É melhor uma filosofia barata, do que filosofia nenhuma – Nepôda safra 2011;

Tanta confusão, né?

No meu último módulo no IGEC discutimos o assunto: o que é modismo e o que é tendência nesse mundo 2.0 tão louco?

Com tantas mudanças?

E aí vem a Marilena Chauí, num livro que recomendo a todos “Convite à Filosofia” e me diz o seguinte:

“A filosofia tem especial interesse pelos momentos de crise ou críticos, quando sistemas se envolvem em contradições internas, ou buscam transformações e mudanças cujo sentido não está claro e precisa ser compreendido”.

A filosofia é uma atitude humana de questionar, diria que é um verbo, uma maneira de ver o mundo, chamo a Chauí de volta:

“Filosofia é uma reflexão (não uma ciência) sem a qual e sem a qual o mundo permanece tal e qual (…) tem como finalidade ensinar-nos a virtude, o bem-viver (…) de como pensamos, agimos e falamos, através da análise, reflexão, da crítica, da síntese é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.(…) “

Tenho dito aqui nesse humilde blog de esquina da rede que estamos entrando em um surto filosófico, pós-revolução informacional, pois justamente estamos precisando rever todos os conceitos que estão aí no mundo perdidos.

Uma revolução informacional retira da sociedade um véu do controle da informação, que deixa de bumbum de fora o que era líquido (ou melhor sólido) e certo.

O poder vigente consolida conceitos para se manter e estes, quando começam a ser oxigenados, passam a ter que se refeitos.

Eis o movimento filosófico em curso.

Precisamos subir o patamar e como detalhei nas 3 dimensões da informação, estamos necessitando subir na cobertura do conhecimento humano para conseguirmos resgatar uma lógica perdida, portanto, a filosofia.

E veja, que no livro da Chauí me veio uma chave importante para esse tema tão discutido do que é do que é modismo ou tendência no mundo 2.0?

O que vem para ficar com a rede e o que passará rapidamente?

A filósofa nos lembra que os gregos definiram que no mundo temos três fenômenos sociais e da natureza que precisam ser separados: o necessário, o acaso e o possível.

  • O necessário é algo que sempre acontecerá por faz parte das necessidades;
  • O acaso, idem, mas não são tão regulares, são coisas que acontecem, que mudam, mas sob as quais não temos ingerência também;
  • E o possível que são coisas que não estão dadas, que dependem de ações humanas que podem nos levar a diferentes caminhos, conforme nossa ação.

Tal fato, nos leva a caminhos muito interessantes se aplicarmos esses conceitos ao estudo da Internet.

Ao emprestarmos a rede fatores que são determinantes, tais como: ” A Internet vai nos deixar mais burros, mais superficiais” Ou que “é um celeiro de criminosos” etc, estamos colocando um fator necessário, como se fizesse parte constituinte do fenômeno e não algo que temos a capacidade com ações interferir, possível.

A rede lida com os fatores necessários, do tipo melhorar a produção, a inovação, a informação para podermos sobreviver. Sem ela, o mundo entra em colapso por causa da super-população.

Isso parece lógico e necessário.


O que acontecerá, a partir desse fato, podemos atribuir alguns fatores ao acaso, como o surgimento do Facebook ou do Google, daquele jeito, por aquelas pessoas.

Porém, como vamos utilizá-los, as campanhas que podemos fazer para corrigir rumos que a Internet pode estar tomando, tais como não privilegiar o acesso a todos ou reduzir a comunicação presencial, são fatores que podemos agir e inteferir.

Não estão dados, são passíveis de ação.

Tal fato, demonstra o quanto a filosofia vai entrar nas nossas vidas, é o elemento que falta para podermos dar saltos de compreensão.

E que não devemos acreditar em determinados fatores sólidos sobre a rede, daquilo que podemos mudar.

O interessante é que quem não quer mudar escolhe justamente os dois inversos.

  • A rede não vai vingar é modismo, passível de alteração.
  • E será ruimo para a sociedade, tendência.

Quando a lógica mostra justamente o contrário.

Ela é necessária e inapelável, porém tem coisas que devemos e podemos mudar!

Basta agir.

Que dizes?