É bom que analisemos, sob esse ponto de vista, de fora, qual é o nosso hábito de consumo de informação para poder aprimorá-lo, sermos mais eficazes e conseguirmos cada vez mais com menos – dedicando mais tempo para o relevante: melhorar nossa colaboração para melhorar os processos equivocados do mundo.

Versão 1.0 – 08 de Junho de 2012
Rascunho
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Estava almoçando com um amigo que me dizia que naquele justo momento centenas de mensagens do Twitter estavam sendo emitidas – e ele as estava perdendo.

Vivemos cada vez mais essa ansiedade.

Ansiedade é fruto de um sentimento inexplicável de querer mudar algo que não temos força para fazê-lo. Para reduzi-la, temos que lidar com nossa onipotência, algo que não é tão fácil. E passar a lidar com o dado problema de uma nova maneira, nos rendendo aos nosso limites humanos.

Assim, a pergunta que se coloca é:

Como gerenciar tanta informação, ainda mais em um mundo de abundância e não de escassez?

O assunto correu e acabei não indo mais fundo.

(É um tema recorrente no blog e eu gosto de escrever como se fosse novo para lidar de forma diferente com ele.)

Acredito que temos que encarar o consumo de informação como um hábito, como outras rotinas tais como alimentação, lazer, etc.

Criamos hábitos que nos guiam, a maioria, aliás, que perdemos a consciência dele, tornam-se invisíveis: “eu sou assim”, “eu gosto disso”.

Não nos damos conta que fomos educados assim e condicionados (de forma proposital, ou não). Estamos assim e temos que assumir nossa condição e responsabilidade por isso.

Ficamos, portanto, prisioneiros de nossos hábitos, de onde vem os vícios – que é um hábito mais agressivo.

Só existe uma forma de mudar de hábito: olhar para ele como se fosse algo feito por outra pessoa (o que no fundo é verdade, pois somos, no mínimo dois – o que pensa e o que olha o que pensa.), que é, aliás, a base da filosofia.

É bom que analisemos, sob esse ponto de vista, de fora, qual é o nosso hábito de consumo de informação para poder aprimorá-lo, sermos mais eficazes e conseguirmos cada vez mais com menos – dedicando mais tempo para o relevante e melhorar, assim, nossa colaboração para melhorar os processos equivocados do mundo.

É bom que se diga: a informação é um meio para se chegar a um fim e não um fim em si mesmo – como o vício acaba nos iludindo!

De maneira geral, é humano nos hipnotizarmos pelo dia-a-dia, curto prazo, fatos corriqueiros, problemas cotidianos.

Nosso trabalho nos exige esse tipo de postura.

Parecer ocupado é bom para os negócios de maneira geral, porém nem sempre somos melhores profissionais por causa disso. Criamos muita fumaça assim, porém pouco fogo!

Em tese, quanto mais tempo nos dedicarmos a esse tipo de informação (chamemos de informação de extrato de banco, fofoca, causos, fatos cotidianos), menos vamos ter noção do todo e mais e mais precisaremos consumir informações cotidianas.

A informação cotidiana é um vício que nos leva para um consumo mais e mais desenfreado – tipo uma cocaína informacional.

O problema é que esse quase vício vai nos tirando tempo para nos dedicar a informações de problemas complexos, mais relevantes e que vão impactar mais a nossa vida hoje e amanhã.

Ou seja, passamos a ser surpreendido por fatos que parecem grandes novidades, apesar de estarmos, teoricamente, navegando no mar da informação!

Aquilo que alguém disse que ia acontecer no mar de informações não chegou aos nossos ouvidos, pois estávamos preocupados olhando para o outro lado!

Saber quem escutar no mar de barulhos é a grande diferença. E não ter mais informação por tê-la!

Pergunta-se, então: como podemos consumir menos informação, com mais resultados?

Sobrando mais tempo para informações de fundo, de mais qualidade.

Não tem jeito.

Não vai se ter tempo para algo melhor se continuarmos viciados no pior!

Certo?

Indo mais fundo no problema podemos levantar a questão:

O ser humano se informa mesmo para que exatamente?

Basicamente, para tomar decisões melhores.

  • Vai chover?
  • O dólar vai subir?
  • Vão me demitir brevemente?
  • O que devo estudar?
  • Qual melhor escola para meus filhos?
  • Qual é o melhor tratamento para essa alergia que estou nos olhos?

Assim, não é mais informação, ou menos informação, mais quantitativa ou mais qualitativa que importa, mas definir bem:

  • - as perguntas que temos para resolver;
  • - qual o nível de complexidade dessa pergunta;
  • - quais as  fontes relevantes de informação que podemos nos ajudar a pensar sobre elas?
  • - e, por fim,  a partir de tais respostas provisórias, o que eu vou melhorar na minha vida, da minha empresa, a partir dela?

Outro aspecto que me parece bem humano é a nosso constante, sistêmico e viciante hábito de querer com o menor esforço intelectual possível, ter as respostas adequadas a cada problema, não diferenciando a complexidade do mesmo.

Se fizermos uma “personal carteira de gestão da informação” no nosso dia a dia, iremos observar que perdemos mais tempo com problemas simples, nos entupimos de informação passageira, com efeito de curto prazo e não dedicamos quase nenhum tempo para as mais complexas.

E são justamente as mais complexas que farão toda a diferença no nosso futuro.

Ou seja, estamos aumentando o risco de sermos surpreendidos por fatos que vão parecer mágicos, persecutórios, pelo simples motivo de não ter separado os problemas simples dos complextos – e nos dedicado de alguma forma a estes últimos.

A gestão da informação, portanto, é um reflexão da gestão da nossa vida. Não vamos melhorar nossa performance informacional se não melhorarmos nossa qualidade de vida – e vice-versa!

Nessa gestão da carteira de informação, se queremos mudar nossas práticas, criar inovação, repensar rotinas, devemos incluir problemas complexos e dedicar um tempo maior para conseguir compreendê-los.

Meu amigo trabalha com gestão de marketing em uma grande empresa de ensino.

Poderia dizer que existe uma série de questões imediatas que ele tem que resolver e algumas de médio e longo prazo, que vão acabar ajudando bastante a não “perder tempo” com questões menores – que podem, aliás, definir a sua vida profissional.

Boas questões são:

  • Com a revolução cognitiva atual, o marketing muda?
  • Se sim, de que maneira? E como na área de ensino?
  • Para onde?
  • Quem são os autores que podem trazer ideias novas nesse campo?
  • Experiências?
  • Cases?
  • É possível uma empresa não nativa na nova cultura digital praticar um marketing colaborativo? Se sim, como? Se não, qual o caminho?
  • Como as empresas digitais estão se virando?
  • Basta ser nativa digital para apresentar um marketing colaborativo?
  • Quais os novos princípios do marketing colaborativo?

Digamos que são pontos que vão se refletir mais adiante, porém se começa-se a perceber o longo prazo, rapidamente vai se reduzindo alguns esforços (de tempo e dinheiro) e migrando para algo que fará mais sentido.

Ou seja, dedicar algumas horas da semana de trabalho, (pois se informar e conhecer é trabalho), fará uma grande diferença na vida desse profissional hoje e amanhã.

Por fim, problemas complexos são mais complexos; ;)

É preciso dedicar tempo para identificar mais suas causas do que as consequências.

  • As causas mudam pouco, ou muito menos, e as consequências são muito variantes.
  • A causa é o cachorro e a consequência o rabo.
  • Olhar para o rabo balançando é muito mais cansativo do que para o cachorro!

Olhar problemas complexos exige analisar as forças em movimento e como se relacionam e como mudam conforme cada contexto, aí está o o DNA que temos que observar.

Estudar problemas complexos significa compreender, antes de tudo, suas forças, como se relacionam entre si e o que muda a cada contexto – que é a base de toda boa teoria.

Com esse arcabouço teórico, extremamente prático, forma-se cada vez melhor a caixa – sempre provisória –  de quebra-cabeças maior, porém não dogmático, flexível, dentro de contextos, o que vai nos ajudar a separar o joio do trigo da informação relevante daquela que é supérflua, refletindo na sua qualidade de vida pessoal e profissional.

Vai se ler menos, com mais qualidade e mudar muito mais, com um índice de acertos maior, dedicando-se cada vez mais ao que é relevante.

Se o ambiente em que você trabalha não permite isso, já não é uma questão informacional, mas de gestão de carreira.

É isso,

que dizes?