.

A IA nos permite tomar decisões mais eficazes em situações complexas.

As duas novidades (nova linguagem e inteligência) abrem a passagem para desenvolvimento de novo modelo administrativo disruptivo do Sapiens.

O Uber, por exemplo, já atua na Curadoria, novo modelo administrativo disruptivo – só possível pelas duas novidades.

Há disrupção, assim, na forma como o ser humano administra problemas.

Podemos, assim, dizer que o Sapiens foi analógico e agora é digital. E o digital consegue, pela primeira vez, depois de 70 mil anos, criar novo modelo administrativo disruptivo para a espécie.

E é isso que torna o processo da digitalização tão difícil para se compreender e agir: é mudança radicalmente disruptiva na macro-história do Sapiens, que ocorre, como nunca antes, em curto espaço de tempo.

Num final de época civilizacional de baixa capacidade de reflexão. A situação é difícil.

É isso, que dizes?

O Tecnicismo Demográfico demonstra que o ser humano vive ciclos bem marcados pela chegada de novas mídias para lidar com aumentos demográficos.

Dito isso, podemos dizer que temos Eras Civilizacionais, divididas em três etapas:

  • início – quando surge a nova mídia;
  • meio – quando provoca mudanças na sociedade;
  • fim – quando permite aumentos demográficos e inicia processo de decadência.

Neste início do novo século, vivemos a passagem do fim de Era Civilizacional Analógica, com forte decadência e início de nova Era Digital, com os primeiros passos na direção das mudanças da sociedade.

Neste momento perceberemos que cada ser humano vive baixo empoderamento individual, com preponderância de filosofias coletivistas e subjetivistas, bem como baixa consciência filosófica.

Há baixa autonomia de pensamento, pois todo o aparato social apontou para a direção da memorização e do baixo senso crítico individual.

Há forte massificação com baixa taxa de diversidade.

 

No apartamento filosófico,  a ante-sala é a metafísica, na qual se discute “quem somos?”.

E há novidades necessárias nesse espaço. Existem fatores humanos – muito importantes – que não estavam presentes, são eles:

  • nosso lado tecno;
  • a importância das mídias para nós;
  • e nossa característica de espécie que vive na história a Complexidade Demográfica Progressiva.

Sem estes elementos, fica muito difícil compreender as mudanças que estamos passando no novo milênio.

A sala da metafísica é a mais importante no aparamento filosófico, pois é dela que se entra nos outros quartos: epistemologia, ética, política e artes.

Se temos elementos que estão se mostrando vitais para nós, a partir do que a vida tem nos mostrado, é preciso introduzir esses temas nesse ambiente.

Como desdobramento, é necessária revisão nas outras salas e delas nas teorias que saem dali, o que nos leva também, mais adiante na revisão das metodologias.

É como se o novo milênio com a chegada da internet nos obrigasse a rever conceitos fundamentais, na sala mais importante do apartamento filosófico.

Sem essa revisão, naquele nobre espaço, fica muito difícil prever o que irá ocorrer.

É isso, que dizes?

A filosofia é um espaço de debates, como um apartamento, que tem uma ante-sala em alguns quartos.

Em cada um destes ambientes está se debatendo um tipo de pergunta fundamental para o ser humano.

Na ante-sala temos a questão meta-física: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

A partir das respostas dadas, podemos entrar nos outros cômodos, são eles:

  • Epistemologia –  como conhecemos? O que é e o que não é possível conhecer?
  • Ética – como devemos viver individualmente, que valores devem nos guiar?
  • Política – quais são as melhores sociedades para viver?
  • Arte – o que é o belo? O que é e o que não é uma obra de arte?

É importante situar tais campos, pois em cada um há um debate específico, com portas em comum, e a ante-sala.

De maneira geral, principalmente em finais de Eras Civilizacionais, as pessoas têm baixa taxa de consciência filosófica.

Viram “mulas” dos pensamentos filosóficos de plantão, quase de forma inconsciente.

É isso, o que dizes?

O mercado adora conceitos genéricos e emocionais.

No fundo, novos modismos são muito mais motivacionais do que práticos.

Modismos foram ótimos no passado, mas agora são grande risco em mercado disruptivo.

Temos visto novos líderes aparecerem do fundo de garagens, sem pedir licença a ninguém – rindo muito de quem acredita no modismo da vez.

Transformação Digital pode ser muita coisa e coisa nenhuma.

Já vejo muita gente dizer que está na onda da Transformação Digital, pois trocou a capa do celular.

Ou gente vendendo Transformação Digital no ônibus a dúzia por dez reais!

Se olharmos para o passado recente, veremos que as cooperativas de táxi não perderam mercado para o Uber por causa das tecnologias.

O Uber matou a gerência – controla processos complexos, via Inteligência Artificial; e administra pessoas, através da Reputação Participativa – as famosas estrelinhas.

O Uber, assim, não é disrupção tecnológica, mas administrativa!

Vivemos fenômeno raro na macro-história: mudança de mídia, que já provocou e provocará alteração disruptiva nos modelos administrativos da sociedade.

Tudo que assistimos, é fato, tem apenas uma causa: o aumento de um para sete bilhões de Sapiens.

O salto demográfico nos últimos 200 anos demandou e demanda novas organizações para atender a um Sapiens mais conectado e maduro, que exige qualidade na quantidade.

Transformação Digital cria a ilusão do xarope para câncer de pulmão.

Na Transformação Digital, a organização tradicional se ilude que continuará a mesma apenas colocando novas tecnologias. Não é isso que está derrubando mercados por aí!

O que tem assassinado organizações tradicionais é o novo modelo administrativo sem gerentes, via novas tecnologias.

Cada organização deve se preparar PARA VALER para esse inusitado choque administrativo.

A receita: sugiro criação de Laboratório Bimodal  Administrativo.

A área Bimodal 1 continua operando do mesmo jeito e promove APENAS inovações incrementais ou, no máximo, radicais.

E a área Bimodal 2, experimenta novo modelo administrativo, com inovações para lá de disruptivas.

Coloca esse cartaz aí, urgente, na parede da sua organização:

Não é Transformação Digital, mas administrativa!

Vou repetir:

Não é Transformação Digital, mas administrativa!

Nunca, jamais, de uma semente de cooperativa de táxi vai nascer um pé de Uber!

É isso, que dizes!

Em áudio:
https://youtu.be/-doe3B18CrY

A palavra de ordem do novo milênio é reintermediação.

Vivemos passagem da Era Analógica para Digital e a demanda principal da espécie é de criar organizações mais eficazes para mundo mais povoado.

Atuais organizações foram criadas para Complexidade Demográfica bem menor – baseada nas mídias disponíveis.

As mídias disponíveis definiram a Gestão, atual modelo de administração, que tem limitações quando aumentamos a escala.

A Gestão serviu bem para complexidade de até sete bilhões de Sapiens.

Hoje, temos os primeiros passos do novo modelo administrativo – mais reintermediado e compatível com o novo patamar demográfico.

A meu ver, tende a se tornar hegemônico ao longo do tempo.

Contamos não só com nova linguagem (dos cliques), com nova inteligência (artificial) e ainda novo processos de armazenamento e certificação (blockchain/internet das coisas).

Todas as iniciativas da Administração 3.0 nos levam à mesma direção: reintermediação, reintermediação, reintermediação.

Na macro-história, é fato, o Sapiens precisa promover mudanças midiáticas-administrativas para  lidar com uma de suas principais características ainda desconhecida: a Complexidade Demográfica Progressiva.

A Uberização é a reintermediação administrativa, através de um misto de Inteligência Artificial (que lida com processos complexos) e pessoas (através da reputação participativa).

E o Blockchain é a reintermediação do armazenamento (via P2P) e da certificação (contratos espertos).

A tendência é que cada vez mais os dois movimentos Uberização e Blockchain se encontrem para permitir reintermediação para lidar com qualidade na quantidade.

Eliminam vários modelos de negócio que eram baseados na intermediação passada.

Não, não são continuidade, mas disrupção.

É preciso que organizações tradicionais acordem para  riscos e oportunidades da avassaladora onda reintermediadora administrativa que estamos vendo pela frente.

Sugiro como receita, urgentemente, a criação de Laboratórios de Administração Bimodais para que organizações tradicionais possam experimentar os dois modelos: o atual, de forma incremental e o novo, de forma, completamente, disruptiva.

É isso, que dizes?

ttps://youtu.be/6YLEeE6r2XQ

Existe hoje certa dificuldade dos liberais em explicar a crise que vivemos nas sociedades mais abertas.

Se as sociedades com valores liberais, são tão melhores, por que entraram em crise neste início de milênio?

Falta para essa resposta três conceitos filosóficos relevantes: o Demografismo, o Tecnicismo e o Cognitivismo, que conseguem inverter a lógica comum do que vem sendo dito.

(Ver a Revisão Metafísica que sugiro aqui.)

Vejamos a nova narrativa.

A sociedade moderna é criada a partir da chegada da prensa em 1450, quando durante 350 anos pensadores liberais clássicos, ou podemos chamar de Liberais Impressos, como gosto de chamar, reestruturam a sociedade.

Liberais clássicos promoveram o ajuste entre duas Eras Cognitivas Civilizacionais (pré e pós prensa), a partir da incorporação dos valores liberais ao potencial das novas mídias, que permitiu o modelo atual.

O processo filosófico-teórico, podemos dizer, durou longos 350 anos, quando tivemos o modelo da república/livre mercado estabelecido.

Assim, tivemos da chegada da prensa duas etapas: uma primeira filosófico-teórica da renascença e ajustes das ideias gregas ao novo momento;

E, só então, a segunda, metodológica, que se inicia em 1800 com as revoluções liberais (inglesa, francesa e americana).

O gráfico demográfico vai demonstrar que é justamente a partir deste período, 1800, a passagem das filosofias e teorias para as metodologias que temos o salto demográfico de um para sete bilhões.

É justamente o mérito do pacote filosófico, teórico e metodológico do Liberalismo Impresso que permitiu o boom demográfico de um para sete bilhões de Sapiens, que tivemos depois.

Sem os valores liberais, nunca o Sapiens teria atingido a meta de sete bilhões de habitantes no planeta.

Porém, como é natural, o crescimento demográfico gerou nova complexidade que transbordou as possibilidades das sociedades abertas existentes, baseadas na velha mídia de plantão, oral, escrita e eletrônica.

Há, assim,  crise do Liberalismo Impresso/Eletrônico, mas não da filosofia liberal, que precisa ser atualizada para criar o Liberalismo Digital.

Não é, portanto, a filosofia liberal que está em cheque, mas principalmente as metodologias criadas no passado em função das mídias existentes,que precisam ser atualizadas para a nova complexidade.

Como nossos antepassados fizeram, é preciso atualização filosófica, teórica e metodológica liberal que consiga incorporar a nova complexidade demográfica, com as novas mídias disponíveis!

Tal passagem demanda, a partir da nova complexidade e agora empoderada de novas mídias, salto filosófico, teórico e metodológico para o ajuste.

Este é o papel dos grandes pensadores liberais na macro-história: promover ajuste entre três instâncias: placa-mãe (mídias), sistema operacional (filosofias e teorias) e aplicativos (metodologias diante dos problemas).

As sociedades mais abertas atuais assistiram ao aumento radical da população, que vem com demandas justas emergentes de novas soluções, que o atual modelo Liberal Impresso não é mais capaz de atender.

É preciso dizer em claro e bom tom: o liberamos impresso ficou obsoleto!

O problema não está, assim, nos valores filosóficos liberais, mas na adaptação destes para o novo ambiente midiático-tecnológico digital emergente.

É preciso atualizar os valores liberais para que, com as novas mídias, entremos em outro círculo virtuoso, que nos permita viver com liberdade em novo patamar de complexidade.

A Uberização e o Bitcoin, é fato, precisam agora de banho de loja filosófico-liberal.

O que precisa ser feito agora, como fizemos no passado, é ajustar valores filosóficos às novas mídias, abrindo novo ciclo liberal para uma complexidade de 7 bilhões.

É isso, que dizes?

Vou repetir a introdução que fiz no post “O Demografismo Filosófico“:

O STF da filosofia é a metafísica: que discute quem somos e para onde vamos?

As outras questões que vem depois precisam se posicionar sobre o que decide no STF para seguir em frente.

Hoje, temos grave crise filosófica na sociedade, pois dentro do “STF filosófico” existe conceito estruturante que precisa ser incluído: o Cognitivismo.

Cognitivismo pode ser definido como o debate filosófico da forte – e invisível influência – que as mídias e respectivas rupturas exercem na  macro-história do Sapiens.

Um mundo que se expressa de forma gestual, será um. E um que se expressa oralmente será outro completamente diferente.

O mesmo podemos dizer de um sapiens que se comunica também pela escrita manuscrita, primeiro e depois impressa. Toda a sociedade sofrerá forte influência em função das mudanças de mídia.

Nosso problema para compreender tanto o Demografismo quanto o Cognitivismo é o espaço de tempo muito longo entre causa e consequência.

O aumento demográfico gera crises imperceptíveis, pois é processo lento e só pode ser analisado e percebido na macro-história – algo que está bem acima do debate do senso comum.

O mesmo podemos dizer das mídias, que se alteram muito raramente e exercem forte influência no como organizamos a sociedade.

Somos espécie que cresce demograficamente, talvez a única, o que vai nos explicar a necessidade que temos de proceder mudanças profundas na sociedade ao longo da macro-história.

Mudanças de mídia vêm para ajustar a complexidade demográfica a novos modelos sociais, tanto do ponto de vista filosófico, quanto teórico e metodológico, possíveis com as novas tecnologias.

Podemos dizer que o verdadeiro motor da história é a complexidade demográfica, pois cria elementos diários e concretos que forçam mudanças no modus operandi da sociedade.

As mudanças de complexidade vão exigir do Sapiens alterações de mídia, que permitem abrir novas Eras Civilizacionais.

Quando respondemos “quem somos” e não nos colocamos como espécie que pratica a Complexidade Demográfica Progressiva e as rupturas de mídia estamos nos iludindo.

O Cognitivismo está inserido dentro de um debate filosófico do papel das tecnologias na sociedade.

Nele, me defino como defensor do Tecnicismo, que admite que somos tecno-espécie, fortemente influenciado pelas mudanças tecnológicas na sociedade.

Detalhei o Tecnicismo aqui.

É isso, que dizes?

Vou repetir a introdução que fiz no post “O Demografismo Filosófico” e no O “Cognitivismo Filosófico“:

O STF da filosofia é a metafísica: que discute quem somos e para onde vamos?

As outras questões que vem depois precisam se posicionar sobre o que decide no STF para seguir em frente.

Hoje, temos grave crise filosófica na sociedade, pois dentro do “STF filosófico” existe conceito estruturante que precisa ser incluído: o Tecnicismo.

Tecnicismo pode ser definido como o debate filosófico da forte – e invisível influência – que as tecnologias de maneira geral exercem na  macro-história do Sapiens.

(Nesse debate entra o Cognitivismo Filosófico, que analisa especificamente os impactos da mídia.)

Um Sapiens que vive depois que o avião foi inventado não pode ser comparado com outro que não podia voar, o mesmo podemos dizer do microscópio, dos telescópios, das vacinas, etc.

Tecnologias permitem expansão do Sapiens, no pensar e agir, que outras gerações não tiveram possibilidade de fazer por falta de ferramentas.

O Tecnicismo nos leva ao conceito filosófico de Tecno-espécie. Nele, o Sapiens é que é por causa das tecnologias.

Tecnologias, assim, não são apenas parte integrante, mas também formatadora da cultura.

Vou repetir: tecnologias são, ao mesmo tempo, filhas e mães da cultura, pois são criadas por elas mas, ao mesmo tempo, estabelecem parâmetros de criação e prática cultural.

Nosso problema para compreender tanto o Demografismo quanto o Cognitivismo e o Tecnicismo é o espaço de tempo muito longo entre causa e consequência.

Nos habituamos com tecnologias e a complexidade demográfica como se fosse algo natural, “quando nascemos já era assim”. E não refletimos sobre os efeitos das mesmas na sociedade.

O ser humano, assim, incorpora no piloto automático tudo que facilita a sua vida e acredita que aqueles elementos, que passaram a ser invisíveis, são “naturais e eternos”.

Quando elementos “naturais e eternos” começam a se alterar na sociedade, o Sapiens entra em pane, pois uma cobra invisível começa a picar e ninguém consegue enxergar.

Somos, portanto, espécie que usa tecnologias como epicentro da nossa capacidade de sobrevivência, fato, infelizmente, COMPLETAMENTE ignorado pela metafísica, quando responde a questão esruturante: quem somos?

Hoje, quando as tecnologias no geral e as mídias, em particular, estão alterando profundamente a sociedade, percebemos que o debate metafísico precisa de forte ajuste.

É preciso incluir a influência da demografia, das tecnologias e das mídias na resposta metafísica: quem somos?

Se no debate metafísico do “quem somos?” ignoramos nosso lado tecno, estamos falando de um Sapiens que simplesmente  não existiu e nunca existirá.

É isso, que dizes?

 

É isso, que dizes?

O STF da filosofia é a metafísica: que discute quem somos e para onde vamos?

As outras questões que vem depois precisam se posicionar sobre o que decide no STF para seguir em frente.

Hoje, temos grave crise filosófica na sociedade, pois dentro do “STF filosófico” existe conceito estruturante que precisa ser incluído: o demografismo.

Demografismo pode ser definido como o debate filosófico da forte – e invisível influência – que a demografia exerce na  macro-história do Sapiens.

Um mundo de um bilhão de sapiens será completamente diferente de um com 7 bilhões. Isso tem impactos profundos quando respondemos: quem somos?

Somos espécie que cresce demograficamente, talvez a única, o que vai nos explicar a necessidade que temos de proceder mudanças profundas na sociedade ao longo da macro-história.

Podemos dizer que o verdadeiro motor da história é a complexidade demográfica, pois cria elementos diários e concretos que forçam mudanças no modus operandi da sociedade.

Quando respondemos “quem somos” e não nos colocamos como espécie que pratica a Complexidade Demográfica Progressiva estamos nos iludindo.

O demografismo é a base para se chegar a outro conceito importante também fundamental no debate metafísico: o Cognitivismo Filosófico.

Isso vou abordar no outro post, veja aqui.

É isso, que dizes?

Fiz esta pesquisa com meus leitores. E obtive o seguinte resultado:

A maior parte (67%) considera que a Uberização pode ajudar na sua organização e a minoria é descrente nessa direção.(33%).

Vamos às justificativas.

Quem disse que “A Uberização pode ser útil na organização” argumentou mais ou menos o seguinte:

  • Para ajudar na regulação de contratos;
  • Para ampliar as quantidades de produtos entregues;
  • Na capacitação;
  • Nas decisões;
  • Por ser demanda da sociedade;

Quem disse que “A Uberização pode ser útil na organização” argumentou mais ou menos o seguinte:

  • Não tem conceito formado;
  • Não sabe onde ter esse benefício.

É isso, que dizes?

 

Fiz esta pesquisa com meus leitores. E obtive o seguinte resultado:

A maior parte (67%) considera que a Uberização será periférica, apesar de muita gente já considerar que não (33%), que será hegemônica.

Vamos às justificativas.

Quem disse que “a Uberização não serão hegemônica” argumentou mais ou menos o seguinte:

  • Serão restritos pela resistência do legado e do marco legal;
  • Acredito que este tipo de serviço fiquem ligados a setores específicos, onde até o momento haviam monopólios ou muita dificuldade de acesso para implantação de novos modelos;
  • Não acredito nem que o Uber se continuar a manter esses preços baixos conseguirão se manter, quando os proprietários individuais (que não tem carros alugados) começarem a ter dificuldades para manter os veículos com uma tarifa tão baixa;
  • Nas próximas décadas ainda serão restritos a alguns setores.

Quem disse que “A Uberização não será hegemônica” argumentou mais ou menos o seguinte:

  • Acho que é “apenas” o inicio de modelos mais disruptivo;
  • Os impactos serão sensíveis a todos os grandes atores do mercado;
  • Mesmo ainda temido pela incerteza, acredito que teremos um futuro (a longo prazo) movido pela filosofia Uber;
  • Bem depois, quando o velho modelo administrativo perder a garantia, por não ser mais sustentável, numa sociedade toda digitalizada, o modelo Uber será hegemônico;
  • Sim pois as pessoas não querem mais “órgãos centralizadores” de poder. Elas querem ser o poder!!!.

É isso, que dizes?

 

Vimos que a racionalidade é conhecer a origem das nossas emoções, através do estudo da filosofia.

Porém, há uma dicotomia importante a separar objetivismo de subjetivismo.

A base do subjetivismo é a de acreditar que não a vida não tem uma lógica própria, diferente do objetivista.

O objetivista é, assim, alguém que se rende aos fatos, pois considera a vida seu maior professor.

Existe uma realidade lá fora que nos ensina, ao longo da história, sua lógica.

O objetivista se rende à lógica da vida, a partir da história da relação do ser humano com os fatos.

Isso não quer dizer, em absoluto, que não há formas de ver o fatos de forma diferente, pois existem sempre fenômenos novos, acúmulo de aprendizado, mentes disruptivas, novas tecnologias de medição.

Tudo isso nos faz ver os fatos de forma diferente, porém, um objetivista sabe que os fatos devem guiar a sua análise e não o contrário.

Por não acreditar em  nenhum tipo de força alheia ao ser humano, nem em missão do sapiens na terra, o objetivista é pragmático.

 

Racionalidade é processo contínuo de aprendizado sobre as emoções.

Esforço individual de compreender a origem das mesmas.

Emoções não são puras.

Não nascemos com elas de berço. São formatadas pelas correntes filosóficas de plantão.

Correntes filosóficas são espécie de sistema operacional que determinam como irão rodar nossos aplicativos emocionais.

Quem reflete sobre correntes filosóficas passa a melhor dominar as próprias emoções – deixa de ser “mula” de alguma da qual não se tem consciência.

Estudar filosofia é, assim, não aceitar a máxima do Zeca Pagodinho: “deixa a vida me levar“.

Que quer dizer: deixa uma corrente filosófica, da qual não tenho consciência guiar minha vida!

Filosofar é, assim, movimento anti-Zeca Pagodinho.

É processo de auto-aprendizado consciente da melhor corrente filosófica possível que possa nos guiar para ter uma vida cada vez melhor.

É isso, que dizes?

Texto lido:
https://youtu.be/DfU3-Odxdgs

 

A filosofia é a rodoviária de onde partem todos os pensamentos.

Podemos dizer que na rodoviária filosófica existem apenas duas grandes plataformas: a que recebe “ônibus” coletivas e individualistas.

  • Os coletivistas consideram que o Sapiens, como espécie, tem missão na vida;
  • Os individualistas, ao contrário, consideram que o Sapiens não tem missão coletiva e cada um tem que ter o seu próprio propósito.

O coletivismo é o ponto de partida de todas as correntes autoritárias e totalitárias, pois se existe um objetivo geral, e muitas vezes único da espécie, todos temos que caminhar para lá.

O coletivismo, ao definir um objetivo ao Sapiens, determina que algumas pessoas sabem mais do que outras esse caminho, estruturando, assim, sociedades mais verticais.

O coletivismo tende ao subjetivismo, pois ao se definir propósito geral parte-se de algo abstrato e não comprovado pelos fatos.

O coletivismo, necessariamente, precisa de algum tipo de elemento de fé, seja religiosa ou política, para determinar a motivação para o propósito coletivo.

A fé no propósito coletivo da espécie é o que une correntes coletivista.

O individualismo, por outro lado, ao acreditar que cada indivíduo define seu propósito, permite sociedades mais abertas e horizontais.

No individualismo não há um propósito central e sim  somatório de propósitos descentralizados.

O individualismo é coerente com os conceitos de ordem espontânea, inteligência coletiva e cultura da participação.

Há forte influência de dois fatores para o aumento do coletivismo ou do individualismo na sociedade: demografia e mudanças de mídia.

  • Quando temos aumento demográfico e não há mídias descentralizadora, haverá tendência a se ampliar  pensamentos coletivistas;
  • Quando temos aumento demográfico e há mídias descentralizadora, haverá tendência a se ampliar  pensamentos individualistas.

O Objetivismo 3.0 visa aprofundar os estudos dos objetivistas incluir nessa equação as novas percepções da Antropologia Cognitiva, ou seja: a influência demográfica e de mudanças de mídia na macro-história.

Objetivismo é corrente filosófica proposta por Ayn Rand, que organiza o debate de ideias para quem quer viver e defender a vida em sociedades de livre pensamento e mercado.

O objetivismo, como qualquer corrente filosófica, se contrapõe a outras.

Objetivismo x subjetivismo;

Individualismo x coletivismo;

Benevolência x altruísmo;

Reflexismo x emocionalismo.

O objetivismo, entretanto, tem papel organizador de debate.

Faz síntese, sistematiza, seleciona e atualiza os pensamentos gregos e do liberalismo clássico, que deram origem à sociedade livre e aberta.

O objetivismo defende que a mãe de todas as cosmovisões humanas parte sempre da metafísica – meta-análise sobre a física-existência.

Podemos dizer que há duas macro-correntes metafísicas:

  • As que defendem que a espécie TEM propósito coletivo;
  • As que defendem que a espécie NÃO TEM propósito coletivo.

O Objetivismo acredita, assim, que a espécie NÃO tem propósito coletivo, pois é formada pela interação da individualidade de cada pessoa, através de ordem espontânea.

É, assim, anti-coletivista.

Cada pessoa deve procurar trazer sua percepção, baseada nas reflexão, para mundo finito, que não tem antes ou depois, para o qual se cria propósitos individuais em busca da felicidade.

A partir desta definição metafísica se caminha para as demais:

Epistemologia: se conhece a realidade física (que existe), através de trabalho sistemático e individual de reflexão sobre as emoções, questionando o subjetivismo;

Ética: cada um deve lutar pela própria sobrevivência e felicidade sem impor nada pela força aos demais, anti-assistencialismo;

Política: o estado deve ser mínimo e garantir apenas a não-violência, anti-estatismo;

Economia: livre mercado, anti-monopolista.

O Objetivismo, assim, não é movimento coletivo versus outros como marxismo ou o nazismo, por exemplo.

É conjunto de valores organizado, de forma a facilitar o debate sobre os pilares de sociedade livre e aberta.

É base para ajudar a identificar e combater filosofias que vão na direção contrária.

Pauta perguntas e sugere respostas para ajudar a organizar debates e aprendizados dos que se dizem liberais.

O objetivismo vai mais além do liberalismo (mais ligado à política e economia), pois amplia e exige coerência individual do papel do indivíduo, que se diz liberal.

Procura facilitar a não contradição entre o que se diz ou faz de um liberal.

É guia de conduta para quem quer viver em sociedade livre e aberta.

Enfim, numa sociedade livre e aberta, diferente da autoritária ou totalitária, dependerá muito de cada pessoa ser, difundir e defender a liberdade que quer para os demais.

Rand nos ajuda muito nisso, pois percebeu que isso tem que ser atividade constante.

Devemos muito a ela.

O ser humano sempre vai aumentar o tamanho populacional, se puder.

É movimento sempre na mesma direção: por mais complexidade.

As mídias, entretanto, não.

Têm duas possibilidades: centralização/ verticalização ou descentralização/horizontalização.

Podemos dizer que no mercado de mentalidades existem dois tipos de atuação.

  • Profissionais que atuam em mudanças de mentalidade incremental;
  • Profissionais que atuam em mudanças de mentalidade disruptivas.

Mercados incrementais de mentalidade têm mais facilidade de vender pacote completo (sensibilização, capacitação e consultoria).

O cliente tem um problema menos complexo e consegue enxergar a mudança incremental com mais facilidade.

O esforço de sensibilização é menor, pois a mudança é mais visível e corriqueira. Vende-se menos palestra, menos capacitação e mais consultoria.

O cliente já tem uma opinião formada sobre o tema.

Mercados disruptivos de mentalidade têm mais dificuldade de vender pacote completo (sensibilização, capacitação e consultoria).

O cliente tem um problema complexo, que nem consegue enxergar, que pode afetar a sua competitividade.

Não consegue demandar o problema e precisa ser sensibilizado.

O esforço de sensibilização é muito maior, pois a mudança é MENOS visível e corriqueira. Vende-se muito mais palestra, no primeiro momento.

E menos capacitação e quase nenhuma consultoria, que só vai se chegar com o tempo.

O cliente não tem opinião formada sobre o tema, o que reduz bastante o leque de atuação.

É preciso desbravar o mercado.

É isso, que dizes?

Existe um ramo de negócios que vou chamar de serviços de mentalidade.

O que é isso?

É alguém que trabalha para alterar a mentalidade das pessoas para que elas operem de forma diferente.

Não é um profissional que realiza alterações tangíveis, mas intangíveis nas mentes das pessoas.

Um professor é um profissional de mentalidade, assim como um consultor, que não executa projetos, mas ajuda a alguém a fazê-lo.

Um profissional de mentalidade tem três atividades:

Sensibilização – início de qualquer processo, geralmente em palestras, no qual vai apresentar o motivo da mudança. O cliente está em “a” e precisa por motivo “b” passar para “c”;

Capacitação – convencido o cliente que está de que quer ir para “c” e o profissional reúne as condições de fazer a passagem de mentalidade, é feito um aprofundamento para que a mentalidade possa ser trabalhada;

Consultoria –  feita a capacitação, o cliente quer implantar “c” e muitas vezes precisa de consultoria para que isso seja feito.

Obviamente, que o cliente pode fazer cada uma destas atividades com profissionais diferentes, não em sequência e nem de forma tão organizada.

Mas o profissional de mentalidade pode visualizar estas três atividades para que possa atuar no mercado.

É isso, que dizes?

Mudanças são necessárias quando nossos hábitos vão na direção contrária à lógica da vida.

Note que a complexidade de determinada mudança NÃO está na vida, mas na dificuldade que temos de abandonar antigos hábitos.

Um enfarte de quem tem vida desregrada é bom exemplo de mudança complexa.

A pessoa tem que mudar de hábitos, sem ter vontade, de forma radical, para evitar novo enfarte.

E, por causa disso, tem que enfrentar necessariamente mudança complexa.

Mudança complexa é, assim, aquela, que está muito longe dos nossos hábitos e bate com a lógica da vida e nos obriga a mudar sem querer.

É complexa não pela lógica da vida, mas pelos aspectos psicológicos da mudança.

A vida nos diz: “esse hábito que você está acostumado, precisa ser alterado, mesmo que não queira”.

A vida adora mandar esse tipo de recados para nossos hábitos, através de crises.

A crise, portanto, é resultado objetivo de uma forma de pensar e agir que não está “batendo” com a lógica da vida!

Mudanças complexas geralmente vêm logo depois de crises, que tornam as alterações de nossos hábitos cada vez mais prioritárias.

Em geral, quando insistimos naquele hábito a crise se agudiza.

A complexidade, por fim, não está na vida, mas na mudança.

A vida é simples nós é que somos complexos.

É isso, que dizes?

O mercado é muito mais irracional do que supõe nossa vã filosofia.

O mercado adora uma dupla de palavras para fingir que está na moda: sai gestão de conhecimento e entra transformação digital.

Tudo será agora transformação digital, desde colocar capa nova no celular, até abrir o cadeado da bicicleta com uma aplicativo.

Temos organizações especializadas em modismo, que vivem de gerar buzz no mercado para que todos se sintam “na moda”.

São empresas de administração, que se especializaram em modismo que vendem para aqueles gestores que, no fundo, não querem mudar.

No modismo administrativo, compra-se de tudo para não se mudar nada.

Isso no passado era algo que podia ser praticado, pois servia, ao final das contas, como fator motivacional e, de alguma forma, alguma coisa era modificada.

O mundo lá fora era mais ou menos igual, os concorrentes conhecidos e o consumidor era aquele cara que todo mundo dominava.

E cá para nós: e nada como bom novo modismo para sacudir a turma e dar aquela motivada.

O novo milênio será implacável com a brincadeira dos modismos administrativos.

Podemos dizer que a festa de adotar modismos administrativos para fingir que estamos mudando está com os dias contados.

O que está ocorrendo na sociedade hoje é uma Revolução Administrativa, vinda de fora para dentro, na qual surgem organizações muito mais competitivas do que as atuais.

São mais competitivas, não por que adotaram um novo modismo, mas por que temos novas tecnologias que alteram o modelo administrativo.

Não é uma brincadeira.

As organizações produtoras de modismo não estão ajudando, pois os métodos adotados até aqui foi sempre de ver o que o cliente queira comprar e vender.

O problema que o que está ocorrendo no mercado é que o cliente é obrigado a comprar algo que ele não quer comprar.

Faltam métodos para entender o que ocorre, para capacitar o cliente e, por fim, criar metodologias que realmente possam tornar os clientes mais competitivos.

com outras que os vendem.

Hoje, é preciso encarar seriamente uma mudança civilizacional, que vai exterminar toda uma geração de organizações que ainda praticar a Gestão.

A Gestão é baseada em decisões verticais por gestores/intermediadores de carne e osso, que foram ficando cada vez mais lentas, corporativas e incompatíveis com a nova complexidade.

Uma organização 2.0 só vai sobreviver enquanto uma 3.0 não conseguir um jeito de invadir seu mercado.

 

Podemos dizer que há muita fumaça, mas é preciso se concentrar no fogo: nova forma de administrar problemas com novo aparato tecnológico.

A saber:

  • Surgimento de inteligência não humana (a artificial), que passa também a decidir;
  • E nova Linguagem dos Cliques, que permite  participação de muito mais gente na tomada de decisões.

A Inteligência Artificial combinada com a Linguagem dos Cliques são a base da Administração 3.0.

O novo modelo administrativo consegue relação de custo/benefício exponencialmente maior do que o antigo.

Novas organizações passam a tomar decisões melhores, pois estão nadando de braçada diante dos concorrentes tradicionais.

A Administração 3.0  têm apenas um objetivo: decidir melhor num mundo demograficamente mais complexo.

São as novas possibilidades tecnológicas que permitem a criação do novo modelo administrativo.

As organizações tradicionais – baseadas no modelo antigo  –  entram em processo de obsolescência, –  perdem competitividade.

A grande disrupção é necessidade de mudar a forma de tomar de decisões: sai gerente/intermediador e entra participação do consumidor e Inteligência Artificial.

Empresa 3.0 são exponenciais por causa disso.

Uma organização antiga/tradicional que tiver seu mercado invadido por uma nova verá rapidamente seu valor competitivo despencar.

E o problema principal que temos hoje é de mentalidade.

O antigo modelo administrativo está entranhado até a medula dos atuais administradores.

E o que vai matar as organizações tradicionais é justamente isso: muitas não terão capacidade de fazer o necessário transplante.

Vão até conseguir enxergar e observar o futuro que se aproxima, mas não terão capacidade de se libertar do passado.

É isso, que dizes?

Em áudio:
https://youtu.be/CUMCyPWKpd4

Transformação digital é conceito que vende bem, mas agrega pouco à competitividade.

Repare que o Uber é novo modelo administrativo e não novo uso tecnológico dentro do mesmo dentro do modelo .

Usa novas tecnologias para criar novo modelo.

O mesmo podemos dizer do Airbnb, Mercado Livre,  YouTube, Bitcoin, etc.

O que estamos vivendo é transformação administrativa, com as possibilidades que as novas tecnologias oferecem – e não o contrário.

Assistimos, assim, não a transformação digital, mas a transformação administrativa, via digital.

Crescemos demais a população nos últimos 200 anos e precisamos agora de novas formas para administrar processos cada vez mais complexos.

As organizações tradicionais precisam criar áreas separadas, com visão estratégica disruptiva, para abandonar a Gestão e adotar o novo modelo administrativo uberizado.

Nestas áreas vai se deixar para trás o gerente, o controle centralizado de qualidade e funcionários com carteira assinada.

E se experimentar gerenciar processos via inteligência artificial, com curadores e parceiros, que trabalharão a distância em grandes plataformas participativas, avaliados o tempo todo pelo consumidor, através de estrelinhas e sem vínculo empregatício.

O objetivo do mundo 3.0 é o de gerar escala e exponencialidade para fazer frente aos novos concorrentes, que já estão usando o novo modelo administrativo.

E necessário, assim, desenvolver, além de novas tecnologias, principalmente, métodos de capacitação que permitam entender e agir de forma administrativamente disruptiva.

Por causa disso, temos que mudar nossa forma de pensar negócio, organização, administração para praticar modelo administrativo completamente distinto.

Vivemos profunda crise de mentalidade em função da cada vez mais veloz passagem de um modelo para outro – totalmente diferente e incompatível.

Tal processo, é fato, tem forte impacto nas atuais mentalidades.

Nosso desafio, portanto, NÃO é apenas tecnológico, mas principalmente, psicológico.

É isso, que dizes?

O método indutivo de pensar problemas é o mais utilizado no cotidiano das empresas.

Indução é forma de abordar problemas conhecidos, na qual as forças estão dominadas.

Trabalha-se nos mesmos paradigmas filosóficos, teóricos e metodológicos.

A Indução se utiliza mais dos sentidos e de determinada área do cérebro – é mais adequada para projetos incrementais.

O método dedutivo, por outro lado, é o mais adequado para problemas complexos e não é tão comum no cotidiano das empresas.

Dedução é forma de abordar problemas DESconhecidos, na qual as forças NÃO estão dominadas.

Procura-se novos paradigmas filosóficos, teóricos e metodológicos.

A Dedução se utiliza mais da reflexão e de determinada área do cérebro – e é a mais adequada para projetos disruptivos.

Hoje, há novas empresas que são MUITO diferentes das atuais, que têm, cada vez mais, liderado antigos e novos mercados.

Isso cria problema complexo para as atuais:

  • Devo aderir?
  • Quando?
  • De que forma?

Respostas a mercado desconhecido pedem, com urgência, métodos dedutivos para se tomar decisões competitivas mais eficazes.

Quer disrupção para valer?

Parta para dedução!

Em áudio:
https://www.youtube.com/watch?v=fJ6klErQHEU

Não somos tecnológicos só agora.

Desde que adotamos tecnologias, viramos Sapiens.

Um machado, pode parecer que não, é tecnologia, mas não nascem em árvores: precisam ser produzidos por alguém.

Tecnologias são, assim, nossa extensão – parte integrante daquilo que somos.

Aonde tem Sapiens, tem tecnologia. Aonde não tem, não tem.

Quando se alteram as tecnologias, escancaramos as portas para que possamos mudar.

Somos, em boa medida, aquilo que as tecnologias nos deixam ser em cada época da nossa caminhada.

Entre todas tecnologias que temos nas prateleiras, sem dúvida, as mídias são as que mais gostam de provocar mutações.

Mídias são, assim, as tecnologias mais disruptivas que temos na praça, pois são base de como são nos relacionamos com o mundo.

Quando mudam as mídias, é bom saber, o Sapiens já estará, sem se dar conta, sendo mudado.

Nosso cérebro é o primeiro que se altera lentamente, de forma permanente e irreversível.

A mutação é rápida, massificada, impercetível e, em alguma medida, involuntária.

Várias mudanças inusitadas e inexplicáveis passarão a ocorrer na sociedade, tendo como causa principal a mudança de mídia.

O grande desafio conceitual/ estratégico, portanto, para entender o novo milênio é este: conseguir compreender e lidar com as mutações do Sapiens provocadas pela chegada do digital.

Estamos, sem sentir, alterando profundamente a espécie a olhos vistos, mas fingindo que está tudo igual.

É bom se preparar, pois a ideia de trabalhar em grandes organizações tende a se reduzir.

Mais e mais vamos trabalhar de forma autônoma, de casa e precisaremos ser a nossa própria empresa.

Ao pensar nossas vidas como micro-empresas começamos a ter problema sério: não fomos preparados para isso!

Não desenvolvemos algo como “personal planejamento estratégico”. Fomos educados para nos integrar a um maior.

A personal empresa, ou o micro-empreendedorismo, é um dos maiores desafios subjetivos de cada indivíduo neste novo século.

Precisamos separar aquilo que gostamos de fazer do que tem mercado.

Precisamos separar aquilo que tem mercado e não gostamos de fazer.

Precisamos aprender como descobrir o que gostamos de fazer.

E aprender como ganhar dinheiro com o que gostamos de fazer e aprender a entrar ou criar mercados para isso.

O coaching 3.0 é um tipo diferente de coaching, pois procura ajudar profissionais a lidar no novo mundo digital.

O coaching 3.0 percebe o grande desafio que temos hoje: lidar com um mundo cada vez mais inovador e mutante.

É isso, que dizes?

Viveremos forte movimento libertário neste novo século.

Libertarianismo é macro-corrente de pensamento filosófico que acredita que o ser humano não tem propósito coletivo.

  • Libertário é aquele que acredita que cada pessoa cria o seu próprio propósito;
  • Libertário é aquele que NÃO acredita que há um propósito coletivo da espécie.

Vivemos um pêndulo:

  • Quando temos aumento populacional sem mídias descentralizadoras, o pensamento libertário se reduz na sociedade;

E vice-versa:

  • Quando temos aumento populacional COM mídias descentralizadoras, o pensamento libertário aumenta na sociedade.

E mais:

  • Mídias descentralizadores têm função sistêmica de permitir que haja descentralização de poder;
  • Mídias centralizadores têm função sistêmica de permitir que haja centralização de poder.

Assim, movimentos libertários e anti-libertários estão sujeito a “biruta” das mídias de plantão.

Viveremos agora um surto libertário, pois o ser humano tem agora mídias para poder descentralizar o poder.

Quando a espécie cresce demograficamente, estamos vendo isso agora, há uma necessidade de repassar cada vez mais poder de decisão a cada indivíduo.

O aumento da complexidade demográfica exige que cada indivíduo, gradualmente, tome cada vez mais mais decisões.

A reintermediação gradual do poder é algo que o Sapiens precisa fazer, de quando em quando, na macro-história para poder lidar melhor com a complexidade demográfica progressiva.

É isso, que dizes?

 

 

“Não temos um problema de excesso de informação, mas de filtro” – Clay Shirky.

O Sapiens passa neste novo milênio da escassez para  abundância da informação.

Isso gera evidente crise de filtros, tanto dos que consomem, dos que produzem e daqueles que gerenciam plataformas onde todos se encontram.

É fato: no passado obsoleto das mídias eletrônicas tínhamos fatos demais e mídia de menos.

O Digital é, assim, remédio ainda experimental para a intoxicada produção da mídia eletrônica centralizada do século passado.

Os filtros digitais, é fato, precisam de vários ajustes para melhorar a eficácia.

É uma moeda de dois lados: aprimorar a capacidade cognitiva-afetiva de quem usa e sofisticar o aparato tecnológico de quem é responsável pelas plataformas.

O poder da mídia traz responsabilidade para pessoas, que não foram preparadas para ambiente mais descentralizada.

Além disso, temos o problema dos profissionais de mídia, que passam dos antigos editores/produtores de conteúdo a curadores de grandes plataformas participativas.

É um salto quântico daquilo que faziam.

Precisam contar – e ainda não tem – com eficaz aparato tecno-midiático, baseado fortemente na Reputação Participativa e Inteligência Artificial.

É um cidadão mais maduro e um novo aparato midiático que permitirão que as comunidades possam mais rapidamente identificar as fakenews, através de filtragem cada vez mais participativa.

A filtragem digital eficaz é, assim, processo que está em andamento e tende a se acelerar em função da crise que se torna cada vez mais aguda.

É preciso tempo para maturação, debates, campanhas educativas para o cidadão. E nova formação para os profissionais da mídia digital.

Acelerar é preciso!

É isso, que dizes?

Gravei um áudio enquanto caminhava sobre o tema:
https://youtu.be/B888c0W1Gcw

Aqui, este texto de cima lido:
https://youtu.be/17yeFj2ASKQ

Hoje, se pergunta o que deu errado com o liberalismo clássico.

Já que o século passado foi centralizador. E o atual traz a tentativa de retornos totalitários.

Minha resposta: a demografia, mané!

Mais gente, muito mais gente, significa um despreparo para os valores liberais.

Se tem a ilusão que o modelo liberal, duramente conquistado, é natural e eterno.

E que mudanças na sua base para solucionar as injustiças vão resolver tais problemas e tudo continuará igual.

Por isso, urge a demanda pela revisão do liberalismo, a partir das novas mídias.

É preciso inovar e atualizar a sociedade para comportar com mais qualidade mais gente, mantendo os valores liberais.

É isso, quer dizes?

A base para as trocas humanas é feita pela confiança entre as partes. Para confiar em alguém, preciso ter certeza que a pessoa não vai me trair, ameaçar ou enganar.

Todas as trocas são feitas, assim, baseadas em determinada taxa de confiança.

Se resolvemos ir mais fundo no assunto, perceberemos que a capacidade que tenho de confiar no outro está imersa pelas mídias que tenho disponível a cada momento da história.

Numa cidade pequena, por exemplo, é a oralidade que estabelece canais de confiança entre as pessoas.

Todo mundo sabe da vida de todo mundo, pois a fofoca rola solta – maneira humana de contar aos outros possíveis problemas que podem ocorrer com determinadas pessoas.

Quando crescemos demograficamente, principalmente no último século e, por necessidade, tivemos que morar em megalópolis, a fofoquinha de botequim sofreu u abalo.

Foi necessário novo paradigma para gerar confiança diante da nova complexidade.

Surge o o marketing dos meios eletrônicos, que estabelece novo modelo de confiança: vertical, centralizado e massificado.

Quem aparece na Tevê, é de confiança, quem não aparece, hummm, desconfio.

Saímos, assim, da confiança oral da fofoca das pequenas cidades – que funcionava bem em menor escala – e partimos para a Confiança 2.0, massificada dos grandes centros urbanos.

Obviamente, que isso gerou problemas:

  • Houve forte verticalização do consumo a favor das grandes marcas;
  • Tornou impraticável, pelo custo dos anúncios nas mídias disponíveis, a confiança mais horizontal em larga escala.

Tivemos, assim, ao longo de décadas, a hiper-verticalização da confiança, gerando forte concentração social, econômica e também política.

Simplesmente, pela incapacidade de geração de confiança mais horizontal e personalizada – faltava mídia!

O novo século trouxe novo ambiente midiático e, com ele, a  nova linguagem digital, com forte impacto no modelo de confiança.

Podemos dizer, assim, que criamos a Confiança 3.0.

Hoje, no Mercado Livre posso comprar bateria de celular de um cidadão do Piauí, que nunca vi mais gordo ou deixar minha filha entrar no Uber  sem receio de achar que o motorista vai sequestrá-la.

A nova Linguagem Digital, baseada na nova Reputação Participativa e apimentada pela Inteligência Artificial, permite que cada fornecedor seja hiper- fiscalizado por muito gente.

Começamos a desenvolver o que podemos chamar de confiança horizontal de desconhecidos em larga escala.

Criamos oportunidade para recriar as organizações num mundo cada vez mais habitado.

Sem a Confiança 3.0 não haveria Youtube,  Facebook, Uber ou Bitcoin.

A Confiança 3.0 deveria estar no topo das novidades mais disruptivas do século, mas não está.

É mudança mais cultural do que tecnológica, o que não entra no radar dos teóricos marqueteiros de plantão.

É a Confiança 3.0 permite ganho escala e exponencialidade.

Desconhecidos passam a trocar e fazer negócios.

Não, não entramos na Era de Aquário e nem é a solidariedade de Jesus que chegou ao coração dos homens, que, graças aos céus, estão mais colaborativos.

É a nova mídia, mané!

É isso, que dizes?

Liberalismo é a tentativa de procurar a melhor sociedade possível, sem esquecer que a complexidade demográfica humana come três vezes ao dia, todos os dias.

Liberalismo é cultura reformista, pois acredita que o passado humano tem algo a nos ensinar do que pode e do que não pode ser feito.

O liberalismo é cultura, que tem algumas fases ideológicas, quando se alteram as mídias.

Podemos ver na história momentos de continuidade e de ruptura liberal sempre a partir de novas mídias.

Por natureza, os liberais procuram gerar a maior liberdade possível para o indivíduo, dentro da conjuntura existente.

Porém, há momentos da história que pedem continuidade, quando temos antigas mídias e descontinuidades, quando temos novas.

  • Os gregos foram os primeiros liberais, ou os pré-clássicos, que tiveram o apoio/incentivo do alfabeto grego para desenvolver conjunto grande de conceitos;
  • Depois tivemos os liberais clássicos, que herdaram  sociedade religiosa, absolutista, totalitária, escravagista, feudal e nos entregaram uma mais científica, republicana, democrática, de livre mercado e industrial.

O resultado do esforço dos liberais pré-clássicos e clássicos foi a capacidade humana de saltar, de forma sustentável, de um para sete bilhões de Sapiens.

É bom notar, assim, diferença entre ideologia midiática, que caracteriza a liberal, que é disruptiva ou radical, quando temos nova mídia. Da ideologia de laboratório baseada em reanálise a-histórica da natureza humana.

A primeira leva sempre em consideração a complexidade demográfica a experiência histórica. A outra quer impor nova, baseada em hipóteses sem comparações históricas.

É por causa deste método mais adequado de promover mudanças, que fez com que a ideologia liberal virasse cultura, pois se ajusta de forma mais próxima da sempre indefinida natureza humana.

O passado humano serve de guia, pois nossos antepassados sempre quiseram o melhor para eles e para os decendentes.

É importante, assim, perceber que o liberalismo é cultura que tem momentos de ideologia radical ou disruptiva quando temos novas mídias na sociedade.

Novas mídias permitem o ser humano promover profundas alterações na sociedade, em continuidade histórica necessária e não de rompimento com o passado.

Abrem-se novas possibilidades para o Sapiens que antes não eram possíveis.

O Liberalismo 3.0, assim, é uma nova etapa ideológica liberal: precisamos ajustar os valores do passado à nova conjuntura digital!

O Liberalismo 3.0 não é ideologia de laboratório utópica, não propõe revisão da natureza humana, mas ajustes necessários para os novos desafios da liberdade dos indivíduos.

O Liberalismo 3.0 percebe que o Sapiens cresce demograficamente, precisa criar novas mídias para que possa sofisticar a sociedade, baseado em novas paradigmas, mas com os mesmos valores de liberdade individual.

É operação filosófica-teórica-metodológica cirúrgica.

Foi, aliás, justamente o que os pensadores liberais do passado fizeram. E é o que os pensadores liberais deste novo século agora terão que fazer: ajustar os valores liberais ao mundo digital!

É isso, que dizes?

Veja o áudio que fiz sobre este tema andando na lagoa:
https://youtu.be/MmKnYGulAVs

 

 

 

A vida acha nossas teorias muito engraçadas. Ainda mais aquelas que se dizem absolutas.

A vida tem lógica própria que vai se revelando no tempo, conforme vamos acumulando saberes ou alterando determinadas conjunturas.

O que vivemos hoje no início deste novo milênio é o fim de um ciclo demográfico-cognitivo, só possível de ser compreendido na linha do tempo da macro-história.

Concluímos a fase Analógica do Sapiens, quando baseamos toda nossa cultura nos gestos, na oralidade e na escrita (manuscrita e impressa) e agora adentramos na Era Digital.

Podemos, se quisermos, dividir o Sapiens, assim: AD e DD, antes e depois do digital.

Tudo que vivenciaremos nos próximos milênios será fortemente marcado pelas novas possibilidades que o digital traz ao Sapiens.

Assim, a vida não está estranha agora neste novo século, está apenas mostrando facetas que nossas velhas teorias não compreendem.

O que temos que fazer, diante de novas facetas da vida, é admitir que nossas teorias estão com prazo de validade vencidos.

É isso, que dizes?

 

Teorizar é estudar as forças da vida, que precisam ser interpretadas.

A lógica do ser humano é diferente da lógica da vida: há sempre aproximações provisórias e nunca certezas finais.

Teorias deveriam ser desenvolvidas de maneira independente para fugir das intoxicações do mercado.

Teorias são a ponte entre o que a vida quer nos dizer e a nossa capacidade de interpretar o recado.

Um teórico deveria ter liberdade de criar jogo lógico com a vida sem ter que atender demandas imediatas de clientes.

Teorias são uma espécie de mapa das forças, com as quais desenvolvemos metodologias e tecnologias.

Clientes querem resolver problemas, geralmente de curto prazo, e querem teorias que atendam mais a sua demanda.

O mercado de maneira geral quer que a vida tenha a lógica que mais se adequa à sua vontade e não o contrário.

E aí surgem as teorias marqueteiras.

Teorias marqueteiras são aquelas que visam atender às demandas daquilo que o mercado quer que seja a vida e não o que realmente ela é.

Partem da fantasia de que as organizações determinam a lógica da vida e não de que a vida tem lógica própria, independente das organizações.

O que se vê hoje é larga profusão de Teorias Marqueteiras com baixa capacidade de entender o que realmente ocorre na vida.

De fato, vivemos hoje explicitações inusitadas de novas forças, que exigem interpretação.

E eis o resumo da crise teórica em que vivemos:

Quando mais precisamos de pensadores independentes para entender o que a vida está realmente nos dizendo, mais aparecem marqueteiros teóricos com explicações ineficazes de prateleira.

Não é à toa que as organizações estão zonzas!

Em áudio:

Estamos completamente viciados em pensamentos incrementais.

A incrementalidade usa determinadas partes do cérebro mais ligadas aos sentidos. Melhoramos uma cadeira, pois vemos a cadeira. Sentamos na nova e constatamos como nosso corpo fica mais confortável.

E é isso que podemos dizer que é a característica principal de uma Cabeça Incremental: é preciso sentir, para perceber.

Nossa Cabeça Incremental, é fato, fez sucesso no último século e, por causa disso, se tornou modelo de pensar e agir hegemônico nas organizações.

Houve forte estímulo para a incrementalidade mental como fator de sucesso.

Para cenário incremental, não resta menor dúvida, que:  Cabeça Incremental!

O que estamos vivendo atualmente, entretanto, é o fim de  Era Civilizacional, que podemos chamar de Analógica e a passagem para outra, a Digital – que nos traz cenário disruptivo.

E, por causa disso, profunda crise das Cabeças Incrementais!

O que era sucesso no passado,  nesta nova conjuntura, está se tornando fracasso.

Uma Cabeça Incremental, por exemplo, não conseguiria nunca a passagem da cooperativa de táxi para o Uber por mais que quisesse.

O criador do Uber usou a Cabeça Disruptiva:  nova oferta inexistente para demanda invisível.

A criação do Uber teve que acessar determinadas áreas do cérebro que permitem pensamentos mais reflexivos e abstratos – inacessíveis para Cabeças Incrementais.

A incrementalidade é um tipo de pragmatismo puro e a disrupção, abstrato.

A alta taxa de Cabeças Incrementais, podemos dizer, é hoje principal problema competitivo das organizações tradicionais.

É preciso promover passagem, em curto espaço de tempo, do Cérebro Incremental para o Disruptivo, através de novas e inovadoras metodologias.

Não é tarefa fácil.

O primeiro passo, entretanto, é admitir que a Cabeça Incremental, tão badalada, passou de remédio a veneno.

É preciso trocar, urgente, a medicação!

É isso, que dizes?

Em áudio:

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