Estamos no final de uma longa etapa cognitiva, na qual as organizações foram pouco cobradas pelo mundo exterior. Tal fator ambiental, fez com que elas fossem, aos poucos, se voltando para dentro e ficassem com pouca flexibilidade para atender e mudar. Hoje, precisam pensar o futuro, através de uma carteira de inovação que as leve a ser uma empresa líquida, mais adaptada a conviver no novo século.

Versão 1.0 - 09 de agosto de 2012
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Desde 1995, tenho empresa na área da Internet.

Isso significa que sou um vendedor de futuro.

Há profissões que vendem presente (as que cuidam do nosso dia-a-dia) e outras, passado (que preservam o que já fizemos).

Viver de futuro é algo que nos leva a estar o tempo todo conhecendo com o ser humano muda para tentar superar as barreiras.

(Acredito que o tema gestão de mudança deve fazer parte integrante do currículo de todas as profissões daqui por diante. Ou seja, gestão de mudança não é uma profissão, mas uma disciplina tão relevante para nós como é matemática ou o português.)

Basicamente, quem vende futuro, precisa:

  • - apresentar um novo cenário consistente;
  • - mostrar as possíveis consequências no tempo;
  • - e sugerir alinhamentos para reduzir perdas e aumentar ganhos.

De maneria geral,  pensamos dentro de determinados parâmetros e qualquer indício de que existe um fator “M”, que vai mudá-lo, tendemos a negá-lo.

M=mudança.

Isso faz parte do nosso conflito principal diante da Morte, o fator “M” principal e inevitável.

Converso com amigos que falam da vida como se fosse eterna.

Em todos os planos, não há um possível acidente fatal ou mesmo algo que possa tirar os projetos do seu curso.

Organizações são coletivos de pessoas e expressam esse micro no macro.

Dito isso, definimos o que é estrutural, mas vamos falar no conjuntural, o que está ocorrendo no mundo nessa virada de século. O momento especial em que vivemos.

Estamos no final de uma longa etapa cognitiva, na qual as organizações puderam ser pouco cobradas pelo mundo exterior. Tal fator ambiental, fez com que elas fossem, aos poucos, se voltando para dentro e ficassem com pouca flexibilidade para atender e mudar.

Hoje, há uma mudança no ambiente cognitivo, na qual o exterior foi empoderado, o que nos leva a uma abertura e uma necessidade constante de mudança das organizações.

Isso é um dado novo, inevitável e irreversível!

Esse mesmo ambiente torna possível que novos empreendimentos aconteçam, reduzindo o ciclo longo de produtos, serviços, processos. (Some o vertiginoso aumento de população e mudar passa a ser algo cada vez mais necessário.)

  • Antes, era bom quem dominava a arte de repetir.
  • Hoje, a diferença é quem consegue dominar a arte de mudar, de se adaptar.

Ao se pensar esse planejamento do futuro, temos, de forma evidente, o mercado falando na necessidade de inovar.

(Se alguém disser que não é inovador, ficará de castigo durante um bom tempo.) :)

Na verdade, quanto mais se fala em inovação, mais estamos querendo dizer que as organizações precisam mudar as bases que nos levaram ao ambiente pouco mutante atual.

As organizações, assim, precisam encarar a inovação como uma adaptação a um mundo mutante, que passa por toda a maneira de se pensar e agir.

Inovação, avisem, não é uma placa na porta de uma sala, na qual as pessoas ficam lá reclamando de quem nada vai mudar mesmo.

Essa adaptação de um ambiente sólido para um líquido é o fator “M” da vez.

Muitos o consideram mais um modismo: “ja tivemos tantos na história da gestão, apenas mais um”.

Porém, é preciso perceber a diferença entre ter que colocar uma capa por causa da chuva e ligar ou não o chafariz do jardim para molhar as plantas.

Há mudanças controláveis e outras não, nas quais a adaptação é inevitável.

Se chove e sem capa, você se molha.

Assim, implantar projetos de inovação torna-se algo fundamental para conseguir ir levando.

É simples assim, por mais que nossa onipotência não goste.

Ou seja, quando falamos em organizações líquidas, 2.0, dialógicas, que conversam com o mundo exterior não se fala em mais uma braço da administração moderna, mas apenas de um alinhamento necessário, que a administração moderna está procurando formas de resolver.

É algo de fora para dentro e não o contrário.

Por isso, à fórcepes, vamos ter que construir o conceito, pela ordem:

  • - da necessidade da inovação, não como uma opção, mas como uma imposição;
  • - da passagem da inovação operacional para a estratégica;
  • - da inovação estratégica à construção de uma carteiras de inovação – que determinam projetos incrementais, mais incrementais e radicais para garantir o amanhã;
  • - e dentro destes projetos, alguns que são transformadores, nos quais vamos experimentar a cultura digital colaborativa intensamente.

Há que se reservar recursos para que isso seja feito, de forma planejada, podendo até contar com capital de risco, que abunda aí à procura de bons projetos.

Todos nós, os que vendem e os que precisam comprar futuro, precisamos ter abertura para conversar e ver como resolvemos estes impasses.

Não há receita de bolo para um bolo que nunca foi feito!

O valor do passado de fazer mais e bem do mesmo – tem que dar lugar a fazer mais e bem sempre se adaptando.

É isso.

Que dizes?